Siga-nos nas redes sociais

Destaque

Robert Kirkman se despede de The Walking Dead em emocionante carta de agradecimento

Ao final da edição 193 o criador de The Walking Dead, Robert Kirkman, escreveu uma carta em agradecimento a todos os fãs e a equipe de produção.

Avatar

Publicado há

em

Os fãs de The Walking Dead ficaram chocados com o fim dos quadrinhos na edição 193 da história. Robert Kirkman, criador da saga, já havia encomendado as capas das duas próximas edições para não levantar nenhuma suspeita de que a série impressa estava chegando ao fim. Na conclusão, ele deixou um recado para os admiradores das HQs.

Confira o depoimento integral de Robert Kirkman nas últimas páginas da edição 193 de The Walking Dead:

Este é o fim de The Walking Dead. É isto, acabou… terminamos.

Tenho certeza que vocês têm um milhão de perguntas… e tenho certeza que vocês se sentem tão emocionados quanto nós… se não mais. Estou completamente disposto a apostar que alguns de vocês estão bravos quanto a isto. Eu entendo… entendo mesmo. POR QUE não anunciamos para os fãs terem algum tempo para se preparar?

Bom… pessoalmente… eu odeio saber o que está por vir. Como fã, eu odeio perceber que estou no terceiro ato de um filme e a história está ficando menor. Odeio poder contar intervalos comerciais e saber que estou chegando ao final de um programa de TV. E odeio que você possa SENTIR quando está chegando ao fim de um livro ou uma novela.

Alguns dos MELHORES episódios de Game of Thrones são quando eles estão estruturados de tal forma e seguem o ritmo da perfeição para que seu cérebro não saiba se está assistindo por 15 minutos ou 50 minutos… e quando chega o fim… você fica ATORDOADO.

Por esse mesmo motivo eu amo filmes LONGOS. Você perde noção do tempo porque se convenceu que você estará lá por um longo tempo, mas a história avança em um ritmo tão divertido e envolvente que, no momento em que o filme está terminando… você não pode acreditar que já acabou. SURPRESA, acabou!

Tudo o que fizemos, tudo o que um criador pode fazer, são histórias sob medida para entreter a eles mesmos, e torcer para que o público sinta o mesmo. Isso foi tudo que fizemos, e parece que deu certo na maior parte do tempo.

LEIA TAMBÉM:
Saiba o que acontece na edição final da HQ de The Walking Dead

THE WALKING DEAD sempre foi construído na surpresa. Não saber o que está para acontecer quando você vira uma página, quem vai morrer, como eles vão morrer. Isso foi ESSENCIAL para o sucesso dessa série. Foi a força vital que manteve isso durante todos esses anos, mantendo as pessoas envolvidas.

Pareceu ERRADO e contra a própria natureza desta série não fazer o fim tão surpreendente quanto todas as grandes mortes… de Shane até Rick.

Para ser honesto… a ideia pareceu muito boa na época, mas agora cá estamos e a série acabou, estou pensando melhor. Não a ponto de mudar o rumo das coisas… isso seria impossível de se fazer. Mas… é possível, por mais que eu odeie admitir, que eu esteja genuinamente sentindo um arrependimento por todo esse plano maluco.

Eu quero que você veja o que aconteceu, quero que você entenda o porquê, se isso for possível. Sinto que todos vocês merecem pelo menos isto. Então vamos abrir o jogo de uma maneira que eu… bem, costumo tentar não fazer. Quando se trata do final desta série… vamos aos fatos.

LEIA TAMBÉM:
Confira o que acontece com o Negan no final de The Walking Dead

Lá pelo início de 2015, Charlie Adlard criou a capa para a edição #142. Ele tinha tomado o mesmo rumo que eu, de mostrar como as pessoas estavam felizes na feira de Alexandria, os estandes, o comércio… uma cena muito civilizada, e ele trabalhou maravilhosamente com esse conceito. Era uma capa diferente de tudo o que havia antes. Para mim, foi um verdadeiro ponto de virada para esta série.

O negócio é que… isso foi há mais de quatro anos atrás… mas eu sabia praticamente todas as histórias que iam acontecer até o final. Uns dois anos antes, por volta de 2013, eu inclusive disse ao Charlie na Comic-Con de San Diego qual seria o gancho da edição final. Eu só não sabia exatamente em qual edição essa história final aconteceria. Eu sabia do fim, mas não sabia onde ele cairia. Eu pensei… lá pela edição #300. Como eu disse publicamente… eu sempre quis alcançar este número, aquele grande número que todos os insanos criadores de quadrinhos perseguem.

Mas quando eu vi a capa da edição #142… ficou claro para mim. Pensei ‘Oh droga. já estamos na feira! O Império já está virando a esquina… e… Oh, cara. Não vai TER COMO eu chegar na edição #300’. Foi a primeira vez que eu percebi que não tinha história desenvolvida o suficiente para chegar lá. Eu não sabia exatamente por quanto tempo lutaríamos contra os Sussurradores ou quanto tempo gastaríamos no Império antes que Rick provocasse sua própria morte… mas eu sabia que toda essa história não duraria por mais 150 edições.

Eu comecei a resolver as coisas… tentando descobrir em quanto tempo as coisas correriam… e ficou claro para mim… eu tinha cerca de 50 edições antes do meu final planejado. Eu sempre tenho que manter as coleções em minha cabeça. Como fazemos 48 edições por Compendium (que são muito populares, nosso formato mais popular) seria realmente irresponsável envolver essa série de forma que os leitores tivessem que comprar um formato diferente para terminar a história. Então eu fiquei feliz porque parecia que as coisas iriam funcionar e a série terminaria bem no quarto compendium.

LEIA TAMBÉM:
O que o fim dos quadrinhos de The Walking Dead significa para a Série de TV?

Mas eu não tinha certeza se era hora de finalizar as coisas.

Eu amo escrever essa série. Tem sido o sonho da minha vida. Então, quando eu cheguei a essa conclusão, meu primeiro instinto foi: ‘bem, eu só preciso criar novas histórias’. Eu até gastei algumas semanas tentando criar uma nova trama, novos desvios de história para empurrar o final que eu tinha em mente e manter as coisas acontecendo… por um tempo, provavelmente até um longo tempo… um compendium extra, talvez dois.

E… de novo, puxando a cortina de volta… isso aconteceu antes. Eu já tinha abandonado um final planejado para manter a série em andamento. Sim… é uma informação que eu nunca contei em lugar algum.

Vamos sair pela tangente por um momento. Quando a história chegou à Alexandria na edição #72, as coisas estavam muito bem; Rick e o grupo estavam prestes a ter problemas para se encaixar por tudo que passaram. Isso levaria a conflitos dentro de Alexandria, e acabaria por levar Rick a assumir o controle. A grande história de NO WAY OUT (Sem Saída) terminaria com Rick proclamando que Alexandria era um lugar pelo qual valeria a pena lutar, e que eles não podiam mais continuar se movendo de um lugar para outro. Eles tiveram que se posicionar, estabelecer raízes e começar a construir a partir daí. Seus dias nômades ficariam para trás.

Bem… por anos, era o que tinha planejado para acontecer… o fim. Rick faria sua proclamação, e o discurso terminaria com um grande close no rosto de Rick, você viraria a página, e o rosto dele seria o mesmo, mas em uma estátua, e você daria um zoom e veria a estátua completa com algumas videiras crescendo no fundo dela, rachaduras se formando, e perceberia que ela era bem velha.

LEIA TAMBÉM:
Confira o que acontece com a Michonne no final de The Walking Dead

Nós continuaríamos o zoom até vermos que a estátua era em Alexandria, no mesmo lugar em que ele deu o discurso, mas estava diferente. Era velho e degradado, janelas quebradas e portas sumidas. Nós continuaríamos o zoom até um zumbi aparecer, depois outro e veríamos que Rick os havia levado a Alexandria, dado este grande discurso sobre a reconstrução da civilização e SIDO BEM SUCEDIDO a ponto de construírem uma estátua para homenageá-lo… mas no fim, os mortos venceram, a sociedade sucumbiu de novo, agora aparentemente de vez, e é isso.

Seria um fim TERRÍVEL. Sombrio, triste… fez toda a história ficar sem sentido. O que posso dizer… Eu era jovem e a maioria dos finais que escrevi ou desenvolvi na época… eram bem sombrios. Então esse final… lembrando agora foi embaraçosamente ruim, mas mais do que isso, eu não estava pronto para terminar esta série. Não por um longo tempo.

Vocês têm que entender que, quando comecei a escrever a série, eu não tinha ideia de que chegaria ao volume #12. Então pensar que teria um quadrinho que teve 100 edições era loucura. Então, quando este quadrinho realmente decolou em seu segundo ano, eu pude fazer planos de longo prazo para o futuro, mas mesmo naquele momento, chegar a 100 edições ainda parecia impossível.

Então quando me encontrei encarando um volume de 100 números, eu simplesmente não estava pronto para me desapegar. Estava me divertindo muito. Pense em como as coisas teriam acontecido se eu tivesse encerrado as coisas então… sem Negan, sem Ezekiel, sem Guerra Total, sem salto de tempo, sem Magna, sem Sussurradores, sem Império, sem Princesa… e um final realmente desalinhado para lançar.

Para completar, logo depois que eu terminei o final planejado e decidi continuar, eu cheguei a praticamente o final exato desta edição, que eu senti ser muito mais adequado e recompensador.

LEIA TAMBÉM:
Confira o que acontece com a Maggie no final de The Walking Dead

Estou feliz por ter tomado a decisão que tomei na época. Não me arrependo.

Dessa vez, no entanto, as coisas foram bem diferentes. Enquanto trabalhava para encontrar maneiras de expandir a história, nada disso parecia certo. Tudo parecia um desvio desnecessário… foi, na falta de uma palavra melhor, enrolação. Quanto mais eu tentava descobrir novos lugares para ir, mais claro era para mim que isso era o que esta história precisava… precisava terminar.

Então, como eu disse… pareceu uma boa ideia na época. QUATRO ANOS atrás este plano parecia sólido como uma rocha. Nunca contar a ninguém, manter em segredo, ao ponto de solicitar edições falsas que nunca existiram para realmente surpreender as pessoas. Oh, cara… achei que isso seria ótimo.

Eu resolvi com Charlie imediatamente. E ele sempre quis um final satisfatório. Ele estava comigo, o tempo todo, desde que eu não enterrasse a série. Charlie só queria fazer desta HQ algo especial. Se eu tivesse um plano sólido para 300 edições, ele faria acontecer, mas se eu começasse a criar histórias que Charlie achava que eram fracas, eu teria sido informado e ele me convenceria a terminar a série. Então, quando falamos sobre o plano, Charlie ficou animado, seu medo de que empolgássemos e mantivéssemos a saga indo bem além de sua popularidade foram aquietadas.

Vou dizer de novo, eu amo (amei… meu Deus, não estou pronto para usar o tempo pretérito) escrever essa série. Eu realmente não quero que ela acabe. Na verdade, fiquei um pouco inquieto desde que escrevi o roteiro para essa edição. Tudo isso parece apenas… estranho.

De certa forma, acabar com essa série é como matar um personagem principal. Muito, muito mais difícil… mas é o mesmo sentimento. Eu NÃO QUERO ter que fazer isso. Eu preferiria que a história continuasse rolando… mas a história está me dizendo o que ela quer e o que precisa. Isso precisa acontecer. Quer eu queira ou não.

LEIA TAMBÉM:
Confira o que acontece com a Sophia no final de The Walking Dead

Me parece o certo… enquanto também parece… terrível.

O principal sobre tudo isso é… bem, estou assustado. A maior parte da minha vida profissional foi gasta nesta série. Incontáveis horas foram dedicadas a isso, meses e meses. Mais do que tudo nos últimos 16 anos da minha vida… isso vai fundamentalmente mudar a minha vida. Então estou apavorado.

Quando meus dedos digitaram ‘fim’ no teclado quando terminei este testemunho… eu pensei que me sentiria aliviado ou algum resquício de orgulho por um trabalho bem feito, mas na verdade era apenas… medo. Eu não estava pronto para isso acabar… mas havia acabado.

Acabou.

Estranhamente, por mais inseguro que eu esteja para terminar a história, me sinto confiante em como a terminei.

Espero que vocês também fiquem felizes. Mesmo que você esteja chateado por não ter mais tempo nesse universo.

Eu também estou chateado. Eu vou sentir falta dele tanto quanto você, se não mais. Meu coração corta por ter que acabar com isso, e nós teremos que seguir em frente… mas eu simplesmente amo esse mundo demais para esticar as coisas até que ele não corresponda ao que eu quero.

Espero que vocês entendam.

Espero que você, querido leitor, saiba o quanto agradeço pelo presente que você me deu. Eu pude contar  minha história exatamente como eu queria, em 193 edições, e terminá-la do meu jeito, sem nenhuma interferência no caminho… a qualquer momento. Isso é uma coisa tão rara e não existe sem o suporte inflexível que essa série recebeu de leitores como vocês. Muito obrigado.

LEIA TAMBÉM:
Confira o que acontece com a Lydia no final de The Walking Dead

Obrigado, Tony Moore, por desenhar as seis primeira edições. Obrigado, Cliff Rathburn, por incontáveis ​​horas gastas moldando a arte em preto e branco com tons de cinza. Obrigado, Rus Wooton, por transformar minhas palavras em arte mês após mês. Obrigado, Stefano Gaudiano, por moldar os lápis de Charlie por quase 100 edições. Obrigado, Aubrey Sitterson e Sina Grace, pelo seu tempo mantendo essa insanidade sob controle. Obrigado, Sean Mackiewicz, por ver este projeto até o fim, apesar de achar que cada compendium seria o último… e, você sabe, fazer um ótimo trabalho ao longo do caminho. Obrigado, Arielle Basich, por manter Sean são e fazer o trabalho pesado. Obrigado, Andres Juarez, por manter este livro atual depois de estar na prateleira por mais de uma década. Obrigado, Carina Taylor, por fazer o mesmo. Obrigado, Dave Stewart, por fazer a arte de Charlie rodar em estantes de quadrinhos em todo o mundo. Obrigado, Dave McCaig, por você sabe o que. Obrigado, Ryan Ottley, por essa incrível arte na edição #75 que talvez nunca seja coletada. Obrigado, Cory Walker, pelo seu sábio conselho antes mesmo de começar esta série. Obrigado, Jim Valentino, por tantas coisas, inclusive dizendo: “Mude o título para que você possa possuí-lo.” Obrigado, Shawn Kirkham, por sempre ouvir o que este mundo precisa. Obrigado à equipe da Skybound, que trabalha incansavelmente para trazer-lhe tudo o que você poderia querer e muito mais. Obrigado, Erik Larsen, pelo apoio eterno, até hoje. Obrigado, Eric Stephenson, pelos anos de sessões de estratégia que fizeram desta série um sucesso contínuo. Obrigado à equipe da Image Comics, que foi inestimável na última década e meia… especialmente no departamento de contabilidade. Obrigado, David Alpert, por sua parte em transformar isso em um fenômeno multimídia verdadeiramente mundial, e tudo o que veio junto, e de alguma forma muito mais do que isso. Obrigado, Shep Rosenman e Lee Rosenbaum, por cruzar os Ts e pontilhar o Is para que eu possa manter todos os meus Ts e não perder meu Is. Obrigado, Chris Simonian, por ir à guerra e vencer. Obrigado, Allen Grodsky, por ir à guerra e vencer. Obrigado, John Campisi e a equipe da CAA, por continuarem a luta. Obrigado, Frank Darabont, por ir à House of Secrets em Burbank e dizer: ‘Este aqui’. Obrigado, Gale Anne Hurd, por ajudar a transformar “este aqui” em algo real. Obrigado, Charles H. Eglee, por ser o showrunner original e nos preparar para o sucesso. Obrigado, Jack LoGiudice, por me fazer sentir bem-vindo na sala de roteiristas no primeiro dia… sendo má para mim das formas mais divertidas. Obrigado, Glen Mazzara, por manter o fogo quente. Obrigado, Scott Gimple, por levar o show a novos patamares e por se importar o suficiente para dizer: ‘Sem spoilers, meu Deus, chega de spoilers’. Obrigado, Angela Kang, pelo futuro e além. Obrigado, Greg Nicotero, por fazer os zumbis (er, walkers) REAIS. Obrigado, Chris Hardwick, por contar ao mundo todas as semanas que há uma revista em quadrinhos que vale a pena conferir. Obrigado às dez mil pessoas que trabalham nos agora QUATRO programas de TV baseados no THE WALKING DEAD por terem derramado seus corações nisto e amado este mundo tanto quanto se não mais do que eu.

Mas, mais que tudo, obrigado, Charlie Adlard, por sentar-se à mesa, dia após dia, e dedicar mais horas a THE WALKING DEAD do que a qualquer outra pessoa. Eu não poderia pedir por um parceiro melhor. Foi um sonho que virou realidade moldar este mundo junto com você. Isso nunca teria acontecido sem você. Eu não posso acreditar que chegamos até o fim, meu amigo.

Oh meu deus… eu não acredito que acabou.

Robert Kirkman

Continue lendo
Publicidade
Comentários

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

EM ALTA