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Robert Kirkman se despede de The Walking Dead em emocionante carta de agradecimento

Ao final da edição 193 o criador de The Walking Dead, Robert Kirkman, escreveu uma carta em agradecimento a todos os fãs e a equipe de produção.

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Os fãs de The Walking Dead ficaram chocados com o fim dos quadrinhos na edição 193 da história. Robert Kirkman, criador da saga, já havia encomendado as capas das duas próximas edições para não levantar nenhuma suspeita de que a série impressa estava chegando ao fim. Na conclusão, ele deixou um recado para os admiradores das HQs.

Confira o depoimento integral de Robert Kirkman nas últimas páginas da edição 193 de The Walking Dead:

Este é o fim de The Walking Dead. É isto, acabou… terminamos.

Tenho certeza que vocês têm um milhão de perguntas… e tenho certeza que vocês se sentem tão emocionados quanto nós… se não mais. Estou completamente disposto a apostar que alguns de vocês estão bravos quanto a isto. Eu entendo… entendo mesmo. POR QUE não anunciamos para os fãs terem algum tempo para se preparar?

Bom… pessoalmente… eu odeio saber o que está por vir. Como fã, eu odeio perceber que estou no terceiro ato de um filme e a história está ficando menor. Odeio poder contar intervalos comerciais e saber que estou chegando ao final de um programa de TV. E odeio que você possa SENTIR quando está chegando ao fim de um livro ou uma novela.

Alguns dos MELHORES episódios de Game of Thrones são quando eles estão estruturados de tal forma e seguem o ritmo da perfeição para que seu cérebro não saiba se está assistindo por 15 minutos ou 50 minutos… e quando chega o fim… você fica ATORDOADO.

Por esse mesmo motivo eu amo filmes LONGOS. Você perde noção do tempo porque se convenceu que você estará lá por um longo tempo, mas a história avança em um ritmo tão divertido e envolvente que, no momento em que o filme está terminando… você não pode acreditar que já acabou. SURPRESA, acabou!

Tudo o que fizemos, tudo o que um criador pode fazer, são histórias sob medida para entreter a eles mesmos, e torcer para que o público sinta o mesmo. Isso foi tudo que fizemos, e parece que deu certo na maior parte do tempo.

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THE WALKING DEAD sempre foi construído na surpresa. Não saber o que está para acontecer quando você vira uma página, quem vai morrer, como eles vão morrer. Isso foi ESSENCIAL para o sucesso dessa série. Foi a força vital que manteve isso durante todos esses anos, mantendo as pessoas envolvidas.

Pareceu ERRADO e contra a própria natureza desta série não fazer o fim tão surpreendente quanto todas as grandes mortes… de Shane até Rick.

Para ser honesto… a ideia pareceu muito boa na época, mas agora cá estamos e a série acabou, estou pensando melhor. Não a ponto de mudar o rumo das coisas… isso seria impossível de se fazer. Mas… é possível, por mais que eu odeie admitir, que eu esteja genuinamente sentindo um arrependimento por todo esse plano maluco.

Eu quero que você veja o que aconteceu, quero que você entenda o porquê, se isso for possível. Sinto que todos vocês merecem pelo menos isto. Então vamos abrir o jogo de uma maneira que eu… bem, costumo tentar não fazer. Quando se trata do final desta série… vamos aos fatos.

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Lá pelo início de 2015, Charlie Adlard criou a capa para a edição #142. Ele tinha tomado o mesmo rumo que eu, de mostrar como as pessoas estavam felizes na feira de Alexandria, os estandes, o comércio… uma cena muito civilizada, e ele trabalhou maravilhosamente com esse conceito. Era uma capa diferente de tudo o que havia antes. Para mim, foi um verdadeiro ponto de virada para esta série.

O negócio é que… isso foi há mais de quatro anos atrás… mas eu sabia praticamente todas as histórias que iam acontecer até o final. Uns dois anos antes, por volta de 2013, eu inclusive disse ao Charlie na Comic-Con de San Diego qual seria o gancho da edição final. Eu só não sabia exatamente em qual edição essa história final aconteceria. Eu sabia do fim, mas não sabia onde ele cairia. Eu pensei… lá pela edição #300. Como eu disse publicamente… eu sempre quis alcançar este número, aquele grande número que todos os insanos criadores de quadrinhos perseguem.

Mas quando eu vi a capa da edição #142… ficou claro para mim. Pensei ‘Oh droga. já estamos na feira! O Império já está virando a esquina… e… Oh, cara. Não vai TER COMO eu chegar na edição #300’. Foi a primeira vez que eu percebi que não tinha história desenvolvida o suficiente para chegar lá. Eu não sabia exatamente por quanto tempo lutaríamos contra os Sussurradores ou quanto tempo gastaríamos no Império antes que Rick provocasse sua própria morte… mas eu sabia que toda essa história não duraria por mais 150 edições.

Eu comecei a resolver as coisas… tentando descobrir em quanto tempo as coisas correriam… e ficou claro para mim… eu tinha cerca de 50 edições antes do meu final planejado. Eu sempre tenho que manter as coleções em minha cabeça. Como fazemos 48 edições por Compendium (que são muito populares, nosso formato mais popular) seria realmente irresponsável envolver essa série de forma que os leitores tivessem que comprar um formato diferente para terminar a história. Então eu fiquei feliz porque parecia que as coisas iriam funcionar e a série terminaria bem no quarto compendium.

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Mas eu não tinha certeza se era hora de finalizar as coisas.

Eu amo escrever essa série. Tem sido o sonho da minha vida. Então, quando eu cheguei a essa conclusão, meu primeiro instinto foi: ‘bem, eu só preciso criar novas histórias’. Eu até gastei algumas semanas tentando criar uma nova trama, novos desvios de história para empurrar o final que eu tinha em mente e manter as coisas acontecendo… por um tempo, provavelmente até um longo tempo… um compendium extra, talvez dois.

E… de novo, puxando a cortina de volta… isso aconteceu antes. Eu já tinha abandonado um final planejado para manter a série em andamento. Sim… é uma informação que eu nunca contei em lugar algum.

Vamos sair pela tangente por um momento. Quando a história chegou à Alexandria na edição #72, as coisas estavam muito bem; Rick e o grupo estavam prestes a ter problemas para se encaixar por tudo que passaram. Isso levaria a conflitos dentro de Alexandria, e acabaria por levar Rick a assumir o controle. A grande história de NO WAY OUT (Sem Saída) terminaria com Rick proclamando que Alexandria era um lugar pelo qual valeria a pena lutar, e que eles não podiam mais continuar se movendo de um lugar para outro. Eles tiveram que se posicionar, estabelecer raízes e começar a construir a partir daí. Seus dias nômades ficariam para trás.

Bem… por anos, era o que tinha planejado para acontecer… o fim. Rick faria sua proclamação, e o discurso terminaria com um grande close no rosto de Rick, você viraria a página, e o rosto dele seria o mesmo, mas em uma estátua, e você daria um zoom e veria a estátua completa com algumas videiras crescendo no fundo dela, rachaduras se formando, e perceberia que ela era bem velha.

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Nós continuaríamos o zoom até vermos que a estátua era em Alexandria, no mesmo lugar em que ele deu o discurso, mas estava diferente. Era velho e degradado, janelas quebradas e portas sumidas. Nós continuaríamos o zoom até um zumbi aparecer, depois outro e veríamos que Rick os havia levado a Alexandria, dado este grande discurso sobre a reconstrução da civilização e SIDO BEM SUCEDIDO a ponto de construírem uma estátua para homenageá-lo… mas no fim, os mortos venceram, a sociedade sucumbiu de novo, agora aparentemente de vez, e é isso.

Seria um fim TERRÍVEL. Sombrio, triste… fez toda a história ficar sem sentido. O que posso dizer… Eu era jovem e a maioria dos finais que escrevi ou desenvolvi na época… eram bem sombrios. Então esse final… lembrando agora foi embaraçosamente ruim, mas mais do que isso, eu não estava pronto para terminar esta série. Não por um longo tempo.

Vocês têm que entender que, quando comecei a escrever a série, eu não tinha ideia de que chegaria ao volume #12. Então pensar que teria um quadrinho que teve 100 edições era loucura. Então, quando este quadrinho realmente decolou em seu segundo ano, eu pude fazer planos de longo prazo para o futuro, mas mesmo naquele momento, chegar a 100 edições ainda parecia impossível.

Então quando me encontrei encarando um volume de 100 números, eu simplesmente não estava pronto para me desapegar. Estava me divertindo muito. Pense em como as coisas teriam acontecido se eu tivesse encerrado as coisas então… sem Negan, sem Ezekiel, sem Guerra Total, sem salto de tempo, sem Magna, sem Sussurradores, sem Império, sem Princesa… e um final realmente desalinhado para lançar.

Para completar, logo depois que eu terminei o final planejado e decidi continuar, eu cheguei a praticamente o final exato desta edição, que eu senti ser muito mais adequado e recompensador.

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Estou feliz por ter tomado a decisão que tomei na época. Não me arrependo.

Dessa vez, no entanto, as coisas foram bem diferentes. Enquanto trabalhava para encontrar maneiras de expandir a história, nada disso parecia certo. Tudo parecia um desvio desnecessário… foi, na falta de uma palavra melhor, enrolação. Quanto mais eu tentava descobrir novos lugares para ir, mais claro era para mim que isso era o que esta história precisava… precisava terminar.

Então, como eu disse… pareceu uma boa ideia na época. QUATRO ANOS atrás este plano parecia sólido como uma rocha. Nunca contar a ninguém, manter em segredo, ao ponto de solicitar edições falsas que nunca existiram para realmente surpreender as pessoas. Oh, cara… achei que isso seria ótimo.

Eu resolvi com Charlie imediatamente. E ele sempre quis um final satisfatório. Ele estava comigo, o tempo todo, desde que eu não enterrasse a série. Charlie só queria fazer desta HQ algo especial. Se eu tivesse um plano sólido para 300 edições, ele faria acontecer, mas se eu começasse a criar histórias que Charlie achava que eram fracas, eu teria sido informado e ele me convenceria a terminar a série. Então, quando falamos sobre o plano, Charlie ficou animado, seu medo de que empolgássemos e mantivéssemos a saga indo bem além de sua popularidade foram aquietadas.

Vou dizer de novo, eu amo (amei… meu Deus, não estou pronto para usar o tempo pretérito) escrever essa série. Eu realmente não quero que ela acabe. Na verdade, fiquei um pouco inquieto desde que escrevi o roteiro para essa edição. Tudo isso parece apenas… estranho.

De certa forma, acabar com essa série é como matar um personagem principal. Muito, muito mais difícil… mas é o mesmo sentimento. Eu NÃO QUERO ter que fazer isso. Eu preferiria que a história continuasse rolando… mas a história está me dizendo o que ela quer e o que precisa. Isso precisa acontecer. Quer eu queira ou não.

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Me parece o certo… enquanto também parece… terrível.

O principal sobre tudo isso é… bem, estou assustado. A maior parte da minha vida profissional foi gasta nesta série. Incontáveis horas foram dedicadas a isso, meses e meses. Mais do que tudo nos últimos 16 anos da minha vida… isso vai fundamentalmente mudar a minha vida. Então estou apavorado.

Quando meus dedos digitaram ‘fim’ no teclado quando terminei este testemunho… eu pensei que me sentiria aliviado ou algum resquício de orgulho por um trabalho bem feito, mas na verdade era apenas… medo. Eu não estava pronto para isso acabar… mas havia acabado.

Acabou.

Estranhamente, por mais inseguro que eu esteja para terminar a história, me sinto confiante em como a terminei.

Espero que vocês também fiquem felizes. Mesmo que você esteja chateado por não ter mais tempo nesse universo.

Eu também estou chateado. Eu vou sentir falta dele tanto quanto você, se não mais. Meu coração corta por ter que acabar com isso, e nós teremos que seguir em frente… mas eu simplesmente amo esse mundo demais para esticar as coisas até que ele não corresponda ao que eu quero.

Espero que vocês entendam.

Espero que você, querido leitor, saiba o quanto agradeço pelo presente que você me deu. Eu pude contar  minha história exatamente como eu queria, em 193 edições, e terminá-la do meu jeito, sem nenhuma interferência no caminho… a qualquer momento. Isso é uma coisa tão rara e não existe sem o suporte inflexível que essa série recebeu de leitores como vocês. Muito obrigado.

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Obrigado, Tony Moore, por desenhar as seis primeira edições. Obrigado, Cliff Rathburn, por incontáveis ​​horas gastas moldando a arte em preto e branco com tons de cinza. Obrigado, Rus Wooton, por transformar minhas palavras em arte mês após mês. Obrigado, Stefano Gaudiano, por moldar os lápis de Charlie por quase 100 edições. Obrigado, Aubrey Sitterson e Sina Grace, pelo seu tempo mantendo essa insanidade sob controle. Obrigado, Sean Mackiewicz, por ver este projeto até o fim, apesar de achar que cada compendium seria o último… e, você sabe, fazer um ótimo trabalho ao longo do caminho. Obrigado, Arielle Basich, por manter Sean são e fazer o trabalho pesado. Obrigado, Andres Juarez, por manter este livro atual depois de estar na prateleira por mais de uma década. Obrigado, Carina Taylor, por fazer o mesmo. Obrigado, Dave Stewart, por fazer a arte de Charlie rodar em estantes de quadrinhos em todo o mundo. Obrigado, Dave McCaig, por você sabe o que. Obrigado, Ryan Ottley, por essa incrível arte na edição #75 que talvez nunca seja coletada. Obrigado, Cory Walker, pelo seu sábio conselho antes mesmo de começar esta série. Obrigado, Jim Valentino, por tantas coisas, inclusive dizendo: “Mude o título para que você possa possuí-lo.” Obrigado, Shawn Kirkham, por sempre ouvir o que este mundo precisa. Obrigado à equipe da Skybound, que trabalha incansavelmente para trazer-lhe tudo o que você poderia querer e muito mais. Obrigado, Erik Larsen, pelo apoio eterno, até hoje. Obrigado, Eric Stephenson, pelos anos de sessões de estratégia que fizeram desta série um sucesso contínuo. Obrigado à equipe da Image Comics, que foi inestimável na última década e meia… especialmente no departamento de contabilidade. Obrigado, David Alpert, por sua parte em transformar isso em um fenômeno multimídia verdadeiramente mundial, e tudo o que veio junto, e de alguma forma muito mais do que isso. Obrigado, Shep Rosenman e Lee Rosenbaum, por cruzar os Ts e pontilhar o Is para que eu possa manter todos os meus Ts e não perder meu Is. Obrigado, Chris Simonian, por ir à guerra e vencer. Obrigado, Allen Grodsky, por ir à guerra e vencer. Obrigado, John Campisi e a equipe da CAA, por continuarem a luta. Obrigado, Frank Darabont, por ir à House of Secrets em Burbank e dizer: ‘Este aqui’. Obrigado, Gale Anne Hurd, por ajudar a transformar “este aqui” em algo real. Obrigado, Charles H. Eglee, por ser o showrunner original e nos preparar para o sucesso. Obrigado, Jack LoGiudice, por me fazer sentir bem-vindo na sala de roteiristas no primeiro dia… sendo má para mim das formas mais divertidas. Obrigado, Glen Mazzara, por manter o fogo quente. Obrigado, Scott Gimple, por levar o show a novos patamares e por se importar o suficiente para dizer: ‘Sem spoilers, meu Deus, chega de spoilers’. Obrigado, Angela Kang, pelo futuro e além. Obrigado, Greg Nicotero, por fazer os zumbis (er, walkers) REAIS. Obrigado, Chris Hardwick, por contar ao mundo todas as semanas que há uma revista em quadrinhos que vale a pena conferir. Obrigado às dez mil pessoas que trabalham nos agora QUATRO programas de TV baseados no THE WALKING DEAD por terem derramado seus corações nisto e amado este mundo tanto quanto se não mais do que eu.

Mas, mais que tudo, obrigado, Charlie Adlard, por sentar-se à mesa, dia após dia, e dedicar mais horas a THE WALKING DEAD do que a qualquer outra pessoa. Eu não poderia pedir por um parceiro melhor. Foi um sonho que virou realidade moldar este mundo junto com você. Isso nunca teria acontecido sem você. Eu não posso acreditar que chegamos até o fim, meu amigo.

Oh meu deus… eu não acredito que acabou.

Robert Kirkman

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Steve Coulter (Reg)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Steve Coulter.

Rafael Façanha

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arte com Steve Coulter e Reg Monroe para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Steve Coulter in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Steve Coulter, que interpretou Reg Monroe durante a 5ª temporada. O ator nos contou que quase interpretou outro personagem em The Walking Dead e nos falou sobre a descoberta da morte de Reg e a gravação da cena e sobre o trabalho com Tovah Feldshuh. Além disso, Coulter contou o que podemos esperar do Padre Gordon no próximo Invocação do Mal e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Steve Coulter:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Steve Coulter: Sim, é difícil acreditar que existe há 10 anos. Me lembro de assistir ao primeiro episódio. Quando Rick atirou na menina zumbi, me lembro de ter pensado: “Isso NÃO é o que eu esperava”. Aquilo me surpreendeu.

Eu só tinha feito o teste para o programa uma vez antes, para o papel de Hershel. Estou muito feliz que Scott Wilson tenha conseguido, porque ele criou um dos personagens mais amáveis e memoráveis da televisão. Tive a sorte de passar algum tempo com Scott quando estávamos nas mesmas convenções. Verdadeiramente um dos homens mais gentis que já conheci.

Quando The Walking Dead envia “lados” (é assim que as cenas de audição são chamadas), eles não são do roteiro real. Os produtores os disfarçam para que os fãs não tenham ideias de histórias vazadas. Então, a cena que me foi dada para fazer o teste aconteceu em uma festa chique na cidade de Nova York, comemorando o lançamento de um livro de um autor famoso.
Lendo a cena, pude perceber que o “autor famoso” era Rick. Uma forma dessa cena foi na verdade a primeira cena que filmei na 5ª temporada, onde Deanna e Reg estão dando uma festa para dar as boas-vindas a Rick e seu grupo em Alexandria.

Alguns dias depois de enviar minha fita de teste, meu agente ligou e disse que parecia que eu tinha conseguido o papel, eles estavam apenas se certificando de que eu seria uma boa escolha de parceiro para a atriz que interpretava Deanna. Eu recebi a ligação dizendo que o papel de Reg era meu no meu aniversário… um belo presente de aniversário.

Alexandria passou por profundas mudanças de contexto social desde que os portões foram abertos para o Rick e o grupo, e no momento atual, está passando por um processo de redemocratização junto às outras comunidades. Você acha que Reg estaria orgulhoso do que Alexandria se tornou?

Steve Coulter: Acho que ele ficaria orgulhoso por ela ainda estar de pé. Mas acho que ele ficaria muito triste com o sacrifício que foi necessário para mantê-la.

A cena em que Reg compartilha com Noah seus projetos para futuro de Alexandria e seu conhecimento em arquitetura é muito simbólica e marca um momento de esperança e união entre os grupos. O que você acha que motivou Reg a confiar em Rick e em seu grupo?

Steve Coulter: Essas são ótimas perguntas, a propósito. Normalmente não me perguntam coisas tão específicas… o que eu gosto muito.

Eu acreditava que Reg tinha sentimentos instintivos muito bons sobre as pessoas que conhecia. Ele nunca teve uma agenda e estava muito confortável em sua posição. Então isso deu a ele essa habilidade para recuar e ver uma situação mais claramente, sem pré-julgamento. Foi divertido interpretar um personagem com tão poucos conflitos internos. Ele estava muito otimista e via o lado bom das pessoas. Claro… nós sabemos o que acontece com um personagem que expressa otimismo em The Walking Dead.

Os moradores de Alexandria tinham uma visão do mundo paralela à realidade apocalíptica por nunca terem precisado sobreviver do lado de fora dos muros. A morte de Reg gerou que tipo de impacto nos moradores da comunidade? Eles precisavam desse choque para, de fato, entenderem a realidade?

Steve Coulter: Acho que a combinação da morte selvagem de Reg e o assassinato de Pete por Rick imediatamente depois os acordou. Muito duramente. Especialmente porque foi ordem de Deanna que permitiu que Rick fosse em frente e matasse. Tudo mudou para eles depois disso. Foi o choque lamentável de que precisaram para permitir que sobrevivessem.

Ainda sobre a morte de Reg, você pode falar um pouco sobre como foi gravar essa cena? E como/quando você descobriu que Reg estava com os dias contados? Alguma lembrança engraçada dos bastidores desse momento?

Steve Coulter: Pode parecer estranho dizer que ter a garganta cortada pode ser “divertido”, mas foi realmente muito divertido de filmar. Eu descobri que iria morrer algumas semanas antes de filmarmos aquele episódio. Eu recebi uma mensagem de que Scott Gimple (showrunner) iria me ligar para falar sobre o programa. Ingenuamente, pensei que ele queria falar comigo sobre como Reg se encaixaria na próxima temporada. Eu tolo.

Tentamos nos falar por um dia ou mais, mas então recebi uma mensagem de voz dele dizendo que queria falar sobre o que estava por vir no episódio final. Assim que ouvi essa mensagem, pensei “Reg vai morrer”. Ele finalmente conseguiu falar comigo em uma tarde de sábado. Quando peguei o telefone, a primeira coisa que disse a Scott foi: “Eu vou morrer, não vou?” Então ele respondeu timidamente: “…Yeeeeaaaaah.” Scott deve ter se desculpado oito vezes durante a ligação. Ele disse: “Lamento MUITO, mas prometo que será uma morte INCRÍVEL e é a última coisa que acontece no episódio final”. Fiquei muito tocado com o quão gentil ele foi.

Filmamos a cena em novembro e a temperatura estava abaixo de zero lá fora, e filmamos a noite toda. Eles me conectaram a um longo tubo que ia para uma bomba que faria o sangue jorrar do meu pescoço quando minha garganta fosse cortada por Pete. Bem, o “sangue” que eles estavam usando (e era MUITO sangue) era apenas água colorida, então estava extremamente frio, e filmamos essa parte da cena cerca de quatro vezes. Então, cada vez que minha garganta era cortada e eles começavam a bombear, era como se alguém estivesse despejando uma garrafa de água gelada na minha frente.

Como foi trabalhar ao lado de Tovah Feldshuh no desenvolvimento de Reg e Deanna? Você já a conhecia?

Steve Coulter: Foi incrível trabalhar com Tovah. Não nos conhecíamos, mas eu sabia do seu trabalho nos teatros de Nova Iorque. Ela fez um monólogo sobre Golda Meir que era bastante conhecido. Ela era uma verdadeira profissional. Antes de praticamente todas as cenas que filmamos, ela se abaixava no chão e fazia cerca de uma dúzia de flexões para se energizar para qualquer cena que estivéssemos fazendo.

Uma memória muito vívida que tenho é quando estava deitado no chão depois que Pete me atacou, e eu estava nos braços de Tovah (Deanna). Senti as lágrimas quentes caindo em minha bochecha. E isso aconteceu durante cada tomada.

Reg acreditava que tudo o que tinham em Alexandria seria o suficiente para conter o perigo. Era importante para ele que as pessoas da cidade estivessem à salvo. No entanto, o perigo era mais eminente do que ele imaginava. Na sua opinião, o que Reg poderia ter feito que prevenisse os problemas que se sucederam?

Steve Coulter: Sinceramente, não acho que houvesse nada que Reg pudesse ter feito. Mas acho que ele teria ouvido Rick depois de um tempo.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Steve Coulter: Eu gostei muito de trabalhar no episódio com Noah, interpretado pelo maravilhoso Tyler James Williams, e particularmente na cena no gazebo. Não era uma cena típica de Walking Dead. Foi muito otimista e esperançoso, e adorei como Reg estava tentando se conectar com Noah. Claro, todos nós sabemos como isso acabou. Tyler foi ótimo na cena, e nós realmente gostamos de jogar um contra o outro. Filmamos a cena logo após o nascer do sol, e era uma linda manhã. Acho que o mais desafiador foi a cena da morte de Reg… havia tantas partes móveis (tubos de sangue, bombas para o sangue, corte protético no pescoço, etc.) para pensar e também fazer tudo parecer muito real e natural.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Steve Coulter: Eu definitivamente me lembro do meu primeiro dia no set. Mesmo que eu já estivesse atuando por quase 25 anos na época, ainda estava nervoso para conhecer todo o elenco. Veja, eu sou um grande fã do programa desde o primeiro episódio, e minha primeira cena foi onde todo o grupo está reunido na casa da Deanna e do Reg para uma festa de boas-vindas aos recém-chegados. Minha parte profissional estava calma e me concentrei no que precisava fazer na cena.

Mas dentro de mim estava um fã extremamente entusiasmado que estava MUITO animado para conhecer todos os personagens diferentes. Eu pensava comigo mesmo “lá está o Rick!” ou “lá está o Glenn!”. Muito, muito divertido.

Andy Lincoln foi uma das primeiras pessoas a se apresentar a mim quando eu cheguei… ele foi extremamente acolhedor. Acho que o elenco entendeu que os novos atores estão entrando em uma situação em que todos se conhecem e estão em um programa de sucesso. Ele realmente saiu de sua zona para me fazer sentir parte da família.

Curiosamente, Andy foi o último a dizer adeus na minha última noite no set. Ele me deu um grande abraço e me agradeceu por todo o meu trabalho. Todo o elenco e a equipe técnica lhe dão uma despedida muito agradável… eles até lhe dão uma sacola de presente cheia de souvenirs do programa.

Se Reg tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Steve Coulter: Se ele tivesse sobrevivido, eu realmente teria gostado que ele pudesse interagir com Daryl. Eles são personagens tão diferentes… Reg era muito confortável consigo mesmo e muito calmo, enquanto Daryl está cheio de conflitos e desconforto. Acho que teria sido interessante ver como eles se dariam bem. Eu teria gostado de trabalhar mais de perto com Melissa McBride. Ela e eu nos conhecemos há mais de 20 anos e, embora conversássemos muito quando não estávamos filmando, não tínhamos cenas juntos.

Você esteve em várias outras séries e filmes, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Steve Coulter: Essa é uma pergunta muito interessante. Embora significasse interpretar um cara mau, acho que o personagem do General Childs no filme que fiz em 2016, “O Nascimento de uma Nação”. O personagem foi implacável e decisivo, duas qualidades que eu acho muito necessárias para sobreviver naquele mundo.

Impossível falar com você e não citar Invocação do Mal. Estamos muito ansiosos para o próximo filme e para ver mais do Padre Gordon. O que você pode nos contar do que podemos esperar tanto do seu personagem quanto do filme? E, por favor, nos conte como tem sido trabalhar com Patrick Wilson e Vera Farmiga nessa franquia.

Steve Coulter: Por causa da confidencialidade, não posso dizer muito, mas posso dizer que o Padre Gordon finalmente sai mais a campo neste aqui. Normalmente, ele apenas dá a tarefa aos Warren (como o Comissário Gordon em Batman), e depois fica em sua igreja, são e salvo. Mas ele está muito mais envolvido desta vez.

Trabalhar com Patrick e Vera é ridiculamente divertido. É sempre uma boa reunião quando voltamos. Patrick e eu sempre zombamos muito um do outro. Eles são dois dos humanos mais legais que você pode imaginar.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Steve Coulter: Isso afetou principalmente a estreia de um filme que fiz para a Universal, chamado “The Hunt”. Como vocês devem ter ouvido, ele já havia sido adiado de sua estreia original, que deveria ser em setembro passado. Mas a mídia conservadora ouviu falar da trama (liberais ricos caçando “deploráveis”) e eles e o presidente Trump se manifestaram contra o filme, sem perceber que o filme era uma sátira. O estúdio decidiu lançar em todo o país nos cinemas na sexta-feira, 13 de março. Claro, aquele foi o primeiro fim de semana em que as coisas começaram a parar por causa da pandemia. Que sorte ruim, embora eu saiba que foi bem nas vendas on demand.

Tenho mantido minha sanidade (de alguma forma!) escrevendo e também fazendo um bom trabalho de carpintaria. Quando eu estava começando como ator em Nova York, trabalhava como carpinteiro para pagar as contas. Algumas semanas atrás, montei uma oficina no galpão atrás da minha casa e construí várias coisas. Eu não me saio muito bem, só para passar tempo, então é bom fazer coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Steve Coulter: Sim! Eu descobri cedo como os fãs brasileiros são apaixonados. Alguns dos primeiros tweets que recebi depois de aparecer pela primeira vez no programa eram do Brasil. Isso me surpreendeu… foi quando percebi o efeito que a série teve em todo o mundo. Eu adoraria ir ao Brasil um dia… Eu cresci vários anos na Colômbia, mas nunca cheguei ao ir no Brasil.

Eu adoraria enviar uma mensagem. Aqui está (desculpe se a tradução não estiver perfeita):

“Ola Brasil! Muito obrigado por todo seu apoio… significa muito. Espero visitar o Brasil um dia, e talvez eu possa te encontrar. Adeus por agora!”

REDES SOCIAIS DO STEVE:

– Twitter: @coulter28
– Instagram: @coulter28

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Dhebora Fonseca
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com IronE Singleton (T-Dog)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com IronE Singleton (T-Dog)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com IronE Singleton.

Rafael Façanha

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arte com IronE Singleton e T-Dog para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with IronE Singleton in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é IronE Singleton, que interpretou T-Dog durante as temporadas 1, 2 e 3. O ator nos contou sobre as mortes de personagens que T-Dog presenciou, sobre seu último dia de gravações, sobre seu final preferido para The Walking Dead, sobre a IronE School of The Arts e mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com IronE Singleton:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos, e você estava lá no começo de tudo. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição?

IronE Singleton: Meu agente na época, o vencedor do Emmy Chase Paris, na Houghton Talent, pediu que eu fosse lá e lesse o teste para ele. Frank Darabont queria que eu lesse de forma diferente no segundo teste. O resto é história!

Além de The Walking Dead, nosso site também completa 10 anos de existência esse ano. Nós começamos juntamente com a série, em 2010. Você imaginava que a série fosse fazer tanto sucesso? Ter participado dela, mesmo que no começo, te abriu novas portas? Como você analisa o impacto de The Walking Dead na sua vida, tanto pessoal como profissional?

IronE Singleton: PARABÉNS! Não tinha ideia de que se tornaria isso que se tornou. O sucesso de TWD me deu status internacional como ator. Tenho fãs e amigos pelo mundo todo!

Pouco se sabe sobre a vida de T-Dog antes do surto. De acordo com Glenn, T-Dog era muito religioso. Quando você o interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ele ou isso não o afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ele para ajudar de alguma maneira?

IronE Singleton: Uma história de fundo é uma informação para um humano. Portanto, é sempre importante e necessário para que um ator interprete.

No segundo episódio da 1ª temporada de The Walking Dead, “Guts”, os personagens tiveram que se cobrir com partes dos zumbis. Como foram as gravações desse dia e teve alguma cena/momento que fez você ficar com o estômago revirado?

IronE Singleton: Hahaaa. Não, mas fez o T-Dog passar mal.😉🤣🙂

T-Dog conseguiu salvar a vida de Beth quando a sua mãe zumbificada a atacou, mas infelizmente mais tarde na estória, não chegou a tempo de salvar Dale. De todas as mortes que seu personagem presenciou, qual foi a mais difícil de assistir? Tem alguma história por trás que você gostaria de compartilhar?

IronE Singleton: Cada um era diferente, mas tinha igual valor em termos de mais difícil de filmar, porque amo todos eles e não queria perder nenhum. Sophia, se eu tivesse que escolher porque ela era uma criança. Percebi ao perder meu sobrinho Edward Bozeman em circunstâncias misteriosas que quanto mais jovem, mais difícil é perdê-los por causa de tanta vida que foi tirada junto com uma abundância de sonhos, esperanças e potencial.

Todos eles tinham suas personalidades diferentes, o que contribuiu para uma experiência melhor, mais diversificada e completa para me ajudar a crescer mais como ser humano.

T-Dog definitivamente foi de extrema importância pro desenvolvimento da série, ele foi de um personagem secundário à um membro importantíssimo do grupo, morrendo como herói tentando salvar todos na prisão – em especial nossa amada Carol. Como/quando você descobriu que T-Dog iria morrer? E o que você achou dele ter morrido como um herói?

IronE Singleton: Fiquei sabendo 6 semanas antes. Eu amei. Uma morte heroica foi um sonho que se tornou real.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

IronE Singleton: Cada episódio é como um filho meu, mas meu primeiro – episódio 2 da primeira temporada, se eu tivesse que escolher, porque filmamos a menos de um quilômetro de onde eu cresci.

Mais desafiador: Temporada 2, Episódio 1 porque Darabont me fez filmar a cena do “corte de braço” 25-50 vezes!! Eu estava exausto!!

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

IronE Singleton: Meu primeiro dia foi no telhado, a temperatura estava acima de 38 graus e eu quase desmaiei.

No meu último dia, todo o elenco / equipe técnica se reuniu ao meu redor e da Sarah Wayne Callies para fotos. Norman Reedus me presenteou com um escudo que ele fez com que todos assinassem, e Greg Nicotero me presenteou com um molde do cadáver do T-Dog.

Se T-Dog tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

IronE Singleton: Todos eles. Eu só tive momentos de maior proximidade com Jeff DeMunn (Dale).

Durante a recente maratona da primeira temporada de The Walking Dead no AMC você postou um tweet falando que estava trocando mensagens nostálgicas com a Melissa McBride. Existe algo que você possa compartilhar conosco sobre essas lembranças maravilhosas? Que outros atores da série você ainda mantém um contato muito próximo?

IronE Singleton: Foi uma experiência linda conhecer meus colegas de elenco, intimamente. Pude aprender e crescer. Eu tenho a maioria dos seus números salvos caso eu precise deles.

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

IronE Singleton: Daryl e Carol (os originais) devem salvar o dia e cavalgar juntos até o pôr do sol. Caso contrário, traga o T-Dog de volta para fazer isso. 🤣

Um dos motivos pelos quais o T-Dog e o Merle sempre discutiam era os comentários racistas feitos pelo Merle. O mundo ainda não dá a devida importância para a vida e principalmente para a vida negra. Agora, com o movimento Black Lives Matter, muitas pessoas estão aprendendo mais e se conscientizando, outras nem tanto. Você gostaria de comentar algo sobre?

IronE Singleton: Pratique verdade & amor em vez de paixões & ganância. Eu aplaudo TWD por abordar um tópico tão difícil, controverso e contundente e por abraçar Black Lives Matter, porque eles entendem que todas as vidas não podem importar até que as vidas negras importem.

Por favor, nos fale sobre a IronE School of The Arts! Como/quando surgiu a ideia de criar a escola e como está sendo esse projeto? Quais dicas você pode dar para quem sonha em seguir a carreira de ator?

IronE Singleton: Abrir o IronEsa.com foi uma progressão natural. Desde então tenho passado adiante tudo o que aprendi em meus mais de 25 anos como ator. A ISA vem sendo preparada durante toda a minha vida porque o que acontece não é por coincidência, mas por desígnio.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

IronE Singleton: Consegui encerrar o segundo de dois dos meus projetos definidos para lançar este ano uma semana antes de tudo fechar.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

IronE Singleton: Eu sinto o amor do Brasil de uma forma importante e sou muito grato por isso. Eu te amo Brasil!! Amem-se uns aos outros. É grátis. #FiquemSeguros

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– Twitter: @ironesingleton
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AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Andrew Rothenberg (Jim)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Andrew Rothenberg (Jim)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Andrew Rothenberg.

Rafael Façanha

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arte com Andrew Rothenberg e Jim para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Andrew Rothenberg in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Andrew Rothenberg, que interpretou Jim durante a 1ª temporada. O ator nos contou sobre sua busca por inspiração nos quadrinhos de The Walking Dead para a criação do seu personagem, sobre os bastidores das gravações, sobre a união do elenco, sobre o trabalho em Mob City e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Andrew Rothenberg:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos, e você estava lá no começo de tudo. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição?

Andrew Rothenberg: É uma honra estar “aqui”. Obrigado. O teste aconteceu como de costume, uma ligação do meu agente. Eu não sabia nada sobre TWD, mas alguns dos meus amigos estavam muito familiarizados com a história em quadrinhos e eles piraram porque eu tinha conseguido um teste. Cheguei cedo e li algumas histórias em quadrinhos para me familiarizar com ela uma hora antes do teste. Se bem me lembro, voltei para uma segunda audição uma semana depois, mas não ouvi nada depois disso. Eu imaginei que fosse dado a outra pessoa depois de uma ou duas semanas e, na verdade, mais tarde soube que isso tinha acontecido. Felizmente para mim, a emissora não aprovou o outro ator e eu recebi o papel. Também fui chamado para fazer o teste para o Daryl, sou conhecido por interpretar um ou dois bad boy na minha época. Sinto que o elenco funcionou da melhor maneira.

Jim teve o mesmo destino de sua contraparte nos quadrinhos de The Walking Dead, sendo a única diferença o local da mordida. Você chegou a ler os quadrinhos para saber mais sobre o personagem ou preferiu seguir apenas os roteiros? E você, como fã, prefere que as adaptações sejam mais fieis aos materiais fonte ou com histórias diferentes?

Andrew Rothenberg: Usei os quadrinhos para fazer referência ao clima e ao tom do personagem. Costumo usar imagens para me ajudar a sentir um personagem e seu mundo. Os quadrinhos me ajudaram muito nisso. Até onde vai “apegar-se à história original”… Cada forma de entretenimento e de contar histórias deve seguir o caminho que melhor se adequa a ela. O que quero dizer é que a forma como um livro conta uma história é muito diferente de como uma música ou um filme contam uma história. Você não pode simplesmente pegar um meio e transferi-lo para outro sem esperar que ele tome algumas voltas inesperadas para satisfazer aquele público. Quando um texto é transferido para um filme ou TV e está muito próximo da versão escrita, e é bom, é um grande triunfo, mas não um requisito. Eu, pessoalmente, adoro quando vejo uma história com a qual estou muito familiarizado que é bagunçada ou que é virada ao avesso, desde que seja bem feita. Acho que TWD fez isso muito bem.

A 1ª temporada de The Walking Dead é repleta de momentos icônicos, mas um dos meus favoritos, sem dúvidas, é a invasão dos walkers no acampamento. Você lembra como foi filmar essas cenas? Alguma recordação divertida dos bastidores para nos contar?

Andrew Rothenberg: Éramos um grupo bastante unido quando chegamos a essa cena. Para ser honesto, a jornada de confiança e amizade dos atores cresceu perfeitamente com a narração da história. Como na história, a maioria de nós éramos estranhos quando nos conhecemos e, ao longo dos poucos meses em que trabalhamos juntos, nos tornamos amigos de grande confiança. Quando chegamos ao local do ataque à fogueira, estávamos prontos para o desafio. Filmamos primeiro a parte da contação de histórias e depois passamos para o ataque. Foi uma longa noite, talvez mais de uma, mas acho que poderíamos ter feito tudo em uma noite. Lembro-me de que alguns membros do elenco que permanecerão sem nome ficaram realmente assustados com os zumbis. Eu não estava.

Além de The Walking Dead, nosso site também completa 10 anos de existência esse ano. Nós começamos juntamente com a série, em 2010. Você imaginava que a série fosse fazer tanto sucesso? Ter participado dela, mesmo que no começo, te abriu novas portas? Como você analisa o impacto de The Walking Dead na sua vida, tanto pessoal como profissional?

Andrew Rothenberg: Você nunca sabe o quão grande algo vai se tornar. Todos nós vimos ou trabalhamos em programas que pensamos serem INCRÍVEIS, mas que simplesmente não funcionaram. Acho que algumas pessoas pensaram que seria grande, mas ninguém sabia que ficaria tão grande quanto ficou. O programa e minha participação nele, por menor que seja, com certeza mudaram o rumo da minha carreira e afetou a minha vida. Para ser sincero, além do impulso que deu à minha carreira, a melhor parte foi viajar para Londres e Europa, mais de uma vez, para convenções de zumbis. Sempre quis ir para a América do Sul, mas isso nunca surgiu. Ainda estou no jogo se alguém quiser me levar até lá quando for seguro de novo…! Serei eternamente grato pelo que TWD fez por minha vida.

Jim teve uma premonição sobre o ataque ao acampamento e por isso se adiantou cavando as covas. Você já teve algum sonho tão poderoso que acabou se concretizando?

Andrew Rothenberg: Não. Haha. Essa foi fácil.

Jim preferiu voltar como Walker para se encontrar com sua família, e nós adoraríamos ter visto uma versão zumbificada de Jim. Essa seria a mesma escolha que você teria feito se tivesse no lugar dele? Ou você iria preferir acabar com seu sofrimento?

Andrew Rothenberg: Eu tenho um caso crônico de síndrome de FOMO (“Fear of missing out” – medo de ficar de fora), então provavelmente faria todo o possível para estar por perto para ver o que vem a seguir, mesmo como um zumbi.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Andrew Rothenberg: Isto é difícil. Eu gostei de muitas partes das filmagens dessa série. Honestamente, toda a filmagem foi a parte mais divertida. Sério mesmo. As pessoas, e quero dizer, desde os atores a cada pessoa da equipe, aos produtores e diretores. Uma família de pessoas. Isso não acontece com frequência. Para mim é divertido quando você está fazendo o melhor trabalho que pode fazer e é assim que eu me sentia todos os dias naquele set. Agora, não estou dizendo que fiz o melhor trabalho, estou dizendo que todos estavam trabalhando para fazer algo ótimo, e isso está além da diversão, é por isso que faço isso.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Andrew Rothenberg: No primeiro dia, voei para Atlanta e fui levado ao set. Conheci Frank Darabont e conversei com ele. Eu vi Andrew Lincoln e assisti a uma cena sendo filmada. Mais tarde naquele dia, houve uma reunião na casa de Andrew com o elenco e a equipe. Ele era tão legal e amigável. Ele me apresentou a seu filho. Ele disse “este é meu filho Ahtha”, pensei, hum, que nome estranho. AHTHA. Foi então que percebi pela primeira vez que ele era britânico e o nome de seu filho era Arthur. A última lembrança que tenho foi da festa de encerramento. Eu havia passado mais de dois meses sendo o Jim quieto e deprimido. Na festa eu dancei e me soltei. Todo mundo estava olhando para mim como “quem é esse?”.

Se Jim tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Andrew Rothenberg: Dale – Jeffrey DeMunn e Glenn – Steven Yeun. Os dois eram os mais divertidos e teria sido bastante divertido continuar encenando com eles.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Andrew Rothenberg: Malcolm de True Blood. Sério! E se houvesse um vampiro em alguma parte desse programa!!!!

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

Andrew Rothenberg: Jim aparece, ele é imune à coisa de zumbi e ele reinicia a humanidade. Isso pode acontecer? Estou algumas temporadas atrasado.

Mesmo depois de morto, Jim voltou para assombrar Rick em uma participação especial na 3ª temporada de The Walking Dead, e nós ficamos muito felizes em ter você novamente – mesmo que apenas em voz. Como foi esse seu retorno? Você precisou ir ao set ou gravou remotamente e como surgiu o convite?

Andrew Rothenberg: É sempre um presente de Natal antecipado quando você recebe um telefonema com um trabalho que não esperava. Este foi o melhor. Gravei remotamente, não tinha necessidade de ir para o set. Eu faria qualquer coisa pela família The Walking Dead.

Você voltou a trabalhar com Frank Darabont e outros ex-atores de The Walking Dead alguns anos depois na série Mob City. Você pode falar um pouco sobre como era trabalhar com Frank tanto nesse projeto como em The Walking Dead?

Andrew Rothenberg: Um sonho. Eu me diverti muito trabalhando nele e não precisava estar com roupas de apocalipse!!! Fiquei realmente honrado em trabalhar com Jeffrey, John Bernthal e Frank novamente, sem mencionar o resto do pessoal daquele programa. Fiquei triste quando não conseguiu continuar, mas como eu disse, você nunca sabe quando uma série vai vingar. Eu não trabalhei com Frank no TWD tanto quanto no Mob City. Ele é um homem que sabe o que quer e eu respeito muito isso.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Andrew Rothenberg: Tinha acabado de terminar uma participação da nova temporada do FARGO. Fiquei muito feliz por ter terminado minha parte antes do lockdown, mas a estreia foi adiada. Estou animado para ver isso em algumas semanas. Tenho gostado do ritmo mais lento. Eu moro em NY e foi chocante ver tudo parar bruscamente. Acho que todos precisávamos disso, embora eu tenha a sorte de minha família e amigos estarem todos saudáveis.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Andrew Rothenberg: Eu estava dizendo a alguém outro dia, “O Brasil é a maior base de fãs desse programa. Eles são um grande motivo pelo qual a série é tão grande!” Sou muito grato ao Brasil e a todos os fãs do TWD.

REDES SOCIAIS DO ANDREW:

– Twitter: @JimWALKINGDEAD
– Instagram: @therealandrewrothenberg
– Facebook: @AndrewRothenberg

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Juan Gabriel Pareja (Morales)

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