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Os 10 melhores episódios de The Walking Dead – até o momento

Carlos Knewitz

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Com o fim da oitava temporada, tivemos a exibição do centésimo décimo quinto episódio de The Walking Dead. Dentre todos esses há aqueles que mais cativaram o público, em partes por causa da trama desenvolvida, do amadurecimento dos personagens apresentados, da ação bem executada ou do drama pontual. Vários são os aspectos que fazem a audiência se agradar, não havendo uma fórmula exata do necessário para que isso seja alcançado.

O que é certo é: dentro do coração de cada um dos fãs de The Walking Dead, sempre há aqueles episódios que de alguma forma foram os mais marcantes e relevantes. Isso nunca será um consenso. No mesmo modo que episódio X possa ter sido o melhor para um fã, pode ter sido o pior para outro.

Pensando nisso, nós do Walking Dead Brasil decidimos abrir nossa caixinha de lembranças e apresentar para nossos ávidos leitores os 10 episódios que, na nossa opinião, são os melhores da série.

1 – Aquele onde tudo começou

O inicio de tudo.

O episódio piloto da série, intitulado Days Gone Bye é tido como um dos melhores pela maioria das pessoas. Na verdade, não há nenhuma análise técnica precisa ou julgamento de atuação. O que classifica o episódio como um dos melhores é simplesmente o fato de ele representar o inicio de tudo, o começo de uma paixão ardente pela série.

Nesse episódio além de vermos algumas cenas pré-apocalípticas (introduzindo a amizade profunda de Rick e Shane, bem como o relacionamento conturbado com Lori e a dedicação com o filho Carl), temos as icônicas cenas do hospital e das zumbis mais conhecidas do universo The Walking Dead: Summer (a garotinha zumbi) e morta-viva da bicicleta.

Além de tudo, o episódio conta com a introdução de Morgan e Duane, que auxiliam Rick a compreender os acontecimentos durante seu tempo em coma. Mais tarde, com a ida para Atlanta, também somos apresentados a Dale e Amy, que recebem transmissões de Rick pelo rádio no acampamento.

2 – Aquele em que Sophia é encontrada

Uma das cenas mais impactantes de toda a série.

Essa lista de dez episódios poderia ser 60% composta pelos seis da primeira temporada, mas, para não ser injusto com os demais anos (e nem comigo mesmo), não poderia excluir Pretty Much Dead Already – o sétimo da segunda temporada.

Quando Glenn descobre que Hershel esconde um segredo tenebroso dentro do seu celeiro na fazenda, o patriarca Greene estabelece um prazo para que Rick e seus aliados deixem sua propriedade. Enquanto isso, Daryl e Carol ainda se dedicam a buscar por Sophia, embora ela já esteja desistindo da ideia de que a filha será realmente encontrada, o que irrita o caipira. Shane entra em surto e decide agir por si, abrindo as portas do celeiro e iniciando um tiroteio contra os mortos que representam a família e amigos dos Greene.

Quando tudo parecia estar resolvido, a cena que dilacera o coração de qualquer marmanjo vem à tela: Sophia sai do celeiro zumbificada. Lembrar do momento em que Carol corre desesperada e é impedida por Daryl e de Rick tendo que agir rápido ao mesmo tempo em que lida com emoções fortes para matar a garota zumbi acaba por reviver as emoções complexas ao assistir o episódio.

Além de tudo, a trama traz uma mudança fundamental para a história, que até então vinha seguindo majoritariamente os quadrinhos. Sophia, que é uma personagem viva até os dias de hoje – ao passo que Carol morre tão logo é introduzida – não seguirá seu enredo dos impressos. A história de Carol se torna um livro em branco para ser escrita pelos roteiristas, desprendendo-a de qualquer obrigação em corresponder com as HQ’s.

3 – Aquele em que a Judith nasceu

O episódio que marca a despedida de Lori e a inesquecível cena de “Cooooooralll”

Killer Within é o quarto episódio da terceira temporada da série. Justamente por não se tratar de uma mid-season ou season premiere/finale, o episódio que conta com a morte de Lori, T-Dog e Andrew é repleto de ação mixada com dramaticidade surpreendendo o público.

Uma infinidade de walkers invade os corredores e alas da prisão de Rick, fazendo que o grupo tenha que lidar com a ameaça. Enquanto T-Dog se sacrifica para salvar Carol (que desaparece após esse episódio), Andrew é morto por Oscar após se rebelar contra Rick, o que prova a fidelidade do antigo presidiário ao xerife. Lori entra em trabalho de parto e toma a decisão de se sacrificar para que Judith possa nascer. Maggie e Carl trabalham no nascimento da pequena Grimes, sendo que o garoto se incumbe de dar o fim na mãe antes de sua reanimação.

O episódio se torna um dos melhores justamente por causa da mixagem de momentos dramáticos com a ação dada na fuga dos mortos. São diversos clímax espalhados ao longo dos 45 minutos e quando o telespectador tenta se recuperar de um, acaba caindo em outro momento embaraçoso.

O final que acabou virando um meme recorrente, com Rick descobrindo que Lori está morta, ao mesmo tempo que temos o primeiro vislumbre da pequena Judith, é emocionante.

4 – Aquele sem pé nem cabeça

A despedida de um dos grandes mentores de Rick.

Na quarta temporada temos o fim do conflito iniciado no terceiro ano com o Governador. Após convencer um grupo de sobreviventes – formado por ex-militares – de que necessitam lutar contra Rick e tomar a prisão, o Governador, em Too Far Gone, oitavo da 4ª Temporada, sequestra Hershel e Michonne e os usa como forma de ameaçar os sobreviventes da prisão.

Com toda a certeza a cena mais marcante e desesperadora é quando o Governador usa a espada de Michonne para arrancar a cabeça de Hershel, surpreendendo até mesmo seus aliados. A partir desse momento vemos a guerra ser instaurada e uma troca de tiros intensa ser iniciada.

São várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, diversos personagens enfrentando a morte quase certa numa mixagem de tiros com inimigos humanos e walkers. A prisão é destruída; Judith desaparece; grande parte dos aliados do Governador são mortos; Os personagens se desvencilham; Michonne salva a vida de Rick, enquanto Lilly lhe dá o tiro final.

O episódio termina com Rick e Carl indo embora da prisão, olhando a ao longe totalmente destruída e repleta de walkers se alimentando da carne fresca daqueles que foram mortos no embate.

5 – Aquele sobre as flores

The Grove é totalmente insano em seu enredo e atuações.

The Grove é o décimo quarto episódio da quarta temporada. Com um enredo que lida com diversos conflitos, é desesperador em sua conclusão. Muita gente relatou estar abalada psicologicamente ao fim do episódio.

Com uma narrativa que centra a relação de Tyreese e Carol – que ainda tenta esconder o motivo real que a fez desaparecer da prisão – e a conturbada afetação mental de Lizzie, o episódio inicia estabelecendo o pequeno grupo em uma cabana em meio a floresta. Carol e Tyresse parecem estar dispostos a viver o resto de seus dias no local com as três meninas (Lizzie, Mika e Judith).

Descobrimos que a mais velha filha da família Samuels foi a responsável por alimentar zumbis com ratos e coelhos na época da prisão. Aí Tyreese já demonstra desconfiar da sanidade mental da pequena.

O irmão de Sasha é totalmente insistente em demonstrar para Carol o quanto ele confia nela e é grato por ela ter salvo a vida dele e das meninas na floresta, o que a deixa incomodada por estar lidando com a culpa de esconder dele a verdade. Quando os dois voltam de uma busca por água, encontram o corpo de Mika estripado ao chão sendo observado por Lizzie que segura uma faca, enquanto Judith engatinha pela grama. Ao ser questionada, Lizzie diz que apenas queria que Mika pudesse retornar melhor do que já era e que seu plano era fazer o mesmo com a bebê Grimes.

Após uma decisiva conversa, os dois adultos decidem que Lizzie não é mais capaz de viver, por ser uma ameaça para todos e para ela mesma. Assim, temos a cena arrepiante de Carol levando a garota para observar as flores e, sucessivamente, disparando contra sua cabeça.

No fim do episódio, Carol entrega seu revólver para Tyreese e diz que ele deve tomar uma importante decisão quanto a algo que ela irá lhe contar. Assim, vemos Peletier confessando que foi a responsável pela morte de Karen e que se ele quiser lhe matar, está livre para o fazer. Entretanto, Tyresse declara seu perdão a ela.

O episódio não se torna impecável apenas pelo seu enredo psicótico e bem elaborado, mas também pela excelente atuação dos atores que conseguem despertar os mais profundos sentimentos na audiência.

6 – Aquele em que a humilhada é exaltada

Talvez uma das cenas mais emocionantes envolvendo dois personagens.

Outro daqueles episódios que conseguem equilibrar carga dramática com explosões, tiros e mortes. No Sanctuary, que é o marco de estreia do quinto ano da série, traz quase todo o grupo caminhando para o matadouro no Santuário dos canibais. Depois de ficarem presos em um contêiner, Rick, Glenn, Bob, Abraham e Daryl são os primeiros a serem arrastados para o local onde os corpos são preparados para que os residentes do Terminus se alimentem.

Quando parece que tudo está perdido, uma explosão é ouvida. Sim, do lado de fora, Carol viu os amigos serem arrastados pro interior do prédio e agiu habilmente, atirando em um tanque de inflamáveis, causando uma grande explosão e atraindo centenas de walkers pro interior do local. Assim, ela consegue fazer com que Rick e seus aliados, sem saber que com a ajuda dela, se safem das mãos dos inimigos.

No final, temos o reencontro de Carol com Daryl e Rick. O abraço e o choro dos três é totalmente emocionante, pois representa milhares de sentimentos carregados nos cinco anos da série. Rick expulsou ela da prisão e no fim ela o salvou. Outro emocionante momento é quando o xerife e Carl reencontram Judith.

Esse é o terceiro episódio dessa lista em que Carol figura como centro de enredo, mais uma vez provando a grandeza da personagem e da sua intérprete, Melissa McBride.

7 – Aquele em que Rick meteu o louco

Rick mata Pete.

Nós acabamos de falar do episódio que abriu o quinto ano e vamos nesse ponto explorar aquele que o fechou. Conquer, décimo sexto episódio da quinta temporada, traz as consequências da ação de Rick contra Pete no seu antecessor. O personagem central acorda com o rosto machucado, após ter sido nocauteado por Michonne, e logo descobre que naquela noite Deanna e o restante dos residentes de Alexandria irão fazer uma sessão de julgamento para definir o que irão fazer com ele.

Além disso, temos a trama de Aaron e Daryl que aos poucos vão sendo confrontados por mortos com um “W” marcado nas testas. Os dois são ponte de ligação de Rick com Morgan posteriormente, que nesse momento está em busca de Grimes após anos afastado.

No final do episódio, aconselhado por Carol – de quem ouve a icônica frase “Minta para eles. Lhes conte uma história. Eles são crianças e crianças gostam de histórias…” – Rick diz que fez tudo o que fez para defender Jessie, mas Pete invade o local com a espada de Michonne e ataca Reg, marido de Deanna. Rapidamente Deanna muda seu posicionamento e manda que Rick mate Pete. O xerife executa o algoz de Reg e quando se vira se depara com Aaron, Daryl e Morgan o encarando com uma expressão de “Esse não é o Rick Grimes que eu conheci.”.

O episódio se torna um dos nossos preferidos justamente porque demonstra a disparidade entre a atual fase de Rick e Morgan, que na última vez que vimos na terceira temporada estava insanamente fora de si e também constrói a credibilidade de Rick frente a Deanna e toda Alexandria.

8 – Aquele em que o Carl vira rei em terra de cego

Carl é atingido por Ron.

No way out é o nono episódio da sexta temporada e demonstra a continuação da invasão zumbi em Alexandria e de Rick, Carl, Jessie, Ron e Sam tentando escapar das mandíbulas dos mortos se cobrindo com suas entranhas.

Quando Sam começa a entrar em desespero, os mortos começam a cercá-los. O garoto acaba sendo mordido o que leva Jessie a gritar, atraindo mais walkers que a cercam e mordem também. Jessie segura o braço de Carl e Rick se vê obrigado a cortar seu braço com o machado para que o filho consiga fugir dos mortos. Ron começa a disparar sua arma, mas acaba sendo alcançado pelos zumbis também. De repente ouvimos Carl sussurrar “Pai…” e é quando a câmera foca em seu rosto e vemos que um dos tiros de Ron atingiram o olho do garoto, que cai desmaiado, desesperando Rick que o pega no colo e com a ajuda de Michonne, o leva até Denise.

Enquanto o drama de Carl se desenvolve, os residentes de Alexandria, liderados por Carol saem para as ruas e resolvem agir, lutando contra os walkers. A cena chama atenção de Rick e Michonne que percebem o quanto eles ainda podem fazer.

Em um único episódio vimos a família Anderson ser extinta ao mesmo tempo em que lidamos com o risco iminente que Carl corria. As cenas combinadas a ação de todos os residentes de Alexandria, englobaram uma história muito bem construída.

9 – Aquele em que Lucille chegou

O episódio que destruiu as estruturas de qualquer fã.

Nenhum episódio consegue assustar e aterrorizar tanto quanto The Day Will Come When You Won’t Be, primeiro da sétima temporada. Após um cliffhanger odiado por toda a audiência, finalmente descobrimos o nome escolhido pelo uni-duni-tê de Negan: Abraham. E se já não tivesse sido chocante o bastante vermos o ruivo ter sua cabeça dilacerada à pauladas, Daryl resolve demonstrar indignação, o que irrita Negan e o faz escolher outra vítima. E aí, a edição número 100 da HQ se repete: Glenn é beijado por Lucille.

Após isso, passamos por outros traumas, com Rick sendo obrigado a cortar a mão de Carl (o que de fato não aconteceu) e sendo humilhado psicologicamente por Negan demonstrando toda a sua capacidade de maleficência ao fazê-lo recuperar a machadinha em meio a uma horda de mortos.

Cada frame desse episódio é dotado de tortura psicológica com o espectador. A audiência não teve um minuto se quer de descanso mental durante os quarenta e cinco minutos que estrearam o sétimo ano. O episódio mixou cenas da noite da morte dos dois membros, com a manhã posterior onde Rick é obrigado a recuperar o machado e após a cortar a mão do filho.

O episódio termina com os Salvadores indo embora e deixando o recado de que Rick e seu grupo agora são propriedade deles e irão trabalhar para Negan. Rick então desenvolve uma memória idílica de todos sentados a mesa (inclusive Glenn e Abraham), tomando um café da manhã, repletos de paz.

O episódio em si e a forma como ele tortura a audiência entra para a história como um dos que mais marcou os fãs.

10 – Aquele em que a tigresa salva o dia

Shiva fez toda a audiência vibrar.

Após uma série de ataques direcionados de Rick contra os Salvadores, Negan decide que é o momento exato para dar mais um susto no líder de Alexandria. Por isso, ele prende Sasha em um caixão no intuito de mostrar para eles que eles poderão se dar bem se cooperarem com ele. Entretanto, em The First Day of the Rest of Your Life, último da sétima temporada, Sasha resolve agir dentro daquilo que estava disposta a fazer: permitir que Rick construa o mundo que todos estão sonhando sem a presença dos Salvadores. Assim, ela toma pílulas mortais e quando Negan abre o caixão em frente à Alexandria, uma Sasha zumbi o ataca.

Com a oportunidade dada por Sasha, Rick começa um tiroteio contra os Salvadores, mas o povo do lixão que em teoria estaria o ajudando no interior de Alexandria, se alia a Negan e rende Rick.

Nos minutos finais vemos Negan pronto para matar Carl usando Lucille, mas ao fundo, Shiva salva o dia atacando os aliados do antagonista e o assustando. Com a chegada do Reino e de Hilltop para ajudar Rick, os Salvadores se obrigam a fugir.

A união das lideranças, combinado com o discurso de Maggie, é um ponto forte do episódio. Fora toda a oportunidade de ver a tigresa de Ezekiel devorando Salvadores que fez a audiência vibrar.

EXTRA: Aquele episódio que nem chegou ainda

A New Beginning promete reinventar a série.

No último ano The Walking Dead foi duramente criticado por um enredo enrolado e sem muito foco, além de uma história desinteressante. Entretanto, aproveitando-se do salto temporal dos quadrinhos, a nona temporada chegará para reconstruir a credibilidade da série frente ao seu público.

Nós do Walking Dead Brasil já assistimos ao episódio de estreia da nova temporada e, no mesmo sentido em que a crítica internacional apontou, acreditamos que o nono ano virá para trilhar uma história totalmente diferenciada para o público. Valendo-se do título A New Beginning, a história se reinventa e abre possibilidades para que a temporada alcance o respeito de seus fãs novamente.

E você? Quais seriam seus 10 episódios para uma lista semelhante a essa? Espera que os episódios da nona temporada superem esses listados aqui? Deixe sua opinião abaixo.

The Walking Dead, a história de drama número #1 da TV a cabo, vai estrear sua 9ª temporada no dia 7 de Outubro de 2018, próximo domingo. Confira o trailer oficial da temporada e fique por dentro de todas as notícias.

Fiquem ligados aqui no Walking Dead Brasil e em nossas redes sociais @TWDBrasil no twitter e Walking Dead Br no facebook para ficar por dentro de tudo que rola no universo de The Walking Dead.

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10ª Temporada

Como The Walking Dead transformou Eugene Porter em um herói

A 10ª temporada de The Walking Dead está mudando Eugene, e para melhor. Confira uma rápida análise do desenvolvimento do personagem.

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Quando você pensa em histórias românticas em The Walking Dead… bem, você pode não pensar em ninguém. O drama pós-apocalíptico nunca se destacou muito nessa área, e parece que para cada ‘Richonne’ ou ‘Gleggie’ há também uma Rosita (Christan Serratos) e o padre Gabriel (Seth Gilliam).

Mas, se você tivesse que escolher a história de alguém, ou alguém para ter um “final feliz” provavelmente escolheria Rick (Andrew Lincoln). Ou Daryl (Norman Reedus), considerando quantas pessoas querem vê-lo com alguém. Em algum lugar, muito, muito abaixo na lista estaria Eugene (Josh McDermitt) – se é que ele faria parte da lista.

A 10ª temporada está mudando isso em Eugene, e para melhor. Eis por que ficamos felizes em ver um lado diferente de “Eugenius”, e por que estamos realmente esperançosos que ele possa conhecer Stephanie.

Tornando Eugene (um pouco) compreensível

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Tudo bem, é provável que sempre vamos precisar de alguém para traduzir o que Eugene está falando. Mas, para além de seu discurso rebuscado e técnico, a 10ª temporada se concentrou nas qualidades relacionáveis ​​do personagem. E, sim, elas existem.

Quer você o quisesse, ou não, com Rosita (Christian Serratos), a verdade é que a maioria de nós em algum momento da vida já gostou de alguém que, no fundo, sabíamos que não tínhamos a mínima chance. Foi um pouco frustrante vê-lo voltar para ela no início da 10ª temporada, uma vez que parecia que eles haviam se estabelecido como amigos na 9ª temporada, mas pelo menos ele lidou com a rejeição dela muito bem.

O ponto é: de repente, Eugene passou a “relativamente relacionável” ali. Agiu de forma madura diante da situação e mostrou que aprendeu a lidar com a rejeição amorosa. Não, a maioria de nós não pode falar como ele ou sequer imaginar em pensar como ele, mas quase todos sabemos o sofrimento da rejeição romântica ou de um rompimento ruim.

À procura de amor em lugares errados

Após Eugene ter se tornado, repentinamente relacionável, ele passou a procurar um novo amor mas não encontrava nada. O pobre rapaz queria alguém, mas parecia que não havia ninguém por perto. Simplificando: Eugene estava tristemente, terrivelmente solitário. E isso é algo que todos já sentimos. Por isso foi tão bom vê-lo se conectar com Stephanie.

De muitas maneiras, a companhia de Stephanie é um potencial novo começo, uma maneira de ele abandonar a bagagem que qualquer outra pessoa nas comunidades teria em relação à ele. Ela não sabe sobre seus crimes passados, seus momentos de covardia ou, talvez o mais importante, o fato de que ele foi perdidamente apaixonado por uma mulher comprometida com amigos seus por várias temporadas. Ela não sabe que ele pode cantar, embora… isso seja uma coisa que pode até acabar ajudando na sua relação. Quem diria que Eugene tinha uma voz tão boa?

Chegando a um acordo com seu passado

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Um bom ponto a citar: foi bom ver Eugene crescendo, superando seus medos e até fazendo as pazes com seu passado. Ao confortar Carol (Melissa McBride) após a batalha de Hilltop, ficou claro que ele sabia como ela se sentia – ele havia sido o “bandido” antes, com Abraham, e depois, quando se juntou aos Salvadores. Foi um diálogo simples e verdadeiro que acrescentou profundidade ao personagem, e esse momento deixou claro que o fato de o programa não estar mostrando os reflexos de Eugene, não significa que ele não está pensando no que fez.

Também, foi bom vê-lo começando a se tornar um lutador. Não que Eugene não tivesse lutado antes, mas estamos vendo isso muito mais nesta temporada: ele lutou ao lado de Rosita em Alexandria e depois defendeu Hilltop com todos os outros. Ele ainda está usando seu cérebro, é claro, mas agora ele está pegando uma arma em vez de se encolher no canto quando as coisas ficam difíceis.

O futuro

Não vou entregar aonde a história de Eugene vai, nem sua jornada para conhecer Stephanie nos quadrinhos, já que é muito possível que o show não vá na mesma direção. Mas a 10ª temporada fez um ótimo trabalho em apresentar seu desejo de encontrar uma companhia com uma emoção que o personagem mostrou merecer, e tem sido incrível vê-lo crescer ao longo desses episódios.

Esperemos que o ex-professor de ciências seja bem-sucedido em sua busca. No mínimo, Stephanie parece gostar dele por quem ele é, o que é uma algo essencial para qualquer relacionamento. E, se realmente há alguém para todos, mesmo no apocalipse zumbi, é melhor que haja alguém para esse gênio tagarela, cujo cérebro é tão poderoso quanto o coração.

O encontro de Eugene e Stephanie deve acontecer no último episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, que não tem previsão de lançamento por conta da pandemia de Coronavírus.

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9ª Temporada

Como o roteiro da 9ª Temporada de The Walking Dead salvou a série do cancelamento?

Analisamos as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica.

Vinícius Castro

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ATENÇÃO! O post a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead. Caso não esteja em dia com a série, não continue. Você foi avisado!

Por mais que doa dizer isso, é inegável que o prestígio alcançado por The Walking Dead em seus primeiros anos pareceu diluir-se com as quase catastróficas decisões tomadas durante a sétima e oitava temporadas da série. Da queda de audiência ao recebimento extremamente MISTO da crítica especializada, o drama zumbi, mesmo tentando mostrar um pouco de fôlego no fim de sua oitava temporada, parecia estar fadado ao fracasso conforme o novo ano entrava em produção.

Unido ao desespero da saída de nomes como Andrew Lincoln e Lauren Cohan da série, a troca de showrunners não pareceu muito positiva em sua primeira recepção – Angela Kang, que veio a substituir Scott Gimple no cargo, chegava acompanhada de um currículo desequilibrado dentro de seus créditos na série. Era este o fim de The Walking Dead?

Respondendo curta e grosseiramente: Sim. Mas não necessariamente o fim da série que uma audiência apaixonada aprendeu a amar no começo da década, mas sim da quase irreconhecível novela de ação que predominou os anos de 2016-2018 sob o mesmo pseudônimo. Angela Kang, em 16 episódios, revigorou uma série que, acredite ou não, estava fadada ao fracasso.

Mas a grande questão é: como ela fez isso com tantos obstáculos? Quais foram as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica? É isto que esta análise audiovisual irá lhe responder hoje.

O TOM

The Walking Dead é uma série dramática de horror, certo? Isso todos já estão cansados de ouvir e ler em todo lugar.

Apesar de nove anos no ar, a série da AMC só conseguiu manter seu público atento e fiel graças ao elemento humano que entregou ao longo de sua trajetória. Conseguir a afeição do público para com a história não depende apenas de vísceras e matança, mas sim de personagens e situações relacionáveis, sentimentais e provocativas. Rick, Maggie, Michonne, Daryl, Carol e todos os outros membros do grupo dos “mocinhos” sempre tiveram isso, e foi a ideia de uma família totalmente disfuncional sobrevivendo no inferno que manteve o público cativo por anos e anos.

Mas o que fazer com uma série que terminou sua oitava temporada tendo seu principal elemento de afeto com o público danificado? Pense bem: apesar do fim da guerra e de todos se unirem para um novo começo, a estrutura familiar e RELACIONÁVEL da série ainda estava danificada – Maggie, Daryl e Jesus até aparecem tramando, de forma risivelmente vilanesca, contra Rick e Michonne no fim do episódio S08E16 – “Wrath” (Ira).

Nas mãos da pessoa errada, as coisas só teriam derrapado a ponto de destruir toda a história para sempre. Lembrem-se: a série estava prestes a perder Rick literalmente 17 episódios depois da morte repentina de Carl. Mas foi aí que Angela Kang entrou e, queira admitir ou não, salvou The Walking Dead.

A primeira mudança da nova produtora-executiva foi trazer um frescor à série: um salto temporal, novas locações, novos ideais e costumes que, aos poucos, foram implementados à franquia. Abraçada num tom WESTERN/HORROR, Kang trouxe ao roteiro da série um senso medieval de imprevisibilidade, testando os instintos de sobrevivência dos personagens em relação ao ambiente e demais “colegas” ao limite – uma ferramenta útil não somente para a construção de mundo, como também para a de personagens.

OS PERSONAGENS

Lembram quando Carl Grimes invadiu o Santuário de Negan, metralhou Salvadores e apareceu dizendo que “toda vida era preciosa” 8 episódios depois? É, infelizmente não foi um surto coletivo, apenas a péssima construção de personagem/roteiro durante a oitava temporada da série.

Angela Kang chegou ao comando de The Walking Dead com este tipo de instabilidade de escrita nas motivações e personalidades dos principais personagens. Teria sido muito fácil usar o salto temporal como muleta narrativa para mudar a essência dos principais personagens do show: se Gimple fazia isso em questão de poucas horas, por que não em um ano, certo? Novamente, a showrunner se sobressaiu e trouxe a tona algumas das melhores construções de personagens da história da série.

O destaque da temporada neste quesito fica por conta dos fantasmas da guerra contra Negan que a showrunner e seu ótimo time de roteiristas usaram na hora de não somente definir o estado do seu elenco, mas de situá-los em arcos próprios e conjuntos.

Em cinco episódios, Kang fez com que as trajetórias de Rick e Maggie tivessem mais consistência do que os 16 da oitava temporada – que viveram em tropeços e mudanças bruscas de comportamento. Em uma temporada completa, Michonne, Carol e Daryl evoluíram o equivalente a 6 anos (literalmente): de decisões a ações, o trio “protagonista” da era pós-Rick passou de personagens que sustentavam-se pelo carisma de seus atores a nomes de peso e extrema relevância.

O elenco coadjuvante, por sua vez, também não fica para trás: Ezekiel, Anne, Enid, Negan, Henry, Jesus e tantos outros personagens sobem na escala narrativa e recebem um real propósito. E mesmo aqueles que perdem espaço de tela devido às mudanças necessárias para a limpeza da casa (Rosita, Tara, Cyndie, Gabriel, Siddiq, Alden), ainda assim possuem uma história palpável, que geram consequências e fogem do corriqueiro “filler” de anos anteriores: não há mais exaustivas reflexões existenciais que não levam a lugar nenhum.

Entrando como um experimento e conduzindo os telespectadores a nova era pós-Rick do show, é impossível sair sem comentar um dos maiores trunfos do ano: a chegada de novos personagens. Ao adicionar novos rostos no time principal e mesclá-los em tramas relevantes e de primeiro escalão, o roteiro fez com que o ar de “protagonismo definido” da série se dissolvesse de vez e estreasse um senso de assembleia como nunca antes visto: Magna, Yumiko, Luke, Connie, Kelly e Lydia (além dos Sussurradores, que serão abordados mais a frente) acolhem novas facetas de personalidade, representatividade e, principalmente, conceito.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P1 (EPISÓDIOS 1-5)

PRÓLOGO OU EPÍLOGO?

Angela Kang chegou para trabalhar na nona temporada com uma bagunça gigantesca para lidar em suas mãos. Não apenas as saídas de Rick e Maggie deveriam ser feitas com real propósito, como todas as sementes pelo final da storyline de Negan e Os Salvadores deveriam cultivar consequências reais para não passarem de desperdício – o que, infelizmente, foi a percepção de muitos daqueles que desembarcaram da jornada ao longo dos anos 7 e 8.

Mudando totalmente o tom e se apegando ao que fez as primeiras temporadas da série um sucesso, a nova showrunner e seu esquadrão delimitaram The Walking Dead de volta ao básico: um drama sobre uma família disfuncional vivendo no apocalipse zumbi. O grande diferencial aqui estava no contexto que esta história seria inserida: agora eles não querem apenas sobreviver, mas VIVER neste mundo. Criar laços. Uma sociedade de verdade. E é aí que está o maior acerto de todos.

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A New Beginning” é o primeiro episódio da história da série sob a tutela geral de Angela Kang. Da abertura ao encerramento, várias das facetas estilísticas da roteirista são empregadas com sucesso, desencadeando em uma série de conceitos que há anos The Walking Dead não conseguia ver: dos diálogos humanos e sem reflexão/exposição barata ao comportamento coletivo do grupo, todos os minutos aqui importam e o foco está novamente nos personagens e no modo que estes contemplam sua existência, objetivos e relações diante os desafios de uma sociedade caída.

Dentro desta cadeia narrativa, Rick Grimes e Maggie Rhee tornam-se os principais protagonistas da história, abrindo uma trama política densa sobre suas lideranças e os modos distintos de viver após a queda ditatorial de Negan. Apesar de discordarem em inúmeros parâmetros, o que poderia ser uma briga novelesca dos anos anteriores dá espaço a um debate ideológico esclarecido e bem resolvido entre dois ótimos personagens com percepções distintas e semelhantes nos mesmos níveis – ambos querem construir um bom futuro para seus filhos (Hershel Jr. e Judith Grimes) em honra da memória de pessoas amadas (Glenn Rhee e Carl Grimes).

O grande trunfo aqui, todavia, está no modo como toda reação gera uma consequência impactante não apenas para os personagens, mas para a história geral; Um exemplo: o enforcamento de Gregory leva Oceanside a buscar justiça com as próprias mãos, que levam Maggie e Daryl a burlarem o acordo com Rick e Michonne quanto ao destino de Negan. Nada mais é por acaso. Ações possuem peso e impactam os personagens, motivações e anseios.

Após sumirem e perderem relevância por mais de dois anos, esta nova fase de The Walking Dead também trouxe de volta os zumbis como um ponto além de ferramenta estética para mortes satisfatórias repletas de gore.

Quase como piada, as criaturas, quando não em bando, são usadas em momentos específicos para mostrar a falta de perigo aos sobreviventes neste ponto do apocalipse – no primeiro episódio, Siddiq se assusta mais com as aranhas saindo de uma das criaturas, do que com a própria. O curioso é que, apesar de parecer gratuito no começo, o roteiro é sagaz para conduzir um pensamento errôneo em relação aos mortos-vivos, que mais tarde – na mesma temporada – receberão um “twist”. Novamente, causa e consequência estão sempre andando lado a lado.

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No saldo final, os cinco primeiros episódios constituem um pequeno epílogo para a história contada durante os 8 primeiros anos de The Walking Dead. Angela Kang, com maestria, conduz uma pequena temporada que serve como o final real de um grande capítulo. A saída de Rick, em “What Comes After“, é a maior prova disso, carregando um ar de series finale em toda a sua épica escala – que carrega muito mais que simbolismo barato, condensando uma reflexão profunda e um admirável estudo de personagem. E, é claro, a ironia de Rick partir na mesma ponte que começou a construir no começo da temporada é apenas outro exemplo de causa e consequência no seu ápice.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P2 (EPISÓDIOS 6-16)

Seja motivo ou piada para fingir choque, saiba que um formato estrutural padrão de filmes de 2h foi aplicado no decorrer de, literalmente, 32 episódios completos de 50 minutos durante os anos 7 e 8 de The Walking Dead.

Mas o que importa é que águas passadas não movem moinhos, certo? Quase! E se alguém lhe contasse que a nona temporada e a sétima são, em partes, literais espelhos uma da outra? Pois é. A diferença aqui é o modo como ambas as formas estruturais foram idealizadas e abordadas pelos executores, e como uma falhou miseravelmente, enquanto a outra alcançou prestígio.

Com todas as peças posicionadas e prontos para começarem de vez uma série totalmente nova, Angela Kang e seu time de roteiristas tinham como real propósito reintegrar uma audiência geral a um começo ainda mais novo que aquele de seu prólogo/epílogo de 5 capítulos.

Who Are You Now“, embora não aparente, possui um dos roteiros mais importantes de todo o currículo da série. O motivo para esta denominação vem do ponto abordado no parágrafo anterior: a reintegração da audiência em relação ao universo. O episódio 06 serve, praticamente, como o piloto de uma nova The Walking Dead: há um novo tom, uma nova perspectiva e, é claro, novos protagonistas.

Escrito por Eddie Guzelian, o capítulo segue um molde fora do comum para este mesmo período em temporadas passadas. De forma fluida e coesa, personagens, situações, mistérios e sementes de arcos são plantados no decorrer de seus 50 minutos de duração.

O maior mérito, todavia, aparece com a forma escolhida para unir este emaranhado: Angela Kang (e Guzelian) estabelece(m) um monólogo para Michonne logo no início do capítulo – o famoso “cold opening”, antes da abertura – para relembrar a audiência de que este ainda é o mesmo universo, mas que, apesar de todos os fantasmas ainda assombrarem a vida dos sobreviventes (Daryl, Mich e Carol, particularmente), agora o foco é seguir em frente. Abre-se espaço então para um contraste muito bem construído entre o grupo liderado por Magna e, é claro, a pequena Judith Grimes, agora crescida, que exploram uma nova Zona Segura de Alexandria, e o Reino de Ezekiel, que parece estagnado aos mesmos personagens – apesar de um Henry 6 anos mais velho – e a um passado de ruínas, que estão desmoronando aos poucos.

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Após um longo foco na segurança dos muros e na estabilidade da vida nesta nova era, Kang apresenta um mistério feito com timing construído de forma crescente e bem conduzido: afinal, como todo o resto da série, estariam os zumbis evoluindo também? Permeando por três episódios (6,7 e 8), a ameaça dos doentios Sussurradores resgata um clima de terror nostálgico das décadas de 60 a 80, trazendo as criaturas sanguinárias de volta ao patamar de perigo extremo. Com a ajuda de David Leslie-Johnson, conhecido pelo universo da franquia “Invocação do Mal”, The Walking Dead entra num território de terror/suspense/horror há tempos não explorado, e faz isso com sucesso.

A revelação proposital da ameaça, feita com a morte inesperada de Jesus, só é chocante graças ao ótimo trabalho feito pela construção do roteiro – unido, é claro, ao poder da direção, que será abordada em um artigo futuro.

E é neste ponto que a comparação feita no início deste tópico começa a fazer sentido: a sétima e a nona temporada são, em essência, idênticas. A grande diferença está na escrita, que nas mãos do novo time entrega um desenvolvimento árduo e equilibrado de causa e consequência.

A introdução de Alpha, por exemplo, é feita de forma tão sádica e misteriosa quanto a de Negan: mas enquanto este foi ameaçador por apenas dois episódios, a vilã de Samantha Morton fez jus ao manto de antagonista do episódio 9 ao 16, mesmo estando ausente na maior parte destes. A aura sinistra do grupo foi trabalhada a fundo em seu conceito, mas não só em seu lado psicológico ou sádico: o temor de encontrar uma horda sem saber se é de “mortos”, por exemplo, permeia até os últimos minutos da season finale, “The Storm“. Há um equilíbrio na sensível escrita da nova showrunner, e é isto que levou a segunda parte da nona temporada às listas de mais memoráveis da série inteira.

E para finalizar esta notável amostra de boa-condução narrativa da temporada, há de se comentar sobre duas pérolas do nono ano, e dois dos melhores episódios da história da série: “Scars” e “The Calm Before“. Duas entradas COMPLETAMENTE DISTINTAS em termos de narrativa e condução, mas com poder relativamente igual em termos de desenvolvimento, ação, consequência e impacto.

“Scars”, escrito pela estreante Vivian Tse, é o 14º episódio da nona temporada e aproveita a recente introdução da personagem Lydia para trazer à tona lapsos de eventos do período que marcou o salto temporal de seis anos.

Praticamente protagonizado por Michonne, os 45 minutos contrastam o sentimento de culpa e temor da personagem pela perda/desaparecimento de sua filha no passado e presente, que acaba fora dos muros e em perigo graças a decisões tomadas de cabeça quente e por falta de conversa.

O poder da escrita nesta entrada não está apenas no desenvolvimento da personagem de Danai Gurira, que é excepcional, mas sim no modo como lida com as consequências da busca pela garota: em ambos os casos, Michonne foi obrigada a passar por um teste psicológico que a muda para sempre. No primeiro, que é chocantemente visceral, é forçada a matar um grupo de crianças, enquanto no segundo, é forçada a se abrir pela primeira e vez e desabafar sobre seus sentimentos com a filha, o que nunca foi fácil para a guerreira.

No fim das contas, “Scars” resgata o senso de uma história conduzida por personagens humanos, e não por ações ou prescrições dos quadrinhos.

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Já “The Calm Before”, escrito pela dupla Geraldine Inoa e Channing Powell, é o típico episódio evento de The Walking Dead. Ou melhor: o típico episódio evento feito da maneira certa.

Em um ponto crítico a ser adaptado das HQs de Robert Kirkman, Kang orienta o roteiro de Inoa e Powell usando uma técnica de “bomba-relógio”: enquanto a feira ocorre normalmente no Reino para unir as comunidades, Alpha se infiltra no local, onde passa a analisar friamente o comportamento dos sobreviventes e seu senso organizacional. Apesar de sua construção lenta, o senso de instabilidade é presente durante toda a projeção, e o pagamento entregue no último ato é desolador e excruciante em inúmeros níveis: 11 personagens conhecidos do público são decapitados e expostos em estacas na delimitação de território dos Sussurradores.

O evento é grotesco e tão bem executado que, quando acontece, mantém um ar de desconforto e luto que honra o fato de “The Calm Before” perambular entre os 15 episódios mais bem avaliados da história da série de acordo com o IMDB.

SALDO FINAL

É óbvio que ainda existem algumas pequenas falhas aqui e ali, mas isso faz parte do universo da escrita televisiva. Pequenos problemas de senso geográfico, por exemplo, são esquemas difíceis de buscar desvio desde os primórdios de Walking Dead, e por isso já soma muito mais como uma licença poética neste atual ponto.

No fim das contas, The Walking Dead revigorou-se e finalmente se encontrou depois de tantos anos no ar. Agora resta torcer para que Kang continue a trabalhar personagens, conceitos e trama a altura de seu potencial como showrunner – pois, se isso for um indicativo, a série ainda pode entregar um satisfatório final.

A primeira parte da 10ª temporada de The Walking Dead chega no Brasil a partir de domingo, 6 de outubro, às 22h, no FOX Channel.

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The Walking Dead 10ª Temporada: Quem é Dante?

Dos quadrinhos para a TV: Conheça Dante, o novo personagem da 10ª temporada de The Walking Dead.

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Sabemos que The Walking Dead segue muito da história contada nas HQs, mas também dá suas escapadas para adaptar o roteiro em determinadas ocasiões. Personagens que morreram nos quadrinhos estão vivos na série – e vice-versa -, e até pessoas que não existem na história impressa são introduzidos, e com muito sucesso, no show da TV – caso de Daryl.

No entanto, a 10ª temporada vai apresentar aos fãs da produção da AMC um personagem que participou do arco dos Sussurradores nas HQs. O ator Juan Javier Cardenas foi escalado para interpretar Dante, e vamos falar aqui o que esperar do novo personagem.

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DANTE NAS HQs

Dante é introduzido na edição de número 131 dos quadrinhos e participa do confronto entre as comunidades e o grupo de Alpha e Beta. Ele é um jovem híspano-americano brincalhão, e suas palhaçadas muitas vezes incomodam os outros. Apesar do jeitão sarcástico, ele é extremamente leal à Hilltop, especialmente à líder, Maggie Rhee.

A lealdade logo torna Dante uma espécie de braço-direito da viúva de Glenn. O jeito tranquilo também dá ao personagem uma vocação para liderança, mas essa tranquilidade é colocada à prova quando ele fica cara a cara com os vilões e é sequestrado. Os Sussurradores, então, costuram um acordo com Hilltop para recuperar Lydia, filha da líder Alpha, em troca do rapaz.

Após a troca, é Carl quem foge atrás de Lydia, e Dante acompanha Rick em busca dos pombinhos. Dante também estava presente quando os sobreviventes encontram as vítimas das estacas.

DANTE S2 MAGGIE

Ainda nas HQs, quando Jesus lidera um grupo de ataque no confronto contra os mascarados, Dante fica para trás para proteger os membros que permaneceram em Hilltop, e aproveita a oportunidade para revelar seus sentimentos por Maggie. A líder prontamente o rejeita. Logo depois, ele é enviado para defender a comunidade, que acabara de ter suas paredes derrubadas pelos Sussurradores.

Os danos causados pelo grupo mascarado é praticamente irreversível, e os moradores são forçados a se mudar para Alexandria, onde o romance entre os dois finalmente desabrocha. O destino final do personagem, no entanto, é desconhecido. No salto temporal apresentado na última edição das HQs, Maggie é apresentada como presidente da comunidade, mas Dante não aparece no volume.

Vale lembrar que, na série de TV, Lauren Cohan, que interpreta Maggie, está vivendo na comunidade de Georgie (Jayne Atkinson), e deve voltar para Hilltop nesta temporada. Será que a chegada de Dante será usada como gancho para o retorno da líder? Se eles voltarem juntos, já será como um casal?

O QUE ESPERAR DA 10ª TEMPORADA

Esta será a primeira temporada completa de The Walking Dead que não contará com seu principal personagem, Rick, já que Andrew Lincoln ficou até o quinto episódio do nono ano. Além disso, Michonne está de saída da série porque Danai Gurira decidiu deixar o show, mas ainda não se sabe seu destino.

Com isso, a introdução de novos personagens pode (e deve) dar um novo fôlego à trama. Dante tem um papel interessante nos quadrinhos, sendo muitas vezes um alívio cômico na história. Será que ele entrará como um personagem de relevância, que vai exercer alguma liderança nas comunidades?

“…em nosso mundo, o contexto é um pouco diferente e ele (Dante) terá um papel importante na história de Alexandria. Então estamos empolgados com isso.”, contou a showrunner Angela Kang no mês passado em entrevista para a Entertainment Weekly.

Outra possibilidade é o crescimento de personagens outrora secundários. Eugene (Josh McDermitt), Rosita (Christian Serratos), Siddiq (Avi Nash), Padre Gabriel (Seth Gilliam), entre outros, podem ter suas histórias expandidas com a entressafra de protagonistas, e Dante entraria mais como uma figura que será desenvolvida até ganhar determinado destaque.

Aguardemos o início da décima temporada de The Walking Dead, marcado para o dia 6 de outubro.

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