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CRÍTICA | The Walking Dead S10E12 – “Walk With Us”: Beijo da morte

Walk With Us foi o décimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo segundo episódio, S10E12 – “Walk With Us”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Se o Prêmio Nobel criasse uma categoria para premiar pessoas que recuperam produções televisivas, Angela Kang já estaria ensaiando seu discurso de premiada. Como é bom ver The Walking Dead com o fôlego recuperado há duas temporadas e nos deixando cheios de expectativas para o que vem por aí. “Walk With Us”, o décimo segundo episódio da décima temporada da série, foi uma verdadeira aula de suspense, ação e uma homenagem aos quadrinhos.

Desde os primórdios, The Walking Dead gosta de separar o elenco em pequenos grupos após confrontos de grandes proporções. Em mais de uma ocasião, essa divisão chegou a cansar, algumas decisões erradas deixavam a história arrastada, com episódios longos demais para tratar de apenas um personagem – que acabava influenciando pouco na história (isso quando o personagem morria ao fim de um longo enredo) – e a sensação era que a reunião de todos demorava uma eternidade. Agora não. Os grupos se separaram, mas alguns já se reencontraram, e enquanto todos não estão juntos novamente, cada um tem uma narrativa interessante para seguir.

Quem aí gosta de futebol? Se você gosta, responda rápido: você prefere ver seu time tocando a bola pro lado, atrasando o jogo, fazendo cera, ou prefere uma equipe vertical, objetiva e que busca o gol o tempo todo? Imagino que muitos vão responder a segunda opção. Com uma produção televisiva não pode ser diferente. É chato ver uma série de sucesso enrolando a história, esperando chegar um determinado momento da temporada para andar com o enredo. É muito melhor ser criativo, objetivo e entregar um espetáculo que agrade ao público. É feio assistir a um show que tenta prender a atenção do espectador com pequenos eventos que pouco acrescentam à história, e The Walking Dead parece ter aprendido com erros do passado. A décima temporada pode até ter começado em ritmo mais lento, deixando perguntas em aberto, mas o contexto já era outro em relação a anos anteriores. Mesmo que nós ficássemos ávidos por respostas, este décimo ano de The Walking Dead não apelou para a enrolação.

E “Walk With Us” foi como um time ofensivo: vertical, objetivo e bonito de assistir. Mesmo com as despedidas, nos sentimos perto de um desfecho interessante para o arco dos Sussurradores, ao mesmo tempo em que, pouco a pouco, novos enredos são introduzidos na história. Faltam quatro episódios, e podemos até nos perguntar: com a morte de Alpha, a série vai conseguir manter o ritmo até o fim da temporada? Se pensarmos em todas as referências usadas nos quadrinhos, acho que podemos nos permitir acreditar que sim.

SOBREVIVÊNCIA

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“Walk With Us” começa seguindo a batalha da grande horda liderada por Alpha e já deixa claro que Hilltop, se não caiu, sofreu sérios danos que vão demorar para serem reparados. A exaustiva luta se estende pela noite inteira, e os resultados da batalha começam a ser observados já no amanhecer. Entre Sussurradores e walkers, os sobreviventes da comunidade vão lutando, mostrando força e organização.

No meio disso, duas situações importantes: primeiro, Ezekiel tenta resgatar as crianças. A segurança dos menores em tempos de guerra é abordada desde o capítulo anterior, e em “Walk With Us”, conseguimos perceber que, mesmo com todo o cuidado que elas merecem, casos em que elas terão que se virar sozinhas podem ocorrer. Quando o Rei se pergunta onde está Judith, que sempre deixou claro que queria lutar e que tinha condições de ajudar, ele se separa do grupo de crianças. A filha de Rick Grimes está no meio da batalha, matando errantes, quando descobre que matou o primeiro humano: um Sussurrador que a atacou vestido de walker. Foi o primeiro trauma sofrido pela garota no episódio. Ali ela já demonstrou que sentiu o golpe, mas seguiu em frente ao ser resgatada por Earl, que mais tarde guiaria o grupo de crianças.

A segunda situação importante dessa cena: o retorno de Magna, que – convenientemente – é encontrada por Yumiko andando em meio ao exército de walkers. Mais tarde, ela explica que as duas conseguiram escapar da caverna e, muito rapidamente, se viram em meio à horda de Alpha, mas elas se perderam no meio do caminho. A irmã de Kelly segue desaparecida.

BETA IMPLACÁVEL, NEGAN MOCINHO

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Beta teve um olho clínico para analisar a concluir que Negan não era confiável. Beta nunca concordou 100% com a escolha de Alpha em batizar e eleger Gamma como terceira na linha de sucessão dos Sussurradores. Beta esteve certo o tempo todo.

Após o conflito, Alpha deixa claro que procura por Lydia e ele promete encontrar a garota e levá-la de volta à mãe. Mas quem a encontra é Negan após uma cômica tentativa frustrada de reunir caminhantes para reabastecer o exército Sussurrador. O ex-Salvador a encurrala e sequestra. Se por muitas vezes durante esta temporada nos perguntamos de que lado Negan estava, nesta hora muitos com certeza pensaram que ele estava do lado dos vilões. Afinal de contas, ele encontrou a filha de Alpha e tudo levava a crer que ela seria levada para ser morta pela mãe.

No entanto, antes disso, em um encontro – também conveniente – com Aaron, Negan tenta se justificar, sem dizer muito o que tem em mente. Ele só não é morto porque Aaron precisa proteger Luke, que está desacordado e uma horda de caminhantes se aproxima. De maneira inteligente, “Walk With Us” planta essas duas sementinhas da dúvida sobre de que lado estava Negan. Logo saberíamos que Beta estava certo sobre ele

O segundo julgamento certo do vice-líder Sussurrador – sobre Gamma – não terminou bem. Mary se aproximava de uma redenção, começava a ganhar a confiança de Alden, conseguiu rever seu sobrinho, mas programas de TV têm dessas coisas. Quanto mais uma situação parece estar resolvida, quanto mais um personagem se sente aliviado e bem e um momento de tensão, pior para ele. Quando estava satisfeita consigo mesma pelas recentes conquistas – pegar o sobrinho no colo e se entender com Alden – Gamma é surpreendida por Beta, que não pensa duas vezes: crava-lhe uma faca e mata a personagem.

Em uma pequena luta entre os dois, Gamma arranca uma parte da máscara de Beta e ele é reconhecido por outro Sussurrador. O homem afirma que já havia reconhecido a voz dele em algum lugar, mas que não tinha certeza. Beta, querendo negar seu passado, mata o rapaz. Enquanto procura uma solução para a máscara rasgada, dá para perceber que o vilão cogita usar o rosto de Gamma, mas antes Alden acerta a nova walker com uma flecha e Beta foge.

CAROL CIRÚRGICA

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No início da luta, com Hilltop em chamas, Carol está em uma das torres de proteção atirando suas flechas e fazendo o possível para reduzir o prejuízo causado pela invasão dos walkers. Em determinado momento é possível vê-la avaliando a situação e refletindo, talvez sobre suas recentes escolhas. Logo descobriremos que ela não está pensando apenas nas decisões erradas tomadas na caverna.

Essas decisões seguem atormentando-a no retorno de Magna. Yumiko cobra um pedido de perdão e Carol afirma que isso não mudará as coisas antes de ser agredida. Este soco em Carol talvez seja um pequeno preço pago por uma das personagens mais queridas dos fãs de The Walking Dead, mas que em determinados momentos parece ter perdido completamente a razão. A verdade é que Carol tinha só um objetivo em mente, e não poupou esforços para concluí-lo.

Detalhe aqui também para como Magna parece ter voltado diferente do trauma de ter ficado presa na caverna, depois entre os walkers de Alpha antes de se perder de Connie. Desde sua entrada na série, a personagem mostrou ter personalidade difícil e, em muitas ocasiões, foi intransigente e desrespeitosa com as lideranças de Alexandria e Hilltop. Agora, ela não parece não ter olhado Carol da mesma forma, se comparado à caverna, e quem teve a reação inflamada foi Yumiko. Magna até chegou dar razão à ex-amada sobre a última conversa das duas, que culminou no término.

Em meio a todo esse turbilhão, Carol encontra equilíbrio para orientar Eugene a se encontrar com Stephanie. O cientista, que ficou abalado com a destruição de Hilltop e tentava desesperadamente consertar o rádio com o qual se comunicava com a nova amiga, segue para o encontro. Seguindo sozinha, ela se aproxima de seu objetivo – o encontro com Negan.

AS CRIANÇAS (E JUDITH)

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Quando Ezekiel se perde do grupo de crianças em meio à confusão, é Earl quem as resgata e leva para uma cabana segura, mas que não está no ponto de encontro combinado, onde Daryl, Jerry e companhia foram procurar. Para piorar, o viúvo de Tammy foi mordido e tenta esconder dos pequenos que está perto de morrer. Earl então toma a decisão de se matar já atingindo a própria cabeça, para não voltar como walker e colocar as crianças em perigo. O plano dá errado e cabe à Judith encontrar o corpo, ser atacada pelo Earl walker e passar pelo segundo trauma: eliminar um conhecido.

Mais uma vez, The Walking Dead coloca a personagem para tomar atitudes que vão além de sua idade. Isso tem um lado bom, que é desenvolver a personalidade da jovem, homenagear a coragem e o espírito de liderança do pai, Rick – mesmo que não seja o pai biológico, Judith o tem como referência pelo pouco tempo de convivência e pelas histórias que ouve de Michonne – e, de certa forma, pegar um pouco do que é o Carl dos quadrinhos. Vale lembrar que, com a morte do personagem de Chandler Riggs, coube à ela pegar este arco.

Judith então é encontrada, as crianças são resgatadas, mas a jovem parece ter sentido o baque, quando é consolada por Daryl. Resta saber o que será da personagem a partir de agora, com a mãe longe e em meio à guerra.

NEGAN X ALPHA

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O destino de Alpha foi traçado em uma cena que durou exatos oito minutos. Negan conta que encontrou o que a líder procurava – a filha Lydia. Nesse momento, “Walk With Us” começa a jogar conosco. Enquanto os dois interagem, a jovem tenta se soltar do cativeiro onde Negan a colocou antes que a mãe chegue e a mate.

O ex-Salvador tenta demover de Alpha a ideia de matar Lydia, usando contra ela a metáfora do leão e dizendo que a jovem é quem tem que ser a primeira da sucessão dos Sussurradores. Talvez o destino da vilã fosse diferente caso ela concordasse com seu homem de confiança, e provavelmente Negan, que foi contra a ideia da Sussurradora de matar os sobreviventes de Hilltop e também era desfavorável ao plano de matar Lydia, repensaria a ideia de eliminar a líder caso ela demonstrasse um pouco de razão em suas ideias. Mas ficou claro que Alpha tinha um plano estabelecido.

Seguindo seu joguinho, “Walk With Us” nos brinda com a interação entre os dois – mais um show de atuação de Samantha Morton e Jeffrey Dean Morgan – enquanto Lydia começa a conseguir se soltar. A dupla conversa sobre o passado de Negan, sobre a esposa, Lucille, e Alpha seguia com sua ideia de que a morte era a libertação da humanidade. E aqui a atuação de Morton precisa ser destacada justamente porque ela consegue ser a Alpha, líder Sussurradora e terrível vilã, mas também é a mãe, mulher e humana. Na conversa com Negan essas duas facetas aparecem, quase que ao mesmo tempo. Samantha Morton foi um verdadeiro presente para os fãs de The Walking Dead.

Talvez em determinado momento o destino de Alpha tenha ficado claro para muitos fãs. A questão era quando e como Negan e mataria. No beijo? Com uma punhalada pelas costas em frente à cabana? Nesse caso, Lydia poderia sair da casa e dar de cara com a mãe morta? Isso tudo poderia acontecer. Mas Alpha teve seu destino selado de maneira fria. Primeiro, a filha se livra e sai da cabana em um lugar desconhecido. Depois, Negan esfaqueia a vilã no pescoço – semelhante ao golpe que Rick o deu no fim da guerra contra os Salvadores – e ela morre. Negan novamente a beija, em uma espécie de beijo da morte, e entrega a cabeça dela a Carol.

The Walking Dead chegou a dar uma dica de que foi Carol quem libertou Negan da prisão – na cena em que ela encara um quadro de Glenn em “Morning Star” – antes do confronto contra a horda de Alpha – mas isso não ficou claro para todos. Agora, sabemos que ela tinha um plano o tempo todo, mesmo que tenha saído do combinado em alguns momentos.

O papel de vilão principal de The Walking Dead caiu nos pés de Beta, que, como foi dito neste texto, já demonstrou inteligência em muitos momentos. Mas como ele vai reagir à morte de sua líder? O que aguarda os sobreviventes de Alexandria, Hilltop e Oceanside? O que resultará do encontro entre Eugene e Stephanie? Faltam quatro episódios para o fim da décima temporada, e por mais que estejamos todos curiosos, dá aquele aperto no coração ver um arco tão bem construído se aproximando do fim.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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