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CRÍTICA | The Walking Dead S10E01 – “Lines We Cross”: Chuva de dúvidas (e de meteoros)

Lines We Cross foi o primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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The Walking Dead voltou! A décima temporada está aí para quem estava com saudades de ver os sobreviventes em ação, e de cara já nos deixou animados com o que está por vir, e com algumas perguntas em aberto. “Lines We Cross” (Linhas Que Cruzamos), o nome escolhido para o episódio, ilustra bem o risco que os sobreviventes correram ao romper a fronteira estabelecida pelos Sussurradores para combater um incêndio.

O capítulo de estreia do 10º ano de The Walking Dead inicia com um relato de Judith (Cailey Fleming) ao rádio – não sabemos com quem ela conversa. Ela começa contando sobre como o pai e a mãe querem construir um mundo melhor, mas nem todos querem seguir as regras, relembrando a escapada de Negan (Jeffrey Dean Morgan). Depois, a jovem Grimes conta sobre o grupo que encontraram pelo caminho, e como eles vivem em meio aos walkers. Depois, ela lembra do resgate de Lydia e o que os vilões fizeram para tentar resgatar a filha de Alpha.

A cena serviu mais como um lembrete dos acontecimentos da temporada anterior, desde o sumiço e a pseudomorte de Rick até a cena das estacas, também para o telespectador mais desapegado relembrar o que antecedeu as histórias que estavam por vir. Depois, uma cena curiosa: um satélite soviético no espaço dando mostras de que cairia na Terra. Taí algo que não esperava ver em The Walking Dead: o espaço. E esse asteroide vai guiar as decisões tomadas no episódio.

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Para explicar o subtítulo, vamos relembrar que este episódio é dividido em partes, e o nome da primeira é “Dia de Treinamento” que mostra, claro, um dia de treinamento dos sobreviventes. Aqui é interessante ver como eles têm se preparado para encontros com walkers, e a organização que diminui os riscos em confrontos com hordas maiores. Interessante também ver uma praia neste contexto.

A cena começa com um walker bizarro, que tem um rosnado muito parecido com um gargarejo, já que está com a boca cheia d’água. Ele logo é contido por Judith – não me pareceu muito prudente a formação do “exército” cheia de marmanjos e a criança ter que lidar com o errante, mas vamos deixar passar. Ezekiel e Jerry controlam a porta de um velho navio que parece estar tomada por walkers, e à medida que eles vão saindo, a linha de defesa lida com eles.

A cena vai então para Oceanside, onde Luke tem um flerte correspondido com uma nova personagem, Jules. Será um novo casal à vista ou um dos dois tem os dias contados na série, deixando o coração do que sobreviver à deriva (aproveitando a atual vibe marítima)? Em um contexto como este, encontrar um amor é um tanto quanto arriscado. Michonne e Daryl então falam sobre como foi bom levar as crianças para a praia, e os dois mencionam Tara, e como ela teria gostado de ver o treinamento.

Por falar em crianças, são elas quem protagonizam o primeiro momento mais tenso do episódio. Ainda perto da praia, Jerry e suas filhas já um pouco crescidas brincam, e perto deles Judith e RJ começam a brincar com as conchas que encontraram perto do oceano. A filha mais velha de Michonne se assusta com uma máscara que, ao que tudo indica, pertenceu a um Sussurrador.

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Na segunda parte do episódio, Aaron e Michonne conversam no rádio com Gabriel e contam sobre a descoberta da máscara. Eles se perguntam se ela pode ser um indicativo do retorno dos Sussurradores. Todos concordam em ficar alertas e começar a procurar por mais sinais dos vilões.

O grupo de seis pessoas sai em busca de sinais e se separa. Legal destacar aqui como eles conseguiram estabelecer boas rotas de comunicação, o que faz com que todos se sintam mais seguros, mesmo em uma missão com certo risco. No momento em que se separam, a câmera filma tudo de cima e mostra o campo verde, para mostrar que, definitivamente, o inverno que atingiu as comunidades no último episódio da nona temporada, passou.

Aaron então decide que é uma boa hora para perguntar a Michonne sobre o papel deles nos conflitos recentes. Ele questiona se eles são os mocinhos e a Samurai, a princípio, não consegue responder, mas depois afirma que sim, eles são o lado certo da história. Mais um ponto de vista interessante do episódio: Aaron, na verdade, reflete sobre como eles se vêem como os mocinhos porque só conhecem seu próprio ponto de vista, o que significa que eles são os vilões para o lado oposto.

Toda precaução tomada por todos no treinamento parece ter ido para o ralo quando os dois encontram uma horda que, a princípio, não pareceu ameaçadora. Michonne lembra, no entanto, que é preciso olhar sempre para as mãos dos walkers para ver se eles não carregam nenhum tipo de arma, indicando que são Sussurradores. Aaron praticamente ignora as orientações e mata os errantes, o que revolta Michonne, uma vez que o amigo se colocou em risco. O fato se torna um tanto quanto irônico se pensarmos que Aaron estava na linha de frente nos treinamentos da praia e foi o primeiro a desobedecer qualquer organização ao primeiro sinal de perigo.

O nome de Rick é mencionado pela primeira vez desde o desaparecimento no momento em que Michonne vai repreender Aaron. Os dois estavam em uma ponte, e a Samurai lembra que foi em um lugar semelhante que o amado foi “morto”. Os dois então são chamados por Yumiko, que mostram um acampamento de pessoas que já morreram, e em meio aos corpos e destroços, encontram uma pele, em mais uma mostra de que os Sussurradores voltaram.

Se tem uma coisa que este episódio deixou claro é que Oceanside está de volta. Boa parte deste primeiro momento do capítulo se passa na comunidade que por muito tempo ficou sumida em The Walking Dead. Interessante ver também que as comunidades estão novamente unidas, e todos entendem que assim devem permanecer para enfrentar o que está por vir. A memória de Rick também é relembrada por mais de uma vez, tanto na menção de Michonne quando na história do Corajoso que Judith conta para RJ, que ganha suas primeiras falas neste episódio.

O satélite então volta a dar as caras, lembrando a todos que é ele quem vai guiar o episódio.

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A narrativa volta um pouco atrás nesta etapa porque quer mostrar o que acontecia em cada comunidade antes da suposta chuva de meteoros. Agora estamos em Alexandria, no momento em que o padre Gabriel conversava com o pessoal que estava em Oceanside. Logo depois somos apresentados ao bebê e à configuração do quadrado amoroso entre Rosita, Eugene, Gabriel e Siddiq. Todos parecem conviver muito bem entre si, mas Siddiq logo tem alguns flashbacks da noite em que as vítimas das estacas foram atacadas e mortas pelos Sussurradores.

Aqui, me pareceu que ele carrega alguma culpa, e, certamente, alguns detalhes que ainda não conhecemos do que aconteceu ali virão à tona. Será que Siddiq, de alguma forma, barganhou por sua vida? Por que só ele foi poupado naquele momento, uma vez que Alpha conseguiu guiar os sobreviventes para o local onde estavam as cabeças? Algumas respostas devem vir ainda nesta temporada.

Outra parceria interessante para ficarmos de olho nesta temporada é entre Lydia e Negan, os dois odiados de Alexandria. Eles têm um rápido papo no episódio, e um parece ainda não conhecer a história do outro. Negan também tem um papo com Gabriel sobre deixar as pessoas se sentirem seguras, e o padre decide seguir o conselho do ex-Salvador. Na nona temporada, já tivemos algumas mostras sobre o poder de manipulação de Negan sobre Gabriel, e mais um pouco disso ocorreu na estreia do décimo ano. As intenções do crush de Lucille ainda parecem um pouco obscuras, e ele certamente é um personagem a ficar de olho daqui para frente.

LOBO DO MAR | NOVO MÉXICO

Algo está para acontecer com Kelly. A irmã e intérprete de Connie não ouve um alerta de uma sobrevivente. Connie, então, pergunta se a irmã está apresentando os primeiros sinais de surdez, e ela responde que tem tido algumas dificuldades. A série investiu pesado na nona temporada na representatividade e em mostrar a adaptação de uma deficiente auditiva no apocalipse zumbi. Agora, abre caminho para inserir mais uma personagem neste contexto.

Por falar em Connie, tivemos o primeiro sinal de que algo dos assuntos do coração existe entre ela e Daryl, quando os dois se olham e Kelly percebe uma faísca. Isso nunca significa nada. Certamente a possibilidade de romance entre os dois será explorada nesta temporada, o que não significa que eles ficarão juntos, mas sim que Daryl finalmente sairá da casca e deve demonstrar algo por alguém que não seja sua amiga Carol.

Carol que está de volta de uma pescaria. Comentamos aqui que ela pegará o arco que é de Michonne nos quadrinhos e esta pode ser a primeira prova de que isso vai acontecer. Nas HQs, a Samurai se refugia após uma sequência de traumas, e aqui, Carol pesca e tenta rastrear Maggie. Junto com Daryl, a nova pescadora é o alívio cômico do episódio, quando os dois falam sobre amizade e ela se propõe a fazer pulseirinhas coloridas, bem como as crianças costumavam fazer para os melhores amigos. A graça acaba quando os dois ventilam ir embora e deixar os conflitos para trás. O papo é interrompido, novamente pelo satélite entrando na órbita terrestre.

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O satélite se choca no solo em um ponto bem próximo ao início da fronteira estabelecida pelos Sussurradores. Aqui podemos dar uma licença poética aos produtores, uma vez que foi muito conveniente o equipamento soviético ter atingido um local tão específico.

Os sobreviventes logo se organizam para combater as chamas e, para isto, precisam entrar no território proibido. Destaque aqui para a condição de Ezekiel, que tem algumas dificuldades em manter o ritmo dos outros. Será algum sinal de que o Rei passa por algum problema de saúde?

O fogo também atrai uma horda considerável de walkers, e os sobreviventes agora precisam lutar contra fogo e zumbi. Vencidos os dois conflitos, Eugene tenta explorar o satélite em busca de alguma tecnologia que possa ajudar às comunidades, e Daryl e Carol se afastam do grupo para seguir com seus planos de fugir. É aí que a mãe de HenryAlpha saindo de uma caverna/toca, e as duas se olham, deixando todo mundo louco para ver logo o embate entre elas.

No geral, foi um bom episódio de apresentação da 10ª temporada. Não tivemos nenhum evento que mudasse os rumos da narrativa, mas foi um primeiro capítulo que deixou interessantes questões para se resolver. Carol e Daryl vão embora? Mas e Connie? O que será de Kelly caso sua surdez avance? O que Alpha fará, sabendo que os inimigos cruzaram a fronteira? E será que Carol, vendo a mulher que matou seu filho, vai continuar com a ideia de querer partir?

Queremos saber o que você achou do episódio “Lines We Cross”, vote em nossa enquete e deixe todos os seus pensamentos e teorias nos comentários abaixo!

Fiquem ligados porque o décimo ano de The Walking Dead está só começando!

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Steve Coulter (Reg)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Steve Coulter.

Rafael Façanha

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arte com Steve Coulter e Reg Monroe para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Steve Coulter in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Steve Coulter, que interpretou Reg Monroe durante a 5ª temporada. O ator nos contou que quase interpretou outro personagem em The Walking Dead e nos falou sobre a descoberta da morte de Reg e a gravação da cena e sobre o trabalho com Tovah Feldshuh. Além disso, Coulter contou o que podemos esperar do Padre Gordon no próximo Invocação do Mal e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Steve Coulter:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Steve Coulter: Sim, é difícil acreditar que existe há 10 anos. Me lembro de assistir ao primeiro episódio. Quando Rick atirou na menina zumbi, me lembro de ter pensado: “Isso NÃO é o que eu esperava”. Aquilo me surpreendeu.

Eu só tinha feito o teste para o programa uma vez antes, para o papel de Hershel. Estou muito feliz que Scott Wilson tenha conseguido, porque ele criou um dos personagens mais amáveis e memoráveis da televisão. Tive a sorte de passar algum tempo com Scott quando estávamos nas mesmas convenções. Verdadeiramente um dos homens mais gentis que já conheci.

Quando The Walking Dead envia “lados” (é assim que as cenas de audição são chamadas), eles não são do roteiro real. Os produtores os disfarçam para que os fãs não tenham ideias de histórias vazadas. Então, a cena que me foi dada para fazer o teste aconteceu em uma festa chique na cidade de Nova York, comemorando o lançamento de um livro de um autor famoso.
Lendo a cena, pude perceber que o “autor famoso” era Rick. Uma forma dessa cena foi na verdade a primeira cena que filmei na 5ª temporada, onde Deanna e Reg estão dando uma festa para dar as boas-vindas a Rick e seu grupo em Alexandria.

Alguns dias depois de enviar minha fita de teste, meu agente ligou e disse que parecia que eu tinha conseguido o papel, eles estavam apenas se certificando de que eu seria uma boa escolha de parceiro para a atriz que interpretava Deanna. Eu recebi a ligação dizendo que o papel de Reg era meu no meu aniversário… um belo presente de aniversário.

Alexandria passou por profundas mudanças de contexto social desde que os portões foram abertos para o Rick e o grupo, e no momento atual, está passando por um processo de redemocratização junto às outras comunidades. Você acha que Reg estaria orgulhoso do que Alexandria se tornou?

Steve Coulter: Acho que ele ficaria orgulhoso por ela ainda estar de pé. Mas acho que ele ficaria muito triste com o sacrifício que foi necessário para mantê-la.

A cena em que Reg compartilha com Noah seus projetos para futuro de Alexandria e seu conhecimento em arquitetura é muito simbólica e marca um momento de esperança e união entre os grupos. O que você acha que motivou Reg a confiar em Rick e em seu grupo?

Steve Coulter: Essas são ótimas perguntas, a propósito. Normalmente não me perguntam coisas tão específicas… o que eu gosto muito.

Eu acreditava que Reg tinha sentimentos instintivos muito bons sobre as pessoas que conhecia. Ele nunca teve uma agenda e estava muito confortável em sua posição. Então isso deu a ele essa habilidade para recuar e ver uma situação mais claramente, sem pré-julgamento. Foi divertido interpretar um personagem com tão poucos conflitos internos. Ele estava muito otimista e via o lado bom das pessoas. Claro… nós sabemos o que acontece com um personagem que expressa otimismo em The Walking Dead.

Os moradores de Alexandria tinham uma visão do mundo paralela à realidade apocalíptica por nunca terem precisado sobreviver do lado de fora dos muros. A morte de Reg gerou que tipo de impacto nos moradores da comunidade? Eles precisavam desse choque para, de fato, entenderem a realidade?

Steve Coulter: Acho que a combinação da morte selvagem de Reg e o assassinato de Pete por Rick imediatamente depois os acordou. Muito duramente. Especialmente porque foi ordem de Deanna que permitiu que Rick fosse em frente e matasse. Tudo mudou para eles depois disso. Foi o choque lamentável de que precisaram para permitir que sobrevivessem.

Ainda sobre a morte de Reg, você pode falar um pouco sobre como foi gravar essa cena? E como/quando você descobriu que Reg estava com os dias contados? Alguma lembrança engraçada dos bastidores desse momento?

Steve Coulter: Pode parecer estranho dizer que ter a garganta cortada pode ser “divertido”, mas foi realmente muito divertido de filmar. Eu descobri que iria morrer algumas semanas antes de filmarmos aquele episódio. Eu recebi uma mensagem de que Scott Gimple (showrunner) iria me ligar para falar sobre o programa. Ingenuamente, pensei que ele queria falar comigo sobre como Reg se encaixaria na próxima temporada. Eu tolo.

Tentamos nos falar por um dia ou mais, mas então recebi uma mensagem de voz dele dizendo que queria falar sobre o que estava por vir no episódio final. Assim que ouvi essa mensagem, pensei “Reg vai morrer”. Ele finalmente conseguiu falar comigo em uma tarde de sábado. Quando peguei o telefone, a primeira coisa que disse a Scott foi: “Eu vou morrer, não vou?” Então ele respondeu timidamente: “…Yeeeeaaaaah.” Scott deve ter se desculpado oito vezes durante a ligação. Ele disse: “Lamento MUITO, mas prometo que será uma morte INCRÍVEL e é a última coisa que acontece no episódio final”. Fiquei muito tocado com o quão gentil ele foi.

Filmamos a cena em novembro e a temperatura estava abaixo de zero lá fora, e filmamos a noite toda. Eles me conectaram a um longo tubo que ia para uma bomba que faria o sangue jorrar do meu pescoço quando minha garganta fosse cortada por Pete. Bem, o “sangue” que eles estavam usando (e era MUITO sangue) era apenas água colorida, então estava extremamente frio, e filmamos essa parte da cena cerca de quatro vezes. Então, cada vez que minha garganta era cortada e eles começavam a bombear, era como se alguém estivesse despejando uma garrafa de água gelada na minha frente.

Como foi trabalhar ao lado de Tovah Feldshuh no desenvolvimento de Reg e Deanna? Você já a conhecia?

Steve Coulter: Foi incrível trabalhar com Tovah. Não nos conhecíamos, mas eu sabia do seu trabalho nos teatros de Nova Iorque. Ela fez um monólogo sobre Golda Meir que era bastante conhecido. Ela era uma verdadeira profissional. Antes de praticamente todas as cenas que filmamos, ela se abaixava no chão e fazia cerca de uma dúzia de flexões para se energizar para qualquer cena que estivéssemos fazendo.

Uma memória muito vívida que tenho é quando estava deitado no chão depois que Pete me atacou, e eu estava nos braços de Tovah (Deanna). Senti as lágrimas quentes caindo em minha bochecha. E isso aconteceu durante cada tomada.

Reg acreditava que tudo o que tinham em Alexandria seria o suficiente para conter o perigo. Era importante para ele que as pessoas da cidade estivessem à salvo. No entanto, o perigo era mais eminente do que ele imaginava. Na sua opinião, o que Reg poderia ter feito que prevenisse os problemas que se sucederam?

Steve Coulter: Sinceramente, não acho que houvesse nada que Reg pudesse ter feito. Mas acho que ele teria ouvido Rick depois de um tempo.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Steve Coulter: Eu gostei muito de trabalhar no episódio com Noah, interpretado pelo maravilhoso Tyler James Williams, e particularmente na cena no gazebo. Não era uma cena típica de Walking Dead. Foi muito otimista e esperançoso, e adorei como Reg estava tentando se conectar com Noah. Claro, todos nós sabemos como isso acabou. Tyler foi ótimo na cena, e nós realmente gostamos de jogar um contra o outro. Filmamos a cena logo após o nascer do sol, e era uma linda manhã. Acho que o mais desafiador foi a cena da morte de Reg… havia tantas partes móveis (tubos de sangue, bombas para o sangue, corte protético no pescoço, etc.) para pensar e também fazer tudo parecer muito real e natural.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Steve Coulter: Eu definitivamente me lembro do meu primeiro dia no set. Mesmo que eu já estivesse atuando por quase 25 anos na época, ainda estava nervoso para conhecer todo o elenco. Veja, eu sou um grande fã do programa desde o primeiro episódio, e minha primeira cena foi onde todo o grupo está reunido na casa da Deanna e do Reg para uma festa de boas-vindas aos recém-chegados. Minha parte profissional estava calma e me concentrei no que precisava fazer na cena.

Mas dentro de mim estava um fã extremamente entusiasmado que estava MUITO animado para conhecer todos os personagens diferentes. Eu pensava comigo mesmo “lá está o Rick!” ou “lá está o Glenn!”. Muito, muito divertido.

Andy Lincoln foi uma das primeiras pessoas a se apresentar a mim quando eu cheguei… ele foi extremamente acolhedor. Acho que o elenco entendeu que os novos atores estão entrando em uma situação em que todos se conhecem e estão em um programa de sucesso. Ele realmente saiu de sua zona para me fazer sentir parte da família.

Curiosamente, Andy foi o último a dizer adeus na minha última noite no set. Ele me deu um grande abraço e me agradeceu por todo o meu trabalho. Todo o elenco e a equipe técnica lhe dão uma despedida muito agradável… eles até lhe dão uma sacola de presente cheia de souvenirs do programa.

Se Reg tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Steve Coulter: Se ele tivesse sobrevivido, eu realmente teria gostado que ele pudesse interagir com Daryl. Eles são personagens tão diferentes… Reg era muito confortável consigo mesmo e muito calmo, enquanto Daryl está cheio de conflitos e desconforto. Acho que teria sido interessante ver como eles se dariam bem. Eu teria gostado de trabalhar mais de perto com Melissa McBride. Ela e eu nos conhecemos há mais de 20 anos e, embora conversássemos muito quando não estávamos filmando, não tínhamos cenas juntos.

Você esteve em várias outras séries e filmes, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Steve Coulter: Essa é uma pergunta muito interessante. Embora significasse interpretar um cara mau, acho que o personagem do General Childs no filme que fiz em 2016, “O Nascimento de uma Nação”. O personagem foi implacável e decisivo, duas qualidades que eu acho muito necessárias para sobreviver naquele mundo.

Impossível falar com você e não citar Invocação do Mal. Estamos muito ansiosos para o próximo filme e para ver mais do Padre Gordon. O que você pode nos contar do que podemos esperar tanto do seu personagem quanto do filme? E, por favor, nos conte como tem sido trabalhar com Patrick Wilson e Vera Farmiga nessa franquia.

Steve Coulter: Por causa da confidencialidade, não posso dizer muito, mas posso dizer que o Padre Gordon finalmente sai mais a campo neste aqui. Normalmente, ele apenas dá a tarefa aos Warren (como o Comissário Gordon em Batman), e depois fica em sua igreja, são e salvo. Mas ele está muito mais envolvido desta vez.

Trabalhar com Patrick e Vera é ridiculamente divertido. É sempre uma boa reunião quando voltamos. Patrick e eu sempre zombamos muito um do outro. Eles são dois dos humanos mais legais que você pode imaginar.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Steve Coulter: Isso afetou principalmente a estreia de um filme que fiz para a Universal, chamado “The Hunt”. Como vocês devem ter ouvido, ele já havia sido adiado de sua estreia original, que deveria ser em setembro passado. Mas a mídia conservadora ouviu falar da trama (liberais ricos caçando “deploráveis”) e eles e o presidente Trump se manifestaram contra o filme, sem perceber que o filme era uma sátira. O estúdio decidiu lançar em todo o país nos cinemas na sexta-feira, 13 de março. Claro, aquele foi o primeiro fim de semana em que as coisas começaram a parar por causa da pandemia. Que sorte ruim, embora eu saiba que foi bem nas vendas on demand.

Tenho mantido minha sanidade (de alguma forma!) escrevendo e também fazendo um bom trabalho de carpintaria. Quando eu estava começando como ator em Nova York, trabalhava como carpinteiro para pagar as contas. Algumas semanas atrás, montei uma oficina no galpão atrás da minha casa e construí várias coisas. Eu não me saio muito bem, só para passar tempo, então é bom fazer coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Steve Coulter: Sim! Eu descobri cedo como os fãs brasileiros são apaixonados. Alguns dos primeiros tweets que recebi depois de aparecer pela primeira vez no programa eram do Brasil. Isso me surpreendeu… foi quando percebi o efeito que a série teve em todo o mundo. Eu adoraria ir ao Brasil um dia… Eu cresci vários anos na Colômbia, mas nunca cheguei ao ir no Brasil.

Eu adoraria enviar uma mensagem. Aqui está (desculpe se a tradução não estiver perfeita):

“Ola Brasil! Muito obrigado por todo seu apoio… significa muito. Espero visitar o Brasil um dia, e talvez eu possa te encontrar. Adeus por agora!”

REDES SOCIAIS DO STEVE:

– Twitter: @coulter28
– Instagram: @coulter28

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Dhebora Fonseca
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com IronE Singleton (T-Dog)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com IronE Singleton (T-Dog)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com IronE Singleton.

Rafael Façanha

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To access the interview with IronE Singleton in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é IronE Singleton, que interpretou T-Dog durante as temporadas 1, 2 e 3. O ator nos contou sobre as mortes de personagens que T-Dog presenciou, sobre seu último dia de gravações, sobre seu final preferido para The Walking Dead, sobre a IronE School of The Arts e mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com IronE Singleton:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos, e você estava lá no começo de tudo. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição?

IronE Singleton: Meu agente na época, o vencedor do Emmy Chase Paris, na Houghton Talent, pediu que eu fosse lá e lesse o teste para ele. Frank Darabont queria que eu lesse de forma diferente no segundo teste. O resto é história!

Além de The Walking Dead, nosso site também completa 10 anos de existência esse ano. Nós começamos juntamente com a série, em 2010. Você imaginava que a série fosse fazer tanto sucesso? Ter participado dela, mesmo que no começo, te abriu novas portas? Como você analisa o impacto de The Walking Dead na sua vida, tanto pessoal como profissional?

IronE Singleton: PARABÉNS! Não tinha ideia de que se tornaria isso que se tornou. O sucesso de TWD me deu status internacional como ator. Tenho fãs e amigos pelo mundo todo!

Pouco se sabe sobre a vida de T-Dog antes do surto. De acordo com Glenn, T-Dog era muito religioso. Quando você o interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ele ou isso não o afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ele para ajudar de alguma maneira?

IronE Singleton: Uma história de fundo é uma informação para um humano. Portanto, é sempre importante e necessário para que um ator interprete.

No segundo episódio da 1ª temporada de The Walking Dead, “Guts”, os personagens tiveram que se cobrir com partes dos zumbis. Como foram as gravações desse dia e teve alguma cena/momento que fez você ficar com o estômago revirado?

IronE Singleton: Hahaaa. Não, mas fez o T-Dog passar mal.😉🤣🙂

T-Dog conseguiu salvar a vida de Beth quando a sua mãe zumbificada a atacou, mas infelizmente mais tarde na estória, não chegou a tempo de salvar Dale. De todas as mortes que seu personagem presenciou, qual foi a mais difícil de assistir? Tem alguma história por trás que você gostaria de compartilhar?

IronE Singleton: Cada um era diferente, mas tinha igual valor em termos de mais difícil de filmar, porque amo todos eles e não queria perder nenhum. Sophia, se eu tivesse que escolher porque ela era uma criança. Percebi ao perder meu sobrinho Edward Bozeman em circunstâncias misteriosas que quanto mais jovem, mais difícil é perdê-los por causa de tanta vida que foi tirada junto com uma abundância de sonhos, esperanças e potencial.

Todos eles tinham suas personalidades diferentes, o que contribuiu para uma experiência melhor, mais diversificada e completa para me ajudar a crescer mais como ser humano.

T-Dog definitivamente foi de extrema importância pro desenvolvimento da série, ele foi de um personagem secundário à um membro importantíssimo do grupo, morrendo como herói tentando salvar todos na prisão – em especial nossa amada Carol. Como/quando você descobriu que T-Dog iria morrer? E o que você achou dele ter morrido como um herói?

IronE Singleton: Fiquei sabendo 6 semanas antes. Eu amei. Uma morte heroica foi um sonho que se tornou real.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

IronE Singleton: Cada episódio é como um filho meu, mas meu primeiro – episódio 2 da primeira temporada, se eu tivesse que escolher, porque filmamos a menos de um quilômetro de onde eu cresci.

Mais desafiador: Temporada 2, Episódio 1 porque Darabont me fez filmar a cena do “corte de braço” 25-50 vezes!! Eu estava exausto!!

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

IronE Singleton: Meu primeiro dia foi no telhado, a temperatura estava acima de 38 graus e eu quase desmaiei.

No meu último dia, todo o elenco / equipe técnica se reuniu ao meu redor e da Sarah Wayne Callies para fotos. Norman Reedus me presenteou com um escudo que ele fez com que todos assinassem, e Greg Nicotero me presenteou com um molde do cadáver do T-Dog.

Se T-Dog tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

IronE Singleton: Todos eles. Eu só tive momentos de maior proximidade com Jeff DeMunn (Dale).

Durante a recente maratona da primeira temporada de The Walking Dead no AMC você postou um tweet falando que estava trocando mensagens nostálgicas com a Melissa McBride. Existe algo que você possa compartilhar conosco sobre essas lembranças maravilhosas? Que outros atores da série você ainda mantém um contato muito próximo?

IronE Singleton: Foi uma experiência linda conhecer meus colegas de elenco, intimamente. Pude aprender e crescer. Eu tenho a maioria dos seus números salvos caso eu precise deles.

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

IronE Singleton: Daryl e Carol (os originais) devem salvar o dia e cavalgar juntos até o pôr do sol. Caso contrário, traga o T-Dog de volta para fazer isso. 🤣

Um dos motivos pelos quais o T-Dog e o Merle sempre discutiam era os comentários racistas feitos pelo Merle. O mundo ainda não dá a devida importância para a vida e principalmente para a vida negra. Agora, com o movimento Black Lives Matter, muitas pessoas estão aprendendo mais e se conscientizando, outras nem tanto. Você gostaria de comentar algo sobre?

IronE Singleton: Pratique verdade & amor em vez de paixões & ganância. Eu aplaudo TWD por abordar um tópico tão difícil, controverso e contundente e por abraçar Black Lives Matter, porque eles entendem que todas as vidas não podem importar até que as vidas negras importem.

Por favor, nos fale sobre a IronE School of The Arts! Como/quando surgiu a ideia de criar a escola e como está sendo esse projeto? Quais dicas você pode dar para quem sonha em seguir a carreira de ator?

IronE Singleton: Abrir o IronEsa.com foi uma progressão natural. Desde então tenho passado adiante tudo o que aprendi em meus mais de 25 anos como ator. A ISA vem sendo preparada durante toda a minha vida porque o que acontece não é por coincidência, mas por desígnio.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

IronE Singleton: Consegui encerrar o segundo de dois dos meus projetos definidos para lançar este ano uma semana antes de tudo fechar.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

IronE Singleton: Eu sinto o amor do Brasil de uma forma importante e sou muito grato por isso. Eu te amo Brasil!! Amem-se uns aos outros. É grátis. #FiquemSeguros

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AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Andrew Rothenberg (Jim)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Andrew Rothenberg (Jim)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Andrew Rothenberg.

Rafael Façanha

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arte com Andrew Rothenberg e Jim para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Andrew Rothenberg in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Andrew Rothenberg, que interpretou Jim durante a 1ª temporada. O ator nos contou sobre sua busca por inspiração nos quadrinhos de The Walking Dead para a criação do seu personagem, sobre os bastidores das gravações, sobre a união do elenco, sobre o trabalho em Mob City e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Andrew Rothenberg:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos, e você estava lá no começo de tudo. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição?

Andrew Rothenberg: É uma honra estar “aqui”. Obrigado. O teste aconteceu como de costume, uma ligação do meu agente. Eu não sabia nada sobre TWD, mas alguns dos meus amigos estavam muito familiarizados com a história em quadrinhos e eles piraram porque eu tinha conseguido um teste. Cheguei cedo e li algumas histórias em quadrinhos para me familiarizar com ela uma hora antes do teste. Se bem me lembro, voltei para uma segunda audição uma semana depois, mas não ouvi nada depois disso. Eu imaginei que fosse dado a outra pessoa depois de uma ou duas semanas e, na verdade, mais tarde soube que isso tinha acontecido. Felizmente para mim, a emissora não aprovou o outro ator e eu recebi o papel. Também fui chamado para fazer o teste para o Daryl, sou conhecido por interpretar um ou dois bad boy na minha época. Sinto que o elenco funcionou da melhor maneira.

Jim teve o mesmo destino de sua contraparte nos quadrinhos de The Walking Dead, sendo a única diferença o local da mordida. Você chegou a ler os quadrinhos para saber mais sobre o personagem ou preferiu seguir apenas os roteiros? E você, como fã, prefere que as adaptações sejam mais fieis aos materiais fonte ou com histórias diferentes?

Andrew Rothenberg: Usei os quadrinhos para fazer referência ao clima e ao tom do personagem. Costumo usar imagens para me ajudar a sentir um personagem e seu mundo. Os quadrinhos me ajudaram muito nisso. Até onde vai “apegar-se à história original”… Cada forma de entretenimento e de contar histórias deve seguir o caminho que melhor se adequa a ela. O que quero dizer é que a forma como um livro conta uma história é muito diferente de como uma música ou um filme contam uma história. Você não pode simplesmente pegar um meio e transferi-lo para outro sem esperar que ele tome algumas voltas inesperadas para satisfazer aquele público. Quando um texto é transferido para um filme ou TV e está muito próximo da versão escrita, e é bom, é um grande triunfo, mas não um requisito. Eu, pessoalmente, adoro quando vejo uma história com a qual estou muito familiarizado que é bagunçada ou que é virada ao avesso, desde que seja bem feita. Acho que TWD fez isso muito bem.

A 1ª temporada de The Walking Dead é repleta de momentos icônicos, mas um dos meus favoritos, sem dúvidas, é a invasão dos walkers no acampamento. Você lembra como foi filmar essas cenas? Alguma recordação divertida dos bastidores para nos contar?

Andrew Rothenberg: Éramos um grupo bastante unido quando chegamos a essa cena. Para ser honesto, a jornada de confiança e amizade dos atores cresceu perfeitamente com a narração da história. Como na história, a maioria de nós éramos estranhos quando nos conhecemos e, ao longo dos poucos meses em que trabalhamos juntos, nos tornamos amigos de grande confiança. Quando chegamos ao local do ataque à fogueira, estávamos prontos para o desafio. Filmamos primeiro a parte da contação de histórias e depois passamos para o ataque. Foi uma longa noite, talvez mais de uma, mas acho que poderíamos ter feito tudo em uma noite. Lembro-me de que alguns membros do elenco que permanecerão sem nome ficaram realmente assustados com os zumbis. Eu não estava.

Além de The Walking Dead, nosso site também completa 10 anos de existência esse ano. Nós começamos juntamente com a série, em 2010. Você imaginava que a série fosse fazer tanto sucesso? Ter participado dela, mesmo que no começo, te abriu novas portas? Como você analisa o impacto de The Walking Dead na sua vida, tanto pessoal como profissional?

Andrew Rothenberg: Você nunca sabe o quão grande algo vai se tornar. Todos nós vimos ou trabalhamos em programas que pensamos serem INCRÍVEIS, mas que simplesmente não funcionaram. Acho que algumas pessoas pensaram que seria grande, mas ninguém sabia que ficaria tão grande quanto ficou. O programa e minha participação nele, por menor que seja, com certeza mudaram o rumo da minha carreira e afetou a minha vida. Para ser sincero, além do impulso que deu à minha carreira, a melhor parte foi viajar para Londres e Europa, mais de uma vez, para convenções de zumbis. Sempre quis ir para a América do Sul, mas isso nunca surgiu. Ainda estou no jogo se alguém quiser me levar até lá quando for seguro de novo…! Serei eternamente grato pelo que TWD fez por minha vida.

Jim teve uma premonição sobre o ataque ao acampamento e por isso se adiantou cavando as covas. Você já teve algum sonho tão poderoso que acabou se concretizando?

Andrew Rothenberg: Não. Haha. Essa foi fácil.

Jim preferiu voltar como Walker para se encontrar com sua família, e nós adoraríamos ter visto uma versão zumbificada de Jim. Essa seria a mesma escolha que você teria feito se tivesse no lugar dele? Ou você iria preferir acabar com seu sofrimento?

Andrew Rothenberg: Eu tenho um caso crônico de síndrome de FOMO (“Fear of missing out” – medo de ficar de fora), então provavelmente faria todo o possível para estar por perto para ver o que vem a seguir, mesmo como um zumbi.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Andrew Rothenberg: Isto é difícil. Eu gostei de muitas partes das filmagens dessa série. Honestamente, toda a filmagem foi a parte mais divertida. Sério mesmo. As pessoas, e quero dizer, desde os atores a cada pessoa da equipe, aos produtores e diretores. Uma família de pessoas. Isso não acontece com frequência. Para mim é divertido quando você está fazendo o melhor trabalho que pode fazer e é assim que eu me sentia todos os dias naquele set. Agora, não estou dizendo que fiz o melhor trabalho, estou dizendo que todos estavam trabalhando para fazer algo ótimo, e isso está além da diversão, é por isso que faço isso.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Andrew Rothenberg: No primeiro dia, voei para Atlanta e fui levado ao set. Conheci Frank Darabont e conversei com ele. Eu vi Andrew Lincoln e assisti a uma cena sendo filmada. Mais tarde naquele dia, houve uma reunião na casa de Andrew com o elenco e a equipe. Ele era tão legal e amigável. Ele me apresentou a seu filho. Ele disse “este é meu filho Ahtha”, pensei, hum, que nome estranho. AHTHA. Foi então que percebi pela primeira vez que ele era britânico e o nome de seu filho era Arthur. A última lembrança que tenho foi da festa de encerramento. Eu havia passado mais de dois meses sendo o Jim quieto e deprimido. Na festa eu dancei e me soltei. Todo mundo estava olhando para mim como “quem é esse?”.

Se Jim tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Andrew Rothenberg: Dale – Jeffrey DeMunn e Glenn – Steven Yeun. Os dois eram os mais divertidos e teria sido bastante divertido continuar encenando com eles.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Andrew Rothenberg: Malcolm de True Blood. Sério! E se houvesse um vampiro em alguma parte desse programa!!!!

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

Andrew Rothenberg: Jim aparece, ele é imune à coisa de zumbi e ele reinicia a humanidade. Isso pode acontecer? Estou algumas temporadas atrasado.

Mesmo depois de morto, Jim voltou para assombrar Rick em uma participação especial na 3ª temporada de The Walking Dead, e nós ficamos muito felizes em ter você novamente – mesmo que apenas em voz. Como foi esse seu retorno? Você precisou ir ao set ou gravou remotamente e como surgiu o convite?

Andrew Rothenberg: É sempre um presente de Natal antecipado quando você recebe um telefonema com um trabalho que não esperava. Este foi o melhor. Gravei remotamente, não tinha necessidade de ir para o set. Eu faria qualquer coisa pela família The Walking Dead.

Você voltou a trabalhar com Frank Darabont e outros ex-atores de The Walking Dead alguns anos depois na série Mob City. Você pode falar um pouco sobre como era trabalhar com Frank tanto nesse projeto como em The Walking Dead?

Andrew Rothenberg: Um sonho. Eu me diverti muito trabalhando nele e não precisava estar com roupas de apocalipse!!! Fiquei realmente honrado em trabalhar com Jeffrey, John Bernthal e Frank novamente, sem mencionar o resto do pessoal daquele programa. Fiquei triste quando não conseguiu continuar, mas como eu disse, você nunca sabe quando uma série vai vingar. Eu não trabalhei com Frank no TWD tanto quanto no Mob City. Ele é um homem que sabe o que quer e eu respeito muito isso.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Andrew Rothenberg: Tinha acabado de terminar uma participação da nova temporada do FARGO. Fiquei muito feliz por ter terminado minha parte antes do lockdown, mas a estreia foi adiada. Estou animado para ver isso em algumas semanas. Tenho gostado do ritmo mais lento. Eu moro em NY e foi chocante ver tudo parar bruscamente. Acho que todos precisávamos disso, embora eu tenha a sorte de minha família e amigos estarem todos saudáveis.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Andrew Rothenberg: Eu estava dizendo a alguém outro dia, “O Brasil é a maior base de fãs desse programa. Eles são um grande motivo pelo qual a série é tão grande!” Sou muito grato ao Brasil e a todos os fãs do TWD.

REDES SOCIAIS DO ANDREW:

– Twitter: @JimWALKINGDEAD
– Instagram: @therealandrewrothenberg
– Facebook: @AndrewRothenberg

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Juan Gabriel Pareja (Morales)

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