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Review The Walking Dead S09E16 – “The Storm”: O fim de uma temporada atípica

The Storm foi o décimo sexto episódio da nona temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo sexto episódio, S09E16 – “The Storm”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

A fórmula Kang é totalmente diferenciada do que os showrunners anteriores vinham aplicando nas temporadas de The Walking Dead. Angela dilacerou a metodologia de primeiro, oitavo e décimo sexto episódio estrondosos e os demais mornos. Com histórias de meio bem construídas e muito mais surpreendente, por vezes, do que os marcos finais e inicias, apostou em espantar o público e construir uma trama totalmente atada. Nada foi descartado, nem uma cena foi mera enrolação. No final, tudo fez sentido

The Storm veio para encerrar o nono ano da série zumbi mais aclamada de todos os tempos. Trabalhando um cenário nunca visto antes, inovou, inserindo os personagens em um meio desconhecido do público: a neve. É claro que durante os anos os heróis já haviam passado pelo inverno e, provavelmente, pela nevasca – a própria Michonne cita isso para Ezekiel. Ocorre que pela primeira vez a audiência pôde ver a sobrevivência nesse meio.

O fim de uma comunidade

Ezekiel e Carol fecham as portas do Reino.

Não foi só a temporada que se encerrou. O Reino, uma das comunidades, também viu seu fim no último episódio do nono ano. Além de parecer terminar um ciclo para Ezekiel, o fim dessa locação também facilita o ritmo da história a partir de agora. Diferentemente dos quadrinhos, que temos cinco comunidades amigas, aqui teremos apenas três – AlexandriaHilltop Oceanside – o que facilita a distribuição da trama (nos quadrinhos, apenas duas das comunidades são frequentes, as demais ficam mais de vinte edições, as vezes, sem aparecer ou influenciar na história).

Angela, inclusive, construiu a queda do Reino desde o salto temporal no sexto episódio. Desde lá nós vemos que os prédios onde os súditos de Ezekiel estão morando, caminham para uma deterioração. Além disso, os problemas com os dutos de água foram recorrentes na trama. Cenas que pareciam apenas jogadas ali para promover o encontro de personagens e desenvolver um diálogo, se expandiram para o fim da comunidade.

Ver Ezekiel e Carol tendo que fechar as portas e se despedir de tudo o que construíram – de Shiva a Henry – foi de cortar o coração. Ali estava o investimento e esforço (e morte) de muitos para manter o local. Fechar as portas significa que tudo deverá ser recomeçado em outro lugar. A partida dali foi bonita.

Carol e Lydia: Os nomes do episódio

Carol e Lydia. Forças que se encontram.

Carol segue abalada pela morte de mais um filho. Lydia se sente culpada pelas várias pessoas que morreram pelas mãos de sua mãe. Ambas são pessoas em sofrimento e trabalho de luto e que precisam lidar com suas dores. A relação entre elas é trabalhada no centro desse episódio – assim como várias outras relações – e é um chamativo acalentador.

Imitando a cena em que Carl fica observando um walker atolado no pântano lá na segunda temporada (que consequentemente leva à morte de Dale), Lydia encontra um morto vivo afundado em uma poça de gelo. Querendo dar fim à sua própria dor, a garota oferece o pulso para que seja mordida. Entretanto, Carol aparece e a observa. Isso acaba a impedindo.

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Mais tarde, quando tentam atravessar sobre um rio congelado, Lydia aproveita a distração de todos para fugir novamente. Carol se responsabiliza em encontrá-la. E aí Melissa e Cassady demonstram o quão grande podem ser juntas. A emoção escorre pelos olhos e Lydia pede para que Carol a mate, já que é fraca e não pode suportar viver com a dor da perda e da responsabilidade pelas mortes. Entretanto, a garota desconhece que súplica para alguém que sabe exatamente o que ela passa. Carol se nega a fazer e diz que a menina não é fraca.

Isso é, se Carol admite que Lydia é fraca, admite também a sua própria fraqueza. Se há alguém que sabe o que é ver pessoas amadas morrendo e se sentir responsável e culpada por isso, é Carol. Então, sabendo o que cada dor a fez crescer e se tornar forte, Carol entende que precisa ensinar Lydia a viver com isso.

O apaixonante Negan

Negan e Judith formaram outro relacionamento explorado. 

A relação de Negan Judith não vem de hoje. É algo que é trabalhado desde que a menina era um bebê. E nesse final de temporada a exposição aos riscos que ele se colocou por ela demonstram o quão verdadeiro é o amor e a admiração que o antigo antagonista tem pela menina.

Judith, querendo salvar a vida de Cão, se arrisca na nevasca, mas acaba sendo afetada pela hipotermia. Então, temos uma das cenas mais bonitas envolvendo ela e Negan: o homem tirando seus casacos e se expondo à temperatura negativa para aquecer o corpo da menina.

Parece pouco, mas a relação de ambos fala muito sobre o que Carl e Rick criam antes de partir. Como Negan falou ao final do episódio para Michonne, as pessoas ruins nem sempre querem ser ruins, elas só estão tentando dar um jeito de serem boas, mas escolhendo formas contrárias para isso.

Carol e Daryl seguem sendo a maior construção de toda a série

A melhor construção de relacionamento da história.

Quando falamos do relacionamento de Carol e Daryl como amigos, irmãos ou seja lá como você queira encarar isso, não há nada mais puro e bem fundamentado em toda a história da série. Nem Rick com Michonne; nem GlennMaggie; nada é capaz de ser superior a divisão de tela entre ambos. Isso se desenrola desde a primeira temporada com a morte de Ed; se estende com Sophia e se perpetua com o reencontro deles após o Terminus.

A amizade com ele é inegociável. Qualquer coisa que ouse tentar destruir o vínculo afetivo é ligeiramente cortado. Carol não pensa duas vezes entre escolher Daryl ou Ezekiel. Nesse episódio isso fica totalmente esclarecido. Por mais que ela ame o Rei, o vínculo não consegue ser profundo o suficiente para superar o que Dixon significa para ela. Tudo o que passaram juntos, toda a simetria e leitura de olhar e expressões é insuperável.

Quando Carol sugere que talvez esteja se perdendo novamente, Daryl é rápido em sugerir que ele leve Lydia para longe. Mas se a presença da garota a leva para a perdição, estar longe de Daryl a leva para um lugar desolador ainda inexplorado. Então, Carol prefere se sentir ameaçada por o que Lydia representa a ter que lidar com a ausência de sua pessoa no mundo.

Um final leve com bastante complexidade

A guerra de neve significa a leveza.

A cena em que os três nomes principais chegam à Alexandria e se reúnem dentro do mesmo muro depois de tantos anos novamente, seguida por todos brincando em uma guerra de neve ilustra o quão bonita pode ser a vida mesmo em meio às dificuldades. Ali estão todos, esquecendo suas diferenças e brincando como crianças. Sorrisos e diversão.

Ainda temos a cena de Negan e Michonne que é bastante significativa. Anos atrás, no mesmo leito, no mesmo quarto, Rick e Michonne diziam que a pena de Negan era perpétua. Agora, sozinha com o antigo inimigo que acabara de salvar sua filha da morte certa, ela confronta seus próprios sentimentos quanto a ele.

Carol está de volta para a cidade de onde ela um dia fugiu e quer se reconstruir. Ela sabe que sua responsabilidade agora é manter Daryl perto e trabalhar para que Lydia se entenda como parte da comunidade.

Nossa opinião

Ezekiel e Daryl se confrontam sobre Carol.

Um final merecido para uma ótima temporada. Mesmo sem nomes centrais na trama, Angela se mostrou capaz de fazer uma linda história. Os dezesseis episódios possuem particularidades e são marcantes. Depois de muitos anos, The Walking Dead consegue formar uma temporada completa que não será esquecida pelo público. Isso porque Kang se importou com a trama, fundamentou-a e a planejou do inicio ao fim. Ouviu as críticas do público e deu respostas.

Com um episódio atípico para o fim de uma temporada e trazendo uma roupagem diferenciada, vimos momentos emocionantes que abrem espaço para novas histórias no décimo ano. Tudo o que esperamos é que Angela consiga manter os pés no chão como manteve nessa temporada e execute uma trama ainda mais complexa e profunda.

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A curta cena de Alpha e Beta nesse episódio também deixam a entender que veremos ainda mais da ameaça que os Sussurradores são para os heróis. Muito sofrimento está adiante, mas por enquanto descansemos o nosso coração com o leve clima gerado por The Storm. Contrariando o dito popular, a calma veio durante a tempestade.

Aliás, os walkers congelados nesse episódio e as pequenas referências como a do zumbi na poça de água já citada e uma walker muito parecida com a famosa morta viva da bicicleta, ilustraram para o público o quanto as condições climáticas podem auxiliar ou prejudicar no cenário apocalíptico. Direção e roteiro souberam usar o clima ao seu favor.

The Walking Dead se mostra capaz de respirar ainda, por mais que muitos tentem dizer o contrário. Sem os braços de Rick e Carl, a história conseguiu andar sozinha e crescer em um vértice totalmente diferenciado, com um tom bastante diferente. Se Angela Kang vai continuar o ótimo trabalho que fez nessa temporada na próxima, vida longa à ela.

E você, o que achou do episódio? Comente abaixo e vote na enquete:

The Walking Dead é exibido no Brasil no FOX Premium 2, no FOX Channel e, ao mesmo tempo, no APP DA FOX, para assinantes dos pacotes FOX+ e FOX Premium. No destino streaming também é possível ver todas as outras temporadas completas – para quem quiser maratonar.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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