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Robert Kirkman defende o final dos quadrinhos de The Walking Dead

Kirkman falou sobre o final dos quadrinhos de The Walking Dead durante o painel “In Conversation with Robert Kirkman” na San Diego Comic-Con.

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O final dos quadrinhos de The Walking Dead foi defendido pelo criador da saga, Robert Kirkman, durante o painel da San Diego Comic-Con. A narrativa foi atacada por alguns fãs por ter se tornado repetitiva, mas segundo ele, a edição final da história foi mantida em segredo justamente para evitar que a saga ganhasse tal alcunha.

No painel “In Conversation with Robert Kirkman”, no encontro, Kirkman disse: “Eu sei que as pessoas criticam as HQs por serem repetitivas às vezes. Eu vou na internet. Sou humano e vou na internet e vejo coisas que me deixam triste. E então eu volto na internet para procurar mais coisas para me deixar triste”, disse, antes de defender a saga: “Eu sinto que a história não foi repetitiva. Senti como que ela foi crescendo. Mas eu estava bem ciente de como isso poderia se tornar repetitivo e realmente queria evitar isso. Queria que houvesse um fluxo narrativo e, para conseguir, sabia que teria que amarrar a história.”

Em seu depoimento de despedida na edição 193 das HQs, Kirkman explicou porquê decidiu não contar aos fãs sobre o fim da história:

THE WALKING DEAD sempre foi construído na surpresa. Não saber o que está para acontecer quando você vira uma página, quem vai morrer, como eles vão morrer. Isso foi ESSENCIAL para o sucesso dessa série. Foi a força vital que manteve isso durante todos esses anos, mantendo as pessoas envolvidas. Pareceu ERRADO e contra a própria natureza desta série não fazer o fim tão surpreendente quanto todas as grandes mortes… de Shane até Rick.

Ainda no depoimento, ele conta em que momento percebeu que a narrativa se aproximava do fim. “Lá pelo início de 2015, Charlie Adlard criou a capa para a edição #142. Ele tinha tomado o mesmo rumo que eu, de mostrar como as pessoas estavam felizes na feira de Alexandria, os estandes, o comércio… uma cena muito civilizada, e ele trabalhou maravilhosamente com esse conceito. Era uma capa diferente de tudo o que havia antes. Para mim, foi um verdadeiro ponto de virada para esta série” (…) “Uns dois anos antes, por volta de 2013, eu inclusive disse ao Charlie na Comic-Con de San Diego qual seria o gancho da edição final. Eu só não sabia exatamente em qual edição essa história final aconteceria. Eu sabia do fim, mas não sabia onde ele cairia. Eu pensei… lá pela edição #300. Como eu disse publicamente… eu sempre quis alcançar este número, aquele grande número que todos os insanos criadores de quadrinhos perseguem. Mas quando eu vi a capa da edição #142… ficou claro para mim. Pensei ‘Oh droga. já estamos na feira! O Império já está virando a esquina… e… Oh, cara. Não vai TER COMO eu chegar na edição #300’. Foi a primeira vez que eu percebi que não tinha história desenvolvida o suficiente para chegar lá. Eu não sabia exatamente por quanto tempo lutaríamos contra os Sussurradores ou quanto tempo gastaríamos no Império antes que Rick provocasse sua própria morte… mas eu sabia que toda essa história não duraria por mais 150 edições”.

Carl e Andrea na Edição 193 de The Walking Dead.

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Kirkman também afirmou que esteve próximo de encerrar as HQs antes do surgimento de Negan e os Salvadores, e bem antes do arco dos Sussurradores. “Quando a história chegou à Alexandria na edição #72, as coisas estavam muito bem; Rick e o grupo estavam prestes a ter problemas para se encaixar por tudo que passaram. Isso levaria a conflitos dentro de Alexandria, e acabaria por levar Rick a assumir o controle. A grande história de NO WAY OUT (Sem Saída) terminaria com Rick proclamando que Alexandria era um lugar pelo qual valeria a pena lutar, e que eles não podiam mais continuar se movendo de um lugar para outro. Eles tiveram que se posicionar, estabelecer raízes e começar a construir a partir daí. Seus dias nômades ficariam para trás. Bem… por anos, era o que tinha planejado para acontecer… o fim. Rick faria sua proclamação, e o discurso terminaria com um grande close no rosto de Rick, você viraria a página, e o rosto dele seria o mesmo, mas em uma estátua, e você daria um zoom e veria a estátua completa com algumas videiras crescendo no fundo dela, rachaduras se formando, e perceberia que ela era bem velha” (…)no fim, os mortos venceram, a sociedade sucumbiu de novo, agora aparentemente de vez, e é isso”.

O final escolhido por ele, no entanto, mostra um cenário um pouco mais otimista. A edição 193 se dá logo após a morte de Rick Grimes, assassinado por Sebastian, filho da Governadora do Império, Pâmela Milton. O volume final mostra o destino dos personagens anos após o evento. Carl já está adulto e casado com Sophia (eles têm uma filha chamada Andrea em homenagem à esposa de Rick).

A última história também mostra o destino dos principais personagens, e o que cada um conseguiu alcançar após encontrar relativa paz. Os walkers também não são mais uma ameaça tão grande no futuro. Este é o final que foi defendido por Kirkman:

Para os personagens, em retrospectiva, é um mundo melhor do que o que veio antes. É um mundo em que as pessoas valorizam mais as coisas, se reúnem, trabalham juntas para resolver problemas, em vez de lutar. As pessoas foram levadas aos seus limites e estão com uma mentalidade diferente de onde estamos agora. É um mundo mais pacífico e faz as pessoas apreciarem mais o que têm. Essa é a mensagem: o apocalipse zumbi acontece, as pessoas morrem, mas no final do dia, você aprende a apreciar o que tem.

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