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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Juan Gabriel Pareja (Morales)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Juan Gabriel Pareja.

Rafael Façanha

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arte com Juan Gabriel Pareja e Morales para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Juan Gabriel Pareja in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Juan Gabriel Pareja, que interpretou Morales durante as temporadas 1 e 8. O ator nos contou sobre sua fantástica participação em The Walking Dead na 1ª temporada e sobre seu retorno na 8ª temporada, sobre o primeiro nome de seu personagem, sobre sua participação em O Nevoeiro e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Juan Gabriel Pareja:

Primeiramente, estamos muito felizes em ter você nesse marco tão importante de The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue atingir 10 anos no ar. O seu personagem foi exclusivo pra série de TV. Como foi o processo de testes até você conseguir o papel? E a sensação de ter conseguido o papel foi a mesma de ser convidado a voltar na 8ª temporada?

Juan Gabriel Pareja: Sim, obrigado. Que marco incrível, de fato. Um grande parabéns a absolutamente todos que contribuíram para o incrível sucesso do programa ao longo dos anos. O teste inicial para a 1ª temporada veio logo depois que me mudei para Los Angeles da minha cidade natal, Houston, Texas. Já havia atuado em vários filmes naquela região nos meus primeiros anos, um dos quais foi “O Nevoeiro”, de Frank Darabont, baseado no conto de Stephen King. Filmei por 6 semanas e foi lá naquele set que conheci e trabalhei com Frank Darabont, Laurie Holden, Jeffrey DeMunn e Melissa McBride. Para encurtar a história, eu tinha acabado de chegar a Los Angeles e estava trabalhando para o Censo dos EUA na época para ajudar a sobreviver enquanto descobria como sobreviveria em Los Angeles, quando recebi um telefonema de meu antigo agente em Houston. Eles disseram que Frank Darabont estava fazendo uma nova série em Atlanta, ele se lembrou de mim do filme, e tinha um papel que ele achava que eu seria ótimo. Perguntaram se eu poderia enviar uma audição gravada. Eu disse, “Claro!”, Gravei a audição no meu celular e enviei. Logo em seguida recebi uma oferta para o papel e fui para Atlanta para gravar a primeira temporada.

A segunda vez foi um pouco diferente, mas a ligação me pegou igualmente de surpresa. Eu estava saindo de um teste e vi que havia perdido uma ligação. Quando verifiquei o correio de voz, foi praticamente um esforço inicial para fazer um teste para ver se eu teria interesse em voltar. Como você pode imaginar, fiquei emocionado com a possibilidade e liguei para dizer que com certeza estaria interessado. Dito isso, nada foi definido e, se bem me lembro, foi deixado como uma possibilidade que poderia se desenvolver em alguns meses, mas sem promessas. Mesmo assim, fiquei muito animado com a perspectiva.

Sempre que falam do Morales é exatamente assim que o chamam, apenas pelo sobrenome. Você sabe qual é o primeiro nome do personagem? Existe algo que você sabe sobre ele que não foi pra série, com relação a sua vida passada ou até mesmo no período que ele ficou fora de cena?

Juan Gabriel Pareja: Claro, digo, é claro que ele tem que ter um primeiro nome. Mas você está certo, eu não acho que em nenhum dos roteiros haja uma menção ao primeiro nome de Morales. Se bem me lembro, acho que em um ponto no início posso ter decidido que o primeiro nome de Morales era Francisco (uma homenagem a meu próprio pai, Juan Francisco). Uma coisa que me lembro é que originalmente Morales não tinha família. Fiquei um tanto surpreso quando cheguei à mesa lida e percebi que o personagem havia ganhado uma família, o que eu pensei, acrescentava uma dinâmica muito legal ao show e à história e motivação do meu personagem. Naquele ponto do programa, éramos uma das poucas famílias que estavam intactas para este grupo, junto com a família reunida de Rick e o casamento abusivo de Carol e Ed.

No início do ano, em seu Twitter, você revelou que a cena na loja de departamentos, no episódio “Guts”, o segundo da série e o seu primeiro, você ficou enjoado. Como foram as gravações desse dia e teve alguma outra cena que fez você ficar com o estômago revirado?

Juan Gabriel Pareja: Oh, foi tranquilo, na verdade. Foi um reflexo nojento e um engasgo momentâneo do cheiro, do som e do acúmulo do momento. E aquele episódio foi uma espécie de pico para mim no sentido de ser o episódio mais nojento e onde estávamos praticamente nadando em nossas entranhas, é por isso que o episódio é chamado de “Guts”. Teve muito daquilo, e em nenhum outro episódio fui forçado a lidar com tanto sangue coagulado de perto.

Teve algum momento divertido/engraçado em seu episódio de retorno? Como foi trabalhar novamente com Andrew Lincoln e Norman Reedus?

Juan Gabriel Pareja: Para ser honesto, as coisas estavam acontecendo em um ritmo muito rápido. Houve alguns problemas com o clima que causaram uma reprogramação de última hora de nossa ordem de filmagem e realmente não havia muita oportunidade de sair das gravações. Foi ótimo ver Andy e Norman novamente. Eles são sempre respeitosos e foram muito gentis em me receber de volta. Os dois eram incrivelmente talentosos, era divertido poder brincar com eles de novo, mesmo que brevemente.

Uma das coisas mais legais em The Walking Dead é a união dos fãs, como eles receberam o seu retorno? Posso falar que os fãs brasileiros ficaram muito felizes com seu retorno, mas que gostariam de tê-lo no lado dos mocinhos novamente e que tivesse ficado por mais tempo!

Juan Gabriel Pareja: Sim, vocês são incríveis, a fanbase da Família The Walking Dead é simplesmente a melhor e nunca para de me surpreender. Deus abençoe os fãs persistentes que nunca cederam e mantiveram o sonho de Morales vivo ao longo dos anos também, pois realmente acho que foram os fãs que trouxeram Morales de volta. Anos de especulação, bate-papos no conselho e vídeos todos perguntando sobre Morales finalmente alcançaram os poderes constituídos, eu acho, e eles acabaram cedendo, mesmo que apenas um pouco. Agradeço todo o apoio dos maravilhosos e incríveis fãs do Brasil e o entusiasmo que vocês compartilharam com o retorno de Morales. Eu também adoraria ter voltado com os mocinhos, e por mais tempo também. Mas eu estava incrivelmente grato pela oportunidade de entrar no mundo de The Walking Dead mais uma vez.

A pandemia do COVID-19 afetou todas as áreas da humanidade e uma delas foi a indústria do entretenimento. Tudo fechou, inclusive a Comic-Con, mas antes disso, as convenções aconteciam livremente. Como foi participar das convenções de The Walking Dead?

Juan Gabriel Pareja: Nossa, que ano incrível tem sido, de fato. Eu sei que, assim como os Estados Unidos, o Brasil foi atingido de maneira particularmente forte pelo vírus. Minhas condolências a todos aqueles cujas vidas e famílias foram perdidas por esta doença. Dito isso, é sempre maravilhoso se conectar com fãs que apreciam e compartilham o entusiasmo pelo seu trabalho. É realmente um prazer compartilhar essa emoção com eles e uma oportunidade de ser lembrado de quão especial a família de The Walking Dead e sua base de fãs realmente são. Outro destaque das convenções é que muitas vezes nos conectamos com outros membros do elenco que vieram depois e não tivemos a chance de trabalhar durante nosso tempo no programa. Depois que tudo passar com a Covid-19, estou ansioso para talvez um dia visitar o belo país do Brasil e encontrar todos os fãs incríveis de lá. 😉

Você já fez breves participações em Castle, The Mentalist e Hawaii Five-0. Você tem vontade de trabalhar por mais tempo em séries policiais?

Juan Gabriel Pareja: Eu acho que gostaria um pouco disso. Com o passar dos anos, consegui participar de vários lugares como ator convidado nesses programas, e vários outros também, como CSI: NY, FBI, Proven Innocent e Chicago Med. Sou extremamente grato por essas oportunidades e, na maior parte do tempo, estou feliz em interpretar quaisquer papéis que cruzem em meu caminho. Mas no final do dia, sinto que certamente estou pronto para assumir a responsabilidade que vem com isso, e também gostaria da estabilidade que acompanharia um papel recorrente em um programa de TV investigativo de longa duração ou episódico processual. Parece uma evolução natural e um próximo passo na carreira e espero ver mais oportunidades como essa surgirem no futuro próximo.

Você participou de “The Infiltrators”, que ganhou prêmios no Sundance em 2019 e abriu a noite no Los Angeles Latino International Film Festival. O filme traz consigo uma mensagem muito forte e interessante sobre imigração, qual é a importância desse filme para você?

Juan Gabriel Pareja: “The Infiltrators” é um filme incrivelmente importante que não consigo recomendar o suficiente. É uma história notável baseada em eventos reais que cercam um grupo de ativistas indocumentados e sua luta para se infiltrar em um dos infames ‘centros de detenção’ do ICE na Flórida. A história ocorreu há alguns anos, mas não poderia ser mais relevante, à medida que o apelo por justiça social cresce a cada dia, especialmente com as políticas atrozes de separação familiar e de crianças em gaiolas que têm atormentado o atual governo. Eu venho de uma família de imigrantes, nasci e cresci em uma comunidade de imigrantes. Cresci vendo como a comunidade de imigrantes trabalha incansavelmente e contribui de maneira dinâmica para o tecido social, e esse tipo de tratamento é simplesmente injusto.

Se Morales tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele interagisse? Existe algum ator/atriz em específico que você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Juan Gabriel Pareja: Uau. Bem, você sabe, eu esperava, realmente, no fundo do meu coração, que se algum dia trouxessem Morales de volta, ele definitivamente ainda sentiria lealdade ao seu grupo original. Adorei trabalhar com Andy, Melissa, Norman e, junto com Morales, seus personagens eram todos parte do grupo original em Atlanta. E havia uma mágica, eu acho, uma química, durante aquelas primeiras temporadas, que era difícil de replicar nas temporadas subsequentes. Eu realmente esperava que Morales voltasse com um arco mais longo e que ele tivesse mais oportunidade de se reconectar com o grupo original, e com Rick, em particular.

Voltando um pouco ao passado, podemos falar um pouco sobre The Mist? Como foi trabalhar com Frank Darabont no filme? Por mais que sua participação tenha sido pequena, você conheceu tanto ele como outros membros de The Walking Dead que estavam nele durante as gravações do filme ou apenas depois de ingressar na série?

Juan Gabriel Pareja: Foi um momento muito especial quando estávamos filmando O Nevoeiro, porque era um filme de conjunto. Estávamos todos filmando no supermercado por 6 semanas, e eu realmente não tive outra oportunidade onde um grande conjunto estava filmando juntos por um longo período além de The Walking Dead. Dito isso, foi muito no início da minha carreira, e devo confessar que era um pouco tímido na época. Foi um pouco intimidador trabalhar ao lado de grandes nomes consagrados como Marcia Gay Harden e Thomas Jane, Andre Braugher, Toby Jones, Jeffrey DeMunn, Frances Sternhagen, William Sadler, etc. E havia muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, então foi um set muito focado. Com tantos veteranos profissionais de alto nível envolvidos, não havia muita brincadeira. Também não houve nenhum microgerenciamento ou muita orientação de Frank. Acho que ele confiou nas pessoas que escalou e os deixou atuarem. Eu ouvi dizer que 90% da direção está no elenco. Então, no final do dia, as interações iniciais foram leves e casuais e principalmente profissionais, e eu não consegui conhecê-los melhor até que todos nós fomos reunidos por Frank no set de The Walking Dead. Então, obviamente, durante a primeira temporada, todos nós passamos um pouco mais de tempo juntos como um grupo e pudemos nos conhecer melhor. Além disso, não sei se você sabe disso, mas também interpretei um personagem chamado Morales naquele filme.

The Walking Dead preferiu dar alguns destinos diferentes das HQs para alguns personagens. O fato de Morales não ter um referencial nos quadrinhos foi melhor ou pior para o seu trabalho de composição do personagem?

Juan Gabriel Pareja: Acho que não. Quer dizer, pode ter sido bom ter algo para referenciar e ter uma ideia do que esperar do enredo do seu personagem, mas como você disse, não há garantias e nunca se sabe onde a série vai se desviar dos quadrinhos. Se qualquer coisa, eu acho que realmente abre para explorar qualquer número de possibilidades e não ser limitado por quaisquer características estabelecidas. Como ator, você sempre tem que pegar tudo o que lhe é dado e usá-lo como uma plataforma de lançamento para, então, tomar suas próprias decisões e descobrir suas motivações.

Ainda falando sobre destinos, se você pudesse interferir no roteiro teria dado um final diferente para Morales ou ele ainda estaria no elenco da série até hoje? Como você imaginaria Morales hoje no elenco de protagonistas de TWD?

Juan Gabriel Pareja: Ha ha ha. Bem, como eu disse antes, acho que definitivamente teria imaginado um final diferente para Morales. Um retorno diferente com um arco mais desenvolvido. Um que, se ainda conseguisse começar a trilhar o caminho da vilania e da afiliação com Os Salvadores, acabaria culminando em uma narrativa de herói onde ele volta ao grupo original para salvá-los em um dilema e talvez se entregar em um momento glorioso de sacrifício redentor. E agora que eles anunciaram que The Walking Dead estará terminando após uma longa temporada 11, e que planejam voltar e explorar certos personagens e histórias em maiores detalhes em variações derivadas, eu acho que há uma tremenda oportunidade de aproveitar um mergulho mais profundo na linha do tempo de Morales e os eventos que se desenrolaram para trazê-lo de volta, cara a cara com Rick Grimes, 8 temporadas depois.

Se você tivesse que escolher alguém do elenco para voltar a trabalhar em uma série regular, quem você escolheria? Quer seja pelo humor, companheirismo, parceria em cena, ou simplesmente por respeitar muito o trabalho da pessoa.

Juan Gabriel Pareja: Tenho uma grande estima por todos os meus colegas de elenco do show e ficaria muito feliz em trabalhar com qualquer um deles novamente. É realmente um grupo notável de artistas talentosos que se uniram, com todas as suas contribuições, para criar um show épico global que se tornou um fenômeno cultural em todo o mundo. O show será para sempre uma parte de nossa história cultural coletiva, e isso é graças ao incrível talento envolvido junto com o entusiasmo incomparável de uma base de fãs tão leal. Dito isso, eu acho, como tantos fãs que estão com o show desde o início, que Andy Lincoln sempre terá um lugar especial. Ele é um ator de classe por completo, um verdadeiro cavalheiro e ator generoso que liderou pelo exemplo com uma energia calma e gentil de admirável compromisso com a excelência.

Se ao invés da pandemia de COVID-19 nós estivéssemos passando por um apocalipse zumbi, qual lição você tiraria da sua vivência em TWD para sobreviver a esse evento cataclísmico?

Juan Gabriel Pareja: Não brinque com isso! Ri muito! Aprenda a sobreviver na selva. Pegue armas e saiba como usá-las e, o mais importante, conecte-se a uma comunidade sólida de durões com ideias semelhantes.

Para encerrar: sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque o season finale foi afetado. Como isso te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? Como você tem se cuidado durante essa pandemia?

Juan Gabriel Pareja: Sim, quase tudo parou. Ainda há algum trabalho de locução comercial acontecendo e eu faço testes com bastante regularidade para qualquer tipo de empregos nesse mercado. Esse filme “The Infiltrators” deveria ter um lançamento nos cinemas em abril, mas com o fechamento, isso não aconteceu, e foi lançado digitalmente. Você pode transmiti-lo aqui: www.infiltratorsfilm.com para aqueles que estiverem interessados. Fora isso, tenho estado muito ocupado cuidando dos meus dois meninos de 3,5 e 1,5 anos de idade, e isso já é um trabalho de tempo integral. Eles são uma alegria 🙂 E eu também comecei a aprender piano recentemente e estou me divertindo encontrando momentos aqui e ali para praticar e fazer um pouco de música.

Obrigado novamente por suas perguntas e seu apoio contínuo a Morales e minhas contribuições para o programa! Por favor, certifiquem-se de me seguir nas redes sociais para saber as últimas novidades sobre quaisquer projetos ou desenvolvimentos futuros. Obrigado e fiquem bem, Brasil!

REDES SOCIAIS DO JUAN:

– Twitter: @JuanGPareja
– Instagram: @JuanGPareja
– Facebook: @JuanGabrielPareja

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza & Margo Goldwyn
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Melissa Ponzio (Karen)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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