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Review The Walking Dead S09E15 – “The Calm Before”: Devastação!

The Calm Before foi o décimo quinto episódio da nona temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo quinto episódio, S09E15 – “The Calm Before”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Eu li os spoilers e estava me preparando psicologicamente para destruir em xingamentos Angela Kang e toda a equipe de produção, roteiro e direção desse episódio. O problema é que The Calm Before se antecipou e me desestruturou. Eu nunca achei que eu me importaria tanto com personagens que pra mim, até então, eram totalmente irrelevantes.

Com jogos de presente e um passado não muito distante, a partícula da nona temporada dessa semana foi devastadora. Talvez eu não me sentisse assim desde a morte de Andrea na terceira temporada ou a saída de Sophia zumbificada do celeiro Greene. Diferentemente de ser um episódio violento ao extremo – como é o da morte de Glenn e Abraham – The Calm Before se propôs a dilacerar nosso emocional. E conseguiu, sendo mais um daqueles que me deixaram deitado na cama olhando para o teto até às três horas da madrugada.

Uma abertura em curta-metragem

The Calm Before trouxe muito sobre a importância de coadjuvantes na história.

Hilde e Miles construíram uma história para introduzir o episódio.

Uma das forças desse episódio foi a forma como ele conseguiu fazer uma intersecção entre personagens que nós nunca tínhamos visto. Ainda, a forma como ele foi poético em usar um símbolo – as moedas de Hilltop – do inicio ao fim da trama.

Hilde e Miles eram um casal que até então desconhecíamos, já que chegaram à comunidade agrícola em meio ao salto temporal. Aparentemente, o companheirismo e a cumplicidade entre eles era bastante presente. Nos poucos minutos de tela, vimos alguns de seus aniversários de casamento e o hábito de se presentearem.

Enquanto nosso coração é acalentado pelo amor e pela leveza que a cena apresenta, há uma abrupta mudança e ouvimos a música de Lydia sendo cantada por Alpha. Hilde e Miles morreram nas mãos de Alpha, que a está escalpelando.

A felicidade que antecede a desgraça

The Calm Before nos mostra a feira e a felicidade das comunidades em estarem juntas.

O povo está feliz pela feira entre as comunidades.

O público já tem experiência suficiente com The Walking Dead ao ponto de saber que qualquer momento de alegria expressiva é sinal para que a devastação aconteça. Assim, a feira planejada por Ezekiel estava funcionando e tudo estava correndo maravilhosamente bem. O Rei cita Rick, Carl e Jesus em um discurso emocionante, lembrando o quanto todos lutaram para chegarem ali.

Com a chegada de Michonne ao local, finalmente o Estatuto redigido pela própria pôde ser assinado pelas lideranças. É um momento único. Depois de praticamente seis anos, as comunidades estão abertas a se unirem novamente. Ao mesmo tempo que estão reunidos, algumas diferenças são expostas. Tara e Michonne tratam ali mesmo seus principais desentendimentos dos anos.

Conforme conversam surge a questão: o que fazer com Lydia? Para a líder da comunidade rurícola (Tara) se qualquer uma das sociedades abrigar a garota, Hilltop será o alvo de Alpha. Assim, Chambler argumenta que a jovem Sussurradora não é parte deles. Mas, aí é que as referências retornam, e Michonne relembra que foi recebida na prisão quando pareceu uma ameaça para Rick. Ainda defendendo Lydia, ela lembra a própria Tara que mesmo ela estando ao lado do Governador quando a prisão caiu, o grupo a acolheu. Então por qual motivo eles agiriam diferente com a garota? Se ela não escolheu pertencer à família de Alpha, não é justo lhe dar uma opção de fugir da vida que levava?

Talvez uma das maiores curiosidades esteja no enredo de apoio dessa cena. Rachel está ali e se manifesta como líder de Oceanside. Ela, que antes do salto temporal era uma garotinha na idade de Judith hoje, assina o tratado entre as comunidades. Mas que fim levou Cyndie e Beatrice?

O angustiante ar noturno da floresta

Em The Calm Before, os principais personagens estão correndo risco.

Daryl, Michonne, Carol e Yumiko são cercados pelos Sussurradores.

Carol, Daryl e Michonne lideram um grupo para garantir que Hilltop não seja atacada. Entretanto, acabam encontrando os restos do incidente que levou Hilde e Miles ao encontro com Alpha. Constatado que se tratava de um ataque dos Sussurradores, e apoiados por Yumiko, vão ao encontro dos antagonistas, enquanto os demais prosseguem para a comunidade rural.

De repente, no meio da noite, os quatro se veem encurralados por uma horda de mortos. Assim, temos uma sequência maravilhosa de jogo de câmeras somada a ação dos personagens para se manterem vivos. Quando exterminam incontáveis zumbis, são cercados por outra ameaça: os Sussurradores (sendo que um deles usa o rosto de Miles como máscara).

Alpha intima Daryl – após ignorar Michonne – ao chegar com seu facão coberto de sangue de algum lugar. Ela o leva para o cume de uma colina e lhe mostra um oceano de mortos como forma de ameaça. Daryl entende o recado. Ao perguntar de Lydia, Dixon parece mexer com as poucas emoções que Alpha ainda não pôde abnegar.

Os quatro personagens são liberados das mãos dos Sussurradores, com Alpha lhes dizendo que há uma demarcação na fronteira de suas terras.  Enquanto isso, Alpha acaba chorando ao perceber que perdeu a filha. Um de seus aliados a vê chorar e ela o mata friamente, para que sua fraqueza não seja exposta ao bando. Será a perda de Lydia o declíneo da líder dos Sussurradores?

O devastador final

The Calm Before matou dez personagens em uma cena só.

As cabeças são encontradas. A montagem da cena é devastadora.

O sinal de Alpha é vislumbrado, após os quatro sobreviventes encontrarem Siddiq recostado em uma árvore. Em estacas, a cena dos quadrinhos (edição 144) toma vida. Imitando exatamente os impressos, cada cabeça ganha foco enquanto é alternada com pessoas no Reino procurando pelos personagens.

A trilha sonora, somada ao foco nas cabeças e a reação dos protagonistas da trama é de arrepiar. Mas tudo ganha um sentido inovador quando vemos Siddiq discursar no Reino e conta a história de o que aconteceu. É devastador ver aquelas pessoas lutando pelas vidas com o que podem. Uns lutando pelos outros. Por mais que se tratem de – na maioria – meros coadjuvantes, eles estão compenetrados em seguir vivos juntos. Ali está expresso o valor da vida muito além do valor dos personagens para a trama.

E no fim, vemos Lydia sendo acompanhada por Daryl, indo prestar uma homenagem para Henry. Ela deixa seu colar – feito com a moeda confeccionada por Hilde – aos pés da estaca do jovem. As moedas que começaram o episódio cobertas de sangue, acabam a mesma trama em local de morte.

Nossa opinião

The Calm Before foi devastador.

Nada é para sempre. Nem a dor; nem a alegria; nem o ódio; nem o amor. Tudo acaba.

Como eu disse no inicio, pela história e pelas escolhas para um dos momentos mais marcantes, o episódio tinha tudo para ser decepcionante. Se terminasse na revelação das estacas, talvez fosse frustrante. Mas a decisão de ir além e criar algo que não existia nos quadrinhos, demonstrou a validade do que Angela tem feito nessa temporada. Foi emocionante e eletrizante até as estacas, mas quando vislumbramos a luta dos donos das cabeças pela vida, se tornou devastador.

Devemos lembrar que por mais que a maioria daqueles personagens fossem descartáveis para nós, dentro do mundo deles, eles tinham o mesmo valor. Eles lutaram por nove anos para sobreviver, independentemente de nós conhecermos toda a sua história. Os Salteadores, Frankie, os adolescentes, Tammy, todos eles tem uma história. Todos eles passaram por algo para estarem ali. E quando nós os vemos constatando que o momento da morte havia chegado, eles decidem continuar a lutar. Não só por eles, mas uns pelos outros.

Um pouco da sensação preconceituosa se dá pelo fato de querer muito mais do que podia ser oferecido. Nos quadrinhos são doze mortes, duas delas são de personagens relevantes – Rosita e Ezekiel – mas de resto, são tão coadjuvantes (ou mais) dos que apresentados na série. Fora que, se víssemos Espinosa e o Rei morrerem como nos impressos, talvez o impacto fosse o mesmo que Tara, Enid e Henry. The Walking Dead perdeu três nomes fortes nos últimos tempos e Angela não poderia arriscar em matar personagens centrais, como os três protagonistas. Ela se importou, por exemplo em criar um espaço emocional muito mais amplo para a Tammy da série do que a personagem tem nos quadrinhos.

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Fora que a sobrevida de Rosita e Ezekiel nos traz questionamentos: o que será o arco deles agora? Pelo que Kang tem trazido até o momento, devemos confiar que ela escolheu evitar as estacas por ter um momento muito maior a ser construído logo em frente. Ela não os pouparia apenas para deixá-los avulsos na história. Ainda, ela utilizou de comicidade quando montou uma cena em que Ezekiel passeia com Alpha pelo Reino e a vilã encara Rosita ao longe. Para quem não leu os spoilers e conhece a história dos quadrinhos, foi um momento de ter a certeza que o fim de ambos estava próximo.

Direção, roteiro, trilha sonora. Tudo cooperou. Não posso deixar de citar nomes que abrilhantaram com suas interpretações viscerais: Samantha (Alpha), Cassady (Lydia), Eleanor (Yumiko), Danai (Michonne) e Melissa (Carol) deram voz ao sentimento irreparável. Suas expressões levaram-nos a entender o que se passava na cabeça dos seus personagens em cada momento que apareciam. Ódio, frieza, rancor, medo, desprezo, repugnância, desespero, choque, desistência. No rosto das atrizes as emoções foram passadas. O elenco feminino de The Walking Dead cada vez demonstra que os homens precisam trabalhar duro para chegarem a sombra da interpretação das mulheres. E o que falar de Judith vendo seu primeiro filme? Tão puro.

Muitas críticas verteram para o fato de que não vimos as pessoas serem mortas e degoladas e que isso provava uma desqualificação do que The Walking Dead já foi um dia. Acho que assim como se víssemos Sophia sendo mordida na segunda temporada antes de aparecer zumbificada, vermos a cena brutal da separação de corpo e cabeça chamaria tanto a nossa atenção que todo o lado emocional e psicológico que seria passado depois, não importaria e perderia valor. Seria tão desconfortável e aterrorizante ver a cena que a representação das estacas e a cena da luta pela vida seria frágil. Direção e roteiro souberam os limites para montar uma boa história.

Enfim, Angela Kang se mostrou mais uma vez capaz de assumir a trama. Um episódio que ficará marcado na memória, assim como tantos outros das temporadas anteriores.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

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