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Review The Walking Dead S09E15 – “The Calm Before”: Devastação!

The Calm Before foi o décimo quinto episódio da nona temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo quinto episódio, S09E15 – “The Calm Before”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Eu li os spoilers e estava me preparando psicologicamente para destruir em xingamentos Angela Kang e toda a equipe de produção, roteiro e direção desse episódio. O problema é que The Calm Before se antecipou e me desestruturou. Eu nunca achei que eu me importaria tanto com personagens que pra mim, até então, eram totalmente irrelevantes.

Com jogos de presente e um passado não muito distante, a partícula da nona temporada dessa semana foi devastadora. Talvez eu não me sentisse assim desde a morte de Andrea na terceira temporada ou a saída de Sophia zumbificada do celeiro Greene. Diferentemente de ser um episódio violento ao extremo – como é o da morte de Glenn e Abraham – The Calm Before se propôs a dilacerar nosso emocional. E conseguiu, sendo mais um daqueles que me deixaram deitado na cama olhando para o teto até às três horas da madrugada.

Uma abertura em curta-metragem

The Calm Before trouxe muito sobre a importância de coadjuvantes na história.

Hilde e Miles construíram uma história para introduzir o episódio.

Uma das forças desse episódio foi a forma como ele conseguiu fazer uma intersecção entre personagens que nós nunca tínhamos visto. Ainda, a forma como ele foi poético em usar um símbolo – as moedas de Hilltop – do inicio ao fim da trama.

Hilde e Miles eram um casal que até então desconhecíamos, já que chegaram à comunidade agrícola em meio ao salto temporal. Aparentemente, o companheirismo e a cumplicidade entre eles era bastante presente. Nos poucos minutos de tela, vimos alguns de seus aniversários de casamento e o hábito de se presentearem.

Enquanto nosso coração é acalentado pelo amor e pela leveza que a cena apresenta, há uma abrupta mudança e ouvimos a música de Lydia sendo cantada por Alpha. Hilde e Miles morreram nas mãos de Alpha, que a está escalpelando.

A felicidade que antecede a desgraça

The Calm Before nos mostra a feira e a felicidade das comunidades em estarem juntas.

O povo está feliz pela feira entre as comunidades.

O público já tem experiência suficiente com The Walking Dead ao ponto de saber que qualquer momento de alegria expressiva é sinal para que a devastação aconteça. Assim, a feira planejada por Ezekiel estava funcionando e tudo estava correndo maravilhosamente bem. O Rei cita Rick, Carl e Jesus em um discurso emocionante, lembrando o quanto todos lutaram para chegarem ali.

Com a chegada de Michonne ao local, finalmente o Estatuto redigido pela própria pôde ser assinado pelas lideranças. É um momento único. Depois de praticamente seis anos, as comunidades estão abertas a se unirem novamente. Ao mesmo tempo que estão reunidos, algumas diferenças são expostas. Tara e Michonne tratam ali mesmo seus principais desentendimentos dos anos.

Conforme conversam surge a questão: o que fazer com Lydia? Para a líder da comunidade rurícola (Tara) se qualquer uma das sociedades abrigar a garota, Hilltop será o alvo de Alpha. Assim, Chambler argumenta que a jovem Sussurradora não é parte deles. Mas, aí é que as referências retornam, e Michonne relembra que foi recebida na prisão quando pareceu uma ameaça para Rick. Ainda defendendo Lydia, ela lembra a própria Tara que mesmo ela estando ao lado do Governador quando a prisão caiu, o grupo a acolheu. Então por qual motivo eles agiriam diferente com a garota? Se ela não escolheu pertencer à família de Alpha, não é justo lhe dar uma opção de fugir da vida que levava?

Talvez uma das maiores curiosidades esteja no enredo de apoio dessa cena. Rachel está ali e se manifesta como líder de Oceanside. Ela, que antes do salto temporal era uma garotinha na idade de Judith hoje, assina o tratado entre as comunidades. Mas que fim levou Cyndie e Beatrice?

O angustiante ar noturno da floresta

Em The Calm Before, os principais personagens estão correndo risco.

Daryl, Michonne, Carol e Yumiko são cercados pelos Sussurradores.

Carol, Daryl e Michonne lideram um grupo para garantir que Hilltop não seja atacada. Entretanto, acabam encontrando os restos do incidente que levou Hilde e Miles ao encontro com Alpha. Constatado que se tratava de um ataque dos Sussurradores, e apoiados por Yumiko, vão ao encontro dos antagonistas, enquanto os demais prosseguem para a comunidade rural.

De repente, no meio da noite, os quatro se veem encurralados por uma horda de mortos. Assim, temos uma sequência maravilhosa de jogo de câmeras somada a ação dos personagens para se manterem vivos. Quando exterminam incontáveis zumbis, são cercados por outra ameaça: os Sussurradores (sendo que um deles usa o rosto de Miles como máscara).

Alpha intima Daryl – após ignorar Michonne – ao chegar com seu facão coberto de sangue de algum lugar. Ela o leva para o cume de uma colina e lhe mostra um oceano de mortos como forma de ameaça. Daryl entende o recado. Ao perguntar de Lydia, Dixon parece mexer com as poucas emoções que Alpha ainda não pôde abnegar.

Os quatro personagens são liberados das mãos dos Sussurradores, com Alpha lhes dizendo que há uma demarcação na fronteira de suas terras.  Enquanto isso, Alpha acaba chorando ao perceber que perdeu a filha. Um de seus aliados a vê chorar e ela o mata friamente, para que sua fraqueza não seja exposta ao bando. Será a perda de Lydia o declíneo da líder dos Sussurradores?

O devastador final

The Calm Before matou dez personagens em uma cena só.

As cabeças são encontradas. A montagem da cena é devastadora.

O sinal de Alpha é vislumbrado, após os quatro sobreviventes encontrarem Siddiq recostado em uma árvore. Em estacas, a cena dos quadrinhos (edição 144) toma vida. Imitando exatamente os impressos, cada cabeça ganha foco enquanto é alternada com pessoas no Reino procurando pelos personagens.

A trilha sonora, somada ao foco nas cabeças e a reação dos protagonistas da trama é de arrepiar. Mas tudo ganha um sentido inovador quando vemos Siddiq discursar no Reino e conta a história de o que aconteceu. É devastador ver aquelas pessoas lutando pelas vidas com o que podem. Uns lutando pelos outros. Por mais que se tratem de – na maioria – meros coadjuvantes, eles estão compenetrados em seguir vivos juntos. Ali está expresso o valor da vida muito além do valor dos personagens para a trama.

E no fim, vemos Lydia sendo acompanhada por Daryl, indo prestar uma homenagem para Henry. Ela deixa seu colar – feito com a moeda confeccionada por Hilde – aos pés da estaca do jovem. As moedas que começaram o episódio cobertas de sangue, acabam a mesma trama em local de morte.

Nossa opinião

The Calm Before foi devastador.

Nada é para sempre. Nem a dor; nem a alegria; nem o ódio; nem o amor. Tudo acaba.

Como eu disse no inicio, pela história e pelas escolhas para um dos momentos mais marcantes, o episódio tinha tudo para ser decepcionante. Se terminasse na revelação das estacas, talvez fosse frustrante. Mas a decisão de ir além e criar algo que não existia nos quadrinhos, demonstrou a validade do que Angela tem feito nessa temporada. Foi emocionante e eletrizante até as estacas, mas quando vislumbramos a luta dos donos das cabeças pela vida, se tornou devastador.

Devemos lembrar que por mais que a maioria daqueles personagens fossem descartáveis para nós, dentro do mundo deles, eles tinham o mesmo valor. Eles lutaram por nove anos para sobreviver, independentemente de nós conhecermos toda a sua história. Os Salteadores, Frankie, os adolescentes, Tammy, todos eles tem uma história. Todos eles passaram por algo para estarem ali. E quando nós os vemos constatando que o momento da morte havia chegado, eles decidem continuar a lutar. Não só por eles, mas uns pelos outros.

Um pouco da sensação preconceituosa se dá pelo fato de querer muito mais do que podia ser oferecido. Nos quadrinhos são doze mortes, duas delas são de personagens relevantes – Rosita e Ezekiel – mas de resto, são tão coadjuvantes (ou mais) dos que apresentados na série. Fora que, se víssemos Espinosa e o Rei morrerem como nos impressos, talvez o impacto fosse o mesmo que Tara, Enid e Henry. The Walking Dead perdeu três nomes fortes nos últimos tempos e Angela não poderia arriscar em matar personagens centrais, como os três protagonistas. Ela se importou, por exemplo em criar um espaço emocional muito mais amplo para a Tammy da série do que a personagem tem nos quadrinhos.

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Fora que a sobrevida de Rosita e Ezekiel nos traz questionamentos: o que será o arco deles agora? Pelo que Kang tem trazido até o momento, devemos confiar que ela escolheu evitar as estacas por ter um momento muito maior a ser construído logo em frente. Ela não os pouparia apenas para deixá-los avulsos na história. Ainda, ela utilizou de comicidade quando montou uma cena em que Ezekiel passeia com Alpha pelo Reino e a vilã encara Rosita ao longe. Para quem não leu os spoilers e conhece a história dos quadrinhos, foi um momento de ter a certeza que o fim de ambos estava próximo.

Direção, roteiro, trilha sonora. Tudo cooperou. Não posso deixar de citar nomes que abrilhantaram com suas interpretações viscerais: Samantha (Alpha), Cassady (Lydia), Eleanor (Yumiko), Danai (Michonne) e Melissa (Carol) deram voz ao sentimento irreparável. Suas expressões levaram-nos a entender o que se passava na cabeça dos seus personagens em cada momento que apareciam. Ódio, frieza, rancor, medo, desprezo, repugnância, desespero, choque, desistência. No rosto das atrizes as emoções foram passadas. O elenco feminino de The Walking Dead cada vez demonstra que os homens precisam trabalhar duro para chegarem a sombra da interpretação das mulheres. E o que falar de Judith vendo seu primeiro filme? Tão puro.

Muitas críticas verteram para o fato de que não vimos as pessoas serem mortas e degoladas e que isso provava uma desqualificação do que The Walking Dead já foi um dia. Acho que assim como se víssemos Sophia sendo mordida na segunda temporada antes de aparecer zumbificada, vermos a cena brutal da separação de corpo e cabeça chamaria tanto a nossa atenção que todo o lado emocional e psicológico que seria passado depois, não importaria e perderia valor. Seria tão desconfortável e aterrorizante ver a cena que a representação das estacas e a cena da luta pela vida seria frágil. Direção e roteiro souberam os limites para montar uma boa história.

Enfim, Angela Kang se mostrou mais uma vez capaz de assumir a trama. Um episódio que ficará marcado na memória, assim como tantos outros das temporadas anteriores.

E você, o que achou do episódio? Comente abaixo e vote na enquete:

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Teri Wyble (Shepherd)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Teri Wyble.

Rafael Façanha

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arte com Teri Wyble e Shepherd para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Teri Wyble in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Teri Wyble, que interpretou Shepherd durante a 5ª temporada. A atriz nos contou sobre as motivações de sua personagem, sobre ter feito outros testes para entrar no elenco de The Walking Dead, sobre trabalhar com Andrew Lincoln (Rick), sobre o possível destino de Shepherd e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Teri Wyble:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Teri Wyble: Feliz aniversário de 10 anos para TWD! Um marco incrível para um programa incrível. Eu lembro que foi a minha quinta vez fazendo teste para um papel no programa. Eu já era fã e era um dos poucos programas que eu tinha interesse em assistir. Meu agente me deu a notícia, e eu tive que me filmar com manequins para que tudo permanecesse em segredo para o programa. Eu estava na casa da família do meu ex parceiro e lembro que filmamos na cozinha perto de uma janela para ter claridade, com um pano no fundo, e fizemos os pais dele saírem da casa para termos privacidade. Desculpa mãe e pai! Os manequins disseram que eu estava ótima, e que eu era uma arrombadora de cofres profissional. Que amor! Eu fui informada que interpretaria uma policial somente quando consegui o papel. Eu fiquei tipo, “Wow, eles tem certeza disso??”

Shepherd se mostrou uma apaziguadora fundamental durante as negociações entre Rick e Dawn, ainda que preocupada com as consequências de seus atos. Como você acha que ela se sentiu ao ver Beth morrer acidentalmente, tão rápido, e perceber que todo o esforço foi em vão?

Teri Wyble: Shepherd (em português: “pastora”) o nome diz tudo. Ela é uma pacificadora. As mortes de Beth e de Dawn não estavam no plano, mas eu acho que ela sabia que caos era uma possibilidade assim que os dois grupos se enfrentassem dentro do Hospital Grady.

Não sabemos muito sobre o passado de Shepherd, exceto que ela era uma policial no Departamento de Polícia de Atlanta. Quando você a interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ela ou isso não a afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ela para ajudar de alguma maneira?

Teri Wyble: A não ser que eu tivesse perguntas especificas sobre o meu personagem, tudo estava sob sigilo, até para nós atores, e principalmente porque eu participei de poucos episódios. Eu sei que eles trabalharam duro para manter tudo em segredo.

Dito isso, eu definitivamente criei um passado para Shepherd, mas mais especificamente, eu fiz questão que a minha motivação para minhas ações e palavras fizessem sentido para mim, e que fizesse sentido para aquela realidade. Era o único jeito de fazer parecer real.

O que você acha que Shepherd pensava sobre a conduta do hospital de arremessar os pacientes mortos dentro do buraco do elevador?

Teri Wyble: Eu não acho que a Shepherd gostou ou concordou com muitas coisas que aconteceram no hospital, mas era o mundo em que eles estavam vivendo, e ela fez o que achou que tinha que fazer para sobreviver a mais um dia.

O uniforme de policial era usado como proteção contra as ameaças do lado de fora dos muros do hospital, mas pode-se dizer que ele também era uma forma de manter uma imagem de ordem social para residentes do local?

Teri Wyble: Claro. Mas mais do que isso, eu acho que Shepherd sentiu que lhe daria mais segurança.

Nós adoraríamos ter visto mais da história dos sobreviventes do hospital e uma futura liderança da sua personagem, mas infelizmente foi confirmado por Greg Nicotero que todos morreram. Como você acha que estaria a comunidade hoje se você pudesse decidir? Como você acha que Shepherd morreu? Ou como você gostaria que tivesse sido a morte dela?

Teri Wyble: Depois da morte da Beth e da Dawn, eu acho que Shepherd sentiu que ela não seria a melhor pessoa para liderar Grady Bunch. Eu acho que ela ainda está viva, deixou o hospital, e saiu por aí se defendendo sozinha. Procurando por alguém, ou até mesmo por ela mesma. Como todos nós estamos.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Teri Wyble: Sim! Meu primeiro dia no set foi uma corrida de carro e uma cena entre Shepherd e Lamson que acabou sendo cortada! Mais tarde naquele dia, era um dos dias mais quentes da estação enquanto filmávamos a cena do Noah escapando do hospital. Eu pude ver os caminhantes com a maquiagem pela primeira vez, conheci quase todo o elenco, atirei com armas, apreciei o império puro e mágico de TWD, tudo isso enquanto eu tentava não surtar por estar fazendo parte do meu programa de TV favorito.

O meu último dia, eu lembro bem. Era a cena longa do walkie talkie onde Shepherd fala para o grupo que a troca não daria certo. Nós fizemos várias vezes, e já tínhamos a cena. Eu esqueci quem foi, mas alguém decidiu que seria uma ótima ideia jogar fora a última cena, começar de novo normalmente, e pular alegremente em direção a câmera. Foi um jeito épico de terminar meu tempo no programa. Muitas memórias boas.

Se Shepherd tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ela tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Teri Wyble: Eu conheci Sonequa Martin-Green nos bastidores. Eu lembro de ser um prazer conversar e também contracenar com ela. Eu adoraria ver essas duas personagens formarem uma equipe.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher uma delas para ser uma sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Teri Wyble: Boa pergunta! A resposta óbvia é Liberty, a arqueira feminista de The Hunt. Ela tem uma boa mira… bem… na maioria das vezes. Mas eu tenho ainda mais fé na minha personagem chamada Gal do filme Lost Bayou. Ela tem uma alma boa, com um exterior forte, uma reminiscência de Rick Grimes. Ela não perderia sem antes lutar.

Por mais que você tenha passado pouco tempo na série, sua personagem dividiu muitas cenas com Rick Grimes, tanto quando ela foi mantida refém como no final. Como foi trabalhar com Andrew Lincoln? Todos os atores que passaram pela série falam que ele sempre foi super receptível no set.

Teri Wyble: Andrew Lincoln era a cola que mantinha tudo junto, e você sente isso no momento em que o conhece. Eu aprendi muito o observando dentro e fora das câmeras. Sua habilidade de ser um lindo exemplo de ator e um ser humano gracioso.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas, e Shepherd foi uma das tais. Como foi pra você compor e atuar em uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é essa representação para outras mulheres?

Teri Wyble: Todos os papeis femininos têm poder, a diferença entre eles é se a personagem percebe seu poder ou não. Encontramos Shepherd nos estágios iniciais dela percebendo do que é capaz, foi por isso que adorei interpretá-la.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Teri Wyble: A pandemia prejudicou e continua prejudicando o emprego de muitos de nós na TV, no cinema e no teatro. Ansiamos por entretê-los, fazê-los chorar e rir e contar histórias que precisam ser contadas. Voltar ao básico me ajudou a me manter à tona. Natureza. Plantas. Meditando. Ser boa comigo mesma e saber que sou o suficiente, neste momento difícil para tantos. Gratidão pelo que tenho e pelo amor que me cerca.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Teri Wyble: Ocasionalmente recebo cartas de fãs de TWD, adoro saber de vocês e sempre escreverei de volta! Ainda não fui a nenhuma convenção, mas se fãs suficientes solicitarem “The Grady Bunch” (como temos sido carinhosamente chamados), ficaria feliz em conhece-los! Fãs brasileiros, meu coração está com vocês. Venham dizer oi no Instagram!

REDES SOCIAIS DA TERI:

– Twitter: @TeriWyble
– Instagram: @TeriWyble
– Facebook: @TeriWyble

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jordan Woods-Robinson (Eric)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jordan Woods-Robinson (Eric)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Jordan Woods-Robinson.

Rafael Façanha

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To access the interview with Jordan Woods-Robinson in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Jordan Woods-Robinson, que interpretou Eric durante as temporadas 5, 6, 7 e 8. O ator nos contou sobre como foi trabalhar com Ross Marquand (Aaron), sobre como foi gravar a morte de Eric, sobre dar vida a um personagem LGBTQ+, sobre sua carreira como cantor e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Jordan Woods-Robinson:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Jordan Woods-Robinson: Eu estava fora da cidade quando fiz o teste para o Eric de The Walking Dead. Eu fiz teste algumas vezes antes, mas não sabia muito sobre o papel para qual eu estava fazendo o teste, uma vez que todos os scripts que eles mandam são falsos. Eu fiz o teste pela primeira vez na cozinha dos avós da minha esposa. Eu esperei uma semana e soube que eles queriam outra fita então eu enviei. Após alguns dias esperando ansiosamente, eu recebi a ótima notícia de que eu estava dentro!

Eric ainda é muito lembrado por muitos fãs de The Walking Dead e sua morte ainda é muito lamentada. Como foi sua experiência com o personagem? Quando e como você ficou sabendo que ele iria morrer?

Jordan Woods-Robinson: Eric era uma alma sensível que amava apoiar seu parceiro e eu amava trazê-lo à vida. Ross era um parceiro de cena excepcional e eu sou muito sortudo de ter feito dupla com um cara tão bom. Na noite em que nos conhecemos, nós apenas sentamos na sacada do nosso hotel e compartilhamos histórias. Descobri que tínhamos muito em comum e eu ainda falo com ele com frequência.

Eu recebi uma ligação do Scott Gimple no começo da oitava temporada, enquanto filmávamos o primeiro episódio. Eu sabia que seria sobre a morte do Eric. Scott passou 45 minutos comigo no telefone falando sobre isso, sobre os motivos e como seria feito… E eu me senti completamente apoiado e nutrido. Eu acho que eles deram um adeus adorável e sincero à Eric e eu sou muito grato a todos os escritores que contribuíram com sua história.

Como foi sua preparação para a cena da morte de Eric? Como um ator se prepara para um momento como este? Se você pudesse escolher outra morte do Eric, como você gostaria que tivesse sido?

Jordan Woods-Robinson: Eu acho que Eric morreu exatamente da maneira certa. Eu não iria querer outra coisa. Ele passou anos em segurança e protegendo as pessoas de Alexandria, até ele perceber que a melhor maneira de protegê-los era lutando.

No dia em que filmamos a minha morte, o elenco e a equipe me apoiaram incrivelmente. Ross e eu passamos um tempo juntos. Tivemos espaço para conversar e tempo para nos conectar. Eu tinha uma playlist de músicas que eu estava ouvindo e anotações para o Aaron no meu bolso. Ross e o resto da equipe me apoiaram incrivelmente enquanto vivi meus últimos momentos e sou eternamente grato.

A presença de Eric foi marcante em The Walking Dead, entre outros motivos, pelo casamento bem-sucedido com Aaron. Conte para nós como foi a experiência em protagonizar um dos maiores casais LGBTQ+ da série?

Jordan Woods-Robinson: Estou muito orgulhoso de ter apoiado os direitos LGBTQ+ em um dos maiores programas do mundo. Desde o primeiro momento, Ross e eu vimos Eric e Aaron como parceiros em todos os sentidos da palavra: protegíamos um ao outro, éramos melhores amigos, éramos amantes, éramos iguais, nós sabíamos o que o outro precisava antes mesmo de falar.

Eu conheci tantos membros da comunidade LGBTQ+ graças a esse papel e estou orgulhoso de ter feito parte dessa história.

E como era a relação com Ross Marquand durante as filmagens? A química atrás das câmeras era tão boa quanto em cena?

Jordan Woods-Robinson: Oh meu deus. Eu sinto que eu já falei bastante do Ross, mas ele é a melhor pessoa. Ele faria de tudo por qualquer um, sem fazer perguntas. Ele é engraçado, charmoso, comunicativo, acessível e um ótimo ator. Passamos bastante tempo juntos dentro e fora das câmeras e o Ross é ótimo, uma ótima pessoa.

Uma crítica recorrente em The Walking Dead é a morte de personagens LGBTQ+. Eric, Tara, Jesus, entre outros personagens gays importantes, foram mortos ao longo das temporadas. Qual sua opinião? Você acha que falta representatividade na série?

Jordan Woods-Robinson: Antes de eu entrar para o programa, eu li que Robert Kirkman nomeava personagens com o mesmo nome e matava pessoas aleatoriamente (mesmo se eram personagens grandes ou influentes) porque era mais parecido com a vida real…. pessoas morrem sem esperar morrer e pessoas têm o mesmo nome às vezes. Estou orgulhoso de ter compartilhado esta representação com a comunidade LGBTQ + e trazer Eric à vida por 4 temporadas.

Sabemos que, além de um incrível ator, você também é membro do famoso Blue Man Group. Conte para nós como é este trabalho e como ele surgiu pra você.

Jordan Woods-Robinson: Sim! Blue Man Group é grande no Brasil! Eu entrei no Blue Man Group em 2007 em Nova York, depois Las Vegas e então Orlando. Quando terminei a faculdade, era o emprego dos meus sonhos e tive a sorte de conseguir um emprego que me manteria entretido por 13 anos.

Como é para você conciliar talentos como cantor e como ator? Você tem alguma preferência? Quais as vantagens e desvantagens de cada um?

Jordan Woods-Robinson: Eu sou músico desde que tinha 4 anos. Eu cresci tocando violino e tive uma carreira profissional durante quase toda minha juventude. Eu queria estudar atuação então me inscrevi na universidade de Nova York, onde tive a sorte de ser aceito. Eu aprendi que, como artista, colocar algo em espera não o mata. Apenas significa que, quando você voltar para esse projeto, sua paixão será ainda maior. Às vezes estou mais focado em música do que em atuação; às vezes, ao contrário. Como um artista, eu não quero forçar criatividade. Quando estou inspirado, eu trabalho. E quando estou inspirado, eu faço um trabalho melhor.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Jordan Woods-Robinson: Eu penso em dois episódios que foram divertidos de gravar. Eu adorei minha cena no jantar de espaguete. Primeiro, eu pude comer… sempre uma vantagem. Era um tom diferente do que o programa tinha visto recentemente e eu adorei trabalhar com Ross e Norman. Segundo, eu adorei o dia em que um grupo nosso atravessou um rio remando para achar Oceanside, na sétima temporada. Era o dia do Halloween, o barco era de metal e estava congelando, e rimos muito enquanto Andy e Danai tentavam descobrir como nos levar para a outra margem remando.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre como foi a recepção do elenco e também sua despedida!

Jordan Woods-Robinson: Minhas cenas mais desafiadores foram as cenas de luta na oitava temporada. Estava muito calor lá fora e eu estava com muitas camadas, correndo pelo pavimento atirando com uma arma. Eu queria dar uma de Andrew Lincoln e não ir pra dentro no ar condicionado ou até mesmo me sentar. Eu fiquei lá fora o dia todo, sentindo o calor e a gravidade da situação. Provavelmente suei quase 3 quilos. Mas também me lembro de sentar com o resto do elenco e estar imensamente orgulhoso do trabalho que estávamos fazendo.

Eric foi um dos personagens que foram adaptados dos quadrinhos de The Walking Dead. Você chegou a conhecer a versão dele na HQ? Se sim, o que achou das diferenças entre a versão televisiva do personagem e sua contraparte dos quadrinhos?

Jordan Woods-Robinson: A primeira pessoa que conheci no set de filmagens foi o Norman Reedus. Ele me deu um grande abraço e disse “bem-vindo à família”. Depois conheci o Andy e fiquei encantado com o quão doce e charmoso ele é.

No meu último dia no set, eu estava cercado de amor e apoio. Eu fui convidado para dar um discurso e pude compartilhar o significado de uma tatuagem que tenho, que é a interpretação de Salvador Dalí de Alice no País das Maravilhas. É a silhueta de uma jovem menina pulando corda. Para Dalí, era sua ideia de eterna juventude e inocência. Eu disse para o elenco que eu a fiz porque somos atores, sempre sendo solicitados a nos reinventar de projetos para projetos e eu não vi isso como o fim de um papel, mas sim o convite de achar uma nova experiência.

Se Eric tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Jordan Woods-Robinson: Eu acho que Eric e Enid se dariam muito bem, queria ter visto mais dos dois juntos.

O Brasil tem passado por um período difícil de um pouco de descrédito para produções culturais. Temos perguntado isso para todos os envolvidos em The Walking Dead que temos a oportunidade de conversar, mas o seu caso é especial porque você se destaca em pelo menos duas frentes: na sua opinião, qual a importância da cultura e das produções no geral para passarmos pelo momento atual?

Jordan Woods-Robinson: Eu não sei muito sobre o que o Brasil está passando agora, mas eu acredito firmemente que atuação ensina lições de vida valiosas: colaboração, comunicação, reflexão… e que estudar atuação, em qualquer idade, irá apenas ajudar uma pessoa.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Jordan Woods-Robinson: Eu tive alguns eventos infelizes que aconteceram devido à pandemia, mas sou muito sortudo de ter uma família saudável e uma comunidade solidária.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Jordan Woods-Robinson: Para todos os meus fãs brasileiros, obrigado por serem tão leais e tão energéticos. No Blue Man Group, ouvi muitas exclamações orgulhosas de “Brasil!” e “Parabéns”! Sua energia é linda e inspiradora. Obrigado!

REDES SOCIAIS DO JORDAN:

– Twitter: @jwoodsrobinson
– Instagram: @jwoodsrobinson
– Facebook: @jwoodsrobinson
– Site oficial: www.jordanwoods-robinson.com

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jason Douglas (Tobin)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jason Douglas (Tobin)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Jason Douglas.

Rafael Façanha

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arte com Jason Douglas e Tobin para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

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The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Jason Douglas, que interpretou Tobin durante as temporadas 5, 6, 7, 8 e 9. O ator nos contou sobre seus primeiros testes para entrar em The Walking Dead, sobre trabalhar com Melissa McBride (Carol), sobre a trajetória e morte de Tobin, sobre seu trabalho como dublador e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Jason Douglas:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Jason Douglas: Obrigado Rafael, fico feliz em falar com você sobre minhas quatro temporadas no programa. Ouvi falar de The Walking Dead quando fiz o teste para a primeira temporada. Eu não sabia muito sobre a série, mas sabia que seria dirigida por Frank Darabont, cujo trabalho eu acompanhava e admirava. Eu fiz o teste para vários personagens, incluindo Merle Dixon e Otis, o fazendeiro da família Greene na segunda temporada. Eu pensei que tinha boas leituras, mas nós, atores, fazemos tantos testes que desenvolvemos uma pele dura e geralmente esquecemos disso depois. Eu não fiz testes novamente até a 5ª temporada, quando fiz para um supervisor de canteiro de obras com roteiro vago. O roteiro da audição acabou sendo escrito apenas para a audição – foi uma cena que nunca apareceu no programa ou nos quadrinhos. E é claro que esse foi o papel que acabou sendo “Tobin”.

Quando conhecemos Tobin ele já era o chefe do grupo de construção/expansão de Alexandria e alguém de bastante confiança de Deanna, mas não sabemos muito sobre o passado dele antes do apocalipse. Você criou alguma história para ele para ajudar na interpretação do personagem? Ou os roteiristas te falaram algo que ajudasse?

Jason Douglas: Eu pensei muito sobre como Tobin poderia ter acabado em Alexandria, mas no final das contas as circunstâncias dadas para cada cena determinaram como interpretá-lo. Fiquei intrigado com a ideia de que Tobin poderia ter alguma família dentro ou fora das paredes do complexo, mas isso nunca foi realmente explorado no programa. Eu senti que Tobin deveria ter uma espécie de qualidade de homem comum operário, alguém com quem o público pudesse se relacionar e que a equipe de Rick pudesse aprender a confiar.

Tobin foi um dos personagens que foram adaptados dos quadrinhos de The Walking Dead. Você chegou a conhecer a versão dele na HQ? Se sim, o que achou das diferenças entre a versão televisiva do personagem e sua contraparte dos quadrinhos? Como fã, você prefere que as adaptações sigam fielmente o material fonte ou que façam novas histórias/remix?

Jason Douglas: Não tenho certeza se aversão de Tobin nos quadrinhos nos dá muito com que trabalhar em termos de desenvolvimento do personagem – é mais sobre o que ele representa em termos da mentalidade alexandrina em relação ao apocalipse, que é se esconder atrás das paredes e apenas sobreviver. Espero que você possa ver um pouco mais de profundidade de Tobin no programa, por meio de sua diplomacia em relação ao grupo de Rick, sua lealdade a Deanna e a comunidade e, claro, seu flerte gentil com Carol.

Tobin foi um dos interesses amorosos de Carol, mas ela acaba fugindo quando as coisas iam ficar mais sérias. Você acredita que se ele estivesse vivo, esse romance teria ido pra frente de alguma maneira? Como foi trabalhar com Melissa McBride?

Jason Douglas: Não tenho certeza se os escritores ou o showrunner estavam interessados em levar o caso muito mais longe. Presumo que não tenha funcionado bem com alguns de nossos fãs, porque o assunto foi praticamente abandonado por completo na 7ª temporada. Mas eu adorei trabalhar com Melissa, que é uma artista muito matizada e naturalista, e acho que poderíamos ter feito algumas escolhas interessantes juntos, dada a oportunidade. E eu sou grato por termos conseguido amarrar as coisas na minha cena final.

Sabemos que, algumas vezes, há cenas que acabam sendo cortadas na edição final do episódio. Alguma cena de que você participou acabou sendo cortada por algum motivo ou toda a história planejada para Tobin foi ao ar?

Jason Douglas: Estava quase tudo lá, embora a grande cena com Carol na varanda na 6ª temporada fosse inicialmente um pouco mais longa. Tobin tinha algumas falas muito boas onde ele refletiu um pouco sobre sua vida passada e o quanto as coisas mudaram. Adorei essa cena e gostaria que tudo tivesse ficado.

A morte do seu personagem foi algo que a maioria dos fãs não estava esperando. Os salvadores revestiram as armas com sangue de zumbi e causaram uma infecção! Como foi gravar seus últimos momentos na série? Como e quando você descobriu que Tobin estava com os dias contados?

Jason Douglas: Na verdade, eu estava trocando um pneu do carro da minha esposa quando meu celular tocou. Era um número de Burbank, Califórnia, e quando quem ligou se identificou como Scott Gimple, eu soube que “o show acabou”, literalmente. Já tínhamos começado a filmara 8ª temporada e vários episódios dela. Isso foi duas ou três semanas antes das filmagens, se bem me lembro.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Jason Douglas: A filmagem do meu episódio final foi a minha favorita, já que Tobin pode partir exatamente como eu sempre esperei que ele fizesse, “com suas botas calçadas” defendendo as pessoas de quem gostava. Eu pude trabalhar mais uma vez com quase todo o elenco principal como Andy, Melissa, bem como algumas das novas adições fantásticas ao programa, incluindo Cooper Andrews e Avi Nash. E, claro, passei um tempo como um ‘zumbi’ em uma homenagem muito legal a Frankenstein e ao clássico filme de terror.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Jason Douglas: A maior coisa de que me lembro sobre meu primeiro dia no set foi Andrew Lincoln passando, a alguma distância. Ele me viu e percebendo que eu era o “cara novo”, saiu do seu caminho para me dar as boas-vindas ao elenco. Ele sempre foi muito altruísta dessa maneira, e isso realmente me impressionou.

Meus últimos dias no set foram bastante ocupados e cheios de ação, então não tive muito tempo para ficar sentimental. Mas todos pareciam genuinamente chateados ao ver Tobin (e eu) partir. Não fizemos um “jantar do elenco” ou algo parecido, mas devo dizer que o catering naquele dia foi absolutamente exagerado.

Se Tobin tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Jason Douglas: Kenric Greene e eu sempre brincamos que ele e eu deveríamos ter um episódio inteiro dedicado aos nossos dois personagens em uma condenada corrida por suprimentos. Mas também conseguia ver Tobin lutando com a tripulação de Ezekiel.

Tobin era um personagem amigável e descontraído. Você acha que essas qualidades de alguma maneira o prejudicaram/causaram a sua morte? Em sua opinião, para sobreviver em um mundo apocalíptico é necessário desligar sua humanidade ou ainda existiria espaço para bondade e companheirismo?

Jason Douglas: Acho que “amigável e descontraído” descreve o personagem que conhecemos na 5ª temporada. Na 8ª temporada, Tobin se tornou consideravelmente mais um lutador da linha de frente – ele fazia parte dos ataques da milícia ao Santuário e do posto avançado fragmentado no topo da temporada , e finalmente foi emboscado enquanto defendia agressivamente Hilltop – botas calçadas, rifle na mão. Acho que era assim que queríamos que o personagem fosse lembrado, ao final de um arco de 25 episódios que começou com uma versão mais tímida do personagem. Isso se encaixa na ideia de que Tobin era uma espécie de termômetro, refletindo a evolução de toda a comunidade alexandrina.

Não apenas a bondade e a amizade seriam possíveis em um mundo pós-apocalipse, mas também seriam essenciais. Não somos meros animais, somos humanos. É aqui que eu acho que algumas imaginações pós-apocalípticas dão errado. Acredito que fomos projetados para um relacionamento. O que chamamos de “civilização” está, penso eu, inextricavelmente ligado à conexão e cooperação humanas – nós sobrevivemos e prosperamos como espécie precisamente por causa dessas condições, não apesar delas.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Jason Douglas: Eu interpretei um personagem em vários episódios de “Revolution”, outro programa pós-apocalíptico. Garret era um agente duplo corajoso e implacável que provavelmente se encaixaria bem no papel de um Salvador ou tenente do Reino.

Falando em outras séries, você também esteve em Preacher como o icônico Satan.Você pode falar um pouco sobre como foi sua experiência na série e como era o processo de maquiagem para se transformar no Príncipe das Trevas?

Jason Douglas: Esta foi uma criatura incrível construída pelo KNB EFX Group, que também faz a maquiagem e o trabalho de efeitos visuais para The Walking Dead e dezenas de outros programas dos quais você já ouviu falar. Eles fizeram um molde de todo o meu rosto, cabeça e corpo e esculpiram todas as características de caráter distinto no topo. Então, o produto final foi um terno de criatura que eu colocaria, mas ainda precisava de muita cola e maquiagem para reunir tudo em um todo coeso e sem costura.

Adorei trabalhar com todos aqueles caras, assim como com o elenco, escritores e diretores – toda a equipe foi incrivelmente criativa. Foi um prazer especial trabalhar com Betty Buckley, e eu senti que havia uma química fácil entre nós, já que tínhamos aparecido juntos em uma peça de teatro vários anos antes.

Além de ator, você também é dublador. Essa experiência é muito diferente de estar nas telinhas? Conte um pouco sobre como é ser a voz de um personagem e quando/como surgiu seu interesse pela dublagem.

Jason Douglas: Tenho feito as vozes em inglês para animes e videogames por mais de 20 anos, muito antes de começar a ser conhecido por qualquer trabalho na frente das câmeras. Anime é particularmente divertido, pois você tem os contornos de uma performance já criados na animação, e você está tentando criar uma voz e um ritmo perfeitos para trazer esse personagem totalmente à vida para o público. Com o trabalho de voz, não estamos limitados por nossa aparência, é tudo uma questão de voz e performance.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Jason Douglas: Estamos indo bem, obrigado! Muitos projetos pela casa e mantendo nossos filhos ocupados. Tudo fechava no primeiro mês ou mais, então esse foi um momento assustador para todos no ramo. Tive a sorte de estar conectado a alguns cineastas no norte do Texas que tinham um projeto em andamento e foram capazes de fazê-lo acontecer apesar de todas as preocupações e restrições. Seus leitores podem estar interessados em acompanhar este filme, chamado “Red Stone”, já que também estrelado por outro ex-ator do TWD, Michael Cudlitz. Eu também pude fazer mais do meu trabalho de voz dentro de um antigo armário em minha casa, gravando episódios de anime e até mesmo toda a minha atuação como Krieg the Psycho do novo jogo Borderlands 3.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Jason Douglas: Sim, estamos definitivamente cientes dos fãs brasileiros, já que costumamos ver as menções e comentários nas redes sociais. Agradeço especialmente a gentileza para com aqueles de nós que fazem parte da história do TWD em papéis coadjuvantes. Estamos orgulhosos do trabalho que fizemos no programa e esperamos poder continuar visitando suas casas no futuro, enquanto trabalhamos em outros projetos. Vocês no Brasil são alguns dos melhores fãs do mundo. Muito amor e paz a todos!

REDES SOCIAIS DO JASON:

– Twitter: @MrJasonDouglas
– Instagram: @jasondouglas2040
– Facebook: @JasonDouglasFans
– Site oficial: www.jasondouglas.com

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

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