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Review The Walking Dead S09E01 – “A New Beginning”: O que há de novo, Rick Grimes?

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do primeiro episódio, S09E01 – “A New Beginning”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

The Walking Dead retornou ontem, 07 de outubro, com sua nona temporada. A New Beginning (Um Novo Começo) veio para, além de apresentar o arco inserido a partir da edição 127 dos quadrinhos, nos conectar com a ideia de que a série está caminhando para uma nova roupagem. Obviamente, ainda é cedo para sentenciar se Angela Kang conseguiu fazer isso no novo ano, mas até onde nos foi apresentado, agradou.

Tudo foi repleto de referências diretas dos quadrinhos. A cada minuto nós víamos algum item ou diálogo dos impressos de Robert Kirkman tomar forma na tela. Ao mesmo passo que se aproximava, a série tomava um enredo próprio e totalmente exclusivo.

O episódio se inicia com Rick observando Michonne e Judith pintando a família Grimes. Logo após, os três caminham em meio a uma plantação e observam a quantidade absurda de pássaros que se reúnem. Essa é uma referência a edição que dá título a esse episódio, onde é mencionado que o mundo está mudando depois dos anos de apocalipse e os animais e a natureza estão retomando seu lugar.

Os remanescentes da família Grimes observam os pássaros.

Logo, seguimos para a cena que faz o coração de qualquer fã dos primeiros anos entrar em surto: o cenário das cidades está de volta e pudemos ter um gostinho do episódio piloto, com Rick cavalgando nas ruas de Atlanta. Dessa vez, em Washington D.C. e acompanhado de amigos, não mais sozinho. Prédios em ruína, mortos mixados com carros e cenários comuns ao ser humano.

Fora isso, podemos ver todos os personagens centrais – acompanhados de outros – juntos em cena, o que não acontecia desde ao menos o quinto ano da série. A missão que os guia é a busca por suprimentos e materiais que os seja útil na nova maneira de viver. Um museu é o local da ação, que já evidencia o como o elenco é poderoso quando trabalha junto.

Eles conseguem obter uma carruagem com roupagem de faroeste, além de uma canoa e materiais metálicos que, conforme Maggie, serão transformados em diversas ferramentas nas mãos de seu ferreiro, Earl. Temos dialógos interessantes sendo estabelecidos aqui, com Cyndie relembrando momentos do irmão, o que dá possibilidade de Daryl falar sobre Merle. Além disso, é por Maggie que descobrimos que houve uma eleição em Hilltop para que os residentes escolhessem a liderança dela ou de Gregory, quando ela menciona que o antigo chefe da comunidade está tentando lidar bem com a rejeição do povo em uma conversa com Carol e Michonne.

Maggie, Daryl, Carol e Ezekiel dividem cena no interior do museu.

E quem diria que poderíamos ver uma cena de infestação de aranhas em meio ao apocalipse zumbi? Quando Siddiq quase é devorado por um morto, pelos orifícios oculares do cadavérico zumbi, um incontável número de aracnídeos correm para o chão e se espalham, desesperando o personagem – mais do que o próprio risco da mordia – que revela ter aracnofobia.

A cena termina com um momento tenso ao extremo, os sobreviventes descem pelas escadarias do museu a carruagem, tentando ao máximo não causar danos ao artefato. Entretanto, o pavimento é coberto por vidro, estando o andar de baixo infestado por walkers. O vidro começa a trincar, não antes de eles conseguirem atravessar a carruagem. Ezekiel que estava junto com Carol, acaba despencando em direção as mandíbulas dos mortos e quase é pego por eles, sendo salvo em último minuto por Daryl e pela amada. O primeiro beijo do episódio entre os dois acontece nesse momento.

No caminho de volta para as comunidades, a carruagem acaba atolando e a ponte que eles usariam para retornar para Alexandria está destruída. Em meio a discussão de qual atitude tomar, Ken – um adolescente de Hilltop – vê um dos cavalos se assustar e trotar em direção a uma horda de zumbis, o garoto corre para salvar o animal, mas acaba sendo mordido pelos walkers, morrendo logo em seguida.

Enquanto Maggie, Enid e os demais retornam para Hilltop, Rick, Michonne, Daryl, Ezekiel e Carol vão para a Fábrica dos Salvadores para resolver conflitos internos no local. Fica evidente que grande parte deles é adepto ao modo de Rick governar e contentes com a queda de Negan, mas, o vilão deixou suas marcas em seu antigo povo e mantém alguns discípulos fiéis. Ao ver “Nós somos os Salvadores e ainda somos Negan” pichado nas paredes, Michonne se assusta com a ideia de que existem inimigos infiltrados em meio aos aliados.

Rick é aclamado por grande parte dos Salvadores.

Daryl e Rick entram em uma conversa sincera, que demonstra o esfriamento entre os sentimento de ambos um pelo outro. Rick basicamente forçou que o irmão de alma liderasse os Salvadores. Entretanto, Daryl quer estar com Maggie em Hilltop, pois ainda se sente mal em estar no local que ainda ecoa a voz de Negan. Os dois acabam em uma ligeira discussão, com Grimes basicamente sentenciando que será irredutível em deixar Dixon no local. No entanto, Carol, que estava próxima, acaba ouvindo a conversa.

Mais tarde, Peletier procura Daryl, e em mais uma conversa que demonstra o quão forte são os laços de ambos, os dois rapidamente falam sobre o relacionamento amoroso dela – e o ciúme (de irmão) de Daryl fica evidente – com Ezekiel e depois embarcam numa conversa, onde Carol se propõe a liderar os Salvadores, para que o amigo possa seguir seu rumo.

Michonne questiona Rick se a decisão de manter Negan vivo realmente foi a certa, visto que sua longevidade acaba alimentando o burburinho de um retorno do líder dos Salvadores. Mas os dois concluem que fizeram o que era mais coerente para aquilo que estão buscando viver, através dos desejos de Carl. Ela inclusive demonstra uma pendência a ser a voz da justiça da temporada ao sugerir a confecção de um estatuto para as comunidades.

Carol e Daryl: um relacionamento atemporal e sincero.

Na manhã seguinte, com Carol sendo deixada no Santuário, Rick, Michonne, Ezekiel e Daryl se despedem do local e rumam em direção a Hilltop. Enquanto isso, na sequência do acidente com Ken, Maggie tenta explicar para Tammy e Earl – pais do garoto – o que aconteceu na estrada, mas a mãe é irredutível ao demonstrar sua indignação com a líder e ressalta sua irresponsabilidade em achar coerente levar um adolescente para se arriscar nas ruas.

Com Maggie sendo proibida de fazer parte do funeral de Ken, os demais demonstram sua tristeza e condolência aos pais no momento de se despedir do garoto. Gregory se junta aos dois e começa a convencê-los de que Maggie tomou a liderança da cidadela por meio de uma fraude de votação, embebedando os dois, até conseguir persuadir Earl de que ele precisa matar a mãe do pequeno Hershel Jr.

Quando Maggie está caminhando com seu bebê, Gregory a encontra e diz sentir muito pelo ocorrido, mas compreende que aquilo tudo fazia parte de ser líder. Nesse momento ele diz que na hora do enterro de Ken ele percebeu que alguém havia danificado o túmulo de Glenn. Tudo isso faz parte do plano de levar a líder às mãos de Earl que tenta matá-la, contudo, ela é salva por Enid (que se fere) e Jesus na confusão. Possessa pelo ocorrido, Maggie vai até Gregory e desenrolam uma discussão calorosa, culminando nele tentando atacá-la com uma faca, mas sendo rendido pela líder.

Na manhã seguinte, Rick e os demais chegam em Hilltop e são surpreendidos com Maggie com o rosto machucado. Ela e Rick conversam na varanda sobre a possibilidade dela visitar Alexandria, mas ela deixa bem claro que isso não acontecerá enquanto Negan estiver no local. Aprofundando a conversa, ela elucida que não respeitará totalmente os ideais de Rick para liderar Hilltop e que compreende as ações de Rick como um descumprimento de palavra, visto que ele lhe tinha prometido que após a Guerra, ela seria a liderança que seguiria.

Maggie pode ser uma grande ameaça para os planos de Rick.

A noite cai novamente em Hilltop e Maggie dá mais um demonstrativo de sua nova postura. Na frente dos residentes de Hilltop – inclusive de Tammy e Earl – e de Rick e Michonne, ela discursa sobre sua irredutibilidade frente a pessoas rebeldes. Então vemos Gregory com o pescoço envolto em uma corda presa a uma estrutura de madeira, sobre um cavalo. Ela dá ordem e Daryl executa o enforcamento do antigo líder.

O episódio demonstra uma evidente mudança de rumos nesse nono ano se compararmos com o que nos era apresentado no ano passado. Com um clima pacífico nos primeiros minutos, fomos apresentados a grandes referências dos primeiros anos da série.

Uma das promessas era de que veríamos muito mais os cenários das cidades inseridos na série, contudo, todo o material cedido com antecedência de Washington já foi utilizado nesse primeiro episódio, o que pode demonstrar que essa foi a primeira e última vez que vimos a capital na série. Se isso se confirmar, será decepcionante, visto que as tramas em meio aos prédios sempre funciona muito bem e traz identificação ao público.

Em suma, acredito que a promessa de uma renovação esteve muito acima do que o episódio demonstra. Nós voltamos e os problemas são os mesmos, a posição dos personagens continuam semelhantes e basicamente foram alteradas apenas questões de visual e cenário. Óbvio que isso não diminui em nada a boa expectativa e esperança que esse episódio conseguiu construir. Não é um episódio de grandes explosões e ações, mas constrói um drama real, focando em dar inicio a uma história. Eu pude me sentir assistindo o piloto de uma nova série, onde dúvidas sobre o desenrolar são geradas para que a audiência acompanhe o restante da trama.

Xander Berkeley apareceu pela última vez como Gregory.

Se o ponto de Angela foi esse – o de fazer com que a série basicamente se iniciasse novamente – A New Beginning acertou em cheio. Fora pequenas questões que o ligam com as temporadas anteriores, não há grande dificuldade que uma nova audiência chegue no nono ano e entenda a história sem necessitar rebuscar os oito anos anteriores.

O livro “A Chave” está sendo bem executado nas comunidades. Nos primeiros segundos, já vemos a implementação de painéis de energia solar e eólica instalados em Alexandria, bem como em Hilltop. Isso demonstra que o enredo de Georgie, no oitavo ano, não foi esquecido e provavelmente será relembrado em algum momento.

Daryl já demonstra indícios de centralidade de história e finalmente está recebendo um enredo – o que não acontecia desde o quarto ano da série. O que ainda incomoda é o fato de ele estar servindo mais como um capacho de Maggie, diferente da liderança que afirmaram que ele teria na nona temporada. Afinal, Daryl deixará de ser o adolescente mimado e rebelede? O que nos foi apresentado, nos demonstra que provavelmente não, já que ele resolveu trocar um irmão por causa da decisão de não matar Negan por Maggie, pessoa de quem ele não tinha proximidade alguma até a última temporada.

Carol e Ezekiel funcionam de forma precipitada, mas, como todo o casal que já passou pela história, o medo de que um venha apagar o outro é crescente. A dupla romântica precisa ter um relacionamento muito bem construído para que, a exemplo de Maggie e Glenn e Rick e Michonne, não acabem anulando a história anterior a formação do casal.

A grande torcida é que Carol não se apague na história.

A nova posição de Maggie e a irredutibilidade em ceder a Rick podem causar estranhamentos e divisão entre os protagonistas. Desconfio que caminharemos pra um momento em que a saída de Rick da história – que já foi amplamente divulgada – esteja intimamente ligada a contrariedade da líder de Hilltop e Daryl em auxiliá-lo na ajuda aos Salvadores. Se isso se concretizar, diversos enredos poderão se desenvolver para ambos os personagens.

O clima de uma guerra silenciosa se desenrolando nos corredores da Fábrica já se instaurou e isso traz voz para Negan, que ainda não apareceu, mas provavelmente terá seu ego inflado pela ideia de que há pessoas que sentem sua ausência e detestam a forma de Rick liderar.

Outros pontos a serem suscitados são: os protagonistas se uniram novamente e isso funciona em cena, Angela precisa insistir na ideia de não deixá-los separados por muito tempo; a liderança feminina ficou evidente nesse episódio e centrar o protagonismo nas três mulheres presentes a mais tempo na série é uma das melhores ideias que a showrunner poderia ter; a abertura foi repaginada, é bonita ao mesmo tempo que muda todo o conceito que tínhamos até então, trazendo um ar de cartoon ou anime; Michonne caminha para uma personagem justa e equilibrada, que provavelmente carregará o eixo moral e ético da série após a saída de Rick.

E você? O que achou do episódio? Gostou? Não gostou? Vote na enquete e deixe sua opinião abaixo, é um prazer poder responder seus comentários.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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