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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Matt Mangum (D.J.)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Matt Mangum.

Rafael Façanha

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arte com Matt Mangum e D.J. para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Matt Mangum in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Matt Mangum, que interpretou D.J. durante as temporadas 8, 9 e 10. O ator nos contou sobre como foi trabalhar com Andrew Lincoln e Melissa McBride, sobre seu processo de audição para a série, sobre cenas deletadas de seu personagem com Michonne, sobre o massacre das estacas e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Matt Mangum:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Matt Mangum: Sim, eu sabia sobre o programa antes e era um fã. Eu tinha visto todos os episódios até quando fui escalado. Comecei a fazer testes para The Walking Dead na 6ª temporada. Fiz teste para alguns papéis na 6ª temporada e para mais alguns na 7ª temporada, então eu senti que eles gostaram das minhas coisas e estavam procurando um lugar para me encaixar. Eu decidi parar de me barbear e cortar meu cabelo apenas para tentar entrar no programa. Na 8ª temporada eu fiz mais um teste e acabei interpretando D.J. Acho que o cabelo e a barba ajudaram e é por isso que quando vemos D.J. pela primeira vez como um salvador, ele parece muito rude com o cabelo e a barba compridos.

D.J. sempre esteve envolvido em bastantes cenas intensas com Rick e Carol. Você pode nos contar como foi trabalhar com Andrew Lincoln e Melissa McBride? E também, como era e como mudou a atmosfera no set com a saída do Andrew de The Walking Dead?

Matt Mangum: Acho que todo mundo sabe como são esses dois e como é incrível trabalhar com eles. Duas das pessoas mais legais e atores incríveis que sabem o que estão fazendo e sabem como se preparar para tudo que uma cena possa exigir deles. Eles também sabem como se divertir com isso. Quando você tem atores tão bons quanto eles, mesmo quando a cena é intensa e você tem que se preparar para isso, você tem que ser capaz de deixar algum espaço para ficar alegre no meio de tudo isso. Requer esforço de atores para chegar a um lugar emocionalmente e ficar lá, e quando você pode se divertir ou respirar no meio de tudo isso, ajuda. Esses dois são ótimos com isso.

O programa honestamente não mudou muito além do óbvio que Andy não estava lá. A cultura do programa foi definida muito cedo por Andy. Quando você é o número 1 na lista de chamadas, você é o líder do programa, o elenco, a equipe, todos. Todos olham para o número 1 para definir o tom do programa e Andy fez tudo isso sentir como uma família e eu acho que é evidente na maneira como é estendido para a fã base. Outros do elenco levam a mesma cultura também, Norman, Melissa, Danai, Lauren, Jeffrey. Qualquer um que veio para o show ajudou a desenvolver essa cultura familiar, então quando Andy saiu ficou tudo bem e a cultura familiar ainda está lá.

Da perspectiva do grupo de Rick, os Salvadores são um grupo cruel e tirano, que cometem barbáries para se manterem no poder. No entanto, ele tem uma comunidade grande repleta de pessoas que não só temem a ele, mas também o veneram na mesma proporção. Por que você acha que seu personagem escolheu se estabelecer no grupo dos Salvadores? Como você define a visão que D.J. tinha de Negan?

Matt Mangum: Acho que D.J. acabou com os salvadores provavelmente da mesma maneira da maioria, por sobrevivência. Todo o propósito do programa em geral é a sobrevivência neste mundo. Sobrevivendo ao surto inicial, sobrevivendo aos caminhantes, sobrevivendo a outras pessoas e grupos diferentes, então eu acho que teve muitas pessoas que se tornaram partes de grupos diferentes simplesmente para sobreviver. Também acho que D.J. era um tenente muito forte. Isso foi o que o ajudou a subir na hierarquia com os salvadores de Negan e as mesmas características que o ajudaram a subir em Alexandria sob Michonne. Acho que ele era leal a quem estava no comando e vimos isso quando ele ajudou a capturar Simon para Negan. Sua visão de Negan era seu líder. Talvez ele não concordasse com a maneira como Negan fazia as coisas, mas seria fácil racionalizar em sua mente que nenhum líder é perfeito naquele mundo e que ele estava disposto a fazer o que precisava ser feito para sobreviver. Como quando ele se juntou a Jed para roubar as armas de Carol. Não era que ele achava Carol má, D.J. sentia que precisava de armas para sobreviver e estava disposto a fazer o que fosse necessário para isso.

Apesar de ter feito parte dos Salvadores um dia, D.J. conseguiu se adaptar e criar um espaço dentro dos núcleos de Hilltop e Alexandria, se tornando uma pessoa de confiança das comunidades. O que fez com que ele se abrisse para esse novo convívio? Você acha que ele encontrou algo que buscava no novo grupo?

Matt Mangum: Voltando à questão anterior, acho que no final das contas começou com a sobrevivência. Acho que sua lealdade ao novo grupo e Michonne ficou evidente na maneira como ele se tornou o braço direito dela em certas situações. Houve muito mais interações entre D.J. e Michonne que foram cortadas, mas que eu adoraria que as pessoas vissem. Eu também acho que ele encontrou o que estava procurando, que era um lugar para pertencer, um lugar para sobreviver, uma família para fazer parte e acho que foi isso que o levou a estar disposto a dar sua vida por eles.

No celeiro, D.J. e as outras vítimas de Alpha lutaram bravamente por suas vidas, mas infelizmente não conseguiram se salvar. Você pode nos contar um pouco de como vocês se preparam para gravar essa cena de união tão intensa e dramática?

Matt Mangum: Foi um longo dia. Primeiro filmamos a parte das estacas durante o dia e depois fomos para o celeiro na mesma noite. Algumas das outras vítimas das estacas eu não conhecia ou trabalhava ainda, mas todos parecíamos imediatamente ter uma conexão sabendo o que estávamos passando como atores e tendo que dizer adeus a esses personagens que amamos. Foi uma longa noite de ensaios de dublês e bloqueios e era novembro, então estava muito frio, o que eu acho que contribuiu para a sensação geral da cena. É estranho, como ator, porque há quase algo em você que desliga quando a câmera está gravando e a ação é chamada. Você literalmente entra nessa zona e se torna esse personagem que você não é, a fim de fazer a cena e fazer tudo funcionar. É aí que entra a preparação. Uma vez que a ação é chamada, tudo o que você faz tem que ser uma segunda natureza e geralmente é isso que acontece em cenas como essa.

Falando sobre a cena das cabeças nas estacas, foi chocante ver uma réplica da sua cabeça ali? Eu imagino que deva ser uma sensação muito estranha! Você levou sua réplica para casa?

Matt Mangum: Haha. Sim, definitivamente estranho e simplesmente incrível ver como Nicotero e sua equipe são bons em fazer essas coisas. Não levei para casa, nem pensei em perguntar sobre isso, mas Nicotero me disse que poderia me dar se eu entrasse em contato com ele, mas eu não entrei… talvez devesse.

Você teve a oportunidade de participar de dois grandes arcos da história de The Walking Dead – Salvadores e Sussurradores. Qual foi o seu preferido? Por quê? Quais lembranças você tem de ambos os sets, Santuário e Alexandria?

Matt Mangum: Eu adorei fazer parte dos salvadores, mas a desvantagem foi que quase só filmei no cenário montado do santuário. Não foi até a guerra do episódio 16 da temporada 8 que eu realmente consegui sair e ir ao local para a batalha final. Que, por falar nisso, foi o mesmo local em que filmamos as estacas. E quase todas as minhas coisas eram com Negan e os salvadores. Na 9ª temporada eu tive que fazer muito mais coisas longe dos cenários montados e praticamente tive cenas com todos. Tive muitas cenas com Danai e Melissa e algumas cenas ótimas com Andy e Norman e depois estive quase exclusivamente com o grupo de Yumiko e Magna por 4 episódios assim que eles chegaram. Ficou mais divertido depois dos salvadores só porque eu comecei a trabalhar com quase todos no elenco em algum momento, embora nem todas as cenas foram ao ar. Eu adoraria ter ficado mais tempo e ter D.J. desempenhado um papel na guerra dos sussurradores, mas também estou feliz por ele ter saído de uma forma tão icônica com as estacas.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Matt Mangum: Definitivamente me lembro do meu primeiro dia no set. Foi uma filmagem durante a noite, acho que 808, quando os salvadores estavam atacando e destruindo Alexandria. Eu andei na van do acampamento base para o set com Andy que, como ele faz com todos, se apresentou a mim imediatamente e me deu as boas-vindas ao show. Ele estava genuinamente feliz por eu estar lá. Na verdade, eu tinha feito um trabalho de equipe na série nas temporadas 3, 4 e 5 e muito da equipe ainda é a mesma, então foi divertido estar de volta e ver as pessoas, mas finalmente no lado da atuação, que é o que eu queria fazer desde o começo.

A despedida foi difícil. Difícil como deixar qualquer família ou como ator deixar qualquer trabalho que você ama e não tem certeza se o próximo trabalho será tão especial. Foi uma longa noite de despedidas, quero dizer, 10 de nós todos se despediram na mesma noite, então foram muitas emoções. Alguns membros do elenco que não estavam na cena vieram nos ver filmando no celeiro e estar lá para os momentos finais de todos. Foi uma boa noite. Mas… D.J. também estava de volta para 2 cenas de flashback na 10ª temporada, então minha última noite acabou não sendo minha última noite.

Se D.J tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado em The Walking Dead?

Matt Mangum: Eu teria adorado ver as interações de D.J. e Negan depois dos salvadores. Eu adoraria saber a perspectiva de Negan sobre a integração do D.J. com o grupo. Embora agora saibamos que Negan também faz parte do grupo. Havia algumas histórias dos quadrinhos sobre a Guerra dos Sussurradores nas quais eu queria que D.J. se envolvesse. O que eu realmente queria estava nos quadrinhos quando Dwight joga Lucille para Negan durante a Guerra dos Sussurradores, eu realmente queria ver e fazer parte disso. Eu também teria adorado ver mais do D.J. e da Michonne. Houve mais deles que foi cortado e eu sinto que havia uma confiança e respeito um pelo outro que era mais profundo do que foi mostrado. Voltando à pergunta anterior. Minha última noite de filmagem acabou sendo a recriação da cena da formação dos salvadores, quando vemos Michonne como uma salvadora enquanto ela está alucinando. Aquela noite éramos eu, Danai e Jeffrey filmando e foi bem apropriado para mim que minha última noite foi com aqueles 2. As 2 pessoas com quem provavelmente passei mais tempo durante o meu tempo no programa.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Matt Mangum: Meu episódio favorito foi 907, quando D.J., Michonne e Siddiq estão levando o novo grupo de Alexandria para Hilltop. Michael Cudlitz dirigiu esse episódio e ele é um diretor incrível. O que era desafiador nesse episódio era aquele clima de verão infame da Geórgia. Estava muito quente, e tivemos um dia de 12 horas de corrida e luta contra uma horda de caminhantes. Foi difícil, mas incrivelmente divertido e recompensador. Quer dizer, eu também pude dirigir uma carroça e montar em um cavalo. Nunca pensei que faria algo assim. Tive que fazer horas de treinamento aprendendo a cavalgar, embora acabamos não vendo D.J. a cavalo, o que me decepcionou.

Falando em apocalipse zumbi… O que Matt Mangum teria em seu kit de sobrevivência? Escolha 5 itens indispensáveis! Você seria mais o tipo que estaria em uma comunidade ou sobrevivente solitário?

Matt Mangum: Oh cara. Bens não perecíveis, como talvez pudim de chocolate, muitas armas, definitivamente um taco de beisebol, uma variedade de facas e armadura completa. Eu provavelmente tentaria ser um lobo solitário, mas não tenho certeza se você poderia sobreviver assim, então eu encontraria um grupo. Talvez em algum lugar no alto das montanhas, cercado de neve.

Agora que foi anunciado que The Walking Dead vai acabar na 11ª temporada, como você gostaria que fosse o final da série? O que você gostaria de ver acontecendo?

Matt Mangum: Eu acho que todos nós queremos ver a mesma coisa que é algum sobrevivente encontrar o Rick. Quero dizer, vamos lá… todos nós queremos isso.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Matt Mangum: Eu tinha duas coisas encaminhadas, uma foi totalmente cancelada e uma adiada indefinidamente. Não tenho certeza do que vai acontecer, mas é onde estamos. Estamos todos no mesmo barco, meio que perdemos um ano de nossas vidas e tem sido difícil para todos, mas é tudo uma questão de perseverar e passar este ano e, com sorte, virar uma página para 2021. Como todo mundo, tem sido muito tempo em casa, muito tempo com a família e devo dizer que não odeio isso. É um tempo com a família que nunca será duplicado e será lembrado para sempre, embora eu desejasse que a pandemia não acontecesse. Foi bom tentar tirar o melhor proveito disso.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Matt Mangum: Sim, é claro que chega. Eu AMO a interação dos fãs do mundo todo nas redes sociais. Venham me achar, me sigam e me digam de onde vocês são. Eu adoro quando os fãs comentam e falam de onde são, ou comentam com a bandeira de seus países nas minhas postagens, é incrível. Brasil é DEFINITIVAMENTE presente. Fora dos Estados Unidos, eu acho que a presença do Brasil é a maior de todas. Obrigada pelo amor Brasil!

REDES SOCIAIS DO MATT:

– Twitter: @mattmangum2
– Instagram: @mattmangum2
– Facebook: @mattmangum2

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Dhebora Fonseca
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Teri Wyble (Shepherd)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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