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Análises

Os cinco de Atlanta – Analisando Carl Grimes

Carlos Knewitz

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Carl Grimes é o segundo personagem a ganhar seu espaço na série de textos que faz a retrospectiva dos cinco últimos sobreviventes da primeira temporada. O pequeno grande homem que – conforme o próprio Kirkman – oportunamente possa se provar o verdadeiro protagonista do mundo The Walking Dead.

Histórico na série:

Na primeira temporada Carl é um garoto de 12 anos que leva uma vida normal de filho único com uma mãe superprotetora: se dedicar aos estudos e ser o projeto de um futuro brilhante. Num dia comum presencia uma discussão entre seus pais, vê Lori acusando Rick de ser irresponsável com a própria família e se empenhar mais com o trabalho do que com o filho. Após a aula, Carl recebe uma má notícia de sua mãe, Rick foi atingido em uma troca de tiros e está no hospital em coma. Mais tarde – na segunda temporada -, Lori compartilha com Rick que no exato momento que Carl ficou sabendo da situação de Rick, quis doar sangue, ciente que os dois eram da mesma tipagem sanguínea e só não o fez por ter sido proibido por ela.

Após o surto que induz o mundo ao apocalipse zumbi, Carl é levado por Shane e Lori em direção a capital da Geórgia, Atlanta. Acabam se alocando junto a um grupo de desconhecidos a espera de respostas para os fatos que veem presenciando. Carl está mergulhado em um momento de muita dor e de incertezas, pela primeira vez ele sente que perdeu o pai para sempre. Uma das cenas mais bonitas na primeira temporada é justamente o reencontro de Carl com o pai, o abraço confirma que há um laço de confiança entre os dois e que existe uma dependência enorme entre um e outro.

A primeira temporada se estende com Carl sendo uma simples criança, obrigado pela mãe a continuar estudando e se relacionando com os demais membros do grupo de forma amigável. Chegamos à segunda temporada e é nessa que temos o inicio do desenvolvimento dele. Após ser atingido por um tiro, Carl passa alguns episódios desacordado lutando diretamente com a morte. Sua vida está nas mãos de um veterinário e é alimentada pelas insistentes doações de sangue de Rick.

Ao se recuperar, o garoto se encontra em uma realidade dura: a única criança que havia estado com ele no acampamento e que seguiu junto ao grupo em direção ao CDC, Sophia, ainda estava desaparecida. Carl parece sentir um grande pesar por Sophia, sente-se deslocado entre os adultos como se nunca pudesse ser compreendido.

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Em um momento de muita dor se descobre que Sophia havia se transformado em um dos monstros e ele presencia o próprio pai dar fim ao sofrimento do que um dia havia sido Sophia. A partir desse dia Carl decide que não será omisso como Sophia, ele quer encarar a realidade sem covardia. Por isso, começa a explorar a área sozinho e acaba se deparando com uma situação inadministrável: um walker preso num poço de lama. A situação poderia ser facilmente resolvida por qualquer membro do grupo, mas Carl ainda não estava pronto para matar uma daquelas criaturas. Após se divertir um pouco apedrejando o errante, Carl decide retornar a fazenda Greene e manter silêncio quanto ao seu ato covarde.

Na mesma noite Carl vê o peso do seu silêncio ser escancarado a todos, isso porque Dale Horvath, em uma de suas patrulhas noturnas, acaba por ser atacado pelo mordedor do poço de lama. Carl se sente totalmente responsável pela morte de Dale, sabe que seu ato de covardia e seu comedimento frente à situação desencadeou uma consequência irreversível. Mais uma vez ele entende que é impossível ser omisso no novo mundo, ou você age ou morre e/ou perde quem você ama.

Carl toma um tom mais rebelde frente a sua mãe, ele não aceita que ela continue o protegendo e o tratando como uma simples criança, ele sabe que não há mais espaço para crianças nesse mundo. Carl quer conquistar seu próprio espaço de importância no grupo e assumir papel parecido com o do pai.

Certa noite, Carl presencia uma discussão entre Rick e Shane no meio do campo e vê os dois se envolverem em uma briga que – por autodefesa – culmina na morte de Shane. Carl encara Rick em estado de choque por um tempo, aponta sua arma na direção do pai e dispara. Com um jogo de câmeras é revelado que Carl na verdade mirava num ponto posterior a Rick, em Shane reanimado.

Após alguns eventos, obrigados a fugirem da fazenda, Carl vê o pai tomar o manto de líder totalitário para si e cada vez mais vê sua admiração por ele crescer. Ao mesmo tempo Carl presencia um distanciamento desenfreado acontecer entre seus pais, estando sua mãe grávida.

Já alocados na prisão, Carl quer constantemente provar sua força e sua aptidão a agir e ser tão útil como o próprio pai para o grupo. Ao mesmo tempo ele parece sofrer com o relacionamento enfraquecido dos pais, parece não saber qual partido tomar e como lidar com a situação.

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Certo dia uma invasão de walkers ocorre no interior da prisão e ele, junto a Maggie e sua mãe tentam encontrar um esconderijo. O estado da gravidez de Lori é avançado e no meio do caminho ela sente a certeza de que é o momento da criança vir ao mundo. Sendo uma das cenas mais emocionantes da terceira temporada, vemos o nascimento da menina e Carl tendo que ver sua mãe dando a própria vida em razão daquela. No fim, Carl sabe que algo precisava ser feito por sua mãe, o tiro de honra que a impediria de retornar como morto-vivo. Ele decide agir e cumprir com seu papel.

Passado o tempo de luto por sua mãe, Carl escolhe um nome para a irmã, Judith, e se esforça ao máximo para que seu cuidado com ela seja parecido com o que a mãe tinha com ele. Nesse enredo que a ameaça do Governador tem inicio e ele está determinado a lutar ao lado do pai pelo local onde estão residindo e por cada um dos membros do grupo. Mas Carl sempre parece ser mantido a parte das decisões do seu pai e deixado para trás nas investidas de Rick contra o Governador.

Com uma batalha que parece ser a derradeira entre os dois grupos, Carl acaba recebendo na prisão novas pessoas vindas de Woodbury. Após isso um momento de paz se instala sobre o local e Carl vê algo que o deixa desolado: o pai abdicar o poder de líder e tomar uma posição totalmente omissa quanto aos problemas do agora grande grupo. E, para Carl, o que mais lhe surpreende é que o pai tenta induzi-lo a tomar a mesma posição. Inconformado, Carl começa a tentar reativar o animus de liderança em Rick e até mesmo delata que Carol está contrariando a vontade de Rick ensinando as crianças a manusear armas brancas, na intenção de fazer com que Rick tome o controle da situação novamente.

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O tempo passa e o Governador retorna para sua vingança. A guerra termina em um número grandioso e doloroso de mortes e com a destruição do local onde estavam residindo. Carl, junto com o pai coberto de ferimentos da luta que acabara de enfrentar e com uma tristeza imensa pela suposta morte da irmã, fogem sem rumo da prisão. Carl acaba demonstrando toda a frustração que acumulara nos últimos tempos com o pai. Ele responsabiliza Rick pela proporção que a guerra tomou. Para ele, se o genitor tivesse tomado partido ao invés de retroceder e abdicar sua liderança, e se tivesse seguido em busca do Governador e o matado, nada teria acontecido à prisão e Judith não estaria morta.

Carl aos poucos vai se afastando de Rick e se aproximando de Michonne, que os encontrou e está seguindo com eles para um local denominado Santuário. Pouco dirige a palavra para Rick e o trata com indiferença. Contudo, ele muda sua posição quando é salvo pelo pai das mãos de um grupo que atenta contra sua vida. A partir daí a relação dos dois vai sendo reconstruída.

Em Terminus – o Santuário -, Carl se vê em uma situação embaraçosa e é obrigado a lutar pela própria vida. No fim, todos saem com vida e mais uma vez é surpreendido, Carol (que havia sido expulsa da prisão pelo próprio pai) retorna com a notícia de que Judith está viva.

A partir daí toma cada vez mais a posição de proteger Judith e é visto próximo a ela em todas as cenas de risco. Custe o que custar, Carl agora tem uma missão: manter a irmã indefesa viva. Quando o grupo de canibais sobreviventes de Terminus retorna em busca de vingança, ele defende Judy com unhas e dentes e não retrocede por nenhum instante até saber que a segurança dela está garantida.

Não há muita história própria para Carl a partir daí até sua chegada a Alexandria. Nesse local torna a ter parte de protagonismo. Ele parece não estar muito satisfeito em ter que estar preso dentro de uma muralha, fingindo que o mundo ali dentro é totalmente diferente do que ele vivenciou lá fora. Ele acredita que se permitir envolver com o local é dar margem a se tornar fraco.
As palavras de Carl ecoam até hoje, na verdade todos os que viviam antes deles ali em Alexandria se mostram extremamente frágeis com o que o mundo lá fora oferece e ele possui medo que ele e aqueles que o acompanharam desde o começo dessa jornada se tornem parecidos com os residentes do local.

Carl, dois anos depois do início do apocalipse cresceu muito. Foi um dos personagens que teve um desenvolvimento bem trabalhado em todas as temporadas, um dos poucos que não sofreu muito com as alterações dos showrunners.

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O desenvolvimento do personagem durante as temporadas:

Carl começou sendo o que era pra ser: uma criança. Na primeira temporada não passou disso e foi membro quase que figurativo no enredo da trama. O que podemos rebuscar dele naquela época são os fatos que deram margem para seu crescimento: sua pequenice. Exatamente isso, caro leitor. O crescimento de Carl é tão majestoso justamente por lá no começo ele ser um menino condicionado ao ser o que era.

Após ter seus olhos abertos para a nova realidade e ver que agir como criança o faria arcar com consequências grandiosas demais, Carl pareceu necessitar mudar. Contudo, por diversas vezes teve como impeditivo a ação da mãe que muitas vezes acabava coagindo o pai a proibi-lo de agir frente ao novo mundo.

Com a morte de Lori, Carl sentiu que era hora de deixar aquele menino de 12 anos da primeira temporada para trás. Começou incessantemente querer provar que já era suficiente para o grupo e não queria mais ser o ponto frágil desse. A busca por isso era justamente dada por ele ser um observador. Ele observou seu pai durante todo esse tempo e agora deveria saber como agir.
Todo o desenvolvimento de Carl se dá sobre isso, o fato de ele ter que agir como adulto e ao mesmo tempo ter que deixar sua criança interior para trás. É como se fosse uma exteriorização do que todo o adolescente do mundo comum passa, mas em grau avançado.

Do menino que ansiava pela atenção do pai que tanto amava até o menino que é a razão da vida de Rick. Se Lori pudesse ver a relação de Rick com o filho hoje em dia, provavelmente jamais proferiria a acusação de que Rick não se importa o suficiente com Carl.

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Perspectivas para o futuro do personagem:

Bem, Carl é o filho de Rick e isso já é motivo de grande orgulho. Não podemos acreditar que ele deva ter seu fim muito logo. Ele caminha como discípulo fiel de seu pai e todas as suas ações são constantemente inspiradas no modo de agir do genitor.

Ele quer chegar ao nível de Rick, tem um caminho muito longo pela frente para isso e matá-lo em meio a esse enredo seria loucura dos roteiristas.

Fora que Carl é o combustível de sobrevida para Rick, não há nada que dê mais razão de Rick fazer o que faz do que Carl.

Provavelmente teremos um crescimento desenfreado do personagem daqui para frente, tendo em vista o próximo grande antagonista que já nos foi apontado para o fim dessa temporada.

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Pontos fortes do personagem:

– Carl é o vulto de seu pai e mantém um vínculo muito forte com o mesmo;
– Ele é corajoso e parece sempre estar pronto para o embate;
– Tem uma meta de vida nesse novo mundo: chegar a ser parecido com Rick;
– É um observador nato. Está sempre observando como as coisas acontecem e tenta achar o exato momento em que as decisões do pai se desdobram em consequências boas ou ruins.

Pontos fracos do personagem:

– É cabeça dura ao extremo e precisa ver para crer;
– É imediatista e deixa que sua imaturidade muitas vezes o domine;
– Perder o pai é perder seu norte, Carl não sobreviveria sem Rick;
– Por sua inexperiência, quando alguém não faz as coisas conforme quer, Carl pode se colocar contra essa pessoa numa espécie de birra infantil e causar desentendimentos e desunião desnecessários – já vimos acontecer com Carol, Daryl e com o próprio Rick diversas vezes.

Após o texto que retratou Rick Grimes, encerramos aqui o segundo texto da série de cinco sobre os sobreviventes do grupo de Atlanta da primeira temporada. Ainda temos Glenn, Daryl e Carol para discutir. Fiquem atentos na próxima semana para o próximo personagem a ganhar seu espaço na série e enquanto o texto não chega, discuta conosco nos comentários sobre Carl Grimes e sua caminhada até o momento.

The Walking Dead, a história de drama mais assistida da TV a cabo, irá retornar com a segunda parte da sexta temporada no dia 14 de Fevereiro de 2016 no AMC (EUA) e na FOX Brasil. Confira todas as informações sobre a sexta temporada e fique por dentro das notícias.

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10ª Temporada

Como The Walking Dead transformou Eugene Porter em um herói

A 10ª temporada de The Walking Dead está mudando Eugene, e para melhor. Confira uma rápida análise do desenvolvimento do personagem.

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Quando você pensa em histórias românticas em The Walking Dead… bem, você pode não pensar em ninguém. O drama pós-apocalíptico nunca se destacou muito nessa área, e parece que para cada ‘Richonne’ ou ‘Gleggie’ há também uma Rosita (Christan Serratos) e o padre Gabriel (Seth Gilliam).

Mas, se você tivesse que escolher a história de alguém, ou alguém para ter um “final feliz” provavelmente escolheria Rick (Andrew Lincoln). Ou Daryl (Norman Reedus), considerando quantas pessoas querem vê-lo com alguém. Em algum lugar, muito, muito abaixo na lista estaria Eugene (Josh McDermitt) – se é que ele faria parte da lista.

A 10ª temporada está mudando isso em Eugene, e para melhor. Eis por que ficamos felizes em ver um lado diferente de “Eugenius”, e por que estamos realmente esperançosos que ele possa conhecer Stephanie.

Tornando Eugene (um pouco) compreensível

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Tudo bem, é provável que sempre vamos precisar de alguém para traduzir o que Eugene está falando. Mas, para além de seu discurso rebuscado e técnico, a 10ª temporada se concentrou nas qualidades relacionáveis ​​do personagem. E, sim, elas existem.

Quer você o quisesse, ou não, com Rosita (Christian Serratos), a verdade é que a maioria de nós em algum momento da vida já gostou de alguém que, no fundo, sabíamos que não tínhamos a mínima chance. Foi um pouco frustrante vê-lo voltar para ela no início da 10ª temporada, uma vez que parecia que eles haviam se estabelecido como amigos na 9ª temporada, mas pelo menos ele lidou com a rejeição dela muito bem.

O ponto é: de repente, Eugene passou a “relativamente relacionável” ali. Agiu de forma madura diante da situação e mostrou que aprendeu a lidar com a rejeição amorosa. Não, a maioria de nós não pode falar como ele ou sequer imaginar em pensar como ele, mas quase todos sabemos o sofrimento da rejeição romântica ou de um rompimento ruim.

À procura de amor em lugares errados

Após Eugene ter se tornado, repentinamente relacionável, ele passou a procurar um novo amor mas não encontrava nada. O pobre rapaz queria alguém, mas parecia que não havia ninguém por perto. Simplificando: Eugene estava tristemente, terrivelmente solitário. E isso é algo que todos já sentimos. Por isso foi tão bom vê-lo se conectar com Stephanie.

De muitas maneiras, a companhia de Stephanie é um potencial novo começo, uma maneira de ele abandonar a bagagem que qualquer outra pessoa nas comunidades teria em relação à ele. Ela não sabe sobre seus crimes passados, seus momentos de covardia ou, talvez o mais importante, o fato de que ele foi perdidamente apaixonado por uma mulher comprometida com amigos seus por várias temporadas. Ela não sabe que ele pode cantar, embora… isso seja uma coisa que pode até acabar ajudando na sua relação. Quem diria que Eugene tinha uma voz tão boa?

Chegando a um acordo com seu passado

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Um bom ponto a citar: foi bom ver Eugene crescendo, superando seus medos e até fazendo as pazes com seu passado. Ao confortar Carol (Melissa McBride) após a batalha de Hilltop, ficou claro que ele sabia como ela se sentia – ele havia sido o “bandido” antes, com Abraham, e depois, quando se juntou aos Salvadores. Foi um diálogo simples e verdadeiro que acrescentou profundidade ao personagem, e esse momento deixou claro que o fato de o programa não estar mostrando os reflexos de Eugene, não significa que ele não está pensando no que fez.

Também, foi bom vê-lo começando a se tornar um lutador. Não que Eugene não tivesse lutado antes, mas estamos vendo isso muito mais nesta temporada: ele lutou ao lado de Rosita em Alexandria e depois defendeu Hilltop com todos os outros. Ele ainda está usando seu cérebro, é claro, mas agora ele está pegando uma arma em vez de se encolher no canto quando as coisas ficam difíceis.

O futuro

Não vou entregar aonde a história de Eugene vai, nem sua jornada para conhecer Stephanie nos quadrinhos, já que é muito possível que o show não vá na mesma direção. Mas a 10ª temporada fez um ótimo trabalho em apresentar seu desejo de encontrar uma companhia com uma emoção que o personagem mostrou merecer, e tem sido incrível vê-lo crescer ao longo desses episódios.

Esperemos que o ex-professor de ciências seja bem-sucedido em sua busca. No mínimo, Stephanie parece gostar dele por quem ele é, o que é uma algo essencial para qualquer relacionamento. E, se realmente há alguém para todos, mesmo no apocalipse zumbi, é melhor que haja alguém para esse gênio tagarela, cujo cérebro é tão poderoso quanto o coração.

O encontro de Eugene e Stephanie deve acontecer no último episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, que não tem previsão de lançamento por conta da pandemia de Coronavírus.

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9ª Temporada

Como o roteiro da 9ª Temporada de The Walking Dead salvou a série do cancelamento?

Analisamos as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica.

Vinícius Castro

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ATENÇÃO! O post a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead. Caso não esteja em dia com a série, não continue. Você foi avisado!

Por mais que doa dizer isso, é inegável que o prestígio alcançado por The Walking Dead em seus primeiros anos pareceu diluir-se com as quase catastróficas decisões tomadas durante a sétima e oitava temporadas da série. Da queda de audiência ao recebimento extremamente MISTO da crítica especializada, o drama zumbi, mesmo tentando mostrar um pouco de fôlego no fim de sua oitava temporada, parecia estar fadado ao fracasso conforme o novo ano entrava em produção.

Unido ao desespero da saída de nomes como Andrew Lincoln e Lauren Cohan da série, a troca de showrunners não pareceu muito positiva em sua primeira recepção – Angela Kang, que veio a substituir Scott Gimple no cargo, chegava acompanhada de um currículo desequilibrado dentro de seus créditos na série. Era este o fim de The Walking Dead?

Respondendo curta e grosseiramente: Sim. Mas não necessariamente o fim da série que uma audiência apaixonada aprendeu a amar no começo da década, mas sim da quase irreconhecível novela de ação que predominou os anos de 2016-2018 sob o mesmo pseudônimo. Angela Kang, em 16 episódios, revigorou uma série que, acredite ou não, estava fadada ao fracasso.

Mas a grande questão é: como ela fez isso com tantos obstáculos? Quais foram as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica? É isto que esta análise audiovisual irá lhe responder hoje.

O TOM

The Walking Dead é uma série dramática de horror, certo? Isso todos já estão cansados de ouvir e ler em todo lugar.

Apesar de nove anos no ar, a série da AMC só conseguiu manter seu público atento e fiel graças ao elemento humano que entregou ao longo de sua trajetória. Conseguir a afeição do público para com a história não depende apenas de vísceras e matança, mas sim de personagens e situações relacionáveis, sentimentais e provocativas. Rick, Maggie, Michonne, Daryl, Carol e todos os outros membros do grupo dos “mocinhos” sempre tiveram isso, e foi a ideia de uma família totalmente disfuncional sobrevivendo no inferno que manteve o público cativo por anos e anos.

Mas o que fazer com uma série que terminou sua oitava temporada tendo seu principal elemento de afeto com o público danificado? Pense bem: apesar do fim da guerra e de todos se unirem para um novo começo, a estrutura familiar e RELACIONÁVEL da série ainda estava danificada – Maggie, Daryl e Jesus até aparecem tramando, de forma risivelmente vilanesca, contra Rick e Michonne no fim do episódio S08E16 – “Wrath” (Ira).

Nas mãos da pessoa errada, as coisas só teriam derrapado a ponto de destruir toda a história para sempre. Lembrem-se: a série estava prestes a perder Rick literalmente 17 episódios depois da morte repentina de Carl. Mas foi aí que Angela Kang entrou e, queira admitir ou não, salvou The Walking Dead.

A primeira mudança da nova produtora-executiva foi trazer um frescor à série: um salto temporal, novas locações, novos ideais e costumes que, aos poucos, foram implementados à franquia. Abraçada num tom WESTERN/HORROR, Kang trouxe ao roteiro da série um senso medieval de imprevisibilidade, testando os instintos de sobrevivência dos personagens em relação ao ambiente e demais “colegas” ao limite – uma ferramenta útil não somente para a construção de mundo, como também para a de personagens.

OS PERSONAGENS

Lembram quando Carl Grimes invadiu o Santuário de Negan, metralhou Salvadores e apareceu dizendo que “toda vida era preciosa” 8 episódios depois? É, infelizmente não foi um surto coletivo, apenas a péssima construção de personagem/roteiro durante a oitava temporada da série.

Angela Kang chegou ao comando de The Walking Dead com este tipo de instabilidade de escrita nas motivações e personalidades dos principais personagens. Teria sido muito fácil usar o salto temporal como muleta narrativa para mudar a essência dos principais personagens do show: se Gimple fazia isso em questão de poucas horas, por que não em um ano, certo? Novamente, a showrunner se sobressaiu e trouxe a tona algumas das melhores construções de personagens da história da série.

O destaque da temporada neste quesito fica por conta dos fantasmas da guerra contra Negan que a showrunner e seu ótimo time de roteiristas usaram na hora de não somente definir o estado do seu elenco, mas de situá-los em arcos próprios e conjuntos.

Em cinco episódios, Kang fez com que as trajetórias de Rick e Maggie tivessem mais consistência do que os 16 da oitava temporada – que viveram em tropeços e mudanças bruscas de comportamento. Em uma temporada completa, Michonne, Carol e Daryl evoluíram o equivalente a 6 anos (literalmente): de decisões a ações, o trio “protagonista” da era pós-Rick passou de personagens que sustentavam-se pelo carisma de seus atores a nomes de peso e extrema relevância.

O elenco coadjuvante, por sua vez, também não fica para trás: Ezekiel, Anne, Enid, Negan, Henry, Jesus e tantos outros personagens sobem na escala narrativa e recebem um real propósito. E mesmo aqueles que perdem espaço de tela devido às mudanças necessárias para a limpeza da casa (Rosita, Tara, Cyndie, Gabriel, Siddiq, Alden), ainda assim possuem uma história palpável, que geram consequências e fogem do corriqueiro “filler” de anos anteriores: não há mais exaustivas reflexões existenciais que não levam a lugar nenhum.

Entrando como um experimento e conduzindo os telespectadores a nova era pós-Rick do show, é impossível sair sem comentar um dos maiores trunfos do ano: a chegada de novos personagens. Ao adicionar novos rostos no time principal e mesclá-los em tramas relevantes e de primeiro escalão, o roteiro fez com que o ar de “protagonismo definido” da série se dissolvesse de vez e estreasse um senso de assembleia como nunca antes visto: Magna, Yumiko, Luke, Connie, Kelly e Lydia (além dos Sussurradores, que serão abordados mais a frente) acolhem novas facetas de personalidade, representatividade e, principalmente, conceito.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P1 (EPISÓDIOS 1-5)

PRÓLOGO OU EPÍLOGO?

Angela Kang chegou para trabalhar na nona temporada com uma bagunça gigantesca para lidar em suas mãos. Não apenas as saídas de Rick e Maggie deveriam ser feitas com real propósito, como todas as sementes pelo final da storyline de Negan e Os Salvadores deveriam cultivar consequências reais para não passarem de desperdício – o que, infelizmente, foi a percepção de muitos daqueles que desembarcaram da jornada ao longo dos anos 7 e 8.

Mudando totalmente o tom e se apegando ao que fez as primeiras temporadas da série um sucesso, a nova showrunner e seu esquadrão delimitaram The Walking Dead de volta ao básico: um drama sobre uma família disfuncional vivendo no apocalipse zumbi. O grande diferencial aqui estava no contexto que esta história seria inserida: agora eles não querem apenas sobreviver, mas VIVER neste mundo. Criar laços. Uma sociedade de verdade. E é aí que está o maior acerto de todos.

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A New Beginning” é o primeiro episódio da história da série sob a tutela geral de Angela Kang. Da abertura ao encerramento, várias das facetas estilísticas da roteirista são empregadas com sucesso, desencadeando em uma série de conceitos que há anos The Walking Dead não conseguia ver: dos diálogos humanos e sem reflexão/exposição barata ao comportamento coletivo do grupo, todos os minutos aqui importam e o foco está novamente nos personagens e no modo que estes contemplam sua existência, objetivos e relações diante os desafios de uma sociedade caída.

Dentro desta cadeia narrativa, Rick Grimes e Maggie Rhee tornam-se os principais protagonistas da história, abrindo uma trama política densa sobre suas lideranças e os modos distintos de viver após a queda ditatorial de Negan. Apesar de discordarem em inúmeros parâmetros, o que poderia ser uma briga novelesca dos anos anteriores dá espaço a um debate ideológico esclarecido e bem resolvido entre dois ótimos personagens com percepções distintas e semelhantes nos mesmos níveis – ambos querem construir um bom futuro para seus filhos (Hershel Jr. e Judith Grimes) em honra da memória de pessoas amadas (Glenn Rhee e Carl Grimes).

O grande trunfo aqui, todavia, está no modo como toda reação gera uma consequência impactante não apenas para os personagens, mas para a história geral; Um exemplo: o enforcamento de Gregory leva Oceanside a buscar justiça com as próprias mãos, que levam Maggie e Daryl a burlarem o acordo com Rick e Michonne quanto ao destino de Negan. Nada mais é por acaso. Ações possuem peso e impactam os personagens, motivações e anseios.

Após sumirem e perderem relevância por mais de dois anos, esta nova fase de The Walking Dead também trouxe de volta os zumbis como um ponto além de ferramenta estética para mortes satisfatórias repletas de gore.

Quase como piada, as criaturas, quando não em bando, são usadas em momentos específicos para mostrar a falta de perigo aos sobreviventes neste ponto do apocalipse – no primeiro episódio, Siddiq se assusta mais com as aranhas saindo de uma das criaturas, do que com a própria. O curioso é que, apesar de parecer gratuito no começo, o roteiro é sagaz para conduzir um pensamento errôneo em relação aos mortos-vivos, que mais tarde – na mesma temporada – receberão um “twist”. Novamente, causa e consequência estão sempre andando lado a lado.

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No saldo final, os cinco primeiros episódios constituem um pequeno epílogo para a história contada durante os 8 primeiros anos de The Walking Dead. Angela Kang, com maestria, conduz uma pequena temporada que serve como o final real de um grande capítulo. A saída de Rick, em “What Comes After“, é a maior prova disso, carregando um ar de series finale em toda a sua épica escala – que carrega muito mais que simbolismo barato, condensando uma reflexão profunda e um admirável estudo de personagem. E, é claro, a ironia de Rick partir na mesma ponte que começou a construir no começo da temporada é apenas outro exemplo de causa e consequência no seu ápice.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P2 (EPISÓDIOS 6-16)

Seja motivo ou piada para fingir choque, saiba que um formato estrutural padrão de filmes de 2h foi aplicado no decorrer de, literalmente, 32 episódios completos de 50 minutos durante os anos 7 e 8 de The Walking Dead.

Mas o que importa é que águas passadas não movem moinhos, certo? Quase! E se alguém lhe contasse que a nona temporada e a sétima são, em partes, literais espelhos uma da outra? Pois é. A diferença aqui é o modo como ambas as formas estruturais foram idealizadas e abordadas pelos executores, e como uma falhou miseravelmente, enquanto a outra alcançou prestígio.

Com todas as peças posicionadas e prontos para começarem de vez uma série totalmente nova, Angela Kang e seu time de roteiristas tinham como real propósito reintegrar uma audiência geral a um começo ainda mais novo que aquele de seu prólogo/epílogo de 5 capítulos.

Who Are You Now“, embora não aparente, possui um dos roteiros mais importantes de todo o currículo da série. O motivo para esta denominação vem do ponto abordado no parágrafo anterior: a reintegração da audiência em relação ao universo. O episódio 06 serve, praticamente, como o piloto de uma nova The Walking Dead: há um novo tom, uma nova perspectiva e, é claro, novos protagonistas.

Escrito por Eddie Guzelian, o capítulo segue um molde fora do comum para este mesmo período em temporadas passadas. De forma fluida e coesa, personagens, situações, mistérios e sementes de arcos são plantados no decorrer de seus 50 minutos de duração.

O maior mérito, todavia, aparece com a forma escolhida para unir este emaranhado: Angela Kang (e Guzelian) estabelece(m) um monólogo para Michonne logo no início do capítulo – o famoso “cold opening”, antes da abertura – para relembrar a audiência de que este ainda é o mesmo universo, mas que, apesar de todos os fantasmas ainda assombrarem a vida dos sobreviventes (Daryl, Mich e Carol, particularmente), agora o foco é seguir em frente. Abre-se espaço então para um contraste muito bem construído entre o grupo liderado por Magna e, é claro, a pequena Judith Grimes, agora crescida, que exploram uma nova Zona Segura de Alexandria, e o Reino de Ezekiel, que parece estagnado aos mesmos personagens – apesar de um Henry 6 anos mais velho – e a um passado de ruínas, que estão desmoronando aos poucos.

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Após um longo foco na segurança dos muros e na estabilidade da vida nesta nova era, Kang apresenta um mistério feito com timing construído de forma crescente e bem conduzido: afinal, como todo o resto da série, estariam os zumbis evoluindo também? Permeando por três episódios (6,7 e 8), a ameaça dos doentios Sussurradores resgata um clima de terror nostálgico das décadas de 60 a 80, trazendo as criaturas sanguinárias de volta ao patamar de perigo extremo. Com a ajuda de David Leslie-Johnson, conhecido pelo universo da franquia “Invocação do Mal”, The Walking Dead entra num território de terror/suspense/horror há tempos não explorado, e faz isso com sucesso.

A revelação proposital da ameaça, feita com a morte inesperada de Jesus, só é chocante graças ao ótimo trabalho feito pela construção do roteiro – unido, é claro, ao poder da direção, que será abordada em um artigo futuro.

E é neste ponto que a comparação feita no início deste tópico começa a fazer sentido: a sétima e a nona temporada são, em essência, idênticas. A grande diferença está na escrita, que nas mãos do novo time entrega um desenvolvimento árduo e equilibrado de causa e consequência.

A introdução de Alpha, por exemplo, é feita de forma tão sádica e misteriosa quanto a de Negan: mas enquanto este foi ameaçador por apenas dois episódios, a vilã de Samantha Morton fez jus ao manto de antagonista do episódio 9 ao 16, mesmo estando ausente na maior parte destes. A aura sinistra do grupo foi trabalhada a fundo em seu conceito, mas não só em seu lado psicológico ou sádico: o temor de encontrar uma horda sem saber se é de “mortos”, por exemplo, permeia até os últimos minutos da season finale, “The Storm“. Há um equilíbrio na sensível escrita da nova showrunner, e é isto que levou a segunda parte da nona temporada às listas de mais memoráveis da série inteira.

E para finalizar esta notável amostra de boa-condução narrativa da temporada, há de se comentar sobre duas pérolas do nono ano, e dois dos melhores episódios da história da série: “Scars” e “The Calm Before“. Duas entradas COMPLETAMENTE DISTINTAS em termos de narrativa e condução, mas com poder relativamente igual em termos de desenvolvimento, ação, consequência e impacto.

“Scars”, escrito pela estreante Vivian Tse, é o 14º episódio da nona temporada e aproveita a recente introdução da personagem Lydia para trazer à tona lapsos de eventos do período que marcou o salto temporal de seis anos.

Praticamente protagonizado por Michonne, os 45 minutos contrastam o sentimento de culpa e temor da personagem pela perda/desaparecimento de sua filha no passado e presente, que acaba fora dos muros e em perigo graças a decisões tomadas de cabeça quente e por falta de conversa.

O poder da escrita nesta entrada não está apenas no desenvolvimento da personagem de Danai Gurira, que é excepcional, mas sim no modo como lida com as consequências da busca pela garota: em ambos os casos, Michonne foi obrigada a passar por um teste psicológico que a muda para sempre. No primeiro, que é chocantemente visceral, é forçada a matar um grupo de crianças, enquanto no segundo, é forçada a se abrir pela primeira e vez e desabafar sobre seus sentimentos com a filha, o que nunca foi fácil para a guerreira.

No fim das contas, “Scars” resgata o senso de uma história conduzida por personagens humanos, e não por ações ou prescrições dos quadrinhos.

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Já “The Calm Before”, escrito pela dupla Geraldine Inoa e Channing Powell, é o típico episódio evento de The Walking Dead. Ou melhor: o típico episódio evento feito da maneira certa.

Em um ponto crítico a ser adaptado das HQs de Robert Kirkman, Kang orienta o roteiro de Inoa e Powell usando uma técnica de “bomba-relógio”: enquanto a feira ocorre normalmente no Reino para unir as comunidades, Alpha se infiltra no local, onde passa a analisar friamente o comportamento dos sobreviventes e seu senso organizacional. Apesar de sua construção lenta, o senso de instabilidade é presente durante toda a projeção, e o pagamento entregue no último ato é desolador e excruciante em inúmeros níveis: 11 personagens conhecidos do público são decapitados e expostos em estacas na delimitação de território dos Sussurradores.

O evento é grotesco e tão bem executado que, quando acontece, mantém um ar de desconforto e luto que honra o fato de “The Calm Before” perambular entre os 15 episódios mais bem avaliados da história da série de acordo com o IMDB.

SALDO FINAL

É óbvio que ainda existem algumas pequenas falhas aqui e ali, mas isso faz parte do universo da escrita televisiva. Pequenos problemas de senso geográfico, por exemplo, são esquemas difíceis de buscar desvio desde os primórdios de Walking Dead, e por isso já soma muito mais como uma licença poética neste atual ponto.

No fim das contas, The Walking Dead revigorou-se e finalmente se encontrou depois de tantos anos no ar. Agora resta torcer para que Kang continue a trabalhar personagens, conceitos e trama a altura de seu potencial como showrunner – pois, se isso for um indicativo, a série ainda pode entregar um satisfatório final.

A primeira parte da 10ª temporada de The Walking Dead chega no Brasil a partir de domingo, 6 de outubro, às 22h, no FOX Channel.

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The Walking Dead 10ª Temporada: Quem é Dante?

Dos quadrinhos para a TV: Conheça Dante, o novo personagem da 10ª temporada de The Walking Dead.

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Sabemos que The Walking Dead segue muito da história contada nas HQs, mas também dá suas escapadas para adaptar o roteiro em determinadas ocasiões. Personagens que morreram nos quadrinhos estão vivos na série – e vice-versa -, e até pessoas que não existem na história impressa são introduzidos, e com muito sucesso, no show da TV – caso de Daryl.

No entanto, a 10ª temporada vai apresentar aos fãs da produção da AMC um personagem que participou do arco dos Sussurradores nas HQs. O ator Juan Javier Cardenas foi escalado para interpretar Dante, e vamos falar aqui o que esperar do novo personagem.

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DANTE NAS HQs

Dante é introduzido na edição de número 131 dos quadrinhos e participa do confronto entre as comunidades e o grupo de Alpha e Beta. Ele é um jovem híspano-americano brincalhão, e suas palhaçadas muitas vezes incomodam os outros. Apesar do jeitão sarcástico, ele é extremamente leal à Hilltop, especialmente à líder, Maggie Rhee.

A lealdade logo torna Dante uma espécie de braço-direito da viúva de Glenn. O jeito tranquilo também dá ao personagem uma vocação para liderança, mas essa tranquilidade é colocada à prova quando ele fica cara a cara com os vilões e é sequestrado. Os Sussurradores, então, costuram um acordo com Hilltop para recuperar Lydia, filha da líder Alpha, em troca do rapaz.

Após a troca, é Carl quem foge atrás de Lydia, e Dante acompanha Rick em busca dos pombinhos. Dante também estava presente quando os sobreviventes encontram as vítimas das estacas.

DANTE S2 MAGGIE

Ainda nas HQs, quando Jesus lidera um grupo de ataque no confronto contra os mascarados, Dante fica para trás para proteger os membros que permaneceram em Hilltop, e aproveita a oportunidade para revelar seus sentimentos por Maggie. A líder prontamente o rejeita. Logo depois, ele é enviado para defender a comunidade, que acabara de ter suas paredes derrubadas pelos Sussurradores.

Os danos causados pelo grupo mascarado é praticamente irreversível, e os moradores são forçados a se mudar para Alexandria, onde o romance entre os dois finalmente desabrocha. O destino final do personagem, no entanto, é desconhecido. No salto temporal apresentado na última edição das HQs, Maggie é apresentada como presidente da comunidade, mas Dante não aparece no volume.

Vale lembrar que, na série de TV, Lauren Cohan, que interpreta Maggie, está vivendo na comunidade de Georgie (Jayne Atkinson), e deve voltar para Hilltop nesta temporada. Será que a chegada de Dante será usada como gancho para o retorno da líder? Se eles voltarem juntos, já será como um casal?

O QUE ESPERAR DA 10ª TEMPORADA

Esta será a primeira temporada completa de The Walking Dead que não contará com seu principal personagem, Rick, já que Andrew Lincoln ficou até o quinto episódio do nono ano. Além disso, Michonne está de saída da série porque Danai Gurira decidiu deixar o show, mas ainda não se sabe seu destino.

Com isso, a introdução de novos personagens pode (e deve) dar um novo fôlego à trama. Dante tem um papel interessante nos quadrinhos, sendo muitas vezes um alívio cômico na história. Será que ele entrará como um personagem de relevância, que vai exercer alguma liderança nas comunidades?

“…em nosso mundo, o contexto é um pouco diferente e ele (Dante) terá um papel importante na história de Alexandria. Então estamos empolgados com isso.”, contou a showrunner Angela Kang no mês passado em entrevista para a Entertainment Weekly.

Outra possibilidade é o crescimento de personagens outrora secundários. Eugene (Josh McDermitt), Rosita (Christian Serratos), Siddiq (Avi Nash), Padre Gabriel (Seth Gilliam), entre outros, podem ter suas histórias expandidas com a entressafra de protagonistas, e Dante entraria mais como uma figura que será desenvolvida até ganhar determinado destaque.

Aguardemos o início da décima temporada de The Walking Dead, marcado para o dia 6 de outubro.

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