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Entrevista

Greg Nicotero fala sobre o futuro de The Walking Dead e o sucesso do Halloween Horror Nights

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Em notícia que provavelmente não surpreendeu ninguém, AMC anunciou na última terça-feira que “The Walking Dead” foi renovada para uma quinta temporada. Indo ao ar nas noites de domingo nos EUA, a série de apocalipse zumbi teve uma marca de 20,2 milhões de telespectadores na estreia da quarta temporada, número esse que quebrou recorde de transmissões à cabo não relativas a esportes.

Bem no meio desta cultura zumbi pop está Greg Nicotero, um guru de efeitos em maquiagem, diretor e produtor executivo da série.

Em 1988, Nicotero foi o co-fundador da KNB EFX, um estúdio popular de efeitos especiais para filmes e TV e foi a caminho de estabelecer uma reputação em Hollywood.

Bem antes de se juntar a Robert Kirkman, criador do HQ de The Walking Dead, e a Frank Darabont, criador da série de TV, Nicotero lançou sua carreira como estudante de ícones zumbis como George A. Romero e Tom Savini.

Nicotero, que ainda comanda a KNB, agora se envolveu com negócios de parque temático, atuando como consultor para a atração de “Walking Dead” do Universal Studios Orlando em seus eventos chamados de Noites de Horror de Halloween (Halloween Horror Nights), também representado em parte no Universal Hollywood.

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Pouco antes de oficializar as notícias sobre a quinta temporada, Greg Nicotero falou com a CNN por telefone para discutir sua visão externa sobre o futuro de “The Walking Dead”, a atração do parque temático e os tributos que ele esconde nos episódios que dirige.

CNN: Tendo falado com você antes, ficou aparente que você está sempre se empenhando para aprender novas técnicas. No que você se vê percebendo para o futuro do show?

Greg Nicotero: Agradeço por dizer isso, pois toda temporada em que vejo a série sempre estou analisando a resposta do público, o que gostam, o que penso ter acertado e o que ainda pode ser melhorado. Uma série como “The Walking Dead” nos dá essa oportunidade de melhorar a aparência e performance dos walkers. Temos a oportunidade de brincar com esses conceitos, com o design, as esculturas e formas. Todo ano podemos fazer isso e é empolgante.

CNN: Quais novos conhecimentos você adquiriu para levar “The Walking Dead” adiante?

Nicotero: Quando se faz algo para um filme, quando termina a filmagem, você remove as próteses e as joga fora. Para esses caras (da Universal Orlando), eles constroem isso com um pensamento totalmente diferente. Eles fizeram coisas que eu fiquei “Nossa, isso é realmente inteligente. Queria ter pensado nisso.”

Por exemplo, eles colocarão ímãs nos dentes e ímãs nas próteses, para que os dentes não grudem nos dentes do ator, mas os dentes se acomodam no interior da prótese. Assim não é necessário que se coloque dentes customizados a cada performance. Isso funciona muito bem pois não é necessário se preocupar, para background, em colocar dentes em todos.

CNN: Conforme a série progride a cada temporada e se torna cada vez mais um sucesso, há pressão pelas pessoas esperarem mais da série e por ela estar recebendo atenção adicional?

Nicotero: Acredito que coloquemos a pressão sobre nós mesmos para subir o nível.

Andy Lincoln e eu tivemos muitas conversas sobre isso – sobre nosso compromisso com a série, nossa paixão e compromisso com os fãs. Estou realmente orgulhoso da quarta temporada e o caminho que a série está tomando. O fato de telespectadores terem respondido positivamente é recompensador pois pensamos muito para ter certeza que a série cresça e suba de nível a cada temporada. Somos todos criativos e pessoas apaixonadas – cada membro da equipe, incluindo os atores, querem que fique melhor.

Quem move nossa série, Scott Gimple, é em primeiro lugar, um fã, e também um grande escritor, então sinto como se todos nos desafiássemos. Não sei se “pressão” é a palavra certa, mas sentimos uma obrigação de continuar com uma ótima série.

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CNN: Quando a Universal teve o primeiro contato com você sobre levar “The Walking Dead” a um parque temático, houve alguma hesitação?

Nicotero: Não, para falar a verdade, foi bem o oposto disso. A séria vem atraindo uma base significante de fãs, e o que me interessou nessa colaboração foi dar aos fãs um pouco mais de uma experiência interativa. O que a Universal Orlando vem sendo capaz de fazer é colocar fãs diretamente no meio da experiência.

Você anda pelos corredores da prisão, vê o celeiro do Hershel, todos esses momentos excitantes. É como as paradas de sucesso da série. Poder fazer isso é um esforço empolgante.

CNN: Houve uma preocupação sobre controle de qualidade a respeito dos zumbis do parque serem baseados no seu design mas você não estar lá para lidar com isso diretamente?

Nicotero: Não estou lá diariamente, mas interagi e tive conversas com Mike Aiello e seu time criativo a respeito de todas as peças que fizemos na KNB EFX. Eles replicaram muitas das coisas que fizemos. Em poucas instâncias, como com os “bichinhos de estimação” da Michonne, eu enviei verdadeiras próteses usadas na série para que seus escultores pudessem duplicar, o mais próximo possível, o trabalho que fizemos na série. Eu fui realmente envolvido na qualidade.

CNN: Qual você acha que é o encanto dos visitantes do parque ao passarem pela atração de “The Walking Dead”?

Nicotero: Sou um fã de filmes. Voei ao vinhedo de Martha para ver onde filmaram “Tubarão”. Fui ao shopping de Monroeville onde filmaram “Madrugada dos Mortos”, visitei a escada onde o Padre Karras cai em “O Exorcista”. Eu sou aquele cara que vai a essas locações por me conectarem ao material que eu tanto amo.

É o que todos fazem quando vão à Universal. Vão se conectar à experiência, e agora sabem como é estar no set de “The Walking Dead”. Fãs procurarão por essas experiências.

CNN: O sucesso de “The Walking Dead” tem somado consciência ao trabalho de George Romero, ou você sente que precisa encorajar as pessoas a olharem lá atrás, em “A Noite dos Mortos-Vivos” e seus outros filmes?

Nicotero: Eis uma grande questão e fico feliz que tenha perguntado.

Eu vi George há umas duas semanas em Los Angeles em uma apresentação do aniversário de 30 anos de “Dia dos Mortos” e eu não o via há uns dois anos. Este homem, na minha opinião, é um gênio.
Ele foi o cara que me trouxe para este negócio. “Madrugada dos Mortos” e “Tubarão” disputaram a posição de filme número um que eu amei, e que me influenciaram. Antes de 1968 (quando “Noite dos Mortos-Vivos” estreou), zumbis eram referidos a personagens de vudu, nem sendo um morto-vivo, mas estando sob feitiço. Ele criou um novo ser, eles voltaram dos mortos, comem carne dos vivos e é preciso atirar em suas cabeças para mata-los.

Até onde penso, “The Walking Dead” não existiria sem George Romero… o HQ de Robert Kirkman é, na verdade, uma carta de amor a George Romero. Seus filmes quebraram tantas barreiras que influenciaram caras como eu, Robert Kirkman e Darabont.

CNN: Agora você está como frequente diretor de “The Walking Dead”, como isso te faz pensar diferente sobre seus trabalhos passados com efeito?

Nicotero: Eu penso nas coisas de forma diferente pois eu subi no rank dos efeitos de especiais de maquiagem no mundo. Quando dirijo episódios agora, o que é legal é que insiro pequenos tributos.
Fizemos um camafeu (pedra formada por duas camadas de cores diferentes, numa das quais se grava uma figura em relevo) do zumbi do aeroporto de “Madrugada dos Mortos” com a camisa xadrez do episódio 15 no ano passado. Eu pude colocar essas pequenas piadas internas e adoro fazer isso. Estou dirigindo o episódio 15, e estou colocando alguns tributos.

O que mais adoro é que venho fazendo isso há 30 anos e cada dia que chego no trabalho ainda aprendo algo novo. Com certeza é a posição definitiva, criativamente, para mim.


Fonte: CNN
Tradução: Gabriel Kenpachi/ Staff Walking Dead Brasil

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