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Entrevista

Darabont Fala Sobre L.A. Noir e Demissão de Walking Dead

Rafael Façanha

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Frank Darabont ficou quieto desde que foi demitido de The Walking Dead no verão passado – mas agora ele tem algo para falar a respeito.

Fãs de The Walking Dead ficaram chocados ano passado quando, poucos dias depois de aparecer na Comic-Con, a diretoria cortou laços com o produtor executivo Darabont (que teve um substituto à altura: o produtor veterano Glen Mazzara). Tanto Darabont quanto a AMC se recusaram a discutir os motivos para sua demissão na época, mas se acredita que o centro dos problemas foi o orçamento.

Mas a experiência não deixou Darabont – mais conhecido como o cineasta por trás de “Um sonho de liberdade” e “À espera de um milagre” – “azedo” com a televisão. Depois de devorar uma cópia do livro de não-ficcção de John Buntin, L.A. Noir: The Struggle for the Soul of America’s Most Seductive City, Darabont entrou em ação.

Até ele se surpreendeu com o quão rápido L.A. Noir foi criada. Ajudou que seu velho amigo Mike De Luca detinha os direitos legais do livro para a TV e para o cinema. E enquanto armava o seriado para a TNT, ele rapidamente descobriu que o chefe de programação do canal, Michael Wright, também compartilhava de sua paixão por noir. (A literatura noir refere-se ao gênero policial, caracterizando-se por muito suspense e mistério. As histórias geralmente são ambientadas em cenários considerados “sujos”, tanto no sentido real quando no figurado. Os elementos básicos do gênero são o detetive cínico e sarcástico, personagens moralmente ambíguos, mulheres bonitas e traiçoeiras, as “femmes fatales” e policiais, podendo ser corruptos ou não.)

Semana passada, a TNT deu ordem para que fosse gravado o piloto de L.A. Noir, que começará a ser gravada em abril. O seriado se inicia em 1947 e é centrado em Joe Teague, um policial de Los Angeles que está preso numa zona moral “cinza”, entre os mais notórios gansgters e a força policial corrupta da cidade. Pessoas que existiram na vida real, como o instável chefe do departamento policial de LA, William Parker, e o famoso chefe da máfia, Mickey Cohen, misturam-se aos personagens fictícios da história.

Em sua primeira entrevista sobre o novo projeto, Darabont falou com a TV Guide Magazine sobre a criação de L.A. Noir. E pela primeira vez, Darabont falou sobre sua saída de The Walking Dead, incluindo porque ele acha que foi forçado a sair, e como isso não foi fácil para ele.

TV Guide Magazine: A respeito de abordar o noir, como você descobriu esse livro específico?

Frank Darabont: Durante a minha vida toda, eu adorei o noir, e sempre quis entrar nessa área de contar histórias. Sou um grande devoto de Raymond Chandler, motivo pelo qual eu atualmente comprei esse livro na livraria do LAX quando estava prestes a entrar no avião. Parecia ter tudo a ver comigo. Eu o li durante o vôo, e então, no dia seguinte, não conseguia mais adiar. Quando voltei da viagem, liguei para o meu agente para descobrir se os direitos legais estavam disponíveis e soube que pertenciam a Mike De Luca [antigo presidente da New Line], que eu conhecia desde 1986. Então, liguei para o Mike e disse, “O que você acha de fazermos isso?” Ele disse “Não sei, você quer produzir a série comigo?” E “boom”, foi fácil assim.

TV Guide Magazine: Isso parece ótimo. É raro que um projeto possa ser criado tão rápido e com tanta facilidade assim.

Darabont: Eu sei, não é ótimo? A estranha confluência de boa sorte se estendeu ainda mais para que Mike tivesse uma reunião para ir e falasse com Michael Wright da TNT, e isso mal saiu da boca dele quando Michael disse, “Eu quero fazer isso.” É um livro que ele já leu porque também é obcecado com essa era e esse gênero. Ele conhecia o livro intimamente e estava citando trechos durante a reunião. Deveria sempre ser fácil assim. Nem sempre é, mas dessa vez foi excelente.

TV Guide Magazine: Conte-me sobre sua adaptação do L.A. Noir. Qual é o foco, e quem são os personagens principais?

Darabont: Vai ser divertido fazer isso, tecer essa tapeçaria de personagens. O primeiro que eu criei, que é uma invenção minha, é um personagem chamado Joe Teague, que era da força policial. E ele está preso naquela cena moral “cinza” entre os William Parkers e os Mickey Cohens do mundo. E que zona ótima e divertida de se estar. Preso, como ele diz, entre os chapeis brancos e pretos.

TV Guide Magazine: Há um monte de gente que poderia argumentar que o Parker era mais vilão que Cohen.

Darabont: Sim, ambos são personagens muito interessantes e complexos. Mickey Cohen, na verdade, talvez não tanto. Ele era um homem de mente estreita, mas Parker, sim, é um cara muito interessante.

TV Guide Magazine: Como você fará um equilíbrio entre os personagens da vida real e os fictícios?

Darabont: Acho que isso ainda está pra ser determinado. Eu me concentrei em escrever o roteiro do piloto e tenho alguns arcos a serem desenvolvidos posteriormente na minha cabeça, os quais poderiam abranger a primeira temporada. Certamente, Mickey Cohen, Bugsy Siegel e William Parker serão componentes vitais disso. Mas onde exatamente ocorre a mistura, é um trabalho ainda a ser desenvolvido. Joe Teague é o guia do piloto, ele será um modo bom de adentrar nesse mundo. E o que é um bom noir sem uma grande dama noir? Eu definitivamente tenho uma idéia em mente para uma namorada muito, muito complicada para o Joe. Não é exatamente um cenário em que os dois personagens estejam destinados a ficar juntos eternamente, mas definitivamente haverá calor na situação, eu acho.

TV Guide Magazine: Você vai incorporar eventos e crimes da vida real nessa mistura também?

Darabont: Ah, sim, há muitas idéias a serem desenvolvidas. O livro não pôde lidar com todas elas, claro, e de qualquer maneira seria um desvio do assunto. Mas para uma série televisiva dramática, há muitos tipos de coisas, muitos tipos de avenidas que podemos atravessar. Uma coisa sobre a qual estamos falando e na qual estou tremendamente interessado é em como andava a cultura afro-americana em L.A. naquele tempo. Não havia motivos para o livro se aprofundar nisso. Como estava a cultura hispânica em L.A. naquela época? Como isso se liga ao mundo da máfia, de que lado daquela cerca? 1947 foi, de fato, o ano da Dália Negra. Estou realmente ansioso para partilhar dos conhecimentos de John Buntin, agora que tenho um bom motivo para isso. Tinha de haver coisas em sua pesquisa que ele deixou de fora, coisas maravilhosas que ele deixou de lado simplesmente por estar escrevendo um livro e ter de ser editorialmente seletivo.

O piloto ocorre em 1947, é um maciço estrondo pós-guerra em que os soldados retornam e se assentam aqui porque vão voltar para a fazenda em Detroit. Um pouco de Joe Teague é baseado em um cavalheiro que morreu em 1922, mas ele foi pai de um dos meus melhores amigos. Ele lutou no Pacífico e originalmente era um dos pobres da favela de Detroit e foi mandado para a guerra e, quando voltou, ficou em Los Angeles como muitos outros fizeram. Esse é um mundo interessante porque a cidade inteira está sendo reinventada. The Valley está sendo arrancado pelas raízes e está se transformando em uma habitação. Havia muita coisa acontecendo naquele tempo.

TV Guide Magazine: Você pode falar mais sobre algum outro personagem importante?

Darabont: Há um ótimo personagem chamado Hecky Nash. Não vou dizer muito sobre ele, mas definitivamente é uma peça chave do piloto. Ele possui um pequeno plano que pode ser um retrocesso e pode amarrá-lo à máfia. Esse será um papel incrível para alguém. Já temos algumas pessoas em mente, um ator em particular. Cruze os dedos, pois ele é um grande ator e eu adoraria tê-lo para o piloto.

TV Guide Magazine: De onde saiu a idéia de adaptar uma não-ficção e misturá-la com ficção?

Darabont: Isso me deu trabalho por um momento, porque eu tendo a ser muito fiel quando faço adaptações. Se você conferir as obras de Stephen King que eu adaptei [“Um sonho de liberdade” e “À espera de um milagre”], os filmes tendem a ser bastante fiéis, ainda que você reconstrua a história que tem para fazê-la funcionar na tela. Eu pensei, ainda que o livro seja excelente, é um documento histórico. E é tremendamente envolvente, mas ainda é não-ficção. Eu achei que pudesse correr o risco de ser um sério e bem-intencionado documentário de ficção. Eu lutei com isso um pouquinho, e tive a sensação que era melhor dar a mim mesmo a permissão de inventar, e já vi isso ser feito muito bem em outros projetos televisivos, inventar personagens fictícios que nos guiem por uma paisagem não-fictícia, e eu achei que estaria em uma posição forte. Eu realmente quero desenvolver um seriado que esteja à altura do título. L.A. Noir é um determinado tipo de seriado que está na minha imaginação. O livro sempre é meu guia, é claro, mas será muito divertido misturar fato e ficção.

TV Guide Magazine: Mais recentemente, Boardwalk Empire conseguiu combinar fato e ficção com sucesso.

Darabont: Exatamente, Boardwalk fez isso muito bem. E uma das minhas minisséries favoritas é Roma, que inventou esse maravilhoso conjunto de personagens fictícios inseridos em eventos verdadeiros e fez um trabalho tão bonito. Essa é mais ou menos a abordagem que teremos. Nós não queremos ser limitados pelos fatos, pois nunca queremos abusar dos fatos, mas também não queremos correr o risco de ser uma coisa “seca”. Queremos que seja um drama divertido, brilhante e vibrante.

TV Guide Magazine: As pessoas já estão familiarizadas como histórias noir da vida real, como Dália Negra.

Darabont: Será realmente divertido trabalhar com personagens reais também, os Mickey Cohens, os Bugsy Siegels e os William Parkers, e trazer toda essa coisa. Será tremendamente divertido tecer essa tapeçaria. Parece novo e excitante para mim.

TV Guide Magazine: Além disso, vocês poderão filmar no centro de Los Angeles, em alguns locais que permaneceram intocados desde aquela era.

Darabont: Ah, meu irmão, será que eu posso dizer como estou animado em filmar na minha cidade natal? Todos no projeto até agora, e eu tenho muitos dos meus amigos mais confiáveis e valiosos saltando a bordo dessa coisa toda, estamos todos muito animados. E ainda há esse bônus tão legal, ninguém consegue superar o fato de que, ei, vamos filmar em L.A. Vamos poder dormir nas nossas próprias camas à noite. Isso vai ser maravilhoso. Isso se tornou cada vez mais raro com o passar dos anos. Agora, parece que ganhamos na loteria, caramba, vamos poder filmar em casa!

TV Guide Magazine: É certamente uma raridade, especialmente por se tratar de um drama para a TV a cabo. Até no filme “Batalha de Los Angeles”, Louisiana foi dublê de Los Angeles.

Darabont: Isso seria extremamente difícil. Nós não vamos passar Shreveport ou Atlanta como Los Angeles naquela época. O que está no distintivo do departamento policial de Los Angeles, é o centro, o City Hall, é o que Curtis Hanson capturou de um modo tão bonito em L.A. Confidential.

TV Guide Magazine: L.A. Confidential capturou aquela era perfeitamente. Há algum outro trabalho que inspira você a produzir L.A. Noir?

Darabont: Mas que filme incrível. Eu elogiei Hanson pelo filme todas as vezes que o vi. Há particularmente outro que eu amei que poucas pessoas conhecem chamado “Confissões verdadeiras”. Robert Duvall, que estava brilhante nesse filme, Robert DeNiro, Charles Durning. É um filme maravilhoso. Um elenco fantástico, um filme maravilhoso, alcançou um nível alto. Acredito que foi Ulu Grosbard quem o dirigiu. Estou alugando uma casa aqui na praia por alguns meses, e há rumores de que Robert Towne escreveu Chinatown nessa casa. Eu só descobri isso no dia que terminei de escrever o roteiro, na noite de ano novo. Independente de ser verdade ou não, eu prefiro acreditar que seja verdade.

TV Guide Magazine: Quando você começa a escalar o elenco e a gravar?

Darabont: Estou muito ansioso para fazer isso. Estou preparado. Eu planejo gravar em abril. E acho que está tudo certo com Michael [Wright]. Ele é muito gentil, quer nos dar todo o tempo de preparação que for possível. Mas especialmente em nossa cidade natal, não será uma preparação tão maciça. Na verdade, estou querendo um pouquinho menos de tempo do que ele estava pensando. Estou pronto para começar em abril, querido, vamos fazer isso.

TV Guide Magazine: O que te fez decidir voltar para a TV tão cedo?

Darabont: Eu adoro o médio prazo. Eu adoro ter terminado o roteiro na noite de ano novo e que já tenhamos recebido sinal verde e que planejemos gravar em abril. Eu adoro o ritmo, o momento disso. Eu adoro que poder entrar lá e não tentar adivinhar tudo até a morte. Para o cara que dirigiu “À espera de um milagre”, por comparação, foi um horário generoso. Recentemente, eu comecei a gostar de um ritmo mais rápido, de verdade.

TV Guide Magazine: E há a habilidade de contar uma história mais longa através de um período mais longo de tempo?

Darabont: Sim, é um formato ótimo. Eu aprecio muito. Eu gosto da natureza oblíqua de como as histórias podem ser contadas. Em vez de comprimir tudo em um filme de duas horas e meia, você diz, “Certo, esse ano faremos um filme de oito horas de duração.” Nós não precisamos ir ao ponto imediatamente. Podemos só sugerir. Podemos vir por um outro caminho, deixar a audiência intrigada com alguma coisa. É completamente diferente você pode fazer de um modo totalmente diferente, por um ângulo ou por uma perspectiva mais sutil e isso é muito legal.

TV Guide Magazine: Parece que você desenvolveu uma relação maravilhosa com Turner por enquanto.

Darabont: Eles são, ao que tudo indica, pessoas fantásticos com as quais trabalhar. Tratam seus parceiros com respeito, dignidade, humanidade e integridade, e após dois anos, estou realmente ansioso para vivenciar essas coisas.

TV Guide Magazine: O que você pode dizer sobre sua partida de The Walking Dead?

Darabont: Isso foi, pelo bem do meu elenco e da minha equipe, algo tremendamente lamentável de enfrentar, precisar partir. Mas eu não tive escolha. Eu não entendo o pensamento por trás disso, “Oh, esse é o seriado mais bem-sucedido da história do pacote básico da TV a cabo. Então vamos esvaziar os orçamentos.” Eu nunca entendi e acho que eles se cansaram de me ouvir reclamar sobre isso. É um pouco mais complicado que isso, mas é só até aí que posso ir porque, do contrário, será provocar mais controvérsias e esse não é o meu interesse. Só quero seguir em frente e fazer o meu trabalho e ser autorizado a fazer o meu trabalho, isso é o mais importante, e continuar, felizmente, a aproveitar e fazer um bom trabalho.

TV Guide Magazine: De todos os pontos de vista, sua partida foi particularmente difícil para o elenco e a equipe.

Darabont: Essas pessoas são como uma família para mim. Não foi fácil para ninguém. Deixe-me colocar desse modo: foi como uma morte na família. Só que o morto era eu. Eu me senti como William Holden, com o rosto dentro da piscina, narrando essa história.

TV Guide Magazine: Nunca houve uma explicação oficial sobre sua partida.

Darabont: Houve muito ofuscamento e eu mantive o que achei que fosse o silêncio mais respeitável que pude manter. Quem precisa de uma briga na frente da imprensa, caramba. Há muita coisa no mundo que eu estou animado a fazer, e é ótimo que tenhamos recebido essa oportunidade da TNT. É bom assim.


Fonte: TV Guide
Tradução: Lalah / Staff WalkingDeadBr

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Entrevista

The Walking Dead BR Entrevista: Duane Charles Manwiller (Diretor de Fotografia)

Confira nossa entrevista exclusiva com Duane Charles Manwiller, o atual diretor de fotografia de The Walking Dead.

Rafael Façanha

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Duane Charles Manwiller ao lado do ator que interpretou Beta e vários zumbis e sussurradores nos bastidores de The Walking Dead

To access the interview with Duane Charles Manwiller in english, click here.

The Walking Dead é composta por inúmeros talentos que fazem com que a série tenha – e mantenha – o seu nível elevado de qualidade. Um desses profissionais é o Diretor de Fotografia, que atualmente é o incrível Duane Charles Manwiller.

Para quem não sabe, a direção de fotografia é uma das muitas funções que envolvem a criação de uma série ou filme. Seu propósito é trazer vida às definições do roteiro e produzir algo cinematográfico, com qualidades visuais que reforcem os aspectos já explorados na narrativa e orientem o olhar do espectador.

Duane conversou conosco sobre seu trabalho em The Walking Dead, como ele começou nesta área, como é trabalhar com vários diretores e roteiristas, sobre o impacto da pandemia nas gravações da série e o que podemos esperar da temporada final do drama zumbi.

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Duane Charles Manwiller:

1. Primeiro vamos conhecer um pouco sobre você e sua história: como começou sua paixão pela fotografia?

Duane Charles Manwiller: Oi Rafael. Estou muito feliz por poder sentar e responder a estas perguntas sobre TWD. Eu sempre fico realmente impressionado como quão sensacionais são os fãs da nossa série, e eu devo dizer que os fãs brasileiros são absolutamente incríveis!!

Desde que era criança sempre tive algum tipo de câmera nas mãos, fosse um brinquedo ou, quando fiquei mais velho, uma câmera barata daquelas de filme. Sempre procurando uma desculpa para tirar fotos, comecei a trabalhar para um jornal local muito pequeno, na cidade onde cresci, em Oregon. Eu ainda tinha uns 16, 17 anos. Não consegui terminar mais que algumas matérias na faculdade até decidir que aquilo não era pra mim, então quando tinha idade suficiente eu juntei minhas coisas e me mudei pro sul da Califórnia, onde comecei a pensar em entrar na indústria cinematográfica.

2. Em que momento de sua vida você percebeu que seria com isso que você trabalharia?

Duane Charles Manwiller: Uma história engraçada, essa. Quando eu tinha uns 12 anos, acho, meus pais decidiram nos levar pro sul da Califórnia numa viagem de família, pra visitar a Disneyland e a Universal Studios. Então, enchemos o carro e fizemos a peregrinação de mais de 13 horas até Los Angeles. Disneyland era, claro, legal, mas quando fui na Universal Studios e vi como eram os bastidores das séries, além dos sets dos filmes, eu fiquei encantado. Eu literalmente não conseguia pensar em fazer qualquer outra coisa além de achar um jeito de me envolver na indústria cinematográfica. Assim que chegamos em casa, eu escrevi uma carta muito séria (pra uma criança de 12 anos) para a Universal Studios e expliquei porque eu achava que eles deviam me contratar quando eu ficasse mais velho e que eu era o cara certo pra um futuro emprego na Universal Studios. Bem, eu nunca recebi uma resposta. Eu sempre penso nessa época quando filmo nos terrenos da Universal. 🙂

“Supertechnocrane 50′ filmando os Walkers no hospital. A equipe está toda escondida à esquerda.”

3. Como surgiu a possibilidade de trabalhar em The Walking Dead? Compartilhe conosco como tem sido essa experiência.

Duane Charles Manwiller: The Walking Dead esteve no meu radar desde que o episódio piloto foi ao ar.

Principalmente porque eu tinha vários amigos no departamento dos câmeras que estiveram envolvidos no projeto desde o início. Então eu fiquei de olho neles durante os anos. Antes de ser um cinematógrafo, eu era um operador de câmera e durante as primeiras temporadas eles tentaram muitas vezes me levar pra operar as câmeras, mas eu sempre estava trabalhando em outro projeto e os cronogramas não batiam. Na oitava temporada, eles me ligaram para fazer alguns episódios e foi isso. Eu fiquei encantado e estou na série desde então. Estamos prestes a começar as duas últimas temporadas consecutivamente!! Estou muito animado.

Desde os meus primeiros dias na série tem sido uma experiência muito boa. A “Família Walking Dead”, como a produção se autodenominou, me aceitou de braços abertos e me permitiu ter uma enorme liberdade no que diz respeito à fotografia da série.

4. Apesar de todo o contexto de suspense e terror na série, sempre que vemos fotos de bastidores acompanhamos todos muito felizes e descontraídos. Como é o clima nos sets de filmagem?

Duane Charles Manwiller: Estar no set de TWD é diferente de qualquer outra série na qual já trabalhei. O primeiro dia foi bem surreal. Eu entrei na parte de trás do estúdio para conhecer alguns membros do elenco e da produção antes do meu primeiro episódio. Eles estavam entre cenas e havia um grande grupo de zumbis conversando durante sua pausa, completamente equipados com seu figurino e maquiagem. Devo ter transparecido que era um novato, porque todos começaram a acenar e me receber no set. Bem bizarro. Trabalhar no set por si só é uma experiência recompensadora e divertida. É meio que um monte de crianças que não querem crescer. Explodindo coisas, maquiagem old school muito louca, hordas de zumbis. É uma experiência e tanto. E o elenco e a produção são fantásticos. Tantos deles estiveram juntos por tantos anos que se tornaram uma família estendida. Claro, temos alguns dias de filmagens difíceis e duros, mas a maior parte do tempo é um total prazer de trabalhar nessa série. Por esse motivo eu continuei voltando.

“Encontre o Diretor de Fotografia… Sou eu à esquerda tentando encontrar um local para caber uma câmera em torno de uma horda de Walkers.”

5. O trabalho de fotografia em The Walking Dead é praticamente impecável, e acompanhando um pouco do seu trabalho podemos perceber o porquê. Quais os segredos para se trabalhar tão bem nesse ramo?

Duane Charles Manwiller: Você é muito gentil, obrigado. Eu tive muita sorte de trabalhar junto com alguns diretores e cinematógrafos muito talentosos durante a minha carreira. E apesar de eu ter feito muito café e carregado muitos filmes de câmera quando comecei, eu ainda estava absorvendo conhecimento como uma esponja. Toda vez que entro em um set eu ainda estou aprendendo, especialmente porque a indústria cinematográfica está em constante evolução.

6. The Walking Dead tem vários diretores, e cada um tem suas particularidades. Esses diferentes estilos de direção acabam dificultando um pouco a maneira como você trabalha? No sentido de você ter que se adaptar a cada episódio? Como isso funciona para você?

Duane Charles Manwiller: Você está certíssimo. Temos uma equipe muito talentosa de diretores em rodízio, bem como constantes adições, e cada um quer deixar sua marca na série. Cada diretor que assume um episódio tem muita liberdade, mas ainda precisa dirigir a série mantendo a vibe que foi criada desde o primeiro episódio. Os produtores nunca contratariam alguém que acha que poderia entrar na série e reinventá-la.

“Alpha se preparando para fazer uma cena. A lente que estamos usando é chamada de Skater Scope e pode angular de maneiras diferentes para obter fotos interessantes.”

7. Estamos sentindo muita falta da série e dos nossos personagens favoritos. Como tem sido para você esse momento sem a série?

Duane Charles Manwiller: Bem, tem sido bem estranho pra toda a família TWD, assim como para todas as outras pessoas. Quando você me mandou essas perguntas originalmente, eu estava fazendo um filme em Porto Rico e daí a merda bateu no ventilador com o Covid e tudo relacionado a TWD ficou meio incerto. Desde então, filmamos uma temporada abreviada (que vai ser muito legal) e agora, em mais ou menos duas semanas, vamos voltar para a Georgia e começar a nos preparar para as duas últimas temporadas para finalizar a série. É um sentimento conflitante, mas muito excitante também.

8. Como você tem se cuidado durante a pandemia?

Duane Charles Manwiller: Pergunta difícil. Estou tentando passar por isso como todo mundo. Tempos difíceis numa escala global. Eu me sinto muito sortudo por estar trabalhando numa série que está tomando todas as precauções para manter todos seguros e saudáveis.

9. Sabemos que o principal impacto desta pandemia na série foi o adiamento dos trabalhos finais da season finale e o início das gravações da 11ª temporada. Mas o que mais foi afetado na produção de The Walking Dead?

Duane Charles Manwiller: Sim, uma vez que o Covid chegou, tudo mudou. A décima primeira temporada nunca aconteceu em 2020, mas filmamos uma extensão da décima temporada e foi mais uma ponte entre a décima e a décima primeira temporada, que começaremos a filmar em Março de 2021. Faz sentido? Isso confunde até a mim. Nas placas das câmeras nós simplesmente colocamos “Temporada 10 – continuação”.

“Diretor Greg Nicotero dando aos Walkers um pouco de amor de direção :)”

10. A série é aclamada em todo o mundo, mas aqui no Brasil o carinho dos fãs costuma ser especial. Esse amor chega até vocês? Como vocês veem o retorno do público brasileiro?

Duane Charles Manwiller: É engraçado você comentar isso. Eu sempre ouvi do elenco e de alguns membros da produção que temos uma base de fãs brasileiros enorme. Acho que vocês devem ser tão doidos quando a gente. E isso me deixa muito feliz. Já recebi muitas mensagens dos fãs no meu Instagram também. MUITO BACANA!! Se mantenha assim, Brasil. 🙂

11. Além de The Walking Dead, sabemos que você trabalhou em várias outras produções tanto na TV quanto no cinema. Você tem um formato preferido entre os dois? E poderia citar qual foi seu trabalho no cinema favorito?

Duane Charles Manwiller: Bem, eu costumava fazer mais filmes e eu diria que preferia eles à maioria das séries de TV. Isso principalmente por causa das séries que eu tinha feito e, com a exceção de uma série chamada LOST, parecia muito como uma fábrica de episódios. Não é mais assim agora, no entanto. Com todo o conteúdo original na TV, as séries boas têm uma vibe mais de filme. E The Walking Dead é assim. Eles ainda escrevem séries com a audiência e os fãs em mente, e não somente pra fazer dinheiro.

Difícil escolher um filme favorito no qual trabalhei, mas eu diria que o mais recente seria Baby Driver ou qualquer um dos John Wicks. Eu adoro fazer coisas de ação.

12. Qual o ator mais fotogênico de The Walking Dead? E qual aquele que não curte muito os cliques? E como é a sua relação com eles?

Duane Charles Manwiller: Bem, eu diria que todos são fotogênicos e amam as lentes. É isso que eles fazem, certo? 🙂

Cada um deles tem uma coisa favorita sobre a câmera, tenho certeza. E cada um deles se destaca em coisas diferentes. Todos sentimos falta de Andy Lincoln, no entanto. Ele era o vínculo entre todos. Como diretor de fotografia, é importante ter relações de trabalho saudáveis com o elenco e em The Walking Dead isso acontece muito facilmente.

“Sou eu fazendo uma leitura leve entre as gravações com Jeffrey Dean Morgan. Que é um super irmão!!”

13. Sabemos que você já trabalha na série há 4 anos, então gostaríamos de saber… Qual foi seu episódio favorito de fotografar? E qual a temporada?

Duane Charles Manwiller: Wow, você manda umas perguntas difíceis. Eu tive sorte de gravar os últimos episódios de Michonne, Carl e Rick, bem como de muitos outros que foram comidos ou só desapareceram. No entanto, o episódio final de Rick na nona temporada foi muito especial por diversos motivos.

14. O que você pode nos contar sobre essa fase final de The Walking Dead com os episódios extras e a 11ª temporada?

Duane Charles Manwiller: Direi que a pequena temporada que acabamos de filmar é uma ponte muito, muito boa para as duas temporadas finais que estamos prestes a iniciar. E essas duas últimas temporadas serão INSANAS. Especialmente para os fãs da série e dos quadrinhos.

15. Para encerrarmos: deixe um recado especial para os fãs brasileiros!

Duane Charles Manwiller: Fãs brasileiros!!! É realmente muito especial saber que temos uma base de fãs tão DEADicada no hemisfério sul. Todos sabemos o quão apaixonados vocês são por esportes, comidas, amor e agora The Walking Dead!!! Eu vou filmar essa última temporada com os fãs brasileiros no meu pensamento a cada dia que ligarmos as câmeras. AMAMOS VOCÊS, BRASIL!!

REDES SOCIAIS DO DUANE CHARLES MANWILLER:

– Instagram: @duane_charles_manwiller

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues

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Destaque

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Samantha Morton (Alpha)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Samantha Morton.

Rafael Façanha

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arte com Samantha Morton e Alpha para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Samantha Morton in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Samantha Morton, que interpretou Alpha durante as temporadas 9 e 10. A atriz nos contou sobre como foi o processo criativo para a personalidade de Alpha, sobre raspar seu cabelo, sobre como foi trabalhar com Jeffrey Dean Morgan (Negan) e Ryan Hurst (Beta), sobre a importância de ter personagens femininas fortes na TV e no cinema e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Samantha Morton:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Samantha Morton: Eu não fiz audição pra série, foi uma conversa com Angela sobre o que eles haviam previsto para essa personagem, e falaram comigo sobre o processo e se nós conseguiríamos fazer essa conexão funcionar, e se havia uma potencial faísca ali.

Eu não conhecia a série, tipo, eu não conhecia de antemão, não que isso tenha sido um problema, era só isso. Onde eu morava não tinha TV, e por ser uma mãe muito ocupada eu não assistia a série, mas então eu assisti e achei absolutamente extraordinária, você tem uma série muito cinematográfica que toda atenção aos detalhes é levada muito a sério, é tudo bem filmado e eu achei isso muito inspirador.

Você já deve ter ouvido isso muitas vezes, mas nunca é demais repetir. Sua atuação como Alpha foi irretocável e memorável. Divida conosco como foi o trabalho de desenvolvimento e qual foi sua inspiração para dar vida à personagem.

Samantha Morton: Desenvolver a personagem foi tanto um processo contínuo de leitura do roteiro como eu percebendo o que ela estava fazendo ou o que ela tinha feito no passado, ou o que ela estava prestes a fazer. E acho que minha inspiração para interpretar Alpha foi realmente um trabalho colaborativo ao lado de Cassady e de diferentes diretores, em particular, Jessica que trabalhou comigo na minha voz, me ajudou com o passado de Alpha, sabe, quem era Alpha antes dela se tornar Alpha, certificando-se de que a voz estava correta, e depois, pensar sobre o relacionamento da Alpha com o Beta e viver como a natureza queria e como isso a afetou.

É, eu acho que isso foi realmente um processo contínuo trabalhando com Greg Nicotero, certificando-me de que eu tinha a caminhada adequada e sim, essa foi minha inspiração.

Talvez um dos traços mais marcantes da sua preparação tenha sido raspar a cabeça para viver a personagem. Como foi essa experiência para você?

Samantha Morton: Foi tranquilo raspar todo meu cabelo, eu fiquei um pouco triste no primeiro momento porque eu tinha um cabelo bem longo, fiquei um pouco triste mas depois que entrei na personagem e me tornei Alpha ficou tudo bem, e também é muito quente na Geórgia, onde filmamos, pra mim foi realmente libertador não ter cabelo por que era mesmo muito quente.

Você e a Alpha das HQs se parecem muito fisicamente. Seus trejeitos na interpretação da vilã também ficaram como muitos fãs dos quadrinhos imaginavam. Você chegou a acompanhar a saga de Alpha no material fonte para desenvolver a personagem ou preferiu seguir apenas os roteiros?

Samantha Morton: Eu não fiz referências aos quadrinhos, eu vi os quadrinhos mas quando eu interpreto personagens como Jane Eyre ou Mary, a rainha da Escócia, eu acho que você tem que fazer essas coisas você mesma, você tem que tentar encontrar o personagem dentro de si, pois se você apenas imita coisas se torna mais difícil ser livre nisso.

A relação entre Negan e Alpha se desenrolou na tela como nos quadrinhos. Você estava familiarizada com o relacionamento deles nos quadrinhos? Como foi trabalhar com Jeffrey Dean Morgan nesses papéis icônicos?

Samantha Morton: Trabalhar com Jeffrey Dean Morgan foi divertido e empolgante, e um pouco estressante por que obviamente ele estava na série a mais tempo que eu e Ryan, que interpreta Beta, então é, foi muito divertido e ele foi muito gentil comigo e acho que pra mim aquela foi uma das minhas melhores experiências trabalhando com um coadjuvante do gênero masculino por que às vezes é difícil trabalhar com homens, porque obviamente eles estão fazendo muita coisa em seus personagens e às vezes eles ficam presos no que estão fazendo, mas descobri que JDM não tinha ego e ele realmente queria ter certeza de que eu fosse cuidada e se eu estava bem, e sabe, nós cuidamos um do outro.

Você teve cenas marcantes e inesquecíveis para os fãs, e já falamos aqui sobre como sua interpretação foi ótima e fiel à Alpha que conhecemos na HQ. Mas você pode nos falar sobre uma cena ou um momento que ficou marcado já sua trajetória como a vilã? Houve algum episódio em particular que te marcou?

Samantha Morton: Acho que realmente lutei com as cenas da Alpha sendo simplesmente muito violenta super rápido, e demorou um pouco pra mim entrar no ápice daquele momento, mas eu ficava tranquila se pudesse ter um tipo de diálogo antes da violência e coisas assim, mas ser violenta muito rápido foi bem difícil, o episódio com os momentos de flashback foi muito difícil, eu estava interpretando meio que uma pré-Alpha e eu estava tendo que cuidar de Lydia e eu achei isso bastante perturbador e difícil como uma mãe.

Os Sussurradores são uma comunidade que, basicamente, abdica da vida como uma sociedade pré-apocalíptica e escolhe viver “como um grupo de animais”. Mas Alpha, em alguns momentos, recorre ao seu lado humano, como nas tentativas de resgatar Lydia ou em sua relação com Negan, por exemplo. Como você vê essa questão? Alpha, no fundo, ainda tinha mais humanidade do que pensava?

Samantha Morton: No fundo, Alpha era mais humana do que ela achava, você não pode desconsiderar totalmente sua humanidade e eu acho que a Alpha pós-apocalipse tinha se adaptado a sobreviver do jeito dela, e eu acho que aquele foi o manifesto dela se você gosta do jeito que os Sussurradores vivem, não como um bando de animais, mas eles meio que tentam voltar para a natureza de um jeito que é realmente inspirador.

Você e Ryan Hurst (Beta) parecem se entender muito bem em cena. Conte pra gente como é a relação entre vocês nas gravações. Você lembra de algum momento engraçado entre vocês no set?

Samantha Morton: Foi muito divertido trabalhar com Ryan Hurst, ele costumava me pregar pequenas peças e fingia que tinha aranhas em mim por que eu tinha bastante medo de aranhas no set. Eu sou um pouco medrosa, um pouco assustada na floresta, como o Sam na verdade, então interpretar Alpha que não tinha medo de nada foi realmente um esforço que eu tive que fazer, e eu acho que simplesmente ter ele lá deixava tudo melhor. Às vezes o calor me pegava ou as horas eram bastante longas, e você precisa de amigos em sua volta, você precisa sentir que cuidam um do outro, que vocês vão conseguir passar por aquele dia ou aquela cena, e eu tive muita sorte.

E com o restante do elenco? Por mais que o clima entre Alpha e os “mocinhos” fosse tenso, imagino que, atrás das câmeras, todos se davam muito bem.

Samantha Morton: Todos são incrivelmente amigáveis no set de The Walking Dead. Eles são realmente uma família, todos são iguais a todos, todos cuidam de todos, o grupo, o elenco, os personagens, quero dizer, as pessoas que você conhece, que nos conduzem, são absolutamente amáveis, especialmente o departamento de maquiagem.

Os fãs das HQs sabiam qual seria o destino de Alpha, e essa previsão foi cumprida. Mas a sensação que temos é que sua participação na série foi tão intensa que durou pouco! Você acredita que a personagem poderia ter rendido mais histórias em The Walking Dead ou acha que Alpha se foi no momento certo?

Samantha Morton: Eu fiquei chateada quando meu fim chegou, mas eu também realmente respeitei o motivo dele chegar, e eu acho que nenhum personagem é maior que a série, e nós estamos lá para apoiar e servir. Se você gosta de The Walking Dead, e se The Walking Dead precisa que isso aconteça por uma razão individual desconhecida, é isso que vai acontecer. The Walking Dead é The Walking Dead e eu me sinto simplesmente orgulhosa e privilegiada por ter feito parte disso o máximo que pude.

Qual foi sua reação ao receber o roteiro do episódio em que Alpha morreria?

Samantha Morton: Eu soube que ela ia morrer assim que fui escalada. Havia um indício de que isso provavelmente aconteceria, então eu estava preparada e tive que manter em segredo.

Muitos fãs esperavam um confronto direto entre Alpha e Carol, até pela sede de vingança de sua “inimiga” após a morte de Henry. Mas essa vingança veio de forma indireta, com Carol encomendando a morte de Alpha. Você também esperava “encarar” Melissa McBride mais individualmente?

Samantha Morton: Na verdade, eu não tinha nenhuma expectativa em encenar com Melissa Mcbride. Eu entendia o porque os fãs deveriam querer isso e a história por si só deveria querer, mas eu não tinha expectativas de qualquer forma, no entanto achei muito interessante como eles decidiram juntar essas duas mulheres dentro da cabeça de Carol, e eu amei trabalhar com Melissa naquelas cenas.

Uma discussão interessante surgiu recentemente em The Walking Dead: ela basicamente diz que lados opostos sempre pensam que têm razão na discussão. Nesse sentido, não existiriam mocinhos e vilões nesse mundo, mas, sim, pessoas buscando defender seu lado. Você concorda com isso? Se sim, Alpha não pode ser considerada, necessariamente, uma vilã, mas, na verdade, uma pessoa tentando sobreviver no novo mundo, certo?

Samantha Morton: Eu concordo, acho que muitos dos personagens em The Walking Dead fazem coisas horríveis frequentemente em busca da sobrevivência, e eles tem que fazer certas escolhas em certos momentos que outras pessoas podem não concordar. A câmera e a direção sempre mostram a perspectiva do protagonista, dos mocinhos e mocinhas, então, eu não interpretei Alpha como uma vilã de qualquer forma, interpretei ela apenas em sua jornada.

Infelizmente, para a tristeza dos fãs, Alpha não conheceu Rick na série de TV. Você chegou a conhecer Andrew Lincoln ou vê-lo como Rick Grimes no set em algum momento? Um confronto entre esses dois personagens teria sido algo realmente épico!

Samantha Morton: Sim, eu conheci Andrew Lincoln. Ele ficou um pouco por lá quando fui pela primeira vez e foi simplesmente fascinante conhecê-lo, vê-lo e passar um tempinho com ele e eu fiquei muito encantada em ter aquele momento. Ele fez um trabalho marcante na série e por ser um pouco fã aquilo foi realmente legal e teria sido ótimo encenar com ele, mas isso não aconteceu.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas, e Alpha definitivamente foi uma delas. Como foi pra você compor e interpretar uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é esse tipo de representação feminina para outras mulheres?

Samantha Morton: Eu acho muito importante que tenhamos personagens femininas como Alpha na TV e em filmes. Geralmente os papéis mais picantes… certamente nos filmes do Bond, os homens são os vilões e as mulheres são marginalizadas a serem bonitas ou talvez espertas, mas sabe, eu acho muito importante que tenhamos Alpha e sim, precisamos mais disso, precisamos mais desse tipo de mulher forte na tela.

Além de participar do Universo de The Walking Dead, você está presente em outra grande franquia amada pelos fãs da ficção: o Universo de Harry Potter! Lá você interpreta a no-maj Mary Lou. Você pode nos dar alguma dica sobre o que acontecerá com ela nos próximos filmes? Como foi a sua experiência nesse mundo de Animais Fantásticos?

Samantha Morton: Eu adorei fazer parte de Animais Fantásticos, foi muito divertido e de novo, outra oportunidade de ser parte de algo que tem uma história e um futuro, e eu amei trabalhar com Ezra Miller.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Samantha Morton: Estou bem, estou com sorte, segura com minha família e estamos lidando com isso um dia de cada vez e vestindo nossas máscaras, tentando nos manter seguros e encorajando outras pessoas a lavarem suas mãos, manterem a distância e vestirem suas máscaras.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Samantha Morton: Sim, eu abri uma conta no Instagram quando entrei pra série e os fãs brasileiros dão “olá” pra mim no Instagram e tem sido legal. E eu digo “olá” para o Brasil de volta, eu amo os fãs brasileiros e eu amaria ir para o Brasil um dia. Eu nunca fui para a América do Sul, então seria empolgante pra mim e isso também é, quero dizer, o fato de eu estar falando com você agora é importante e é importante pra série, sabe, nós não teríamos uma série sem os fãs e é por isso que todos são tão importantes pra nós. Muito obrigada!

REDES SOCIAIS DA SAMANTHA:

– Twitter: @samthesparrow
– Instagram: @samanthamorton

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini & Margo Goldwyn
– Tradução: Victoria Rodrigues & Thalia Tormes & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino (Tamiel)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino (Tamiel)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores. Confira nosso papo com Sabrina Gennarino.

Rafael Façanha

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arte com Sabrina Gennarino e Tamiel para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Sabrina Gennarino in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Sabrina Gennarino, que interpretou Tamiel durante as temporadas 7 e 8. A atriz nos contou sobre a lealdade de Tamiel à Jadis, sobre como foi trabalhar com Pollyanna McIntosh tanto em The Walking Dead quanto em outros projetos, sobre sua participação na série The Purge e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Sabrina Gennarino: Obrigada! É uma honra ser considerada para o seu fansite! Basicamente, consegui a audição pelo meu agente. Eu gravei e tive a sorte de conseguir o papel! Eu estava e ainda estou nas nuvens com isso. Eu conhecia a série antes de conseguir o papel. Mas eu não assisti na época, eu estava “sensível” porque tinha acabado de ter minha filha e simplesmente não conseguia lidar com nada ou ninguém se machucando.

Não sabemos nada sobre o passado de Tamiel. Quando você a interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ela ou isso não a afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ela para ajudar de alguma maneira?

Sabrina Gennarino: Uma história é SEMPRE importante. Isso é o que traz “vida” aos personagens que você cria. Scott Gimple e eu discutimos a incrível história que ele tinha para Tamiel. Eu adorei e não mudei nada. Havia algumas coisas que ele não compartilhou sobre a história dela. Então eu tenho isso na minha cabeça. Talvez um dia possamos ver isso.

Por que você acha que Tamiel era tão leal a Jadis e a vida adotada pelos Catadores?

Sabrina Gennarino: Para mim, na minha opinião, é porque elas foram as primeiras a chegar e provavelmente se conheciam “antes”. Elas compartilhavam a visão de existir artisticamente, no mínimo, com uma mentalidade de “Todos por um, um por todos”. Contornando o gênero e as limitações que enfrentamos no mundo de hoje.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas. Jadis foi uma líder incrivelmente forte e Tamiel também é uma personagem feminina muito forte e decidida. Como foi pra você compor e atuar em uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é essa representação para outras mulheres?

Sabrina Gennarino: Acho extremamente importante! É lindo ver a força das mulheres na tela! The Walking Dead faz um trabalho incrível com isso. Estou ansiosa para o dia em que personagens femininas fortes não sejam consideradas “poderosas” ou “fortes”, mas apenas mulheres. Melhor ainda, uma pessoa fazendo o que outra pessoa faria para sobreviver em um apocalipse, independentemente do gênero.

Como era o clima no set dos Catadores? E como foi trabalhar com Pollyanna McIntosh e Thomas Francis Murphy? Você lembra de algum momento engraçado dos bastidores pra compartilhar conosco?

Sabrina Gennarino: Qualquer hora no set é incrível. Independentemente do projeto, mas devo dizer, fazer parte de um programa icônico, como The Walking Dead, e em tão boa companhia, cercado por pessoas brilhantes é um presente e me sinto incrivelmente abençoada.

Você sabe, você pensaria que todos nós seríamos incrivelmente sérios, o tempo todo que estamos filmando. Mas de alguma forma, era um conjunto tão leve (como em energia). Isso tem muito a ver com Andy e sua equipe. Tantos momentos engraçados, mas “Derelict” tinha que ser um dos mais engraçados… Nossa passarela em cima de nossa pilha de lixo canalizando Derek Zoolander.

Tamiel foi morta por Simon e depois aparece zumbificada. Você pode falar um pouco sobre como foi a gravação do seu último episódio? Como/quando você descobriu sobre a morte de Tamiel? E como foi seu processo de maquiagem zumbi?

Sabrina Gennarino: Impossível não chorar durante todo o processo de gratidão e tristeza. Como e quando eu descobriu que Tamiel iria morrer? Scott ligou para me dizer, cerca de uma semana antes da data marcada para o meu filme. O processo de virar zumbi foi tão legal. Valeu totalmente as muitas horas que demorou.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Sabrina Gennarino: Todos eles. Por quê? Voltando ao “todo dia no set é um dia perfeito” para se divertir. Desafiador… porque… bem… ser um ator em si É um desafio! Viver na pele de outra pessoa, de uma forma muito real, é desafiador. Transmitir esse personagem, neste caso, sem falar muito, é desafiador.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Sabrina Gennarino: Claro! Primeiro dia: vibração familiar imediata. Você acha que é apenas uma coisa que eles dizem quando ouve sobre a família TWD. Mas está certo.

Último dia: parecia que estava me mudando para outro planeta e não veria minha família, incluindo nossa incrível equipe, nunca mais. O que, claro, não é assim. Nós nos vemos frequentemente e muitos de nós conversamos com frequência. Agradeça ao Universo por isso!

Se Tamiel tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ela tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Sabrina Gennarino: Eu tenho que dizer: Todos. Eles.

Quais são as etapas do seu processo de interpretação? Você segue algum ritual antes de entrar em cena com suas personagens? Como você se prepara?

Sabrina Gennarino: Eu realmente não tenho um ritual, mas se eu tivesse que descrevê-lo…
1. Eu sinto uma conexão com o personagem? Sim? Continuar. Não? Passe com respeito.
2. Sim? A construção começa, como na vida dessa pessoa em sua mente que você não leu na página, enquanto aprende as palavras que a pessoa diz.
3. Ore para que você não seja ruim.
Eu realmente não posso ter um ritual específico porque cada personagem é diferente. Se eu fizesse, seria eu, não o personagem, isso me tiraria da cabeça e do corpo do personagem que estou interpretando.

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

Sabrina Gennarino: Não… vou deixar isso para as pessoas incríveis que escrevem o programa.

Você também trabalhou com Pollyanna McIntosh em Darlin’, que escreveu e dirigiu o filme. Como foi trabalhar sobre o comando dela? E quão desafiador foi esse projeto?

Sabrina Gennarino: Ugh! Ela é a pior! Mas sério… lendária. Humano verdadeiramente brilhante e belo. Foi uma honra ter essa experiência com ela. Eu nem consigo descrever como é difícil fazer o que ela fez, com graça, com poder, com bondade enquanto arrasa. Ela explode minha mente. Cada função é desafiadora!

Precisamos falar sobre The Purge. Você estava simplesmente sensacional como Madelyn! Como esse trabalho surgiu pra você? E quão divertido – e assustador? – foi participar dessa série? E o que você, pessoalmente, iria preferir enfrentar: uma noite de expurgo ou uma horda de zumbis?

Sabrina Gennarino: Ah! Obrigada! EU AMEI ela! Da mesma forma que faço na maioria das vezes: por meio do meu agente. Todo trabalho é divertido! E assustador! Eu teria que ir com a horda de caminhantes! Pelo menos você sabe com o que está lidando! Ha!

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Sabrina Gennarino: É horrível. É horrível para todos. Infelizmente, sim! Mas não tenho dúvidas de que tudo vai se recuperar, melhor do que nunca. Precauções de quarentena e segurança. Escrevendo mais! E nós (minha filha Izzy G! E meu marido, Pieter Gaspersz) abrimos uma empresa chamada Biddle and Bee! Roupas e acessórios veganos, mas agora, nosso foco é feito sob medida, ajuste personalizado, tecido personalizado, máscaras ultra-seguras, que excedem as recomendações do CDC. E isso nos deu tempo para também nos concentrarmos no Crap Free Skin Care, nossa linha vegana de cuidados com a pele e… o mais importante, uns nos outros. Sempre fazemos o nosso melhor para encontrar o lado positivo das coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Sabrina Gennarino: AMO O BRASIL!!!! Vocês são os melhores! Nem sempre o carinho chega! Então, isso é tão lindo de ouvir! Muito grata por ouvir isso!!!!! BRASIL!!!!! VOCÊS SÃO OS FÃS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO!!! EU TE AMO!!!!

REDES SOCIAIS DA SABRINA:

– Twitter: @girlsgottaeat
– Instagram: @sabrinagennarino
– Facebook: @sabrina.gennarino

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Brighton Sharbino (Lizzie)

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