Siga-nos nas redes sociais

Destaque

Eu odeio The Walking Dead: uma discussão totalmente necessária e importante para os fãs

Carlos Knewitz

Publicado há

em

“Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba.” – Hermann Hesse.

O ano era 2010, 31 do mês de outubro. A jornada de um homem que acorda do coma e se depara com um mundo totalmente em ruínas e tomado por mortos vivos devoradores de qualquer ser vivo de sangue quente se inicia. Ninguém que fazia parte daquele elenco, nem produtores e, tampouco, a audiência que acompanhava àquele primeiro episódio era capaz de imaginar o imenso e desenfreado sucesso que aquela série faria. Sucesso capaz de elevá-la a marcos históricos de programa mais assistido e série mais aclamada pela crítica mundial. Aquilo se tornou uma força natural, arrematando milhões de fãs desde os países mais desenvolvidos até os mais remotos lugares do globo terrestre.

Em 2018, em seu nono ano, passados cento e quinze episódios desde que a pequena zumbi Summer preencheu a tela das nossas TV no Halloween de 2010, vemos um cenário invertido. Fãs se convertendo naquilo que a internet chama de haters e uma audiência cada vez mais crítica e dispersa.

A criticidade é totalmente necessária e faz parte do nosso instinto de sobrevivência, já que o ser humano necessita do senso crítico desde seu primórdio para julgar o que lhe é benéfico ou prejudicial. Entretanto, tal instinto sempre foi acompanhado pelo senso de utilidade. Ou seja, o ser humano desenvolvia a crítica e posteriormente considerava se aquilo lhe era útil ou não. Quando deixava de ser útil, era abandonado.

Em algum momento esses instintos se desvencilharam e hoje em dia vivemos em um mundo no qual tudo é criticado como se já não fosse útil, mas ao mesmo tempo é consumido como se útil fosse. É a crítica alimentada pela crítica alheia e a necessidade de estar adequado a totalidade social – esse, outro instinto de sobrevivência – se deixando levar pelas opiniões da maioria e sendo condescendente com pensamentos alheios.

Imagem promocional da aclamada 1ª temporada de The Walking Dead.

Mas há ainda o ponto não mencionado: os tempos mudam. Nós crescemos e amadurecemos em cada segundo que continuamos trilhando nossa trajetória sobre a Terra. A cada milésimo bilhões de neurônios trabalham em realizar transmissões. Todos os dias gostamos e desgostamos de uma dezena de coisas. Depende do nosso humor; nosso estado emocional; físico e psíquico. O fato é: opiniões não são eternas e caem por terra tão rapidamente quanto são construídas.

Por fim, nesses aspectos traçados até aqui, precisamos abrir mão do orgulho e ego e admitir: nossas opiniões devem auferir somente a nós mesmos. Não que não devam ser dadas, mas há momentos que nosso senso crítico deve se unir ao de utilidade e entendermos: se não gostamos, abrimos mãos e seguimos em frente felizes pelo tempo que aquilo foi útil pra nós e em busca do novo, sem necessitar menorizar e se desfazer pelo rumo que aquilo tomou insistentemente.

O efeito The Walking Dead traz isso. Um sucesso mundial que, como quase toda a obra, se tornou temporal. Fãs a largam e seguem em frente na mesma medida que novas pessoas chegam para agregar o grupo. Mas como um vírus zumbi, aqueles que não sabem medir o senso crítico com o de utilidade e insistem em propagar o ódio por algo que aparentemente lhes foi prazeroso por um tempo, mas já não lhes é mais, acabam contaminando fãs recentes e aquilo que um dia foi projetado para entretenimento se propaga em ódio. Ódio contra produtores; ódio contra atores; ódio contra fãs e – a parte que nos toca – contra o trabalho daqueles que demandam seus tempos em anunciar a série.

Não há demagogia aqui. Com toda a certeza é evidente que há uma baixa imensurável entre a qualidade das primeiras temporadas com as últimas. Não é necessário que se explique muito, pois é óbvio. Mas como já retratado, mesmo com a queda de qualidade é totalmente útil para milhares de pessoas.

Entre o intervalo desse oitavo e nono ano, notícias vieram para fomentar ainda mais a ideia dos críticos de plantão quanto a um fim inevitável para a série. A saída e suas consequências de Andrew Lincoln da série; os problemas contratuais com Lauren Cohan; a troca de showrunner.

Entretanto, há algo que parece não ter sido notado por aqueles que mais criticam a história: a queda de qualidade que tanto reclamam passou a ser notável a partir do momento em que a série passou a se alinhar mais às HQ’s e o prendimento que os impressos de Robert Kirkman traziam ao enredo acabaram por lhe tornar previsível e maçante. Perder o centro disso, personagens que nos fixam obrigatoriamente aos quadrinhos e apostar no novo, que retrate o que o material base traz de melhor, mas de uma forma totalmente distinta pode ser uma forma de dar fôlego novo ao show de TV.

O desfecho da história de oposição de Rick e Negan foi responsável por grande parte das críticas ao oitavo ano da série.

É uma fórmula nova e totalmente oposta daquela que vínhamos tendo nos últimos anos. A história terá um salto no tempo e retornará oposta ao que estávamos acostumados. Além de uma cenografia dessemelhante, teremos questões de mudança de rumos ao necessitar de nova liderança, desenvolvimento de personagens e histórias inovadoras. Aparentemente, tudo o que o público pedia quando dizia que queria algo novo na série.

O mundo das séries mudou. Sucessos como Game of Thrones e How to Get Away With Murder nos mostram que despejar protagonismo sobre apenas um personagem não corresponde mais com as expectativas do público. Rick Grimes por mais que seja um grandioso herói acaba suprimindo enredos alheios e prejudicando o crescimento dos demais. Talvez com sua ausência e um protagonismo não pontual, distribuído entre diversos personagens a série consiga tornar a história mais interessante e trazer diversas tramas que serão atrativas para públicos totalmente opostos.

Perder o protagonista e elevar o nível é algo totalmente faltante na indústria televisiva, mas por qual motivo não podemos dar créditos a The Walking Dead e nos mantermos esperançosos na expectativa de que dê certo? É totalmente discrepante de tudo o que já foi apresentado, mas diferenciar pode ser totalmente bom se bem executado. Por que prejulgar e agir com conjectura quando a nona temporada ainda nem nos foi demonstrada? Entre os trailers dos últimos anos, aparentemente o trailer da nona temporada parece ser o mais diferenciado, inovador e repleto de esperanças. Então por que não manter a fé?

Tudo bem, você pode estar bufando nessa parte da leitura – se chegastes até aqui – e questionando: mas eu simplesmente odeio o que The Walking Dead é agora, e nada que for feito me fará mudar de opinião; o tempo dessa série já passou. Se esse é seu caso, caro leitor, temo que a frase que preludia esse artigo lhe deva aprouver: só podemos odiar aquilo que nos é constituinte. O que não nos constituí, nos desinteressa e se nos desinteressa, partimos em busca de algo novo sem olhar para trás.

Pôster da 5ªtemporada: a série possui uma gama de personagens interessantes que perdem espaço por causa do forçado protagonismo.

Insistir em comentários mostrando indignação nas redes sociais e em perseguir atores e produtores os ameaçando e se desfazer do trabalho de quem dedica tempo em divulgar materiais da série apenas comprova que ainda há uma ligação entre você e a série que é difícil de ser rompida. Quando você diz que não se importa mais, na verdade você se importa; quando diz que não acompanhará mais nada sobre o conteúdo, você seguirá acompanhando. Quem não se importa e não se interessa não anuncia, apenas parte em busca da inovação.

Esse artigo não é uma forma de calar e censurar opiniões. Opiniões são recebidas com carinho, e são elas que constroem o mundo e sustentam a sociedade. O problema está na insistência em replicar uma opinião de repúdio sendo hipócrita consigo mesmo, apenas sendo levado por uma massa, totalmente sem um norte fundamentado. Odiar por odiar e por ter fome de propagar o ódio.

Não espero que os reclamantes se calem depois dessa redação. Mas espero minimamente ter lhes feito pensar se não é momento de depositar mínima esperança no que a nona temporada poderá nos trazer de novo. E depois, se tudo piorar e nós, pelo senso crítico, entendermos que a série não é mais útil, seguimos em frente em busca do novo, felizes pelos grandes momentos que tivemos com a história e em busca de algo que nos seja prazeroso na nossa nova fase da vida.

Como sempre, o espaço de opiniões está aberto. Discordando ou concordando você é livre para opinar e comentar abaixo. É prazeroso para nós vermos o respaldo do nosso trabalho e responder você.

The Walking Dead, a história de drama número #1 da TV a cabo, vai estrear sua 9ª temporada no dia 7 de Outubro de 2018. Confira o trailer oficial da temporada e fique por dentro de todas as notícias.

Fiquem ligados aqui no Walking Dead Brasil e em nossas redes sociais @TWDBrasil no twitter e Walking Dead Br no facebook para ficar por dentro de tudo que rola no universo de The Walking Dead.

Continue lendo
Publicidade
Comentários

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

EM ALTA