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Review The Walking Dead S09E05 – “What Comes After”: O surpreendente adeus ao maior herói

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do quinto episódio, S09E05 – “What Comes After”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Eu já tomo liberdade para assumir a primeira pessoa do singular nessa redação. É impossível falar de What Comes After, quinto episódio da nona temporada, de uma forma parcial e impessoal. Com toda a certeza essa será uma das minhas críticas mais confusas e imaturas, justamente pelo fato de que até agora eu não tenha conseguido digerir tudo o que o episódio representou.

Como eu disse na semana passada, era difícil saber que o episódio que eu estava me preparando para assistir se tratava do desfecho do maior herói do universo de Robert Kirkman. Sabe, por mais que eu tente negar, Rick foi o responsável por me fazer me apaixonar pela série. Depois de vê-lo acordando de um coma em meio ao caos zumbi foi que eu me prendi na história e insisti em seguir acompanhando-a. E ali, na noite do domingo, 04 de novembro, eu me preparava para dizer adeus ao herói.

Antes de tudo, quero falar sobre o confronto de Negan e Maggie. A chegada dela à Alexandria e sua interação com Michonne foi tão cheia de significado e mais uma vez nos traz à tona sentimentos entrelaçados aos primeiros anos da série, quando as duas relembram toda a trajetória e refletem sobre Glenn e Hershel. Michonne sabe o que Maggie quer dizer quando fala que precisa encerrar aquela parte de sua história, mas ao mesmo tempo, compreende o que isso significa quando sobreposto aos sonhos de Carl e ao desejo de Rick.

Por fim, a samurai cede e entrega as chaves para ela. Maggie adentra o quarto onde Negan está encarcerado com o furor à flor da pele. Os dois iniciam uma conversa completamente cheia de referências aos quadrinhos. Ela abre a cela e rende o antigo líder dos Salvadores, ele implora que Maggie o mate. Quando ela o questiona o motivo de ele querer morrer, ele revela que quer se encontrar com Lucille (sua esposa). É nesse momento que Rhee percebe que Negan está numa situação ainda pior do que estar morto e que se o matasse, estaria fazendo um favor para ele. Assim, Maggie decreta a quitação da dívida entre os dois.

Maggie confronta Michonne sobre Negan.

Na jornada de Rick, vemos o herói lutar pela vida em contraste a suas memórias e ilusões. O episódio inicia com Rick se deparando com ele mesmo na cama do hospital e vendo pássaros se tornarem helicópteros. Se ligado ao desfecho do episódio, os corvos podem demonstrar Jadis/Anne que como os pássaros, se alimentava dos restos que Rick produzia, mas depois, com o helicóptero, salvou sua vida. A trajetória dele em direção a uma saída da situação em que se colocou para salvar o futuro que quer construir em contrariedade ao fato de que a única saída que lhe é possível é colocar seus planos em jogo é o pano de fundo nesse episódio.

As visões de Rick trazem Shane, Hershel e Sasha de volta de forma totalmente emocionante. Ele e o melhor amigo conversam sobre Judith e mais uma vez temos a confirmação de que ela é filha de Walsh.  Hershel aparece trazendo uma das últimas aparições de Scott Wilson em tela antes de seu falecimento, e nos dando o prazer de uma cena grandiosa onde Rick pede perdão pelas mortes envolvendo a família Greene e por não ter sido capaz de dar o suficiente para Maggie. Herhsel afirma para ele que ela é forte o suficiente para seguir em frente. Já com Sasha, temos outro momento de lotar os olhos de água. Ela relembra Rick sobre os motivos que a levaram optar pela morte e no quanto ela confia naquilo que ele quer construir.

O caminho de Rick até a ponte também traça a trajetória dele até aquele ponto. Tudo o que ele passou até ali foi demonstrado através das visões e dos momentos com personagens já mortos.

Rick chega até a ponte e a horda o segue até ali. Os demais o veem chegar e correm para lutar com os walkers, enquanto Michonne fala para ele o quão importante é que ele se mantenha vivo. Já ciente das ilusões anteriores, Rick entende que aquele momento não é parte do mundo real e que precisa acordar. Ele então caminha até a ponte – dessa vez de verdade – enquanto encara os mortos sobre aquilo que ele tem se dedicado a construir.

Herhsel apareceu para Rick em uma de suas alucinações.

Daryl, ao longe,aparece e começa a disparar contra os walkers que se aproximam do xerife. No fim, ao ver dinamites expostas sobre a ponte, Rick dispara contra elas e explode a construção. Todos se deparam com a cena chocante. O herói que salvou a vida de todos eles e os manteve vivos até ali está morto. Michonne desaba junto com Maggie e Carol. O irmão Dixon observa as chamas se propagarem com os olhos cheios de lágrimas. Rick está morto!

Ou ao menos foi o que eles acreditaram. Noutro extremo, Anne conversa com a equipe do helicóptero. Ela marca encontro em um ponto estratégico dizendo ter o que eles pedem. Anne parece planejar matar as pessoas, ou fazê-las suas reféns para ir para a comunidade, já que de fato não está com o A. No entanto, ao ver o rio infestado de corpos queimados ela enxerga na margem Rick agonizando. Ela entra em contato com o helicóptero e diz que tem um B, muito ferido, que se trata de um amigo que a ajudou e que ela precisa que eles a ajudem. Assim, vemos Rick indo embora com Anne.

Sem explicação alguma vemos uma cena conhecida dos quadrinhos acontecer. Magna chegou! E chegou de uma forma muito semelhante aos impressos de Kirkman. A cena deixa bem claro que muito tempo se passou desde a queda da ponte, já que o cenário se transforma. E lá está Magna, Yumiko, Connie e os demais, todos na luta pela sobrevivência. Quando estão prestes a serem devorados pelos walkers, tiros atingem os mortos e uma voz vinda da floresta pede para que eles se aproximem. Uma garotinha pergunta o nome deles, os quais respondem-a e lhe perguntam seu nome. Ela olha para o chão, pega um chapéu conhecido da audiência e afirma: Judith! Judith Grimes! Os pelos do meu braço arrepiaram ao ápice.

O episódio ao mesmo tempo que explorava um enredo monótono conseguiu demonstrar dinâmica e trabalhou muito bem a jornada do personagem central. Andrew, como sempre, foi monstruoso em cena e conseguiu transpassar para a audiência todos os mistos de sentimentos que Rick carregava nos minutos que o acompanhamos se despedir.

Magna e seus companheiros encarnam as contrapartes da HQ.

As cenas ilusórias foram estopentadas no quesito comoção. Conseguimos ver que mesmo havendo acontecido grandes tremores na amizade com Shane, Rick o havia perdoado e que talvez, as coisas pudessem ter sido diferentes se Walsh não tivesse tentado investir contra ele. Ver Hershel novamente mostrando seu lado sábio foi incrível e contrasta totalmente com a cena entre Michonne e Maggie, quando o nome do velho Greene é citado. Fica óbvio que Hershel confiava na criação que deu para a filha e sabia que ela descobriria seu caminho a medida do possível.

Anne/Jadis me fez ter um pesar profundo no coração. Assim como todos, eu desconfiava da personagem. Achava que ela era uma traidora e que só esperava o momento certo para dar o bote. Mas na verdade, vimos que ela era alguém que sempre sofreu por exclusão e que sempre foi rejeitada no apocalipse. Ela saiu do grupo justamente por ver que estava novamente sendo alvo de dúvidas e por isso achava que só com a comunidade do helicóptero conseguiria ser feliz. Quando ela vê Rick, ela demonstra seu altruísmo e empatia e implora por ajuda dizendo que precisa retribuir a ajuda dele. Quando Rick desperta no helicóptero, com um semblante de quem está preocupada, Anne promete que o ajudará. Por mais que ele seja uma chave para o seu sucesso na comunidade, ela o salvou e lembrou da ajuda que ele lhe deu.

Anne se despediu da série junto com o personagem central.

A cena final com Judith foi excitante ao extremo. Ao mesmo tempo que honra a memória de Carl, traz um mar de novidade para a série que é totalmente grandioso. Acompanhamos ela desde a gestação e nunca tínhamos entendido completamente seu propósito e agora a temos como um dos centro de enredo. Quando ela coloca o chapéu que já passou na cabeça de Rick e que era símbolo de Carl, fica claro que ela é uma espécie de personagem que assumirá o manto do irmão, o que é bem comum nos quadrinhos da Marvel, por exemplo, e seus heróis. Afirmando seu nome completo, ela demonstra que mesmo sendo filha de Shane, ela reconhecerá para sempre a paternidade de Rick. Não, ela não é Judith Walsh, ela é Judith Grimes com todo o orgulho que sua voz pôde afirmar.

A cena final, inclusive poderia ser o desfecho de toda a história e, em partes, serviu para isso. É como se a missão de Rick tivesse sido cumprida e agora havia se iniciado uma nova fase da história que honraria aquilo que o herói tentou construir.

Há de se ponderar que, aparentemente o salto temporal dado não é inferior a cinco anos. Então, levando-se em consideração o que já foi revelado pelo próprio Robert Kirkman de que até a nona temporada haviam se passado cerca de três anos desde o inicio do surto, os personagens sobreviventes após o desaparecimento de Rick já sobreviveram mais tempo sem ele do que sendo liderados por ele. Será que já o esqueceram? Será que sua liderança ainda é uma marca presente na vida deles?

Enfim, espero que em meio a toda a confusão desse artigo tenha conseguido passar a mensagem de que para mim The Walking Dead voltou a conseguir surpreender, saindo da agenda fixa de explosões de enredo no primeiro, oitavo e décimo sexto episódio. A superveniência de Rick construída logo após a possível morte do personagem anunciada, por mais que seja um golpe de marketing escancarando (e que eu já tinha previsto em julho), foi convincente pois foi construída com maestria e desenvolvida dentro de um enredo bem coeso desde a estréia da nona temporada.

Judith, Judith Grimes!

Angela Kang demonstra grandiosidade em construir a história desse nono ano. Tão bem que nos faz perguntar: Por que ela não assumiu antes? Os passos curtos da showrunner até aqui foram cravados nesse quinto episódio e se ela conseguir apresentar um bom desenvolvimento na próxima fase da história, se sagrará como uma das melhores produtoras executivas que a série já teve.

Há tanto para explorar agora com a ausência de Rick. Tantos personagens terão possibilidade para crescer longe das sombras do protagonista. Personagens que merecem e a tanto tempo não possuem destaque, visto que esse precisava verter em direção ao herói central. Com sua ausência, talvez a trama se torne mais orgânica e consiga desenvolver paralelamente diversos sobreviventes.

É doloroso ver Rick ir embora, mas cabe ressaltar que o sucesso da série está mais na nossa posição do que na própria trama. Aparentemente, Kang conseguirá desenvolver um trabalho de qualidade. Assim, cabe  a nós abrirmos mão de nossos preconceitos que estabelecem que The Walking Dead não funciona sem a presença de Rick e expandirmos nossas mentes para permitirmos seguir a história com as novas e amplas possibilidades que a série poderá traçar a partir de agora.

Se eu tivesse que suscitar algum ponto negativo, eu diria que a série ainda peca no quesito jogo de câmeras que parecem bem mais mecânicas e impensadas se compararmos à série secundária, Fear The Walking Dead, que parece ter um domínio melhor das posições necessárias para se extrair o melhor das cenas.

Rick cambaleou durante quase todo o episódio.

Rick não está morto! Sua presença e marca nos demais também não está! Precisamos saber em que se desencadeará a história que ele iniciou. Eu estarei presente, e você?

Comente abaixo sua opinião e expectativa para o seguimento da história. Aproveite e vote em nossa enquete:

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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