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Review The Walking Dead S09E04 – “The Obliged”: Emoção à flor da pele

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do quarto episódio, S09E04 – “The Obliged”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Você conhece aquela expressão “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”? Pois então, The Obliged, quarto episódio do nono ano de The Walking Dead reproduziu cordialmente o dito popular. Digo isso pelo fato do episódio inteiro ter sido trabalhado em cima de questões que já eram cobradas nas outras temporadas: finalmente vemos que Rick e Carol nutrem um respeito enorme um pelo outro; vimos o xerife e Daryl – que falou e se emocionou em cena – resolvendo suas diferenças e tivemos Michonne muito além de uma samurai de cara amarrada. Mas no final, todo esse carinho por parte dos roteiristas se transformou em uma gama de lágrimas quando pudemos enfim ter a ciência de que Rick estava tendo seus últimos momentos na história.

Carol e Rick constroem uma cena emocionante no inicio do episódio. Quando ele percebe que ela abandonará o acampamento junto com os residentes do Reino e diz que não acredita em uma mudança por parte dos Salvadores, ele confessa que ela sempre foi o seu termômetro de que as coisas estavam ou não dando certo. É repleta de emoção a cena justamente pelo fato de que ela significa não apenas aquele momento, mas as nove temporadas, junto com Daryl, os três são os últimos que estão desde o começo lutando lado a lado. Não sabemos filtrar se as lágrimas de Andrew Lincoln e Melissa McBride eram apenas parte do roteiro ou uma despedida solene entre familiares obrigados a se separarem.

Maggie segue sua jornada em busca de justiça e se prepara para adentrar Alexandria. Jesus percebe que ela fará se cumprir suas palavras do final do oitavo ano e tenta abrir seus olhos, mas ela é irredutível. A Maggie ponderada e racional dos últimos episódios foi tomada por alguém totalmente diversa daquilo. Será que ela conseguirá cumprir o seu plano, ou será impedida por outros eventos?

Maggie está pronta para encerrar sua jornada.

Enquanto tudo acontece, também somos expostos a nova vida de Michonne que dentro de suas tarefas está incumbida de cuidar de Judith, acompanhar as obras internas em Alexandria, resolver conflitos, projetar o desenvolvimento e, quando a insônia lhe alcança, matar walkers nas ruas. A cena finalmente nos revela que o sangue visto no braço dela no episódio anterior provavelmente venha daí.

É nessa temática que também somos levados a relação dela com Negan. quando ele estabelece uma espécie de greve de fome. Em primeira mão, a atitude do presidiário parece ser a de alguém disposto a estabelecer a implicância, mas, ao longo do desenvolver das cenas percebemos que na verdade ele está tentando apenas não ficar louco no silêncio e na escuridão de sua prisão. Uma conversa repleta de referência aos quadrinhos, que nos revela um pouco mais do que era Negan no pré-apocalipse, no mesmo modo que lida com questões importantes para Michonne. Foi bonito de ver a posição dela de assumir Carl e Judith como filhos dela tanto quanto Andre.

No Lixão, Anne trata Gabriel como Rick e Negan, o colocando perto da boca de um walker, mas desistindo logo em seguida. A cena levanta mais questionamentos sobre a trama da personagem e do helicóptero, já que vai contra a tudo aquilo que conseguimos teorizar sobre A e B. Aparentemente, Anne ia deixar que o walker mordesse Gabriel antes de lhe entregar para o helicóptero. O que isso significa? Qual os segredos escondidos nessa comunidade?

Anne e seus zumbis com balde na cabeça.

No acampamento, Carol reúne os objetos pertencentes aos moradores do Reino quando é surpreendida por Salvadores que lhe apontam um revólver. Sem pestanejar, ela lhes devolve o gesto e lhes coloca sob a mira de sua pistola. Jed, que confessa ter rendido Alden – a quem Peletier havia confiado a missão de guiá-los até o Santuário. Jed reduz Carol a uma mulher fraca que tenta se esconder atrás da figura de uma mulher dura. Coitado! Com um golpe só ela rende o Salvador e então a cena muda e, longe dali, acabamos ouvindo tiros.

E então chegamos ao único ponto que nos resta debater: a combinação Daryl e Rick e o desfecho dessa amizade. Quando Rick descobre que Maggie está partindo para Alexandria, ele se vê obrigado a abandonar o acampamento para, o quanto antes, chegar em sua casa. Daryl o observa de longe e lhe oferece uma carona de moto. O que o xerife não esperava é que a carona de Dixon se revelasse parte do plano da líder de Hilltop para mantê-lo afastado de Alexandria enquanto ela cumpria sua missão. Os dois se engalfinham e acabam despencando dentro de um grande poço.

Ali, impossibilitados de sair e distantes de qualquer ajuda de terceiros, os dois começam uma acalorada conversa. Mas no fim, aquilo que parecia uma disputa de ódio se torna em marcas de uma amizade profunda, de um amor incondicional que está disposto a entregar a si mesmo para a morte em favor do outro. Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, é difícil ver Rick sendo contrariado por todos os seus. Uma das primeiras vezes que vemos o herói sem o apoio de nenhum de seus companheiros de estrada.

Rick e Daryl tiveram alguns confrontos durante The Obliged.

Os tiros dados no acampamento acabam atraindo walkers que começam a despencar para dentro do poço. Daryl e Rick conseguem escalar as paredes do local utilizando raízes para isso. No lado de fora, Rick vê uma imensa horda indo na direção das pessoas que trabalham na ponte e, se vê obrigado a desviá-la. E é liderando os walkers – sozinho, já que Daryl se incumbiu de descobrir o que estava havendo no acampamento – que ele acaba encurralado. O cavalo pinoteia e Rick despenca sobre um vergalhão que lhe traspassa o abdômen. O episódio termina com duas hordas chegando perto do herói desmaiado.

É óbvio que essa não é a morte de Rick, mas é o inicio dela. O herói das oito temporadas anteriores não irá morrer devorado por walkers enquanto se vê preso em destroços e empalado por uma barra de aço. Entretanto, a cena nos liga a caminhada do personagem para seu fim e é isso que choca. Todos nós sabíamos que ele partiria da trama, mas aparentemente a ideia ainda não fazia parte da aceitação total de nossas mentes e sermos confrontados com ela nos fez paralisar por alguns segundos. Há uma impotência da nossa parte que só percebemos agora. Rick está morrendo e nós não podemos fazer absolutamente nada para mudar isso.

Mas talvez esse não seja o inicio da morte de Rick. Talvez a morte de Rick seja uma sucessão de atos, seus e de terceiros desde o final da oitava temporada. A morte de Rick só acontecerá porque ele decidiu poupar Negan. A despedida dele só virá à tona porque Maggie e Daryl resolveram problematizar seus planos. Só veremos o desfecho do personagem porque os Salvadores não entenderam o que ele estava tentando fazer por eles. E assim, num somatório de ações e omissões, somos levados à marcha de Rick para a morte.

Michonne e sua incansável espada entraram em ação.

Tivemos momentos nesse episódio que ficaram confusos entre atuação e realidade. Os olhos cheios de lágrimas de Andrew e Melissa, bem como os de Norman quando seu personagem olha para Rick e diz “se cuide” jamais nos darão certeza se aquilo era parte do roteiro ou uma ação involuntária de corações humanos que trabalham juntos desde o inicio e deixaram a emoção pessoal transpassar frente às câmeras. As palavras dita por cada um dos três últimos sobreviventes da primeira temporada na série foram ambíguas. É como se a audiência pudesse ver um pouco de Andrew, Norman e Melissa fora de seus personagens.

Possuímos, até onde notei, um único desleixo de roteiro nessa vez. Como Jed e os Salvadores descobriram que eram as mulheres de Oceanside que estavam matando seus companheiros? Ninguém além de Daryl e Maggie sabiam dos fatos, os dois não haviam contado para ninguém até então. De onde (ou como) eles chegaram a conclusão de que elas foram as responsáveis?

A cena final do episódio é uma homenagem clássica ao piloto da série, quando Rick é encurralado em duas vias por walkers e seu cavalo, agitado, acaba o derrubando no chão. A diferença é que ao invés de haver um tanque de guerra para ele se esconder embaixo, ele acaba sendo empalado pelo vergão. A citação de Daryl, relembrando o momento em que Rick é salvo por Glenn em Atlanta também traz uma nostalgia de toda a trajetória.

Será que Michonne irá se perder após a morte de Rick assim como Negan?

Quando Negan conversa com Michonne, ele a interpela contando a verdadeira história de Lucille, sua esposa, que morreu com câncer antes de tudo começar. A convergência de os dois estarem ali conversando é totalmente paralela a história que se desenrola com Rick, longe dali. Negan tenta convencer Michonne que talvez ela seja igual a ele. Será que veremos Michonne se perdendo e deixando de lado a fome pelo futuro após a partida de Rick?

Enfim, esse episódio é mais uma prova de que não precisamos ir muito longe para termos bons – e tristes – momentos em The Walking Dead. The Obliged é um episódio focado em pequenos enredos, mas consegue ser orgânico e fluir para um ponto em comum, atando as histórias. A fórmula de Angela tem dado certo, passo por passo ela constrói uma história bem fundamentada. Teremos que ver como será o desfecho de Rick na próxima semana para concluirmos se a história terá condições de seguir sem o seu herói principal.

E você, gostou do episódio? Deixe sua opinião nos comentários e vote em nossa enquete para que saibamos o que você pensa sobre The Obliged.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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