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Saída de Andrew Lincoln de The Walking Dead pode ser uma grande jogada de marketing?

Carlos Knewitz

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ATENÇÃO: Contém alguns possíveis SPOILERS da 9ª temporada de The Walking Dead. Leia por sua conta e risco. Você foi avisado!

Não é necessário ser um grande marqueteiro para entender que o sucesso de uma série tem grande porcentagem de sua audiência atrelada ao desenvolvimento de seu protagonista. Se o protagonista vai bem a série prospera, se o protagonista decai a audiência se injuria e passa a virar as costas para o produto. Ainda, é fácil entender que especular sobre a morte do protagonista lançando comunicados meramente informais para a imprensa, além de causar a revolta do público gera curiosidade de como o fim do personagem se desenvolverá e como serão os passos seguintes sem a presença do eixo central da história.

Dito isso, resta à pergunta: e se a saída de Andrew Lincoln de The Walking Dead fosse meramente uma jogada de marketing do AMC? Uma forma de despertar curiosidade nos fervorosos fãs da série e naqueles que estão alheios (qualquer pessoa que não tenha acompanhado a série sabe da grandiosidade de The Walking Dead e com toda a certeza teria pontas de interesse em ver o fim de seu protagonista e como seria trabalhada a temática após sua saída).

O redator desse texto há menos de um mês atrás divulgou um artigo sobre as consequências da saída de Andrew da série, lá apresentou os possíveis prejuízos trazidos pela ausência do protagonista. Esse novo artigo vem apenas como forma de levantar questionamentos e atiçar o senso crítico de nossos leitores.

A partir dos fatos relacionados acima, vamos a uma série de acontecimentos que podem levantar dúvidas sobre a real saída (ou da saída definitiva) de Andrew da série:

1. NEM ANDREW LINCOLN E NEM O AMC SE POSICIONARAM SOBRE O FATO OFICIALMENTE

Bem, nem atores e nem os canais possuem costume de se posicionar sobre a morte de um personagem em uma série. Entretanto, é muito comum que quando há vazamento de notícias sobre o fato – ainda mais por se tratar de protagonista – o canal e o ator tentem desmentir as especulações a cerca da morte, até que essa venha se confirmar na exibição do episódio.

O fato é que especificamente sobre Rick, nem Andrew e nem o AMC (por meio de qualquer um de seus veículos ou profissionais) vieram a público tentar amortizar as notícias sobre a saída do personagem central da série. Isso é totalmente estranho, já que a saída do protagonista precisa ser um evento totalmente secreto para se ter o impacto que se deseja e o total desleixo de ambas as partes em amenizar as especulações é evidente.

Tudo bem, desde a oitava temporada Andrew vem deixando indiretamente declarações de estar cansado e de achar que Rick perdeu motivação sem a existência de Carl. Mas se isso for analisado, pode se tratar apenas de comentários programados para dar força às especulações da morte de seu personagem. Fora que seus comentários não assumem expressamente que Rick vá de fato deixar The Walking Dead de alguma forma.

2. NORMAN REEDUS POSTOU FOTOS COM ANDREW LICOLN EM TOM DE DESPEDIDA, MAS SEM OFERECER QUALQUER CERTEZA

Talvez nem o The Spoiling Dead Fans seja tão grandioso no hábito de divulgar spoiler quanto o Instagram de Norman Reedus. O intérprete de Daryl sempre divulgou despedidas de atores em seu feed de fotos da rede social. Todos eles acompanhados de imensos textos de adeus e de agradecimento.

Ora, Andrew e Norman estão juntos desde 2010 e já revelaram que a vida imita a arte e como seus personagens, se consideram irmãos. Andrew já diversas vezes disse que a presença de Norman o faz amenizar um pouco a saudade da família que mora em Londres e que dormir na casa de Reedus se tornou algo constante em meio às gravações.

Norman, desde que começaram a surgir os boatos sobre a possível morte de Rick tem sido enigmático postando fotos abraçando Andrew, mas sem qualquer legenda escrita, usando apenas emojis.

Tudo bem, isso pode ser a restrição que o AMC colocou aos atores para manter a morte em segredo – por mais que toda a mídia internacional esteja comentando sobre o fato. Mas mesmo que seja, é estranho que ele tenha se dado ao trabalho de postar as fotos só para encher as legendas de emoji. Parece muito mais uma forma de “colocar lenha na fogueira” e dar força aos boatos.

Fora que ele tem relação direta com a notícia já que seu nome está sendo cotado como o de novo protagonista da franquia, derivando em um contrato de vinte milhões de dólares por temporada. Não houve qualquer tentativa de Norman de desmentir as notícias para amortizar os boatos, é como se ele quisesse cooperar para que a história continuasse a se desenrolar.

3. ANGELA KANG, A NOVA SHOWRUNNER, PODE REPETIR ANTIGOS FEITOS

Angela Kang foi anunciada recentemente como a nova showrunner de The Walking Dead, uma vez que Scott Gimple deixou o cargo para assumir uma posição mais elevada dentro da franquia.

Para quem não está relacionando o nome de Kang aos fatos, ela é a pessoa responsável pelo enredo do criticado episódio “Thank You” da sexta temporada em que Glenn aparentemente havia morrido, mas magicamente conseguiu se esconder embaixo de uma lixeira e ressurgir alguns episódios depois causando a revolta do público que já vinha superando o luto pelo personagem.

É óbvio que talvez ela queira se livrar da alcunha de matadora fictícia de personagens centrais, mas é aquele velho provérbio “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”. Se não deu certo em uma primeira vez, porque não poderia dar numa segunda tentativa?

No The Spoiling Dead Fans houve divulgações do que seria a filmagem da cena da morte de Rick no quinto episódio da nona temporada. Conforme as imagens e relatos das pessoas presentes, Rick é cercado por uma enorme horda de walkers. Após isso a filmagem foi finalizada, sem serem ouvidos gritos e nem mesmo ser visto Andrew caracterizado como alguém que havia sido mordido. O ator no dia posterior foi visto no aeroporto partindo em direção à Londres, sem ter havido qualquer filmagem interna de despedida dos personagens do protagonista da série.

Se essa é a morte planejada para o protagonista da série, receio que tenha sido a pior decisão tomada. Matar o protagonista de nove anos em meio a uma horda, sem haver qualquer dramatização da despedida dele dos personagens que foram liderados por suas decisões desde o inicio? Parece fraco e fútil.

A ida de Andrew para Londres, aonde reside sua família, pareceu muito mais uma saída de férias do que a de fato a de alguém que está indo embora para sempre. Tudo parece indicar muito mais que teremos uma nova lixeira e veremos Rick desaparecer por um bom tempo – talvez até anos – para ressurgir posteriormente.

Fora que conforme divulgado, o ator foi contratado para seis episódios na nona temporada. Se a “morte” se deu no quinto episódio, teríamos um erro de cálculo. Isso pode indicar que Rick irá sumir no quinto episódio e reaparecer no episódio final da temporada – os oito capítulos finais serão gravados a partir de agosto do corrente ano, o que daria alguns meses de férias para o ator descansar em Londres, já que o décimo sexto episódio seria trabalhado em meados de novembro.

4. A SÉRIE PRECISAVA RESPIRAR POR UM TEMPO PARA DESENVOLVER NOVOS ENREDOS

São quase nove anos centrada em um mesmo enredo. Diferentemente da HQ com lançamentos mensais e que por vezes passava meses sem fazer menção a Rick – diversas edições consecutivas se centraram em Negan ou na liderança de Maggie em Hilltop resultando em mais de um ano sem a presença do protagonista nos quadrinhos -, a série não pode passar muitos episódios consecutivos sem demonstrar a presença de seu protagonista tendo ele ainda presente na trama.

Ocorre que girar em torno de um mesmo personagem por muito tempo acaba trazendo um desgaste gigantesco à trama. Talvez a audiência estivesse cansada de ver sempre a mesma história se repetindo e a melhor forma de alterar isso seria dar oportunidade de um novo enfoque no enredo. Como citado acima, é totalmente possível que Andrew esteja apenas aguardando um retorno em alguma temporada mais pra frente ou dar um tempo no nono ano para que outros personagens apresentem rendimento.

5. ANDREW PRECISA DESCANSAR A IMAGEM

Um ponto quase intrínseco ao supracitado é de que um ator possui prazo de validade para o público e até mesmo os protagonistas o possuem. Séries como “Supernatural” ou “Game of Thrones” (que levantam uma base de fãs semelhante à The Walking Dead) constantemente revezam seus protagonistas (morrem, ressuscitam, desaparecem e reaparecem) para que esse prazo seja estendido e a audiência consiga carregar os atores por mais tempo do que o possível.

Em The Walking Dead temos um ator dando rosto à série a mais de oito anos consecutivos, sem interrupção e com participação ativa em todas as temporadas. A audiência pode não se aperceber, mas o desgaste do interprete acaba sendo refletido em todos os demais personagens e prejudicando o rumo total do enredo. Um descanso à imagem do ator é necessário vez ou outra e talvez tenha chegado o momento de Andrew se afastar por um tempo para conseguir ter o “gás” preciso para carregar mais algumas temporadas da série.

A desculpa de que está longe da família é meio fraca. The Walking Dead de fato é o primeiro grande trabalho de Lincoln na arte de atuar, antes ele havia feito poucos papeis de porte médio. O lucro que a série dá para ele é grandioso o suficiente. É completamente estranho que um ator que lutou tanto para receber o destaque que conseguiu largue o cenário de arte dos Estados Unidos (que é sonho de qualquer ator) para retornar ao Reino Unido sem nenhuma proposta de trabalho em vista apenas por saudade da família. Não seria mais fácil e coerente a mudança e fixação em solo americano?

E você? Acredita mesmo que Andrew tenha deixado a série que lhe deu nome mundialmente ou acha que é apenas uma forma de atrair a audiência? Deixe seu comentário abaixo para que possamos saber sua opinião e suas expectativas sobre o que foi discutido nesse artigo.

Onde assistir a 9ª temporada? Hoje em dia é muito fácil encontrar o conteúdo que nos interessa na Internet. Muitos sites web nos oferecem assistir séries online ou baixá-las para o seu PC. Geralmente, os arquivos baixados são salvos no seu computador no formato MKV ou VOB. Se você quiser assistir a série em um dispositivo portátil, então você precisa converter os arquivos para o formato MP4 ou AVI para visualização na TV (para mais detalhes, leia aqui). Para isso você pode instalar qualquer conversor de vídeo, por exemplo Freemake Video Converter – software confiável e gratuito para Windows.

The Walking Dead retorna em Outubro. O trailer da 9ª temporada deve ser lançado durante o painel da série na San Diego Comic-Con, no dia 20 de julho.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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