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REVIEW THE WALKING DEAD S08E16 – “Wrath”: A misericórdia prevaleceu sobre a ira

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo sexto episódio, S08E16 – “Wrath” (Ira), da oitava temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

“A grande arte é mudar durante a batalha. Ai do general que vai para o combate com um esquema.”Napoleão Bonaparte

Na noite do último domingo a oitava temporada chegou ao seu fim. Mas, não fora apenas o fim de uma temporada. O episódio trouxe conclusão para uma trama que já se desenrolava faz duas temporadas. E esse fim foi muito além de “quem morre”. Houve uma transição importante no caráter de muitos personagens.

Sinceramente, havia um ar de temor quanta a conclusão da Guerra Total. Dado algumas conclusões decepcionantes anteriores, o evento mais difícil de ser trazido à tela foi bem executado e atendeu o que era necessário para o encerramento do arco por completo.

O personagem mais controverso parece ter se redimido ao menos um pouco com o público. Eugene, após ouvir Rosita, faz alterações drásticas nas munições dos Salvadores e é o responsável por salvar nossos heróis de um ataque que seria mortal. Isso demonstra um lado da Guerra que é comum no mundo real: o terrorismo psicológico pode escravizar grandes gênios e nem sempre aqueles que se rendem para o mal são essencialmente pessoas ruins, apenas não tiveram forças suficientes para contrariar seus dominadores.

Negan não esperava por uma traição desse patamar. Aliás, Negan é o homem mais iludido do apocalipse. É totalmente fácil enganá-lo e manipular ele. Basta fingir que ele continua sendo seu superior que ele cairá como pato em sua história. Foi assim com Simon, Dwight e Eugene.

Em Hilltop vemos um pequeno grupo se preparando para aquilo que eles achavam que seria um pequeno embate. Dessa forma, quase todos os nossos personagens centrais – com exceção de Tara e Enid – saem para a ação. Antes de ir para a matança, Rick vai se despedir de Judith e então temos uma repetição de uma cena citada em uma review anterior: Rick se deparando com sua imagem ao espelho. Na mesma forma que naquela vez, logo após promover a matança de Salvadores que queriam se aliar com ele, Rick se contrastou com seu reflexo. Isso traz mais força a ideia de que ele está em um grande conflito interno que luta entre a razão e a emoção. A emoção aqui é o desejo de vingança e a razão a ideia de que após tudo o que se passou há de existir um futuro para ele e para a pequena Judith.

Para completar esse ar de ruptura do protagonista, Siddiq aparece no quarto e pela primeira vez Rick quer saber como tudo aconteceu com Carl. Isso demonstra que ele finalmente está permitindo que a ferida exposta pela morte do jovem Grimes seja tratada. Com um diálogo repleto de emoção – e com profundidade de atuação por parte de Avi Nash -, Rick entende as motivações de Carl e vê o quanto honrar a memória das pessoas que já passaram é necessário.

Morgan é outro personagem que possui uma transição interessante nesse episódio. Completamente fora de si, ele quase acaba por matar Henry e é confrontado por Carol. Será que Carol estava relutando consigo mesma por entender que Morgan estava se tornando um perigo para a segurança de todos já que ela teve de matar Lizzie pelo mesmo motivo?

Enfim, a Guerra chega ao fim depois dos Salvadores serem rendidos pelo grupo de Rick em cenas totalmente intensas de combate. O tão esperado – pela quarta vez – momento entre Negan e o protagonista chega e quando Rick está quase sendo derrotado pelo vilão, ele apela para Carl e dá um discurso para ele sobre a importância deles tentarem construir um mundo novo. Então, uma cena totalmente assustadora acontece. Rick corta o pescoço de Negan parecendo ter matado o antagonista.

Rick dá um belo discurso para todos sobre a possibilidade deles construírem algo novo e lutarem contra os verdadeiros inimigos – apontando pra uma horda imensa de walkers (Alpha mandando beijos). Ao final, ordena que Siddiq salve a vida de Negan.

Maggie entra em desespero e exige que o algoz de seu marido seja morto. Entretanto, a petição dela não é ouvida pelo xerife. Outros rostos são focados e todos parecem estar bastante assustados no como tudo aconteceu.

Em Hilltop, após a chegada de Salvadores, a cidadela é evacuada por um acesso traseiro. Tara fica para defender o local, mas, surpreendentemente é apoiada por Alden e os Salvadores prisioneiros. Quando estão percebendo que seus esforços não darão resultado, uma explosão se dá matando todos os inimigos que cercam o local. Oceanside vem para combate e livra Tara da incumbência de guardar a cidadela – o que já era extremamente previsível.

Com a paz estabelecida, Daryl resolve dar uma de louco e levar Dwight para longe. O caipira determina que ele vá embora e nunca mais retorne. É engraçado pensar que o único dos Salvadores que contribuiu ao máximo para a vitória de Rick, é o único que é condenado a se afastar.

Outro personagem que se despede da trama é Morgan Jones que após se afastar de seus conhecidos, vai até o lixão e pede para que Jadis – Anne, como descobrimos – procure por Rick em Alexandria, local no qual ela encontrará morada. Ao ser questionado pela personagem se ele irá junto com ela, Morgan diz que não. A história dele passa a se desdobrar no spin-off Fear the Walking Dead.

Enquanto Rick decreta prisão perpétua para Negan em Alexandria, Maggie junta a Jesus e Daryl aparece num tom ameaçador, planejando descumprir as vontades do xerife. Sinceramente, não há coesão na presença de Jesus ali, visto que ele sempre defendeu a ideia de que matar não era a melhor opção e que havia de ser estabelecida uma nova forma de vida após a Guerra. Seria bem mais compreensível se fosse Rosita em seu lugar.

Enfim, o episódio dessa semana findou a temporada e todos os oito anos de série. Digo isso porque, a partir de agora teremos uma transformação grandiosa naquilo que vimos até hoje. The Walking Dead basicamente se transformará em outra série a partir de agora e se distanciará ao máximo do que já conhecemos.

As cenas de abertura com uma espécie de flashback entre Rick e Carl serviram ainda mais para que entendêssemos que os desejos de ver o pai e Negan colhendo morangos em Alexandria podem ser concretos a partir de agora. Provavelmente retornaremos com um significativo salto temporal, com nossos heróis desacostumados com a luta já que viverão tempos de paz.

Hilltop será fortificada, Reino e Alexandria serão reconstruídos e a Fábrica dos Salvadores – que aparentemente ficou sobre o controle de Laura que poderá ser assistida por Tara e Rosita – está desenvolvendo técnicas de sustentabilidade própria para que possa cooperar com as demais comunidades. Quanto a Oceanside, não temos notícias de como se desdobrará e qual será sua participação nesse novo mundo globalizado estabelecido por Rick.

Dwight seguiu a ordem de Daryl e está indo atrás de sua amada agora que é totalmente livre para amá-la. O que esperamos? Que ele não seja mais um personagem atirado na escuridão como a própria Shery e Heath.

Maggie continua fazendo o jogo do difícil com Alden. Algo semelhante acontece nos quadrinhos – mas com um residente de Hilltop – e no fim, ela acaba se rendendo a oportunidade de um novo amor. Se Alden for o escolhido para reascender a chama do amor na senhora Greene, já há altos índices de aceitação por parte do público.

E até agora não tivemos resoluções quanto ao helicóptero de Anne. Nada foi explicado e nem as expectativas de que isso seria suprido em Fear the Walking Dead foram atendidas. Então, passaremos longos meses criando as maiores teorias sobre a personagem que pouco a pouco está se permitindo ser explorada. O problema é se o salto temporal vier e ela aparecer bem integrada em Alexandria já e a história ficar sem explicação alguma.

O maior medo para esse salto temporal gira em torno de que a pacificação acabe por amortizar demais o ritmo da série que foi retomado na segunda metade dessa temporada. Querendo ou não, The Walking Dead conquistou um público gigantesco de entusiastas da ação e morte. Então, termos uma primeira metade de temporada que se foque unicamente na construção de cidades e em estabelecer o novo mundo pode desgastar ainda mais a audiência sedenta por sangue e reviravoltas.

O que poderá ser utilizado é a chegada de novos integrantes e pequenos conflitos internos sobre as decisões de Rick. Mas o quão suficiente isso será para manter a trama em um ritmo aceitável? Talvez trazer de volta personagens desaparecidos seja outra aposta que podem vir com informações de problemas que se aproximam.

Enfim, que fique reservado à nona temporada a incumbência de continuar restabelecendo The Walking Dead.

E você? O que achou do episódio final da temporada? Quais suas expectativas para a nona temporada? Quem são os próximos personagens a morrerem? Deixe um comentário abaixo.

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The Walking Dead retorna em Outubro.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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