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Análises

Analisando The Walking Dead: O possível destino de Andrea nos quadrinhos e seu reflexo na Série de TV

Carlos Knewitz

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ATENÇÃO: O texto abaixo contém SPOILERS da edição 165 dos quadrinhos de The Walking Dead. Se você não acompanha ou ainda não leu a edição, não continue. Você foi avisado!

Há de se concordar que, Robert Kirkman gosta de brincar com os corações dos fãs dos quadrinhos. Já se foram cento e sessenta e cinco edições dos quadrinhos – que dão embasamento à série – e ele continua conseguindo surpreender até mesmo os mais desinteressados.

Para quem não sabe a Andrea dos quadrinhos, diferentemente da sua contraparte da série, continua viva e é ela quem faz par romântico com Rick (substituída por Michonne na televisão), dando-lhe total apoio e amparo psicológico e físico. Inclusive, Kirkman já declarou diversas vezes que assim como Carl é seu personagem masculino favorito dos impressos, Andrea é a mulher de quem ele mais se orgulha em ter criado e inserido na história.

Ocorre que depois de quase 14 anos (isso mesmo, você não leu errado, quatorze anos) acompanhando o desenvolver da história dela, nós fomos surpreendidos com uma cena desesperadora: quando estão tentando conter uma ordem imensurável de mortos-vivos, Eugene passa por dificuldades e Andrea o ajuda a dissipar os walkers que tentam o devorar. Ao final dos quadrinhos, logo após salvar Eugene, vemos Andrea surpresa com um ferimento no pescoço.

A edição termina assim, sem nos explicar se é uma mordida ou um ferimento de bala perdida (ou de raspão) disparada no meio do alvoroço com os zumbis. Contudo, como de praxe, cada quadrinho traz a arte das capas das duas edições seguintes. E então vemos uma cena de partir o coração na capa da edição 167: Rick e Andrea ajoelhados um em frente do outro, com aspecto de tristeza e ele segurando uma arma. Ainda, a chamada da edição fala que os dois terão que tentar lutar contra o inevitável. Daí surge três vertentes discutidas pelos fãs desde a publicação da última edição:

1 – Andrea foi mordida no pescoço e as duas próximas edições trabalharão sua despedida: desde a morte de Glenn na edição 100 que não vemos um dos originais de Atlanta morrer. Kirkman sempre gostou de afirmar que nenhum de seus personagens está ileso se tratando da morte. Então, não é impossível que Andrea realmente veja seu drástico fim. Irá ser doloroso? Demais e talvez supere a morte de Glenn. Mas talvez seja algo necessário para explorar-se uma nova faceta de Rick – que a meu ver, é mero coadjuvante no enredo dos quadrinhos faz um bom tempo.

2 – Andrea levou um tiro de raspão/bala perdida: sim, nada impede que Andrea venha a morrer mesmo que o ferimento seja causado por uma bala, mas, no histórico dos quadrinhos e pela importância da personagem é difícil crer que sua morte seria tão acidental e com um enredo consideravelmente fraco – levando-se em consideração todas as dificuldades pelas quais a personagem já passou, sua despedida ser em um tiro de raspão fazê-la sangrar até a morte seria um tanto quanto questionável. Ainda, devemos lembrar que capas nunca falam muita coisa. Já vimos edições onde Heath – que está bem presente na HQ – aparece com os dois membros mesmo depois da perda de uma das pernas. Também já houve artes de capa que sugeriam grandes eventos, mas que no fim era apenas mais uma edição qualquer criando enredo, com nenhuma ligação com a capa. Fora que, Kirkman adora nos sugerir a morte de alguém e depois de algumas edições abalar toda a nossa teoria de morte com uma história bem fundamentada e totalmente avessa a de que imaginamos.

3 – Andrea foi mordida, mas a mordida foi dada por um sussurrador que estava no meio da horda disfarçado de zumbi: nada de impossível aqui, uma vez que os sussurradores conseguem se camuflar com perfeição em meio aos mortos. Causaria grande aflição em nós e nos personagens, que acreditariam que Andrea foi mordida por um zumbi, veríamos ao desenrolar das edições ela esperando sua morte e no fim, a morte nunca chegar, uma vez que tenha sido mordida por um homem vivo membro dos sussurradores. Ou, uma versão mais obscura dessa teoria que fala em ela ser mordida por um dos soldados de Beta (já que Alpha morre), Rick dar seu tiro de misericórdia nela e após a morte de Andrea eles descobrirem que ela não estava infectada de fato e que tudo se passou de um plano de Beta para vingar o assassinato de Alpha – por Negan.

Bem, tendo essas três linhas especulativas, devemos teorizar sobre o possível desenrolar da história supracitada na série de TV, uma vez que os produtores e a AMC têm se esforçado para seguir uma fidelidade aos impressos – ainda que com pequenas alterações. Então, abaixo estão cinco possíveis reflexos da história caso Andrea realmente venha a morrer na HQ:

1 – Michonne e sua despedida:

Podemos afirmar que para a série, na atual sétima temporada, chegar ao alcance do que está sendo retratado atualmente na HQ ainda serão necessárias no mínimo cinco temporadas (o evento da edição 165 então se passaria pela 12ª temporada da série, possivelmente numa midseason ou season finale). Bem, Andrea morreu – infelizmente – no final da terceira temporada e quem assumiu seu enredo foi Michonne. Sabemos que na HQ e na série personagens importantes não morrem por morrer. Suas mortes contém significado e trazem consequências para os que ficam.

Possivelmente, uma sugestiva morte de Andrea causará reflexos grandiosos em Rick, visto a importância dela para ele (Rick já afirmou para a Michonne dos quadrinhos que ama Andrea de forma mais verdadeira e intensa do que amava Lori e que prefere a vida pós-apocalíptica, visto que nela possuí a companhia da nova esposa).

Então, não há outra pessoa com tamanha importância para Rick na série que não seja Michonne. Com certeza veremos o amor deles se aprofundar muito mais nas próximas temporadas e se isso acontecer, com certeza a pessoa mais capaz de assumir a morte de Andrea nos quadrinhos é Michonne. Será muito triste se despedir da nossa espadachim preferida, mas se é para impulsionar a história e elevar o nível do enredo, que ocorra com uma morte gloriosa e honrosa para a personagem.

2 – A morte de Carol:

Verdade, a Carol dos quadrinhos morreu faz tanto tempo e foi tão insignificante que é difícil de lembrar-se dela a não ser pela existência de Sophia (ainda viva nos quadrinhos e que na série está sendo substituída por Enid). Mas, sua contraparte na série desenvolveu-se de forma majestosa, tornou-se tão forte que o próprio protagonista já a definiu como “não apenas uma mulher, mas uma força da natureza”. Ainda, Kirkman já corrigiu sua declaração de que todos estão suscetíveis a morte, adicionando que a única personagem da série que com certeza não tem um motivo e nem forma de morrer é Carol e a classificando como sua sobrevivente favorita na TV.

Se Michonne assumiu o enredo de Andrea, temos que concordar que o enredo de Michonne nas HQ’s ficou de fora da série, certo? Errado! Carol, caso haja alguém que não percebeu, está assumindo a história de Michonne dos quadrinhos, em seu relacionamento com o Reino e com Ezekiel. Possivelmente no salto temporal teremos uma Carol Rainha dos Sete Mares, navegando nos navios de pesca – seria meu sonho?!

Mas, há um fato importantíssimo que liga Carol e Andrea nos quadrinhos. Andrea é a única mulher original do grupo de Atlanta que sobreviveu após a prisão. Na série, Carol é a única personagem feminina da primeira temporada que resistiu ao arco da prisão e segue viva até ao menos o último episódio (não, não vamos discutir sobre a esposa de Morales). Então, nada impede que vejamos Carol ser fatalmente ferida e tenhamos que nos despedir dela de uma forma dolorosa.

3 – O dia que a crossbow deixará de ser usada no apocalipse:

Bem, entre a importância que Michonne tem para Rick e de Carol para Rick, existe um grande vácuo. Claro que Rick ama Carol como parte de sua família, mas entre perder Carol e Michonne há uma enorme diferença para ele. Então, quem mais além de Michonne é tão importante para Rick (sem contar Judith e Carl)? Aquele a quem ele já chama de irmão: Daryl Dixon.

Rick já deixou bem claro o quanto ama Daryl. Vimos isso na quarta temporada quando ele estava com os reivindicadores e agora na sétima, quando Negan toma-o para si e Rick faz de tudo para recuperá-lo. Ainda, no seu cuidado de irmão mais velho, deixando-o sobre proteção do Reino, num discurso meio que “O mano vai lá resolver tudo e você fica aqui em segurança. Depois o mano te busca, tá bem?”.

Então, ver Rick perder seu irmão do coração e pior ainda, tendo que lhe conceder o tiro de misericórdia, seria um tanto quanto duro e arrasador. Teríamos uma adaptação surpreendente sem fugir muito do material original, mas mesmo assim inimaginável.

4 – Vá encontrar a mamãe, Judith:

Já mencionei que se perdermos Andrea na HQ é porque é necessário ferir diretamente Rick. Claro, essa teoria é difícil de vir a acontecer, mas não impossível.

Talvez mais importante do que Michonne na série e Andrea na HQ, perder um filho acabaria com qualquer sentimento de reciprocidade e humanidade que está (e estará possivelmente no futuro da série) presente no Rick do novo mundo.

Após o fim do arco de Guerra Total (contra os Salvadores) a história dos quadrinhos dá um salto temporal de dois anos. Claro, a Judith até o final da Guerra contra Negan terá no máximo uns três anos, então contando com o salto temporal teríamos entre cinco e seis anos de idade. Mas, lembremos que a série é adaptação e não reprodução dos quadrinhos, e nada impede que o salto temporal de dois anos seja transformado em cinco, seis, sete anos na série ou até mesmo mais. Não há nenhum fato que invalide uma grande passagem de tempo – já que a pena que Rick aplicou a Negan é prisão perpétua. Então, nada impede que vejamos uma Judith pós-reestruturação do mundo pós-apocalíptico com 10 anos ou até mais e seguindo os passos da educação de seu irmão, totalmente comprometida em ajudar nas lutas – sendo que para ela será mais fácil à adaptação, já que ela desde sempre esteve nesse meio.

Ainda, se ela puxar o gênio do irmão, será rebelde e determinada a provar a todos que não é apenas uma criança e estando sempre em meio à batalha. Então, não seria difícil imaginarmos Judith num campo de guerra contra uma horda grande de walkers, sobre um cavalo. Ou seja, há possibilidade de vermos Judith passar pelo que Andrea está passando.

5 – Perdi um olho e agora perco a vida:

Ora, se o enredo pode se adaptar a Judith, acredito que possa se adaptar a Carl da mesma forma. E acredito que mais facilmente a ele do que a ela. Por quê? Chandler Riggs está atualmente com 17 anos interpretando um Carl de 14 anos. Ainda é aceitável dado questões de desenvolvimento biológico acelerado que alguns adolescentes passam. Mas, se pensarmos na 12ª temporada, Chandler estará com 22 anos de idade, representando um Carl de 16 anos. Dependo da forma que seu corpo se desenvolver, ficará meio impossível de ser totalmente aceito o fato (há controvérsias, como Emily que interpretava Beth com 17 anos e tinha 28).

Talvez não tenhamos percebido, mas a decisão de manter Judith na série tenha sido para que ela se aposse do enredo do irmão no futuro, facilitando assim a saída de Chandler. Claro que se para isso que Judith se faz, seria mais coerente que Carl morresse antes do salto temporal, mas talvez haja chances de adaptarem bem a trama para a saída do personagem no momento dos quadrinhos atual. Como por exemplo o que foi dito no ponto anterior sobre ela, o salto temporal sendo maior – de sete anos por exemplo -, Carl tendo pelos seus 20 anos e ela com seus 10/11 anos. Assim ele morreria e ela ganharia sua significância, descobrindo o primeiro amor e toda a trama que Carl assume no atual estágio dos impressos.

Enfim, não sabemos responder o que se passa na mente de Kirkman. Se Andrea de fato morrerá ou se de alguma forma conseguirá fugir do seu destino. O único fato que é certo é de que querendo ou não o enredo será levado para a série nas próximas temporadas e se a morte da personagem se confirmar, teremos que estar preparados para uma despedida de alguém muito significante para Rick – e para nós, por consequência.

Já que você leu o texto até aqui, não deixe de comentar abaixo e expressar suas teorias ou reforçar as acima transcritas.

The Walking Dead, a história de drama mais assistida da TV a cabo, vai ao ar aos domingos no AMC Internacional, às 23h, e no FOX Action (canal do pacote premium FOX+) e FOX Brasil, às 23h30. Confira todas as notícias sobre a sétima temporada.

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10ª Temporada

Como The Walking Dead transformou Eugene Porter em um herói

A 10ª temporada de The Walking Dead está mudando Eugene, e para melhor. Confira uma rápida análise do desenvolvimento do personagem.

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Quando você pensa em histórias românticas em The Walking Dead… bem, você pode não pensar em ninguém. O drama pós-apocalíptico nunca se destacou muito nessa área, e parece que para cada ‘Richonne’ ou ‘Gleggie’ há também uma Rosita (Christan Serratos) e o padre Gabriel (Seth Gilliam).

Mas, se você tivesse que escolher a história de alguém, ou alguém para ter um “final feliz” provavelmente escolheria Rick (Andrew Lincoln). Ou Daryl (Norman Reedus), considerando quantas pessoas querem vê-lo com alguém. Em algum lugar, muito, muito abaixo na lista estaria Eugene (Josh McDermitt) – se é que ele faria parte da lista.

A 10ª temporada está mudando isso em Eugene, e para melhor. Eis por que ficamos felizes em ver um lado diferente de “Eugenius”, e por que estamos realmente esperançosos que ele possa conhecer Stephanie.

Tornando Eugene (um pouco) compreensível

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Tudo bem, é provável que sempre vamos precisar de alguém para traduzir o que Eugene está falando. Mas, para além de seu discurso rebuscado e técnico, a 10ª temporada se concentrou nas qualidades relacionáveis ​​do personagem. E, sim, elas existem.

Quer você o quisesse, ou não, com Rosita (Christian Serratos), a verdade é que a maioria de nós em algum momento da vida já gostou de alguém que, no fundo, sabíamos que não tínhamos a mínima chance. Foi um pouco frustrante vê-lo voltar para ela no início da 10ª temporada, uma vez que parecia que eles haviam se estabelecido como amigos na 9ª temporada, mas pelo menos ele lidou com a rejeição dela muito bem.

O ponto é: de repente, Eugene passou a “relativamente relacionável” ali. Agiu de forma madura diante da situação e mostrou que aprendeu a lidar com a rejeição amorosa. Não, a maioria de nós não pode falar como ele ou sequer imaginar em pensar como ele, mas quase todos sabemos o sofrimento da rejeição romântica ou de um rompimento ruim.

À procura de amor em lugares errados

Após Eugene ter se tornado, repentinamente relacionável, ele passou a procurar um novo amor mas não encontrava nada. O pobre rapaz queria alguém, mas parecia que não havia ninguém por perto. Simplificando: Eugene estava tristemente, terrivelmente solitário. E isso é algo que todos já sentimos. Por isso foi tão bom vê-lo se conectar com Stephanie.

De muitas maneiras, a companhia de Stephanie é um potencial novo começo, uma maneira de ele abandonar a bagagem que qualquer outra pessoa nas comunidades teria em relação à ele. Ela não sabe sobre seus crimes passados, seus momentos de covardia ou, talvez o mais importante, o fato de que ele foi perdidamente apaixonado por uma mulher comprometida com amigos seus por várias temporadas. Ela não sabe que ele pode cantar, embora… isso seja uma coisa que pode até acabar ajudando na sua relação. Quem diria que Eugene tinha uma voz tão boa?

Chegando a um acordo com seu passado

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Um bom ponto a citar: foi bom ver Eugene crescendo, superando seus medos e até fazendo as pazes com seu passado. Ao confortar Carol (Melissa McBride) após a batalha de Hilltop, ficou claro que ele sabia como ela se sentia – ele havia sido o “bandido” antes, com Abraham, e depois, quando se juntou aos Salvadores. Foi um diálogo simples e verdadeiro que acrescentou profundidade ao personagem, e esse momento deixou claro que o fato de o programa não estar mostrando os reflexos de Eugene, não significa que ele não está pensando no que fez.

Também, foi bom vê-lo começando a se tornar um lutador. Não que Eugene não tivesse lutado antes, mas estamos vendo isso muito mais nesta temporada: ele lutou ao lado de Rosita em Alexandria e depois defendeu Hilltop com todos os outros. Ele ainda está usando seu cérebro, é claro, mas agora ele está pegando uma arma em vez de se encolher no canto quando as coisas ficam difíceis.

O futuro

Não vou entregar aonde a história de Eugene vai, nem sua jornada para conhecer Stephanie nos quadrinhos, já que é muito possível que o show não vá na mesma direção. Mas a 10ª temporada fez um ótimo trabalho em apresentar seu desejo de encontrar uma companhia com uma emoção que o personagem mostrou merecer, e tem sido incrível vê-lo crescer ao longo desses episódios.

Esperemos que o ex-professor de ciências seja bem-sucedido em sua busca. No mínimo, Stephanie parece gostar dele por quem ele é, o que é uma algo essencial para qualquer relacionamento. E, se realmente há alguém para todos, mesmo no apocalipse zumbi, é melhor que haja alguém para esse gênio tagarela, cujo cérebro é tão poderoso quanto o coração.

O encontro de Eugene e Stephanie deve acontecer no último episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, que não tem previsão de lançamento por conta da pandemia de Coronavírus.

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9ª Temporada

Como o roteiro da 9ª Temporada de The Walking Dead salvou a série do cancelamento?

Analisamos as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica.

Vinícius Castro

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ATENÇÃO! O post a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead. Caso não esteja em dia com a série, não continue. Você foi avisado!

Por mais que doa dizer isso, é inegável que o prestígio alcançado por The Walking Dead em seus primeiros anos pareceu diluir-se com as quase catastróficas decisões tomadas durante a sétima e oitava temporadas da série. Da queda de audiência ao recebimento extremamente MISTO da crítica especializada, o drama zumbi, mesmo tentando mostrar um pouco de fôlego no fim de sua oitava temporada, parecia estar fadado ao fracasso conforme o novo ano entrava em produção.

Unido ao desespero da saída de nomes como Andrew Lincoln e Lauren Cohan da série, a troca de showrunners não pareceu muito positiva em sua primeira recepção – Angela Kang, que veio a substituir Scott Gimple no cargo, chegava acompanhada de um currículo desequilibrado dentro de seus créditos na série. Era este o fim de The Walking Dead?

Respondendo curta e grosseiramente: Sim. Mas não necessariamente o fim da série que uma audiência apaixonada aprendeu a amar no começo da década, mas sim da quase irreconhecível novela de ação que predominou os anos de 2016-2018 sob o mesmo pseudônimo. Angela Kang, em 16 episódios, revigorou uma série que, acredite ou não, estava fadada ao fracasso.

Mas a grande questão é: como ela fez isso com tantos obstáculos? Quais foram as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica? É isto que esta análise audiovisual irá lhe responder hoje.

O TOM

The Walking Dead é uma série dramática de horror, certo? Isso todos já estão cansados de ouvir e ler em todo lugar.

Apesar de nove anos no ar, a série da AMC só conseguiu manter seu público atento e fiel graças ao elemento humano que entregou ao longo de sua trajetória. Conseguir a afeição do público para com a história não depende apenas de vísceras e matança, mas sim de personagens e situações relacionáveis, sentimentais e provocativas. Rick, Maggie, Michonne, Daryl, Carol e todos os outros membros do grupo dos “mocinhos” sempre tiveram isso, e foi a ideia de uma família totalmente disfuncional sobrevivendo no inferno que manteve o público cativo por anos e anos.

Mas o que fazer com uma série que terminou sua oitava temporada tendo seu principal elemento de afeto com o público danificado? Pense bem: apesar do fim da guerra e de todos se unirem para um novo começo, a estrutura familiar e RELACIONÁVEL da série ainda estava danificada – Maggie, Daryl e Jesus até aparecem tramando, de forma risivelmente vilanesca, contra Rick e Michonne no fim do episódio S08E16 – “Wrath” (Ira).

Nas mãos da pessoa errada, as coisas só teriam derrapado a ponto de destruir toda a história para sempre. Lembrem-se: a série estava prestes a perder Rick literalmente 17 episódios depois da morte repentina de Carl. Mas foi aí que Angela Kang entrou e, queira admitir ou não, salvou The Walking Dead.

A primeira mudança da nova produtora-executiva foi trazer um frescor à série: um salto temporal, novas locações, novos ideais e costumes que, aos poucos, foram implementados à franquia. Abraçada num tom WESTERN/HORROR, Kang trouxe ao roteiro da série um senso medieval de imprevisibilidade, testando os instintos de sobrevivência dos personagens em relação ao ambiente e demais “colegas” ao limite – uma ferramenta útil não somente para a construção de mundo, como também para a de personagens.

OS PERSONAGENS

Lembram quando Carl Grimes invadiu o Santuário de Negan, metralhou Salvadores e apareceu dizendo que “toda vida era preciosa” 8 episódios depois? É, infelizmente não foi um surto coletivo, apenas a péssima construção de personagem/roteiro durante a oitava temporada da série.

Angela Kang chegou ao comando de The Walking Dead com este tipo de instabilidade de escrita nas motivações e personalidades dos principais personagens. Teria sido muito fácil usar o salto temporal como muleta narrativa para mudar a essência dos principais personagens do show: se Gimple fazia isso em questão de poucas horas, por que não em um ano, certo? Novamente, a showrunner se sobressaiu e trouxe a tona algumas das melhores construções de personagens da história da série.

O destaque da temporada neste quesito fica por conta dos fantasmas da guerra contra Negan que a showrunner e seu ótimo time de roteiristas usaram na hora de não somente definir o estado do seu elenco, mas de situá-los em arcos próprios e conjuntos.

Em cinco episódios, Kang fez com que as trajetórias de Rick e Maggie tivessem mais consistência do que os 16 da oitava temporada – que viveram em tropeços e mudanças bruscas de comportamento. Em uma temporada completa, Michonne, Carol e Daryl evoluíram o equivalente a 6 anos (literalmente): de decisões a ações, o trio “protagonista” da era pós-Rick passou de personagens que sustentavam-se pelo carisma de seus atores a nomes de peso e extrema relevância.

O elenco coadjuvante, por sua vez, também não fica para trás: Ezekiel, Anne, Enid, Negan, Henry, Jesus e tantos outros personagens sobem na escala narrativa e recebem um real propósito. E mesmo aqueles que perdem espaço de tela devido às mudanças necessárias para a limpeza da casa (Rosita, Tara, Cyndie, Gabriel, Siddiq, Alden), ainda assim possuem uma história palpável, que geram consequências e fogem do corriqueiro “filler” de anos anteriores: não há mais exaustivas reflexões existenciais que não levam a lugar nenhum.

Entrando como um experimento e conduzindo os telespectadores a nova era pós-Rick do show, é impossível sair sem comentar um dos maiores trunfos do ano: a chegada de novos personagens. Ao adicionar novos rostos no time principal e mesclá-los em tramas relevantes e de primeiro escalão, o roteiro fez com que o ar de “protagonismo definido” da série se dissolvesse de vez e estreasse um senso de assembleia como nunca antes visto: Magna, Yumiko, Luke, Connie, Kelly e Lydia (além dos Sussurradores, que serão abordados mais a frente) acolhem novas facetas de personalidade, representatividade e, principalmente, conceito.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P1 (EPISÓDIOS 1-5)

PRÓLOGO OU EPÍLOGO?

Angela Kang chegou para trabalhar na nona temporada com uma bagunça gigantesca para lidar em suas mãos. Não apenas as saídas de Rick e Maggie deveriam ser feitas com real propósito, como todas as sementes pelo final da storyline de Negan e Os Salvadores deveriam cultivar consequências reais para não passarem de desperdício – o que, infelizmente, foi a percepção de muitos daqueles que desembarcaram da jornada ao longo dos anos 7 e 8.

Mudando totalmente o tom e se apegando ao que fez as primeiras temporadas da série um sucesso, a nova showrunner e seu esquadrão delimitaram The Walking Dead de volta ao básico: um drama sobre uma família disfuncional vivendo no apocalipse zumbi. O grande diferencial aqui estava no contexto que esta história seria inserida: agora eles não querem apenas sobreviver, mas VIVER neste mundo. Criar laços. Uma sociedade de verdade. E é aí que está o maior acerto de todos.

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A New Beginning” é o primeiro episódio da história da série sob a tutela geral de Angela Kang. Da abertura ao encerramento, várias das facetas estilísticas da roteirista são empregadas com sucesso, desencadeando em uma série de conceitos que há anos The Walking Dead não conseguia ver: dos diálogos humanos e sem reflexão/exposição barata ao comportamento coletivo do grupo, todos os minutos aqui importam e o foco está novamente nos personagens e no modo que estes contemplam sua existência, objetivos e relações diante os desafios de uma sociedade caída.

Dentro desta cadeia narrativa, Rick Grimes e Maggie Rhee tornam-se os principais protagonistas da história, abrindo uma trama política densa sobre suas lideranças e os modos distintos de viver após a queda ditatorial de Negan. Apesar de discordarem em inúmeros parâmetros, o que poderia ser uma briga novelesca dos anos anteriores dá espaço a um debate ideológico esclarecido e bem resolvido entre dois ótimos personagens com percepções distintas e semelhantes nos mesmos níveis – ambos querem construir um bom futuro para seus filhos (Hershel Jr. e Judith Grimes) em honra da memória de pessoas amadas (Glenn Rhee e Carl Grimes).

O grande trunfo aqui, todavia, está no modo como toda reação gera uma consequência impactante não apenas para os personagens, mas para a história geral; Um exemplo: o enforcamento de Gregory leva Oceanside a buscar justiça com as próprias mãos, que levam Maggie e Daryl a burlarem o acordo com Rick e Michonne quanto ao destino de Negan. Nada mais é por acaso. Ações possuem peso e impactam os personagens, motivações e anseios.

Após sumirem e perderem relevância por mais de dois anos, esta nova fase de The Walking Dead também trouxe de volta os zumbis como um ponto além de ferramenta estética para mortes satisfatórias repletas de gore.

Quase como piada, as criaturas, quando não em bando, são usadas em momentos específicos para mostrar a falta de perigo aos sobreviventes neste ponto do apocalipse – no primeiro episódio, Siddiq se assusta mais com as aranhas saindo de uma das criaturas, do que com a própria. O curioso é que, apesar de parecer gratuito no começo, o roteiro é sagaz para conduzir um pensamento errôneo em relação aos mortos-vivos, que mais tarde – na mesma temporada – receberão um “twist”. Novamente, causa e consequência estão sempre andando lado a lado.

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No saldo final, os cinco primeiros episódios constituem um pequeno epílogo para a história contada durante os 8 primeiros anos de The Walking Dead. Angela Kang, com maestria, conduz uma pequena temporada que serve como o final real de um grande capítulo. A saída de Rick, em “What Comes After“, é a maior prova disso, carregando um ar de series finale em toda a sua épica escala – que carrega muito mais que simbolismo barato, condensando uma reflexão profunda e um admirável estudo de personagem. E, é claro, a ironia de Rick partir na mesma ponte que começou a construir no começo da temporada é apenas outro exemplo de causa e consequência no seu ápice.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P2 (EPISÓDIOS 6-16)

Seja motivo ou piada para fingir choque, saiba que um formato estrutural padrão de filmes de 2h foi aplicado no decorrer de, literalmente, 32 episódios completos de 50 minutos durante os anos 7 e 8 de The Walking Dead.

Mas o que importa é que águas passadas não movem moinhos, certo? Quase! E se alguém lhe contasse que a nona temporada e a sétima são, em partes, literais espelhos uma da outra? Pois é. A diferença aqui é o modo como ambas as formas estruturais foram idealizadas e abordadas pelos executores, e como uma falhou miseravelmente, enquanto a outra alcançou prestígio.

Com todas as peças posicionadas e prontos para começarem de vez uma série totalmente nova, Angela Kang e seu time de roteiristas tinham como real propósito reintegrar uma audiência geral a um começo ainda mais novo que aquele de seu prólogo/epílogo de 5 capítulos.

Who Are You Now“, embora não aparente, possui um dos roteiros mais importantes de todo o currículo da série. O motivo para esta denominação vem do ponto abordado no parágrafo anterior: a reintegração da audiência em relação ao universo. O episódio 06 serve, praticamente, como o piloto de uma nova The Walking Dead: há um novo tom, uma nova perspectiva e, é claro, novos protagonistas.

Escrito por Eddie Guzelian, o capítulo segue um molde fora do comum para este mesmo período em temporadas passadas. De forma fluida e coesa, personagens, situações, mistérios e sementes de arcos são plantados no decorrer de seus 50 minutos de duração.

O maior mérito, todavia, aparece com a forma escolhida para unir este emaranhado: Angela Kang (e Guzelian) estabelece(m) um monólogo para Michonne logo no início do capítulo – o famoso “cold opening”, antes da abertura – para relembrar a audiência de que este ainda é o mesmo universo, mas que, apesar de todos os fantasmas ainda assombrarem a vida dos sobreviventes (Daryl, Mich e Carol, particularmente), agora o foco é seguir em frente. Abre-se espaço então para um contraste muito bem construído entre o grupo liderado por Magna e, é claro, a pequena Judith Grimes, agora crescida, que exploram uma nova Zona Segura de Alexandria, e o Reino de Ezekiel, que parece estagnado aos mesmos personagens – apesar de um Henry 6 anos mais velho – e a um passado de ruínas, que estão desmoronando aos poucos.

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Após um longo foco na segurança dos muros e na estabilidade da vida nesta nova era, Kang apresenta um mistério feito com timing construído de forma crescente e bem conduzido: afinal, como todo o resto da série, estariam os zumbis evoluindo também? Permeando por três episódios (6,7 e 8), a ameaça dos doentios Sussurradores resgata um clima de terror nostálgico das décadas de 60 a 80, trazendo as criaturas sanguinárias de volta ao patamar de perigo extremo. Com a ajuda de David Leslie-Johnson, conhecido pelo universo da franquia “Invocação do Mal”, The Walking Dead entra num território de terror/suspense/horror há tempos não explorado, e faz isso com sucesso.

A revelação proposital da ameaça, feita com a morte inesperada de Jesus, só é chocante graças ao ótimo trabalho feito pela construção do roteiro – unido, é claro, ao poder da direção, que será abordada em um artigo futuro.

E é neste ponto que a comparação feita no início deste tópico começa a fazer sentido: a sétima e a nona temporada são, em essência, idênticas. A grande diferença está na escrita, que nas mãos do novo time entrega um desenvolvimento árduo e equilibrado de causa e consequência.

A introdução de Alpha, por exemplo, é feita de forma tão sádica e misteriosa quanto a de Negan: mas enquanto este foi ameaçador por apenas dois episódios, a vilã de Samantha Morton fez jus ao manto de antagonista do episódio 9 ao 16, mesmo estando ausente na maior parte destes. A aura sinistra do grupo foi trabalhada a fundo em seu conceito, mas não só em seu lado psicológico ou sádico: o temor de encontrar uma horda sem saber se é de “mortos”, por exemplo, permeia até os últimos minutos da season finale, “The Storm“. Há um equilíbrio na sensível escrita da nova showrunner, e é isto que levou a segunda parte da nona temporada às listas de mais memoráveis da série inteira.

E para finalizar esta notável amostra de boa-condução narrativa da temporada, há de se comentar sobre duas pérolas do nono ano, e dois dos melhores episódios da história da série: “Scars” e “The Calm Before“. Duas entradas COMPLETAMENTE DISTINTAS em termos de narrativa e condução, mas com poder relativamente igual em termos de desenvolvimento, ação, consequência e impacto.

“Scars”, escrito pela estreante Vivian Tse, é o 14º episódio da nona temporada e aproveita a recente introdução da personagem Lydia para trazer à tona lapsos de eventos do período que marcou o salto temporal de seis anos.

Praticamente protagonizado por Michonne, os 45 minutos contrastam o sentimento de culpa e temor da personagem pela perda/desaparecimento de sua filha no passado e presente, que acaba fora dos muros e em perigo graças a decisões tomadas de cabeça quente e por falta de conversa.

O poder da escrita nesta entrada não está apenas no desenvolvimento da personagem de Danai Gurira, que é excepcional, mas sim no modo como lida com as consequências da busca pela garota: em ambos os casos, Michonne foi obrigada a passar por um teste psicológico que a muda para sempre. No primeiro, que é chocantemente visceral, é forçada a matar um grupo de crianças, enquanto no segundo, é forçada a se abrir pela primeira e vez e desabafar sobre seus sentimentos com a filha, o que nunca foi fácil para a guerreira.

No fim das contas, “Scars” resgata o senso de uma história conduzida por personagens humanos, e não por ações ou prescrições dos quadrinhos.

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Já “The Calm Before”, escrito pela dupla Geraldine Inoa e Channing Powell, é o típico episódio evento de The Walking Dead. Ou melhor: o típico episódio evento feito da maneira certa.

Em um ponto crítico a ser adaptado das HQs de Robert Kirkman, Kang orienta o roteiro de Inoa e Powell usando uma técnica de “bomba-relógio”: enquanto a feira ocorre normalmente no Reino para unir as comunidades, Alpha se infiltra no local, onde passa a analisar friamente o comportamento dos sobreviventes e seu senso organizacional. Apesar de sua construção lenta, o senso de instabilidade é presente durante toda a projeção, e o pagamento entregue no último ato é desolador e excruciante em inúmeros níveis: 11 personagens conhecidos do público são decapitados e expostos em estacas na delimitação de território dos Sussurradores.

O evento é grotesco e tão bem executado que, quando acontece, mantém um ar de desconforto e luto que honra o fato de “The Calm Before” perambular entre os 15 episódios mais bem avaliados da história da série de acordo com o IMDB.

SALDO FINAL

É óbvio que ainda existem algumas pequenas falhas aqui e ali, mas isso faz parte do universo da escrita televisiva. Pequenos problemas de senso geográfico, por exemplo, são esquemas difíceis de buscar desvio desde os primórdios de Walking Dead, e por isso já soma muito mais como uma licença poética neste atual ponto.

No fim das contas, The Walking Dead revigorou-se e finalmente se encontrou depois de tantos anos no ar. Agora resta torcer para que Kang continue a trabalhar personagens, conceitos e trama a altura de seu potencial como showrunner – pois, se isso for um indicativo, a série ainda pode entregar um satisfatório final.

A primeira parte da 10ª temporada de The Walking Dead chega no Brasil a partir de domingo, 6 de outubro, às 22h, no FOX Channel.

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The Walking Dead 10ª Temporada: Quem é Dante?

Dos quadrinhos para a TV: Conheça Dante, o novo personagem da 10ª temporada de The Walking Dead.

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Sabemos que The Walking Dead segue muito da história contada nas HQs, mas também dá suas escapadas para adaptar o roteiro em determinadas ocasiões. Personagens que morreram nos quadrinhos estão vivos na série – e vice-versa -, e até pessoas que não existem na história impressa são introduzidos, e com muito sucesso, no show da TV – caso de Daryl.

No entanto, a 10ª temporada vai apresentar aos fãs da produção da AMC um personagem que participou do arco dos Sussurradores nas HQs. O ator Juan Javier Cardenas foi escalado para interpretar Dante, e vamos falar aqui o que esperar do novo personagem.

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DANTE NAS HQs

Dante é introduzido na edição de número 131 dos quadrinhos e participa do confronto entre as comunidades e o grupo de Alpha e Beta. Ele é um jovem híspano-americano brincalhão, e suas palhaçadas muitas vezes incomodam os outros. Apesar do jeitão sarcástico, ele é extremamente leal à Hilltop, especialmente à líder, Maggie Rhee.

A lealdade logo torna Dante uma espécie de braço-direito da viúva de Glenn. O jeito tranquilo também dá ao personagem uma vocação para liderança, mas essa tranquilidade é colocada à prova quando ele fica cara a cara com os vilões e é sequestrado. Os Sussurradores, então, costuram um acordo com Hilltop para recuperar Lydia, filha da líder Alpha, em troca do rapaz.

Após a troca, é Carl quem foge atrás de Lydia, e Dante acompanha Rick em busca dos pombinhos. Dante também estava presente quando os sobreviventes encontram as vítimas das estacas.

DANTE S2 MAGGIE

Ainda nas HQs, quando Jesus lidera um grupo de ataque no confronto contra os mascarados, Dante fica para trás para proteger os membros que permaneceram em Hilltop, e aproveita a oportunidade para revelar seus sentimentos por Maggie. A líder prontamente o rejeita. Logo depois, ele é enviado para defender a comunidade, que acabara de ter suas paredes derrubadas pelos Sussurradores.

Os danos causados pelo grupo mascarado é praticamente irreversível, e os moradores são forçados a se mudar para Alexandria, onde o romance entre os dois finalmente desabrocha. O destino final do personagem, no entanto, é desconhecido. No salto temporal apresentado na última edição das HQs, Maggie é apresentada como presidente da comunidade, mas Dante não aparece no volume.

Vale lembrar que, na série de TV, Lauren Cohan, que interpreta Maggie, está vivendo na comunidade de Georgie (Jayne Atkinson), e deve voltar para Hilltop nesta temporada. Será que a chegada de Dante será usada como gancho para o retorno da líder? Se eles voltarem juntos, já será como um casal?

O QUE ESPERAR DA 10ª TEMPORADA

Esta será a primeira temporada completa de The Walking Dead que não contará com seu principal personagem, Rick, já que Andrew Lincoln ficou até o quinto episódio do nono ano. Além disso, Michonne está de saída da série porque Danai Gurira decidiu deixar o show, mas ainda não se sabe seu destino.

Com isso, a introdução de novos personagens pode (e deve) dar um novo fôlego à trama. Dante tem um papel interessante nos quadrinhos, sendo muitas vezes um alívio cômico na história. Será que ele entrará como um personagem de relevância, que vai exercer alguma liderança nas comunidades?

“…em nosso mundo, o contexto é um pouco diferente e ele (Dante) terá um papel importante na história de Alexandria. Então estamos empolgados com isso.”, contou a showrunner Angela Kang no mês passado em entrevista para a Entertainment Weekly.

Outra possibilidade é o crescimento de personagens outrora secundários. Eugene (Josh McDermitt), Rosita (Christian Serratos), Siddiq (Avi Nash), Padre Gabriel (Seth Gilliam), entre outros, podem ter suas histórias expandidas com a entressafra de protagonistas, e Dante entraria mais como uma figura que será desenvolvida até ganhar determinado destaque.

Aguardemos o início da décima temporada de The Walking Dead, marcado para o dia 6 de outubro.

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