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Análises

Análise dos personagens que podem morrer na 8ª temporada de The Walking Dead

Carlos Knewitz

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ATENÇÃO! O post a seguir contém EXTREMOS SPOILERS dos quadrinhos de The Walking Dead, tal como algumas possíveis revelações sobre o futuro da trama na televisão. Caso não queira ter as “surpresas estragadas”, é melhor parar por aqui. Você foi avisado!

The Walking Dead voltou no inicio dessa semana e, como de praxe, já começamos a especular quem serão as possíveis vítimas da nova temporada. Bem verdade que há personagens que sempre estão no topo das eventuais mortes, mas que até hoje continuam vivos. Daryl é sempre o mais cotado para ser a grande baixa no elenco. Mas, analisando o material base (os quadrinhos) e aquilo que já pudemos ver no primeiro episódio, já se torna possível apontar alguns prováveis acontecimentos que culminarão na morte (ou não) de alguns personagens.

Preparados ou não, lá vamos nós:

1. ERIC RALEIGH

Eu sei que você deve conhecê-lo basicamente como “O namorado do Aaron”. Eric na série foi mal aproveitado (como quase todos os alexandrinos), teve pouquíssimos aparecimentos e menos falas que Judith. Na HQ, sendo parte do primeiro casal homossexual da história, Eric tem uma presença mais marcante, divide diversas cenas intensas com Aaron e se demonstra uma pessoa totalmente filosófica e positiva.

Uma coisa que temos que ter em mente é que, quase todos os personagens das comunidades que não são centrais na trama e que foram mantidos vivos até aqui (Tobin, Francine, Diana, etc.) estão em cena apenas para ocupar os momentos de morte da Guerra Total. Se desde a quinta temporada tais personagens só figuraram cenas, quase sem falas, não vai ser no pós-guerra que veremos um crescimento desses. Quando os produtores os inseriram já planejavam usá-los apenas como demonstrativo do perigo dos Salvadores.

Ainda, especificamente sobre Eric, na HQ sua morte se dá quase que nessa altura da história. Quando juntamente com Aaron, Ezekiel e um pequeno grupo, o Team Rick invade um dos postos de segurança de Negan, Eric é morto causando um grande momento de despedida com Aaron. Tal momento foi responsável por desenvolver ainda mais Aaron na trama e é o que acreditamos ser possível acontecer.

Até o momento Aaron não possui um espaço muito grandioso em tela e a morte de seu namorado trará uma motivação maior para que ele deseje a vingança contra os Salvadores e o dará mais espaço para se envolver em tramas mais profundas.

2. SHIVA (A TIGRESA)

Bem, Shiva é um grande ponto de fulga para nossa tensão nas cenas de ação. É impressionante pensar em um tigre em meio ao apocalipse zumbi e sua vinda da HQ para série era tão esperada quanto à chegada do próprio Negan. Ela foi introduzida na temporada passada.

Ocorre que há dois pontos negativos sobre Shiva. O primeiro deles é a própria matéria base da série, os impressos. No mesmo embate em que Eric morre nas HQ, uma horda acaba alcançando os sobreviventes e para defender Ezekiel, Shiva se lança em meio aos walkers, estraçalhando alguns, mas logo sendo abatida por eles. O segundo ponto e acredito ser o mais determinante é que, por óbvio, a Shiva da série não é uma tigresa de verdade. Sua presença se dá completamente por meio de CGI, o que acaba por estourar totalmente o orçamento disponibilizado pela AMC para a série. Então, o quanto antes Shiva morrer, menos será o investimento e maior a lucratividade. Parece que no mundo Zumbi os animais não foram feitos para se darem bem.

3. PADRE GABRIEL STOKES

Começando a adentrar nos personagens mais centrais da série, Padre Gabriel é um cotadíssimo nome para morrer na atual temporada. Por quê? Bem, se formos buscar seu histórico na HQ, durante o tempo em que é introduzido e o período de Guerra, Gabriel simplesmente é um ser desaparecido, restringindo-se a momentos em sua igreja no interior de Alexandria e tendo poucos momentos notáveis. Após a Guerra Total se dá o salto temporal e Gabriel simplesmente desaparece por quase vinte edições, sem nem ao menos ser citado pelos personagens do impresso. Após um sumiço inexplicável, Kirkman traz o personagem de volta e é aí que ele começa a se desenvolver. Gabriel começa a abandonar sua posição de fé e pede para aprender a atirar com as armas para fazer parte do embate contra os Sussurradores (o primeiro grupo de vilões após o término da Guerra Total). Na sua primeira saída de campo, Padre Gabriel acaba por ser morto.

Levando-se todo esse histórico em consideração e adicionando o fato que no último momento em que vimos o Padre em cena na TV ele estava numa situação totalmente embaraçosa, Padre Gabriel seria um grande candidato a morte de temporada. Se pensarmos que o desenvolvimento dele já ocorreu e ele já está lidando com armas muito bem e que na HQ sua história é totalmente inexistente após a Guerra, retornando apenas para morrer, podemos perceber que seria totalmente possível o adiantamento de sua despedida.

4. ROSITA ESPINOSA

Desculpe-me se você é fã da personagem, mas Rosita perdeu o encanto depois que Abraham a trocou por Sasha e se afundou mais ainda quando o mesmo foi morto por Negan. Todas as cenas que vemos da personagem a partir da morte de Abraham é de uma mulher carrancuda e por muitas vezes parecendo à criança que a mãe tirou o doce e ficou emburrada no canto da casa.

Na HQ após a morte de Abraham, Rosita realmente busca a vingança contra Negan, mas em todo o momento se sujeitando a autoridade de Rick, nunca sendo impulsiva e nem birrenta. É nesse momento em que seus olhos se voltam para Eugene que sempre foi apaixonado por ela e os dois engatam um relacionamento amoroso. No salto temporal, Rosita se descobre grávida de outra pessoa e acaba revelando para Eugene que o traiu. Contudo, antes de dar a luz, Rosita é decapitada e tem sua cabeça exposta em uma estaca pelos sussurradores (numa das edições da HQ em que mais houve personagens centrais mortos).

Se formos analisar, o casal Rosita e Eugene é totalmente incompatível para a série. Eugene está cada vez mais decaindo. Acredito que nada que ele fizer o redimirá com o público após sua traição com o grupo que era sua família e fazer pouco caso de Sasha quando teve oportunidade de lhe salvar. Então, talvez seja difícil o retorno de Eugene para o grupo e dessa forma Rosita não conseguirá adotar o enredo de sua contraparte na HQ.

Tornando-se totalmente vazia de história e colacionando ao fato de que ela se tornou uma personagem insuportável de se acompanhar, Rosita pode ter sua morte adiantada, assim como o Padre Gabriel.

5. CAROL PELETIER

Quem acompanha minhas análises já deve estar totalmente ciente que Carol sempre manteve o posto de personagem preferida para mim. Ocorre que em todas as temporadas eu considero a morte dela, não sei se é uma autodefesa, na busca de tentar amenizar os possíveis sentimentos que virão quando se concretizar ou se é uma forma de estar sempre preparado para o pior. Ocorre que como todos sabem, Carol na HQ morre antes mesmo da chegada do Governador, quando já totalmente psicótica ela abraça um zumbi acreditando ser o último amigo que possui.

Então, a Carol da série é um personagem livre de qualquer amarra. Ela mixa histórias de Andrea com Michonne (da HQ), mas ao mesmo tempo tem um enredo totalmente seu. Há de se considerar que sim, ela já apresentou diversos surtos depressivos, psicopáticos e bipolares na série. Então querendo ou não, ainda há rastros na personagem da Carol da HQ. Mas eu não creio que ela seria capaz de, nessa altura da história, morrer de uma forma tão covarde e doentia quanto a de abraçar um walker qualquer.

Assim, a única razão para que ela morra seria o grande impacto que sua morte causaria, já que no atual estágio, dos sobreviventes de Atlanta, (além de ser a única personagem feminina dos originais) ela disputa a preferência do público acirradamente com Rick e Daryl.

6. MORGAN JONES

Morgan já passou do tempo. Na história em quadrinhos ele morre no mesmo momento em que a horda de zumbis invade Alexandria, causando a morte de Jessie e a cratera no crânio de Carl. No impresso Morgan é tão doentio quanto sua contraparte na série, tendo alucinações e acabando morto quando mordido na altura do ombro.

Ocorre que na série Morgan retornou para trazer um contraponto ao pensamento de Rick (e de Carol) sobre o modo de agir. Até o momento sua teoria de “toda a vida tem valor” só o prejudicou, tanto que o mesmo acabou por perder as estribeiras e retornar ao modo máquina mortífera que já havia sido.

Então, em que ponto sua morte seria válida? Se Morgan for atingido mortalmente perto de Rick e tiver tempo de dar um recado de que sua morte comprova que se ele continuasse a viver pela filosofia da vida valiosa, não estaria morrendo, Rick pode perceber que a Guerra não tem seu valor. Então encaminharemos a história para como foi nas HQ’s, a Guerra terminando com Rick prendendo Negan na cela de Alexandria (que o próprio Morgan construiu).

7. JUDITH GRIMES

Tá. Você está pensando: mas por qual motivo? Judith é um bebê, está bem protegida no interior de Alexandria e além do mais, apareceu no futuro de Rick Grimes, já com seus seis anos de idade. Então, temos a garantia de que ela sobrevive. Certo? Errado.

Na HQ Judith não completou nem mesmo o primeiro mês de vida, morrendo sufocada pelo corpo de Lori na invasão da prisão. É uma grande surpresa ela ter sobrevivido até o momento na série, mas não parece ter uma função real no enredo. É apenas o bebê do apocalipse zumbi.

A morte de Judith, por qualquer motivo que seja (explosão em Alexandria, zumbis a devorando, etc.) traria uma instabilidade pra ideia de que os Grimes são invencíveis e imortais, já que são os únicos que se mantem como família pré-apocalíptica na atual altura da história.

8. CARL GRIMES

Eu sei. Talvez você esteja pensando em comentar abaixo o contato de um psicólogo para que o autor desse artigo passe por uma análise. Você pode bater o pé e tentar me provar que Carl é o futuro da história, que ele é o real protagonista e que Kirkman já garantiu que ele é seu personagem favorito.

Isso funciona muito bem na HQ, mas não na série. Todo o protagonismo de Carl e toda a sua história se dá por um motivo muito específico: sua imaturidade. Sim, o grande ponto de Carl na trama impressa é o fato de ele ter sua cabeça infantil e adolescente tendo que acompanhar a de adultos experientes. Até mesmo após o salto temporal (que na HQ é de dois anos), Carl é ainda um adolescente (com cerca de 15 anos) que não consegue compreender muito bem o porque de algumas decisões dos demais líderes.

E então é que entra o motivo de o Carl da série não atender mais os motivos de seu personagem: Chandler Riggs. Sim, o ator. Chandler atualmente está com 18 anos de idade, tendo entrado na série com 11. A série pode estar em sua oitava temporada, mas na história passaram-se míseros três anos. Então já começa a haver um problema lógico no desenvolvimento corpóreo natural do ator com o de seu personagem. Não há como engolir por muito tempo os 14 anos do personagem.

De fato, o salto temporal pode ser de cinco anos e Chandler continuar magicamente em seu lugar de Carl. Mas aí já desestabilizamos novamente todo o centro do personagem: sua imaturidade. Com um Carl já iniciando a vida adulta, a mágica do garoto Grimes vai por água abaixo. Momentos icônicos do jovem Carl descobrindo a vida de adolescente em meio aos zumbis serão jogados fora e sua história se tornará como a de qualquer outro personagem: matar alguns zumbis, algumas pessoas e fim.

Há de se considerar outros pontos. O primeiro é o mais fácil de ser vencido: a maquiagem. Com o salto temporal, diversos personagens por óbvio envelhecerão um pouco. Em principal, o personagem central, Rick Grimes. Além da maquiagem dos zumbis, ter que investir na de todos os personagens acaba por pesar no orçamento (maquiagens utilizadas profissionalmente não são tão baratas quanto podem parecer). O olho de Carl, embora não apareça tanto, passará a ser destaque depois do salto temporal e faz toda uma trama de auto aceitação do garoto. Então isso implica em gastos.

O segundo ponto, que é um dos principais, é que a morte de Carl trará um sentido a Judith seguir na história. Judith não pode seguir sendo mais uma personagem para sempre. Já vimos que no salto temporal eles nos levarão a uma Judith quase alcançando a pré-adolescência. E isso nos leva a um ponto crucial: ela assumirá toda a imaturidade de Carl. Todas as tramas grandiosas de Carl serão jogadas na irmã e então entra o questionamento: por qual motivo ele se manterá vivo se não terá mais história? Com Judith assumindo o manto de Carl, teremos a chance de chegar nas 12 temporadas que planejaram para The Walking Dead. Dependendo do salto temporal que derem (aquele que apareceu pode ser apenas uma ilusão de Rick, o que abre possibilidade de haver um salto ainda maior) podemos presenciar uma bebê Grimes com treze ou quatorze anos. E quando chegarmos na décima segunda temporada, vermos o final da série com a garota beirando os 16 anos. E é óbvio que os produtores não deixaram o bebê vivo até hoje por motivo algum. Alguma finalidade na história ela deve trazer.

O terceiro ponto é que Chandler já deu alguns indicativos de que algo não está indo muito bem com Carl nessa temporada. Houve post no Instagram, que prontamente foi excluído, com legendas como “foi bom fazer parte disso”, “a história deve continuar”, “sentirei saudades”. Fora que, fontes afirmam que o ator havia sido visto saindo de uma Universidade. Ele havia trancado o curso a um tempo se justificando pelo fato de não conseguir conciliar as gravações com os estudos. Se a faculdade estava trancada, porque ele retornou a ela se se mantem gravando? Ou ele não gravará mais? Fica a dúvida.

E novamente: eu sei que ele foi visto no futuro. Mas isso pode ser uma ilusão do que Rick planejou para o futuro e dificilmente os produtores nos dariam tanta seguridade de que Rick, Michonne, Judith e Carl sobreviveram a Guerra. Nada é seguro em The Walking Dead.

Outro fato é que Carl apenas pode ser visto como um vulto passando em frente à câmera, onde dá para se notar que sua aparência continua a mesma de antes: o cabelo do mesmo tamanho, o chapéu na cabeça, o tapa-olho. Ele apenas fala “Todos nós estamos? [de folga]” e não é respondido por ninguém. A única pessoa que olha em sua direção é Rick. Então pode parecer muito mais uma ilusão de um Rick que ainda está afetado por sua morte, do que uma realidade de fato.

E a cena seguinte do futuro é a de Judith chegando e mostrando sua felicidade pelo festival que está acontecendo em Alexandria. E isso é exatamente adaptado de uma cena de Carl na HQ totalmente animado com o fato. Se isso não significa que o enredo de Carl será de Judith, não sei o que significa.

Por fim, pessoas que rodeavam as gravações da oitava temporada indicam que viram uma cena sendo gravada entre Chandler e outra pessoa no interior de Alexandria. A cena consistia em um embate direto entre os dois personagens que se encerrava com o interprete de Carl deitado no chão com a camiseta ensanguentada com marcas de facada.

A morte de Carl seria um grande impacto para trama, trazendo uma maior liberdade criativa para os roteiristas e entregando o fim de mais um dos sobreviventes de Atlanta.

E você, acredita que algum desses personagens de fato morrerá? Se sim, concorda com as razões aqui expostas? Se não, quem você acha que morrerá e por quê? Deixe seus comentários abaixo.

The Walking Dead vai ao ar todo domingo, legendado, às 23h30 e toda segunda-feira, dublado, às 23h15, na Fox.

Fiquem ligados aqui no Walking Dead Brasil e em nossas redes sociais @TWDBrasil no twitter e Walking Dead Br no facebook para ficar por dentro de tudo que rola no universo de The Walking Dead.

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10ª Temporada

Como The Walking Dead transformou Eugene Porter em um herói

A 10ª temporada de The Walking Dead está mudando Eugene, e para melhor. Confira uma rápida análise do desenvolvimento do personagem.

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Quando você pensa em histórias românticas em The Walking Dead… bem, você pode não pensar em ninguém. O drama pós-apocalíptico nunca se destacou muito nessa área, e parece que para cada ‘Richonne’ ou ‘Gleggie’ há também uma Rosita (Christan Serratos) e o padre Gabriel (Seth Gilliam).

Mas, se você tivesse que escolher a história de alguém, ou alguém para ter um “final feliz” provavelmente escolheria Rick (Andrew Lincoln). Ou Daryl (Norman Reedus), considerando quantas pessoas querem vê-lo com alguém. Em algum lugar, muito, muito abaixo na lista estaria Eugene (Josh McDermitt) – se é que ele faria parte da lista.

A 10ª temporada está mudando isso em Eugene, e para melhor. Eis por que ficamos felizes em ver um lado diferente de “Eugenius”, e por que estamos realmente esperançosos que ele possa conhecer Stephanie.

Tornando Eugene (um pouco) compreensível

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Tudo bem, é provável que sempre vamos precisar de alguém para traduzir o que Eugene está falando. Mas, para além de seu discurso rebuscado e técnico, a 10ª temporada se concentrou nas qualidades relacionáveis ​​do personagem. E, sim, elas existem.

Quer você o quisesse, ou não, com Rosita (Christian Serratos), a verdade é que a maioria de nós em algum momento da vida já gostou de alguém que, no fundo, sabíamos que não tínhamos a mínima chance. Foi um pouco frustrante vê-lo voltar para ela no início da 10ª temporada, uma vez que parecia que eles haviam se estabelecido como amigos na 9ª temporada, mas pelo menos ele lidou com a rejeição dela muito bem.

O ponto é: de repente, Eugene passou a “relativamente relacionável” ali. Agiu de forma madura diante da situação e mostrou que aprendeu a lidar com a rejeição amorosa. Não, a maioria de nós não pode falar como ele ou sequer imaginar em pensar como ele, mas quase todos sabemos o sofrimento da rejeição romântica ou de um rompimento ruim.

À procura de amor em lugares errados

Após Eugene ter se tornado, repentinamente relacionável, ele passou a procurar um novo amor mas não encontrava nada. O pobre rapaz queria alguém, mas parecia que não havia ninguém por perto. Simplificando: Eugene estava tristemente, terrivelmente solitário. E isso é algo que todos já sentimos. Por isso foi tão bom vê-lo se conectar com Stephanie.

De muitas maneiras, a companhia de Stephanie é um potencial novo começo, uma maneira de ele abandonar a bagagem que qualquer outra pessoa nas comunidades teria em relação à ele. Ela não sabe sobre seus crimes passados, seus momentos de covardia ou, talvez o mais importante, o fato de que ele foi perdidamente apaixonado por uma mulher comprometida com amigos seus por várias temporadas. Ela não sabe que ele pode cantar, embora… isso seja uma coisa que pode até acabar ajudando na sua relação. Quem diria que Eugene tinha uma voz tão boa?

Chegando a um acordo com seu passado

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Um bom ponto a citar: foi bom ver Eugene crescendo, superando seus medos e até fazendo as pazes com seu passado. Ao confortar Carol (Melissa McBride) após a batalha de Hilltop, ficou claro que ele sabia como ela se sentia – ele havia sido o “bandido” antes, com Abraham, e depois, quando se juntou aos Salvadores. Foi um diálogo simples e verdadeiro que acrescentou profundidade ao personagem, e esse momento deixou claro que o fato de o programa não estar mostrando os reflexos de Eugene, não significa que ele não está pensando no que fez.

Também, foi bom vê-lo começando a se tornar um lutador. Não que Eugene não tivesse lutado antes, mas estamos vendo isso muito mais nesta temporada: ele lutou ao lado de Rosita em Alexandria e depois defendeu Hilltop com todos os outros. Ele ainda está usando seu cérebro, é claro, mas agora ele está pegando uma arma em vez de se encolher no canto quando as coisas ficam difíceis.

O futuro

Não vou entregar aonde a história de Eugene vai, nem sua jornada para conhecer Stephanie nos quadrinhos, já que é muito possível que o show não vá na mesma direção. Mas a 10ª temporada fez um ótimo trabalho em apresentar seu desejo de encontrar uma companhia com uma emoção que o personagem mostrou merecer, e tem sido incrível vê-lo crescer ao longo desses episódios.

Esperemos que o ex-professor de ciências seja bem-sucedido em sua busca. No mínimo, Stephanie parece gostar dele por quem ele é, o que é uma algo essencial para qualquer relacionamento. E, se realmente há alguém para todos, mesmo no apocalipse zumbi, é melhor que haja alguém para esse gênio tagarela, cujo cérebro é tão poderoso quanto o coração.

O encontro de Eugene e Stephanie deve acontecer no último episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, que não tem previsão de lançamento por conta da pandemia de Coronavírus.

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9ª Temporada

Como o roteiro da 9ª Temporada de The Walking Dead salvou a série do cancelamento?

Analisamos as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica.

Vinícius Castro

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ATENÇÃO! O post a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead. Caso não esteja em dia com a série, não continue. Você foi avisado!

Por mais que doa dizer isso, é inegável que o prestígio alcançado por The Walking Dead em seus primeiros anos pareceu diluir-se com as quase catastróficas decisões tomadas durante a sétima e oitava temporadas da série. Da queda de audiência ao recebimento extremamente MISTO da crítica especializada, o drama zumbi, mesmo tentando mostrar um pouco de fôlego no fim de sua oitava temporada, parecia estar fadado ao fracasso conforme o novo ano entrava em produção.

Unido ao desespero da saída de nomes como Andrew Lincoln e Lauren Cohan da série, a troca de showrunners não pareceu muito positiva em sua primeira recepção – Angela Kang, que veio a substituir Scott Gimple no cargo, chegava acompanhada de um currículo desequilibrado dentro de seus créditos na série. Era este o fim de The Walking Dead?

Respondendo curta e grosseiramente: Sim. Mas não necessariamente o fim da série que uma audiência apaixonada aprendeu a amar no começo da década, mas sim da quase irreconhecível novela de ação que predominou os anos de 2016-2018 sob o mesmo pseudônimo. Angela Kang, em 16 episódios, revigorou uma série que, acredite ou não, estava fadada ao fracasso.

Mas a grande questão é: como ela fez isso com tantos obstáculos? Quais foram as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica? É isto que esta análise audiovisual irá lhe responder hoje.

O TOM

The Walking Dead é uma série dramática de horror, certo? Isso todos já estão cansados de ouvir e ler em todo lugar.

Apesar de nove anos no ar, a série da AMC só conseguiu manter seu público atento e fiel graças ao elemento humano que entregou ao longo de sua trajetória. Conseguir a afeição do público para com a história não depende apenas de vísceras e matança, mas sim de personagens e situações relacionáveis, sentimentais e provocativas. Rick, Maggie, Michonne, Daryl, Carol e todos os outros membros do grupo dos “mocinhos” sempre tiveram isso, e foi a ideia de uma família totalmente disfuncional sobrevivendo no inferno que manteve o público cativo por anos e anos.

Mas o que fazer com uma série que terminou sua oitava temporada tendo seu principal elemento de afeto com o público danificado? Pense bem: apesar do fim da guerra e de todos se unirem para um novo começo, a estrutura familiar e RELACIONÁVEL da série ainda estava danificada – Maggie, Daryl e Jesus até aparecem tramando, de forma risivelmente vilanesca, contra Rick e Michonne no fim do episódio S08E16 – “Wrath” (Ira).

Nas mãos da pessoa errada, as coisas só teriam derrapado a ponto de destruir toda a história para sempre. Lembrem-se: a série estava prestes a perder Rick literalmente 17 episódios depois da morte repentina de Carl. Mas foi aí que Angela Kang entrou e, queira admitir ou não, salvou The Walking Dead.

A primeira mudança da nova produtora-executiva foi trazer um frescor à série: um salto temporal, novas locações, novos ideais e costumes que, aos poucos, foram implementados à franquia. Abraçada num tom WESTERN/HORROR, Kang trouxe ao roteiro da série um senso medieval de imprevisibilidade, testando os instintos de sobrevivência dos personagens em relação ao ambiente e demais “colegas” ao limite – uma ferramenta útil não somente para a construção de mundo, como também para a de personagens.

OS PERSONAGENS

Lembram quando Carl Grimes invadiu o Santuário de Negan, metralhou Salvadores e apareceu dizendo que “toda vida era preciosa” 8 episódios depois? É, infelizmente não foi um surto coletivo, apenas a péssima construção de personagem/roteiro durante a oitava temporada da série.

Angela Kang chegou ao comando de The Walking Dead com este tipo de instabilidade de escrita nas motivações e personalidades dos principais personagens. Teria sido muito fácil usar o salto temporal como muleta narrativa para mudar a essência dos principais personagens do show: se Gimple fazia isso em questão de poucas horas, por que não em um ano, certo? Novamente, a showrunner se sobressaiu e trouxe a tona algumas das melhores construções de personagens da história da série.

O destaque da temporada neste quesito fica por conta dos fantasmas da guerra contra Negan que a showrunner e seu ótimo time de roteiristas usaram na hora de não somente definir o estado do seu elenco, mas de situá-los em arcos próprios e conjuntos.

Em cinco episódios, Kang fez com que as trajetórias de Rick e Maggie tivessem mais consistência do que os 16 da oitava temporada – que viveram em tropeços e mudanças bruscas de comportamento. Em uma temporada completa, Michonne, Carol e Daryl evoluíram o equivalente a 6 anos (literalmente): de decisões a ações, o trio “protagonista” da era pós-Rick passou de personagens que sustentavam-se pelo carisma de seus atores a nomes de peso e extrema relevância.

O elenco coadjuvante, por sua vez, também não fica para trás: Ezekiel, Anne, Enid, Negan, Henry, Jesus e tantos outros personagens sobem na escala narrativa e recebem um real propósito. E mesmo aqueles que perdem espaço de tela devido às mudanças necessárias para a limpeza da casa (Rosita, Tara, Cyndie, Gabriel, Siddiq, Alden), ainda assim possuem uma história palpável, que geram consequências e fogem do corriqueiro “filler” de anos anteriores: não há mais exaustivas reflexões existenciais que não levam a lugar nenhum.

Entrando como um experimento e conduzindo os telespectadores a nova era pós-Rick do show, é impossível sair sem comentar um dos maiores trunfos do ano: a chegada de novos personagens. Ao adicionar novos rostos no time principal e mesclá-los em tramas relevantes e de primeiro escalão, o roteiro fez com que o ar de “protagonismo definido” da série se dissolvesse de vez e estreasse um senso de assembleia como nunca antes visto: Magna, Yumiko, Luke, Connie, Kelly e Lydia (além dos Sussurradores, que serão abordados mais a frente) acolhem novas facetas de personalidade, representatividade e, principalmente, conceito.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P1 (EPISÓDIOS 1-5)

PRÓLOGO OU EPÍLOGO?

Angela Kang chegou para trabalhar na nona temporada com uma bagunça gigantesca para lidar em suas mãos. Não apenas as saídas de Rick e Maggie deveriam ser feitas com real propósito, como todas as sementes pelo final da storyline de Negan e Os Salvadores deveriam cultivar consequências reais para não passarem de desperdício – o que, infelizmente, foi a percepção de muitos daqueles que desembarcaram da jornada ao longo dos anos 7 e 8.

Mudando totalmente o tom e se apegando ao que fez as primeiras temporadas da série um sucesso, a nova showrunner e seu esquadrão delimitaram The Walking Dead de volta ao básico: um drama sobre uma família disfuncional vivendo no apocalipse zumbi. O grande diferencial aqui estava no contexto que esta história seria inserida: agora eles não querem apenas sobreviver, mas VIVER neste mundo. Criar laços. Uma sociedade de verdade. E é aí que está o maior acerto de todos.

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A New Beginning” é o primeiro episódio da história da série sob a tutela geral de Angela Kang. Da abertura ao encerramento, várias das facetas estilísticas da roteirista são empregadas com sucesso, desencadeando em uma série de conceitos que há anos The Walking Dead não conseguia ver: dos diálogos humanos e sem reflexão/exposição barata ao comportamento coletivo do grupo, todos os minutos aqui importam e o foco está novamente nos personagens e no modo que estes contemplam sua existência, objetivos e relações diante os desafios de uma sociedade caída.

Dentro desta cadeia narrativa, Rick Grimes e Maggie Rhee tornam-se os principais protagonistas da história, abrindo uma trama política densa sobre suas lideranças e os modos distintos de viver após a queda ditatorial de Negan. Apesar de discordarem em inúmeros parâmetros, o que poderia ser uma briga novelesca dos anos anteriores dá espaço a um debate ideológico esclarecido e bem resolvido entre dois ótimos personagens com percepções distintas e semelhantes nos mesmos níveis – ambos querem construir um bom futuro para seus filhos (Hershel Jr. e Judith Grimes) em honra da memória de pessoas amadas (Glenn Rhee e Carl Grimes).

O grande trunfo aqui, todavia, está no modo como toda reação gera uma consequência impactante não apenas para os personagens, mas para a história geral; Um exemplo: o enforcamento de Gregory leva Oceanside a buscar justiça com as próprias mãos, que levam Maggie e Daryl a burlarem o acordo com Rick e Michonne quanto ao destino de Negan. Nada mais é por acaso. Ações possuem peso e impactam os personagens, motivações e anseios.

Após sumirem e perderem relevância por mais de dois anos, esta nova fase de The Walking Dead também trouxe de volta os zumbis como um ponto além de ferramenta estética para mortes satisfatórias repletas de gore.

Quase como piada, as criaturas, quando não em bando, são usadas em momentos específicos para mostrar a falta de perigo aos sobreviventes neste ponto do apocalipse – no primeiro episódio, Siddiq se assusta mais com as aranhas saindo de uma das criaturas, do que com a própria. O curioso é que, apesar de parecer gratuito no começo, o roteiro é sagaz para conduzir um pensamento errôneo em relação aos mortos-vivos, que mais tarde – na mesma temporada – receberão um “twist”. Novamente, causa e consequência estão sempre andando lado a lado.

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No saldo final, os cinco primeiros episódios constituem um pequeno epílogo para a história contada durante os 8 primeiros anos de The Walking Dead. Angela Kang, com maestria, conduz uma pequena temporada que serve como o final real de um grande capítulo. A saída de Rick, em “What Comes After“, é a maior prova disso, carregando um ar de series finale em toda a sua épica escala – que carrega muito mais que simbolismo barato, condensando uma reflexão profunda e um admirável estudo de personagem. E, é claro, a ironia de Rick partir na mesma ponte que começou a construir no começo da temporada é apenas outro exemplo de causa e consequência no seu ápice.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P2 (EPISÓDIOS 6-16)

Seja motivo ou piada para fingir choque, saiba que um formato estrutural padrão de filmes de 2h foi aplicado no decorrer de, literalmente, 32 episódios completos de 50 minutos durante os anos 7 e 8 de The Walking Dead.

Mas o que importa é que águas passadas não movem moinhos, certo? Quase! E se alguém lhe contasse que a nona temporada e a sétima são, em partes, literais espelhos uma da outra? Pois é. A diferença aqui é o modo como ambas as formas estruturais foram idealizadas e abordadas pelos executores, e como uma falhou miseravelmente, enquanto a outra alcançou prestígio.

Com todas as peças posicionadas e prontos para começarem de vez uma série totalmente nova, Angela Kang e seu time de roteiristas tinham como real propósito reintegrar uma audiência geral a um começo ainda mais novo que aquele de seu prólogo/epílogo de 5 capítulos.

Who Are You Now“, embora não aparente, possui um dos roteiros mais importantes de todo o currículo da série. O motivo para esta denominação vem do ponto abordado no parágrafo anterior: a reintegração da audiência em relação ao universo. O episódio 06 serve, praticamente, como o piloto de uma nova The Walking Dead: há um novo tom, uma nova perspectiva e, é claro, novos protagonistas.

Escrito por Eddie Guzelian, o capítulo segue um molde fora do comum para este mesmo período em temporadas passadas. De forma fluida e coesa, personagens, situações, mistérios e sementes de arcos são plantados no decorrer de seus 50 minutos de duração.

O maior mérito, todavia, aparece com a forma escolhida para unir este emaranhado: Angela Kang (e Guzelian) estabelece(m) um monólogo para Michonne logo no início do capítulo – o famoso “cold opening”, antes da abertura – para relembrar a audiência de que este ainda é o mesmo universo, mas que, apesar de todos os fantasmas ainda assombrarem a vida dos sobreviventes (Daryl, Mich e Carol, particularmente), agora o foco é seguir em frente. Abre-se espaço então para um contraste muito bem construído entre o grupo liderado por Magna e, é claro, a pequena Judith Grimes, agora crescida, que exploram uma nova Zona Segura de Alexandria, e o Reino de Ezekiel, que parece estagnado aos mesmos personagens – apesar de um Henry 6 anos mais velho – e a um passado de ruínas, que estão desmoronando aos poucos.

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Após um longo foco na segurança dos muros e na estabilidade da vida nesta nova era, Kang apresenta um mistério feito com timing construído de forma crescente e bem conduzido: afinal, como todo o resto da série, estariam os zumbis evoluindo também? Permeando por três episódios (6,7 e 8), a ameaça dos doentios Sussurradores resgata um clima de terror nostálgico das décadas de 60 a 80, trazendo as criaturas sanguinárias de volta ao patamar de perigo extremo. Com a ajuda de David Leslie-Johnson, conhecido pelo universo da franquia “Invocação do Mal”, The Walking Dead entra num território de terror/suspense/horror há tempos não explorado, e faz isso com sucesso.

A revelação proposital da ameaça, feita com a morte inesperada de Jesus, só é chocante graças ao ótimo trabalho feito pela construção do roteiro – unido, é claro, ao poder da direção, que será abordada em um artigo futuro.

E é neste ponto que a comparação feita no início deste tópico começa a fazer sentido: a sétima e a nona temporada são, em essência, idênticas. A grande diferença está na escrita, que nas mãos do novo time entrega um desenvolvimento árduo e equilibrado de causa e consequência.

A introdução de Alpha, por exemplo, é feita de forma tão sádica e misteriosa quanto a de Negan: mas enquanto este foi ameaçador por apenas dois episódios, a vilã de Samantha Morton fez jus ao manto de antagonista do episódio 9 ao 16, mesmo estando ausente na maior parte destes. A aura sinistra do grupo foi trabalhada a fundo em seu conceito, mas não só em seu lado psicológico ou sádico: o temor de encontrar uma horda sem saber se é de “mortos”, por exemplo, permeia até os últimos minutos da season finale, “The Storm“. Há um equilíbrio na sensível escrita da nova showrunner, e é isto que levou a segunda parte da nona temporada às listas de mais memoráveis da série inteira.

E para finalizar esta notável amostra de boa-condução narrativa da temporada, há de se comentar sobre duas pérolas do nono ano, e dois dos melhores episódios da história da série: “Scars” e “The Calm Before“. Duas entradas COMPLETAMENTE DISTINTAS em termos de narrativa e condução, mas com poder relativamente igual em termos de desenvolvimento, ação, consequência e impacto.

“Scars”, escrito pela estreante Vivian Tse, é o 14º episódio da nona temporada e aproveita a recente introdução da personagem Lydia para trazer à tona lapsos de eventos do período que marcou o salto temporal de seis anos.

Praticamente protagonizado por Michonne, os 45 minutos contrastam o sentimento de culpa e temor da personagem pela perda/desaparecimento de sua filha no passado e presente, que acaba fora dos muros e em perigo graças a decisões tomadas de cabeça quente e por falta de conversa.

O poder da escrita nesta entrada não está apenas no desenvolvimento da personagem de Danai Gurira, que é excepcional, mas sim no modo como lida com as consequências da busca pela garota: em ambos os casos, Michonne foi obrigada a passar por um teste psicológico que a muda para sempre. No primeiro, que é chocantemente visceral, é forçada a matar um grupo de crianças, enquanto no segundo, é forçada a se abrir pela primeira e vez e desabafar sobre seus sentimentos com a filha, o que nunca foi fácil para a guerreira.

No fim das contas, “Scars” resgata o senso de uma história conduzida por personagens humanos, e não por ações ou prescrições dos quadrinhos.

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Já “The Calm Before”, escrito pela dupla Geraldine Inoa e Channing Powell, é o típico episódio evento de The Walking Dead. Ou melhor: o típico episódio evento feito da maneira certa.

Em um ponto crítico a ser adaptado das HQs de Robert Kirkman, Kang orienta o roteiro de Inoa e Powell usando uma técnica de “bomba-relógio”: enquanto a feira ocorre normalmente no Reino para unir as comunidades, Alpha se infiltra no local, onde passa a analisar friamente o comportamento dos sobreviventes e seu senso organizacional. Apesar de sua construção lenta, o senso de instabilidade é presente durante toda a projeção, e o pagamento entregue no último ato é desolador e excruciante em inúmeros níveis: 11 personagens conhecidos do público são decapitados e expostos em estacas na delimitação de território dos Sussurradores.

O evento é grotesco e tão bem executado que, quando acontece, mantém um ar de desconforto e luto que honra o fato de “The Calm Before” perambular entre os 15 episódios mais bem avaliados da história da série de acordo com o IMDB.

SALDO FINAL

É óbvio que ainda existem algumas pequenas falhas aqui e ali, mas isso faz parte do universo da escrita televisiva. Pequenos problemas de senso geográfico, por exemplo, são esquemas difíceis de buscar desvio desde os primórdios de Walking Dead, e por isso já soma muito mais como uma licença poética neste atual ponto.

No fim das contas, The Walking Dead revigorou-se e finalmente se encontrou depois de tantos anos no ar. Agora resta torcer para que Kang continue a trabalhar personagens, conceitos e trama a altura de seu potencial como showrunner – pois, se isso for um indicativo, a série ainda pode entregar um satisfatório final.

A primeira parte da 10ª temporada de The Walking Dead chega no Brasil a partir de domingo, 6 de outubro, às 22h, no FOX Channel.

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The Walking Dead 10ª Temporada: Quem é Dante?

Dos quadrinhos para a TV: Conheça Dante, o novo personagem da 10ª temporada de The Walking Dead.

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Sabemos que The Walking Dead segue muito da história contada nas HQs, mas também dá suas escapadas para adaptar o roteiro em determinadas ocasiões. Personagens que morreram nos quadrinhos estão vivos na série – e vice-versa -, e até pessoas que não existem na história impressa são introduzidos, e com muito sucesso, no show da TV – caso de Daryl.

No entanto, a 10ª temporada vai apresentar aos fãs da produção da AMC um personagem que participou do arco dos Sussurradores nas HQs. O ator Juan Javier Cardenas foi escalado para interpretar Dante, e vamos falar aqui o que esperar do novo personagem.

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DANTE NAS HQs

Dante é introduzido na edição de número 131 dos quadrinhos e participa do confronto entre as comunidades e o grupo de Alpha e Beta. Ele é um jovem híspano-americano brincalhão, e suas palhaçadas muitas vezes incomodam os outros. Apesar do jeitão sarcástico, ele é extremamente leal à Hilltop, especialmente à líder, Maggie Rhee.

A lealdade logo torna Dante uma espécie de braço-direito da viúva de Glenn. O jeito tranquilo também dá ao personagem uma vocação para liderança, mas essa tranquilidade é colocada à prova quando ele fica cara a cara com os vilões e é sequestrado. Os Sussurradores, então, costuram um acordo com Hilltop para recuperar Lydia, filha da líder Alpha, em troca do rapaz.

Após a troca, é Carl quem foge atrás de Lydia, e Dante acompanha Rick em busca dos pombinhos. Dante também estava presente quando os sobreviventes encontram as vítimas das estacas.

DANTE S2 MAGGIE

Ainda nas HQs, quando Jesus lidera um grupo de ataque no confronto contra os mascarados, Dante fica para trás para proteger os membros que permaneceram em Hilltop, e aproveita a oportunidade para revelar seus sentimentos por Maggie. A líder prontamente o rejeita. Logo depois, ele é enviado para defender a comunidade, que acabara de ter suas paredes derrubadas pelos Sussurradores.

Os danos causados pelo grupo mascarado é praticamente irreversível, e os moradores são forçados a se mudar para Alexandria, onde o romance entre os dois finalmente desabrocha. O destino final do personagem, no entanto, é desconhecido. No salto temporal apresentado na última edição das HQs, Maggie é apresentada como presidente da comunidade, mas Dante não aparece no volume.

Vale lembrar que, na série de TV, Lauren Cohan, que interpreta Maggie, está vivendo na comunidade de Georgie (Jayne Atkinson), e deve voltar para Hilltop nesta temporada. Será que a chegada de Dante será usada como gancho para o retorno da líder? Se eles voltarem juntos, já será como um casal?

O QUE ESPERAR DA 10ª TEMPORADA

Esta será a primeira temporada completa de The Walking Dead que não contará com seu principal personagem, Rick, já que Andrew Lincoln ficou até o quinto episódio do nono ano. Além disso, Michonne está de saída da série porque Danai Gurira decidiu deixar o show, mas ainda não se sabe seu destino.

Com isso, a introdução de novos personagens pode (e deve) dar um novo fôlego à trama. Dante tem um papel interessante nos quadrinhos, sendo muitas vezes um alívio cômico na história. Será que ele entrará como um personagem de relevância, que vai exercer alguma liderança nas comunidades?

“…em nosso mundo, o contexto é um pouco diferente e ele (Dante) terá um papel importante na história de Alexandria. Então estamos empolgados com isso.”, contou a showrunner Angela Kang no mês passado em entrevista para a Entertainment Weekly.

Outra possibilidade é o crescimento de personagens outrora secundários. Eugene (Josh McDermitt), Rosita (Christian Serratos), Siddiq (Avi Nash), Padre Gabriel (Seth Gilliam), entre outros, podem ter suas histórias expandidas com a entressafra de protagonistas, e Dante entraria mais como uma figura que será desenvolvida até ganhar determinado destaque.

Aguardemos o início da décima temporada de The Walking Dead, marcado para o dia 6 de outubro.

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