Siga-nos nas redes sociais

Destaque

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Joshua Mikel (Jared)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Joshua Mikel.

Rafael Façanha

Publicado há

em

arte com Joshua Mikel e Jared para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Joshua Mikel in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Joshua Mikel, que interpretou Jared durante as temporadas 7 e 8. O ator nos contou como foi trabalhar com Lennie James (Morgan), sobre o processo de maquiagem na morte de seu personagem, sobre ter interpretado um zumbi na 2ª temporada, sobre sua participação em Black Lightning e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Joshua Mikel:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição?

Joshua Mikel: Obrigado pelo convite! Sei que os brasileiros realmente amam o programa, e gostaria que tivéssemos mais oportunidades de visitar vocês.

Eu tinha feito o teste para o programa cerca de 17 vezes, começando na temporada 3 ou 4. Eu nunca soube exatamente para qual papel eu estava fazendo o teste, porque os papeis que eu pegava eram todos papeis falsos (“lados” não retirados diretamente do roteiro). No episódio em que Jared apareceu pela primeira vez, eu tinha feito o teste para Richard, Gavin e Jared, e felizmente consegui Jared. Eu fiquei muito feliz.

Não sabemos nada sobre o passado de Jared antes do apocalipse. Quando você o interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ele ou isso não o afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ele para ajudar de alguma maneira?

Joshua Mikel: Os roteiristas não compartilharam muito sobre de onde ele veio, mas eu sempre disse que ele provavelmente era um “playboy” – provavelmente veio de uma família rica que estava acostumada a tirar vantagem das pessoas, e o apocalipse só aumentou suas tendências sociopatas.

Jared fez parte de um dos grupos mais odiados, Os Salvadores. Durante a convenção Scares That Care 2020, você revelou o interesse em ter um arco de redenção para Jared que, infelizmente, não aconteceu. Se fosse de sua escolha, como você acha que isso poderia ter acontecido?

Joshua Mikel: Eu adoraria ter a chance de me redimir potencialmente salvando alguém com quem tive uma história tão terrível (Morgan, ou talvez Henry, tendo matado seu irmão). Simplesmente não estava nas cartas.

Jared foi perseguido por Morgan e teve um fim brutal quando foi devorado pelos zumbis. Como foi trabalhar com Lennie James? E como/quando você descobriu que Jared estava com os dias contados?

Joshua Mikel: Lennie é um ator completo, e foi incrível poder trabalhar com ele. Tenho o maior respeito e sempre gostei dos dias em que trabalhamos juntos. Ter a chance de morrer em suas mãos foi a cereja do bolo.

Cerca de uma semana antes de filmarmos o episódio da minha morte (S08E14), recebi um telefonema de Scott Gimple (o showrunner na época) e ele me deu a notícia. Fiquei chateado, mas ele prometeu que eu adoraria minha despedida. Ele estava certo. Não conseguia imaginar uma maneira melhor de sair do programa.

Ainda falando sobre a morte de Jared, você pode falar um pouco sobre o processo de maquiagem/efeitos que fizeram para a cena?

Joshua Mikel: As pessoas da equipe de efeitos especiais são profissionais e os melhores no negócio, escolhidos a dedo pelo melhor no ramo, Greg Nicotero.

Eu tinha uma prótese facial legal que o zumbi arrancou de mim, expondo um tubo de sangue que subia pelo meu pescoço e esguicharam a gosma. Foi demais.

Poucos sabem, mas antes de você interpretar o Jared você já tinha feito uma participação em The Walking Dead como um Walker no último episódio da 2ª temporada, certo? Pode contar como foi essa experiência?

Joshua Mikel: Eu fiz! Foi uma experiência incrível. Minha colega de quarto estava trabalhando nos figurinos do programa na época, e ela me disse que havia uma “chamada urgente” para um bando de zumbis. Eu agarrei a oportunidade de ver como aquela série funcionava e era dirigida. Eles me pegaram, junto com cerca de 100 outros zumbis, por meio de maquiagem e fantasias incrivelmente rápidos, e filmamos por um dia bem longo. Foi o máximo.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Joshua Mikel: Adorei o nosso primeiro dia em que filmamos com todo o pessoal do Reino. Khary, Cooper, Kerry, Karl, Jayson, Logan, Lennie – foi uma introdução divertida pra caralho para o show. Eles tinham porcos de verdade na carroceria do caminhão!

O mais desafiador era a questão da morte. Houve muita logística para fazer aquela transição inicial funcionar, e eu estava ansioso para enfrentar aqueles dias até a morte. Foi a primeira vez que trabalhei com Andy – o que foi uma sorte. Dois dias que nunca vou esquecer.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Joshua Mikel: No primeiro dia, filmamos o que seria a cena da mudança no episódio 7×02. Eu estava tão animado e ansioso por fazer parte daquele programa que há tanto tempo buscava uma oportunidade. Todos nós estávamos tendo nossos primeiros dias no set (exceto Lennie, obviamente) e isso realmente nos uniu ao longo dos próximos meses, enquanto esperávamos para compartilhar isso com o resto do mundo.

Depois de filmar minha morte, disse adeus, mas recebi uma ligação cerca de uma semana depois para voltar para o final da temporada para assombrar Morgan. Eu estava chocado por estar voltando, e aquela cena foi muito divertida de filmar. Eu não tinha nada a perder, então me senti super confortável. Minha última cena mostra muito do elenco, então eu tive que dizer olá e adeus para muitas pessoas. Um momento legal aconteceu depois que eu guardei tudo e estava saindo do estacionamento pela última vez, estávamos filmando na estrada, e quem eu vejo voltando senão Andy (ele decidiu voltar depois que terminou). Eu pude dizer adeus uma última vez e agradecê-lo por ser a gênese de um show que mudou minha vida e trouxe tanta atenção para a Geórgia.

Se Jared tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Joshua Mikel: Puxa, essa é difícil. Fiquei chateado por nunca ter realmente tido uma cena com Negan. Sempre achei que seria interessante ver e entender por que Negan poderia manter por perto um porra louca como Jared.

Falando em apocalipse zumbi… O que Joshua Mikel teria em seu kit de sobrevivência? Escolha 5 itens indispensáveis! Você seria mais o tipo que estaria em uma comunidade ou sobrevivente solitário?

Joshua Mikel: 1. Arco e Flechas / 2. Sílex e Aço / 3. O livro “A Leste do Éden” do John Steinbeck / 4. Uma faca grandona / 5. Poncho

Acho que definitivamente seria um lobo solitário, a menos que conseguisse me reconectar com amigos / familiares em quem confiava.

Quando você estava na série, teve oportunidade de ver outros setores do Universo The Walking Dead? Como funciona a direção, efeitos especiais, etc. Se você pudesse, gostaria de dirigir algum episódio futuramente?

Joshua Mikel: Adoraria dirigir um episódio. Não acho que algo assim seria oferecido a mim, mas acho que seria o máximo. Eu dirigi vários videoclipes ao longo dos anos. www.vimeo.com/joshuamikel

Você interpretou um fornecedor de drogas em Black Lightning. E, diferente de Jared, Steven Conners era bem mais equilibrado e calculista. Como foi para você dar vida a um personagem assim? Ainda podemos ter esperança de vê-lo novamente na série em algum momento?

Joshua Mikel: Eu não morri naquele programa ainda, então espero poder fazer um retorno! Eu realmente amei interpretar um personagem mais pensativo e fundamentado como aquele. É um programa muito divertido de trabalhar, então espero que eles me tenham de volta.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Joshua Mikel: Sim, é uma pena o que aconteceu esse ano, e parecia que realmente ia ser um bom ano em termos de carreira, até que as coisas pararam por 6 meses ou mais. Eu tinha acabado de terminar um episódio de Doom Patrol e um papel no filme RESPECT (um filme biográfico com Jennifer Hudson como Aretha Franklin), então eu estava sentindo que estava num bom momento. Eu terminei os dois projetos, mas Doom Patrol infelizmente teve que encurtar a temporada deles como TWD. Felizmente, eles estão fazendo uma 3ª temporada, e a história que pararam será retomada lá, eu presumo.

Nesse ínterim, tenho trabalhado muito para encontrar meu próprio valor em outros aspectos da minha vida. Tenho tocado regularmente com uma banda com dois amigos que conheço do departamento de objetos do Doom Patrol. Estou trabalhando em uma restauração de um Mustang Fastback 1967 e tenho um belo jardim em andamento (todas essas coisas você pode encontrar no meu Instagram). Os testes começaram a voltar e, na semana passada, comecei a trabalhar em um curta-metragem dirigido pela supervisora de roteiro do TWD, Amy Lacy. Ela, claro, recrutou uma tonelada de tripulantes TWD, então eu tive que me reconectar com um monte de gente. Ela também fez com que Pollyanna, Lennie, Cooper, Katie Causey (entre outros) mostrassem seu rosto no curta. Foi tão bom ver todos.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Joshua Mikel: Eu conheci alguns fãs brasileiros em convenções e alguns que costumam comentar (gentilmente) em minhas postagens no Instagram. São as pessoas mais amáveis! Há muito tempo queria ir para o Brasil (sempre fui muito fascinado pela floresta tropical e a diversidade encontrada lá – e ouvi dizer que o carnaval é muito legal também ?) Eu realmente aprecio todo o apoio e ódio que vocês tenham mostrado a Jared e pela série. Espero poder visitá-los em breve e desejo a todos segurança e que se livrem de toda ansiedade durante este período particularmente selvagem que o mundo está passando. Viva la Brazil!

REDES SOCIAIS DO JOSHUA:

– Twitter: @Joshua_Mikel
– Instagram: @joshuamikel
– Facebook: @joshmikelartist

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Steve Coulter (Reg)

Continue lendo
Publicidade
Comentários

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

Destaque

CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Avatar

Publicado há

em

Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

Continue lendo

EM ALTA