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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Steve Coulter (Reg)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Steve Coulter.

Rafael Façanha

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arte com Steve Coulter e Reg Monroe para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Steve Coulter in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Steve Coulter, que interpretou Reg Monroe durante a 5ª temporada. O ator nos contou que quase interpretou outro personagem em The Walking Dead e nos falou sobre a descoberta da morte de Reg e a gravação da cena e sobre o trabalho com Tovah Feldshuh. Além disso, Coulter contou o que podemos esperar do Padre Gordon no próximo Invocação do Mal e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Steve Coulter:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Steve Coulter: Sim, é difícil acreditar que existe há 10 anos. Me lembro de assistir ao primeiro episódio. Quando Rick atirou na menina zumbi, me lembro de ter pensado: “Isso NÃO é o que eu esperava”. Aquilo me surpreendeu.

Eu só tinha feito o teste para o programa uma vez antes, para o papel de Hershel. Estou muito feliz que Scott Wilson tenha conseguido, porque ele criou um dos personagens mais amáveis e memoráveis da televisão. Tive a sorte de passar algum tempo com Scott quando estávamos nas mesmas convenções. Verdadeiramente um dos homens mais gentis que já conheci.

Quando The Walking Dead envia “lados” (é assim que as cenas de audição são chamadas), eles não são do roteiro real. Os produtores os disfarçam para que os fãs não tenham ideias de histórias vazadas. Então, a cena que me foi dada para fazer o teste aconteceu em uma festa chique na cidade de Nova York, comemorando o lançamento de um livro de um autor famoso.
Lendo a cena, pude perceber que o “autor famoso” era Rick. Uma forma dessa cena foi na verdade a primeira cena que filmei na 5ª temporada, onde Deanna e Reg estão dando uma festa para dar as boas-vindas a Rick e seu grupo em Alexandria.

Alguns dias depois de enviar minha fita de teste, meu agente ligou e disse que parecia que eu tinha conseguido o papel, eles estavam apenas se certificando de que eu seria uma boa escolha de parceiro para a atriz que interpretava Deanna. Eu recebi a ligação dizendo que o papel de Reg era meu no meu aniversário… um belo presente de aniversário.

Alexandria passou por profundas mudanças de contexto social desde que os portões foram abertos para o Rick e o grupo, e no momento atual, está passando por um processo de redemocratização junto às outras comunidades. Você acha que Reg estaria orgulhoso do que Alexandria se tornou?

Steve Coulter: Acho que ele ficaria orgulhoso por ela ainda estar de pé. Mas acho que ele ficaria muito triste com o sacrifício que foi necessário para mantê-la.

A cena em que Reg compartilha com Noah seus projetos para futuro de Alexandria e seu conhecimento em arquitetura é muito simbólica e marca um momento de esperança e união entre os grupos. O que você acha que motivou Reg a confiar em Rick e em seu grupo?

Steve Coulter: Essas são ótimas perguntas, a propósito. Normalmente não me perguntam coisas tão específicas… o que eu gosto muito.

Eu acreditava que Reg tinha sentimentos instintivos muito bons sobre as pessoas que conhecia. Ele nunca teve uma agenda e estava muito confortável em sua posição. Então isso deu a ele essa habilidade para recuar e ver uma situação mais claramente, sem pré-julgamento. Foi divertido interpretar um personagem com tão poucos conflitos internos. Ele estava muito otimista e via o lado bom das pessoas. Claro… nós sabemos o que acontece com um personagem que expressa otimismo em The Walking Dead.

Os moradores de Alexandria tinham uma visão do mundo paralela à realidade apocalíptica por nunca terem precisado sobreviver do lado de fora dos muros. A morte de Reg gerou que tipo de impacto nos moradores da comunidade? Eles precisavam desse choque para, de fato, entenderem a realidade?

Steve Coulter: Acho que a combinação da morte selvagem de Reg e o assassinato de Pete por Rick imediatamente depois os acordou. Muito duramente. Especialmente porque foi ordem de Deanna que permitiu que Rick fosse em frente e matasse. Tudo mudou para eles depois disso. Foi o choque lamentável de que precisaram para permitir que sobrevivessem.

Ainda sobre a morte de Reg, você pode falar um pouco sobre como foi gravar essa cena? E como/quando você descobriu que Reg estava com os dias contados? Alguma lembrança engraçada dos bastidores desse momento?

Steve Coulter: Pode parecer estranho dizer que ter a garganta cortada pode ser “divertido”, mas foi realmente muito divertido de filmar. Eu descobri que iria morrer algumas semanas antes de filmarmos aquele episódio. Eu recebi uma mensagem de que Scott Gimple (showrunner) iria me ligar para falar sobre o programa. Ingenuamente, pensei que ele queria falar comigo sobre como Reg se encaixaria na próxima temporada. Eu tolo.

Tentamos nos falar por um dia ou mais, mas então recebi uma mensagem de voz dele dizendo que queria falar sobre o que estava por vir no episódio final. Assim que ouvi essa mensagem, pensei “Reg vai morrer”. Ele finalmente conseguiu falar comigo em uma tarde de sábado. Quando peguei o telefone, a primeira coisa que disse a Scott foi: “Eu vou morrer, não vou?” Então ele respondeu timidamente: “…Yeeeeaaaaah.” Scott deve ter se desculpado oito vezes durante a ligação. Ele disse: “Lamento MUITO, mas prometo que será uma morte INCRÍVEL e é a última coisa que acontece no episódio final”. Fiquei muito tocado com o quão gentil ele foi.

Filmamos a cena em novembro e a temperatura estava abaixo de zero lá fora, e filmamos a noite toda. Eles me conectaram a um longo tubo que ia para uma bomba que faria o sangue jorrar do meu pescoço quando minha garganta fosse cortada por Pete. Bem, o “sangue” que eles estavam usando (e era MUITO sangue) era apenas água colorida, então estava extremamente frio, e filmamos essa parte da cena cerca de quatro vezes. Então, cada vez que minha garganta era cortada e eles começavam a bombear, era como se alguém estivesse despejando uma garrafa de água gelada na minha frente.

Como foi trabalhar ao lado de Tovah Feldshuh no desenvolvimento de Reg e Deanna? Você já a conhecia?

Steve Coulter: Foi incrível trabalhar com Tovah. Não nos conhecíamos, mas eu sabia do seu trabalho nos teatros de Nova Iorque. Ela fez um monólogo sobre Golda Meir que era bastante conhecido. Ela era uma verdadeira profissional. Antes de praticamente todas as cenas que filmamos, ela se abaixava no chão e fazia cerca de uma dúzia de flexões para se energizar para qualquer cena que estivéssemos fazendo.

Uma memória muito vívida que tenho é quando estava deitado no chão depois que Pete me atacou, e eu estava nos braços de Tovah (Deanna). Senti as lágrimas quentes caindo em minha bochecha. E isso aconteceu durante cada tomada.

Reg acreditava que tudo o que tinham em Alexandria seria o suficiente para conter o perigo. Era importante para ele que as pessoas da cidade estivessem à salvo. No entanto, o perigo era mais eminente do que ele imaginava. Na sua opinião, o que Reg poderia ter feito que prevenisse os problemas que se sucederam?

Steve Coulter: Sinceramente, não acho que houvesse nada que Reg pudesse ter feito. Mas acho que ele teria ouvido Rick depois de um tempo.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Steve Coulter: Eu gostei muito de trabalhar no episódio com Noah, interpretado pelo maravilhoso Tyler James Williams, e particularmente na cena no gazebo. Não era uma cena típica de Walking Dead. Foi muito otimista e esperançoso, e adorei como Reg estava tentando se conectar com Noah. Claro, todos nós sabemos como isso acabou. Tyler foi ótimo na cena, e nós realmente gostamos de jogar um contra o outro. Filmamos a cena logo após o nascer do sol, e era uma linda manhã. Acho que o mais desafiador foi a cena da morte de Reg… havia tantas partes móveis (tubos de sangue, bombas para o sangue, corte protético no pescoço, etc.) para pensar e também fazer tudo parecer muito real e natural.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Steve Coulter: Eu definitivamente me lembro do meu primeiro dia no set. Mesmo que eu já estivesse atuando por quase 25 anos na época, ainda estava nervoso para conhecer todo o elenco. Veja, eu sou um grande fã do programa desde o primeiro episódio, e minha primeira cena foi onde todo o grupo está reunido na casa da Deanna e do Reg para uma festa de boas-vindas aos recém-chegados. Minha parte profissional estava calma e me concentrei no que precisava fazer na cena.

Mas dentro de mim estava um fã extremamente entusiasmado que estava MUITO animado para conhecer todos os personagens diferentes. Eu pensava comigo mesmo “lá está o Rick!” ou “lá está o Glenn!”. Muito, muito divertido.

Andy Lincoln foi uma das primeiras pessoas a se apresentar a mim quando eu cheguei… ele foi extremamente acolhedor. Acho que o elenco entendeu que os novos atores estão entrando em uma situação em que todos se conhecem e estão em um programa de sucesso. Ele realmente saiu de sua zona para me fazer sentir parte da família.

Curiosamente, Andy foi o último a dizer adeus na minha última noite no set. Ele me deu um grande abraço e me agradeceu por todo o meu trabalho. Todo o elenco e a equipe técnica lhe dão uma despedida muito agradável… eles até lhe dão uma sacola de presente cheia de souvenirs do programa.

Se Reg tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Steve Coulter: Se ele tivesse sobrevivido, eu realmente teria gostado que ele pudesse interagir com Daryl. Eles são personagens tão diferentes… Reg era muito confortável consigo mesmo e muito calmo, enquanto Daryl está cheio de conflitos e desconforto. Acho que teria sido interessante ver como eles se dariam bem. Eu teria gostado de trabalhar mais de perto com Melissa McBride. Ela e eu nos conhecemos há mais de 20 anos e, embora conversássemos muito quando não estávamos filmando, não tínhamos cenas juntos.

Você esteve em várias outras séries e filmes, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Steve Coulter: Essa é uma pergunta muito interessante. Embora significasse interpretar um cara mau, acho que o personagem do General Childs no filme que fiz em 2016, “O Nascimento de uma Nação”. O personagem foi implacável e decisivo, duas qualidades que eu acho muito necessárias para sobreviver naquele mundo.

Impossível falar com você e não citar Invocação do Mal. Estamos muito ansiosos para o próximo filme e para ver mais do Padre Gordon. O que você pode nos contar do que podemos esperar tanto do seu personagem quanto do filme? E, por favor, nos conte como tem sido trabalhar com Patrick Wilson e Vera Farmiga nessa franquia.

Steve Coulter: Por causa da confidencialidade, não posso dizer muito, mas posso dizer que o Padre Gordon finalmente sai mais a campo neste aqui. Normalmente, ele apenas dá a tarefa aos Warren (como o Comissário Gordon em Batman), e depois fica em sua igreja, são e salvo. Mas ele está muito mais envolvido desta vez.

Trabalhar com Patrick e Vera é ridiculamente divertido. É sempre uma boa reunião quando voltamos. Patrick e eu sempre zombamos muito um do outro. Eles são dois dos humanos mais legais que você pode imaginar.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Steve Coulter: Isso afetou principalmente a estreia de um filme que fiz para a Universal, chamado “The Hunt”. Como vocês devem ter ouvido, ele já havia sido adiado de sua estreia original, que deveria ser em setembro passado. Mas a mídia conservadora ouviu falar da trama (liberais ricos caçando “deploráveis”) e eles e o presidente Trump se manifestaram contra o filme, sem perceber que o filme era uma sátira. O estúdio decidiu lançar em todo o país nos cinemas na sexta-feira, 13 de março. Claro, aquele foi o primeiro fim de semana em que as coisas começaram a parar por causa da pandemia. Que sorte ruim, embora eu saiba que foi bem nas vendas on demand.

Tenho mantido minha sanidade (de alguma forma!) escrevendo e também fazendo um bom trabalho de carpintaria. Quando eu estava começando como ator em Nova York, trabalhava como carpinteiro para pagar as contas. Algumas semanas atrás, montei uma oficina no galpão atrás da minha casa e construí várias coisas. Eu não me saio muito bem, só para passar tempo, então é bom fazer coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Steve Coulter: Sim! Eu descobri cedo como os fãs brasileiros são apaixonados. Alguns dos primeiros tweets que recebi depois de aparecer pela primeira vez no programa eram do Brasil. Isso me surpreendeu… foi quando percebi o efeito que a série teve em todo o mundo. Eu adoraria ir ao Brasil um dia… Eu cresci vários anos na Colômbia, mas nunca cheguei ao ir no Brasil.

Eu adoraria enviar uma mensagem. Aqui está (desculpe se a tradução não estiver perfeita):

“Ola Brasil! Muito obrigado por todo seu apoio… significa muito. Espero visitar o Brasil um dia, e talvez eu possa te encontrar. Adeus por agora!”

REDES SOCIAIS DO STEVE:

– Twitter: @coulter28
– Instagram: @coulter28

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Dhebora Fonseca
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com IronE Singleton (T-Dog)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Teri Wyble (Shepherd)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Teri Wyble.

Rafael Façanha

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The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Teri Wyble, que interpretou Shepherd durante a 5ª temporada. A atriz nos contou sobre as motivações de sua personagem, sobre ter feito outros testes para entrar no elenco de The Walking Dead, sobre trabalhar com Andrew Lincoln (Rick), sobre o possível destino de Shepherd e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Teri Wyble:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Teri Wyble: Feliz aniversário de 10 anos para TWD! Um marco incrível para um programa incrível. Eu lembro que foi a minha quinta vez fazendo teste para um papel no programa. Eu já era fã e era um dos poucos programas que eu tinha interesse em assistir. Meu agente me deu a notícia, e eu tive que me filmar com manequins para que tudo permanecesse em segredo para o programa. Eu estava na casa da família do meu ex parceiro e lembro que filmamos na cozinha perto de uma janela para ter claridade, com um pano no fundo, e fizemos os pais dele saírem da casa para termos privacidade. Desculpa mãe e pai! Os manequins disseram que eu estava ótima, e que eu era uma arrombadora de cofres profissional. Que amor! Eu fui informada que interpretaria uma policial somente quando consegui o papel. Eu fiquei tipo, “Wow, eles tem certeza disso??”

Shepherd se mostrou uma apaziguadora fundamental durante as negociações entre Rick e Dawn, ainda que preocupada com as consequências de seus atos. Como você acha que ela se sentiu ao ver Beth morrer acidentalmente, tão rápido, e perceber que todo o esforço foi em vão?

Teri Wyble: Shepherd (em português: “pastora”) o nome diz tudo. Ela é uma pacificadora. As mortes de Beth e de Dawn não estavam no plano, mas eu acho que ela sabia que caos era uma possibilidade assim que os dois grupos se enfrentassem dentro do Hospital Grady.

Não sabemos muito sobre o passado de Shepherd, exceto que ela era uma policial no Departamento de Polícia de Atlanta. Quando você a interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ela ou isso não a afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ela para ajudar de alguma maneira?

Teri Wyble: A não ser que eu tivesse perguntas especificas sobre o meu personagem, tudo estava sob sigilo, até para nós atores, e principalmente porque eu participei de poucos episódios. Eu sei que eles trabalharam duro para manter tudo em segredo.

Dito isso, eu definitivamente criei um passado para Shepherd, mas mais especificamente, eu fiz questão que a minha motivação para minhas ações e palavras fizessem sentido para mim, e que fizesse sentido para aquela realidade. Era o único jeito de fazer parecer real.

O que você acha que Shepherd pensava sobre a conduta do hospital de arremessar os pacientes mortos dentro do buraco do elevador?

Teri Wyble: Eu não acho que a Shepherd gostou ou concordou com muitas coisas que aconteceram no hospital, mas era o mundo em que eles estavam vivendo, e ela fez o que achou que tinha que fazer para sobreviver a mais um dia.

O uniforme de policial era usado como proteção contra as ameaças do lado de fora dos muros do hospital, mas pode-se dizer que ele também era uma forma de manter uma imagem de ordem social para residentes do local?

Teri Wyble: Claro. Mas mais do que isso, eu acho que Shepherd sentiu que lhe daria mais segurança.

Nós adoraríamos ter visto mais da história dos sobreviventes do hospital e uma futura liderança da sua personagem, mas infelizmente foi confirmado por Greg Nicotero que todos morreram. Como você acha que estaria a comunidade hoje se você pudesse decidir? Como você acha que Shepherd morreu? Ou como você gostaria que tivesse sido a morte dela?

Teri Wyble: Depois da morte da Beth e da Dawn, eu acho que Shepherd sentiu que ela não seria a melhor pessoa para liderar Grady Bunch. Eu acho que ela ainda está viva, deixou o hospital, e saiu por aí se defendendo sozinha. Procurando por alguém, ou até mesmo por ela mesma. Como todos nós estamos.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Teri Wyble: Sim! Meu primeiro dia no set foi uma corrida de carro e uma cena entre Shepherd e Lamson que acabou sendo cortada! Mais tarde naquele dia, era um dos dias mais quentes da estação enquanto filmávamos a cena do Noah escapando do hospital. Eu pude ver os caminhantes com a maquiagem pela primeira vez, conheci quase todo o elenco, atirei com armas, apreciei o império puro e mágico de TWD, tudo isso enquanto eu tentava não surtar por estar fazendo parte do meu programa de TV favorito.

O meu último dia, eu lembro bem. Era a cena longa do walkie talkie onde Shepherd fala para o grupo que a troca não daria certo. Nós fizemos várias vezes, e já tínhamos a cena. Eu esqueci quem foi, mas alguém decidiu que seria uma ótima ideia jogar fora a última cena, começar de novo normalmente, e pular alegremente em direção a câmera. Foi um jeito épico de terminar meu tempo no programa. Muitas memórias boas.

Se Shepherd tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ela tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Teri Wyble: Eu conheci Sonequa Martin-Green nos bastidores. Eu lembro de ser um prazer conversar e também contracenar com ela. Eu adoraria ver essas duas personagens formarem uma equipe.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher uma delas para ser uma sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Teri Wyble: Boa pergunta! A resposta óbvia é Liberty, a arqueira feminista de The Hunt. Ela tem uma boa mira… bem… na maioria das vezes. Mas eu tenho ainda mais fé na minha personagem chamada Gal do filme Lost Bayou. Ela tem uma alma boa, com um exterior forte, uma reminiscência de Rick Grimes. Ela não perderia sem antes lutar.

Por mais que você tenha passado pouco tempo na série, sua personagem dividiu muitas cenas com Rick Grimes, tanto quando ela foi mantida refém como no final. Como foi trabalhar com Andrew Lincoln? Todos os atores que passaram pela série falam que ele sempre foi super receptível no set.

Teri Wyble: Andrew Lincoln era a cola que mantinha tudo junto, e você sente isso no momento em que o conhece. Eu aprendi muito o observando dentro e fora das câmeras. Sua habilidade de ser um lindo exemplo de ator e um ser humano gracioso.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas, e Shepherd foi uma das tais. Como foi pra você compor e atuar em uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é essa representação para outras mulheres?

Teri Wyble: Todos os papeis femininos têm poder, a diferença entre eles é se a personagem percebe seu poder ou não. Encontramos Shepherd nos estágios iniciais dela percebendo do que é capaz, foi por isso que adorei interpretá-la.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Teri Wyble: A pandemia prejudicou e continua prejudicando o emprego de muitos de nós na TV, no cinema e no teatro. Ansiamos por entretê-los, fazê-los chorar e rir e contar histórias que precisam ser contadas. Voltar ao básico me ajudou a me manter à tona. Natureza. Plantas. Meditando. Ser boa comigo mesma e saber que sou o suficiente, neste momento difícil para tantos. Gratidão pelo que tenho e pelo amor que me cerca.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Teri Wyble: Ocasionalmente recebo cartas de fãs de TWD, adoro saber de vocês e sempre escreverei de volta! Ainda não fui a nenhuma convenção, mas se fãs suficientes solicitarem “The Grady Bunch” (como temos sido carinhosamente chamados), ficaria feliz em conhece-los! Fãs brasileiros, meu coração está com vocês. Venham dizer oi no Instagram!

REDES SOCIAIS DA TERI:

– Twitter: @TeriWyble
– Instagram: @TeriWyble
– Facebook: @TeriWyble

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jordan Woods-Robinson (Eric)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jordan Woods-Robinson (Eric)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Jordan Woods-Robinson.

Rafael Façanha

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To access the interview with Jordan Woods-Robinson in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Jordan Woods-Robinson, que interpretou Eric durante as temporadas 5, 6, 7 e 8. O ator nos contou sobre como foi trabalhar com Ross Marquand (Aaron), sobre como foi gravar a morte de Eric, sobre dar vida a um personagem LGBTQ+, sobre sua carreira como cantor e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Jordan Woods-Robinson:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Jordan Woods-Robinson: Eu estava fora da cidade quando fiz o teste para o Eric de The Walking Dead. Eu fiz teste algumas vezes antes, mas não sabia muito sobre o papel para qual eu estava fazendo o teste, uma vez que todos os scripts que eles mandam são falsos. Eu fiz o teste pela primeira vez na cozinha dos avós da minha esposa. Eu esperei uma semana e soube que eles queriam outra fita então eu enviei. Após alguns dias esperando ansiosamente, eu recebi a ótima notícia de que eu estava dentro!

Eric ainda é muito lembrado por muitos fãs de The Walking Dead e sua morte ainda é muito lamentada. Como foi sua experiência com o personagem? Quando e como você ficou sabendo que ele iria morrer?

Jordan Woods-Robinson: Eric era uma alma sensível que amava apoiar seu parceiro e eu amava trazê-lo à vida. Ross era um parceiro de cena excepcional e eu sou muito sortudo de ter feito dupla com um cara tão bom. Na noite em que nos conhecemos, nós apenas sentamos na sacada do nosso hotel e compartilhamos histórias. Descobri que tínhamos muito em comum e eu ainda falo com ele com frequência.

Eu recebi uma ligação do Scott Gimple no começo da oitava temporada, enquanto filmávamos o primeiro episódio. Eu sabia que seria sobre a morte do Eric. Scott passou 45 minutos comigo no telefone falando sobre isso, sobre os motivos e como seria feito… E eu me senti completamente apoiado e nutrido. Eu acho que eles deram um adeus adorável e sincero à Eric e eu sou muito grato a todos os escritores que contribuíram com sua história.

Como foi sua preparação para a cena da morte de Eric? Como um ator se prepara para um momento como este? Se você pudesse escolher outra morte do Eric, como você gostaria que tivesse sido?

Jordan Woods-Robinson: Eu acho que Eric morreu exatamente da maneira certa. Eu não iria querer outra coisa. Ele passou anos em segurança e protegendo as pessoas de Alexandria, até ele perceber que a melhor maneira de protegê-los era lutando.

No dia em que filmamos a minha morte, o elenco e a equipe me apoiaram incrivelmente. Ross e eu passamos um tempo juntos. Tivemos espaço para conversar e tempo para nos conectar. Eu tinha uma playlist de músicas que eu estava ouvindo e anotações para o Aaron no meu bolso. Ross e o resto da equipe me apoiaram incrivelmente enquanto vivi meus últimos momentos e sou eternamente grato.

A presença de Eric foi marcante em The Walking Dead, entre outros motivos, pelo casamento bem-sucedido com Aaron. Conte para nós como foi a experiência em protagonizar um dos maiores casais LGBTQ+ da série?

Jordan Woods-Robinson: Estou muito orgulhoso de ter apoiado os direitos LGBTQ+ em um dos maiores programas do mundo. Desde o primeiro momento, Ross e eu vimos Eric e Aaron como parceiros em todos os sentidos da palavra: protegíamos um ao outro, éramos melhores amigos, éramos amantes, éramos iguais, nós sabíamos o que o outro precisava antes mesmo de falar.

Eu conheci tantos membros da comunidade LGBTQ+ graças a esse papel e estou orgulhoso de ter feito parte dessa história.

E como era a relação com Ross Marquand durante as filmagens? A química atrás das câmeras era tão boa quanto em cena?

Jordan Woods-Robinson: Oh meu deus. Eu sinto que eu já falei bastante do Ross, mas ele é a melhor pessoa. Ele faria de tudo por qualquer um, sem fazer perguntas. Ele é engraçado, charmoso, comunicativo, acessível e um ótimo ator. Passamos bastante tempo juntos dentro e fora das câmeras e o Ross é ótimo, uma ótima pessoa.

Uma crítica recorrente em The Walking Dead é a morte de personagens LGBTQ+. Eric, Tara, Jesus, entre outros personagens gays importantes, foram mortos ao longo das temporadas. Qual sua opinião? Você acha que falta representatividade na série?

Jordan Woods-Robinson: Antes de eu entrar para o programa, eu li que Robert Kirkman nomeava personagens com o mesmo nome e matava pessoas aleatoriamente (mesmo se eram personagens grandes ou influentes) porque era mais parecido com a vida real…. pessoas morrem sem esperar morrer e pessoas têm o mesmo nome às vezes. Estou orgulhoso de ter compartilhado esta representação com a comunidade LGBTQ + e trazer Eric à vida por 4 temporadas.

Sabemos que, além de um incrível ator, você também é membro do famoso Blue Man Group. Conte para nós como é este trabalho e como ele surgiu pra você.

Jordan Woods-Robinson: Sim! Blue Man Group é grande no Brasil! Eu entrei no Blue Man Group em 2007 em Nova York, depois Las Vegas e então Orlando. Quando terminei a faculdade, era o emprego dos meus sonhos e tive a sorte de conseguir um emprego que me manteria entretido por 13 anos.

Como é para você conciliar talentos como cantor e como ator? Você tem alguma preferência? Quais as vantagens e desvantagens de cada um?

Jordan Woods-Robinson: Eu sou músico desde que tinha 4 anos. Eu cresci tocando violino e tive uma carreira profissional durante quase toda minha juventude. Eu queria estudar atuação então me inscrevi na universidade de Nova York, onde tive a sorte de ser aceito. Eu aprendi que, como artista, colocar algo em espera não o mata. Apenas significa que, quando você voltar para esse projeto, sua paixão será ainda maior. Às vezes estou mais focado em música do que em atuação; às vezes, ao contrário. Como um artista, eu não quero forçar criatividade. Quando estou inspirado, eu trabalho. E quando estou inspirado, eu faço um trabalho melhor.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Jordan Woods-Robinson: Eu penso em dois episódios que foram divertidos de gravar. Eu adorei minha cena no jantar de espaguete. Primeiro, eu pude comer… sempre uma vantagem. Era um tom diferente do que o programa tinha visto recentemente e eu adorei trabalhar com Ross e Norman. Segundo, eu adorei o dia em que um grupo nosso atravessou um rio remando para achar Oceanside, na sétima temporada. Era o dia do Halloween, o barco era de metal e estava congelando, e rimos muito enquanto Andy e Danai tentavam descobrir como nos levar para a outra margem remando.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre como foi a recepção do elenco e também sua despedida!

Jordan Woods-Robinson: Minhas cenas mais desafiadores foram as cenas de luta na oitava temporada. Estava muito calor lá fora e eu estava com muitas camadas, correndo pelo pavimento atirando com uma arma. Eu queria dar uma de Andrew Lincoln e não ir pra dentro no ar condicionado ou até mesmo me sentar. Eu fiquei lá fora o dia todo, sentindo o calor e a gravidade da situação. Provavelmente suei quase 3 quilos. Mas também me lembro de sentar com o resto do elenco e estar imensamente orgulhoso do trabalho que estávamos fazendo.

Eric foi um dos personagens que foram adaptados dos quadrinhos de The Walking Dead. Você chegou a conhecer a versão dele na HQ? Se sim, o que achou das diferenças entre a versão televisiva do personagem e sua contraparte dos quadrinhos?

Jordan Woods-Robinson: A primeira pessoa que conheci no set de filmagens foi o Norman Reedus. Ele me deu um grande abraço e disse “bem-vindo à família”. Depois conheci o Andy e fiquei encantado com o quão doce e charmoso ele é.

No meu último dia no set, eu estava cercado de amor e apoio. Eu fui convidado para dar um discurso e pude compartilhar o significado de uma tatuagem que tenho, que é a interpretação de Salvador Dalí de Alice no País das Maravilhas. É a silhueta de uma jovem menina pulando corda. Para Dalí, era sua ideia de eterna juventude e inocência. Eu disse para o elenco que eu a fiz porque somos atores, sempre sendo solicitados a nos reinventar de projetos para projetos e eu não vi isso como o fim de um papel, mas sim o convite de achar uma nova experiência.

Se Eric tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Jordan Woods-Robinson: Eu acho que Eric e Enid se dariam muito bem, queria ter visto mais dos dois juntos.

O Brasil tem passado por um período difícil de um pouco de descrédito para produções culturais. Temos perguntado isso para todos os envolvidos em The Walking Dead que temos a oportunidade de conversar, mas o seu caso é especial porque você se destaca em pelo menos duas frentes: na sua opinião, qual a importância da cultura e das produções no geral para passarmos pelo momento atual?

Jordan Woods-Robinson: Eu não sei muito sobre o que o Brasil está passando agora, mas eu acredito firmemente que atuação ensina lições de vida valiosas: colaboração, comunicação, reflexão… e que estudar atuação, em qualquer idade, irá apenas ajudar uma pessoa.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Jordan Woods-Robinson: Eu tive alguns eventos infelizes que aconteceram devido à pandemia, mas sou muito sortudo de ter uma família saudável e uma comunidade solidária.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Jordan Woods-Robinson: Para todos os meus fãs brasileiros, obrigado por serem tão leais e tão energéticos. No Blue Man Group, ouvi muitas exclamações orgulhosas de “Brasil!” e “Parabéns”! Sua energia é linda e inspiradora. Obrigado!

REDES SOCIAIS DO JORDAN:

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– Site oficial: www.jordanwoods-robinson.com

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jason Douglas (Tobin)

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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Jason Douglas (Tobin)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Jason Douglas.

Rafael Façanha

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arte com Jason Douglas e Tobin para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Jason Douglas in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Jason Douglas, que interpretou Tobin durante as temporadas 5, 6, 7, 8 e 9. O ator nos contou sobre seus primeiros testes para entrar em The Walking Dead, sobre trabalhar com Melissa McBride (Carol), sobre a trajetória e morte de Tobin, sobre seu trabalho como dublador e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Jason Douglas:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Jason Douglas: Obrigado Rafael, fico feliz em falar com você sobre minhas quatro temporadas no programa. Ouvi falar de The Walking Dead quando fiz o teste para a primeira temporada. Eu não sabia muito sobre a série, mas sabia que seria dirigida por Frank Darabont, cujo trabalho eu acompanhava e admirava. Eu fiz o teste para vários personagens, incluindo Merle Dixon e Otis, o fazendeiro da família Greene na segunda temporada. Eu pensei que tinha boas leituras, mas nós, atores, fazemos tantos testes que desenvolvemos uma pele dura e geralmente esquecemos disso depois. Eu não fiz testes novamente até a 5ª temporada, quando fiz para um supervisor de canteiro de obras com roteiro vago. O roteiro da audição acabou sendo escrito apenas para a audição – foi uma cena que nunca apareceu no programa ou nos quadrinhos. E é claro que esse foi o papel que acabou sendo “Tobin”.

Quando conhecemos Tobin ele já era o chefe do grupo de construção/expansão de Alexandria e alguém de bastante confiança de Deanna, mas não sabemos muito sobre o passado dele antes do apocalipse. Você criou alguma história para ele para ajudar na interpretação do personagem? Ou os roteiristas te falaram algo que ajudasse?

Jason Douglas: Eu pensei muito sobre como Tobin poderia ter acabado em Alexandria, mas no final das contas as circunstâncias dadas para cada cena determinaram como interpretá-lo. Fiquei intrigado com a ideia de que Tobin poderia ter alguma família dentro ou fora das paredes do complexo, mas isso nunca foi realmente explorado no programa. Eu senti que Tobin deveria ter uma espécie de qualidade de homem comum operário, alguém com quem o público pudesse se relacionar e que a equipe de Rick pudesse aprender a confiar.

Tobin foi um dos personagens que foram adaptados dos quadrinhos de The Walking Dead. Você chegou a conhecer a versão dele na HQ? Se sim, o que achou das diferenças entre a versão televisiva do personagem e sua contraparte dos quadrinhos? Como fã, você prefere que as adaptações sigam fielmente o material fonte ou que façam novas histórias/remix?

Jason Douglas: Não tenho certeza se aversão de Tobin nos quadrinhos nos dá muito com que trabalhar em termos de desenvolvimento do personagem – é mais sobre o que ele representa em termos da mentalidade alexandrina em relação ao apocalipse, que é se esconder atrás das paredes e apenas sobreviver. Espero que você possa ver um pouco mais de profundidade de Tobin no programa, por meio de sua diplomacia em relação ao grupo de Rick, sua lealdade a Deanna e a comunidade e, claro, seu flerte gentil com Carol.

Tobin foi um dos interesses amorosos de Carol, mas ela acaba fugindo quando as coisas iam ficar mais sérias. Você acredita que se ele estivesse vivo, esse romance teria ido pra frente de alguma maneira? Como foi trabalhar com Melissa McBride?

Jason Douglas: Não tenho certeza se os escritores ou o showrunner estavam interessados em levar o caso muito mais longe. Presumo que não tenha funcionado bem com alguns de nossos fãs, porque o assunto foi praticamente abandonado por completo na 7ª temporada. Mas eu adorei trabalhar com Melissa, que é uma artista muito matizada e naturalista, e acho que poderíamos ter feito algumas escolhas interessantes juntos, dada a oportunidade. E eu sou grato por termos conseguido amarrar as coisas na minha cena final.

Sabemos que, algumas vezes, há cenas que acabam sendo cortadas na edição final do episódio. Alguma cena de que você participou acabou sendo cortada por algum motivo ou toda a história planejada para Tobin foi ao ar?

Jason Douglas: Estava quase tudo lá, embora a grande cena com Carol na varanda na 6ª temporada fosse inicialmente um pouco mais longa. Tobin tinha algumas falas muito boas onde ele refletiu um pouco sobre sua vida passada e o quanto as coisas mudaram. Adorei essa cena e gostaria que tudo tivesse ficado.

A morte do seu personagem foi algo que a maioria dos fãs não estava esperando. Os salvadores revestiram as armas com sangue de zumbi e causaram uma infecção! Como foi gravar seus últimos momentos na série? Como e quando você descobriu que Tobin estava com os dias contados?

Jason Douglas: Na verdade, eu estava trocando um pneu do carro da minha esposa quando meu celular tocou. Era um número de Burbank, Califórnia, e quando quem ligou se identificou como Scott Gimple, eu soube que “o show acabou”, literalmente. Já tínhamos começado a filmara 8ª temporada e vários episódios dela. Isso foi duas ou três semanas antes das filmagens, se bem me lembro.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Jason Douglas: A filmagem do meu episódio final foi a minha favorita, já que Tobin pode partir exatamente como eu sempre esperei que ele fizesse, “com suas botas calçadas” defendendo as pessoas de quem gostava. Eu pude trabalhar mais uma vez com quase todo o elenco principal como Andy, Melissa, bem como algumas das novas adições fantásticas ao programa, incluindo Cooper Andrews e Avi Nash. E, claro, passei um tempo como um ‘zumbi’ em uma homenagem muito legal a Frankenstein e ao clássico filme de terror.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Jason Douglas: A maior coisa de que me lembro sobre meu primeiro dia no set foi Andrew Lincoln passando, a alguma distância. Ele me viu e percebendo que eu era o “cara novo”, saiu do seu caminho para me dar as boas-vindas ao elenco. Ele sempre foi muito altruísta dessa maneira, e isso realmente me impressionou.

Meus últimos dias no set foram bastante ocupados e cheios de ação, então não tive muito tempo para ficar sentimental. Mas todos pareciam genuinamente chateados ao ver Tobin (e eu) partir. Não fizemos um “jantar do elenco” ou algo parecido, mas devo dizer que o catering naquele dia foi absolutamente exagerado.

Se Tobin tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Jason Douglas: Kenric Greene e eu sempre brincamos que ele e eu deveríamos ter um episódio inteiro dedicado aos nossos dois personagens em uma condenada corrida por suprimentos. Mas também conseguia ver Tobin lutando com a tripulação de Ezekiel.

Tobin era um personagem amigável e descontraído. Você acha que essas qualidades de alguma maneira o prejudicaram/causaram a sua morte? Em sua opinião, para sobreviver em um mundo apocalíptico é necessário desligar sua humanidade ou ainda existiria espaço para bondade e companheirismo?

Jason Douglas: Acho que “amigável e descontraído” descreve o personagem que conhecemos na 5ª temporada. Na 8ª temporada, Tobin se tornou consideravelmente mais um lutador da linha de frente – ele fazia parte dos ataques da milícia ao Santuário e do posto avançado fragmentado no topo da temporada , e finalmente foi emboscado enquanto defendia agressivamente Hilltop – botas calçadas, rifle na mão. Acho que era assim que queríamos que o personagem fosse lembrado, ao final de um arco de 25 episódios que começou com uma versão mais tímida do personagem. Isso se encaixa na ideia de que Tobin era uma espécie de termômetro, refletindo a evolução de toda a comunidade alexandrina.

Não apenas a bondade e a amizade seriam possíveis em um mundo pós-apocalipse, mas também seriam essenciais. Não somos meros animais, somos humanos. É aqui que eu acho que algumas imaginações pós-apocalípticas dão errado. Acredito que fomos projetados para um relacionamento. O que chamamos de “civilização” está, penso eu, inextricavelmente ligado à conexão e cooperação humanas – nós sobrevivemos e prosperamos como espécie precisamente por causa dessas condições, não apesar delas.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Jason Douglas: Eu interpretei um personagem em vários episódios de “Revolution”, outro programa pós-apocalíptico. Garret era um agente duplo corajoso e implacável que provavelmente se encaixaria bem no papel de um Salvador ou tenente do Reino.

Falando em outras séries, você também esteve em Preacher como o icônico Satan.Você pode falar um pouco sobre como foi sua experiência na série e como era o processo de maquiagem para se transformar no Príncipe das Trevas?

Jason Douglas: Esta foi uma criatura incrível construída pelo KNB EFX Group, que também faz a maquiagem e o trabalho de efeitos visuais para The Walking Dead e dezenas de outros programas dos quais você já ouviu falar. Eles fizeram um molde de todo o meu rosto, cabeça e corpo e esculpiram todas as características de caráter distinto no topo. Então, o produto final foi um terno de criatura que eu colocaria, mas ainda precisava de muita cola e maquiagem para reunir tudo em um todo coeso e sem costura.

Adorei trabalhar com todos aqueles caras, assim como com o elenco, escritores e diretores – toda a equipe foi incrivelmente criativa. Foi um prazer especial trabalhar com Betty Buckley, e eu senti que havia uma química fácil entre nós, já que tínhamos aparecido juntos em uma peça de teatro vários anos antes.

Além de ator, você também é dublador. Essa experiência é muito diferente de estar nas telinhas? Conte um pouco sobre como é ser a voz de um personagem e quando/como surgiu seu interesse pela dublagem.

Jason Douglas: Tenho feito as vozes em inglês para animes e videogames por mais de 20 anos, muito antes de começar a ser conhecido por qualquer trabalho na frente das câmeras. Anime é particularmente divertido, pois você tem os contornos de uma performance já criados na animação, e você está tentando criar uma voz e um ritmo perfeitos para trazer esse personagem totalmente à vida para o público. Com o trabalho de voz, não estamos limitados por nossa aparência, é tudo uma questão de voz e performance.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Jason Douglas: Estamos indo bem, obrigado! Muitos projetos pela casa e mantendo nossos filhos ocupados. Tudo fechava no primeiro mês ou mais, então esse foi um momento assustador para todos no ramo. Tive a sorte de estar conectado a alguns cineastas no norte do Texas que tinham um projeto em andamento e foram capazes de fazê-lo acontecer apesar de todas as preocupações e restrições. Seus leitores podem estar interessados em acompanhar este filme, chamado “Red Stone”, já que também estrelado por outro ex-ator do TWD, Michael Cudlitz. Eu também pude fazer mais do meu trabalho de voz dentro de um antigo armário em minha casa, gravando episódios de anime e até mesmo toda a minha atuação como Krieg the Psycho do novo jogo Borderlands 3.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Jason Douglas: Sim, estamos definitivamente cientes dos fãs brasileiros, já que costumamos ver as menções e comentários nas redes sociais. Agradeço especialmente a gentileza para com aqueles de nós que fazem parte da história do TWD em papéis coadjuvantes. Estamos orgulhosos do trabalho que fizemos no programa e esperamos poder continuar visitando suas casas no futuro, enquanto trabalhamos em outros projetos. Vocês no Brasil são alguns dos melhores fãs do mundo. Muito amor e paz a todos!

REDES SOCIAIS DO JASON:

– Twitter: @MrJasonDouglas
– Instagram: @jasondouglas2040
– Facebook: @JasonDouglasFans
– Site oficial: www.jasondouglas.com

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Erik Jensen (Steven)

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