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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Steve Coulter (Reg)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Steve Coulter.

Rafael Façanha

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arte com Steve Coulter e Reg Monroe para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Steve Coulter in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Steve Coulter, que interpretou Reg Monroe durante a 5ª temporada. O ator nos contou que quase interpretou outro personagem em The Walking Dead e nos falou sobre a descoberta da morte de Reg e a gravação da cena e sobre o trabalho com Tovah Feldshuh. Além disso, Coulter contou o que podemos esperar do Padre Gordon no próximo Invocação do Mal e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Steve Coulter:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Steve Coulter: Sim, é difícil acreditar que existe há 10 anos. Me lembro de assistir ao primeiro episódio. Quando Rick atirou na menina zumbi, me lembro de ter pensado: “Isso NÃO é o que eu esperava”. Aquilo me surpreendeu.

Eu só tinha feito o teste para o programa uma vez antes, para o papel de Hershel. Estou muito feliz que Scott Wilson tenha conseguido, porque ele criou um dos personagens mais amáveis e memoráveis da televisão. Tive a sorte de passar algum tempo com Scott quando estávamos nas mesmas convenções. Verdadeiramente um dos homens mais gentis que já conheci.

Quando The Walking Dead envia “lados” (é assim que as cenas de audição são chamadas), eles não são do roteiro real. Os produtores os disfarçam para que os fãs não tenham ideias de histórias vazadas. Então, a cena que me foi dada para fazer o teste aconteceu em uma festa chique na cidade de Nova York, comemorando o lançamento de um livro de um autor famoso.
Lendo a cena, pude perceber que o “autor famoso” era Rick. Uma forma dessa cena foi na verdade a primeira cena que filmei na 5ª temporada, onde Deanna e Reg estão dando uma festa para dar as boas-vindas a Rick e seu grupo em Alexandria.

Alguns dias depois de enviar minha fita de teste, meu agente ligou e disse que parecia que eu tinha conseguido o papel, eles estavam apenas se certificando de que eu seria uma boa escolha de parceiro para a atriz que interpretava Deanna. Eu recebi a ligação dizendo que o papel de Reg era meu no meu aniversário… um belo presente de aniversário.

Alexandria passou por profundas mudanças de contexto social desde que os portões foram abertos para o Rick e o grupo, e no momento atual, está passando por um processo de redemocratização junto às outras comunidades. Você acha que Reg estaria orgulhoso do que Alexandria se tornou?

Steve Coulter: Acho que ele ficaria orgulhoso por ela ainda estar de pé. Mas acho que ele ficaria muito triste com o sacrifício que foi necessário para mantê-la.

A cena em que Reg compartilha com Noah seus projetos para futuro de Alexandria e seu conhecimento em arquitetura é muito simbólica e marca um momento de esperança e união entre os grupos. O que você acha que motivou Reg a confiar em Rick e em seu grupo?

Steve Coulter: Essas são ótimas perguntas, a propósito. Normalmente não me perguntam coisas tão específicas… o que eu gosto muito.

Eu acreditava que Reg tinha sentimentos instintivos muito bons sobre as pessoas que conhecia. Ele nunca teve uma agenda e estava muito confortável em sua posição. Então isso deu a ele essa habilidade para recuar e ver uma situação mais claramente, sem pré-julgamento. Foi divertido interpretar um personagem com tão poucos conflitos internos. Ele estava muito otimista e via o lado bom das pessoas. Claro… nós sabemos o que acontece com um personagem que expressa otimismo em The Walking Dead.

Os moradores de Alexandria tinham uma visão do mundo paralela à realidade apocalíptica por nunca terem precisado sobreviver do lado de fora dos muros. A morte de Reg gerou que tipo de impacto nos moradores da comunidade? Eles precisavam desse choque para, de fato, entenderem a realidade?

Steve Coulter: Acho que a combinação da morte selvagem de Reg e o assassinato de Pete por Rick imediatamente depois os acordou. Muito duramente. Especialmente porque foi ordem de Deanna que permitiu que Rick fosse em frente e matasse. Tudo mudou para eles depois disso. Foi o choque lamentável de que precisaram para permitir que sobrevivessem.

Ainda sobre a morte de Reg, você pode falar um pouco sobre como foi gravar essa cena? E como/quando você descobriu que Reg estava com os dias contados? Alguma lembrança engraçada dos bastidores desse momento?

Steve Coulter: Pode parecer estranho dizer que ter a garganta cortada pode ser “divertido”, mas foi realmente muito divertido de filmar. Eu descobri que iria morrer algumas semanas antes de filmarmos aquele episódio. Eu recebi uma mensagem de que Scott Gimple (showrunner) iria me ligar para falar sobre o programa. Ingenuamente, pensei que ele queria falar comigo sobre como Reg se encaixaria na próxima temporada. Eu tolo.

Tentamos nos falar por um dia ou mais, mas então recebi uma mensagem de voz dele dizendo que queria falar sobre o que estava por vir no episódio final. Assim que ouvi essa mensagem, pensei “Reg vai morrer”. Ele finalmente conseguiu falar comigo em uma tarde de sábado. Quando peguei o telefone, a primeira coisa que disse a Scott foi: “Eu vou morrer, não vou?” Então ele respondeu timidamente: “…Yeeeeaaaaah.” Scott deve ter se desculpado oito vezes durante a ligação. Ele disse: “Lamento MUITO, mas prometo que será uma morte INCRÍVEL e é a última coisa que acontece no episódio final”. Fiquei muito tocado com o quão gentil ele foi.

Filmamos a cena em novembro e a temperatura estava abaixo de zero lá fora, e filmamos a noite toda. Eles me conectaram a um longo tubo que ia para uma bomba que faria o sangue jorrar do meu pescoço quando minha garganta fosse cortada por Pete. Bem, o “sangue” que eles estavam usando (e era MUITO sangue) era apenas água colorida, então estava extremamente frio, e filmamos essa parte da cena cerca de quatro vezes. Então, cada vez que minha garganta era cortada e eles começavam a bombear, era como se alguém estivesse despejando uma garrafa de água gelada na minha frente.

Como foi trabalhar ao lado de Tovah Feldshuh no desenvolvimento de Reg e Deanna? Você já a conhecia?

Steve Coulter: Foi incrível trabalhar com Tovah. Não nos conhecíamos, mas eu sabia do seu trabalho nos teatros de Nova Iorque. Ela fez um monólogo sobre Golda Meir que era bastante conhecido. Ela era uma verdadeira profissional. Antes de praticamente todas as cenas que filmamos, ela se abaixava no chão e fazia cerca de uma dúzia de flexões para se energizar para qualquer cena que estivéssemos fazendo.

Uma memória muito vívida que tenho é quando estava deitado no chão depois que Pete me atacou, e eu estava nos braços de Tovah (Deanna). Senti as lágrimas quentes caindo em minha bochecha. E isso aconteceu durante cada tomada.

Reg acreditava que tudo o que tinham em Alexandria seria o suficiente para conter o perigo. Era importante para ele que as pessoas da cidade estivessem à salvo. No entanto, o perigo era mais eminente do que ele imaginava. Na sua opinião, o que Reg poderia ter feito que prevenisse os problemas que se sucederam?

Steve Coulter: Sinceramente, não acho que houvesse nada que Reg pudesse ter feito. Mas acho que ele teria ouvido Rick depois de um tempo.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Steve Coulter: Eu gostei muito de trabalhar no episódio com Noah, interpretado pelo maravilhoso Tyler James Williams, e particularmente na cena no gazebo. Não era uma cena típica de Walking Dead. Foi muito otimista e esperançoso, e adorei como Reg estava tentando se conectar com Noah. Claro, todos nós sabemos como isso acabou. Tyler foi ótimo na cena, e nós realmente gostamos de jogar um contra o outro. Filmamos a cena logo após o nascer do sol, e era uma linda manhã. Acho que o mais desafiador foi a cena da morte de Reg… havia tantas partes móveis (tubos de sangue, bombas para o sangue, corte protético no pescoço, etc.) para pensar e também fazer tudo parecer muito real e natural.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Steve Coulter: Eu definitivamente me lembro do meu primeiro dia no set. Mesmo que eu já estivesse atuando por quase 25 anos na época, ainda estava nervoso para conhecer todo o elenco. Veja, eu sou um grande fã do programa desde o primeiro episódio, e minha primeira cena foi onde todo o grupo está reunido na casa da Deanna e do Reg para uma festa de boas-vindas aos recém-chegados. Minha parte profissional estava calma e me concentrei no que precisava fazer na cena.

Mas dentro de mim estava um fã extremamente entusiasmado que estava MUITO animado para conhecer todos os personagens diferentes. Eu pensava comigo mesmo “lá está o Rick!” ou “lá está o Glenn!”. Muito, muito divertido.

Andy Lincoln foi uma das primeiras pessoas a se apresentar a mim quando eu cheguei… ele foi extremamente acolhedor. Acho que o elenco entendeu que os novos atores estão entrando em uma situação em que todos se conhecem e estão em um programa de sucesso. Ele realmente saiu de sua zona para me fazer sentir parte da família.

Curiosamente, Andy foi o último a dizer adeus na minha última noite no set. Ele me deu um grande abraço e me agradeceu por todo o meu trabalho. Todo o elenco e a equipe técnica lhe dão uma despedida muito agradável… eles até lhe dão uma sacola de presente cheia de souvenirs do programa.

Se Reg tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Steve Coulter: Se ele tivesse sobrevivido, eu realmente teria gostado que ele pudesse interagir com Daryl. Eles são personagens tão diferentes… Reg era muito confortável consigo mesmo e muito calmo, enquanto Daryl está cheio de conflitos e desconforto. Acho que teria sido interessante ver como eles se dariam bem. Eu teria gostado de trabalhar mais de perto com Melissa McBride. Ela e eu nos conhecemos há mais de 20 anos e, embora conversássemos muito quando não estávamos filmando, não tínhamos cenas juntos.

Você esteve em várias outras séries e filmes, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Steve Coulter: Essa é uma pergunta muito interessante. Embora significasse interpretar um cara mau, acho que o personagem do General Childs no filme que fiz em 2016, “O Nascimento de uma Nação”. O personagem foi implacável e decisivo, duas qualidades que eu acho muito necessárias para sobreviver naquele mundo.

Impossível falar com você e não citar Invocação do Mal. Estamos muito ansiosos para o próximo filme e para ver mais do Padre Gordon. O que você pode nos contar do que podemos esperar tanto do seu personagem quanto do filme? E, por favor, nos conte como tem sido trabalhar com Patrick Wilson e Vera Farmiga nessa franquia.

Steve Coulter: Por causa da confidencialidade, não posso dizer muito, mas posso dizer que o Padre Gordon finalmente sai mais a campo neste aqui. Normalmente, ele apenas dá a tarefa aos Warren (como o Comissário Gordon em Batman), e depois fica em sua igreja, são e salvo. Mas ele está muito mais envolvido desta vez.

Trabalhar com Patrick e Vera é ridiculamente divertido. É sempre uma boa reunião quando voltamos. Patrick e eu sempre zombamos muito um do outro. Eles são dois dos humanos mais legais que você pode imaginar.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Steve Coulter: Isso afetou principalmente a estreia de um filme que fiz para a Universal, chamado “The Hunt”. Como vocês devem ter ouvido, ele já havia sido adiado de sua estreia original, que deveria ser em setembro passado. Mas a mídia conservadora ouviu falar da trama (liberais ricos caçando “deploráveis”) e eles e o presidente Trump se manifestaram contra o filme, sem perceber que o filme era uma sátira. O estúdio decidiu lançar em todo o país nos cinemas na sexta-feira, 13 de março. Claro, aquele foi o primeiro fim de semana em que as coisas começaram a parar por causa da pandemia. Que sorte ruim, embora eu saiba que foi bem nas vendas on demand.

Tenho mantido minha sanidade (de alguma forma!) escrevendo e também fazendo um bom trabalho de carpintaria. Quando eu estava começando como ator em Nova York, trabalhava como carpinteiro para pagar as contas. Algumas semanas atrás, montei uma oficina no galpão atrás da minha casa e construí várias coisas. Eu não me saio muito bem, só para passar tempo, então é bom fazer coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Steve Coulter: Sim! Eu descobri cedo como os fãs brasileiros são apaixonados. Alguns dos primeiros tweets que recebi depois de aparecer pela primeira vez no programa eram do Brasil. Isso me surpreendeu… foi quando percebi o efeito que a série teve em todo o mundo. Eu adoraria ir ao Brasil um dia… Eu cresci vários anos na Colômbia, mas nunca cheguei ao ir no Brasil.

Eu adoraria enviar uma mensagem. Aqui está (desculpe se a tradução não estiver perfeita):

“Ola Brasil! Muito obrigado por todo seu apoio… significa muito. Espero visitar o Brasil um dia, e talvez eu possa te encontrar. Adeus por agora!”

REDES SOCIAIS DO STEVE:

– Twitter: @coulter28
– Instagram: @coulter28

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Dhebora Fonseca
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com IronE Singleton (T-Dog)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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