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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Elizabeth Faith Ludlow (Arat)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Elizabeth Faith Ludlow.

Rafael Façanha

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arte com Elizabeth Faith Ludlow e Arat para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Elizabeth Faith Ludlow in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Elizabeth Faith Ludlow, que interpretou Arat durante as temporadas 7, 8 e 9. A atriz nos contou sobre a importância de The Walking Dead em sua carreira, sobre as gravações das mortes de Olivia e Arat, sobre o trabalho com Jeffey Dean Morgan e com quem ela gostaria de ter tido mais cenas, sobre a segunda temporada de Another Life e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Elizabeth Faith Ludlow:

Primeiramente, é um grande privilégio para nós ter a chance de conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Como você se sente ao fazer parte desta história? Você pode falar um pouco sobre o seu processo de audição para a série. Participar dela mudou sua vida de alguma maneira?

Elizabeth Faith Ludlow: Foi uma honra fazer parte de uma série tão icônica. Na verdade, eu fiz o teste para o show algumas vezes antes de conseguir o papel de Arat. Estar na série mudou minha vida de várias maneiras, mas no geral me permitiu alcançar um público muito amplo e dedicado. Eu nunca fiz parte de algo tão amado e com uma base de fãs tão grande. Eu ainda tenho fãs dedicados até hoje porque me tornei parte da família The Walking Dead.

Não sabemos nada sobre o passado de Arat. Quando você a interpretou, criou alguma história sobre o que já havia acontecido com ela ou isso não a afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ela para ajudar de alguma maneira?

Elizabeth Faith Ludlow: Eu criei uma história de fundo para Arat e os escritores me deram total liberdade para trazê-la à vida com minha própria verdade. A chave para a sobrevivência em um cenário apocalíptico é a comunidade. Arat sobreviveu tanto porque subiu na hierarquia da comunidade dos Salvadores e isso lhe proporcionou comida e proteção. Sem Negan e os salvadores, não há como dizer se ela teria sobrevivido por conta própria.

Você pode citar uma semelhança e uma diferença entre você e Arat?

Elizabeth Faith Ludlow: A semelhança entre Arat e eu vem de dentro. Arat é uma sobrevivente. Também me considero uma sobrevivente de várias maneiras.

A sua personagem matou e morreu, como foi a sensação ao gravar essas cenas? Matando a Olivia e sendo morta pela Cyndie.

Elizabeth Faith Ludlow: Filmar a morte de Olivia e a minha foram provavelmente meus dois dias favoritos no set. Quando Arat atira no olho de Olivia, foi a primeira vez que Arat nos mostrou por que ela era o braço direito de Negan. Até este ponto ela tinha ficado em segundo plano, mas aquele dia foi muito divertido porque pudemos ver o quão perigosa Arat poderia ser. O dia em que Cyndie matou Arat foi um dia muito emocionante. Meus três anos na série estavam finalmente chegando ao fim e todos esses sentimentos surgiram naquela cena. Foi a primeira vez que vimos o lado humano de Arat. Conseguimos ver sua vulnerabilidade e acho que foi nesse momento que os fãs perceberam que Arat era apenas mais um humano tentando sobreviver por qualquer meio necessário.

Se a sua personagem ainda estivesse viva em The Walking Dead, como você acha que ela teria lidado com tantas mudanças? Ela continuaria acreditando que os salvadores eventualmente retomariam o poder ou se uniria ao povo de Hilltop, Oceanside e Alexandria contra os Sussurradores?

Elizabeth Faith Ludlow: Se Arat ainda estivesse viva, acredito que ela teria unido forças com outro grupo. Eu gostaria de acreditar que ela encontraria uma maneira de defender o que é certo.

Nós sabemos que o set de The Walking Dead é sempre bastante divertido e os atores acabam virando uma grande família. Como foi para você, todos te receberam bem? Você consegue lembrar de algum momento engraçado que viveu durante as gravações para compartilhar conosco?

Elizabeth Faith Ludlow: Juntar-se a Família The Walking Dead foi e ainda é como nenhuma outra experiência que tive em um set. Todos são muito acolhedores e isso cria um verdadeiro sentimento de pertença quando vem para o trabalho. Meus momentos favoritos atrás das câmeras foram interagir com os zumbis quando eles ficavam apenas passeando entre as cenas. Sempre me fazia rir só de vê-los em seus telefones ou almoçando totalmente vestidos e maquiados como zumbis.

Você contracenou bastante com Jeffrey Dean Morgan, como foi trabalhar com ele? Existe algum ator/atriz na série que você não teve a oportunidade de dividir cenas e que gostaria de ter trabalhado junto?

Elizabeth Faith Ludlow: Trabalhar com Jeffrey foi muito divertido. Ele é um ator incrível. Eu não consigo imaginar nenhuma outra pessoa como o Negan, acho que ele encarna o papel perfeitamente. Teve algumas pessoas com quem não tive a chance de partilhar uma cena. Eu adoraria trabalhar ao lado de Danai em algum momento!

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas, e Arat foi uma das tais. Como foi pra você compor e atuar em uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é essa representação para outras mulheres?

Elizabeth Faith Ludlow: Eu amo interpretar mulheres poderosas porque mulheres são muito poderosas. Acho extremamente importante continuar retratando as mulheres sob essa perspectiva. Muitas vezes somos retratadas como objetos fracos ou meramente sexuais e é necessária uma representação consistente para mudar essas falsas teorias. Espero continuar a incorporar personagens femininas fortes na tela para que as gerações de mulheres de agora tenham uma chance melhor de serem vistas como iguais.

Arat permaneceu no Santuário após a queda de Negan, ajudando na reconstrução da comunidade. Você acha que ela mudou de alguma forma? Ou acredita que o fato de ela ter permanecido na comunidade era um sinal de que ela esperava o retorno de Negan em algum momento para uma possível vingança?

Elizabeth Faith Ludlow: Eu acredito que Arat mudou de muitas maneiras depois que Negan foi preso. Ela não estava mais sob o controle dele e teve a oportunidade de se tornar uma parte positiva da sociedade. Acho que Arat queria a chance de apenas viver em paz entre os outros, não acho que ela estivesse mais decidida a destruir.

Negan está atualmente trilhando um caminho para uma possível redenção. Você acha que ele merece perdão? Acredita que alguém que fez o que ele fez ao longo dos anos pode realmente mudar?

Elizabeth Faith Ludlow: Eu acredito que todos merecem perdão, incluindo Negan. Quem sou eu para dizer que não há bem no Negan? Acho que se tiver a oportunidade, todos podem mudar.

Quais são as etapas do seu processo de interpretação? Você segue algum ritual antes de entrar em cena com suas personagens? Como você se prepara?

Elizabeth Faith Ludlow: Eu tenho algumas técnicas diferentes que uso para entrar em meus personagens, mas isso muda constantemente de personagem para personagem. Não existem duas pessoas exatamente iguais, então tento abordar cada personagem com essa mentalidade. Eu não diria que tenho um ritual.

Além de estar presente no Universo de The Walking Dead, você também fez parte do Universo Marvel! Como era o clima nos bastidores de Guardiões da Galáxia? E quanto tempo levou para fazer a maquiagem de Easik?

Elizabeth Faith Ludlow: Estar no set de Guardiões da Galáxia foi incrível. O cenário era surreal. Demorou quatro horas para montar o personagem Easik.

O que você acha menos ruim de enfrentar, uma horda de zumbis ou o Godzilla? Por quê? Risos.

Elizabeth Faith Ludlow: Acho que prefiro enfrentar uma horda de zumbis e essa resposta é simplesmente baseada na escala. Não há como derrotar o Godzilla, mas eu provavelmente conseguiria sair de uma horda de zumbis.

A pandemia afetou tudo e todos no mundo e atualmente, você está na série da Netflix “Another Life”. Já se sabe como será o processo de gravações da segunda temporada? Aproveitando… O que podemos esperar de Cas Isakovic na nova temporada?

Elizabeth Faith Ludlow: A Netflix e a Another Life começaram a trabalhar em uma maneira de voltarmos ao trabalho no momento em que tivemos que nos isolar. Acabamos de começar a filmar a 2ª temporada de Another Life. Podemos esperar muito de Cas nesta temporada, mas principalmente vamos vê-la entrar em ação e se tornar sua própria heroína.

Para encerrar: sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque o season finale foi afetado. Como isso te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? Como você tem se cuidado durante essa pandemia?

Elizabeth Faith Ludlow: A pandemia atrasou alguns projetos, mas eles estão de volta e funcionando agora. Acabei de finalizar uma nova série documental da HBO que será lançada em outubro. Também estamos filmando a segunda temporada de Another Life. Tenho feito o possível para permanecer saudável mental e fisicamente durante esse período. Comer bem e fazer exercícios realmente me ajudaram a manter a sanidade. Espero que as coisas voltem ao normal muito em breve!

REDES SOCIAIS DA ELIZABETH:

– Twitter: @ElizabethLudlow
– Instagram: @ElizabethFaithLudlow

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: Lucas Saboia

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Andrew J. West (Gareth)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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