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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Andrew J. West (Gareth)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Andrew J. West.

Rafael Façanha

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arte com Andrew J. West e Gareth para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Andrew J. West in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Andrew J. West, que interpretou Gareth durante as temporadas 4 e 5. O ator nos contou um pouco sobre a sua participação na série, sobre a intensidade das cenas, sobre as decisões criativas, sobre Once Upon A Time e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Andrew J. West:

Primeiramente é muito bom conversar com você de novo, pois já faz algum tempo desde nossa última entrevista. Qual o sentimento de fazer parte de um projeto tão grandioso como The Walking Dead? E do que você mais sente falta do seu tempo na série?

Andrew J. West: Muito bom falar com você de novo também! The Walking Dead sempre será um momento de destaque na minha carreira. Foi a primeira vez que trabalhei em uma série de grande sucesso, a primeira vez que interpretei um personagem de uma história em quadrinhos, a primeira vez que comi a perna de um cara em cena (provavelmente a única vez para isso, ?). Foi uma experiência única e sempre vou guardá-la com carinho.

Sinto falta da liberdade e do sentimento de diversão que tínhamos na série. Eu aparecia para trabalhar, eles espalhavam sujeira no meu rosto, me entregavam uma arma e me mandavam para a floresta para encenar. Foi o meu sonho de infância se tornando realidade.

Nada se sabe da vida pré-apocalíptica de Gareth, mas, durante o apocalipse zumbi, ele sofreu muito nas mãos do grupo que invadiu Terminus, e machucou todos os que estavam lá. Você acha que isso justifica o que ele fez mais tarde: ter se tornado o vilão que tanto odiava?

Andrew J. West: Definitivamente não justifica suas ações, mas o que eu gosto em seu enredo é que vemos como ele se tornou o que ele se tornou. Existe uma razão para sua loucura. Não justifica, mas você consegue ter uma compreensão intelectual de suas ações, se não uma compreensão moral delas. Isso é o que eu achei tão intrigante sobre o personagem.

Como foi a sua reação ao saber que interpretaria um vilão? Você já queria participar da série antes de conseguir o papel ou isso foi algo totalmente inesperado?

Andrew J. West: Fiquei muito empolgado quando descobri quem interpretaria. Eu não tinha ideia até que voei para Atlanta e já tinha feito os ajustes no figurino. Eu estava muito ciente do programa, mas nunca necessariamente pensei que teria a oportunidade de trabalhar nele. Quando tive essa oportunidade, estava pronto para interpretar qualquer personagem que eles quisessem, mas quando descobri quem eu seria, não poderia ter ficado mais feliz. Ele foi um personagem memorável e bem escrito. Eu sabia que seu arco seria um bom arco.

Gravar uma cena de morte deve ser muito complicado. A do seu personagem foi bem forte, já que Gareth até suplicou por sua vida. Você pode nos contar um pouco sobre esse processo? Como você se preparou para essa cena?

Andrew J. West: Essa cena foi extremamente intensa. Estávamos em uma igreja no meio do mato, no meio da noite. E meu personagem é morto por Rick, é claro, que por acaso é interpretado por um dos atores mais comprometidos com quem já trabalhei. Andy Lincoln estava entusiasmado e o nível de intensidade estava no máximo.

Para mim, não existe uma preparação real que garanta que você chegará onde precisa estar, você só tem que realmente implorar por sua vida em uma situação como essa. Trabalhar com Andy definitivamente tornou tudo mais fácil. Olhar em seus olhos durante aquela cena foi assustador.

Você acha que, se Gareth tivesse sido “perdoado” e sobrevivido, ele buscaria vingança ou tentaria recomeçar?

Andrew J. West: Eu o via como um oportunista acima de tudo, então não acho que ele seria motivado pela vingança, mas como Rick e seu grupo pareciam ser as únicas pessoas por perto, acho que ele os teria atacado novamente.

Você pode citar uma semelhança e uma diferença entre você e Gareth?

Andrew J. West: Eu com certeza tendo a ser pragmático e desapaixonado ao lidar com muitas coisas. Eu definitivamente não me consideraria uma pessoa excessivamente emocional. Gareth era da mesma forma.

Gareth tem hábitos alimentares muito mais aventureiros.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre como foi a recepção do elenco e também sua despedida!

Andrew J. West: Eu estava tão impressionado no meu primeiro dia, eu estava tentando jogar com calma enquanto conhecia todos os outros atores e depois me certificava de que fiz um bom trabalho. Mas eu me lembro de Andy Lincoln sendo tão cortês e acolhedor. Ele imediatamente me fez sentir em casa.

Meu personagem morreu ao mesmo tempo que Bob, então eu meio que peguei carona na despedida do Lawrence Gilliard. Tivemos um jantar de despedida com o elenco para Lawrence e eu meio que recebi uma menção honrosa ao mesmo tempo. Lawrence era obviamente uma parte muito importante do show, e eu achei muito gentil da parte dos produtores me incluir em qualquer tipo de despedida, já que eu estive no série por um curto período de tempo. Mas foi uma experiência maravilhosa.

Sabemos que, algumas vezes, há cenas que acabam sendo cortadas na edição final do episódio. Alguma cena de que você participou acabou sendo cortada por algum motivo ou toda a história planejada para Gareth foi ao ar?

Andrew J. West: Acho que todas as minhas cenas apareceram, mas meu monólogo no início do terceiro episódio da 5ª temporada foi encurtado. E algumas das falas que foram cortadas foram usadas com muita sabedoria para criar um desvio no teaser da temporada. Isso pode ter sido planejado, mas felizmente nada de interessante do que filmei foi deixado na sala de edição.

Gareth foi baseado no personagem Chris dos quadrinhos de The Walking Dead e tem um dos arcos mais icônicos da história. Você prefere trabalhar com produções fieis ao material fonte ou prefere de produções inéditas? Como foi explorar toda essa questão de canibalismo? Você chegou a ler os quadrinhos ou apenas os roteiros?

Andrew J. West: Pode ser útil, mas também complicado trabalhar com material de origem pré-existente. Por um lado, você começa com um monte de informações que podem ajudar a moldar suas decisões sobre como abordar o personagem. Mas você também deve ter cuidado para não cair na armadilha de tentar recriar um personagem que existe em um meio diferente. Chris não é o mesmo que Gareth, então eu tive que abordar o personagem de forma diferente. Mas foi bom poder se referir aos quadrinhos para ter uma noção geral do tom do arco da história.

Como ator, você quer ser capaz de explorar os limites externos do comportamento humano, por isso foi emocionante explorar algo como o canibalismo. Assustador e intimidante, mas também emocionante. Mas o arco da história de Gareth não é tanto sobre canibalismo, mas sim sobre sobrevivência. A única coisa a se envolver era explorar até que ponto alguém vai para sobreviver.

Por ser o grande destaque do grupo do Terminus, seu personagem teve muitas cenas com Rick Grimes. Como foi trabalhar com Andrew Lincoln?

Andrew J. West: Andy Lincoln foi realmente um dos atores mais graciosos e comprometidos com quem já trabalhei. Ele deu tudo ao seu personagem e às cenas em que estava. É o que você sempre espera de um parceiro de cena.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Andrew J. West: O episódio 2 da 5ª temporada foi o mais divertido, só porque o monólogo “Can’t Go Back, Bob” foi talvez a cena mais bem escrita que já tive a oportunidade de representar. E foi muito chocante. Eu simplesmente adorei.

O episódio seguinte, em que meu personagem é morto, foi o mais desafiador. Implorar pela vida na frente de alguém com um facão foi uma longa noite.

Qual seria o final ideal de The Walking Dead, se você pudesse escolher?

Andrew J. West: Essa é fácil – Gareth nunca morreu! Vemos nossos heróis derrotar os zumbis e restabelecer uma sociedade funcional, apenas para ver um Gareth costurado sair cambaleando das sombras, pronto para causar estragos neles novamente. O improvável retorno de Gareth, esse seria meu final ideal.

Agora vamos falar de Once Upon A Time! O seu personagem em OUAT é completamente diferente do seu personagem em The Walking Dead. Como foi essa quebra de vilão para mocinho?

Andrew J. West: Ah, sim, isso com certeza exigiu uma recalibração. Esses personagens são opostos totais. Mas a chave é nunca pensar em seu personagem como um herói ou vilão. Você quer pensar neles como uma pessoa com objetivos específicos. Isso simplifica a abordagem de qualquer personagem, não importa o quão moral ou imoral sejam suas ações.

Ouvimos bastante que tanto o elenco de The Walking Dead quanto o de Once Upon A Time são como famílias! O que você pode nos dizer sobre o clima nos sets? Você ainda tem contato com os integrantes do elenco de ambas as séries?

Andrew J. West: É muito verdade para os dois programas. Os elencos eram incrivelmente comparando um com o outro. Eles não eram apenas colegas de trabalho, eles saíam na casa uns dos outros nos fins de semana e estavam envolvidos na vida um do outro. Isso vale para The Walking Dead e OUAT. Eu mantenho contato com quase todos os meus colegas de elenco de Once e tenho a chance de me reconectar com alguns de meus colegas de elenco de The Walking Dead de vez em quando. As convenções são ótimas para isso. Elas parecem reuniões.

Para encerrar: sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Andrew J. West: Tive muita sorte de ter terminado o trabalho em um filme cerca de duas semanas antes de entrarmos em lockdown. Portanto, esse projeto está sendo editado e, com sorte, será lançado no próximo ano. Fora isso, estou apenas tentando aproveitar esse tempo explorando alguns outros interesses para os quais normalmente não tenho tempo e passando muito tempo com minha família.

REDES SOCIAIS DO ANDREW:

– Twitter: @andrewjwest
– Instagram: @andjwest

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ávila Souza
– Arte da capa: Lucas Saboia

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Vincent M. Ward (Oscar)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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