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Entrevista

Sarah Wayne Callies fala sobre seu novo filme “No Olho do Tornado” e sobre The Walking Dead

Rafael Façanha

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A estrela do filme “No Olho do Tornado” (2014) fala sobre pesquisar climas extremos, atuar em frente a um tornado e porque ela não assiste The Walking Dead.

No Olho do Tornado é o filme mais recente a ser assistido por quem gosta de mudanças climáticas extremas do cotidiano. O filme tem direção do ex-supervisor de efeitos visuais Steven Quale (Avatar), e fala o que acontece quando a fictícia cidade de Silverton – poderia ser qualquer cidade do meio-oeste ou sul dos EUA – é atingida por uma investida violenta de tornados que ameaça apagar a cidade, e todos que nela residem, do mapa.

A maior parte da história é contada através dos olhares e câmeras de um time de caçadores de tempestades profissionais, liderados pela meteorologista Allison Stone. Interpretada por Sarah Wayne Callies, Allison fica dividida entre sua tarefa cada vez mais perigosa de rastrear tempestades e seu desejo de chegar em casa e encontrar sua filha. É claro que não é a primeira vez que Callies interpreta um personagem com conflitos de lealdade: por mais de três temporadas ela interpretou Lori Grimes, a esposa do xerife líder dos sobreviventes Rick Grimes (Andrew Lincoln), na famosa série de TV The Walking Dead. Sua personagem – assombrada por um sentimento de culpa por ter se envolvido com o parceiro de Rick pensando que seu marido estava morto – foi um dos mais complicados e divisionistas personagens da série.

O site Den of Geek conversou com Callies pelo telefone para falar sobre o trabalho de pesquisa para um papel de uma caçadora de tempestades, como sua filha de verdade foi acabar sendo sua filha no filme e a razão pela qual ela não assiste a The Walking Dead.

Como esse personagem chegou até você inicialmente?

Sarah Wayne Callies: Bem, você sabe, eles me mandaram o roteiro e eu fiz o teste. Foi algo bem tradicional. Eu estava filmando a terceira temporada de The Walking Dead e a Melissa McBride me filmou em seu trailer em um horário de almoço. Cerca de três semanas depois eu estava nos sets de gravação.

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Foi bastante simples. O que te atraiu na personagem?

Sarah Wayne Callies: Ela é uma mãe que trabalha. Nunca fiz esse personagem antes. Nunca fiz, mas acho que essa tensão que ela sente eu também sinto, e todas as mães que trabalham sentem que é um certo tipo de oscilação entre seu comprometimento com a família e a luta pela sua carreira, e talvez sempre haja esse sentimento de que você não está sendo boa o suficiente em algum dos dois. Tentar achar o equilíbrio, isso é bastante elusivo.

Sabemos que sua filha no filme é interpretada pela sua filha na vida real.

Sarah Wayne Callies: É verdade. Embora quando finalizamos o filme ela não aparecia. Ela fazia participações apenas através de ligações. Então eles testaram o filme e descobriram que queriam ver minha filha, conhecê-la e talvez colocá-la em cena. E quando minha filha ficou sabendo disso ela ficou super empolgada e eu fiz o que pediram. Ela fez o teste e nós temos sobrenomes diferentes, por isso ninguém sabia que era ela, e ela ganhou o papel de uma maneira mais justa. Não forço ela a ser atriz, mas eu queria que ela tivesse essa experiência de como é todo o processo.

E como ela se sentiu afinal?

Sarah Wayne Callies: Ela disse, “Mamãe, muito obrigado por fazer isso para manter a nossa casa. Nunca mais quero fazer isso de novo.” Ela tem mais interesse no trabalho de maquiagem, o que é melhor para ela.

Você é uma atriz profissional, você não precisava que sua filha entrasse em cena para atuar, mas isso adicionou alguma ressonância extra nas cenas em que você contracenou com ela?

Sarah Wayne Callies: Acredito que sim. Afinal, existe uma familiaridade, uma familiaridade física entre você e sua família. Quando é o filho de outra pessoa você quer ser cuidadoso e respeitar os limites físicos dele e dos pais dele, etc. Mas com ela eu sabia que poderia colocá-la em meu colo e abraçá-la e que não seria estranho porque fazemos isso diariamente.

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Sei que seus pais foram professores, por isso quando se trata de pesquisar para criar um personagem sinto que você deve saber como fazer uma pesquisa.

Sarah Wayne Callies: Bem, isso certamente ajudou na minha educação. Mas para isso eu apenas contatei um professor da Universidade de Michigan, do Departamento de Meteorologia e Climatologia, que foi bastante generoso com seu tempo para sentar e conversar comigo. Eu tinha um livro de meteorologia, mas achava aquilo tudo mais ou menos impenetrável. Não sabia muito bem o que acontecia, então esse senhor sentou comigo e foi falando conceito por conceito para mim e tentou colocar em uma linguagem que fosse fácil para mim. Se eu fosse uma atriz melhor eu apenas falaria as palavras e não me importaria com que elas significam, mas eu não sou, preciso saber do que estou falando. Mas foi divertido. Essa é uma das grandes alegrias de ser um ator, você mergulha em um mundo completamente novo a cada projeto. Eu me apego a isso.

Seu personagem fala de aprender sobre essas tempestades caso elas comecem a acontecer em lugares como Los Angeles.

Sarah Wayne Callies: É.

O filme não chega a abordar políticas de mudanças climáticas, mas você aprendeu que esse tipo de coisa pode acontecer se continuarmos a não nos importar com esse assuntos?

Sarah Wayne Callies: Acho que o mundo todo está com esse sentimento de que algo está errado com o clima por qualquer que seja o motivo. Essa mudança climática é algo relativamente sem precedentes. E acho que isso nos deixa um pouco nervosos porque não sabemos o que nos espera. Não sabemos se no próximo inverno Nova Iorque vai estar coberta de neve ou fazendo um calor infernal. Eu sei que estava em Atlanta inverno passado e teve uma tempestade de neve que fechou a cidade por 4 dias. Algumas pessoas ficaram abrigadas nos carros e outras em Dunkin Donuts. Esse tipo de coisa está acontecendo frequentemente em todo lugar do mundo. Por isso acho que existe um tipo de medo ainda sem nome crescendo nas pessoas quando se trata de clima. E acho que esse filme é uma oportunidade de mostrar às claras essa situação.

Esse é o seu primeiro trabalho em filme com grande efeitos visuais. Você fez algum ajuste na atuação? Quanto daquilo tudo estava fisicamente no set e quanto foi adicionado depois?

Sarah Wayne Callies: Bem, o Steve fez um trabalho incrível e colocou o máximo possível de praticidade nos efeitos. Eu diria que ficou 50% de efeitos práticos e os outros 50 de efeitos adicionados depois. E isso nos poupa da indignação de tentar atuar com um tornado fictício. Você responde com seu corpo no momento, o que eu acho que é bem mais positivo. Acho que o Steve nos salvou de muita coisa desse tipo. E no que se trata de atuar com esses efeitos, acho que o importante é manter o foco no personagem e na sua humanidade e deixar os efeitos atuarem por si. Porque só usamos os efeitos até o momento em que eles afetem de alguma forma os personagens. E foi isso que fiz, foquei o máximo possível na personagem.

Você estrelou uma série em um ambiente pós-apocalíptico e esse filme que aborda implicações globais. O que você acha que atrai a audiências em situações como essas?

Sarah Wayne Callies: Acho que somos atraídos por histórias sobre seres humanos que são forçados a seus limites máximos e além, em parte porque elas nos dão a oportunidade de questionarmos sobre o quão legal seria passar por essas circunstâncias. Todos nós gostamos de acreditar que faríamos atos de bravura e honra, aquela coisa bonita. Mas o fato que importa é que não dá pra saber até começarmos a ouvir sirenes e termos que tomar decisões difíceis. E essas histórias conseguem nos fazer sentir isso de perto.

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Qual sua perspectiva agora sobre seu tempo em The Walking Dead?

Sarah Wayne Callies: Gratidão. Gratidão, gratidão e mais gratidão. Acho que foi um dos melhores trabalhos que já tive na vida e onde se pode aprender de verdade com outros atores, equipe técnicas, roteiristas e diretores. Havia um grande sentimento de colaboração entre a gente, e eu sou muito grata por isso. Eu descobri um jeito melhor de trabalhar. Eu descobri um novo jeito de trabalhar. Eu aprendi uma maneira mais colaborativa de trabalhar porque as pessoas eram muito abertas umas com as outras, e isso é uma grande dádiva. Vou levar isso para onde quer que eu vá.

Você assiste a série quando pode?

Sarah Wayne Callies: Eu não tenho TV por isso eu na verdade nunca assisti. Mas acompanho através dos meus amigos da série. Como está o Andy, o Jon (Bernthal) e o Jeff DeMunn e todos eles. Melissa se tornou uma amiga próxima. Me preocupo mais com eles do que como eles estão trabalhando ou com o que está acontecendo na história.

O que vem a seguir na sua carreira?

Sarah Wayne Callies: Eu finalizei um filme chamado “The Other Side of the Door”. As filmagens acabaram na Índia algumas semanas atrás. Em breve ele sairá e foi uma experiência bastante incrível e criativa. Eu amei. E eu escrevi um roteiro para Gale Anne Hurd que está em processo de produção para tentar sair do papel. Estamos trabalhando em várias frentes.

“No Olho do Tornado” estreia dia 28 de agosto nos cinemas brasileiros.

The Walking Dead, a história de drama mais assistida da TV a cabo, irá retornar com a quinta temporada no dia 12 de Outubro de 2014 na AMC e no dia 14 de Outubro de 2014 FOX Brasil. Confira otrailer oficial da temporadae fique por dentro de todas as notícias.

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Fonte: Den of Geek
Tradução: @OAvilaSouza / Staff Walking Dead Brasil

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