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Entrevista

Melissa McBride fala sobre o desenvolvimento de Carol – “Ela era alguém que costumava ter medo”

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Esqueça os zumbis. Quando se trata de The Walking Dead, ninguém mostrou mais colhões nesta temporada do que Carol Peletier.

ATENÇÃO: Esta matéria contém spoilers do quarto episódio da quarta temporada, “Indifference” (Indiferença).

Ao longo da quarta temporada, o drama da AMC acertou a sintonia e o equilíbrio delicado entre momentos envolvendo tripas para todos os lados e momentos de partir o coração – tendo como pano de fundo o apocalipse zumbi. Por trás do barulho das facas atingindo cabeças ou os jatos de entranhas enquanto elas são consumidas, há dilemas silenciosos, inquietantes – aqueles que mostram como a brutalidade do meio deixou suas marcas nos personagens.

Quando Rick, o relutante líder dos sobreviventes, perguntou a uma Carol cada vez mais zelosa, se ela havia matado dois novos membros do grupo que contraíram a doença, sua resposta foi um “sim” ao natural e sem surpresas.

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“Aquela única palavra foi uma bofetada em seu rosto”, disse o novo produtor executivo e showrunner Scott Gimple. Aquelas três letrinhas também provam ser um momento crítico para a personagem que já sofreu tanto – culminando com o episódio do último domingo.

Carol, interpretada por Melissa McBride, foi apresentada na primeira temporada como uma esposa abusada pelo marido, mansa. Pouco a pouco, a fraqueza acabou se tornando em força, após perder seu marido, Ed e, de maneira ainda mais trágica, a sua filha Sophia.

Tudo isso levou à Carol desta temporada –alguém que rapidamente prossegue sua história treinando secretamente crianças a usar armas. E que também matou duas pessoas ainda não zumbificadas e que, no episódio de domingo, foi expulsa do grupo por Rick.

Enquanto ela dirige rumo ao desconhecido em uma caminhonete, Rick diz a ela: “Você não é mais aquela mulher apavorada por estar sozinha. Não mais.”

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“Ela era alguém que costumava ter medo até mesmo de tomar uma decisão ou emitir uma opinião, e era muito insegura,” disse McBride a respeito de sua alter ego ficcional. “Vê-la chegar tão longe – ser confiante, lutar, encontrar sua voz – tem sido um presente. Eu acho que isso tudo já estava lá, mas apenas diminuído e sufocado pelas circunstâncias anteriores ao apocalipse.”

McBride toma a dianteira enquanto Carol chega em um momento oportuno ao longo do show. Após ter quebrado todos os recordes na última temporada como o show mais visto na TV a cabo e aberta, “The Walking Dead” causou grandes expectativas com a première de sua quarta temporada no mês passado – alavancando os números para 16.1 milhões de telespectadores, sendo que 10.2 milhões desses na faixa publicitária de 18-49 anos.

“Não há espaço para ser tímida,” brincou McBride.

“Ela não é exagerada,” disse Gimple, que afirma ser Carol uma favorita. “Todos sentem ser tão verdadeira a atuação de Melissa – o que pode ser perigoso quando zumbis estão envolvidos. Mas mesmo chamando Daryl de ‘pookie’ ou admitindo um assassinato, ela faz isso tudo de maneira autentica. Com tudo o que já aconteceu a Carol, parece ser o momento certo de explorarmos o tema de “já não fomos longe demais?”

McBride agradece pela história pesada, claro. Mas o maior golpe para a atriz, promovida a regular na série na segunda temporada, foi ver seu nome aparecendo nos créditos de abertura.

“Meus pais ficaram tão aliviados,” ela disse, mencionando os problemas de visão de ambos. “Meu pai queria comprar uma daquelas televisões de 100.000 polegadas, para conseguir ver o meu nome no final, se eles não o tivessem colocado no começo e com letras maiores. É um sonho para nós.”

Nascida em Lexington, Kentucky, McBride é uma dentre quatro filhos. Seu pai tinha negócio próprio e sua mãe era dona de casa, mas havia estudado na Pasadena Playhouse. McBride mudou-se para Atlanta na metade dos anos 80, onde sua carreira como atriz consistia basicamente em ser uma garçonete, em um episódio de “Matlock”(1993). Uma médica em “Walker Texas Ranger” e dois papéis menores em “Dawson’s Creek”— com cabelos longos e cacheados.

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Ela mudaria o foco e iria para os bastidores em 2000, trabalhando como diretora de elenco. Foi nesta posição que ela encontrou seus futuros colegas de Walking Dead, Chandler Riggs (Carl) e Madison Lintz (Sophia). Também foi nessa época em que ela teve a oportunidade de aparecer em um filme, “The Mist”, dirigindo por Frank Darabont, que acabaria cruzando seu caminho novamente. Ela tirou um dia de folga de seu trabalho para fazer o papel da “mulher com as crianças em casa.”

“Isso só mostra que você nunca sabe o que pode acontecer em um dia de trabalho,” disse McBride. “Você não pode desprezar pequenos papeis. Eu nunca ouvi mais nada a respeito de ninguém de ‘The Mist’ até meu agente ligar três anos depois, dizendo que havia este show e um papel para mim, caso eu quisesse. Bem assim. Sem testes.”

Ela cortou o cabelo, algo que queria fazer há anos, para o papel – agora uma característica icônica da personagem, cujo cabelo bate pela altura dos ombros na HQ. McBride justifica que, para Carol, o cabelo curto é herança do seu marido abusivo: “Talvez ele tenha cortado-o para fazer com que ela se sentisse menos bonita. Ou talvez ela tenha cortado, para que ele não o puxasse. Esta é minha história em relação a isso.”

Para aqueles que se perguntam como os cortes se mantém impecáveis, Robert Kirkman, produtor executivo e criador da HQ na qual a série da AMC é inspirada, brincou: “Há tesouras na prisão”.

Mas as contribuições de McBride para o personagem, que morre nos quadrinhos, deixando para trás sua filha, não se limita aos cabelos, adiciona Kirkman.

“Carol, na HQ, foi uma tentativa de mostrar alguém que apenas rasteja e é incapaz de lidar com tudo o que ocorre a ela em virtude do apocalipse zumbi,” ele diz. “Para o show, fizemos um pouco disso, mas estávamos também tentando fazer algo diferente para a Carol da TV. E Melissa foi parte importante disso. Ela é tão capaz como atriz, e é uma presença incrível.”

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Parte do dinamismo foi mostrado através de uma amizade improvável. Apesar de todas as agonias devastadoras de Carol, ela desenvolveu um forte vínculo com o “bad-boy-de-bom-coração” Daryl Dixon (Norman Reedus). Uma amizade que, há muito tempo, tem fãs radicais desejando que se transforme em amor.

“Eu amo todas as minhas cenas com Norman,” disse McBride. “Elas trazem à tona um lado brincalhão e vulnerável de ambos. Quando Daryl a resgata das celas da prisão na temporada passada, eu adorei. Aquele reencontro com ele é provavelmente meu momento favorito de Carol, pois ela finalmente teve seu momento “cavalheiro-em-um-cavalo-branco”.

Dizer que as mortes em The Walking Dead tem sido brutais seria uma redundância. De personagens secundários como T-Dog (IronESingleton) e Dale (Jeffrey DeMunn) até personagens importantes como Shane (JonBernthal) e Lori (Sarah Wayne Callies), não há como dizer quem será o próximo. O futuro de Carol no show também está em questão.

O episódio de domingo termina com Carol indo embora sozinha, dirigindo um carro – não sendo bem vinda de volta à prisão, sob o ponto de vista de Rick.

“Falar com ela sobre o episodio de domingo não foi fácil,” disse Gimple. “Mas eu achei que era a maneira mais adequada de o personagem ir embora. Não é legal ser o anjo da morte.”

Mas hey, Carol não está morta – ainda. “Eu diria que seria muito estranho se esta fosse a última vez que víssemos Carol,” disse Kirkman. “Não é garantido. Vimos Merle novamente, não vimos?”

Você acha que Carol vai voltar? Será que ela ainda vai fazer parte do grupo? Conte nos comentários abaixo suas teorias.


Fonte: LA Times
Tradução: @Binapic / Staff Walking Dead Brasil

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