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[DICA DE FILME] Uma Noite Alucinante 2 (1987)

Rafael Façanha

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Hail! Voltei mais uma vez para falar-lhes de uma sequência, já que pra mim, seria meio difícil falar sobre o primeiro filme. Talvez você se pergunte “MASOQ KD OS ZUMBI GEMT?/??”, acalme-se. Os mortos-vivos deste filme, assim como os da trilogia toda são… diferentes. Estão mortos e voltam à vida, sim, mas só enquanto estão possuídos pelos demônios. Leia mais a seguir e entenda melhor.

Como fazer uma continuação para o maior clássico do splatter de todos os tempos? A resposta é repetir a história. Repetir tudo o que aconteceu e funcionou no primeiro e tentar algo não melhor, mas que pelo menos se equipare ao original. Foi assim que o outrora cineasta referência no horror Sam Raimi escreveu e dirigiu Uma Noite Alucinante 2 (Evil Dead II – Dead By Dawn), seqüência-parecida-com-remake do insuperável clássico A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1982) em 1987.

A história é basicamente a mesma, só mudando o número de personagens e a forma como eles se conhecem: Ash (interpretado pelo meu ídolo-mor Bruce Campbell), um pacato vendedor de uma cidade normal como tantas outras, fica sabendo de uma cabana abandonada no meio das montanhas do Tenessee, e resolve levar sua namorada Linda para um fim-de-semana longe da barulheira da cidade. Mal sabe ele que aquele chalé isolado do mundo pertence ao Professor Raymond Knowby, um estudioso que recentemente encontrou sua mais valiosa relíquia: o Necronomicon Ex Mortis, também conhecido como O Livro dos Mortos. Ao chegar à cabana com sua amada, Ash encontra um gravador com uma fita gravada pelo próprio Prof. Knowby, relatando sua descoberta e declamando alguns feitiços que ele havia traduzido do livro. Para o azar de Ash, esses feitiços servem para invocar espíritos malignos, que, uma vez no nosso plano, obtém o poder de possuir os vivos. Ele descobre isso da pior maneira possível, perdendo sua querida Linda para os demônios em questão de minutos. Armado uma motosserra e um rifle de caça, Ash decide se proteger com unhas e dentes dos ataques dos espíritos das trevas, que tentarão a todo custo aniquilar nosso herói. Conseguirá ele passar por mais essa noite alucinante?

Há varias teorias sobre a ligação deste com o primeiro filme. Uns dizem que após os acontecimentos anteriores, Ash simplesmente voltou para a cabana com uma namorada de mesmo nome e fez tudo de novo. Outros dizem que este é um remake do primeiro. Mas acho que o que mais se aplicaria é que este é uma espécie de remake reduzido e ampliado. É a mesma história de Ash e Linda irem para a cabana isolada, encontrarem a fita, tocarem e as recitações libertarem os espíritos. Porém, desta vez os 3 amigos extras de Ash não vieram junto, só Linda mesmo. Creio que seja mais ou menos isso, hehe.

A principal diferença deste para o primeiro filme é a presença do humor em certas cenas. Isso pode ser percebido em várias partes do filme, como na cena em que uma mão decepada levanta o dedo médio para Ash, ou ainda o desagradável encontro de um olho com uma boca aberta. A cena em que Ash ri histericamente enquanto vê os objetos da sala rirem dele é simplesmente demais, uma coisa ao mesmo tempo hilária e assustadora. Acredito que um dos fatores que levaram o diretor a apelar para essa fórmula “terrir” foi o aumento considerável do orçamento, cujo valor não me recordo agora, mas sei que é mais do que o dobro do anterior. O uso de efeitos especiais é outra novidade, porém não são tão “especiais” assim. As cenas que se utilizam de tais efeitos são hilárias, e você tem que ser muito fã mesmo para não se mijar rindo da tosqueira braba que é.

Um ponto negativo que apareceu nesta sequência foram as mortes suavizadas, bem diferente as sangreira que foi o primeiro. Reza a lenda que há uma versão on-screen para a cena em que Ash esquarteja Ed com um machado, fazendo então espirrar sangue vermelho, ao invés daquele suco verde da versão oficial.

O filme foi lançado no Brasil em 1987, antes mesmo do original chegar por aqui (wtf), recebendo o título de “Uma Noite Alucinante 2”, obrigando o original a receber o quilométrico título de “The Evil Dead – A Morte do Demônio – Uma Noite Alucinante 1: Como Tudo Começou” (é mais ou menos isso). Há algum tempo recebeu uma versão em DVD, com alguns extras e até mesmo opção de dublagem em português (coisa rara MESMO em se tratando de filmes antigos), tendo seu título modificado para apenas “Uma Noite Alucinante”. Há ainda uma terceira parte, Army of Darkness, lançado por aqui como Uma Noite Alucinante 3, voltado mais para o lado aventura, mas sem perder alguns toques macabros.

Uma Noite Alucinante 2: Mortos Ao Amanhecer (Evil Dead II – Dead By Dawn)

Direção: Sam Raimi

Ano:1987

Nota: 5/5

Trailer: aqui

Nota: Esse texto TAMBÉM foi adaptado de um que eu havia escrito há dois anos para meu antigo e desativado blog de horror. O link de download do filme foi encontrado aqui.

E no mais, um feliz ano novo a todos vocês que leram esse texto, e visitam o site 😀

Grande abraço!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E17 – “Home Sweet Home”: O inimigo agora é outro

Home Sweet Home foi o 17º episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Maggie, Cole e Elijah andando na floresta em imagem do 17º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo sétimo episódio, S10E17 – “Home Sweet Home”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Em um episódio com claras limitações de produção por conta das restrições impostas pela Covid-19, The Walking Dead retornou para os seis episódios extras que completarão o enredo da 10ª temporada. E o primeiro deles, “Home Sweet Home”, foca em Maggie, que busca companheiros de comunidade para retornar para Alexandria, seu antigo doce lar.

Quando a produção de The Walking Dead anunciou os capítulos 17 a 22, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que a ideia de esticar a história serviria para amarrar algumas pontas soltas no enredo, fazer flashbacks e pouco introduzir à história. No entanto, a impressão que “Home Sweet Home” deixou foi outra, a de que um inimigo pode colocar em risco os sobreviventes de Alexandria. Além disso, o embate – direto ou não – entre Maggie e Negan promete ser um dos grandes temperos deste retorno.

Com um elenco reduzido, tomadas um pouco maiores que o habitual para completar o tempo do episódio e alguns objetivos, novos e velhos, pelo caminho – como a introdução dos novos sobreviventes à comunidade e a busca por Connie – The Walking Dead nos traz estes seis episódios para matarmos as saudades do nosso elenco e da nossa história tão queridos.

Presente e futuro

Interessante a estratégia da produção de The Walking Dead em dar sequência à história com “Home Sweet Home”, mesmo correndo o risco de mexer com algo que está por vir na 11ª e última temporada. Mesmo com novas aventuras à vista, algumas lembranças também apareceram na nossa tela, até para nos relembrar de onde paramos na história. Um exemplo ocorre logo no começo do capítulo, quando Judith e Maggie interagem e falam sobre Michonne. A Samurai está em busca de Rick após receber algumas pistas de que o xerife pode estar vivo e a dupla conversa sobre a reação de R.J. e o papel da irmã mais velha, que diz à criança que eles estão olhando para as mesmas estrelas à noite.

Este momento doce é interrompido pelo tão esperado reencontro entre Maggie e Negan. O ex-Salvador e assassino de Glenn esteve muito perto de morrer pelas mãos da Viúva, mas quando ela chegou à cela em Alexandria para vingar a morte do marido, o homem havia fugido. Depois descobrimos que ele estava em uma missão dada por Carol para matar Alpha e tentar pôr fim ao confronto contra os Sussurradores. A própria Carol admite para Maggie, em “Home Sweet Home”, que o encontro com Negan não ocorreu por causa dela. As consequências desta história são bastante esperadas. Não nos decepcione, produção!

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Também somos lembrados sobre o triste destino de Hilltop, devastada pelo ataque dos Sussurradores. Maggie propôs levar os dois companheiros de viagem, Cole e Elijah, para o casarão, mas descobre que o lugar não existe mais e eles terão que ir para Alexandria junto com os outros sobreviventes. Cole é um personagem que chegou mostrando as caras, um sujeito que fala o que pensa e que, no capítulo, flertou com a inconveniência. A ver o comportamento do sujeito no porvir.

Elijah, por sua vez, tivemos a chance de conhecer no que seria o season finale da 10ª temporada, quando ele salva Gabriel da morte certa pelas mãos dos Sussurradores. Desta vez, conseguimos ver o rosto do rapaz, que em determinado momento parece sofrer ao chegar em certa localidade por, provavelmente, lembra-lo da irmã, que morreu. A conexão dele com Kelly parece ter sido imediata e é bom ficar de olho nessa nova amizade.

Por fim, a busca por Connie também deve mover nossos personagens. Kelly segue confiante de que a irmã está viva e Daryl parece ainda disposto a procurar pela amiga. Vale lembrar que ela se encontrou com Virgil após passar um tempo desaparecida. A irmã de Kelly foi soterrada junto com Magna depois da explosão de uma dinamite em uma jogada atrapalhada de Carol, que ainda estava perturbada pela morte de Henry, e voltou a aparecer no 16º episódio da 10ª temporada. O reencontro das irmãs (e de Connie com Daryl) também promete.

Novas histórias após Home Sweet Home

O que há muito todos nos perguntávamos, enfim foi respondido. Maggie esteve fora por todo este tempo ajudando outras comunidades com Georgie, mas, além disso, também passou um tempo com Hershel Rhee em uma casa isolada no litoral. A ideia da Viúva era tirar o sentimento de vingança de Negan da cabeça e, por isso, ela resolveu se afastar dos amigos.

No entanto, ela parece ter encontrado muitos obstáculos pelo caminho. Aqui é interessante notar que, mesmo que a personagem tenha ficado afastada da série por tanto tempo e, consequentemente, perdido tantos acontecimentos que nós acompanhamos, ela também passou pelos seus percalços, perdeu pessoas e encontrou uma nova família pelo caminho. Mesmo que não a tenhamos visto em tela, a personagem deixa claro que viveu suas experiências longe de Hilltop que a afetaram e ajudaram a se tornar a pessoa que é hoje.

No tempo em que esteve fora, Maggie perdeu muito. De longe ela soube da morte de pessoas próximas, como Jesus, Tara, Enid, do desaparecimento de Rick e, logo que voltou, soube da destruição de Hilltop. Isso tudo fez com que ela optasse por se afastar do ponto de encontro onde trocava correspondências com os amigos. Obviamente a estratégia de fugir dos problemas não deu certo e ela precisou voltar para ajudar a família a se reerguer.

Junto com a nova comunidade, Maggie traz na bagagem, também, um novo inimigo: os ceifadores. Pouco se sabe sobre as intenções ou o objetivo do grupo, que parece ser bastante violento, mas já tivemos a pista de que Maggie é o alvo. Quando o homem que atira nas sobreviventes da comunidade é encontrado, ele revela, antes de bancar o kamikaze, explodindo a si mesmo, que um tal de Papa marcou Maggie. Com certeza teremos momentos de tensão e perigo não só para ela, mas também para o pequeno Hershel e os sobreviventes de Alexandria.

Foi um capítulo que deixou uma série de boas impressões para o que vem por aí. Impossível não mencionar o calor no coração ao ver o filho de Maggie e Glenn são e salvo após estar em iminente perigo. E a semelhança do rapaz com o pai também impressiona! Curioso para saber como será a adaptação do jovem à Alexandria, onde ele deve encontrar novos amigos, como Judith, Gracie e R.J., e também deve dar de cara com o assassino de seu pai.

O que você achou de “Home Sweet Home”, e quais suas expectativas para os cinco episódios restantes? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E16 – “A Certain Doom”: Perdão e acolhimento

A Certain Doom foi o décimo sexto episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

Dhebora Fonseca

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Carol e Lydia juntas no chão se protegendo da horda de zumbis no 16º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo sexto episódio, S10E16 – “A Certain Doom”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Emocional e fisicamente intenso, o episódio 16 da décima temporada de The Walking Dead, intitulado “A Certain Doom” (“Um Destino Certo”, em português), desenvolveu relações importantes, introduziu elementos e personagens novos na história e, de quebra, uma boa dose de tensão. Apesar de ter sido lançado com seis meses de atraso, a espera valeu a pena!

“A Certain Doom” acompanha o final do arco da Guerra dos Sussurradores, apresentado e durante as temporadas 9 e 10, e o roteiro do episódio circunda as trajetórias do grupo comandado por Gabriel (Seth Gilliam) e composto por membros de Alexandria, Hilltop, O Reino e Oceanside, alocado em um hospital abandonado próximo às comunidades, que se prepara para a enfrentar a horda de zumbis liderada por Beta (Ryan Hust).

O roteiro do episódio propõe uma atmosfera de guerra mais silenciosa – e bastante mórbida – do que as anteriores quando coloca o grupo de Daryl (Norman Reedus) em um campo de batalha inundado de zumbis, mesclando o artifício das roupas sujas com entranhas de zumbis para camuflagem com as máscaras dos Sussurradores. Também cria, dessa forma, um cenário de oportunidades de interação emocionantes entre personagens já muito amados pelos fãs e outros que não foram tão explorados.

Devido destaque deve ser dado à fotografia e trilha sonora, que trazem um ar de terror clássico ao episódio. Definitivamente, a caminhada dos zumbis ao som da música “Someday We’ll All Be Free” (“Algum Dia Todos Seremos Livres”) casa muito bem com a narrativa de Beta e dos Sussurradores no geral. Mesmo tendo sido icônica, a cena da morte de Beta deixou um pouco a desejar por ter sido rápida e silenciosa demais, quase sem nenhuma interação com outros personagens, mas a cena em que ele se entrega para os zumbis dá um bom toque final para a história do último membro dos Sussurradores.

Conforme prometido, temos a volta triunfante de Maggie, interpretada por Lauren Cohan. A atriz deixou a série em 2019, durante a nona temporada, para ingressar em outro projeto. No entanto, como a série está em vias de ser finalizada, Cohan parece ter cedido a entregar uma jornada final digna à sua personagem tão importante para a história de The Walking Dead e querida pelos fãs.

Embora tenha aparecido em poucas e curtas cenas em “A Certain Doom” – o que foi decepcionante, considerando tamanha expectativa que foi gerada pelos produtores e roteiristas da série –, Maggie atua momentos emocionantes de reencontro e parceria com seus amigos de longuíssima data, e demonstra um amadurecimento no olhar e uma postura firme e equilibrada, condizentes com sua provável jornada de evolução emocional durante os sete anos que sucederam o fim de um ciclo de muitas perda e sofrimento.

Apesar de o homem mascarado que a acompanha não ter tido seu rosto revelado, o fato de tanto ele quanto Maggie usarem armas brancas em combate, como facões e arcos, talvez seja uma dica dos roteiristas sobre a comunidade de Georgie, onde Maggie atualmente vive.

A série dá um grande passo em busca de novas alianças entre comunidades ao apresentar Commonwealth ao público. Nos quadrinhos de The Walking Dead, a comunidade classista conta com 50 mil sobreviventes e é liderada por Pamela Milton, Governadora do local. Tudo indica que os soldados de armadura branca que Eugene (Josh McDermitt), Yumiko (Eleanor Matsuura), Princesa (Paola Lázaro), e Ezekiel (Kary Payton) encontram ao finalmente chegar na comunidade de Stephanie – uma desconhecida que Eugene conheceu via rádio – sejam a nossa primeira impressão de Commonwealth.

O ápice emocional do episódio foi, sem dúvida nenhuma, o desenvolvimento intenso e profundo, da relação entre Carol e Lydia, e de suas jornadas individuais. De um lado, temos o estado psicológico de Carol dilacerado diante da necessidade de matar pessoas outra vez – um dos maiores dilemas da personagem até hoje – e de tantas perdas causadas pelos Sussurradores. Do outro, temos Lydia lutando para fazer parte do grupo que a acolheu e buscando superar seus traumas e encontrar seu caminho no mundo.

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Ambas vítimas de incontáveis abusos e perdas, a conexão entre Carol e Lydia, neste momento da história, gira em torno de uma narrativa tocante sobre salvamento, com uma dinâmica de acolhimento e perdão. Essa intenção fica bastante explicita nos diálogos – que seguem a mesma linha de complexidade subjetiva pela qual o roteiro da série já é conhecido – e, principalmente, na cena da tentativa de suicídio de Carol, que mostra a personagem prestes a se jogar de um abismo quando é salva por Lydia.

Repleto de elementos emocionais bem implementados, “A Certain Doom” entrega muita emoção e tensão, desenvolve novas relações entre os personagens e cria novas dinâmicas de resolução de conflitos, sem se esquecer de seu passado e fazendo referência a ele. E com a introdução de novas sociedades e a Guerra ganha, existe um ar de conquista em The Walking Dead que parece estar levando a história a algo diferente de tudo o que já vimos na série.

O que você achou do episódio? Deixe sua opinião nos comentários e vote em nossa enquete!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E15 – “The Tower”: Fé e recompensa

The Tower foi o décimo quinto episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo quinto episódio, S10E15 – “The Tower”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Fãs dos quadrinhos devem ter ficado preocupados com o futuro de um dos moradores de Alexandria ao se depararem com o nome do décimo quinto episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. “The Tower” remete a um momento importante das HQs, que neste momento se encontram em sincronia com o que ocorre na série de TV. Durante o capítulo, alguns nomes de possíveis vítimas me vieram à cabeça: Alden e Aaron, que ficaram no alto de um moinho em Alexandria; Negan, que recebeu de Lydia o recado que muitos moradores de Alexandria o queriam morto; Gabriel, que no fim do capítulo foi quem avistou os Sussurradores chegando ao hospital. Enfim, a lista de possíveis vítimas é extensa.

No entanto, vamos ter que esperar um pouco para descobrir quem é a possível vítima da vez, já que o capítulo preferiu deixar para a season finale a revelação. E o pior: vamos ter que esperar mais de uma semana. Isso porque o último capítulo do décimo ano de The Walking Dead segue sem previsão para ir ao ar, uma vez que a pandemia do novo coronavírus afetou também a produção da série. O capítulo que pode definir o confronto das comunidades contra os Sussurradores ainda não tem previsão de ir ao ar.

“The Tower” deixa um gosto de quero mais nos espectadores e trouxe uma série de coisas animadoras sobre o futuro da série. A principal delas foi a apresentação definitiva de Juanita Sanchez, a famosa Princesa, personagem querida nos quadrinhos. Paola Lázaro, que interpreta a falante solitária, trouxe uma atuação caricata e tagarela, muito semelhante à Princesa que conhecemos nas HQs. A expectativa para a personagem, que deve ganhar ainda mais destaque na 11ª temporada, é grande.

Do lado tenso da história, Beta e sua grande horda seguem em busca dos sobreviventes, que estão escondidos e, aparentemente, têm um plano para vencer os Sussurradores. Enquanto isso, descobrimos que Judith esconde de Daryl as pistas encontradas pela mãe, Michonne, sobre o paradeiro de Rick Grimes, com medo de ver o amigo também ir embora. Definitivamente, The Walking Dead tem muito material para trabalhar nas próximas temporadas.

PRINCESA

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Por mais que o penúltimo episódio de uma série tensa como The Walking Dead, obrigatoriamente, tenha que vir carregado de tensão, uma vez que Beta está com sangue nos olhos após a morte de Alpha, “The Tower” nos presenteou com uma personagem que trouxe alívio cômico para os fãs. Juanita Sanchez foi apresentada a Yumiko, Eugene e Ezekiel, que tiveram que ouvir tudo que a mulher – que não via pessoas há mais de um ano – tinha entalado para dizer.

Detalhe para a discreta, mas hilária, parte em que Ezekiel toma todos os cuidados para não revelar que ele é conhecido como Rei. Imagine só: se Juanita acha que deve se chamar Princesa porque a alcunha Rainha soa “velho e pretensioso”, qual seria a reação dela ao descobrir que está na presença de um rei? Ezekiel provavelmente ouviria ainda mais da boca da nova personagem.

Além de falante, Princesa é, também, um tanto atrapalhada. Para mostrar aos potenciais companheiros que eles não devem ter medo dela, a personagem resolve se livrar de uma pequena horda de zumbis que se aproxima usando sua potente arma. No entanto, o barulho e a proximidade dos tiros assusta os cavalos que levaram o grupo até Pittsburg. A ação deixa Yumiko incomodada, mas o grupo segue com Princesa até uma possível garagem, onde ela diz ter uma grande quantidade de “rodas”.

Para chegar até lá, no entanto, o grupo precisa passar por um campo minado, o que deixa Yumiko ainda mais brava com Princesa. A advogada é a única que prefere não confiar na nova companheira de viagem, que os colocou em uma situação perigosa – principalmente depois que Princesa perdeu as contas em meio à caminhada no campo de explosivos. Juanita os leva à segurança após um tempo, mas logo descobre-se que ela mentiu e que o local onde eles se destinavam poderia ser alcançado sem passar pelo perigoso trajeto. Juanita deixa então o lado cômico de lado e revela que gostou do grupo e queria permanecer com eles, ser a heroína e convencê-los a convidá-la a seguir viagem com eles.

Que se leve em conta aqui o tempo que Princesa se viu sozinha naquela cidade e o quanto ela esperava por ver pessoas novas. O processo de solidão da personagem a levou a algumas atitudes bizarras, como enfeitar o local com walkers caracterizados. Por mais que a personagem tenha seu lado cômico e falante como características principais, a solidão é o que mais precisa ser visto nessa hora, e é Eugene quem percebe e se solidariza com Sanchez. A personalidade dos dois, que não vai de encontro com o que é socialmente aceito – nem no pré nem no pós-apocalipse – se assemelha quando ela diz que alguém afirmou que ela “não merecia ser amada”. Eugene se sentiu assim por muito tempo e talvez tenha se convencido de que a afirmação era verdadeira ao ser rejeitado por Rosita e por ter que viver com mentiras do passado – como a que contou a Abraham sobre ser o cientista que guardava consigo a cura para o vírus zumbi. Ao se identificar com Princesa, todos percebem que a solidão da personagem é que a fez tomar suas atitudes mais recentes.

Tudo termina bem quando ela os leva para as “rodas” que se revelam ser apenas bicicletas, mas o suficiente para que o grupo chegue ao encontro a tempo. Yumiko, convencida pelo discurso de Eugene e pela promessa cumprida de Princesa, a convida a se juntar a eles. Juanita Sanchez rapidamente volta ao seu jeito falante e animado, vendo para si um futuro de menor solidão.

O HOSPITAL

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De alguma forma os sobreviventes de Alexandria encontraram um hospital que os abrigou após saírem de casa. Negan, preocupado com Lydia, tenta encontrar uma forma de abordar a garota e falar sobre o que aconteceu com ela. A filha de Alpha, no entanto, se mostra fechada para as demais pessoas, incluindo Judith. A jovem parece não saber como lidar com a perda da mãe. Não sabe se chora a morte da pessoa que esteve com ela durante toda a vida, não sabe se celebra o fim de um período abusivo e o óbito da vilã que aterrorizou a comunidade que a acolheu. A cabeça de Lydia neste momento da série é um verdadeiro turbilhão.

Quando ocuparam o hospital os sobreviventes tiveram que espantar alguns animais que ali viviam. Alguns viraram comida, como os gambás, outros simplesmente foram expulsos dali, como os gatos. A princípio, isso nada significaria para o capítulo, mas detalhes como estes costumam ser decisivos quando menos esperamos.

Como é de costume, Daryl prefere trabalhar do lado de fora da comunidade e tenta se comunicar com Michonne, que ainda não voltou para casa. Neste ponto ele revela que eles têm um plano para acabar com os Sussurradores, mas ainda não está claro o que eles planejam. Pode ter algo a ver com o que Luke está fazendo? O personagem aparece consertando algum aparelho, mas precisa que alguém busque alguns equipamentos para auxiliar no trabalho.

Carol e Kelly são as imcumbidas da missão. Justamente as duas, que estão com seus pensamentos muito concentrados na desaparecida Connie. Por mais que pensemos que o encontro tenha alguma tensão, Kelly se mostra receptiva a Carol e afirma que a forma com que a mulher lida com sua solidão e suas dúvidas após protagonizar um grande evento – como foi recentemente na morte de Alpha – deve ser a mesma que ela tem lidado com a perda da audição: não como uma desvantagem, mas como um super poder. Destaque aqui para o rápido e incrível desenvolvimento de Kelly na série, que entrou apenas como intérprete de Connie, mas que tem ganhado espaço nas telas e no coração dos fãs.

Também do lado de fora, Judith resolve sair do hospital porque ela não quer ficar presa no local. A jovem volta a agir sozinha na ausência da mãe e daquele que ficaria, na teoria, incumbido de cuidar dela e de R.J.. A nova dupla então parte para vasculhar o local e encontra uma Sussurradora que se afastou do grupo. Daryl a mata, mas Judith não gosta da ideia de deixá-la em uma vala. Por mais jovem que seja, é ela quem carrega traços de humanidade que ainda não foram exterminados pelo contexto de se viver em um apocalipse zumbi. Por mais que a personagem passe dos limites, muitas vezes agindo de maneira totalmente desproporcional à sua idade, é ela quem relembra a todos, muitas vezes, que, por mais que o cenário do mundo não seja o ideal, todos são humanos e vivem na mesma terra.

Judith também acerta ao esconder de Daryl o destino da mãe. Ela não o conta que ela foi investigar vestígios de Rick por medo de ver o amigo também partir e deixá-la sozinha com o irmão. Por mais que a personagem precise agir além de sua idade em muitos momentos, ela segue sendo uma criança que tem medo e não deve carregar a responsabilidade que muitas vezes cabe a ela. O momento bonito entre os dois é interrompido pelo aviso de Gabriel, que está no topo da torre: os Sussurradores estão chegando.

Se importar com as pessoas e com o que elas sentem é algo recorrente em The Walking Dead e não é diferente em “The Tower”. Negan, que tem a missão individual de se redimir com os moradores de Alexandria, se mostra preocupado com Lydia e aborda a garota, que ainda se recusa a sentir ou chorar a morte da mãe. GRAÇAS A DEUS O CACHORRO REAPARECE, desta vez com Lydia, que parece não se importar mais com o pensamento alheio ao ser 100% sincera com Negan. Primeiro ao dizer que está evitando a presença do ex-Salvador, depois ao dizer que muito ali o queriam ver morto, mesmo após o ato recente de exterminar a líder dos inimigos.

Negan então usa algo que o atormentou por muito tempo para tentar livrar Lydia do sofrimento contido pela perda da mãe. Ele sugere que a jovem o agrida, mas o que ele quer mesmo é que ela expresse a dor de alguma forma, seja com um soco, um choro ou um grito. Colocar o luto para fora é o que ele não fez quando perdeu Lucille, e suas decisões futuras o colocaram onde está hoje. Vivo, mas odiado e visto como incapaz de viver em sociedade. Negan não quer o mesmo futuro para Lydia, que não aceita a ideia, mas o conselho do ex-Salvador a irrita tanto que o objetivo é alcançado. Lydia chora por ódio ao homem, mas também pelo luto por Alpha.

BETA

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Em busca de vingança após a morte de Alpha, Beta segue com a horda que coletou graças a seu próprio disco e segue para Alexandria. No entanto, ele não encontra ninguém no local e começa a se perguntar se os inimigos sabiam que os Sussurradores atacariam. Os alexandrinos, informados que Negan matou Alpha e cientes da sede de vingança que isso causaria no novo líder dos mascarados, se refugiaram em um hospital e deixaram apenas Alden e Aaron no local para manter todos informados da movimentação dos Sussurradores.

Beta então decide ir em direção ao oceano e logo pensamos que Oceanside estava em perigo. Não temos notícias da comunidade desde o episódio que apresentou Virgil, então não sabemos como as moradoras estão e preparando para um possível confronto contra os Sussurradores. Na hora muitos devem ter pensado: depois de Hilltop, uma nova comunidade vai cair por um ataque dos mascarados?

Em meio a todos esses questionamentos, vemos ainda Beta sendo guiado por sussurros em sua cabeça. A morte de Alpha afetou o personagem a ponto de ele ser guiado agora por vozes externas. Ele também segue recusando a alcunha de novo Alpha e fica muito próximo de matar uma mulher que o acompanha quando esta o chama pelo nome da antiga líder.

Ter paciência, esperar, observar, aprender. É isso que a voz companheira de Beta o ensina. O personagem se mostra ávido por se vingar logo daqueles que mataram Alpha e resolveu atacar com a horda de uma vez. O plano deve ser refeito e, quando ele se mostra perdido, é segurado pela alucinação que vai, aos poucos, mostrando para onde ele deve ir. Beta continua seguindo os poucos rastros deixados pelos sobreviventes, que seguem o observando através de Alden e Aaron.

Por pouco tempo. A dupla logo é encontrada e rendida por Sussurradores armados no mesmo momento em que percebem a mudança de direção da horda de Beta. O futuro dos dois personagens se mostra seriamente em risco. A tendência é que ambos sejam levados por Beta como reféns na abordagem do novo líder Sussurrador ao hospital.

Esperar, aprender e observar. As lições aprendidas por Beta em “The Tower” são recompensadas quando ele avista um dos gatos que foi expulso pelos sobreviventes do hospital abandonado. É aí que ele percebe onde estão os inimigos e muda a rota do ataque. Oceanside está segura, mas a maior parte do grupo está agora em perigo.

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