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Anatomia de uma História #3 – Aqui Permanecemos

Rafael Façanha

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“Anatomia de uma História” é um quadro fixo da revista oficial de The Walking Dead que estaremos traduzindo e divulgando conforme as edições forem sendo lançadas. Com “família” sendo um tema chave desta edição, a revista foca na saga da queda da prisão e como isso afetou pai e filho em “Here we Remain” (Aqui Permanecemos).

• CONFIRA TAMBÉM:
Anatomia de uma História #1 – Um Mundo Maior
Anatomia de uma História #2 – Segurança Atrás das Grades

TÍTULO: Aqui Permanecemos
EDIÇÕES: 49-54
COLEÇÃO: Volume 9
SINOPSE: Após os devastadores eventos do ataque do Governador à prisão, Rick e Carl estão perdidos e lutando para sobreviver. Assolado pela dor, Rick cai doente e Carl é deixado para se defender sozinho enquanto toma conta de seu pai doente. Rick finalmente recobra a consciência e ele e seu filho partem para a estrada novamente, onde se reúnem primeiro com Michonne e depois com Glenn, Maggie, Andrea, Dale, Sophia, Billy e Ben na fazenda da família Greene. Ao fim eles recebem o acréscimo de três novos integrantes: Abraham, Eugene e Rosita, que dizem saber “exatamente o que fez com que a morte começasse a andar”. Após formarem uma aliança incomum, o grupo decidiu partir para Washington em busca de respostas.
INFORMAÇÕES:
• Essa história introduz três novos personagens: o ex-soldado do exército, Sargento Abraham Ford, o cientista Eugene Porter e a garota durona Rosita Espinosa.
• Diferente da série de TV, Rick ouve a voz de sua esposa morta no telefone desconectado após a história da prisão ser concluída.
• A página inteira revelando a reunião de Michonne com Rick e Carl após a prisão é uma das representações de personagens preferidas do artista Charlie Adlard. “Eu acho que eu realmente consegui representa-la ali”.

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O volume nove de The Walking Dead segue a queda da prisão e os eventos chocantes da edição 48. O diversificado grupo de Rick Grimes havia se refugiado na prisão, construído um lar, e talvez ficado despreocupado, acreditando que os muros os protegeriam do mortífero mundo do lado de fora. A sangrenta conclusão mostrou o contrário. A prisão pode ter sido segura contra walkers, mas o Governador tinha um tanque!

O volume anterior foi repleto de ação, portanto uma mudança de andamento era necessária, e esse volume começa trazendo The Walking Dead ao básico. Um tema chave do volume um foi “família” o que evoluiu para “comunidade” em revistas posteriores, então na primeira parte da história nós voltamos a um pai e um filho tentando sobreviver em um mundo que agora pertence à morte.

No rastro do massacre na prisão, Rick e Carl deveriam ter fugido para longe da prisão o mais rápido possível. Entretanto, até mesmo para um personagem forte como Rick, a morte de sua esposa e filha recém-nascida é muito para lidar. Exausto, febril e traumatizado, ele se abriga com Carl em uma casa abandonada. Lá, Rick descobre um armário de banheiro repleto de remédios, toma várias pílulas e desmaia inconsciente. Se isso foi uma meia tentativa de suicídio é deixado para o leitor decidir. Carl tenta acordar seu pai e inicialmente pensa que ele está morto, levando-o a confrontar a possibilidade horrível de que ele vai ter que atirar em seu pai antes da reanimação.

Vale apena refletir aqui em como o Carl da revista e o Carl da série tem se diferenciado. No quadrinho, Carl parece alguns anos mais novo que o personagem interpretado por Chandler Riggs no programa de TV. Na terceira temporada, Carl na verdade se torna bastante bad-ass, protegendo a prisão enquanto Rick faz uma incursão a Woodbury. Em contraste, na revista Carl raramente ficou vulnerável como ele ficou até agora, com uma arma apontada para o seu próprio pai, petrificado pela possibilidade de ter que apertar o gatilho. No quadrinho, eventualmente Rick acorda, mas na série, Carl realmente tem que puxar o gatilho para um ente querido, neste caso, sua mãe.

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Voltando a “Here we Remain”, a reação de Carl pela morte de sua mãe é se tornar mais independente à medida que ele luta com a consciência que chega a todos nós: um dia nossos pais vão morrer. Dito isto, após um encontro quase fatal com alguns walkers, ele percebe que ainda precisa de seu pai. Que a necessidade é mútua. Num nível prático, Rick ainda está aprendendo a lidar com sua mão decepada – algo que vem à tona em uma cena anterior em que ele precisa pedir a Carl para abrir uma lata de comida.

Rick eventualmente acorda da febre e se prepara para partir, e a medida que eles estão partindo um telefone toca na casa. Ele escuta uma voz feminina no telefone contando a ele que ela está numa comunidade de sobreviventes, mas que eles têm medo de forasteiros. Rick implora que ela os deixe fazer parte da comunidade, até que percebe que a voz é da sua mulher morta. Amedrontado com a ideia de estar perdendo a sanidade, Rick decide que ele e Carl precisam cair na estrada para sobreviver. Entretanto, se mover fisicamente é mais fácil que se mover mentalmente, e Rick coloca o telefone em sua bolsa, um sinal de que ele ainda não está recuperado.

Na estrada, ocorre um estranho e macabro encontro. Enquanto viajam entre árvores, eles ouvem choros e encontram um homem cercado por zumbis. Carl saca sua arma, mas Rick para ele – a pobre alma não tem chance. De início, Carl fica decepcionado por eles não terem ajudado o homem, e o evento serve como uma indicação de que as motivações de Rick mudaram após a prisão. Antes, ele teria saído de seu caminho para ajudar um estranho; agora, ele está pura e unicamente preocupado consigo mesmo e com Carl.

O mundo de Carl é sacudido mais tarde quando eles encontram um carro sem dono, mas repleto de mantimentos perto, que deve ter pertencido ao homem morto. Carl não consegue entender porque o homem teria deixado a segurança de seu carro repleto de comida, até que percebe que provavelmente ele estava tentando suicídio. Novamente, é outra lição dura para Carl, que é forçado a aprender sobre complexas questões emocionais e tomar decisões difíceis ainda muito jovem.

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Mas, para todos os horrores que eles suportaram, Rick e Carl ainda têm um ao outro, e essa dura cena serve para apontar os perigos da solidão no mundo de The Walking Dead, bem com a importância de ter algo para se apegar, seja um familiar, o calor de um ente querido, seja a proteção de uma comunidade. Com certeza, Rick está mentalmente ferido, mas proteger Carl o previne de mergulhar em desespero e loucura.

Por sorte, alguns rostos amigos aparecem logo em seguida, à medida que Rick e Carl se reúnem primeiro com Michonne, depois Glenn e Maggie, o que os leva de volta à fazenda da família Greene, onde Dale, Andrea, Ben, Billy e Sophia esperam.

Cada novo encontro implica nos sobreviventes descobrirem que amigos e pessoas queridas se foram, mas até mesmo na tristeza existe algo do mundo voltando ao normal (ou pelo mesmo o normal de The Walking Dead). A familiaridade com o grupo, suas interações confortáveis e o alívio em ver outros sobreviventes do grupo original é um momento abençoado para a escuridão que precedeu essa reunião dessa nova “unidade familiar”.

A paz não dura muito. Embora pareça duro, assim que os sobreviventes estão para reestabelecer seu lar na fazenda, eles são acordados por tiros. Eles acham Andrea apontando sua arma para três novos visitantes. Sargento Abraham Ford, Rosita Espinosa e Dr. Eugene Porter. Porter explica que eles estão viajando para Washington DC. Ele é um cientista do governo e acredita que pode desenvolver uma cura para praga zumbi se ele conseguir chegar às instalações necessárias na capital.

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No geral, “Aqui Permanecemos” é bastante melancólico, entretanto também um conto psicológico, evitando as cenas de ação com zumbis na maior parte, e ao invés disso, focando no luto – em seus efeitos, e como vários personagens lidam com ele. Rick está sobrecarregado, e perdendo a confiança como líder e pai. Carl acredita que ele pode ser independente, mas ele descobre que seu pai precisa dele tanto quanto ele precisa de seu pai. Sophia reage compartimentalizando e suprindo as memórias antigas de seus pais. Nós descobrimos algo do passado misterioso de Michonne também – ela perdeu uma pessoa amada.

Os recém-chegados provem o catalisador par mover a história para fora da fazenda, e introduzir novos conceitos e ideias que serão bastante importantes em histórias futuras.

Mas o mais importante é que há a esperança de uma cura. “Esperança” é uma daquelas coisas que dão força para os sobreviventes continuarem caminhando, mas também pode ser uma motivação perigosa. A maioria dos leitores está propensa a acreditar que a história de Eugene é pouco plausível, mas apenas Andrea realmente expressa dúvidas a respeito.

Neste ponto também é introduzida à ideia da horda de zumbis: um único tiro vai atrair o interesse de um walker, e um tiroteio continuado vai fazer com que walkers a quilômetros de distância comecem a procurar carne. Se o número suficiente destes walkers tomam mesma direção, eles irão formar uma multidão capaz de invadir uma casa por causa da força desse grupo. É surpreendente que os personagens não tivessem encontrado uma horda de zumbis antes, embora a prisão fosse um lugar que pudesse tê-los protegido contra isto. Mas ainda sim, isto deveria ter acontecido com alguém, já que repetidamente dispararam armas em campo aberto, uma verdadeira receita para o desastre.

A edição termina com um tom melancólico. Rick parece ser um homem quebrado, que desiste de sua autoridade como líder e começa a se questionar se Abraham, que é treinado para liderar, é o homem certo para substituí-lo – ele próprio tem algumas questões de controle de raiva para resolver. Rick toma Carl a seu lado e diz a ele para não acreditar em ninguém, e acima de tudo perceber que ele nunca está seguro.

A reação de Carl pela morte de sua mãe é se tornar mais independente à medida que ele luta com a consciência que chega a todos nós: um dia nossos pais vão morrer.

E na próxima edição de Anatomia de uma História: Volume 05: “The Best Defense” (A Melhor Defesa)

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Fonte: The Walking Dead Magazine
Tradução: @Edelyla / Staff Walking Dead Brasil

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