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Review The Walking Dead S09E13 – “Chokepoint”: Um mar de decepções

Chokepoint foi o décimo terceiro episódio da nona temporada de The Walking Dead. Confira nossa crítica aqui.

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do décimo terceiro episódio, S09E13 – “Chokepoint”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Após semanas intensas, The Walking Dead decepcionou sua audiência pessimista. Decepcionou em tornar ainda mais difícil aos haters condenar o trabalho que Kang vem desenvolvendo no nono ano da série. Isso porque, Chokepoint soube trazer as maiores reviravoltas em uma trama bipartida, mas totalmente bem construída. Aliás, o episódio deu motivações para cenas das semanas anteriores terem sido mostradas. O uso de humor leve tem sido característica marcante de vários momentos e parece funcionar bem com o terror da trama principal.

Em uma visita geral pelos cantos da internet que tratam da série, é possível notar que grande parte do público se agradou. Por mais que Chokepoint não tenha ido longe no desenvolvimento da história, prendeu a atenção.

As pequenas referências constroem uma história circular

Chokepoint demonstrou os últimos preparativos para a feira.

O Reino está quase pronto para a feira.

Como dito anteriormente, Chokepoint mais uma vez demonstra a importância de cada cena no trabalho de Kang. Apesar de em outros anos termos vários momentos jogados ao vento, apenas para atrasar mais a história, a nona temporada tem feito diferente. Nenhuma cena aparece sem ser posteriormente encaixada em algo maior. É o caso da busca do Reino pelo projetor.

Após Jerry chegar de uma missão nas ruas, ele informa sua liderança que encontrou problemas no lado externo. Com uma carta enviada por um grupo autointitulado “Saqueadores“, Ezekiel recebe uma ameaça à feira. Rapidamente, Dianne lembra que em Hilltop se comentava sobre Jed e remanescentes dos Salvadores estarem atacando pelas estradas. E, em mais uma costura de enredo, Carol com veemência diz que não acredita que seja esse o caso (óbvio, ela os queimou vivos).

Então, a comunidade decide ir atrás da resolução do problema, para que a feira – a última das esperanças para o local – não seja arruinada. Chegando ao ponto de estadia dos Saqueadores, o Rei é ameaçado ainda mais. A forma de operar do bando é saquear (por isso o nome) todos os que passarem pelas ruas e furtar seus pertences, ao menos que seja pago pedágio. Ezekiel então propõe que eles acordem em o Reino conceder alimentos e água em troca deles trabalharem pelas seguranças das ruas. Mas, o líder, acaba caçoando da cara do Rei.

Quando o confronto é iminente, Carol faz a proposta mais improvável – que deixa até Ezekiel incrédulo: que os Saqueadores trabalhem para eles em troca de assistirem filmes através do projetor conseguido em Bounty. Para a surpresa de todos (até de Carol), instantaneamente eles aceitam. Um desfecho humorado e bem pensado para o projetor.

Tara, a líder de Hilltop

Tara e um pequeno grupo vão para o Reino e enfrentam problemas.

Já se encaminhando para a feira, Tara leva alguns residentes de Hilltop para as ruas. Enquanto limpam as estradas  tomadas por galhos que impedem a passagem, o grupo é atacado por uma horda de mortos. É nesse momento que ela demonstra sua liderança, designando funções para cada um dos sobreviventes. Ocorre que a situação fica complicada, pois são mais walkers que se esperava. Entretanto, quando tudo parecia perdido, no horizonte surgem cavaleiros que os livram dos mortos. A audiência logo nota que se trata dos Saqueadores. O homem que lidera o grupo diz para Tara que veio fazer sua escolta até o Reino.

Ou seja, mais uma vez fica demonstrado como a história tem se montado e atado todas as pontas soltas em nós fixos. A única questão que fica estranha é que, anteriormente os sobreviventes se empenharam em uma guerra para evitar o modus operandi de Negan. Contudo, agora, Carol e Ezekiel firmam um acordo exatamente semelhante às propostas dos Salvadores. Fornecer suprimentos em troca de segurança de suas ruas. Até quando isso irá funcionar?

Chokepoint não deixou muita fuga para o roteiro

Os detalhes foram bastante relevantes nessa semana.

No inicio do episódio, vemos que a ação de Daryl em Guardians foi altamente periculosa para o grupo de Alpha. Em dado momento vemos que Beta garante a um dos cooperadores que foi mordido que ele será um dos guardiões – o modo como eles chamam os walkers. Ainda, ele lhe fala que ele será do bando como sempre foi.

É interessante notar que mais uma vez o roteiro se importa em dar vazão a cada segundo de episódio. Essa cena se encerra mais na frente, quando Beta lidera uma horda para encontrar Lydia. Daryl, do alto do prédio onde estão dispara um dardo contra um dos guardiões que é justamente o rapaz mordido. Assim, além de estar com a garota, Dixon consegue despertar mais ira no vice líder dos Sussurradores. Isso porque o impossibilita de cumprir a promessa feita de que o rapaz seria para sempre parte do bando.

O núcleo central da história ofereceu alta dose de ansiedade e terror

Connie e Daryl lideram dois adolescentes contra os Sussurradores.

Começo dizendo que tudo indica um afunilamento para Connie e Daryl. Norman e Lauren (Ridloff) tem uma química bastante intensa. Todas as cenas construídas para ambos consegue ser bastante carregada de leveza. Quando Connie deixa um recado claro para ele que ela não abandonará Lydia, acredito que o coração da audiência se derreteu. E, a atitude da mulher faz que Daryl automaticamente mude sua postura e aceite lutar pela permanência da garota com eles.

Entretanto, não foi de leveza que esse arco foi carregado. As cenas efetuadas em ambientes de baixa iluminação e em paisagem hostil, trouxeram um terror e uma tensão já quase típica do que envolve os Sussurradores. A chegada de Beta ao prédio, bem como a luta dos sobreviventes contra os antagonistas, foi desoxigenador.

A cena do Cão voando sobre os inimigos homenageou Shiva – assim como sua estatua no Reino. Depois disso vemos Lydia decidida a fazer o que for necessário para estar longe da mãe e seu grupo. Aliás, até mesmo a cena de romance adolescente entre os dois foi útil para que no desfecho Daryl se posicionasse.

A luta entre Beta e Daryl

Beta e Daryl são uma atração fatal.

Se as demais cenas foram ótimas, houve uma que superou toda a expectativa. O embate entre Beta e Daryl foi animalesco e prendeu os olhos de quem assistia. Daryl estava ali sendo esmigalhado pelo grande homem e, pela terceira semana consecutiva, teve que usar o instinto de sobrevivência. Levando o antagonista central desse episódio para a frente do elevador do prédio, Daryl teve a chance de atirá-lo pelo poço do mecanismo.  Assim, eles conseguiram se livrar dele e seguir em frente.

Ao menos, foi o que acreditaram. Ao final do episódio vemos que Beta está vivo e com mais fome de vingança do que nunca. Provavelmente, daqui para a frente não haverá mais qualquer tipo de piedade e Beta terá um alvo certo em toda a sua caminhada. Daryl precisará ter cuidado redobrado para não pagar com a própria vida depois do que aconteceu em Chokepoint.

Nossa opinião

Da leveza ao terror, Chokepoint colidiu ânimos diferentes.

Conseguindo equilibrar o humor, a leveza, o terror e a angústia, todos somados a uma grandiosa dose de emoções pulsantes, Chokepoint conseguiu convergir para seu alvo. Além de desenvolver ainda mais personagens recém inseridos, consegue abrir margem para novas histórias e direcionar a temporada para um fim promissor.

Todos os arcos na história equilibraram humor e terror. No Reino, tivemos o terror de um grupo apontando armas para as majestades, ao mesmo tempo que Carol encerrou o embate como se contasse uma piada. Noutro lado tivemos a angustiante sequência do prédio, intercalada por Connie manipulando os sentimentos de Daryl em uma cena bastante cômica e leve. Já nas ruas, vemos Tara enfrentar a morte de todos os membros de Hilltop, sendo a total tensão aliviada pela chegada dos Saqueadores, dando humor para o desfecho de quem se vende por um cinema.

Angela Kang prova que episódios de transição e fundamentação de clímax – que veremos nas próximas semanas – podem ser coerentes e agradáveis. Mesmo que a história esteja se difundindo e se desdobrando em novas tramas, o foco central nunca é perdido. Diferentemente do que foram as temporadas passadas, os episódios de meio não parecem fazer a audiência se sentir enrolada ou ter sua inteligência questionada. Na verdade, bem pelo contrário, as tramas constroem uma narrativa inteligente, fazendo com que os espectadores liguem as histórias por si só.  Isso tudo, fora as referências espetaculares que ligam toda a trama desde o primeiro momento da nona temporada. O circulo está se formando perfeitamente e não há desperdícios. Ou seja, Kang veio para decepcionar os haters em suas capacidades argumentativas contra um trabalho bem feito.

E você? Concorda com nossa opinião? Discorda? Queremos saber quais são suas expectativas para o desfecho da história. Aproveite e vote na enquete:

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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