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Review The Walking Dead S09E08 – “Evolution”: Assustadoramente empolgante

Carlos Knewitz

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do oitavo episódio, S09E08 – “Evolution”, da nona temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Estou com um grito preso na garganta. O grito que não pude dar visto o horário avançado em que o episódio era exibido. Grito que mistura terror, medo, excitação, ansiedade e animação. Um mix de sentimentos que muitas vezes não são tão homogêneos, mas que The Walking Dead conseguiu rebuscar em seus fãs. Evolution, o oitavo episódio do nono ano, conseguiu surpreender os fãs e provar que, talvez, a série está começando a retornar a sua época de ouro. Nesse episódio tivemos três grandes núcleos concorrendo: os rastreadores de Eugene, Hilltop e Alexandria. A tríplice foi equilibrada e acertou em quase todos os seus pontos.

Em Alexandria, sob os cuidados do Padre Gabriel, o antigo líder dos Salvadores parece estar acostumado com a ideia de que sua pena perpétua se cumprirá. Gabriel parece tentar desenvolver um método de meditação avançada com Negan, mas a prática não traz grandes resultados e o antigo antagonista principal parece estar mais preocupado em sua monótona brincadeira com a bola de baseball. O grande plot twist, no entanto, se dá ao momento em que chegam informações à Alexandria de Hilltop sobre Rosita.  O Padre aparentemente perde a cabeça e resolve descontar sua frustração em Negan. Com palavras duras, ele demonstra o quão desprezível o esposo de Lucille ainda é e que sua prisão corroborada com o tempo passado não alteram em nada o asco que todos sentem por ele. É nesse mar de desabafos que Gabriel se descuida e acaba deixando a cela aberta. Negan demora a perceber, mas quando descobre, não perde a oportunidade dada e foge do local.

A grande questão aqui envolve algo vindo do futuro. A direção em que o enredo se desenvolve demonstra que as cenas apenas foram adicionadas para colaborarem com um grande arco para o personagem na segunda metade da temporada. Afinal de contas, quem é Negan após esses sete anos e meio de aprisionamento? Seu humor ácido ainda existe, mas será que algo mudou em seu interior e ele conseguiu se tornar uma pessoa melhor?

Negan conseguiu sair de sua cela. Como o personagem utilizará sua liberdade?

Em Hilltop, temos a chegada de Michonne e o restante do grupo. Mais uma vez temos a confirmação de que as coisas não foram nada amigáveis durante os seis anos que procederam o desaparecimento de Rick. Há hostilidade no tratamento em ambos os lados, tanto vindo da samurai como do povo da comunidade rural. Uma das falas mais marcantes vem de Tara, quando essa afirma que aparentemente o antigo bando está se reunindo. Ou seja, todos podem lutar contra, mas a atração magnética que carregam acaba sempre os unindo em algum ponto da história.

A cena mais relevante e marcante fica por conta de Michonne e Carol. É fácil ver a ternura e o esfriamento se envolverem e se tornarem uma emulsão de sentimentos entre ambas. Parte por causa da exímia atuação das atrizes envolvidas, parte por causa de toda a história que as personagens representam. Como Carol lembra, as duas perderam filhos, passaram por momentos terrivelmente dolorosos e não deveriam se render a uma separação emocional como tem sido. Também é notável que o Reino, entre todas as comunidades, talvez seja a que está enfrentando as maiores dificuldades de subsistência. Peletier parece implorar para que Michonne coopere com a feira entre as comunidades, mas essa lhe nega o direito sendo sucinta em afirmar que “o Reino é o Reino; Hilltop está aqui e Alexandria é Alexandria”. É dolorido ver ela afirmar que não se importa se Carol e Ezekiel irão sucumbir e morrer em meio a necessidades de sua comunidade.

Eu realmente não sei o que aconteceu, mas em algum momento Michonne se transformou em um ser bastante desprezível, mesclando um mar de mágoas e remorsos – que até agora não sabemos exatamente do que se trata – com uma personalidade prepotente e indiferente aos bons e longos anos de vínculo com seus companheiros de ruas. Ela tomou um caminho eternamente oposto ao que vinha sendo e se Rick muitas vezes era responsável por deixá-la apagada em cena, agora ela brilha, mas de uma forma não muito atraente para quem leva em consideração um mínimo de bons sentimentos e amizade. Se Maggie em poucos episódios no começo da temporada se tornou uma pessoa obstinada e saiu como uma personagem intolerante e irritante para parcela do público, parece que Michonne vem se esforçando para tomar o pódio para si e ocupar o posto de sobrevivente birrenta da vez. Espero piamente que não a  afundem.

Michonne tem se tornado intolerante e insurgente, principalmente com seus amigos de longa data.

Carol se despede de Henry e as lembranças de Sophia são assombrosas nesse ponto, dado o envolvimento de Matt Lintz  – que é irmão de Madison, intérprete da própria filha biológica de Peletier – com Melissa McBride e a grande significância que o silêncio de um abraço diz na cena. No abraço é fácil notar que Carol ainda está lidando com o peso de perder a filha e que não se perdoaria se Henry fosse exposto a um perigo irremediável com sua ausência. A cena vem diretamente dos quadrinhos quando Rick deixa Carl em Hilltop para aprender a profissão de ferreiro e é velada da mesma emoção. É o momento em que os pais precisam compreender que seus filhos não são mais as crianças que necessitam de atenção e proteção e sabem colocar em prática os ensinamentos recebidos durante os anos – e isso será explorado mais pra frente.

Henry lida rapidamente com uma decepção amorosa, que me fez rapidamente esquecer a tensão que todo o episódio envolvia e lembrar dos dramas adolescentes. Enid e Alden são um casal agora e ele se perde em seu mar de esperanças com a garota. E é nesse ínterim que ele conhece novos amigos: Addy, Rodney e Gage. Os três são totalmente cordiais com o garoto e o convidam para explorar o lado exterior de Hilltop durante a noite.

Na noite, os garotos estão no interior de uma cabana abandonada e se embebedam como forma de divertimento. A cena é totalmente uma reprodução do terceiro episódio, “TEOTWAWKI“, da terceira temporada de Fear the Walking Dead (série derivada da franquia). As duas cenas exploram adolescentes se envolvendo com as descobertas da bebedeira e explorando um lado arruaceiro, se divertindo com mortos vivos. A diferença se instaura justamente no ponto suscitado anteriormente, ao perceber o desrespeito com a pessoa que foi o walker usado por Rodney e Gage para se divertir, Henry – mesmo embriagado – salta em direção ao morto e lhe dá o ferimento cerebral necessário para honrar sua memória. É uma expressão exata da educação dada por Carol ao garoto. Um marco de caráter. Mas toda a sua condolência e boa fé não o eximem de acabar sendo colocado atrás das grades de Hilltop por Tara, havendo a promessa de tomarem uma decisão quanto a sua permanência na comunidade quando Jesus voltar da busca por Eugene.  Henry assume que precisa ficar e promete se redimir, pois sabe da importância que seu trabalho tem para a sustentação do Reino e assume que uma das cenas mais difíceis que ele teve que encarar foi ver sua mãe chorar, já que sempre a teve como uma mulher forte e inabalável.

Carol e Henry protagonizam um momento de separação.

Nos campos, Jesus, Aaron, Daryl e o novo protagonista da história, Cão, observam uma horda com uma movimentação totalmente inovadora: andar em círculos. A câmera se aproxima da horda e um walker que trilhava oposto a imagem estatiza e gira o pescoço em direção aos sobreviventes, como se quisesse os observar sem ser notado. Uma curta cena que consegue trazer o grande número de arrepios que a sequência demonstrará.

Os rastreadores acabam se deparando com o celeiro indicado por Rosita anteriormente e encontram Eugene que aparentemente está afetado pelo tempo em que ficou trancafiado, já que para eles, o cientista fala coisas sem sentido, afirmando que os walkers agora falam e pensam. No entanto, a horda que Daryl acreditava ter conseguido desviar dali, retorna e mantém o ritmo incomum. Aaron e Jesus se responsabilizam em levar Eugene de volta para Hilltop, enquanto Daryl fica incumbido de, junto com Cão, desviar os mortos para longe da comunidade.

Daryl tenta atrair a horda com rojões na estrada e o plano parece funcionar, enquanto Cão o auxilia latindo para amplificar ainda mais o chamariz. Entretanto, sorrateiramente, a horda é conduzida a dar meia-volta, o que causa grande estranhamento no motoqueiro solitário.

No maior clima Silent Hill, os três sobreviventes que tentam voltar à Hilltop encontram um cemitério e optam por atalhar por ele, já que a pequena passagem conseguiria diminuir o ritmo dos mortos e lhes abrir pequena vantagem. Entretanto, o portão que lhes daria oportunidade de fuga está emperrado. Aaron e Jesus entram em ação lutando por suas vidas e demonstrando um bom desempenho de combate. Michonne, Magna e Yumiko – as duas últimas estão ali apenas para provarem seu valor e lealdade a eles – aparecem do lado oposto ao portão e conseguem desemperrá-lo. Jesus fica para trás para diminuir o número de mortos. Quando vai golpear um dos últimos walkers que a câmera foca, esse se esquiva o prendendo em uma chave de braço e lhe ferindo com uma faca, enquanto sussurra em seu ouvido “Você está num local ao qual não pertence”. A sequência gera um terror que talvez The Walking Dead tenha conseguido instaurar somente no episódio de estreia da sétima temporada com a morte de Glenn e Abraham.

Jesus cai morto, Aaron se desespera e corre ao seu encontro, o que obriga Michonne, Magna e Yumiko entrarem no embate. Daryl ao longe dispara sua crossbow e acerta a cabeça do walker portador da arma branca. Ele se aproxima e percebe uma espécie de costura na nuca do morto que assassinou o amigo. Todos ficam perplexos ao perceber que se tratava de um homem disfarçado de zumbi. Eles são cercados, enquanto a audiência ouve “Mantenha-os juntos!”. Fim do episódio! Inicio de uma ansiedade que fez muito fã da série rolar na cama durante a madrugada.

Os Sussurradores chegaram.

É uma imersão em tantos sentimentos que The Walking Dead não nos fazia ter há tanto tempo que parece ser inovador. Mais uma vez nesse ano tivemos a oportunidade de nos depararmos com surpresa, medo, aflição e ansiedade pelo que virá. Um cliffhanger angustiante, mas ao mesmo tempo prazeroso.

Michael Satrazemis, diretor desse oitavo episódio, conseguiu jogar com as câmeras e extrair o melhor dos ângulos. Novamente conseguimos ver o combo de atuação e direção formar um pacote capaz de transpassar o roteiro para a audiência. É a prova de que, por mais que o ator se esforce em cena, se o diretor não souber extrair de sua atuação o melhor, não será possível se construir uma boa sequência.

Eu preciso voltar a falar de Angela Kang. Eu consigo imaginar a AMC e os envolvidos no universo da série lhe anunciando em uma sala que ela viria a ser promovida a showrunner da série e em meio ao ser ar de alegria pela conquista, ela é advertida que teria que lidar com uma série em decadência e que perderia seu protagonista, tendo a incumbência de reestruturar toda a história em pouco tempo. O tamanho da bomba relógio que estava em suas mãos e o estrago que poderia fazer era imensurável – forte o histórico dela em alguns episódios questionáveis no passado da trama. Entretanto, Kang revolucionou e conseguiu cumprir seu papel, trazendo um ar inovador e sendo exímia em praticamente tudo o que fez. A introdução dos Sussurradores foi digna de ser classificada como a melhor inserção de um arco dos quadrinhos na série. Fora a ótima forma com que ela tem conseguido equilibrar a história sem a presença de Rick e como tem cumprido a promessa de estruturar um enredo que consiga dar destaque para todos os seus personagens.

Para vermos os desdobramentos dessa espetacular história, teremos que esperar até o dia 10 de Fevereiro, data anunciada para o retorno do nono ano da série. E como lidar com essa ansiedade que já estávamos desacostumados? Onde guardar todas as teorias e ideias miraculosas que brotam em nossas mentes – geralmente no momento em que estamos tentando pegar no sono – enquanto os materiais vão vagarosamente sendo divulgados? Não tem jeito, pedimos que The Walking Dead voltasse a sua qualidade original e agora teremos que lidar com todos esses sentimentos conflitantes no nosso interior. Tivemos o que pedimos!

E você? O que achou de Evolution? O que pensa sobre os oito primeiros episódios da temporada? Concorda com o redator dessa crítica? Discorda? Deixe um comentário abaixo e vote na nossa enquete.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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