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9ª Temporada

Análise detalhada do trailer da 2ª parte da 9ª Temporada de The Walking Dead

Carlos Knewitz

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ATENÇÃO! O post a seguir contém EXTREMOS SPOILERS dos quadrinhos de The Walking Dead, tal como algumas possíveis revelações sobre o futuro da trama na televisão. Caso não queira ter as “surpresas estragadas”, é melhor parar por aqui. Você foi avisado!

Seremos torturados por mais de dois meses, como já é rotineiro para os fãs de The Walking Dead que precisam lidar com o hiato da série. O final de Evolution deixou um cliffhanger digno de atiçar até mesmo os menos ansiosos. Com uma reestruturação de trama e uma sustentação mesmo sem seu protagonista, a série se reinventou nesse novo ano e tem agradado a crítica. Mas, como serão os oito últimos episódios da temporada?

O trailer da segunda parte foi liberado logo após a exibição de Evolution e está repleto de detalhes que nos alertam para o desfecho dessa temporada. Por tanto, fizemos uma análise detalhada do vídeo que conta com um pouco mais de um minuto.

1 – Michonne sequestrou alguém

Michonne carrega alguém em seu cavalo.

A primeira cena no trailer traz um grande spoiler da continuidade do cliffhanger: aparentemente, todos (inclusive o cachorro) sobreviveram depois da morte de Jesus. Mas o que mais chama a atenção é que Michonne carrega em seu cavalo uma pessoa aparentemente amarrada e amordaçada. Quem poderia ser?

Buscando no material base, logo após a introdução dos Sussurradores, Jesus luta com um grupo deles que é liderado por Lydia, uma garota com 14 anos e filha da líder do bando. Ao exterminar com todos os seus companheiros, Jesus rende a jovem e a leva prisioneira para Hilltop para interrogá-la. Então, transpassando isso para o enredo da série, é fácil imaginar que Michonne irá levar Lydia como refém.

2 – Jesus não precisará ser líder de Hilltop

Quem liderará Hilltop?

Jesus afirmou veementemente para Tara que não queria tomar a liderança da colônia agrícola para si. Parece que os redatores atenderam ao seu pedido e lhe garantiram a impossibilidade de liderar. Jesus foi morto em Evolution e agora não poderá exercer qualquer cargo, mesmo que à contra gosto. Mas então, quem ficará com a liderança?

A primeira opção óbvia seria a própria Tara, que já vinha exercendo uma função exaustiva, tentando preencher às lacunas deixadas pela ineficiência de Jesus na liderança. Ela mesma se responsabiliza em ficar no comando de Hilltop na ausência dele, sob a desculpa de que alguém precisava ficar para comandar tudo. A segunda opção vem de uma breve discussão entre Jesus e Aaron no último episódio, que analisam o perfil de Daryl que mixa a vida selvagem com a liderança.

Por mais que Tara seria a eleição mais plausível, pelo que vimos durante o restante do trailer, Daryl terá papel de destaque na comunidade, assumindo a responsabilidade de negociar com os Sussurradores.

Outra curiosidade é que aparentemente, mesmo que não tenhamos visto, houveram diversas mortes em Hilltop nos seis anos do salto temporal. Isso se demonstra por meio do crescimento de túmulos.

3 – Beta

Beta é um dos principais membros dos Sussurradores.

Eles chegaram e é irremediável. Os Sussurradores estão tomando conta das imediações das comunidades e chegaram dispostos a demonstrar o quão aterrorizantes podem ser. E um dos principais nomes – ou alcunhas – que podemos lembrar quando citamos esse temido grupo é o de Beta.

Nos quadrinhos, ele é o braço direito de Alpha, a líder dos selvagens, e é tido como o primeiro em linha de sucessão ao comando. Respeitado por todos, sua voz de comanda é amplamente obedecida e onde quer que esteja, é presença marcante. Tão marcante que após a morte da líder, Beta assume o controle e se torna cada vez mais ameaçador.

No trailer podemos notar que ele terá um combate corporal com Daryl e cabe salientar que sua contraparte dos impressos é um antigo jogador de basquete e uma celebridade do mundo pré apocalíptico. Ou seja, Daryl deverá ter dificuldades em se livrar das mãos do monstro.

4 – Referências claras aos quadrinhos

Sussurradores observam Hilltop.

Uma das cenas do trailer remete exatamente a capa da edição 136 dos quadrinhos de The Walking Dead. Nos quadrinhos, a edição demonstra o momento em que os Sussurradores finalmente descobrem onde se localiza Hilltop.

Já vimos que eles estavam observando os sobreviventes nas estradas faz algum tempo, então não era difícil imaginar que logo chegariam aos muros das comunidades. Isso significa um grande risco, ainda mais considerando o fato de que provavelmente Michonne estará com um deles em sua posse.

Com a proximidade da feira e com a indiscutível presença do enredo dos quadrinhos na série, podemos esperar eventos irreparáveis e desesperadores nos próximos episódios.

5 – Alpha

Alpha, a selvagem líder dos Sussurradores.

Se Beta já é capaz de aterrorizar o sonho de qualquer um de nossos sobreviventes, Alpha é a personificação do que há de mais selvagem e assustador no mundo. Uma mulher que se desprendeu de qualquer sentimento humano – inclusive pela filha – e disposta a qualquer atrocidade para se manter na configuração física. Lembra do cruel Negan, que dispensava qualquer moralidade na hora de matar alguém com Lucille? O antigo antagonista vira um simples brinquedo se comparado à Alpha.

No trailer podemos ver a líder apenas pelas suas costas, mas é possível se notar que o seu visual será imensamente idêntico ao dos quadrinhos.

Que venha Alpha e toda a sua atrocidade.

6 – Lydia está presa em Hilltop

Lydia dá as caras pela primeira vez no trailer.

Como já suscitado no ponto um, Lydia terá o mesmo destino que sua contraparte nos quadrinhos e acabará presa em Hilltop. Pelo que temos nos impressos, ela é encarcerada e pressionada a prestar esclarecimentos sobre seu povo e quantos são e como vivem. A pessoa que mais se relaciona com ela nesse período é Carl, que está na comunidade disposto a se tornar ferreiro.

Entretanto, parece que teremos uma mudança significativa nisso, já que quem está presente com ela em todos os momentos que aparece atrás das grades é Daryl. Uma das frases ditas por ela é que ele é semelhante aos Sussurradores e poderia se juntar a eles. A fala dela parece tocar Daryl.

7 – Daryl é responsável por estabelecer contato entre os Sussurradores e Hilltop

Daryl vai ao encontro dos Sussurradores.

Assim como eram Maggie e Rick nos quadrinhos, Daryl aparentemente assumirá a posição de se comunicar com o grupo inimigo que irá até às portas de Hilltop exigir a devolução de Lydia.

Isso leva a crer que esse ponto responde a pergunta deixada pelo segundo item. Aparentemente, Tara cederá seu espaço para que Daryl tome as rédeas da comunidade e diferentemente aos quadrinhos, o centro da trama será desenvolvido através da colônia rural ao invés de se prender em Alexandria. Como prometido, Dixon se tornará uma espécie de protagonista, embora a ideia seja descentralizar a história.

8 – A feira acontecerá e isso não é nada bom

O Reino está pronto para a realização da feira.

Já desde “Who are you now?” ouvimos os personagens do Reino e de Hilltop comentando sobre a realização de uma feira entre as comunidades. Nos quadrinhos, a feira acontece com a diferença de ser realizada em Alexandria. O evento tinha tudo para ser um momento feliz entre todos, mas termina de forma trágica.

Os Sussurradores se infiltram na comunidade sede da confraternização, matam diversas pessoas, os degolam e estaqueiam suas cabeças no limite de suas terras. Rick e os demais encontram os corpos e mais tarde se deparam com as estacas carregando a cabeça de personagens importantes e centrais.

O trailer dá conta de todo esse acontecimento, já que vemos o Reino enfeitado para o evento e Carol e Ezekiel preocupados com os preparativos. Mais tarde, quando a comunidade já parece estar repleta de pessoas, Jerry nota um homem chegando com um cavalo e os dois trocam um olhar curioso. Aparentemente, Jerry não conseguiu rebuscar em sua memória o rosto do indivíduo e desconfia que ele não faça parte das comunidades amigas. E então, quem serão os decapitados?

9 – Michonne e Judith rebuscarão os sentimentos de Carl e Rick

Ambas visitam o túmulo de Carl.

Em um dado momento, podemos ver Judith e Michonne observando algo que parece ser (ou ter sido) um túmulo. Pelas imediações que está, o local pode representar o sepulcro de Carl. Se isso se confirmar, há duas observações: Siddiq em Stradivarius questionou Michonne se ela se lembrava das promessas feitas ao jovem Grimes e pelo jeito não devia estar dando muita atenção, já que o túmulo está mal cuidado, coberto de ervas daninhas.

Sendo esse o túmulo de Carl, a cena pode significar um momento de reflexão de Michonne na forma como tem se posicionado contrária àqueles que sempre estiveram ao seu lado. Será que as últimas palavras de Carl e a tentativa de Rick em cumpri-las despertará Michonne ao verdadeiro significado de se estar vivo?

10 – Teremos flashbacks

O cabelo de Michonne revela uma volta ao passado.

Até o momento não tivemos muitas informações sobre o que aconteceu entre as comunidades que fez com que todos se dividissem e rompessem laços. Nada foi explicado sobre a partida de Maggie estar relacionada à Michonne e as cicatrizes em forma de X nas costas dos personagens.

Mas, aparentemente, em algum momento dos oito últimos episódios teremos uma visita ao passado dos personagens dentro do período de seis anos que nos passaram em branco. Provavelmente a cena  (ou o episódio inteiro dedicado aos fatos) rebuscará e explicará para a audiência o que desestabilizou o amor existente entre os sobreviventes. Michonne parece estar bastante assustada com o que presencia. O que será que pode estar acontecendo?

11 – Negan está de volta

Negan encerra o trailer.

No final do trailer ouvimos o maldito assoviar de Negan e a porta da Fábrica se abrindo. O trailer finaliza com uma imagem de Negan segurando um pedaço de encanamento nas mãos enquanto satiriza “Lar, doce lar”. Mas quais será que são os planos do antigo antagonista da trama? Viver sozinho no lugar que seria mais facilmente encontrado? Reconstruir sua comunidade? Ele realmente estará por fora de todos os eventos envolvendo os Sussurradores?

A fuga de Negan nos quadrinhos está amplamente ligada aos Sussurradores e ele tem um papel bastante importante no êxito de Rick sobre os inimigos. Seria frustrante não termos Negan em meio aos selvagens e se relacionando com eles para depois provar seu valor às comunidades.

E então, você notou mais algum detalhe no trailer? Deixe um comentário abaixo sobre suas expectativas para o restante da temporada.

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9ª Temporada

9ª Temporada de The Walking Dead chega ao Prime Video em Abril

O nono ano da série de sucesso da AMC, The Walking Dead, estará disponível para os assinantes do Prime Video em Abril.

Rafael Façanha

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A Amazon anunciou um acordo de licenciamento de conteúdo com a Disney (agora proprietária do FOX Channel), tornando o Prime Video o serviço de streaming de uma seleção de títulos da empresa na América Latina, e isso incluiu The Walking Dead.

As 8 primeiras temporadas da série estão disponibilizadas no catálogo da Amazon Prime Video do Brasil desde janeiro deste ano, e agora teremos o lançamento do nono ano. A 9ª temporada de The Walking Dead estreia dia 7 de abril no Prime Video.

Sinopse oficial da 9ª temporada de The Walking Dead:

A temporada passada trouxe o ponto culminante de “All Out War”, que colocou Rick Grimes e o grupo de sobreviventes contra os salvadores e seu astuto líder, Negan. Com a vida de Negan em suas mãos, Rick tinha uma escolha definitiva. Ao tomar a decisão unilateral de poupar Negan, Rick confirmou que os valores de seu falecido filho Carl, serão a base para o futuro, mas criou um conflito dentro de seu grupo.

Agora, vemos nossos sobreviventes um ano e meio após o fim da guerra, reconstruindo a civilização sob a liderança firme de Rick. Após um período relativo de paz, com as comunidades trabalhando juntas, o mundo que conheciam está mudando rapidamente à medida que as estruturas criadas pelo homem continuam a degradar e a natureza assume o controle, mudando a paisagem e criando novos desafios para nossos sobreviventes.

Com o passar do tempo, as comunidades enfrentam obstáculos inesperados, perigo e, claro, zumbis, mas nada os prepara para a força formidável que estão prestes a encontrar, algo que ameaça a própria ideia de civilização que os nossos sobreviventes trabalharam arduamente para construir.”

Além de The Walking Dead, o serviço conta com filmes, seriados (incluindo Fear the Walking Dead) e desenhos animados de diversos grandes estúdios e canais de televisão, além de inúmeros conteúdos exclusivos. Ele pode ser acessado a partir de dispositivos portáteis com Android ou iOS, além de computador, Smart TVs, consoles e reprodutores de Blu-ray com suporte para aplicativos.

Caso você tenha interesse, o Prime Video custa apenas R$9,90 ao mês ou R$89,90 ao ano e você pode fazer assinatura diretamente do site, começando com o primeiro mês grátis!

The Walking Dead está atualmente em seu décimo ano e já foi renovada para a décima primeira temporada, que deve estrear em Outubro.

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9ª Temporada

9ª Temporada de The Walking Dead chega ao Netflix Brasil em Abril

O nono ano da série de sucesso da AMC, The Walking Dead, estará disponível para os assinantes da Netflix Brasil em Abril.

Rafael Façanha

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Depois de um longo período de espera, finalmente tivemos o anúncio da Netflix Brasil que a nona temporada de The Walking Dead chegará ao catálogo do serviço de streaming no próximo mês. Com o fim da guerra, Rick Grimes (Andrew Lincoln) espera que os sobreviventes consigam superar as diferenças. Mas o perigo vem de todos os lados e ameaça a paz recém-conquistada.

A 9ª temporada de The Walking Dead estreia dia 15 de abril na Netflix Brasil.

Sinopse oficial da 9ª temporada de The Walking Dead:

A temporada passada trouxe o ponto culminante de “All Out War”, que colocou Rick Grimes e o grupo de sobreviventes contra os salvadores e seu astuto líder, Negan. Com a vida de Negan em suas mãos, Rick tinha uma escolha definitiva. Ao tomar a decisão unilateral de poupar Negan, Rick confirmou que os valores de seu falecido filho Carl, serão a base para o futuro, mas criou um conflito dentro de seu grupo.

Agora, vemos nossos sobreviventes um ano e meio após o fim da guerra, reconstruindo a civilização sob a liderança firme de Rick. Após um período relativo de paz, com as comunidades trabalhando juntas, o mundo que conheciam está mudando rapidamente à medida que as estruturas criadas pelo homem continuam a degradar e a natureza assume o controle, mudando a paisagem e criando novos desafios para nossos sobreviventes.

Com o passar do tempo, as comunidades enfrentam obstáculos inesperados, perigo e, claro, zumbis, mas nada os prepara para a força formidável que estão prestes a encontrar, algo que ameaça a própria ideia de civilização que os nossos sobreviventes trabalharam arduamente para construir.”

Além de The Walking Dead, o serviço conta com filmes, seriados e desenhos animados de diversos grandes estúdios e canais de televisão, além de inúmeros conteúdos exclusivos. Ele pode ser acessado a partir de dispositivos portáteis com Android ou iOS, além de computador, Smart TVs, consoles e reprodutores de Blu-ray com suporte para aplicativos. Caso você tenha interesse, a Netflix Brasil possui planos a partir de R$ 21,90 ao mês e você pode fazer assinatura diretamente do site, começando com o primeiro mês grátis!

The Walking Dead está atualmente em seu décimo ano e já foi renovada para a décima primeira temporada, que deve estrear em Outubro.

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9ª Temporada

Como o roteiro da 9ª Temporada de The Walking Dead salvou a série do cancelamento?

Analisamos as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica.

Vinícius Castro

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ATENÇÃO! O post a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead. Caso não esteja em dia com a série, não continue. Você foi avisado!

Por mais que doa dizer isso, é inegável que o prestígio alcançado por The Walking Dead em seus primeiros anos pareceu diluir-se com as quase catastróficas decisões tomadas durante a sétima e oitava temporadas da série. Da queda de audiência ao recebimento extremamente MISTO da crítica especializada, o drama zumbi, mesmo tentando mostrar um pouco de fôlego no fim de sua oitava temporada, parecia estar fadado ao fracasso conforme o novo ano entrava em produção.

Unido ao desespero da saída de nomes como Andrew Lincoln e Lauren Cohan da série, a troca de showrunners não pareceu muito positiva em sua primeira recepção – Angela Kang, que veio a substituir Scott Gimple no cargo, chegava acompanhada de um currículo desequilibrado dentro de seus créditos na série. Era este o fim de The Walking Dead?

Respondendo curta e grosseiramente: Sim. Mas não necessariamente o fim da série que uma audiência apaixonada aprendeu a amar no começo da década, mas sim da quase irreconhecível novela de ação que predominou os anos de 2016-2018 sob o mesmo pseudônimo. Angela Kang, em 16 episódios, revigorou uma série que, acredite ou não, estava fadada ao fracasso.

Mas a grande questão é: como ela fez isso com tantos obstáculos? Quais foram as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica? É isto que esta análise audiovisual irá lhe responder hoje.

O TOM

The Walking Dead é uma série dramática de horror, certo? Isso todos já estão cansados de ouvir e ler em todo lugar.

Apesar de nove anos no ar, a série da AMC só conseguiu manter seu público atento e fiel graças ao elemento humano que entregou ao longo de sua trajetória. Conseguir a afeição do público para com a história não depende apenas de vísceras e matança, mas sim de personagens e situações relacionáveis, sentimentais e provocativas. Rick, Maggie, Michonne, Daryl, Carol e todos os outros membros do grupo dos “mocinhos” sempre tiveram isso, e foi a ideia de uma família totalmente disfuncional sobrevivendo no inferno que manteve o público cativo por anos e anos.

Mas o que fazer com uma série que terminou sua oitava temporada tendo seu principal elemento de afeto com o público danificado? Pense bem: apesar do fim da guerra e de todos se unirem para um novo começo, a estrutura familiar e RELACIONÁVEL da série ainda estava danificada – Maggie, Daryl e Jesus até aparecem tramando, de forma risivelmente vilanesca, contra Rick e Michonne no fim do episódio S08E16 – “Wrath” (Ira).

Nas mãos da pessoa errada, as coisas só teriam derrapado a ponto de destruir toda a história para sempre. Lembrem-se: a série estava prestes a perder Rick literalmente 17 episódios depois da morte repentina de Carl. Mas foi aí que Angela Kang entrou e, queira admitir ou não, salvou The Walking Dead.

A primeira mudança da nova produtora-executiva foi trazer um frescor à série: um salto temporal, novas locações, novos ideais e costumes que, aos poucos, foram implementados à franquia. Abraçada num tom WESTERN/HORROR, Kang trouxe ao roteiro da série um senso medieval de imprevisibilidade, testando os instintos de sobrevivência dos personagens em relação ao ambiente e demais “colegas” ao limite – uma ferramenta útil não somente para a construção de mundo, como também para a de personagens.

OS PERSONAGENS

Lembram quando Carl Grimes invadiu o Santuário de Negan, metralhou Salvadores e apareceu dizendo que “toda vida era preciosa” 8 episódios depois? É, infelizmente não foi um surto coletivo, apenas a péssima construção de personagem/roteiro durante a oitava temporada da série.

Angela Kang chegou ao comando de The Walking Dead com este tipo de instabilidade de escrita nas motivações e personalidades dos principais personagens. Teria sido muito fácil usar o salto temporal como muleta narrativa para mudar a essência dos principais personagens do show: se Gimple fazia isso em questão de poucas horas, por que não em um ano, certo? Novamente, a showrunner se sobressaiu e trouxe a tona algumas das melhores construções de personagens da história da série.

O destaque da temporada neste quesito fica por conta dos fantasmas da guerra contra Negan que a showrunner e seu ótimo time de roteiristas usaram na hora de não somente definir o estado do seu elenco, mas de situá-los em arcos próprios e conjuntos.

Em cinco episódios, Kang fez com que as trajetórias de Rick e Maggie tivessem mais consistência do que os 16 da oitava temporada – que viveram em tropeços e mudanças bruscas de comportamento. Em uma temporada completa, Michonne, Carol e Daryl evoluíram o equivalente a 6 anos (literalmente): de decisões a ações, o trio “protagonista” da era pós-Rick passou de personagens que sustentavam-se pelo carisma de seus atores a nomes de peso e extrema relevância.

O elenco coadjuvante, por sua vez, também não fica para trás: Ezekiel, Anne, Enid, Negan, Henry, Jesus e tantos outros personagens sobem na escala narrativa e recebem um real propósito. E mesmo aqueles que perdem espaço de tela devido às mudanças necessárias para a limpeza da casa (Rosita, Tara, Cyndie, Gabriel, Siddiq, Alden), ainda assim possuem uma história palpável, que geram consequências e fogem do corriqueiro “filler” de anos anteriores: não há mais exaustivas reflexões existenciais que não levam a lugar nenhum.

Entrando como um experimento e conduzindo os telespectadores a nova era pós-Rick do show, é impossível sair sem comentar um dos maiores trunfos do ano: a chegada de novos personagens. Ao adicionar novos rostos no time principal e mesclá-los em tramas relevantes e de primeiro escalão, o roteiro fez com que o ar de “protagonismo definido” da série se dissolvesse de vez e estreasse um senso de assembleia como nunca antes visto: Magna, Yumiko, Luke, Connie, Kelly e Lydia (além dos Sussurradores, que serão abordados mais a frente) acolhem novas facetas de personalidade, representatividade e, principalmente, conceito.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P1 (EPISÓDIOS 1-5)

PRÓLOGO OU EPÍLOGO?

Angela Kang chegou para trabalhar na nona temporada com uma bagunça gigantesca para lidar em suas mãos. Não apenas as saídas de Rick e Maggie deveriam ser feitas com real propósito, como todas as sementes pelo final da storyline de Negan e Os Salvadores deveriam cultivar consequências reais para não passarem de desperdício – o que, infelizmente, foi a percepção de muitos daqueles que desembarcaram da jornada ao longo dos anos 7 e 8.

Mudando totalmente o tom e se apegando ao que fez as primeiras temporadas da série um sucesso, a nova showrunner e seu esquadrão delimitaram The Walking Dead de volta ao básico: um drama sobre uma família disfuncional vivendo no apocalipse zumbi. O grande diferencial aqui estava no contexto que esta história seria inserida: agora eles não querem apenas sobreviver, mas VIVER neste mundo. Criar laços. Uma sociedade de verdade. E é aí que está o maior acerto de todos.

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Carol vai assumir o arco de Michonne na 10ª Temporada de The Walking Dead

A New Beginning” é o primeiro episódio da história da série sob a tutela geral de Angela Kang. Da abertura ao encerramento, várias das facetas estilísticas da roteirista são empregadas com sucesso, desencadeando em uma série de conceitos que há anos The Walking Dead não conseguia ver: dos diálogos humanos e sem reflexão/exposição barata ao comportamento coletivo do grupo, todos os minutos aqui importam e o foco está novamente nos personagens e no modo que estes contemplam sua existência, objetivos e relações diante os desafios de uma sociedade caída.

Dentro desta cadeia narrativa, Rick Grimes e Maggie Rhee tornam-se os principais protagonistas da história, abrindo uma trama política densa sobre suas lideranças e os modos distintos de viver após a queda ditatorial de Negan. Apesar de discordarem em inúmeros parâmetros, o que poderia ser uma briga novelesca dos anos anteriores dá espaço a um debate ideológico esclarecido e bem resolvido entre dois ótimos personagens com percepções distintas e semelhantes nos mesmos níveis – ambos querem construir um bom futuro para seus filhos (Hershel Jr. e Judith Grimes) em honra da memória de pessoas amadas (Glenn Rhee e Carl Grimes).

O grande trunfo aqui, todavia, está no modo como toda reação gera uma consequência impactante não apenas para os personagens, mas para a história geral; Um exemplo: o enforcamento de Gregory leva Oceanside a buscar justiça com as próprias mãos, que levam Maggie e Daryl a burlarem o acordo com Rick e Michonne quanto ao destino de Negan. Nada mais é por acaso. Ações possuem peso e impactam os personagens, motivações e anseios.

Após sumirem e perderem relevância por mais de dois anos, esta nova fase de The Walking Dead também trouxe de volta os zumbis como um ponto além de ferramenta estética para mortes satisfatórias repletas de gore.

Quase como piada, as criaturas, quando não em bando, são usadas em momentos específicos para mostrar a falta de perigo aos sobreviventes neste ponto do apocalipse – no primeiro episódio, Siddiq se assusta mais com as aranhas saindo de uma das criaturas, do que com a própria. O curioso é que, apesar de parecer gratuito no começo, o roteiro é sagaz para conduzir um pensamento errôneo em relação aos mortos-vivos, que mais tarde – na mesma temporada – receberão um “twist”. Novamente, causa e consequência estão sempre andando lado a lado.

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No saldo final, os cinco primeiros episódios constituem um pequeno epílogo para a história contada durante os 8 primeiros anos de The Walking Dead. Angela Kang, com maestria, conduz uma pequena temporada que serve como o final real de um grande capítulo. A saída de Rick, em “What Comes After“, é a maior prova disso, carregando um ar de series finale em toda a sua épica escala – que carrega muito mais que simbolismo barato, condensando uma reflexão profunda e um admirável estudo de personagem. E, é claro, a ironia de Rick partir na mesma ponte que começou a construir no começo da temporada é apenas outro exemplo de causa e consequência no seu ápice.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P2 (EPISÓDIOS 6-16)

Seja motivo ou piada para fingir choque, saiba que um formato estrutural padrão de filmes de 2h foi aplicado no decorrer de, literalmente, 32 episódios completos de 50 minutos durante os anos 7 e 8 de The Walking Dead.

Mas o que importa é que águas passadas não movem moinhos, certo? Quase! E se alguém lhe contasse que a nona temporada e a sétima são, em partes, literais espelhos uma da outra? Pois é. A diferença aqui é o modo como ambas as formas estruturais foram idealizadas e abordadas pelos executores, e como uma falhou miseravelmente, enquanto a outra alcançou prestígio.

Com todas as peças posicionadas e prontos para começarem de vez uma série totalmente nova, Angela Kang e seu time de roteiristas tinham como real propósito reintegrar uma audiência geral a um começo ainda mais novo que aquele de seu prólogo/epílogo de 5 capítulos.

Who Are You Now“, embora não aparente, possui um dos roteiros mais importantes de todo o currículo da série. O motivo para esta denominação vem do ponto abordado no parágrafo anterior: a reintegração da audiência em relação ao universo. O episódio 06 serve, praticamente, como o piloto de uma nova The Walking Dead: há um novo tom, uma nova perspectiva e, é claro, novos protagonistas.

Escrito por Eddie Guzelian, o capítulo segue um molde fora do comum para este mesmo período em temporadas passadas. De forma fluida e coesa, personagens, situações, mistérios e sementes de arcos são plantados no decorrer de seus 50 minutos de duração.

O maior mérito, todavia, aparece com a forma escolhida para unir este emaranhado: Angela Kang (e Guzelian) estabelece(m) um monólogo para Michonne logo no início do capítulo – o famoso “cold opening”, antes da abertura – para relembrar a audiência de que este ainda é o mesmo universo, mas que, apesar de todos os fantasmas ainda assombrarem a vida dos sobreviventes (Daryl, Mich e Carol, particularmente), agora o foco é seguir em frente. Abre-se espaço então para um contraste muito bem construído entre o grupo liderado por Magna e, é claro, a pequena Judith Grimes, agora crescida, que exploram uma nova Zona Segura de Alexandria, e o Reino de Ezekiel, que parece estagnado aos mesmos personagens – apesar de um Henry 6 anos mais velho – e a um passado de ruínas, que estão desmoronando aos poucos.

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Após um longo foco na segurança dos muros e na estabilidade da vida nesta nova era, Kang apresenta um mistério feito com timing construído de forma crescente e bem conduzido: afinal, como todo o resto da série, estariam os zumbis evoluindo também? Permeando por três episódios (6,7 e 8), a ameaça dos doentios Sussurradores resgata um clima de terror nostálgico das décadas de 60 a 80, trazendo as criaturas sanguinárias de volta ao patamar de perigo extremo. Com a ajuda de David Leslie-Johnson, conhecido pelo universo da franquia “Invocação do Mal”, The Walking Dead entra num território de terror/suspense/horror há tempos não explorado, e faz isso com sucesso.

A revelação proposital da ameaça, feita com a morte inesperada de Jesus, só é chocante graças ao ótimo trabalho feito pela construção do roteiro – unido, é claro, ao poder da direção, que será abordada em um artigo futuro.

E é neste ponto que a comparação feita no início deste tópico começa a fazer sentido: a sétima e a nona temporada são, em essência, idênticas. A grande diferença está na escrita, que nas mãos do novo time entrega um desenvolvimento árduo e equilibrado de causa e consequência.

A introdução de Alpha, por exemplo, é feita de forma tão sádica e misteriosa quanto a de Negan: mas enquanto este foi ameaçador por apenas dois episódios, a vilã de Samantha Morton fez jus ao manto de antagonista do episódio 9 ao 16, mesmo estando ausente na maior parte destes. A aura sinistra do grupo foi trabalhada a fundo em seu conceito, mas não só em seu lado psicológico ou sádico: o temor de encontrar uma horda sem saber se é de “mortos”, por exemplo, permeia até os últimos minutos da season finale, “The Storm“. Há um equilíbrio na sensível escrita da nova showrunner, e é isto que levou a segunda parte da nona temporada às listas de mais memoráveis da série inteira.

E para finalizar esta notável amostra de boa-condução narrativa da temporada, há de se comentar sobre duas pérolas do nono ano, e dois dos melhores episódios da história da série: “Scars” e “The Calm Before“. Duas entradas COMPLETAMENTE DISTINTAS em termos de narrativa e condução, mas com poder relativamente igual em termos de desenvolvimento, ação, consequência e impacto.

“Scars”, escrito pela estreante Vivian Tse, é o 14º episódio da nona temporada e aproveita a recente introdução da personagem Lydia para trazer à tona lapsos de eventos do período que marcou o salto temporal de seis anos.

Praticamente protagonizado por Michonne, os 45 minutos contrastam o sentimento de culpa e temor da personagem pela perda/desaparecimento de sua filha no passado e presente, que acaba fora dos muros e em perigo graças a decisões tomadas de cabeça quente e por falta de conversa.

O poder da escrita nesta entrada não está apenas no desenvolvimento da personagem de Danai Gurira, que é excepcional, mas sim no modo como lida com as consequências da busca pela garota: em ambos os casos, Michonne foi obrigada a passar por um teste psicológico que a muda para sempre. No primeiro, que é chocantemente visceral, é forçada a matar um grupo de crianças, enquanto no segundo, é forçada a se abrir pela primeira e vez e desabafar sobre seus sentimentos com a filha, o que nunca foi fácil para a guerreira.

No fim das contas, “Scars” resgata o senso de uma história conduzida por personagens humanos, e não por ações ou prescrições dos quadrinhos.

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Já “The Calm Before”, escrito pela dupla Geraldine Inoa e Channing Powell, é o típico episódio evento de The Walking Dead. Ou melhor: o típico episódio evento feito da maneira certa.

Em um ponto crítico a ser adaptado das HQs de Robert Kirkman, Kang orienta o roteiro de Inoa e Powell usando uma técnica de “bomba-relógio”: enquanto a feira ocorre normalmente no Reino para unir as comunidades, Alpha se infiltra no local, onde passa a analisar friamente o comportamento dos sobreviventes e seu senso organizacional. Apesar de sua construção lenta, o senso de instabilidade é presente durante toda a projeção, e o pagamento entregue no último ato é desolador e excruciante em inúmeros níveis: 11 personagens conhecidos do público são decapitados e expostos em estacas na delimitação de território dos Sussurradores.

O evento é grotesco e tão bem executado que, quando acontece, mantém um ar de desconforto e luto que honra o fato de “The Calm Before” perambular entre os 15 episódios mais bem avaliados da história da série de acordo com o IMDB.

SALDO FINAL

É óbvio que ainda existem algumas pequenas falhas aqui e ali, mas isso faz parte do universo da escrita televisiva. Pequenos problemas de senso geográfico, por exemplo, são esquemas difíceis de buscar desvio desde os primórdios de Walking Dead, e por isso já soma muito mais como uma licença poética neste atual ponto.

No fim das contas, The Walking Dead revigorou-se e finalmente se encontrou depois de tantos anos no ar. Agora resta torcer para que Kang continue a trabalhar personagens, conceitos e trama a altura de seu potencial como showrunner – pois, se isso for um indicativo, a série ainda pode entregar um satisfatório final.

A primeira parte da 10ª temporada de The Walking Dead chega no Brasil a partir de domingo, 6 de outubro, às 22h, no FOX Channel.

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