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Comparação SÉRIE vs HQ: The Walking Dead S09E01 – “A New Beginning”

Vinícius Castro

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ATENÇÃO: O post a seguir contém SPOILERS dos quadrinhos e da série de TV. Não continue caso não esteja em dia com ambos. Você foi avisado! 

Após muita espera, The Walking Dead finalmente voltou para a sua nona temporada. Mesmo apresentando uma premiere menos “explosiva” em comparação aos últimos anos, A New Beginning não deixou de ter momentos de tirar o fôlego, adaptando também painéis clássicos dos quadrinhos originais de Robert Kirkman.

Com a ajuda da Skybound, fizemos uma comparação entre a série de TV e as HQs. Confira:

SALTO TEMPORAL

Além de servir como um dos pontos mais chamativos entre a transição de uma temporada para a outra, o grande salto temporal da série de TV não apenas revigorou a história esteticamente, como também abriu novos horizontes para narrativas ainda não exploradas. Além do período escolhido para este avanço no tempo, a diferença mais gritante entre as duas mídias é a ausência de Carl Grimes.

SÉRIE DE TV: Mais ou menos dezoito meses após o término da guerra contra Negan, a nona temporada começa mostrando os sobreviventes totalmente mudados em relação ao mundo pós-apocalíptico. Com a ajuda do livro “A Chave”, entregue pela misteriosa Georgie à Maggie, as comunidades reequiparam-se estruturalmente, tornando-se auto-sustentáveis e colaborativas umas com as outras, formando inclusive algumas rotas organizadas de locomoção.

Com o fim da tirania de Negan, Rick, ainda carregando a dor da perda de Carl, agora é visto como uma lenda viva pelos demais sobreviventes, mas não se encontra mais tão envolvido na parte política das comunidades – o que fica a cargo de Michonne. Maggie, por sua vez, venceu Gregory nas eleições e fortaleceu sua liderança em Hilltop, além de ter finalmente dado à luz. Em adição, Daryl agora lidera o Santuário com a ajuda de Laura, Rosita e Eugene, enquanto o Reino continua sob os cuidados de Carol e Ezekiel.

HQs: Apesar de também ocorrer nas páginas, o salto temporal, que começa  a partir da edição 127, pula muito mais que um ano e meio no tempo desde o fim da guerra. Carl, antes uma criança, agora é um adolescente, enquanto Rick em muito lembra o velho Hershel. Em Hilltop, embora Maggie ganhe à luz e consiga a liderança da comunidade, nada ocorre de forma democrática, com o local sendo praticamente “tirado” das mãos de Gregory.

O BEBÊ HERSHEL

SÉRIE DE TV: Após a maior gestação da história da televisão, que durou nada menos do que três temporadas, Maggie Rhee finalmente ganhou seu tão esperado filho com Glenn. Aparentando ter em torno de oito meses de vida, a criança recebeu o nome de Hershel em homenagem ao avô.

HQs: Sendo introduzido pela primeira vez na edição 130, o filho de Maggie também nasce durante o salto temporal pós-guerra. Contudo, com a diferença de tempo sendo maior, a criança já aparenta ser bem mais velha que sua contraparte televisiva.

KEN E MARCO

Mesmo sendo dois personagens conhecidos dos quadrinhos originais, Ken e Marco tiveram uma apresentação/personalidade/destino um tanto quanto diferente na série de TV.

SÉRIE DE TV: Somos introduzidos aos novatos Ken e Marco logo no início do episódio, quando Daryl une o grupo de sobreviventes para uma busca por suprimentos em Washington D.C.

Ambos residentes de Hilltop, Ken é conhecido na comunidade por sua proatividade, quietude e bondade com todos, sendo filho de outros dois sobreviventes chamados Tammy e Earl.

Após um descuido no retorno para casa após a ida a Washington, Ken é mordido no braço e acertado em cheio com uma patada de cavalo, que o leva a óbito. Em Hilltop, a notícia atinge os pais do garoto de forma avassaladora, que mais tarde o velam em uma cerimônia com direito até mesmo a cantoria por parte de Alden.

HQs: Este é mais um daqueles casos onde os personagens da série só possuem o nome e pouquíssimas outras características de suas versões impressas.

Apesar da visita ao museu em Washington não existir nos quadrinhos, Ken e Marco ainda são dois sobreviventes “preparados” que passam a viver em Hilltop durante o salto temporal. Embora ambos sejam igualmente proativos na comunidade, o Ken dos quadrinhos não é filho de Tammy e Earl e sobrevive até a chegada dos Sussurradores.

RICK E MAGGIE

SÉRIE DE TV: Sendo um dos maiores destaques da premiere, o embate de ideologias entre os personagens de Andrew Lincoln e Lauren Cohan chamou atenção pela sua naturalidade e desenvolvimento muito menos “literal” daquele esperado após o “cliffhanger” deixado na season finale envolvendo Maggie, Jesus e Daryl. (inclusive, comentamos sobre isso aqui.)

Após a missão até D.C. e o Santuário, Rick e Michonne encontram-se a caminho de Hilltop para encontrar Maggie ferida após eventos quase fatais na noite anterior.

Na varanda da mansão, o líder de Alexandria brinca com Hershel Jr. e aproveita para convidar Maggie a uma visita em Alexandria para ver a pequena Judith. Deixando muito claro seu motivo para recusar o convite, Maggie ainda ressalta a Rick suas razões em não estar ajudando o Santuário com suas necessidades de suprimentos, alegando que deixá-los vivos após a guerra já foi o suficiente.

HQs: Michonne sai em uma missão de auto-descoberta durante o salto temporal, então é Carl quem faz companhia a Rick até Hilltop.

Apesar de ainda manterem ressalvas em relação aos métodos de liderança um do outro, o encontro dos dois líderes é muito menos tenso e provocativo do que aquele visto na série de TV, com direito apenas a uma conversa mais centrada em relação ao andamento das comunidades.

TAMMY E EARL

Interpretado pelos ótimos John Finn e Brett Butler, o casal residente de Hilltop, Earl e Tammy, teve um papel fundamental para o desenrolar do primeiro episódio da nona temporada.

SÉRIE DE TV: Enquanto Earl traz basicamente todas as características do personagem conhecido como Morton nas HQs, Tammy carrega o maior trunfo da personagem homônima dos quadrinhos: o amor de uma mãe fervorosa. Extremamente abalados com o choque da notícia da morte do filho, Ken, durante a busca por suprimentos, os pais são mais tarde manipulados por Gregory para uma tentativa (frustrada) de executar Maggie, que acaba por resultar na prisão de Earl.

HQ: Introduzidos na edição 135 dos quadrinhos, Tammy e Morton Rose são um casal residente de Hilltop e pais de Brandon, um garoto de 15 anos. O destaque a seus personagens surge ao buscarem justiça com Maggie após o filho, que vivia implicando com Sophia (sim, a filha de Carol), ser brutalmente atacado por Carl e acabar em coma.

Apesar da trama parecer com a vista no drama da AMC, já que correlaciona-se a relação pai/filho, em nenhum momento este acabou sendo o principal fator para a morte de Gregory, por exemplo.

A CARTADA FINAL DE GREGORY

Gregory foi um filho-da-p*** nas duas versões, e em ambas tentou eliminar Maggie para tentar tomar posse de Hilltop novamente. Apesar disso, seus métodos foram um tanto diferentes.

SÉRIE DE TV: Como já mencionado antes, Gregory usou a morte de Ken (e o alcoolismo) como artifício(s) para Earl matar Maggie na calada da noite, atraindo-a ainda para a execução proximamente à cova de Glenn.

Na hora de pôr o plano em prática, entretanto, o máximo que Earl consegue é ferir Enid e deixar Maggie com um corte grave na cabeça, sendo parado imediatamente por Cyndie e Alden. Como se a covardia de ficar longe da tentativa de assassinato não fosse o suficiente, Gregory ainda tenta esfaquear Maggie em seu trailer, só para acabar ofegante em busca de misericórdia minutos depois.

HQs: Para a adaptação bombástica vista na televisão, a série usou um remix de duas idéias vistas nas páginas em preto e branco.

Como na TV, Gregory também usou o alcoolismo de um personagem – Morton – para induzi-lo ao assassinato de Maggie, porém recebeu um “não” como resposta, tendo que agir por sua própria conta. Assim sendo, o velho tenta envenenar a atual líder de Hilltop com um drink, mas graças a Jesus (o personagem, não a figura religiosa) e a dosagem errada – que rende a frase “Você não sabe nem ENVENENAR alguém direito!” -, o plano sai fora do esperado e ele acaba na prisão por um tempo.

A segunda ideia, entretanto, ocorre mais tarde nos quadrinhos, quando Morton (o marido de Tammy) e seu amigo Vincent tentam atacar Rick de uma forma muito similar àquela vista na série com Maggie, com direito até mesmo a um capuz para manter a identidade em sigilo. A única diferença aqui é que as coisas acabam de uma forma muito mais sangrenta…

A EXECUÇÃO DE GREGORY

Gregory é um personagem que, mesmo que em contextos diferentes, recebeu o mesmo fim de sua versão dos quadrinhos na adaptação live-action.

SÉRIE DE TV: Após a tentativa frustrada de assassinar Maggie, Gregory é levado à forca já na noite seguinte. Ele é observado pela comunidade inteira (além de Rick e Michonne) enquanto implora por misericórdia. Em um momento belamente dirigido e chocante, Michonne tenta ainda proteger a inocência de duas crianças que chegam no meio do bárbaro evento, mas é tarde demais, já que a execução é posta em execução, com Maggie ainda afirmando que aquilo não acontecerá de novo, mas que crimes precisam ter a punição certa.

HQs: Gregory é igualmente enforcado nos quadrinhos, mas o evento ocorre muito depois na linha temporal da história. De fato, o velho fica preso por um longo período tentando provar sua inocência, até que Maggie finalmente cria coragem para pôr seu plano em prática, decidindo que crimes precisam ter a punição certa. O discurso é parecido com a série da TV, alimentando a ideia de que as pessoas deveriam trabalhar COM ela, e não contra.

O QUE NÃO ACONTECE NAS HQS:

Agora que você já sabe praticamente TUDO que aconteceu de forma similar aos quadrinhos, saiba o que foi feito exclusivamente para a série de televisão:

– A visita ao museu em Washington;

– O casal formado por Carol e Ezekiel – nos quadrinhos, a mãe de Sophia está morta desde a prisão e o rei tem um romance com Michonne, enquanto Rick fica com Andrea;

– A ponte destruída pelo temporal e pela horda;

– O funeral de Ken;

– Daryl, Jerry, Enid, Jadis/Anne, Alden, Tara e Cyndie: todos personagens criados somente para a TV;

Notou mais alguma semelhança com os quadrinhos? Qual foi sua adaptação favorita? O que você faria diferente? Compartilhe conosco nos comentários.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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