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The Walking Dead: Meia década de walkers

Carlos Knewitz

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“O tempo passa e o homem não percebe.”Dante Alighieri.

É com a frase de Alighieri, influente pensador e poeta da era italiana que dou inicio a essa discursiva. O tempo, querido walker, pode ser cruel e nos levar a lugares inimagináveis. O tempo passa e não percebemos, levando consigo nossas histórias e consequentemente montando para nós novos cenários para o futuro.

Tomando por base o tempo de cinco anos – ou sessenta meses, ou ainda mil oitocentos e vinte e cinco dias – podemos pensar em quem nós éramos e quem somos. Pode ser que tempos atrás éramos cheios de tantas coisas, tínhamos tudo o que queríamos e parecíamos muito felizes com isso. Ao passar dos dias, meses ou anos, nos vimos perdendo cada uma dessas coisas e lutamos para mantê-las. Mas hoje percebemos que perdendo cada uma dessas, que foram e são importantes na nossa história, pudemos nos tornar quem somos hoje, totalmente fortes e preparados.

Talvez, ao refletirmos sobre o passado, lembremos que cinco anos atrás não éramos ninguém, ao menos aos olhos dos outros. Cinco anos atrás podíamos ser a pessoa para quem os outros olhavam e pensavam que nada poderíamos fazer. Éramos indefesos, falhos e fracos. Nossas emoções e sentimentos superavam a razão e a vontade de fazer. Contudo, com o passar do tempo e com as adversidades que enfrentamos fomos nos fortificando, nossos sentimentos nos tornaram forte e toda a dor que um dia passamos hoje nos constitui pessoas insubstituíveis.

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Podemos ser ainda daqueles que cinco anos atrás eram totalmente imaturos, quem sabe fôssemos daqueles que nada entendiam sobre a vida e apenas esperavam a proteção dos outros. Mas o tempo pesou e o passar dos dias nos cobraram amadurecimento instantâneo. Tivemos que crescer, não porque quisemos, mas porque necessitamos crescer. Deixamos para trás nossa imaturidade, abdicamos da vida de irresponsabilidades para sermos aqueles que estão um passo a frente dos nossos semelhantes.

Cinco anos atrás podíamos ser cheios de habilidades, inteligentes, prontos para tudo e o passar do tempo só nos fez intensificar o uso dessas habilidades. Tornamo-nos mais maduros, mas nossas habilidades natas nos colocaram sempre em frente dos outros e conquistamos nosso lugar em meio à multidão. Tornamo-nos necessários por aquilo que somos e sabemos fazer.

Por fim, podemos ser daquelas pessoas que naquele tempo éramos cheios de preconceitos, de rebeldia, que não queriam compreender o mundo e preferiam a solidão. O tempo passou para nós, fomos vendo o quanto mal o preconceito fez para nós mesmos e que é impossível lutar sozinho. Hoje é admirável nossa impossibilidade de não ter alguém com quem lutar e para quem lutar. Damos tudo o que nós temos para defendermos aqueles que amamos.

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Talvez, caro walker, você esteja desorientado com o conteúdo do texto e com a incompatibilidade que ele apresenta com o assunto que você está acostumado a buscar por aqui. Na verdade, desde o início falo da nossa série. Os parágrafos acima citam as personalidades e transformações dos cinco sobreviventes de Atlanta: Rick, Carol, Carl, Glenn e Daryl. Esses cinco personagens estão conosco desde o começo. Cada um deles faz parte de nós e talvez, nos identifiquemos com cada um deles.

É incrível que tenhamos exatamente cinco personagens vivos (restam ainda dúvidas) desde o início para comemorarmos os cinco anos da série. Sim, passaram-se cinco anos desde o coma de Rick, ao menos para nós. São cinco anos, ou sessenta meses ou ainda mil oitocentos e vinte e cinco dias de The Walking Dead. Até o momento são 70 episódios assistidos – contando com o doloroso episódio da semana passada, 25 de outubro.

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Nesse tempo todo pudemos ver nosso xerife se transformando em um indomável sangue frio, disposto a tudo pelo seu grupo. Vimos à fragilíssima Carol receber a entidade maligna e se tornar o mais próximo do diabo na terra. Vimos o durão e bad boy, Daryl Dixon, chorar e permitir-se sentir. Acompanhamos o magnifico crescimento de cabelo de Carl ao mesmo tempo em que ficamos no aguardo da puberdade de Glenn chegar para que sua barba crescesse.

São cinco anos de histórias que só nós – independentemente de quem acompanha desde o início ou pegou a série pela metade – podemos contar. Cada um de nós sentiu muito com as perdas, nos revoltamos com os rumos que por vezes grandes personagens tomaram (saudades Andrea) e vimos um sorriso se formar ao mesmo tempo em que nossos olhos se embaçaram com lágrimas quando vimos cenas no maior estilo Baby Looney Tunes (tipo aquela cena maravilhosamente maravilhosa do reencontro de Carol com o grupo no início da quinta temporada).

São histórias que são próprias de cada fã. Cada um de nós tem um porquê específico de acompanhar a série. Alguns acompanham por não terem nada a fazer, outros pelo fato de The Walking Dead ser o nome do momento (momento cumprido esse, né galera?), ou por verem na série algo representativo para nossa vida, ainda por puderem inspirarem-se na trajetória e dramas dos personagens. O fato é que cada um de nós, por nossas histórias com a série, faz de The Walking Dead muito mais que um simples programa de TV. Tornamos tudo isso vivo em nós, algo que marca nossa vida e nos faz seguir em frente.

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Nesse tempo declaramos nosso amor por Robert Kirkman, ao mesmo tempo em que o odiamos. Amamos Frank Darabont, adoramos odiar Glen Mazzara (te odeio, Glen – só pra não perder o hábito) e enaltecemos Scott M. Gimple com sua brilhante dedicação a adaptar os quadrinhos para a TV. Juramos amor eterno a personagens que logo depois nos decepcionaram e odiamos personagens que hoje ocupam todo o espaço do nosso coração. Fizemos de tudo pela morte de Lori, mas quando ela chegou, nosso coração foi dilacerado. Reclamamos da inutilidade de alguns, mas quando chegou a hora do adeus a eles, vimos nossa glândula lacrimal em pleno funcionamento.

Sofremos todos os dramas de nossos personagens. Passamos semanas nervosas ao aguardo do próximo episódio e quase morremos nos hiatos de uma mid-season ou de temporada pra temporada – ainda mais quando esse hiato nos deixava com dúvidas terríveis ou sem respostas claras. Aliás, sofrer é algo que está intrínseco a ser fã de The Walking Dead. Há uma ordem cósmica que especifica que todo o walker deve ser sofredor. Mas é isso que nos alimenta, corremos atrás do quanto mais nós podemos sofrer. Sempre queremos mais uma dorzinha no coração, uma taquicardia ou uma lágrima escorrendo do nosso olho.

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The Walking Dead é tão grandioso por vários motivos e se diferencia por um desses: formou uma família. Todos nós já vimos como funciona o elenco. Nomes como de Andrew Lincoln, Danai Gurira, Norman Reedus, deixam famílias, negócios e tudo mais para trás para se dedicarem totalmente à série. Passam meses dentro dos estúdios, das matas, passando frio e calor para que a série funcione. A falta da família acabou por aproximar os atores e eles demonstram todo o seu amor e carinho uns pelos outros, sejam nas declarações totalmente emocionantes ou nas brincadeiras nojentas (alô, Norman Reedus). Nós vemos uma compatibilidade estrondosa entre eles. Eles nos fazem querer fazer parte disso e nos incluem de forma amistosa em suas vidas. Há um diferencial nesses atores, pois a humildade e a vontade de demonstrar que estamos todos na mesma instância, no mesmo degrau e o carinho que eles respondem aos fãs, fazem deles um algo a mais. Nós somos The Walking Dead.

Não, desculpe as outras aclamadas séries, mas não consigo pensar em qualquer outra que tenha chegado a esse ponto. Ao ponto de ter um elenco tão unido e tão família que quando um personagem morre há uma comoção do elenco. Eles intercedem junto aos produtores uns pelos outros. Já vimos Norman, por exemplo, implorando pela personagem Carol, depois por Beth. Eles realmente se importam em estarem juntos. Isso é tão verdadeiro que Laurie Holden (Andrea), disse em entrevista que há uma dor enorme em seu coração por não poder mais viver o dia-a-dia com os colegas. Ela classificou aquele como o seu melhor trabalho, não porque acredite que foi brilhante em atuação (o que de fato foi), mas porque toda a equipe criava nos estúdios a sua própria casa.

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Nós passamos pelos mais diversos cenários nesses anos. Vimos à grandiosa Atlanta devastada em duas oportunidades. Vimos à calmaria de uma fazenda no interior. Presenciamos momentos em que nossos personagens preferiam tornarem-se prisioneiros para terem o mínimo de segurança. Estivemos nas matas e nas ruas. Nem um local está seguro, isso foi comprovadíssimo nesse tempo.

Nós, walkers, aprendemos. Aprendemos que o ser feliz para sempre é algo questionável. É necessário dor para que a felicidade seja buscada com esperança, o que não se pode é desistir. Aprendemos que para sermos melhores para nós mesmos e para os que estão perto de nós, às vezes é necessário perder. Nas perdas nós damos espaço para que os nossos sentimentos maturem e tornem-se nossas forças. Aprendemos que mesmo em tempos difíceis há espaço para o amor e nunca é tarde para acreditar nele. Aprendemos que pessoas totalmente diferentes podem conviver juntas, podem lutar juntas e podem desenvolver uma semelhança: um vínculo inquebrável de companheirismo. Estar exposto à dor nos faz ser tratáveis e ser tratáveis nos faz crescer. Talvez hoje nós sejamos suprimidos pela força opressora de outro, mas mais pra frente, toda essa opressão tornar-nos-á os inquebráveis e aprenderemos a agirmos por nós mesmos, descobriremos nossas qualidades e as usaremos para protegeremos todos a todo o custo, mesmo que questionáveis.

Nós comemoramos meia década de existência da série com a certeza de que iremos continuar crescendo. Compartilharemos muitas dores e desilusões, vibraremos com muitas cenas. Teremos alguns ataques de carisma por personagens e logo depois iremos detesta-los. Vamos urrar de raiva do showrunner (Scott, continue! Eu nunca te pedi nada.) a cada personagem que se for, mas vamos ama-lo pelo mesmo motivo também. Vamos protestar, brigar e detestar quem falar mal dos nossos personagens favoritos. Vamos gastar todo nosso salário comprando itens da série e nos prometeremos que nunca mais o faremos, mas no primeiro lançamento de qualquer produto, lá estaremos nós colocando itens no carrinho. O mais importante de tudo é que: WE ARE THE WALKING DEAD! Esperemos alcançar a década cheia, porque The Walking Dead com toda a certeza não é perda de tempo.

Agora, abrimos espaço nos comentários abaixo para que vocês nos contem suas histórias com a série. Qual o momento de maior dor? Com que personagem você se identifica? The Walking Dead te ajudou em algum momento? Como você conheceu a série e o que te faz ser um fã? Até onde você iria se fosse um dos personagens? Você se sente parte dessa família? Conte-nos, estamos curiosos pelas suas histórias.

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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