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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Lew Temple (Axel)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Lew Temple.

Rafael Façanha

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arte com Lew Temple e Axel para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Lew Temple in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Lew Temple, intérprete de Axel durante a 3ª temporada. O ator nos contou curiosidades sobre seu teste de audição para a série, as lembranças que ele tem das gravações, o relacionamento entre Axel e Carol, como foi trabalhar com Andrew Lincoln e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Lew Temple:

Primeiramente, parabéns por fazer parte de um projeto grandioso como é The Walking Dead. Como é ter participado de uma produção desta magnitude?

Lew Temple: Obrigado. Foi uma experiência incrível por muitos motivos. O maior motivo provavelmente foram as amizades que fiz enquanto estava no set. São pessoas que sempre terei comigo. Isso foi o que levei da minha experiência com The Walking Dead. Eu não tinha ideia quando entrei na série, o quão grande era. Eu sabia que era popular, mas a visibilidade que me deu foi um pouco esmagadora no começo. Acho que foi para todos nós. Realmente uma experiência incrível. Fui realmente convidado a fazer parte da família quando cheguei. O trabalho foi tão solidário e validador. Eu acho que é por isso que a série é tão boa, porque todos estão puxando o mesmo lado da corda para fazer um grande programa.

A série está completando 10 anos em 2020. Você contribuiu com a história, tanto da série, quanto da vida de muitos fãs. Todos esses anos no ar tem um propósito, como parte do elenco, a que você credita essa longevidade?

Lew Temple: Bem, certamente as histórias em quadrinhos ajudam a estabelecer a base para a linha da história. Eu acho que as duas propriedades dos quadrinhos e do programa de televisão funcionam bem juntas. A equipe de produção de produtores e roteiristas faz um trabalho fantástico em manter o programa atualizado. Acho que isso vem de um bom relacionamento com o público. De alguma forma, o programa instintivamente mostra o que o público quer e precisa, e eles o escrevem. Muito simbiótico. Também acredito que o estilo da série se presta a fazer o trabalho corretamente, e à medida que eles vão evoluindo isso nunca mudou. Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Jon Bernthal estabeleceram o padrão muito cedo sobre o tipo de trabalho que era necessário para manter este show. Isso foi transmitido desde então.

Axel foi um personagem que passou rápido pela série, mas ainda é lembrado por muitos fãs. Como foi sua experiência com ele? O processo desde os testes até começar as gravações foi demorado?

Lew Temple: Fui levado ao escritório de elenco na época do piloto para fazer uma leitura para o papel de Merle. Felizmente, eles contrataram Michael Rooker. Fui então convidado a auditar o irmão de Merle, que ainda não tinha um nome, ou sequer fala… Felizmente, eles contrataram Norman Reedus. Quando Axel apareceu, eles tinham uma boa ideia de quem eu era e acharam que seria uma boa opção. Eu ainda estava fazendo o filme da Disney, “The Lone Ranger” (O Cavaleiro Solitário), quando recebi a oferta de The Walking Dead. Um mês depois, passei de montar a cavalo para comer um. Foi um prazer interpretar o Axel. Ele colocava a boca no trombone, e disse o que todo mundo estava pensando muitas vezes. Acho que ele se adaptou muito bem ao grupo sobrevivente. Eu gostaria que ele tivesse ficado mais um pouco.

Passar por uma grande série, com um elenco do tamanho do de The Walking Dead, deve ser bem diferente de outros trabalhos. Qual é a diferença entre fazer participações em séries como CSI e Criminal Minds, que você atuou, e ser um ator regular em The Walking Dead?

Lew Temple: A ética de trabalho é o principal diferencial. Não que esses outros programas não trabalhem muito, mas The Walking Dead normalmente supera todos os outros programas. Como mencionei antes, o esforço incansável para acertar é o foco. Todos pensam o mesmo em relação a isso. A série assume um tipo de abordagem orgânica, então se ajusta de episódio a episódio. É claro que eles estão seguindo um roteiro, mas podem reescrever no momento. Toda a produção é muito capaz de se adaptar. Acho que isso dá a eles a versatilidade necessária para uma grande série.

Quando você pensa em todos os momentos que passou no Universo de The Walking Dead, quais são as lembranças que lhe vêm à mente e qual o seu momento preferido durante sua participação no show?

Lew Temple: Mais uma vez, as pessoas que sempre terei como amigos em minha vida. Isso é o que vou levar, como eu mencionei antes. A memória que tenho de Carl saindo com um bebê e uma arma, e seu pai desmaiado, foi muito comovente. Fiquei muito surpreso com o compromisso. Isso também aconteceu com a nossa cena de introdução, quando vimos o grupo cortar a perna de Hershel. O elenco apareceu e fez aquela cena novamente, apenas para que pudéssemos reagir a ela. Surpreendente. Claro que a cena com Carol, e o “cabelo curto” não tinha preço. Nós nos divertimos muito no set. Ria muito, chorava muito. Foi real.

Sempre que conversamos com pessoas envolvidas em The Walking Dead ficamos com a impressão de que o clima é de uma grande família. É assim mesmo? O que pode nos contar sobre o dia a dia no set de filmagens?

Lew Temple: É realmente uma família. Todos nós cuidamos uns dos outros todos os dias. Vivemos uns com os outros em condições muito difíceis. Não apenas o elenco, todos, câmeras, maquiadores, figurinistas, equipe de som. Todos fazem parte da equipe. Comemos juntos e sentamos juntos, não nos separávamos baseados em qualquer tipo de hierarquia. E quando alguém sai do show, como Axel, é sentido por toda a produção. Esse é o seu companheiro de equipe que você está perdendo. Alguém que ajuda, como vamos substituí-lo? É sentido por todos.

Em entrevista ao KyTalk, você disse que Andrew Lincoln tentou salvar o seu personagem em The Walking Dead. Como era a sua relação com Andrew e como foi a sua reação ao saber que realmente deixaria a série?

Lew Temple: Eu amo Andy. Ele é um perfeccionista incansável. Ele é alguém que deve ser o que ele pode ser. Ele tenta fazer cada cena melhor do que o possível. Eu o observei trabalhar tão duro todos os dias. Ele impõe respeito com sua abordagem de trabalho. Ele é um indivíduo gentil e atencioso que vê todos como iguais. Ele é britânico, claro, então apenas estar no espaço da cabeça para manter o sotaque certo já é muito para se trabalhar. Naquela época, toda a história passava pelo xerife, então ele estava fazendo muito trabalho pesado. Sinto-me muito feliz por ter trabalhado com ele, e ainda mais feliz por chamá-lo de amigo.

Axel fez parte de um pequeno grupo de sobreviventes que foi encontrado na prisão, e provavelmente era o mais querido pelos fãs porque era um cara muito carismático. Uma das coisas que os fãs mais gostam é de teorias e fanfics. Olhando por esse lado, se de alguma forma o seu personagem ainda estivesse vivo na estória atual, você acha que ele teria se unido aos vilões em algum momento ou permanecido com o grupo do Rick? Acredita que ele poderia ter mais histórias para contar se não tivesse morrido?

Lew Temple: Axel estaria com o grupo de Rick para ajudar a manter a ESPERANÇA. Era isso que ele queria, acreditar que havia um dia melhor, um jeito melhor. Ele seria a favor de uma resolução pacífica das questões, o que não quer dizer que não lutaria se esse fosse o único recurso. Não acho que ele teria ficado parado olhando o Negan agir. Ele provavelmente teria perdido a vida lá. Eu acredito que ele pode ter tentado convencer Carol a ser menos reativa. Mas então onde estaríamos? Precisamos que Carol venha salvar o dia. Sim, acho que Axel teria sido um bom serviço para todos.

Muitas pessoas tiveram a impressão de que poderia ocorrer um interesse amoroso entre Axel e Carol. Isso chegou a lhe ocorrer? Como você acha que Axel reagiria em um relacionamento com uma mulher que acabara de ter um relacionamento abusivo?

Lew Temple: Nós conversamos sobre isso. Mas, para começar, estávamos mais focados na amizade. Axel era alguém que Carol também podia se abrir e falar. Acho que ele teria ouvido os problemas de Carol antes, sem dúvida. Ele teria sido capaz de oferecer uma boa abordagem à vida e suas voltas e reviravoltas. E acredito que Carol teria trazido o melhor de Axel. Ele estava pronto para ser reconstruído. Ele precisava de um amigo. Aonde isso seguia, muito bem pode ter sido romance. Ambos tinham uma história para contar sobre os abusos.

A pandemia, infelizmente, adiou projetos, estreias e produções em todo mundo. Como ela te afetou? Você teve que adiar ou cancelar algo por conta da Covid-19?

Lew Temple: Como todo mundo, fui impedido de trabalhar em dois filmes e um programa de televisão. É uma pena, mas não só para mim, todos sofreram com este evento. Estou correndo atrás para tentar encontrar oportunidades positivas. Essa pausa foi boa para refletir sobre o que é importante para todos nós. Família, amigos, saúde, casa, felicidade, comunidade. Assim como The Walking Dead, devemos nos reunir e ajudar uns aos outros neste momento difícil. O respeito nunca é o mais importante. Acho que isso também nos mostrou que somos todos muito semelhantes na vida. O estilo de vida do Instagram que apresentamos nem sempre é tão verdadeiro. Isso veio à tona e nos dá a chance de nos conhecermos de verdade.

O Brasil tem passado por um período difícil de um pouco de descrédito para produções culturais. Temos perguntado isso para todos os envolvidos em The Walking Dead que temos a oportunidade de conversar: na sua opinião, qual a importância da cultura e das produções no geral para passarmos pelo momento atual?

Lew Temple: Acho que a ideia de ser capaz de respeitar o patrimônio cultural, ao mesmo tempo em que compreende a capacidade de adaptação e ajuste é a chave. Devemos estar cientes de que nem todo mundo vai lidar com isso da mesma forma. Devemos respeitar as crenças políticas e religiosas e pedir paciência enquanto resolvemos isso. Todos deveriam tentar obter os mesmos resultados, segurança humana, segurança mundial. Cuidem-se. Sem segundas intenções ou agendas.

No Talk Dead To Me, você revelou que o arco no qual Axel se tornaria um serial killer e mataria Beth foi descartado. Caso isso acontecesse, você acredita que ele ainda estaria vivo? Ou, Maggie o teria matado quando descobrisse que o seu personagem matou sua irmã?

Lew Temple: Não partilho da opinião de que uma pessoa que pretende prejudicar os outros dura muito. Acredito que se esse caminho tivesse sido seguido, logo essa versão do Axel teria encontrado sua morte nas mãos daqueles que ali vingariam seus entes queridos. Eu não gostaria que nenhum desses personagens me perseguisse por vingança. Eles teriam feito sem pensar.

Você trabalha como ator desde 1996, como foi que você escolheu essa profissão, ou essa profissão lhe escolheu?

Lew Temple: Eu diria que a última opção. Segui uma jovem em uma aula de atuação para convidá-la para jantar. Quando vi o que eles estavam fazendo no palco pensei, isso é o que devo fazer. Eu posso fazer isso. Bem, eu não podia, mas aprendi voltando para a escola. Brooklyn College para aprender a atuar. É um ofício que requer habilidades desenvolvidas. A paixão deve estar presente, mas também a técnica. É uma evolução contínua na arte. Tenho muita sorte de poder exercer esta ocupação e estar nesta jornada por tanto tempo.

Se você pudesse escolher qualquer cena de The Walking Dead para participar, qual você escolheria? Levando em consideração que você escolheria qual personagem interpretar.

Lew Temple: Essa é uma pergunta impossível. Vou dizer as cenas de impasse com Rick, tanto o Governador quanto Negan. Eu seria o vilão em cada um, apenas para sentir o poder de olhar nos olhos de Rick quando ele se posiciona. Como um espectador, eu, como todo mundo, fui cativado. Achei o tom perfeito. Talvez ser Rick por apenas um dia fosse muito legal. A cena de Nebraska é uma das minhas favoritas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Lew Temple: Mal posso esperar pela oportunidade de ir aí e conhecer todos. Continuem sorrindo, isso torna o mundo um lugar melhor. Tire todas as vendas que estão impedindo vocês de ver todos os dons com os quais a vida está esperando para abençoá-los. Continuem tendo fé, que traz esperança, esperança traz o amanhã. Muito obrigado por me receber.

REDES SOCIAIS DO LEW:

– Twitter: @LewTempleActor
– Instagram: @LewTemple
– Facebook: @LewTemple

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Estefany Souza & Bruno Favarini
– Tradução: Stephani Gimenes & Ávila Souza
– Arte da capa: Lucas Saboia

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Thora Birch (Gamma)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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