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Entrevista

Uma espiada dentro do mundo de Norman Reedus

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Abaixo você confere a entrevista de Norman Reedus (Daryl Dixon) realizada pelo site “The Imagista” durante o seu ensaio fotográfico, o qual postamos no início da semana.

A primeira coisa que eu notei em Norman Reedus quando entrei no NYC’s Dune Studios para nossa sessão de fotos foi o fato de que ele já estava lá. Ele chegou cedo. Na verdade, ele chegou alguns minutos antes dos meus assistentes, meu editor, e eu mesmo. Eu fiquei um pouco surpreso, porque pontualidade não é algo que você inicialmente associaria com a imagem de Norman Reedus. Mas parece que pouca coisa em Norman Reedus é previsível.

Parece que existe alguma coisa um pouco paradoxal nele. Que esse cara durão, caçador de zumbis, que carrega uma besta e dirige uma moto, também seja incrivelmente amigável, gentil e atencioso é algo que me surpreendeu a princípio. De fato, ele trata todas as pessoas no set durante a sessão com a mesma gentileza fácil com que trata nossos editores, se apresentando para todas as pessoas no set e para mim. É algo que eu não vejo muito em sessões de fotos com celebridades. Mas Norman não é o padrão.

Apesar de todo o calor e charme, Norman ainda tem esse jeito maravilhosamente inquieto e ligeiramente ameaçador. Ele é o tipo de homem que eu gostaria de ter ao meu lado se começasse uma briga de bar. Mas vamos torcer para que as coisas não cheguem a esse ponto.

Nossa sessão de fotos e entrevista que se seguiu foi tranquila. Foi divertida, na verdade. Parecia que eu estava passando o dia com um velho amigo. Eu entendo por que os fãs são tão loucos e tão leais a ele. O sucesso para Norman Reedus foi duramente conquistado, bem merecido, e cai bem nele. – por Michael Williams

Michael Williams: Por que você se tornou ator?

Norman Reedus: Uma noite eu fui parar em uma festa em Los Angeles e fiquei muito bêbado, depois de gritar com algumas pessoas do segundo andar – alguém me abordou sobre ser um ator. Eles me convidaram para fazer uma peça no Tiffany Theater na Sunset. A peça se chamava “Maps For Drowners”. Eu era um ator substituto e no primeiro dia o ator não apareceu, então eu entrei. Havia uma mulher na audiência naquela noite chamada Laura Kennedy, que estava no William Morris na época. Ela acabou me embolsando, o que significa que ela não assinou um contrato comigo. É onde eles não assinam de fato com você, mas te mandam por conta própria. Eu comecei a trabalhar. Agora Laura é uma diretora de elenco. Ela me selecionou para “The Boondock Saints” – e nós continuamos depois disso.

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Então você não tinha experiência quando começou?

Norman Reedus: Não, nenhuma. A peça foi a primeira coisa que eu fiz.

Muitas falas para decorar?

Norman Reedus: Oh yeah. Foi assustador. Quero dizer, antes disso eu estava trabalhando em uma loja de motos em Venice chamada Dr. Carl’s Hog Hospital. Aliás, eu acabei brigando com o chefe e pedi demissão, e então fui naquela festa na mesma noite, então as coisas meio que se conectaram. Mas sim, foi assustador. O primeiro filme que eu fiz se chamava Floating. Então eu fiz Mimic. Ou talvez eu tenha feito Mimic primeiro, porque Guillermo del Toro me arranjou meu cartão Sag naquele filme. Então – vamos reconhecer – ele basicamente me iniciou (risos). Então eu fiz Floating, depois fiz Six Ways To Sunday com Debbie Harry. E então eu só continuei.

Qual era a sua idade?

Norman Reedus: Oh Deus, eu não sei, isso foi muito tempo atrás. Acho que eu tinha uns vinte e poucos. Foi muito tempo atrás.

Você teve alguma premonição de que se tornaria ator?

Norman Reedus: Parecia que todo mundo em LA estava fazendo isso. Você entende? (risos) Eu tinha um monte de amigos que estavam na Otis Parsons Art School. De vez em quando nós fazíamos um show em grupo. A gente arrastava nossas tranqueiras para algum lugar e pregávamos nas paredes nós mesmos, dávamos uma festa, e chamávamos aquilo de show. Eu também estava fazendo coisas assim. Eu peguei sete portas francesas, daquelas de dois metros, que eu arranjei em um jornal chamado The Recycler. E eu fiz o corpo de uma menina e alonguei-a nos joelhos e cotovelos e embrulhei em diferentes bitolas de arame e por aí vai. Então nós dávamos uma festa em Beverly Hills. Nós fazíamos merdas assim o tempo todo. Mas pra ser sincero, eu não acho que eu pensava que um dia seria ator.

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Tem alguém que foi uma grande influência na sua atuação? Como, digamos, Strasbourg?

Norman Reedus: Eu nem sei o que é Strasbourg (risos). E eu não sei o que são os “métodos”. Eu também não sei o que é a técnica Stella Adler. De verdade, eu não conheço nenhuma dessas merdas. Não, eu tive sorte de trabalhar com pessoas ótimas. E eu aprendi muito com eles. Exemplo disso: eu aprendi muito assistindo Willen Dafoe no começo. Também teve Allan Rickman, aprendi muito com ele. Eu também tive ótimos diretores – como Guillermo (del Toro). Ele se tornou um amigo. E o ver trabalhar é infeccioso. Ele tem a melhor atitude em relação ao trabalho. Eu me lembro de trabalhar em Floating. Aquele filme é sobre um garoto e seu pai. Depois de um acidente alcoolizado seu pai fica em uma cadeira de rodas, mas o garoto está em uma idade em que todos os seus amigos estão indo pra faculdade e começando suas próprias vidas e assim por diante. O garoto precisa lidar com a culpa de ir e deixar seu pai naquela condição.

No set, o diretor vem e fala gentilmente “como você quer se preparar pra isso?”

E eu pensei, bem, quais são as minhas opções? Coincidentemente meu próprio pai estava morrendo na época, e ele estava em uma cadeira de rodas, então eu disse “Só me arranje um telefone e volte pra me buscar em cinco minutos.”

Eu liguei pro meu pai e tive uma conversa normal com ele – e então nós fizemos a cena, e eu chorei tanto na cena que tinha tanto catarro saindo do meu nariz que eles não puderam usar a primeira tomada, que eu implorei para que usassem, mas não quiseram. Então nós paramos pro almoço, e eu não fui almoçar com a equipe. Eu fui tirar um cochilo. Durante a pausa vieram no meu quartinho pra dizer “olha, eu sei que você nunca esteve num set de cinema antes”. Eu acho que estava dolorosamente claro. “Mas eu só quero que você saiba que durante o almoço estava dolorosamente quieto lá dentro. E isso nunca acontece. Então a cena que você fez foi muito boa”. Eu pensei comigo “Oh, então é assim que é atuar. Você simplesmente se joga e faz.”

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Agora você é um em The Walking Dead. Alguma diferença no set?

Norman Reedus: É o melhor trabalho que eu já fiz. Eu estou tento uma experiência maravilhosa naquela série. Nós filmamos nas florestas da Georgia. Não tem nenhuma das armadilhas regulares que eu acho que teria se estivéssemos, digamos, em Burbank ou algo assim. Além disso, eu tive cinco anos para trabalhar em um personagem em vez de um mês, então todas as pequenas coisas que você pode fazer ganham mais significado. Às vezes você solta umas sementes lá atrás que se tornam árvores na história. Então você tem tudo isso com que trabalhar e é ótimo. O elenco e a equipe e todo mundo lá, eles se tornam uma família tão unida. É bom quando a turma está junta. É uma bênção.

Fora do trabalho você tem essa afinidade com motocicletas.

Norman Reedus: Quando eu era criança eu tinha um amigo chamado Tune que tinha uma Yamaha YZ80. Meu deus, era tão barulhento. Nós costumávamos rodar pela vizinhança e nos esconder da policia. Nós nos escondíamos em um beco e depois saiamos na direção oposta. Nós tentávamos dar cavalo de pau. E acabávamos tendo que tomar pontos. Toda aquela merda. Era muito legal.

Foi lá que começou. Então eu trabalhei em algumas oficinas. Eu não fiz muito trabalho mecânico, exceto talvez algumas coisas básicas. Eu não conseguia ouvir uma moto e dizer o que tinha de errado, mas agora eu meio que consigo. Na Georgia, é assim que eu vou pro set todo dia. Eu viajo de moto pelo país. O elenco mora em Atlanta e eu moro no lado oposto, a uma hora de distância, na floresta – tipo, bem no meio do mato em um lago. É lindo. Então eu vou de moto todo dia com o sol nascendo e é bacana.

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Se não estivesse atuando, o que você estaria fazendo?

Norman Reedus: Quando eu era bem pequeno eu queria ser um biologista marinho. Era isso que eu realmente queria fazer. Mas eu não acho que sou dedicado o bastante pra fazer isso, não sei, e então eu pensei que poderia viver em algum lugar na floresta com um bando de gatos e só fazer arte e ficar quieto.

O que vem agora?

Norman Reedus: Eu tenho um livro de fotografia que acabou de sair chamado “The Sun’s Coming Up Like a Big Bald Head”, e todo o lucro vai pra caridade. É um monte de imagens que eu tirei nos últimos quinze anos – tipo na Rússia, em Berlim. É bem legal. Está em toda parte em Nova York. Está na St Mark’s Books e em um monte de outras livrarias também. Eu tenho um livro de fanart que também acabou de sair. Você pode comprar os dois em www.bigbaldbook.com. Eu também tenho um desenho que será lançado em breve no Adult Swim. Sim, eu faço a voz. Eu e Danny Trejo e mais algumas pessoas. É ótimo! Nós gravamos em Atlanta. Eu também tenho um filme pra sair chamado Triple Nine, que John Hillcoat dirigiu com Woody Harrelson, Casey Affleck, Kate Winslet e mais um monte de gente incrível.

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Fonte: The Imagista
Tradução: @Ivyleca / Staff Walking Dead Brasil

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