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Na AMC, os zumbis de The Walking Dead dominam a emissora

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Quando um seriado sobre mortos vivos na TV a cabo ganha de todos os outros nos quesitos mais importantes para os anunciantes, você se pega pensando quem são os verdadeiros zumbis.

Afinal de contas, um zumbi é algo que vaga e tenta devorar tudo em seu caminho, mesmo morto – uma descrição que não parece tão longe quando se trata das emissoras de TV.

Durante a transmissão no último outono, “The Walking Dead” foi o seriado com maior audiência entre os telespectadores de 18 a 49 anos, que é o público alvo da série, ganhando de grandes seriados, como “The Big Bang Theory,” “American Idol”, “The Voice” e “Modern Family”.

Agora os zumbis estão de volta para a segunda parte da terceira temporada, e eles continuam agarrando tudo em seu caminho, incluindo o histórico lema da emissora, que diz ser o único lugar a conseguir audiência em massa. Três semanas atrás, os zumbis dominaram o domingo à noite, atraindo 7.7 milhões de telespectadores, mais do que qualquer outro seriado no país.

E fica melhor (ou pior, caso você seja outra emissora). A AMC tem um talk show sobre os zumbis, chamado “The Talking Dead”, e até isso tem atraído audiência. Naquele mesmo domingo, três semanas atrás, “The Talking Dead” foi assistido por quase 2.8 milhões de espectadores, atropelando a NBC não só aquela noite, mas no mês inteiro.

Está claro que ser uma emissora de TV a cabo não é uma desvantagem como antigamente, já que os canais estão cada vez mais acessíveis.

Duas coisas estão sendo trabalhadas aqui. A inércia manteve os telespectadores presos em canais abertos, mas nos dias de hoje os consumidores são mais ativos, sempre atrás dos serviços disponíveis e a facilidade da TV a cabo e a distribuição em outras plataformas deu esse acesso aos consumidores.

A AMC, junto com os parceiros de estúdio sempre deixou claro que, se alguém quer se atualizar com o seriado de zumbis favorito da America, “The Walking Dead”, ou “Breaking Bad” e “Mad Men”, outros dois hits, as temporadas passadas estão disponíveis para serem assistidas quando o telespectador quiser, como no serviço “on demand” (serviço oferecido pela prestadora de TV a cabo), Netflix ou iTunes. O resultado disso, é que “The Walking Dead” cresceu 51% desde o ano passado e é um dos seriados mais comentados nas mídias sociais.

Vale a pena ressaltar que o buraco entre os canais abertos e a TV a cabo diminuiu conforme o serviço por satélite e as telecomunicações passaram a ficar mais acessíveis. Cerca de 115 milhões de lares americanos possuem televisões, e pelo menos 99 milhões dessas pessoas tem acesso a AMC. Nessa rede, franquias antigas são cansativas, novas tentativas estão aparecendo a todo o momento e um seriado como “The Walking Dead”, onde a audiência cresce em um ritmo lento, porém estável, mesmo após três temporadas, não é apenas uma tentativa de algo novo.

“A AMC vendeu o seriado para a Netflix cedo, assim quando as pessoas começaram a falar sobre ele, já estava disponível para os novos espectadores”, disse Alexia Quadrani, analista de mídias na JPMorgan.

Na quinta feira passada, o NY Times visitou Josh Sapan, o chefe executivo da AMC em seu escritório, na frente do Madison Square Garden. Você poderia esperar um executivo comemorando seu sucesso por conta dos zumbis, mas você está errado. Sr. Sapan está na AMC há 25 anos e ele é supersticioso demais para comemorar antes da hora.

“Eu colocaria as probabilidades contra a ideia de um canal a cabo ganhar de um canal aberto há 5 anos atrás. O gosto das pessoas sobre o que é popular pode ser muito volúvel e ter vida curta. É uma química difícil de descobrir e replicar.” Ele diz. “É um grande momento para nós, que estamos nesse ramo, mas não acho que o público geral, especialmente os jovens, pensem muito sobre de onde vem a programação”.

Os zumbis não devoraram todos os desafios do Sr. Sapan. Mesmo que a publicidade dos últimos meses tenha crescido 16% em relação ao último ano, os ganhos da AMC foram menores que as estimativas da Wall Street, por causa de uma luta cara contra a Dish Network e gastos com débitos.

E ele está certo ao ter essa dúvida sobre a audiência americana e descrever como “instável”. Pergunte a NBC, que foi do céu ao inferno nessa temporada. Como meu colega Bill Carter destacou, a NBC estava no topo durante 13 ou 15 semanas, de setembro até dezembro. Mas depois despencou, assim como a Univision, uma rede de TV em Espanhol.

“The Walking Dead” era originalmente da NBC em 2011. Em uma convenção para jornalistas em janeiro, Kevin Reilly, que agora trabalha na Fox, mas era executivo de programação na NBC, falou sobre como a NBC deixou o seriado escapar.

“The Walking Dead é uma coisa extraordinária,” disse Reilly aos jornalistas. “Eu comprei o script na NBC de Frank Darabont, o desenvolvi e adorei”.

Mas a NBC estava bem na época, e Reilly deixou escapar. “Eu achava que era bom, mas ainda era um rascunho inicial. Então quando eu saí e ouvi que foi para a AMC, houve muito entusiasmo envolvido”.

É justo, “The Walking Dead” nunca entraria no prime-time da NBC por causa dos padrões da emissora.

A AMC também é a casa de “Breaking Bad”, onde um ex-professor de ciências se torna um produtor de meta anfetamina e usava produtos químicos para dissolver partes do corpo de pessoas que entravam em seu caminho. Pense no tipo de telespectadores desses seriados. Eles esperam narrativas obscuras e o clímax, mas porque as emissoras ainda estão naquele padrão de não ofender a maior audiência, eles não poderiam transmitir esses programas. Uma lista de atores prestigiados que antes exigiam participações em programas nos canais abertos, agora estão atrás de seus agentes pedindo papéis em seriados da TV a cabo.

“Os que costumavam reclamar sobre estar em alço com a AMC, agora querem estar onde as melhores histórias são contadas,” disse Rich Greenfield, analista na BTIG Research. “É uma mudança drástica na indústria”.

É a programação que manda agora, não o canal.


Fonte: NY Times
Tradução: @nataliaskbr / Staff Walking Dead Brasil

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