Siga-nos nas redes sociais

3ª Temporada

Lennie James fala sobre interpretar um louco e quando poderemos ver o seu personagem novamente

Publicado há

em

The Walking Dead mostrou alguns rostos familiares retornarem recentemente em forma de alucinação, mas no episódio de domingo, outro personagem perdido há muito tempo chegou de volta – e desta vez em carne e osso.

[ALERTA DE SPOILER: Leia somente se você já assistiu o último episódio de The Walking Dead]

A última vez que vimos o personagem Morgan, ele estava tentando criar coragem para atirar em sua mulher zumbificada da janela de sua casa. Ele não podia atirar. Isso foi lá no episódio piloto. Agora – 30 episódios e dois anos e meio mais tarde – Morgan voltou, e parece que sua decisão de não matar sua esposa walker teve consequências graves (mais tarde ela mordeu seu filho, que também se tornou um zumbi). O resultado: a loucura. Quando Rick percebeu que o homem que atirou neles do telhado era o mesmo homem que o ajudou logo que ele acordou no hospital, ele tentou o seu melhor para fazer seu velho amigo se juntar a eles, mas Morgan (que esfaqueou Rick antes de reconhecê-lo) já estava muito fora de si e mandou que fossem sem ele (mas com algumas de seu amplo suprimento de armas e munições). O Entertainment Weekly falou com o homem por trás de Morgan – o ator britânico Lennie James – sobre interpretar um louco, a alegria de explicar a história não vista de Morgan, e quando poderemos ver o personagem novamente.

ENTERTAINMENT WEEKLY: Então, depois que você apareceu no primeiro episódio de The Walking Dead, como foi o diálogo sobre você possivelmente voltar em algum momento?

Lennie James: O diálogo inicial foi muito simples na verdade. O material de base que eles tinham era a HQ, e o que foi dito foi que na HQ Morgan volta, por isso havia a possibilidade – e foi isso basicamente que disseram. E eu sabia que ao gravar o piloto, que eu estou lá no piloto, e dependendo de como ele for, em algum momento havia a possibilidade de o personagem voltar.

Houve outros momentos no passado, talvez na última temporada, quando você esteve perto de voltar mas não o fez?

Houve. Foi uma coisa muito estranha e até um certo ponto meio que pegou todos de surpresa. Como ator, eu tive um momento muito bom no piloto e foi muito divertido, mas a reação dos fãs de Morgan quase teve um duplo efeito sobre o show e sobre a jornada do personagem no sentido de que houve esta enorme reação a ele. Todo trabalho que eu fiz desde The Walking Dead alguém perguntava nas entrevistas: “Você vai voltar para The Walking Dead?” E de uma maneira estranha, isso deu fé para os escritores e produtores que trazer Morgan de volta seria algo que os fãs iriam apreciar. Mas, em outro nível, fez com que não pudessem apenas trazê-lo de volta para algo mais ou menos. Quando o trouxessem de volta, isso tinha que ser no momento certo e tinha que ser algo substancial. E eu acho que até certo ponto estenderam o tempo para trazê-lo de volta – ou houve um incentivo para que estendessem esse tempo para manter as pessoas interessadas. Mas eu acho que este episódio parece ser o momento certo para Morgan estar de volta, e parece que a maneira certa para ele voltar.

Como foi tentar se familiarizar de novo com um personagem que você interpretou por apenas um episódio de dois anos atrás, mas também aquele que agora é tão diferente da última vez que o vimos?

Para ser absolutamente honesto, isso era o que eu estava mais ansioso para fazer. Essa foi a coisa que eu estava mais animado, era combinar o cara do primeiro episódio com o cara que vemos no episódio 12 da terceira temporada. E essa é uma oportunidade rara para um ator, quando você não viu o que aconteceu com ele entre um episódio e outro. Ele poderia ter aparecido vestindo uma saia de balé cor de rosa com uma cabeça de dragão e não poderia ter sido mais emocionante que trazê-lo de volta ao estado em que ele estava neste episódio. Isso é uma raridade. Isso é uma alegria. E eu disse a Glen Mazzara e Gale Anne Hurd que a coisa que eu estava mais ansioso era juntar os pontos e contar a história da jornada de Morgan que o público não tinha visto.

Naquele momento que você o vê em meio ao tiroteio na rua, e ele descendo, ele levando um tiro por Carl, e depois a revelação – estávamos todos meio que pulando e dizendo “Isso vai funcionar!” Então essa parte estava longe de ser algo que eu vi como difícil ou complicado. Foi a parte fácil. Na verdade, filmar todo o episódio foi realmente fácil. É fácil filmar um bom roteiro e boas histórias. Antes de eu ter que colocar minha cabeça na jornada não vista de Morgan, os escritores tiveram que colocar suas cabeças na jornada não vista de Morgan. Eles tiveram que juntar os pontos muito antes de mim. Assim, de uma maneira estranha, meu trabalho para mim estava feito, e eu só tinha que aparecer lá e me divertir tanto quanto fosse humanamente possível em Atlanta com o meu amigo Andy.

Interpretar um louco – por falta de uma palavra melhor – imagino que pode ser bastante assustador para um ator, porque você está realmente se expondo quando o faz. Se não funcionar direito, pode acabar parecendo bobo.

Se você começar a pensar, Oh, isto pode parecer estranho e não muito bom, então de certa forma você já está se censurando e se contendo. E isso não é divertido. Neste mundo totalmente irreal e surreal de The Walking Dead, eu tenho que encontrar momentos de realidade. E esse cara quando o deixamos era um homem em uma janela que não conseguia atirar em sua esposa, que tinha se tornado um zumbi, e isso já é louco. E, depois, quando o encontramos novamente, ele é um homem que não podia atirar em sua esposa que tinha se tornado um zumbi por um período ainda mais longo de tempo, e então se aproximou e atirou nela só depois que ela já tinha mordido seu filho e o transformado em um zumbi, e então ele tinha que matar seu filho também. Se você olhar para a lógica dentro do mundo desse cara, você vai ver nada além de sofrimento, culpa e loucura profundos. E eu não penso em Morgan como se eu tivesse interpretando um louco. Eu penso nele como um cara que passou por essa série de eventos e está tentando achar uma maneira de sobreviver. E ele tem que sobreviver. Ele tentou se matar e isso não funcionou, então ele entendeu o que é para ele a razão perfeitamente lógica para ele ainda estar vivo, e a razão lógica para ele ainda estar vivo é que ele está vivo por um propósito. O fato de que ele foi punido por não matar deve significar que alguém em algum lugar o colocou aqui para um propósito, e esse propósito é matar. E essa é a sua lógica. E ele disse que ele está lá para “limpar.” Os walkers foram uma praga na sua vida e eles são uma praga neste mundo e ele tem que limpar essa praga. Essa é a sua lógica. É uma loucura para todo mundo? Sim. É uma loucura para Morgan? Nesse momento, absolutamente não.

Morgan parece ser um personagem muito instrumental neste momento, porque ele é quase como um sinal de alerta para Rick, que está tendo seus próprios problemas de estabilidade mental. Isso foi passado para você?

Não, mas eu sou um cara esperto o suficiente para descobrir logo no início que havia a possibilidade de Morgan representar um espelho para Rick no sentido de que ambos são pais de meninos e eles acabam sendo dois homens que perderam as esposas e dois homens que assumiram uma posição de responsabilidade neste mundo. No primeiro episódio, há um momento em que Morgan aperta a mão de Rick e diz: “Você é um bom homem, Rick.” E eu acho que são dois homens de bem nessa fase. E como eu disse antes, estamos cientes da jornada de Rick, porque isso é o que temos assistido ao longo das últimas três temporadas. Mas nós não sabíamos da jornada de Morgan porque não a vimos. Então quando comparamos os dois, ele é uma espécie de espelho para Rick. Ele está meio que mostrando que, por pior que tenha sido para você, graças a Deus você não sou eu, e as escolhas que você fizer no futuro, olhe para os erros que eu cometi, tanto no primeiro episódio e no atual. É relevante que Morgan atuou como professor de Rick, sobre cuidar do seu filho, e não ir muito longe na estrada da loucura. E eu acho que essa é a sua mensagem. E para Morgan, Rick representa a capacidade de agarrar a sua humanidade neste mundo de The Walking Dead, onde a maioria das pessoas estão perdendo a deles.

Foram duas temporadas e meia desde que vimos Morgan pela última vez. Podemos esperar que não vai demorar tanto assim para que ele apareça novamente?

Eu não faço idéia. Se levar mais dois anos e meio, a única coisa certa é que The Walking Dead terá ainda mais sucesso do que tem hoje. Eu amo trabalhar com Andy e gostei do meu tempo em Atlanta e em qualquer momento se eles vão ou não me querer de novo e se eu puder estar disponível para eles que eu vou estar disponível para eles. Eu gosto de interpretar esse cara. Mas a resposta a essa pergunta – como antes – nunca esteve em minhas mãos.

O que você acha, será que veremos Morgan novamente? Escreva nos comentários e não deixe de conferir as outras entrevistas de Lennie James no  The Hollywood Reporter e na MTV.


Fonte: Entertainment Weekly
Tradução: Nat Price / Staff Walking Dead Brasil

Continue lendo
Publicidade
Comentários

EM ALTA