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Entrevista

Greg Nicotero fala sobre a segunda parte da 4ª temporada e sobre o “Spinoff” de The Walking Dead

Rafael Façanha

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Fãs de The Walking Dead: Vocês já imaginaram o que acontecerá com Rick Grimes e sua trupe agora que Hershel literalmente perdeu a cabeça? Ou ficaram pensando sobre o Governador, que agora está morto, e sobre a gangue de Rick que está separada e de luto em sua nova jornada?

Ou já ponderou sobre a vantagem repentina de Carol, que tem um carro, comida, armas e medicamentos – ou até mesmo, já pensou em Tyreese, que não sabe que foi Carol quem matou Karen e David, mas também foi quem ensinou à pequena Lizzie suas habilidades (que salvaram sua vida)?

“A beleza na 4ª temporada, em minha opinião, é que cada momento está lá por uma razão” diz o guru dos efeitos especiais e o coprodutor executivo, Greg Nicotero. “Coisas que gravamos no primeiro episódio desse ano irão ser explicadas depois, e é como se cada personagem tivesse um início, um meio e um fim. É realmente recompensador.”

O showrunner Scott Gimple realmente deu o rumo certo ao navio. “Scott já sabe, agora, o que acontecerá na 5ª temporada, e provavelmente já sabe também o que acontecerá na 6ª”.

Com a segunda parte da 4ª temporada marcada para terminar no dia 02 de Abril, o Channel Guide Mag Blog conversou com Nicotero, que dirigiu a midseason premiere escrita por Robert Kirkman, que nos dá uma dica do que está por vir: “Essa é provavelmente a adaptação de dois conflitos mais próxima dos quadrinhos que já fizemos. Eu estou doido pra que as pessoas vejam os próximos 8 episódios, porque tem muita coisa boa pra acontecer!”

CGM: Conte-me um pouco sobre a adição de um produtor executivo às muitas cartas na manga que você teve nessa temporada – Existe algum momento em que você não pensa sobre The Walking Dead?

Greg Nicotero: Não. Eu nunca não penso sobre The Walking Dead. Penso sobre a série 24 horas por dia. Sabe, essa minha função se transformou em um emprego fulltime, porque até quando nós não estamos nas gravações, estamos editando episódios para a première de fevereiro, e uma vez que temos os episódios editados, os escritores começam a criar histórias para a próxima temporada. Então, pra mim, umas das partes mais legais disso tudo é a liberdade de criação que me permitem ter e incluir no projeto. Os escritores criam as histórias e fazem um monte de piadas. Scott (Gimple) e eu temos várias discussões sobre “coisas” de zumbis que já foram feitas ou não – e ser um produtor executivo que foi precocemente envolvido no processo de molde desses universos é realmente algo sem precedentes na forma em que a série é trabalhada. Eu não conheço nenhuma outra série que traz um cara dos efeitos especiais pra essa realidade, onde ele pode ler documentos e ouvir scripts e ideias de enredo e ainda começar a ter ideias sobre zumbis tão rapidamente.

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CGM: Uma série televisiva que permite uma escala tão grande de criatividade para o cara dos efeitos especiais é uma raridade – isso com certeza é um grande playground pra você.

GN: É sim. E isso começou com Darabont, que me colocou na série. Quando eles ainda estavam criando (a série), ele estava tendo várias reuniões, e em uma delas levou quatro bustos de zumbis que nós fizemos, porque na época – haha, quatro anos atrás! – uma das primeiras perguntas foi: “Como vocês farão zumbis?” E Frank disse: “Ah, isso é muito fácil! Eu tenho Greg Nicotero!”.

Frank tinha uma confiança sem fim em mim – não somente como parte integral de The Walking Dead, mas também me dando um episódio para dirigir. Ironicamente, no primeiro episódio que dirigi, tive que matar Jeff DeMunn (Dale).

Então, ele me fez uma pergunta traiçoeira quando falamos sobre isso, porque ele estava tipo “Você quer um episódio com muitos zumbis, ou um episódio com poucos zumbis?” E eu respondi “Essa é uma pergunta difícil. E eu sei que a resposta deveria ser “Poxa, eu tive apenas um zumbi naquele episódio!” Só que foi esse “um” zumbi que rasgou a barriga de Dale.

CGM: Então havia sentido na loucura de Frank…

GN: Há sentido na loucura de qualquer pessoa! Eu amei Mob City [série de Darabont, que passou em Dezembro na TNT]. Eu vi o piloto há um ano e fiquei triste de não estar filmando com eles, porque é todo mundo amigo no elenco – Jeff DeMunn, Jon Bertnthal e Simon Pegg. Assisti à série desejando ter trabalhado nela, porque ficou muito legal.

CGM: Falei com Jon sobre a série e ele disse que seus amigos de The Walking Dead visitaram o set.

GN: O interessante sobre os personagens de The Walking Dead que morrem, é que eles ainda fazem parte da família. É estranho. No dia de Ação de Graças, eu mandei um e-mail para ele, para Sarah [Callies, a Lori] e para Jeff DeMunn, dizendo “E aí, pessoal, como vocês estão?” e Sarah veio à nossa festa, esse ano.

Só porque eles não estão mais na série, não significa que não fazem mais parte da família. Eu estava assistindo The Talking Dead após o episódio 8, quando LC [Lauren Cohen, a Maggie] e Robert (Kirkman) estavam lá. E eles estavam tão sentimentais que pensei “Ele (Hershel) não morreu, gente! Ele tá aqui sentado!” [risos].

Não é como em um filme, que as pessoas trabalham juntas por 10 ou 12 semanas e então acabou. Trabalhamos juntos todo ano! Sobre Scott Wilson, houve boatos no fim da segunda temporada de que Hershel não continuaria vivo. Houve um script onde Hershel era assassinado por Randall, antes que ele fugisse com Shane. Scott achava isso também, mas claro, tudo mudou e ele continuou vivo até a 3ª temporada. Menos sua perna.

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CGM: Sinto muito por vocês, cara. Vocês têm todos esses atores maravilhosos, e então tem que tirá-los da série contra a sua vontade…

GN: É difícil. Laurie Holden (Andrea) foi mais difícil pra mim, porque ela e Michael [Rooker] tiveram mortes que aconteceram do nada. Já Sarah Callies já tinha sua morte planejada. Quando fizemos a 3ª temporada, todos sabíamos que Lori morreria no episódio 4, e então pudemos nos preparar pra isso. No mesmo episódio, IronE [Singleton, o T-Dog] morre também. Mas estava tudo meio em aberto, porque até Carol morreria, naquele momento. Mas tudo muda, e tem que se encaixar com o enredo. Tudo acontece de forma natural, de acordo com o que acontece.

CGM: Tenho que admitir: Odiava o Governador. Mas quando rolaram os créditos no episódio 8, comecei a pensar se eu iria sentir falta dele, ou melhor, falta de suas contribuições para a história, mais do que sentiria falta de Hershel, que tanto amei. Isso meio que me magoa…

GN: Tivemos dois episódios só para narrar a vida do Governador (adoro esse tipo de episódio!).

Eu estava assistindo Breaking Bad e o episódio estava prestes a acabar, e então veio essa ótima cena onde Bryan oferece $10,000 a Robert Forester, só pra ele se sentar e falar. E o que eu achei tão fascinante nessa cena, além da brilhante atuação dos atores e o enredo de Vince Gilligan, foi que naquele momento eu não me importava com o que Walt tinha feito em seu passado; eu sentia algo por ele. E senti que devia fazer a mesma coisa pelo Governador, pois percebi que ele tentou não ser o monstro que ele sempre foi, que ele realmente não queria aquilo pra ele, mas como Walt, ele não pôde lutar contra quem ele era.

Então, quando ele tomou a decisão de encostar a lâmina no pescoço de Hershel, o vilão dentro dele ascendeu e ele soube qual seria seu destino, e não importava o que ele tentasse fazer, ele não poderia lutar contra aquilo. E Rick virou a mesa quando falou o seguinte para as pessoas que estavam com o Governador: “Nós deixamos pessoas entrarem antes, e elas se tornaram parte de nossa comunidade, inclusive em postos de liderança – é isso o que vocês querem? Porque deixaremos vocês entrarem, e todos viveremos juntos”. Essa é a hora que o Governador pensa: “Merda. Ok. Acho melhor cortar fora a cabeça desse cara!”.

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CGM: Houve uma decisão sobre um grande momento na sala de escritores para lançar uma granada literal e proverbial no meio de tudo, e trazer o grupo da prisão de volta para um estado que nós não víamos desde a 1ª temporada? Ou foi uma evolução do que a narrativa teve naturalmente?

GN: Nós sempre soubemos que em algum momento, a prisão não ia mais ser um lugar viável para o grupo viver, e essa foi , naturalmente, uma decisão consciente. A elaboração do Sr. Gimple dos últimos oito episódios, onde todos se dispersam e não se sabe onde todos vão parar e nem quem está com quem, certamente vai render algumas histórias fantásticas.

Eu sinto que do episódio 9 em diante, a história nos remete à primeira temporada de The Walking Dead, porque se você pensar sobre a 2ª, se lembrará que eles foram para a fazenda de Hershel. Na 3ª Temporada e na metade da 4ª, eles tiveram a prisão e Woodbury. Portanto, esta é a primeira vez que eles estão à deriva no mundo depois de tanto tempo. É a primeira vez em muito tempo que nós vamos realmente ter essa ideia sobre o quão grande é o mundo e como as pessoas estão desprotegidas no deserto.

Eu dirigi o Episódio 9, que foi escrito por Robert , e é provavelmente a mais próxima adaptação de duas questões de história em quadrinhos que eu já fiz. Então, estou morrendo para que as pessoas vejam isso, porque é uma progressão lógica da nossa história.

CGM: No fim do episódio 8, a visão do transporte de Judith todo ensanguentado devasta ainda mais Carl e Rick. Quando saberemos sobre o destino de Judith e sobre o impacto disso em seu pai e em seu irmão?

GN: Quando você os vê deixando a prisão, Rick está quase morto – mais 10 segundos com o Governador e ele morreria. Então, o fato de ele ter visto Hershel morrer e estar emocionalmente derrotado junto com o fato de ele ter renovado seus laços com Carl faz com que eles fiquem mais, digamos, sensíveis, e deixa claro que eles reagiriam da forma que reagiram quando caminharam na direção do transporte e o viram com sangue espalhado nele.

E como em qualquer história boa, eu amo quando os espectadores ficam tipo “Peraí! O que aconteceu com essa pessoa e onde aquela pessoa estava?”.

CGM: Rick e Carl estão sozinhos. Maggie e Glenn estão separados um do outro. Tyreese está longe de Sasha. Quem sabe onde estão Lizzie e Mika? Todos os doentes estão no ônibus, sem Bob ou Hershel para ministrar seus remédios. E Carol está por aí, com um carro, remédios, armas e comida. Mesmo assistindo ao episódio novamente, não sei por onde começar a pensar para onde vamos daqui.

GN: Até pessoas que não gostam da série – e sim, incrivelmente, há pessoas que não gostam – assistirão a um episodio e irão conversar e fazer perguntas que claramente nos levam a acreditar que eles assistiram a série várias vezes. Essas pessoas desconstruíram o sentido da série tantas vezes, e fazem perguntas tão únicas, que até me fazem rir.

Então, temos os primeiros 8 episódios. A intenção sempre foi fazer com que os 5 primeiros episódios tivessem histórias individuais sobre as situações da prisão, e assim seguimos, com essa linha do tempo.

E então nos episódios 6 e 7, mostraríamos a história do Governador. E no episódio 8, juntaríamos essas histórias cronologicamente. Eu acho que foi um tremendo sucesso, porque mesmo se as pessoas pensassem “Ok, o Governador ainda está por aí e as pessoas realmente não mudam”, Hershel sempre disse, durante toda a temporada, que “Você pode mudar”.

Quando Rick conhece Clara, no episódio 1, ela se mata e Rick volta para a prisão. Hershel diz a ele: “Você pode mudar. Carl pôde.”. É algo importante. E que nós fizemos de propósito. Depois, vemos que impacto a morte de Hershel tem sobre todo mundo. Tanto nas pessoas que o viram morrer, quanto nas pessoas que não viram. Porque houve quem não viu. Tipo o Glenn, que estava do lado de dentro da prisão.

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CGM: Mas, rapidamente, repensando sobre o vírus… Uma vez que o Bloco A não tem mais o Hershel e nem o Bob, é possível que a epidemia não tenha acabado?

GN: Com certeza, isso é totalmente possível! Eu realmente não quero estragar nada, porque eu falo demais e não quero entregar nada, pra que em Fevereiro você NÃO me ligue dizendo “Seu babaca! Você estragou tudo!” [risos]

CGM: Eu não gostaria de ser o responsável por manter os segredos dos mortos…

GN: Eu me sento aqui com meu iPad e tenho todas as fotos das gravações nele, e tenho muita vontade de mostrá-las “sem querer”… Meu filho pega o iPad e quer olhar as fotos. Scott Wilson e sua esposa vieram na minha casa, no dia de Ação de Graças, e minha esposa e meus filhos não sabem o que acontece na série, então todos sentamos e tal, e todos lá em casa estavam entusiasmados com a presença de Scott, e naquela hora eu olhei em volta e pensei “Eles estarão tão p$%*s comigo no domingo a noite, quando perceberem que Scott esteve lá em casa e então… [risos]
E então, eles assistiram ao episódio 8 e ficaram tipo “Peraí! Porque você não me contou que o Hershel ia morrer????”, eu disse: “só porque você é meu filho não significa que vai saber das coisas antes das outras pessoas!”.

É realmente difícil. É desafiador manter os segredos. Especialmente quando estou ao telefone e eles escutam as coisas que falo.

CGM: Voltando ao assunto das pessoas que estão dispersas após a queda da prisão, Tyreese não sabe que foi Carol quem treinou Lizzie a atirar, e que por isso ele foi salvo, na cena que foi possivelmente a melhor de todas…

GN: Foi sim! Foi incrível! E isso remete novamente às coisas que falamos sobre, no início da temporada. Ver Carol treinando as crianças já no primeiro episódio, e depois ver cada semente que foi plantada nos dois primeiros episódios florescendo é algo emocionante – e foi uma cena rara que filmamos, de um ato que não tem validade quando se cai na estrada. Carol ensina as crianças a “ou atirar, ou correr”. O que mais você ensina à crianças nesse tipo de mundo? Especialmente com Lizzie no meio de um tipo de confusão sobre se os walkers estão vivos ou não. Porque no primeiro episódio ela diz: “Pessoas matam pessoas também. Eles (walkers) são apenas diferentes.” E você fica tipo, “Wow, essa é uma visão interessante, porque é verdade”.

E foi divertido porque a atriz que interpreta Lizzie queria muito ser uma walker, e eu disse, “Acho que não podemos fazer isso. Por causa do script e porque a hora que a Lizze puxa o gatilho é um momento muito importante, que depende da sua personagem. Então, não dá pra simplesmente te matar com um tiro no ombro ou no peito, porque ela precisa saber como se defender”. Mas ainda assim ela queria voltar como walker.

E quero dizer mais uma coisa – mais uma coisa que eu amo nessa temporada. Todos os atores ganham a oportunidade de brilhar. Olhar para Tyreese e o ver como Chad é fantástico. O mesmo com Sonequa. É realmente ótimo ver seus personagens se tornando importantes à medida que a 4ª temporada progride. Porque nós realmente não tínhamos muita ideia sobre o que Tyreese e Sasha se tornariam na 3ª temporada. O terceiro episódio, quando Rick e Tyreese brigam, teve um teaser de abertura tão poderoso que só deixou tudo mais emocionante. Achei isso fantástico.

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CGM: Hershel e o Governador tiveram “grandes episódios” antes de morrerem. Merle, Shane, Lori e Andrea também… Você gosta de fazer “episódios de despedida” ou é só realmente a história se desenvolvendo naturalmente?

GN: Eu na verdade penso que esse é um desencadear natural da série. Sabe, Scott Wilson meio que brincou falando: “Assim que eu li o episódio 5, eu sabia que eu era carne morta.” Mas não somos nós fazendo grandes episódios para manipular a audiência, não. Todas as mortes tem um significado, de verdade.

E é divertido ver todo mundo falando sobre a morte de Hershel, mas não sobre a morte do Governador. Porque a morte de Hershel foi inesperada, e eu acho que assistir ao que o Governador fez nos últimos tempos fez as pessoas pensarem que realmente já era a hora desse cara morrer. E então, quando ele morre todos pensam: “MUITO BOM!”, mas ver Hershel morrer foi um choque.

Sobre Rooker, há várias coisas interessantes que aconteceram com seu personagem. No início do último episódio dele, você pensa “Ok, dá pra salvá-lo.”. Ele só está vivendo lá enquanto procura por uma forma de escapar, e então ele olha pra Rick e vê Rick enfraquecido. E aí ele pensa “Quer saber? Vou fazer o que eu tiver que fazer pra proteger meu irmão. E se isso significa entregar Michonne ao Governador, vai ser o que farei. Dane-se o que pensarem Rick e os outros. Só meu irmão importa.”.

E então ele toma essa decisão de forma consciente, e na metade de sua jornada, ele percebe que ele não quer ser esse cara mau, e então deixa Michonne escapar.

Nunca realmente acreditei que Merle soubesse que aquela era uma missão suicida. Eu descobri que Merle armou tudo isso com a intenção de matar o Governador, pegar quantos homens pudesse e então com sorte os walkers fariam o resto e ele estaria livre. Então eu realmente não acredito que ele pensou em se suicidar.

E Michael é um cara esperto. Ele conhecia o personagem, e quando ele leu a cena pela primeira vez ele falou: “O Governador jamais lutaria com Merle. Merle ganharia. Ele tem adrenalina. Fisicamente, ele é mais forte.”. E então ele propôs que nós na verdade o enfraquecêssemos antes de eles se encontrarem. Foi algo que Michael sentiu ser importante, e nós todos concordamos. Então assim fizemos.

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CGM: Foi agonizante! Ele lutou tanto, e o ver sendo derrotado pouco a pouco e finalmente dizendo “Não te implorarei por nada!” me levou de volta ao cano, em Atlanta, mas me fez perceber como tudo era diferente agora.

GN: Essa luta, no script original, era muito mais longa e brutal. Na que fizemos, o Governador quebra o braço de Merle, que responde “Não vou ser seu garotinho de mijar em cima.” e cospe sangue no Governador, que caminha para longe. No script original, o Governador volta aponta a arma perto da câmera e diz “Não.” E atira. E aí você sabe que ele atirou em Merle. Só não sabe em que parte do corpo. E aí você vê a cena final e sabe o que aconteceu. Eu gostei de ver o Governador puxar o gatilho, porque o público acha que ele atirou na cabeça de Merle, e a revelação de que Merle se transformou em um walker fica ainda mais chocante.

Foi desafiador, porque os scripts da série são sempre grandes. Você filma um episódio que dura 55 minutos e precisa tirar 10 minutos dele, porque nossa média é de 42,5 minutos por episódio. Há cenas fantásticas que nunca foram ao ar.

Eu fico tentando fazê-los mostrar essas cenas no “Talking Dead” porque acho que elas – mesmo que não estejam no episódio real – ajudariam na continuação da história. Às vezes dá uma dor no coração filmar tudo, e depois ter que tirar várias cenas porque o tempo ficou maior que a média, e aí temos que ficar pensando nas cenas que precisamos tirar. É muito difícil!

CGM: Agora que você já está nisso há algum tempo, é normal que os atores mais antigos contribuam para o enredo de suas histórias?

GN: Steven Yeun, Andy, Norman [Reedus] e eu, temos um relacionamento realmente bom, porque eu tenho estado no batente com eles todos os dias, há 4 anos. Então, eles confiam em mim. Entre Norman, Steven e eu há uma forma fascinante de trabalhar. Eu tenho isso com a maioria dos atores, mas entre nós 3 e Melissa McBride – que são membros desde a 1ª temporada – há uma confiança silenciosa. E eu acho que a 4ª temporada, até agora, tem seguido quase fielmente o script dos quadrinhos. Gimple realmente ama a série, cara. Ele conhece os quadrinhos e todas as suas nuances.

Houve vezes que fizemos episódios que se basearam muito nos quadrinhos, e eu amo o fato de Scott sempre usar a dose certa dos quadrinhos na série, somente o que precisamos deles. As pessoas que conhecem os quadrinhos sabem exatamente de onde tiramos cada detalhe.

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CGM: Vocês criaram nos fãs um amor excessivo por Norman Reedus como Daryl Dixon – que nem está nos quadrinhos. Vocês tem planos para as suas casas (que serão depredadas) e para sua segurança (que terá que ser reforçada) quando, e se, a hora dele chegar?

GN: Sabe, não consigo nem pensar nesse momento! [risos] Porque, assim, é, reforçar a segurança… É… Não consigo…! Quando alguém vai morrer, há esse terrível e desconfortável momento quando você sabe que a pessoa já sabe e aí você quer sair correndo atrás dela pra saber se está tudo bem… Mas o que fazer? Porque não dá pra simplesmente voltar atrás e falar “Ah, pensando melhor, não vamos fazer isso, não.” É complicado. Acho que essa é a pior parte.

Nós costumávamos ter o “Jantar da Morte”. Saíamos pra jantar com o elenco toda vez que um personagem ia morrer. Todos nos divertíamos e jantávamos juntos. E então, nessa temporada, alguém disse “Escuta, porque não saímos pra jantar e celebrarmos quem NÃO vai morrer?” Vamos todos jantar e é isso, sem ser algo mórbido e depressivo!””.

CGM: Que carta você tem na manga para os walkers nessa metade da temporada, agora que eles não são mais somente a “ameaça no portão” ou o “resultado” da doença no bloco A?

GN: A ameaça que os walkers representam é algo que Scott e eu conversamos muito sobre quando terminamos a 3ª temporada. Porque a verdade é que o grupo tem saído em busca por suprimentos e voltado para a prisão durante um ano e meio, logo eles têm que ser bons em matar walkers ou então eles não teriam sobrevivido.

Por isso, uma das coisas mais tremendamente importantes para nós na 4ª temporada foi aumentar essa ameaça. Você nunca sabe o que está por vir. Precisamos pegar os personagens de surpresa. Isso tudo nos levou a uma grande sequência, que foi: “OK, como colocar os personagens em perigo no meio de uma horda zumbi? Bom, faça-os cair do céu.”.

E voltando ao nosso mundo, pra mim, isso é visualmente mais excitante. Vemos novos cenários. Vemos o que está acontecendo no mundo, e realmente, é a lei da sobrevivência. Eles têm vivido basicamente com o que tem nas mãos. Não há munição o bastante, nem muitas armas. Não há comida. Eles saíram de “fortificados e bem alimentados” para “indo embora com a roupa do corpo”.

CGM: Agora que a série Spinoff emplacou, queremos saber se ela tem algum impacto sobre o enredo de The Walking Dead ou se é algo completamente independente.

GN: Estamos tratando a série spinoff como outra coisa completamente diferente. Foi algo muito, muito importante na noção de uma série spinoff, coisa que jamais lidamos antes. Muitos de nós, os atores e a produção executiva, queriam ter certeza de que qualquer coisa que fizéssemos não diminuiria NOSSA história, NOSSO enredo, NOSSOS personagens e nem o momento em que estamos. Então a intenção é que seja algo independente.

CGM: Você sabe quando teremos alguma dica sobre o que vai acontecer?

GN: Claro que sim. Mas não posso contar [risos]. Após os acontecimentos, aí sim, poderemos discutir sobre isso!

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Fonte: Channel Guide Mag Blog
Tradução: Lucília Costa / Staff Walking Dead Brasil

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Entrevista

The Walking Dead BR Entrevista: Duane Charles Manwiller (Diretor de Fotografia)

Confira nossa entrevista exclusiva com Duane Charles Manwiller, o atual diretor de fotografia de The Walking Dead.

Rafael Façanha

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Duane Charles Manwiller ao lado do ator que interpretou Beta e vários zumbis e sussurradores nos bastidores de The Walking Dead

To access the interview with Duane Charles Manwiller in english, click here.

The Walking Dead é composta por inúmeros talentos que fazem com que a série tenha – e mantenha – o seu nível elevado de qualidade. Um desses profissionais é o Diretor de Fotografia, que atualmente é o incrível Duane Charles Manwiller.

Para quem não sabe, a direção de fotografia é uma das muitas funções que envolvem a criação de uma série ou filme. Seu propósito é trazer vida às definições do roteiro e produzir algo cinematográfico, com qualidades visuais que reforcem os aspectos já explorados na narrativa e orientem o olhar do espectador.

Duane conversou conosco sobre seu trabalho em The Walking Dead, como ele começou nesta área, como é trabalhar com vários diretores e roteiristas, sobre o impacto da pandemia nas gravações da série e o que podemos esperar da temporada final do drama zumbi.

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Duane Charles Manwiller:

1. Primeiro vamos conhecer um pouco sobre você e sua história: como começou sua paixão pela fotografia?

Duane Charles Manwiller: Oi Rafael. Estou muito feliz por poder sentar e responder a estas perguntas sobre TWD. Eu sempre fico realmente impressionado como quão sensacionais são os fãs da nossa série, e eu devo dizer que os fãs brasileiros são absolutamente incríveis!!

Desde que era criança sempre tive algum tipo de câmera nas mãos, fosse um brinquedo ou, quando fiquei mais velho, uma câmera barata daquelas de filme. Sempre procurando uma desculpa para tirar fotos, comecei a trabalhar para um jornal local muito pequeno, na cidade onde cresci, em Oregon. Eu ainda tinha uns 16, 17 anos. Não consegui terminar mais que algumas matérias na faculdade até decidir que aquilo não era pra mim, então quando tinha idade suficiente eu juntei minhas coisas e me mudei pro sul da Califórnia, onde comecei a pensar em entrar na indústria cinematográfica.

2. Em que momento de sua vida você percebeu que seria com isso que você trabalharia?

Duane Charles Manwiller: Uma história engraçada, essa. Quando eu tinha uns 12 anos, acho, meus pais decidiram nos levar pro sul da Califórnia numa viagem de família, pra visitar a Disneyland e a Universal Studios. Então, enchemos o carro e fizemos a peregrinação de mais de 13 horas até Los Angeles. Disneyland era, claro, legal, mas quando fui na Universal Studios e vi como eram os bastidores das séries, além dos sets dos filmes, eu fiquei encantado. Eu literalmente não conseguia pensar em fazer qualquer outra coisa além de achar um jeito de me envolver na indústria cinematográfica. Assim que chegamos em casa, eu escrevi uma carta muito séria (pra uma criança de 12 anos) para a Universal Studios e expliquei porque eu achava que eles deviam me contratar quando eu ficasse mais velho e que eu era o cara certo pra um futuro emprego na Universal Studios. Bem, eu nunca recebi uma resposta. Eu sempre penso nessa época quando filmo nos terrenos da Universal. 🙂

“Supertechnocrane 50′ filmando os Walkers no hospital. A equipe está toda escondida à esquerda.”

3. Como surgiu a possibilidade de trabalhar em The Walking Dead? Compartilhe conosco como tem sido essa experiência.

Duane Charles Manwiller: The Walking Dead esteve no meu radar desde que o episódio piloto foi ao ar.

Principalmente porque eu tinha vários amigos no departamento dos câmeras que estiveram envolvidos no projeto desde o início. Então eu fiquei de olho neles durante os anos. Antes de ser um cinematógrafo, eu era um operador de câmera e durante as primeiras temporadas eles tentaram muitas vezes me levar pra operar as câmeras, mas eu sempre estava trabalhando em outro projeto e os cronogramas não batiam. Na oitava temporada, eles me ligaram para fazer alguns episódios e foi isso. Eu fiquei encantado e estou na série desde então. Estamos prestes a começar as duas últimas temporadas consecutivamente!! Estou muito animado.

Desde os meus primeiros dias na série tem sido uma experiência muito boa. A “Família Walking Dead”, como a produção se autodenominou, me aceitou de braços abertos e me permitiu ter uma enorme liberdade no que diz respeito à fotografia da série.

4. Apesar de todo o contexto de suspense e terror na série, sempre que vemos fotos de bastidores acompanhamos todos muito felizes e descontraídos. Como é o clima nos sets de filmagem?

Duane Charles Manwiller: Estar no set de TWD é diferente de qualquer outra série na qual já trabalhei. O primeiro dia foi bem surreal. Eu entrei na parte de trás do estúdio para conhecer alguns membros do elenco e da produção antes do meu primeiro episódio. Eles estavam entre cenas e havia um grande grupo de zumbis conversando durante sua pausa, completamente equipados com seu figurino e maquiagem. Devo ter transparecido que era um novato, porque todos começaram a acenar e me receber no set. Bem bizarro. Trabalhar no set por si só é uma experiência recompensadora e divertida. É meio que um monte de crianças que não querem crescer. Explodindo coisas, maquiagem old school muito louca, hordas de zumbis. É uma experiência e tanto. E o elenco e a produção são fantásticos. Tantos deles estiveram juntos por tantos anos que se tornaram uma família estendida. Claro, temos alguns dias de filmagens difíceis e duros, mas a maior parte do tempo é um total prazer de trabalhar nessa série. Por esse motivo eu continuei voltando.

“Encontre o Diretor de Fotografia… Sou eu à esquerda tentando encontrar um local para caber uma câmera em torno de uma horda de Walkers.”

5. O trabalho de fotografia em The Walking Dead é praticamente impecável, e acompanhando um pouco do seu trabalho podemos perceber o porquê. Quais os segredos para se trabalhar tão bem nesse ramo?

Duane Charles Manwiller: Você é muito gentil, obrigado. Eu tive muita sorte de trabalhar junto com alguns diretores e cinematógrafos muito talentosos durante a minha carreira. E apesar de eu ter feito muito café e carregado muitos filmes de câmera quando comecei, eu ainda estava absorvendo conhecimento como uma esponja. Toda vez que entro em um set eu ainda estou aprendendo, especialmente porque a indústria cinematográfica está em constante evolução.

6. The Walking Dead tem vários diretores, e cada um tem suas particularidades. Esses diferentes estilos de direção acabam dificultando um pouco a maneira como você trabalha? No sentido de você ter que se adaptar a cada episódio? Como isso funciona para você?

Duane Charles Manwiller: Você está certíssimo. Temos uma equipe muito talentosa de diretores em rodízio, bem como constantes adições, e cada um quer deixar sua marca na série. Cada diretor que assume um episódio tem muita liberdade, mas ainda precisa dirigir a série mantendo a vibe que foi criada desde o primeiro episódio. Os produtores nunca contratariam alguém que acha que poderia entrar na série e reinventá-la.

“Alpha se preparando para fazer uma cena. A lente que estamos usando é chamada de Skater Scope e pode angular de maneiras diferentes para obter fotos interessantes.”

7. Estamos sentindo muita falta da série e dos nossos personagens favoritos. Como tem sido para você esse momento sem a série?

Duane Charles Manwiller: Bem, tem sido bem estranho pra toda a família TWD, assim como para todas as outras pessoas. Quando você me mandou essas perguntas originalmente, eu estava fazendo um filme em Porto Rico e daí a merda bateu no ventilador com o Covid e tudo relacionado a TWD ficou meio incerto. Desde então, filmamos uma temporada abreviada (que vai ser muito legal) e agora, em mais ou menos duas semanas, vamos voltar para a Georgia e começar a nos preparar para as duas últimas temporadas para finalizar a série. É um sentimento conflitante, mas muito excitante também.

8. Como você tem se cuidado durante a pandemia?

Duane Charles Manwiller: Pergunta difícil. Estou tentando passar por isso como todo mundo. Tempos difíceis numa escala global. Eu me sinto muito sortudo por estar trabalhando numa série que está tomando todas as precauções para manter todos seguros e saudáveis.

9. Sabemos que o principal impacto desta pandemia na série foi o adiamento dos trabalhos finais da season finale e o início das gravações da 11ª temporada. Mas o que mais foi afetado na produção de The Walking Dead?

Duane Charles Manwiller: Sim, uma vez que o Covid chegou, tudo mudou. A décima primeira temporada nunca aconteceu em 2020, mas filmamos uma extensão da décima temporada e foi mais uma ponte entre a décima e a décima primeira temporada, que começaremos a filmar em Março de 2021. Faz sentido? Isso confunde até a mim. Nas placas das câmeras nós simplesmente colocamos “Temporada 10 – continuação”.

“Diretor Greg Nicotero dando aos Walkers um pouco de amor de direção :)”

10. A série é aclamada em todo o mundo, mas aqui no Brasil o carinho dos fãs costuma ser especial. Esse amor chega até vocês? Como vocês veem o retorno do público brasileiro?

Duane Charles Manwiller: É engraçado você comentar isso. Eu sempre ouvi do elenco e de alguns membros da produção que temos uma base de fãs brasileiros enorme. Acho que vocês devem ser tão doidos quando a gente. E isso me deixa muito feliz. Já recebi muitas mensagens dos fãs no meu Instagram também. MUITO BACANA!! Se mantenha assim, Brasil. 🙂

11. Além de The Walking Dead, sabemos que você trabalhou em várias outras produções tanto na TV quanto no cinema. Você tem um formato preferido entre os dois? E poderia citar qual foi seu trabalho no cinema favorito?

Duane Charles Manwiller: Bem, eu costumava fazer mais filmes e eu diria que preferia eles à maioria das séries de TV. Isso principalmente por causa das séries que eu tinha feito e, com a exceção de uma série chamada LOST, parecia muito como uma fábrica de episódios. Não é mais assim agora, no entanto. Com todo o conteúdo original na TV, as séries boas têm uma vibe mais de filme. E The Walking Dead é assim. Eles ainda escrevem séries com a audiência e os fãs em mente, e não somente pra fazer dinheiro.

Difícil escolher um filme favorito no qual trabalhei, mas eu diria que o mais recente seria Baby Driver ou qualquer um dos John Wicks. Eu adoro fazer coisas de ação.

12. Qual o ator mais fotogênico de The Walking Dead? E qual aquele que não curte muito os cliques? E como é a sua relação com eles?

Duane Charles Manwiller: Bem, eu diria que todos são fotogênicos e amam as lentes. É isso que eles fazem, certo? 🙂

Cada um deles tem uma coisa favorita sobre a câmera, tenho certeza. E cada um deles se destaca em coisas diferentes. Todos sentimos falta de Andy Lincoln, no entanto. Ele era o vínculo entre todos. Como diretor de fotografia, é importante ter relações de trabalho saudáveis com o elenco e em The Walking Dead isso acontece muito facilmente.

“Sou eu fazendo uma leitura leve entre as gravações com Jeffrey Dean Morgan. Que é um super irmão!!”

13. Sabemos que você já trabalha na série há 4 anos, então gostaríamos de saber… Qual foi seu episódio favorito de fotografar? E qual a temporada?

Duane Charles Manwiller: Wow, você manda umas perguntas difíceis. Eu tive sorte de gravar os últimos episódios de Michonne, Carl e Rick, bem como de muitos outros que foram comidos ou só desapareceram. No entanto, o episódio final de Rick na nona temporada foi muito especial por diversos motivos.

14. O que você pode nos contar sobre essa fase final de The Walking Dead com os episódios extras e a 11ª temporada?

Duane Charles Manwiller: Direi que a pequena temporada que acabamos de filmar é uma ponte muito, muito boa para as duas temporadas finais que estamos prestes a iniciar. E essas duas últimas temporadas serão INSANAS. Especialmente para os fãs da série e dos quadrinhos.

15. Para encerrarmos: deixe um recado especial para os fãs brasileiros!

Duane Charles Manwiller: Fãs brasileiros!!! É realmente muito especial saber que temos uma base de fãs tão DEADicada no hemisfério sul. Todos sabemos o quão apaixonados vocês são por esportes, comidas, amor e agora The Walking Dead!!! Eu vou filmar essa última temporada com os fãs brasileiros no meu pensamento a cada dia que ligarmos as câmeras. AMAMOS VOCÊS, BRASIL!!

REDES SOCIAIS DO DUANE CHARLES MANWILLER:

– Instagram: @duane_charles_manwiller

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues

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Destaque

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Samantha Morton (Alpha)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Samantha Morton.

Rafael Façanha

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arte com Samantha Morton e Alpha para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Samantha Morton in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Samantha Morton, que interpretou Alpha durante as temporadas 9 e 10. A atriz nos contou sobre como foi o processo criativo para a personalidade de Alpha, sobre raspar seu cabelo, sobre como foi trabalhar com Jeffrey Dean Morgan (Negan) e Ryan Hurst (Beta), sobre a importância de ter personagens femininas fortes na TV e no cinema e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Samantha Morton:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Samantha Morton: Eu não fiz audição pra série, foi uma conversa com Angela sobre o que eles haviam previsto para essa personagem, e falaram comigo sobre o processo e se nós conseguiríamos fazer essa conexão funcionar, e se havia uma potencial faísca ali.

Eu não conhecia a série, tipo, eu não conhecia de antemão, não que isso tenha sido um problema, era só isso. Onde eu morava não tinha TV, e por ser uma mãe muito ocupada eu não assistia a série, mas então eu assisti e achei absolutamente extraordinária, você tem uma série muito cinematográfica que toda atenção aos detalhes é levada muito a sério, é tudo bem filmado e eu achei isso muito inspirador.

Você já deve ter ouvido isso muitas vezes, mas nunca é demais repetir. Sua atuação como Alpha foi irretocável e memorável. Divida conosco como foi o trabalho de desenvolvimento e qual foi sua inspiração para dar vida à personagem.

Samantha Morton: Desenvolver a personagem foi tanto um processo contínuo de leitura do roteiro como eu percebendo o que ela estava fazendo ou o que ela tinha feito no passado, ou o que ela estava prestes a fazer. E acho que minha inspiração para interpretar Alpha foi realmente um trabalho colaborativo ao lado de Cassady e de diferentes diretores, em particular, Jessica que trabalhou comigo na minha voz, me ajudou com o passado de Alpha, sabe, quem era Alpha antes dela se tornar Alpha, certificando-se de que a voz estava correta, e depois, pensar sobre o relacionamento da Alpha com o Beta e viver como a natureza queria e como isso a afetou.

É, eu acho que isso foi realmente um processo contínuo trabalhando com Greg Nicotero, certificando-me de que eu tinha a caminhada adequada e sim, essa foi minha inspiração.

Talvez um dos traços mais marcantes da sua preparação tenha sido raspar a cabeça para viver a personagem. Como foi essa experiência para você?

Samantha Morton: Foi tranquilo raspar todo meu cabelo, eu fiquei um pouco triste no primeiro momento porque eu tinha um cabelo bem longo, fiquei um pouco triste mas depois que entrei na personagem e me tornei Alpha ficou tudo bem, e também é muito quente na Geórgia, onde filmamos, pra mim foi realmente libertador não ter cabelo por que era mesmo muito quente.

Você e a Alpha das HQs se parecem muito fisicamente. Seus trejeitos na interpretação da vilã também ficaram como muitos fãs dos quadrinhos imaginavam. Você chegou a acompanhar a saga de Alpha no material fonte para desenvolver a personagem ou preferiu seguir apenas os roteiros?

Samantha Morton: Eu não fiz referências aos quadrinhos, eu vi os quadrinhos mas quando eu interpreto personagens como Jane Eyre ou Mary, a rainha da Escócia, eu acho que você tem que fazer essas coisas você mesma, você tem que tentar encontrar o personagem dentro de si, pois se você apenas imita coisas se torna mais difícil ser livre nisso.

A relação entre Negan e Alpha se desenrolou na tela como nos quadrinhos. Você estava familiarizada com o relacionamento deles nos quadrinhos? Como foi trabalhar com Jeffrey Dean Morgan nesses papéis icônicos?

Samantha Morton: Trabalhar com Jeffrey Dean Morgan foi divertido e empolgante, e um pouco estressante por que obviamente ele estava na série a mais tempo que eu e Ryan, que interpreta Beta, então é, foi muito divertido e ele foi muito gentil comigo e acho que pra mim aquela foi uma das minhas melhores experiências trabalhando com um coadjuvante do gênero masculino por que às vezes é difícil trabalhar com homens, porque obviamente eles estão fazendo muita coisa em seus personagens e às vezes eles ficam presos no que estão fazendo, mas descobri que JDM não tinha ego e ele realmente queria ter certeza de que eu fosse cuidada e se eu estava bem, e sabe, nós cuidamos um do outro.

Você teve cenas marcantes e inesquecíveis para os fãs, e já falamos aqui sobre como sua interpretação foi ótima e fiel à Alpha que conhecemos na HQ. Mas você pode nos falar sobre uma cena ou um momento que ficou marcado já sua trajetória como a vilã? Houve algum episódio em particular que te marcou?

Samantha Morton: Acho que realmente lutei com as cenas da Alpha sendo simplesmente muito violenta super rápido, e demorou um pouco pra mim entrar no ápice daquele momento, mas eu ficava tranquila se pudesse ter um tipo de diálogo antes da violência e coisas assim, mas ser violenta muito rápido foi bem difícil, o episódio com os momentos de flashback foi muito difícil, eu estava interpretando meio que uma pré-Alpha e eu estava tendo que cuidar de Lydia e eu achei isso bastante perturbador e difícil como uma mãe.

Os Sussurradores são uma comunidade que, basicamente, abdica da vida como uma sociedade pré-apocalíptica e escolhe viver “como um grupo de animais”. Mas Alpha, em alguns momentos, recorre ao seu lado humano, como nas tentativas de resgatar Lydia ou em sua relação com Negan, por exemplo. Como você vê essa questão? Alpha, no fundo, ainda tinha mais humanidade do que pensava?

Samantha Morton: No fundo, Alpha era mais humana do que ela achava, você não pode desconsiderar totalmente sua humanidade e eu acho que a Alpha pós-apocalipse tinha se adaptado a sobreviver do jeito dela, e eu acho que aquele foi o manifesto dela se você gosta do jeito que os Sussurradores vivem, não como um bando de animais, mas eles meio que tentam voltar para a natureza de um jeito que é realmente inspirador.

Você e Ryan Hurst (Beta) parecem se entender muito bem em cena. Conte pra gente como é a relação entre vocês nas gravações. Você lembra de algum momento engraçado entre vocês no set?

Samantha Morton: Foi muito divertido trabalhar com Ryan Hurst, ele costumava me pregar pequenas peças e fingia que tinha aranhas em mim por que eu tinha bastante medo de aranhas no set. Eu sou um pouco medrosa, um pouco assustada na floresta, como o Sam na verdade, então interpretar Alpha que não tinha medo de nada foi realmente um esforço que eu tive que fazer, e eu acho que simplesmente ter ele lá deixava tudo melhor. Às vezes o calor me pegava ou as horas eram bastante longas, e você precisa de amigos em sua volta, você precisa sentir que cuidam um do outro, que vocês vão conseguir passar por aquele dia ou aquela cena, e eu tive muita sorte.

E com o restante do elenco? Por mais que o clima entre Alpha e os “mocinhos” fosse tenso, imagino que, atrás das câmeras, todos se davam muito bem.

Samantha Morton: Todos são incrivelmente amigáveis no set de The Walking Dead. Eles são realmente uma família, todos são iguais a todos, todos cuidam de todos, o grupo, o elenco, os personagens, quero dizer, as pessoas que você conhece, que nos conduzem, são absolutamente amáveis, especialmente o departamento de maquiagem.

Os fãs das HQs sabiam qual seria o destino de Alpha, e essa previsão foi cumprida. Mas a sensação que temos é que sua participação na série foi tão intensa que durou pouco! Você acredita que a personagem poderia ter rendido mais histórias em The Walking Dead ou acha que Alpha se foi no momento certo?

Samantha Morton: Eu fiquei chateada quando meu fim chegou, mas eu também realmente respeitei o motivo dele chegar, e eu acho que nenhum personagem é maior que a série, e nós estamos lá para apoiar e servir. Se você gosta de The Walking Dead, e se The Walking Dead precisa que isso aconteça por uma razão individual desconhecida, é isso que vai acontecer. The Walking Dead é The Walking Dead e eu me sinto simplesmente orgulhosa e privilegiada por ter feito parte disso o máximo que pude.

Qual foi sua reação ao receber o roteiro do episódio em que Alpha morreria?

Samantha Morton: Eu soube que ela ia morrer assim que fui escalada. Havia um indício de que isso provavelmente aconteceria, então eu estava preparada e tive que manter em segredo.

Muitos fãs esperavam um confronto direto entre Alpha e Carol, até pela sede de vingança de sua “inimiga” após a morte de Henry. Mas essa vingança veio de forma indireta, com Carol encomendando a morte de Alpha. Você também esperava “encarar” Melissa McBride mais individualmente?

Samantha Morton: Na verdade, eu não tinha nenhuma expectativa em encenar com Melissa Mcbride. Eu entendia o porque os fãs deveriam querer isso e a história por si só deveria querer, mas eu não tinha expectativas de qualquer forma, no entanto achei muito interessante como eles decidiram juntar essas duas mulheres dentro da cabeça de Carol, e eu amei trabalhar com Melissa naquelas cenas.

Uma discussão interessante surgiu recentemente em The Walking Dead: ela basicamente diz que lados opostos sempre pensam que têm razão na discussão. Nesse sentido, não existiriam mocinhos e vilões nesse mundo, mas, sim, pessoas buscando defender seu lado. Você concorda com isso? Se sim, Alpha não pode ser considerada, necessariamente, uma vilã, mas, na verdade, uma pessoa tentando sobreviver no novo mundo, certo?

Samantha Morton: Eu concordo, acho que muitos dos personagens em The Walking Dead fazem coisas horríveis frequentemente em busca da sobrevivência, e eles tem que fazer certas escolhas em certos momentos que outras pessoas podem não concordar. A câmera e a direção sempre mostram a perspectiva do protagonista, dos mocinhos e mocinhas, então, eu não interpretei Alpha como uma vilã de qualquer forma, interpretei ela apenas em sua jornada.

Infelizmente, para a tristeza dos fãs, Alpha não conheceu Rick na série de TV. Você chegou a conhecer Andrew Lincoln ou vê-lo como Rick Grimes no set em algum momento? Um confronto entre esses dois personagens teria sido algo realmente épico!

Samantha Morton: Sim, eu conheci Andrew Lincoln. Ele ficou um pouco por lá quando fui pela primeira vez e foi simplesmente fascinante conhecê-lo, vê-lo e passar um tempinho com ele e eu fiquei muito encantada em ter aquele momento. Ele fez um trabalho marcante na série e por ser um pouco fã aquilo foi realmente legal e teria sido ótimo encenar com ele, mas isso não aconteceu.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas, e Alpha definitivamente foi uma delas. Como foi pra você compor e interpretar uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é esse tipo de representação feminina para outras mulheres?

Samantha Morton: Eu acho muito importante que tenhamos personagens femininas como Alpha na TV e em filmes. Geralmente os papéis mais picantes… certamente nos filmes do Bond, os homens são os vilões e as mulheres são marginalizadas a serem bonitas ou talvez espertas, mas sabe, eu acho muito importante que tenhamos Alpha e sim, precisamos mais disso, precisamos mais desse tipo de mulher forte na tela.

Além de participar do Universo de The Walking Dead, você está presente em outra grande franquia amada pelos fãs da ficção: o Universo de Harry Potter! Lá você interpreta a no-maj Mary Lou. Você pode nos dar alguma dica sobre o que acontecerá com ela nos próximos filmes? Como foi a sua experiência nesse mundo de Animais Fantásticos?

Samantha Morton: Eu adorei fazer parte de Animais Fantásticos, foi muito divertido e de novo, outra oportunidade de ser parte de algo que tem uma história e um futuro, e eu amei trabalhar com Ezra Miller.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Samantha Morton: Estou bem, estou com sorte, segura com minha família e estamos lidando com isso um dia de cada vez e vestindo nossas máscaras, tentando nos manter seguros e encorajando outras pessoas a lavarem suas mãos, manterem a distância e vestirem suas máscaras.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Samantha Morton: Sim, eu abri uma conta no Instagram quando entrei pra série e os fãs brasileiros dão “olá” pra mim no Instagram e tem sido legal. E eu digo “olá” para o Brasil de volta, eu amo os fãs brasileiros e eu amaria ir para o Brasil um dia. Eu nunca fui para a América do Sul, então seria empolgante pra mim e isso também é, quero dizer, o fato de eu estar falando com você agora é importante e é importante pra série, sabe, nós não teríamos uma série sem os fãs e é por isso que todos são tão importantes pra nós. Muito obrigada!

REDES SOCIAIS DA SAMANTHA:

– Twitter: @samthesparrow
– Instagram: @samanthamorton

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini & Margo Goldwyn
– Tradução: Victoria Rodrigues & Thalia Tormes & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino (Tamiel)

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Destaque

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino (Tamiel)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores. Confira nosso papo com Sabrina Gennarino.

Rafael Façanha

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arte com Sabrina Gennarino e Tamiel para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Sabrina Gennarino in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Sabrina Gennarino, que interpretou Tamiel durante as temporadas 7 e 8. A atriz nos contou sobre a lealdade de Tamiel à Jadis, sobre como foi trabalhar com Pollyanna McIntosh tanto em The Walking Dead quanto em outros projetos, sobre sua participação na série The Purge e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Sabrina Gennarino: Obrigada! É uma honra ser considerada para o seu fansite! Basicamente, consegui a audição pelo meu agente. Eu gravei e tive a sorte de conseguir o papel! Eu estava e ainda estou nas nuvens com isso. Eu conhecia a série antes de conseguir o papel. Mas eu não assisti na época, eu estava “sensível” porque tinha acabado de ter minha filha e simplesmente não conseguia lidar com nada ou ninguém se machucando.

Não sabemos nada sobre o passado de Tamiel. Quando você a interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ela ou isso não a afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ela para ajudar de alguma maneira?

Sabrina Gennarino: Uma história é SEMPRE importante. Isso é o que traz “vida” aos personagens que você cria. Scott Gimple e eu discutimos a incrível história que ele tinha para Tamiel. Eu adorei e não mudei nada. Havia algumas coisas que ele não compartilhou sobre a história dela. Então eu tenho isso na minha cabeça. Talvez um dia possamos ver isso.

Por que você acha que Tamiel era tão leal a Jadis e a vida adotada pelos Catadores?

Sabrina Gennarino: Para mim, na minha opinião, é porque elas foram as primeiras a chegar e provavelmente se conheciam “antes”. Elas compartilhavam a visão de existir artisticamente, no mínimo, com uma mentalidade de “Todos por um, um por todos”. Contornando o gênero e as limitações que enfrentamos no mundo de hoje.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas. Jadis foi uma líder incrivelmente forte e Tamiel também é uma personagem feminina muito forte e decidida. Como foi pra você compor e atuar em uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é essa representação para outras mulheres?

Sabrina Gennarino: Acho extremamente importante! É lindo ver a força das mulheres na tela! The Walking Dead faz um trabalho incrível com isso. Estou ansiosa para o dia em que personagens femininas fortes não sejam consideradas “poderosas” ou “fortes”, mas apenas mulheres. Melhor ainda, uma pessoa fazendo o que outra pessoa faria para sobreviver em um apocalipse, independentemente do gênero.

Como era o clima no set dos Catadores? E como foi trabalhar com Pollyanna McIntosh e Thomas Francis Murphy? Você lembra de algum momento engraçado dos bastidores pra compartilhar conosco?

Sabrina Gennarino: Qualquer hora no set é incrível. Independentemente do projeto, mas devo dizer, fazer parte de um programa icônico, como The Walking Dead, e em tão boa companhia, cercado por pessoas brilhantes é um presente e me sinto incrivelmente abençoada.

Você sabe, você pensaria que todos nós seríamos incrivelmente sérios, o tempo todo que estamos filmando. Mas de alguma forma, era um conjunto tão leve (como em energia). Isso tem muito a ver com Andy e sua equipe. Tantos momentos engraçados, mas “Derelict” tinha que ser um dos mais engraçados… Nossa passarela em cima de nossa pilha de lixo canalizando Derek Zoolander.

Tamiel foi morta por Simon e depois aparece zumbificada. Você pode falar um pouco sobre como foi a gravação do seu último episódio? Como/quando você descobriu sobre a morte de Tamiel? E como foi seu processo de maquiagem zumbi?

Sabrina Gennarino: Impossível não chorar durante todo o processo de gratidão e tristeza. Como e quando eu descobriu que Tamiel iria morrer? Scott ligou para me dizer, cerca de uma semana antes da data marcada para o meu filme. O processo de virar zumbi foi tão legal. Valeu totalmente as muitas horas que demorou.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Sabrina Gennarino: Todos eles. Por quê? Voltando ao “todo dia no set é um dia perfeito” para se divertir. Desafiador… porque… bem… ser um ator em si É um desafio! Viver na pele de outra pessoa, de uma forma muito real, é desafiador. Transmitir esse personagem, neste caso, sem falar muito, é desafiador.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Sabrina Gennarino: Claro! Primeiro dia: vibração familiar imediata. Você acha que é apenas uma coisa que eles dizem quando ouve sobre a família TWD. Mas está certo.

Último dia: parecia que estava me mudando para outro planeta e não veria minha família, incluindo nossa incrível equipe, nunca mais. O que, claro, não é assim. Nós nos vemos frequentemente e muitos de nós conversamos com frequência. Agradeça ao Universo por isso!

Se Tamiel tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ela tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Sabrina Gennarino: Eu tenho que dizer: Todos. Eles.

Quais são as etapas do seu processo de interpretação? Você segue algum ritual antes de entrar em cena com suas personagens? Como você se prepara?

Sabrina Gennarino: Eu realmente não tenho um ritual, mas se eu tivesse que descrevê-lo…
1. Eu sinto uma conexão com o personagem? Sim? Continuar. Não? Passe com respeito.
2. Sim? A construção começa, como na vida dessa pessoa em sua mente que você não leu na página, enquanto aprende as palavras que a pessoa diz.
3. Ore para que você não seja ruim.
Eu realmente não posso ter um ritual específico porque cada personagem é diferente. Se eu fizesse, seria eu, não o personagem, isso me tiraria da cabeça e do corpo do personagem que estou interpretando.

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

Sabrina Gennarino: Não… vou deixar isso para as pessoas incríveis que escrevem o programa.

Você também trabalhou com Pollyanna McIntosh em Darlin’, que escreveu e dirigiu o filme. Como foi trabalhar sobre o comando dela? E quão desafiador foi esse projeto?

Sabrina Gennarino: Ugh! Ela é a pior! Mas sério… lendária. Humano verdadeiramente brilhante e belo. Foi uma honra ter essa experiência com ela. Eu nem consigo descrever como é difícil fazer o que ela fez, com graça, com poder, com bondade enquanto arrasa. Ela explode minha mente. Cada função é desafiadora!

Precisamos falar sobre The Purge. Você estava simplesmente sensacional como Madelyn! Como esse trabalho surgiu pra você? E quão divertido – e assustador? – foi participar dessa série? E o que você, pessoalmente, iria preferir enfrentar: uma noite de expurgo ou uma horda de zumbis?

Sabrina Gennarino: Ah! Obrigada! EU AMEI ela! Da mesma forma que faço na maioria das vezes: por meio do meu agente. Todo trabalho é divertido! E assustador! Eu teria que ir com a horda de caminhantes! Pelo menos você sabe com o que está lidando! Ha!

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Sabrina Gennarino: É horrível. É horrível para todos. Infelizmente, sim! Mas não tenho dúvidas de que tudo vai se recuperar, melhor do que nunca. Precauções de quarentena e segurança. Escrevendo mais! E nós (minha filha Izzy G! E meu marido, Pieter Gaspersz) abrimos uma empresa chamada Biddle and Bee! Roupas e acessórios veganos, mas agora, nosso foco é feito sob medida, ajuste personalizado, tecido personalizado, máscaras ultra-seguras, que excedem as recomendações do CDC. E isso nos deu tempo para também nos concentrarmos no Crap Free Skin Care, nossa linha vegana de cuidados com a pele e… o mais importante, uns nos outros. Sempre fazemos o nosso melhor para encontrar o lado positivo das coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Sabrina Gennarino: AMO O BRASIL!!!! Vocês são os melhores! Nem sempre o carinho chega! Então, isso é tão lindo de ouvir! Muito grata por ouvir isso!!!!! BRASIL!!!!! VOCÊS SÃO OS FÃS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO!!! EU TE AMO!!!!

REDES SOCIAIS DA SABRINA:

– Twitter: @girlsgottaeat
– Instagram: @sabrinagennarino
– Facebook: @sabrina.gennarino

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Brighton Sharbino (Lizzie)

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