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Entrevista

“Bromance Verdadeiro” – Entrevista e photoshoot de Norman Reedus e Andrew Lincoln para a Atlanta Magazine

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Em The Walking Dead, a série megahit da AMC filmada na Georgia, ninguém está a salvo dos zumbis. Nem mesmo, como tememos. Os dois amigos falam sobre a comida de Atlanta, animais mortos nas estradas, fãs loucos e como tudo pode acabar de uma hora para outra. Confira abaixo a super entrevista que a revista Atlanta realizou com Norman Reedus (Daryl Dixon) e Andrew Lincoln (Rick Grimes).

Entrevista por: Steve Fennessy | Fotos por: John Russo

No último Agosto, almocei no Miller Union, onde o co-proprietário Neal McCarthy ouviu que estavam tentando fazer com que os astros de The Walking Dead aparecessem em nossa capa de Novembro. Aconteceu que todo o elenco esteve no restaurante há algumas noites antes disso. Por quê? Cada vez que um personagem morre, os atores homenageiam o colega que está partindo e, sem dúvidas, perguntam a si mesmos quando será que seu tempo terá acabado. Afinal de contas, a primeira regra em um apocalipse zumbi é a de que eles não discriminam a hora certa das refeições. Então, enquanto ninguém mais se choca com o fato de que alguém morrerá nesta temporada, teremos que esperar para ver quem exatamente foi a vítima. Hershel? Glenn? Carl? Certamente não será Rick. Ou Daryl!

Bem, quem sabe? Em Los Angeles, no mês de Outubro, falei com Norman Reedus (intérprete de Daryl, o caipira misterioso com uma besta) e Andrew Lincoln (que interpreta Rick, o xerife que, até a última temporada, ao menos, liderava o grupo de sobreviventes). Tanto Daryl como Rick sofreram perdas gigantescas (Rick, por exemplo, matou o melhor amigo, e seu filho precisou atirar na própria mãe, esposa de Rick, após ela dar à luz). Nestes mais de três anos em que se conhecem, Lincoln e Reedus se tornaram amigos próximos, o que se torna ainda mais óbvio quando estão juntos. Ambos costumam trocar acusações e exigências (Reedus costuma assinar suas contas com o nome de Lincoln, e depois manda-lhe numa foto, com o dedo do meio erguido), mas ambos são generosos em sua admiração um pelo outro. O mais impactante ao conversar com Lincoln é se acostumar ao seu sotaque britânico, que ele consegue suprimir de maneira tão eficiente no set, a ponto de alguns membros da equipe não se darem por conta até após o final da primeira temporada de que não apenas ele não é do Sul como ele sequer é americano.

Atlanta é a tônica de nossa discussão. Ambos os atores vivem aqui durante a produção – Lincoln na cidade, com a esposa e dois filhos; Reedus ao sul da cidade, próximo a Senoia, onde o show é filmado – e ambos se mostram entristecidos com a possibilidade de saírem da Georgia (na HQ que originou o show, eles se mudam para Washington D.C., mas não há nada dito a respeito de quando, como ou se realmente isso acontecerá no show, que não segue os quadrinhos religiosamente).

Enquanto isso, Lincoln e Reedus fazem os eventos publicitários da quarta temporada do show. Ambos os atores dizem que estarão na Walker Stalker Convention em Atlanta no começo de Novembro, e Reedus está lançando um livro de fotografias em 31 de Outubro.

Nota: Esta é uma versão estendida da entrevista que está na revista.

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The Walking Dead é filmada na Georgia no calor do verão. Alguma parte de você não desejaria que ela fosse filmada aqui em Los Angeles, com uma temperatura mais amena e na brisa?

Andrew Lincoln: Eu amo estar em Atlanta. Muito do sucesso do show é por filmarmos lá, longe da indústria. Estamos em uma bolha em Senoia. Não estamos atualizados sobre a parte empresarial da coisa. Estamos nas locações, o que nos força a ficarmos unidos.

Como você a via antes?

Lincoln: Minha percepção era um clichê terrível – das cidades caipiras sulistas. Então você chega a uma metrópole como Atlanta e pensa, isso é incrivelmente sofisticado e muito urbano. Mas meu ponto de referencia havia sido “Dueling Banjos”, em Amargo Pesadelo (filme de 1972).

A maneira como você interpretou seu personagem mudou, baseado em ter vivido por lá?

Lincoln: Não, é algo completamente diferente. Começou de maneira observacional. A fala, o dialeto, a maneira como você fica lento por causa do tempo. As pessoas falam devagar. Eu trabalhei duro para conseguir aquela entonação. À medida em que você passa mais tempo com aquele cara, você constrói outras coisas. Senoia ajuda. O estúdio é muito protegido. E eu vou mudando. Minha família mora em Atlanta, meus filhos vão a escola lá. E eu tenho carteira de motorista da Georgia!

Você ficou na fila?

Lincoln: Precisei ir direto do trabalho, após uma incrível cena de luta. Eu estava ensanguentado – eu limpei tudo – eu acho – e então fui tirar minha foto, e fiquei parecendo um serial killer. Havia sangue no meu pescoço, na minha cabeça. A moça me perguntou: “Teve um dia ruim no escritório, baby?”

Eu li que você não assiste ao show…

Lincoln: Não apenas este show. Isso já é assim pelo menos por quinze anos. Eu assisti um pedaço de This Life [drama da BBC em que Lincoln estreou nos anos 90], e talvez uns dois episódios de Teachers [outra série britânica]. E chega pra mim. Não ajuda em nada. Se eu assisto e gosto de algo que fiz, vou tentar reproduzir. É algo bastante deliberado, e eu quero me deixar fora da equação. Eu não quero estar nela. O prazer e a satisfação eu tenho em fazer as coisas.

Então como você consegue entender a obsessão que as pessoas tem pelo show quando você sequer o assiste?

Lincoln: Eu entendo por que eu vivo isso, cara! Você está apenas assistindo. Eu tenho que viver isso. Eu adoro este emprego, eu estou tão envolvido nele em vários níveis, por causa das amizades que fiz. Quando você trabalha em um set, você vê as pessoas doentes, você as vê bem, vê casamentos terminando, vê pessoas se reunindo, vive todos estes outros aspectos que existem em se fazer um trabalho com uma comunidade de pessoas. Duzentas e cinquenta pessoas trabalham nesse show. Eles se tornam parte da sua vida diária. E eu sacrifico tanto tempo longe da minha família, que se eu não me importasse tanto quanto vocês se importam, haveria alguma coisa muito errada.

Você acabou de fazer 40 anos. Alguma revelação?

Lincoln: Não, apenas estou mais grisalho, e minhas articulações doem um pouco mais pela manhã. Há alguma relação entre crise de meia idade e ser capaz de matar zumbis enquanto isso. Sim, as pessoas compram Ferraris e eu prefiro livrar o mundo de hordas zumbis.

Você fez alguma coisa?

Lincoln: Bem, a comemoração do meu aniversário foi substituída pela comemoração do aniversário da minha filha. Ela comemora quatro dias antes de mim. Então, é tudo para ela. Foi seu sexto aniversário. Eu voei de volta [para a Inglaterra], voltei para o aniversário dela e, no meu aniversário, fui com minha esposa e mais doze garotinhas de seis anos para o circo. Assim foram os meus 40 anos.

Há muitos graus de mania com esse show. Quais foram as coisas mais estranhas que você já viu?

Lincoln: Norman ganha todo o tipo de coisas estranhas. É ele quem filtra as maluquices.

Então, qual é exatamente o apelo dele?

Lincoln: Ele é uma daquelas raras pessoas que, quanto mais você conhece, mais se revela. Muitas pessoas gastam seu tempo tentando descrever a si mesmas para você. “Este sou eu.” E invariavelmente, quando você os conhece melhor, acabam se tornando menos interessantes. Norman é uma das poucas pessoas que se torna mais interessante. Ele é uma ator extraordinário e faz isso sem esforço. E isso vai soar pretensioso – por que sempre que você fala em atuar acaba parecendo pretensioso, e é por isso que não falo a respeito – mas ele é um minimalista. Ele faz o mínimo esforço para a recompensa final. Ele é muito refinado e brilhante. Muitas pessoas dizem “oh, ele é apenas legal.” Mas quanto mais você o conhece, mais você se dá por conta do quão sensível ele é. Ele irá me odiar por dizer isso, mas ele tem um bom coração, ele é muito leal e incrivelmente brilhante. Seus instintos são dos melhores que já vi em um ator.

[Reedus chega.]

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Estávamos falando em você .

Reedus: Filho da mãe! [Para a bela garçonete] Quero Jack e Coca cola.. Por gentileza, seja querida!

Garçonete: [Risos] Okay. Algo mais para vocês?

Reedus: E uma caixa de Parliament Lights.

Fiz uma pesquisa com mulheres que assistem ao show a respeito de quem elas preferem – Daryl ou Rick – e apenas uma disse que preferia Rick. Desculpe, Andrew.

Reedus: [Risos] Ela provavelmente deve ser a única maior de idade.

Como você se sente a respeito, Andrew?

Reedus: [Olha para Lincoln] Sabia que eu estou colocando isso tudo na conta do seu quarto?

Lincoln: [Sacode a cabeça] Sabia que todo ano ele faz a mesma coisa? Ganhamos diárias aqui.

E ele usa as suas?

Lincoln: Todas as vezes! Então depois ele tira uma foto da conta enorme e faz isso [ergue o dedo do meio] e são 500 dólares! E ele esteve aqui apenas UM dia? O que ele fez, destruiu o bar? Então, o que eu acho disso [do fato de as mulheres preferirem Reedus]? De todo o coração, eu concordo.

Norman, você tuita um monte, mas você não, Andrew, certo?

Lincoln: Eu não sei o que é isso.

Reedus: Sou viciado em Twitter.

Há websites dedicados às fotos do seu gato que você tuitou!

Reedus: Meu melhor amigo. Meu gato gordo. Aquele bastardo!

Há uma foto de Daryl segurando um bebê, a filha de Rick. Ele está dando mamadeira a ela. Alguém escreveu uma legenda que diz: “Você ouviu isso? É o som de várias vaginas simultaneamente explodindo.”

Reedus: Adoro esse som!

Lincoln: Como ele é?

Reedus: Aterrorizante.

Lincoln: Isso é legal. [Perguntando para Reedus] Como você se sente a respeito?

Reedus: É divertido. O problema é que muitas dessas fãs são menores de idade. Ou idosas. Veja, tivemos quatro anos para desenvolver estes personagens. As pessoas os conhecem, elas se envolveram bastante. Todos os amigos do meu filho preferem ele [apontando para Lincoln]. Eles detestam alguns personagens.

Lincoln: Mas você precisa fazer algo com ele. Você poderia ter interpretado como um caipira. Você poderia ter feito algo completamente diferente e detalhado, e bonito, e machucado. [Parece se dar conta de algo]. Você é um solitário, não? Você é um solitário confesso!

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Reedus: Por isso é que há tantas fotos do meu gato!

Lincoln: Ele é solitário. Essa é a sua vida.

Reedus: Está certíssimo. Agora vou ali me matar.

Lincoln: Uma das várias coisas que eu adoro no show é que ele me faz lembrar de “The Magnificent Seven”. Você tem todas aquelas pessoas improváveis que não se dariam bem juntas. Eles são desajustados, solitários, machucados, ferrados, torturados. E eles andam juntos. E há cinco ou seis deles que você ama. Alguns dos melhores momentos não são os de morte ou massacre, mas sim os lampejos de generosidade, onde você ajuda um pouco os demais ao longo do dia. Havia uma fala minha para Daryl, “Muito obrigado, eu sei o que você fez por mim,” e ele respondeu “Você teria feito o mesmo.” Isso é o tipo de coisa que você deseja.

Reedus: Quando Lori [esposa de Rick] morre, e Maggie aparece com o bebê, você desmorona. Sem dúvidas, aquele foi um dos melhores momentos de atuação que já vi em minha vida. Eu estava ao fundo, e foi difícil determinar se Daryl estava se sentindo mal por Rick ou se Norman estava triste por Andy. Eu estava soluçando, tipo “Cara, não com o meu garoto, não Andy!” Somos tão próximos.

Lincoln: Essa é a verdade. Eu não queria a Sarah Wayne Callies dentro do set. Por que eu iria interpretar o “ela morreu.” Você forja estas amizades incríveis com estes personagens que você perde. Você honra os mortos quando eles se vão, e você tem que fazer o máximo que pode para tanto, pois eles fizeram um trabalho maravilhoso.

Eu estava em Miller Union há algumas semanas e eles contaram que houve um jantar de todo o elenco por que é o que vocês sempre fazem quando alguém morre. Isso deve ser difícil. E sempre começa na sala dos roteiristas.

Reedus: É uma droga. E não apenas isso, mas os roteiristas daquele episodio estarão no set. E se eles forem os responsáveis pela morte de um de seus amigos, você não irá os receber com “Hey, bom te ver”; você só olha pra eles e pensa: “FDP!” Quando alguns personagens morrem, a história poderia ter sido diferente. Você pensa, “por Deus, se tivessem deixado aquele personagem vivo por mais algum tempo, você poderia ter uma história mais rica!” Mas, assim como na vida, se todos estivessem com suas histórias concluídas no momento de sua morte, não seria nada interessante.

Lincoln: Bem pensado. Tenho visto vários grandes filmes ultimamente e não há desafio. Você sabe que tudo dará certo. Haverá uma cena elaborada de perseguição ou batalha – e ninguém morrerá. Então, eu concordo. Há algo incrivelmente interessante a respeito de como alguém está na sua vida, de verdade, e é tirada de você. Isso muda você, irrevogavelmente. Em cenas assim, quando você fala sobre os mortos, é a coisa mais fácil do mundo interpretar, por que você tem uma história com essas pessoas, assim como o público.

Reedus: Ajuda muito filmarmos onde filmamos, na floresta, em nossa pequena bolha, onde só há a gente. Somos tão unidos por lá. Acho que jamais poderemos fazer um show como esse novamente… É algo impossível, por todas as razões.

Me partiu o coração ver Merle [irmão de Daryl, interpretado por Michael Rooker] morrer.

Reedus: A mim também. Rooker é um tornado. Ele é alguém que acrescentou muito ao show. Havia uma imprevisibilidade a respeito dele que nos mantinha a todos alertas o tempo todo. Você poderia colocar um muro ao redor dele, que ele simplesmente o atravessaria. Foi uma droga dar adeus a ele. Rooker é diferente. Ele é o Demônio da Tasmânia.

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Você pode ver e ouvir na TV, mas não pode cheirar. Nas profundezas do verão da Georgia, o que não estamos cheirando? Especialmente na prisão?

Lincoln: A prisão não é tão ruim, nós temos ar condicionado.

Reedus: O cheiro é parte de nós. Está dentro de nós. É podre.

Você finalmente sorri nesta temporada?

Lincoln: [Sorri] Sim. Esta temporada começa em uma situação diferente. Os roteiristas foram muito inteligentes. Eles estão voltando atrás e começando novamente. É quase como se houvesse uma nova civilização. Rick renunciou a liderança e foi cuidar dos porcos da fazenda.

Sério? Um gentil fazendeiro cuidando de porcos?

Lincoln: Não sei muito. Não vai ser tudo tão direitinho. Há um dia em que eu estava perto daqueles porquinhos…

Reedus: Foi o melhor dia.

Lincoln: …e éramos eu, ele e cinco porquinhos. Um se chamava Chaps, por causa das pernas pretas; o outro, Bandit, com dois olhos pretos. Muito bonitinhos. Dois outros ganharam os nomes infelizes de Pork e Chop, e eram muito quietos. Mas o meu favorito era o caçulinha, chamado Truffle. Porquinho lindo. É uma vergonha o que aconteceu. Não, não, não, nenhum animal foi maltratado nas filmagens!

Quantas vezes vocês trocam de roupa?

Lincoln: Nenhuma. Usamos as mesmas coisas. Tenho usado as mesmas botas, e elas estão caindo dos meus pés. Eu tenho um par e eles não sabem o que fazer. Trocamos a sola seis vezes. Se não precisar fazer isso duas vezes por temporada, é sinal de que não estou trabalhando o suficiente.

Todas essas lojas que vocês podem saquear durante o apocalipse e vocês nunca trocam de roupas.

Reedus: Não estamos tentando impressionar uns aos outros com o último grito em moda de roupas.

Lincoln: Sim, não acho que seriam o primeiro pensamento deles. Sapatos confortáveis, talvez.

Reedus: Nós estávamos usando tênis New Balance. Vestimos Gucci outro dia.

Lincoln: Havia necessidades mais importantes envolvidas, como manter-se vivo.

Quem tem o melhor sotaque sulista?

Reedus: Esse cara. Ouça-o. Ele sequer é Americano. Ele é, de longe, o mais talentoso com os sotaques.

Lincoln: Oh, cale a boca. É só por que tenho um auxiliar para isso. Você tem?

Reedus: Não. Eu vim de “Conspiração Americana”, onde eu tinha um sotaque, então só segui fazendo o mesmo. Mas quando as pessoas descobrem que ele é inglês, eles se surpreendem: “Você só pode estar brincando!”

Lincoln: Este é o único momento em que ele me ouve falando com este sotaque [britânico] estúpido. No resto do tempo, falo com o sotaque genérico americano com alguns sons do Sul, então eu deixo tudo bem específico para a cena. É algo tradicional. Eu tenho um sotaque sulista genérico, e então eu dou um toque de Georgia.

Reedus: Ele chega no trabalho assim. Ele fala assim entre os takes. Ele tem dupla personalidade.

Lincoln: Eu achei que ajudaria ficar falando assim, mas levou algum tempo. Você tem que superar a vergonha e a sensação de ser uma fraude. Se você consegue comprar um café usando o seu sotaque, na cafeteria que você frequenta, é um primeiro passo.

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E você fez isso?

Lincoln: Sim. E o estranho é que agora eu vou à cafeteria Aurora com minha família ou outros britânicos e eu tenho que fazer o sotaque sulista, por que é assim que eles me conhecem. Eddie [Evans] em nossa equipe, após nossa primeira temporada, ele me viu dando uma entrevista. Eddie nasceu e foi criado na Georgia. Ele surtou. Ele não entendia. Eu agora me sinto bem mais manhoso fazendo isso, meio tímido, por que eles me conhecem de uma maneira. É uma vida meio esquizofrênica essa que eu levo.

Então é um trabalho contínuo?

Lincoln: Há coisas que você quer fazer direito. Por exemplo, Greenville. Se na América em geral você diz GreenVIL, aqui no Sul você diz GreenVUHL. Gosto de saber desses detalhes. Gosto de fazer certo. Quero que as pessoas na cafeteria e nas ruas gostem disso e venham me dizer que estou fazendo certinho. Vi um filme no avião, certa vez, e era um ator inglês interpretando, e eles ficaram meio caipiras.

Então, quanto tempo isso ainda vai durar?

Reedus: Pelo menos mais uma semana [ambos riem]

Talvez eu entenda a piada daqui a algum tempo.

Reedus: Enquanto os roteiros estiverem lá e o entusiasmo, o desejo, estiverem lá, eu ficarei por muito tempo. Serei Daryl Dixon até meus 85 anos de idade.

Lincoln: Se ele ainda estiver lá e eu também, vou continuar fazendo.

Existe a possibilidade de você perder uma mão para o Governador [antagonista de Rick]. É o que acontece na HQ. Rick poderá morrer?

Lincoln: Esta é uma das forças do show. Ninguém está seguro. É talvez o porque das pessoas assistirem todas as semanas, para se assegurar que seu personagem favorito continua vivo. Há ameaças reais. Eu adoro isso. É uma das coisas mais cruéis nesse trabalho, como dissemos antes. Você tem que dar adeus aos seus amigos. Mas se minha hora chegar e isso for bom para a história, eu vou embora, eu vou, mas vou chutando e aos gritos.

Reedus: Eles vão ter que me arrastar pra fora pelos cabelos. E eu provavelmente vou voltar para incendiar tudo. E vou aparecer diariamente, de qualquer jeito.

Você viu as fotos de Norman sobre os animais mortos nas estradas da Georgia?

Lincoln: Sim, estávamos todos envolvidos. Tínhamos que telefonar pra ele e avisar “tem um gambá morto na 16!”

Reedus: A revista Wired me pediu para fazer uma exposição na Times Square, onde todos os lucros seriam revertidos à Oxfam. Eles queriam fotos de bastidores do show, o que não me é permitido. Mas eu ando de motocicleta e vou ao set diariamente pelas estradas, e vi toda essa matança. Então eu fiz fotos glamourosas dos animais mortos. Quando o show começou, eu tinha tudo o que precisava. Jeffrey [Chassen, RP de Reedus] surtou. Ele disse “São pessoas fazendo compras pro final de ano – eles não querem ver gatos com seus olhos esbugalhados!” Todas as fotos foram vendidas em uma hora.

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Imagino que você não as tenha em casa?

Lincoln: Não, mas minha filha quer uma do livro novo dele.

Reedus: Eu te dei um pato empalhado!

Lincoln: No meu último aniversário ele me deu esse pato empalhado, um patinho filhote, em um vidro. Era muito lindo. Eu tentei passar com ele pela alfândega. Tudo o que eu sabia era que era empalhado – Só Deus sabe. Agora está na minha sala de estar.

O que significaria para vocês o show sair da Georgia?

Lincoln: Bem, nos quadrinhos eles se mudam para D.C. Minha primeira preocupação seria a equipe. Eu diria que 80% dela está desde o começo. Eles conhecem o show. Eles tem um sentido, uma energia, com tudo dando certo e sendo capturado. É egoísta, mas isso seria uma grande preocupação para mim.

Reedus: Eu odiaria perder algumas dessas pessoas. Somos muito unidos. Andy e eu podemos fazer uma cena juntos. Ele sabe se eu estou ali. Eu sei se ele está ali. Sem dizer nada, temos esta maneira de entender uns aos outros e de engrenarmos nosso trabalho, mas também temos esse mesmo relacionamento com nossa equipe. Podemos olhar para Mike, nosso operador de câmera, ou qualquer um daqueles caras e eles vão dizer “Ok, você conseguiu,” ou “tente isso”, e eu jamais estive antes em um set onde um operador de câmera pudesse fazer isso.

Lincoln: É engraçado. Meu trabalho é servir ao meu personagem de acordo com os roteiros que me são dados. Eu li dois scripts, onde não apareço. E eu acho que são os melhores episódios que já tivemos. São profundos. Os personagens trazem a história cada vez mais nessa temporada. Glen [Mazzara, o showrunner da temporada passada] fez um trabalho magnifico acelerando o ritmo e fazendo uma corrida aterrorizante. Agora temos essa colisão entre ambas as coisas. É uma temporada diferente, com mais espaço. Ainda há ação, mas estamos saltando para águas mais profundas e assustadoras.

Reedus: Interessante você falar em “espaço”. Você está certo. O show começou e há uma energia hiperventilando nele. Então você fica ainda mais frenético. Então ele começa a respirar… Agora está começando a se ramificar internamente, e é sobre as histórias destes personagens em um mundo de zumbis. Como manter isso interessante? Estamos aqui lendo roteiros, dizendo “PQP, você leu isso?”

Lincoln: O último script que li me deixou sem dormir.

Este é aquele em que você não está?

Lincoln: Sim, nenhum de nós dois está nele.

Devemos nos preocupar?

Reedus: Sim. Você tem que estar sempre preocupado.

Lincoln: Se você percebeu, eu tenho uma barba agora no show.

Mas havia mais dela. Era mais cheia [do que está hoje].

Reedus: É o que ele disse!

Lincoln: É o que eu disse! O que isso quer dizer?

Inicio > Photoshoots > 2013 > Norman Reedus e Andrew Lincoln – Atlanta Magazine – Oficiais (Outubro) (clique aqui para ver mais fotos)


Fonte: Atlanta Magazine
Tradução: @BinaPic/ StaffWalking Dead Brasil

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