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Entrevista

“Bromance Verdadeiro” – Entrevista e photoshoot de Norman Reedus e Andrew Lincoln para a Atlanta Magazine

Rafael Façanha

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Em The Walking Dead, a série megahit da AMC filmada na Georgia, ninguém está a salvo dos zumbis. Nem mesmo, como tememos. Os dois amigos falam sobre a comida de Atlanta, animais mortos nas estradas, fãs loucos e como tudo pode acabar de uma hora para outra. Confira abaixo a super entrevista que a revista Atlanta realizou com Norman Reedus (Daryl Dixon) e Andrew Lincoln (Rick Grimes).

Entrevista por: Steve Fennessy | Fotos por: John Russo

No último Agosto, almocei no Miller Union, onde o co-proprietário Neal McCarthy ouviu que estavam tentando fazer com que os astros de The Walking Dead aparecessem em nossa capa de Novembro. Aconteceu que todo o elenco esteve no restaurante há algumas noites antes disso. Por quê? Cada vez que um personagem morre, os atores homenageiam o colega que está partindo e, sem dúvidas, perguntam a si mesmos quando será que seu tempo terá acabado. Afinal de contas, a primeira regra em um apocalipse zumbi é a de que eles não discriminam a hora certa das refeições. Então, enquanto ninguém mais se choca com o fato de que alguém morrerá nesta temporada, teremos que esperar para ver quem exatamente foi a vítima. Hershel? Glenn? Carl? Certamente não será Rick. Ou Daryl!

Bem, quem sabe? Em Los Angeles, no mês de Outubro, falei com Norman Reedus (intérprete de Daryl, o caipira misterioso com uma besta) e Andrew Lincoln (que interpreta Rick, o xerife que, até a última temporada, ao menos, liderava o grupo de sobreviventes). Tanto Daryl como Rick sofreram perdas gigantescas (Rick, por exemplo, matou o melhor amigo, e seu filho precisou atirar na própria mãe, esposa de Rick, após ela dar à luz). Nestes mais de três anos em que se conhecem, Lincoln e Reedus se tornaram amigos próximos, o que se torna ainda mais óbvio quando estão juntos. Ambos costumam trocar acusações e exigências (Reedus costuma assinar suas contas com o nome de Lincoln, e depois manda-lhe numa foto, com o dedo do meio erguido), mas ambos são generosos em sua admiração um pelo outro. O mais impactante ao conversar com Lincoln é se acostumar ao seu sotaque britânico, que ele consegue suprimir de maneira tão eficiente no set, a ponto de alguns membros da equipe não se darem por conta até após o final da primeira temporada de que não apenas ele não é do Sul como ele sequer é americano.

Atlanta é a tônica de nossa discussão. Ambos os atores vivem aqui durante a produção – Lincoln na cidade, com a esposa e dois filhos; Reedus ao sul da cidade, próximo a Senoia, onde o show é filmado – e ambos se mostram entristecidos com a possibilidade de saírem da Georgia (na HQ que originou o show, eles se mudam para Washington D.C., mas não há nada dito a respeito de quando, como ou se realmente isso acontecerá no show, que não segue os quadrinhos religiosamente).

Enquanto isso, Lincoln e Reedus fazem os eventos publicitários da quarta temporada do show. Ambos os atores dizem que estarão na Walker Stalker Convention em Atlanta no começo de Novembro, e Reedus está lançando um livro de fotografias em 31 de Outubro.

Nota: Esta é uma versão estendida da entrevista que está na revista.

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The Walking Dead é filmada na Georgia no calor do verão. Alguma parte de você não desejaria que ela fosse filmada aqui em Los Angeles, com uma temperatura mais amena e na brisa?

Andrew Lincoln: Eu amo estar em Atlanta. Muito do sucesso do show é por filmarmos lá, longe da indústria. Estamos em uma bolha em Senoia. Não estamos atualizados sobre a parte empresarial da coisa. Estamos nas locações, o que nos força a ficarmos unidos.

Como você a via antes?

Lincoln: Minha percepção era um clichê terrível – das cidades caipiras sulistas. Então você chega a uma metrópole como Atlanta e pensa, isso é incrivelmente sofisticado e muito urbano. Mas meu ponto de referencia havia sido “Dueling Banjos”, em Amargo Pesadelo (filme de 1972).

A maneira como você interpretou seu personagem mudou, baseado em ter vivido por lá?

Lincoln: Não, é algo completamente diferente. Começou de maneira observacional. A fala, o dialeto, a maneira como você fica lento por causa do tempo. As pessoas falam devagar. Eu trabalhei duro para conseguir aquela entonação. À medida em que você passa mais tempo com aquele cara, você constrói outras coisas. Senoia ajuda. O estúdio é muito protegido. E eu vou mudando. Minha família mora em Atlanta, meus filhos vão a escola lá. E eu tenho carteira de motorista da Georgia!

Você ficou na fila?

Lincoln: Precisei ir direto do trabalho, após uma incrível cena de luta. Eu estava ensanguentado – eu limpei tudo – eu acho – e então fui tirar minha foto, e fiquei parecendo um serial killer. Havia sangue no meu pescoço, na minha cabeça. A moça me perguntou: “Teve um dia ruim no escritório, baby?”

Eu li que você não assiste ao show…

Lincoln: Não apenas este show. Isso já é assim pelo menos por quinze anos. Eu assisti um pedaço de This Life [drama da BBC em que Lincoln estreou nos anos 90], e talvez uns dois episódios de Teachers [outra série britânica]. E chega pra mim. Não ajuda em nada. Se eu assisto e gosto de algo que fiz, vou tentar reproduzir. É algo bastante deliberado, e eu quero me deixar fora da equação. Eu não quero estar nela. O prazer e a satisfação eu tenho em fazer as coisas.

Então como você consegue entender a obsessão que as pessoas tem pelo show quando você sequer o assiste?

Lincoln: Eu entendo por que eu vivo isso, cara! Você está apenas assistindo. Eu tenho que viver isso. Eu adoro este emprego, eu estou tão envolvido nele em vários níveis, por causa das amizades que fiz. Quando você trabalha em um set, você vê as pessoas doentes, você as vê bem, vê casamentos terminando, vê pessoas se reunindo, vive todos estes outros aspectos que existem em se fazer um trabalho com uma comunidade de pessoas. Duzentas e cinquenta pessoas trabalham nesse show. Eles se tornam parte da sua vida diária. E eu sacrifico tanto tempo longe da minha família, que se eu não me importasse tanto quanto vocês se importam, haveria alguma coisa muito errada.

Você acabou de fazer 40 anos. Alguma revelação?

Lincoln: Não, apenas estou mais grisalho, e minhas articulações doem um pouco mais pela manhã. Há alguma relação entre crise de meia idade e ser capaz de matar zumbis enquanto isso. Sim, as pessoas compram Ferraris e eu prefiro livrar o mundo de hordas zumbis.

Você fez alguma coisa?

Lincoln: Bem, a comemoração do meu aniversário foi substituída pela comemoração do aniversário da minha filha. Ela comemora quatro dias antes de mim. Então, é tudo para ela. Foi seu sexto aniversário. Eu voei de volta [para a Inglaterra], voltei para o aniversário dela e, no meu aniversário, fui com minha esposa e mais doze garotinhas de seis anos para o circo. Assim foram os meus 40 anos.

Há muitos graus de mania com esse show. Quais foram as coisas mais estranhas que você já viu?

Lincoln: Norman ganha todo o tipo de coisas estranhas. É ele quem filtra as maluquices.

Então, qual é exatamente o apelo dele?

Lincoln: Ele é uma daquelas raras pessoas que, quanto mais você conhece, mais se revela. Muitas pessoas gastam seu tempo tentando descrever a si mesmas para você. “Este sou eu.” E invariavelmente, quando você os conhece melhor, acabam se tornando menos interessantes. Norman é uma das poucas pessoas que se torna mais interessante. Ele é uma ator extraordinário e faz isso sem esforço. E isso vai soar pretensioso – por que sempre que você fala em atuar acaba parecendo pretensioso, e é por isso que não falo a respeito – mas ele é um minimalista. Ele faz o mínimo esforço para a recompensa final. Ele é muito refinado e brilhante. Muitas pessoas dizem “oh, ele é apenas legal.” Mas quanto mais você o conhece, mais você se dá por conta do quão sensível ele é. Ele irá me odiar por dizer isso, mas ele tem um bom coração, ele é muito leal e incrivelmente brilhante. Seus instintos são dos melhores que já vi em um ator.

[Reedus chega.]

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Estávamos falando em você .

Reedus: Filho da mãe! [Para a bela garçonete] Quero Jack e Coca cola.. Por gentileza, seja querida!

Garçonete: [Risos] Okay. Algo mais para vocês?

Reedus: E uma caixa de Parliament Lights.

Fiz uma pesquisa com mulheres que assistem ao show a respeito de quem elas preferem – Daryl ou Rick – e apenas uma disse que preferia Rick. Desculpe, Andrew.

Reedus: [Risos] Ela provavelmente deve ser a única maior de idade.

Como você se sente a respeito, Andrew?

Reedus: [Olha para Lincoln] Sabia que eu estou colocando isso tudo na conta do seu quarto?

Lincoln: [Sacode a cabeça] Sabia que todo ano ele faz a mesma coisa? Ganhamos diárias aqui.

E ele usa as suas?

Lincoln: Todas as vezes! Então depois ele tira uma foto da conta enorme e faz isso [ergue o dedo do meio] e são 500 dólares! E ele esteve aqui apenas UM dia? O que ele fez, destruiu o bar? Então, o que eu acho disso [do fato de as mulheres preferirem Reedus]? De todo o coração, eu concordo.

Norman, você tuita um monte, mas você não, Andrew, certo?

Lincoln: Eu não sei o que é isso.

Reedus: Sou viciado em Twitter.

Há websites dedicados às fotos do seu gato que você tuitou!

Reedus: Meu melhor amigo. Meu gato gordo. Aquele bastardo!

Há uma foto de Daryl segurando um bebê, a filha de Rick. Ele está dando mamadeira a ela. Alguém escreveu uma legenda que diz: “Você ouviu isso? É o som de várias vaginas simultaneamente explodindo.”

Reedus: Adoro esse som!

Lincoln: Como ele é?

Reedus: Aterrorizante.

Lincoln: Isso é legal. [Perguntando para Reedus] Como você se sente a respeito?

Reedus: É divertido. O problema é que muitas dessas fãs são menores de idade. Ou idosas. Veja, tivemos quatro anos para desenvolver estes personagens. As pessoas os conhecem, elas se envolveram bastante. Todos os amigos do meu filho preferem ele [apontando para Lincoln]. Eles detestam alguns personagens.

Lincoln: Mas você precisa fazer algo com ele. Você poderia ter interpretado como um caipira. Você poderia ter feito algo completamente diferente e detalhado, e bonito, e machucado. [Parece se dar conta de algo]. Você é um solitário, não? Você é um solitário confesso!

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Reedus: Por isso é que há tantas fotos do meu gato!

Lincoln: Ele é solitário. Essa é a sua vida.

Reedus: Está certíssimo. Agora vou ali me matar.

Lincoln: Uma das várias coisas que eu adoro no show é que ele me faz lembrar de “The Magnificent Seven”. Você tem todas aquelas pessoas improváveis que não se dariam bem juntas. Eles são desajustados, solitários, machucados, ferrados, torturados. E eles andam juntos. E há cinco ou seis deles que você ama. Alguns dos melhores momentos não são os de morte ou massacre, mas sim os lampejos de generosidade, onde você ajuda um pouco os demais ao longo do dia. Havia uma fala minha para Daryl, “Muito obrigado, eu sei o que você fez por mim,” e ele respondeu “Você teria feito o mesmo.” Isso é o tipo de coisa que você deseja.

Reedus: Quando Lori [esposa de Rick] morre, e Maggie aparece com o bebê, você desmorona. Sem dúvidas, aquele foi um dos melhores momentos de atuação que já vi em minha vida. Eu estava ao fundo, e foi difícil determinar se Daryl estava se sentindo mal por Rick ou se Norman estava triste por Andy. Eu estava soluçando, tipo “Cara, não com o meu garoto, não Andy!” Somos tão próximos.

Lincoln: Essa é a verdade. Eu não queria a Sarah Wayne Callies dentro do set. Por que eu iria interpretar o “ela morreu.” Você forja estas amizades incríveis com estes personagens que você perde. Você honra os mortos quando eles se vão, e você tem que fazer o máximo que pode para tanto, pois eles fizeram um trabalho maravilhoso.

Eu estava em Miller Union há algumas semanas e eles contaram que houve um jantar de todo o elenco por que é o que vocês sempre fazem quando alguém morre. Isso deve ser difícil. E sempre começa na sala dos roteiristas.

Reedus: É uma droga. E não apenas isso, mas os roteiristas daquele episodio estarão no set. E se eles forem os responsáveis pela morte de um de seus amigos, você não irá os receber com “Hey, bom te ver”; você só olha pra eles e pensa: “FDP!” Quando alguns personagens morrem, a história poderia ter sido diferente. Você pensa, “por Deus, se tivessem deixado aquele personagem vivo por mais algum tempo, você poderia ter uma história mais rica!” Mas, assim como na vida, se todos estivessem com suas histórias concluídas no momento de sua morte, não seria nada interessante.

Lincoln: Bem pensado. Tenho visto vários grandes filmes ultimamente e não há desafio. Você sabe que tudo dará certo. Haverá uma cena elaborada de perseguição ou batalha – e ninguém morrerá. Então, eu concordo. Há algo incrivelmente interessante a respeito de como alguém está na sua vida, de verdade, e é tirada de você. Isso muda você, irrevogavelmente. Em cenas assim, quando você fala sobre os mortos, é a coisa mais fácil do mundo interpretar, por que você tem uma história com essas pessoas, assim como o público.

Reedus: Ajuda muito filmarmos onde filmamos, na floresta, em nossa pequena bolha, onde só há a gente. Somos tão unidos por lá. Acho que jamais poderemos fazer um show como esse novamente… É algo impossível, por todas as razões.

Me partiu o coração ver Merle [irmão de Daryl, interpretado por Michael Rooker] morrer.

Reedus: A mim também. Rooker é um tornado. Ele é alguém que acrescentou muito ao show. Havia uma imprevisibilidade a respeito dele que nos mantinha a todos alertas o tempo todo. Você poderia colocar um muro ao redor dele, que ele simplesmente o atravessaria. Foi uma droga dar adeus a ele. Rooker é diferente. Ele é o Demônio da Tasmânia.

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Você pode ver e ouvir na TV, mas não pode cheirar. Nas profundezas do verão da Georgia, o que não estamos cheirando? Especialmente na prisão?

Lincoln: A prisão não é tão ruim, nós temos ar condicionado.

Reedus: O cheiro é parte de nós. Está dentro de nós. É podre.

Você finalmente sorri nesta temporada?

Lincoln: [Sorri] Sim. Esta temporada começa em uma situação diferente. Os roteiristas foram muito inteligentes. Eles estão voltando atrás e começando novamente. É quase como se houvesse uma nova civilização. Rick renunciou a liderança e foi cuidar dos porcos da fazenda.

Sério? Um gentil fazendeiro cuidando de porcos?

Lincoln: Não sei muito. Não vai ser tudo tão direitinho. Há um dia em que eu estava perto daqueles porquinhos…

Reedus: Foi o melhor dia.

Lincoln: …e éramos eu, ele e cinco porquinhos. Um se chamava Chaps, por causa das pernas pretas; o outro, Bandit, com dois olhos pretos. Muito bonitinhos. Dois outros ganharam os nomes infelizes de Pork e Chop, e eram muito quietos. Mas o meu favorito era o caçulinha, chamado Truffle. Porquinho lindo. É uma vergonha o que aconteceu. Não, não, não, nenhum animal foi maltratado nas filmagens!

Quantas vezes vocês trocam de roupa?

Lincoln: Nenhuma. Usamos as mesmas coisas. Tenho usado as mesmas botas, e elas estão caindo dos meus pés. Eu tenho um par e eles não sabem o que fazer. Trocamos a sola seis vezes. Se não precisar fazer isso duas vezes por temporada, é sinal de que não estou trabalhando o suficiente.

Todas essas lojas que vocês podem saquear durante o apocalipse e vocês nunca trocam de roupas.

Reedus: Não estamos tentando impressionar uns aos outros com o último grito em moda de roupas.

Lincoln: Sim, não acho que seriam o primeiro pensamento deles. Sapatos confortáveis, talvez.

Reedus: Nós estávamos usando tênis New Balance. Vestimos Gucci outro dia.

Lincoln: Havia necessidades mais importantes envolvidas, como manter-se vivo.

Quem tem o melhor sotaque sulista?

Reedus: Esse cara. Ouça-o. Ele sequer é Americano. Ele é, de longe, o mais talentoso com os sotaques.

Lincoln: Oh, cale a boca. É só por que tenho um auxiliar para isso. Você tem?

Reedus: Não. Eu vim de “Conspiração Americana”, onde eu tinha um sotaque, então só segui fazendo o mesmo. Mas quando as pessoas descobrem que ele é inglês, eles se surpreendem: “Você só pode estar brincando!”

Lincoln: Este é o único momento em que ele me ouve falando com este sotaque [britânico] estúpido. No resto do tempo, falo com o sotaque genérico americano com alguns sons do Sul, então eu deixo tudo bem específico para a cena. É algo tradicional. Eu tenho um sotaque sulista genérico, e então eu dou um toque de Georgia.

Reedus: Ele chega no trabalho assim. Ele fala assim entre os takes. Ele tem dupla personalidade.

Lincoln: Eu achei que ajudaria ficar falando assim, mas levou algum tempo. Você tem que superar a vergonha e a sensação de ser uma fraude. Se você consegue comprar um café usando o seu sotaque, na cafeteria que você frequenta, é um primeiro passo.

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E você fez isso?

Lincoln: Sim. E o estranho é que agora eu vou à cafeteria Aurora com minha família ou outros britânicos e eu tenho que fazer o sotaque sulista, por que é assim que eles me conhecem. Eddie [Evans] em nossa equipe, após nossa primeira temporada, ele me viu dando uma entrevista. Eddie nasceu e foi criado na Georgia. Ele surtou. Ele não entendia. Eu agora me sinto bem mais manhoso fazendo isso, meio tímido, por que eles me conhecem de uma maneira. É uma vida meio esquizofrênica essa que eu levo.

Então é um trabalho contínuo?

Lincoln: Há coisas que você quer fazer direito. Por exemplo, Greenville. Se na América em geral você diz GreenVIL, aqui no Sul você diz GreenVUHL. Gosto de saber desses detalhes. Gosto de fazer certo. Quero que as pessoas na cafeteria e nas ruas gostem disso e venham me dizer que estou fazendo certinho. Vi um filme no avião, certa vez, e era um ator inglês interpretando, e eles ficaram meio caipiras.

Então, quanto tempo isso ainda vai durar?

Reedus: Pelo menos mais uma semana [ambos riem]

Talvez eu entenda a piada daqui a algum tempo.

Reedus: Enquanto os roteiros estiverem lá e o entusiasmo, o desejo, estiverem lá, eu ficarei por muito tempo. Serei Daryl Dixon até meus 85 anos de idade.

Lincoln: Se ele ainda estiver lá e eu também, vou continuar fazendo.

Existe a possibilidade de você perder uma mão para o Governador [antagonista de Rick]. É o que acontece na HQ. Rick poderá morrer?

Lincoln: Esta é uma das forças do show. Ninguém está seguro. É talvez o porque das pessoas assistirem todas as semanas, para se assegurar que seu personagem favorito continua vivo. Há ameaças reais. Eu adoro isso. É uma das coisas mais cruéis nesse trabalho, como dissemos antes. Você tem que dar adeus aos seus amigos. Mas se minha hora chegar e isso for bom para a história, eu vou embora, eu vou, mas vou chutando e aos gritos.

Reedus: Eles vão ter que me arrastar pra fora pelos cabelos. E eu provavelmente vou voltar para incendiar tudo. E vou aparecer diariamente, de qualquer jeito.

Você viu as fotos de Norman sobre os animais mortos nas estradas da Georgia?

Lincoln: Sim, estávamos todos envolvidos. Tínhamos que telefonar pra ele e avisar “tem um gambá morto na 16!”

Reedus: A revista Wired me pediu para fazer uma exposição na Times Square, onde todos os lucros seriam revertidos à Oxfam. Eles queriam fotos de bastidores do show, o que não me é permitido. Mas eu ando de motocicleta e vou ao set diariamente pelas estradas, e vi toda essa matança. Então eu fiz fotos glamourosas dos animais mortos. Quando o show começou, eu tinha tudo o que precisava. Jeffrey [Chassen, RP de Reedus] surtou. Ele disse “São pessoas fazendo compras pro final de ano – eles não querem ver gatos com seus olhos esbugalhados!” Todas as fotos foram vendidas em uma hora.

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Imagino que você não as tenha em casa?

Lincoln: Não, mas minha filha quer uma do livro novo dele.

Reedus: Eu te dei um pato empalhado!

Lincoln: No meu último aniversário ele me deu esse pato empalhado, um patinho filhote, em um vidro. Era muito lindo. Eu tentei passar com ele pela alfândega. Tudo o que eu sabia era que era empalhado – Só Deus sabe. Agora está na minha sala de estar.

O que significaria para vocês o show sair da Georgia?

Lincoln: Bem, nos quadrinhos eles se mudam para D.C. Minha primeira preocupação seria a equipe. Eu diria que 80% dela está desde o começo. Eles conhecem o show. Eles tem um sentido, uma energia, com tudo dando certo e sendo capturado. É egoísta, mas isso seria uma grande preocupação para mim.

Reedus: Eu odiaria perder algumas dessas pessoas. Somos muito unidos. Andy e eu podemos fazer uma cena juntos. Ele sabe se eu estou ali. Eu sei se ele está ali. Sem dizer nada, temos esta maneira de entender uns aos outros e de engrenarmos nosso trabalho, mas também temos esse mesmo relacionamento com nossa equipe. Podemos olhar para Mike, nosso operador de câmera, ou qualquer um daqueles caras e eles vão dizer “Ok, você conseguiu,” ou “tente isso”, e eu jamais estive antes em um set onde um operador de câmera pudesse fazer isso.

Lincoln: É engraçado. Meu trabalho é servir ao meu personagem de acordo com os roteiros que me são dados. Eu li dois scripts, onde não apareço. E eu acho que são os melhores episódios que já tivemos. São profundos. Os personagens trazem a história cada vez mais nessa temporada. Glen [Mazzara, o showrunner da temporada passada] fez um trabalho magnifico acelerando o ritmo e fazendo uma corrida aterrorizante. Agora temos essa colisão entre ambas as coisas. É uma temporada diferente, com mais espaço. Ainda há ação, mas estamos saltando para águas mais profundas e assustadoras.

Reedus: Interessante você falar em “espaço”. Você está certo. O show começou e há uma energia hiperventilando nele. Então você fica ainda mais frenético. Então ele começa a respirar… Agora está começando a se ramificar internamente, e é sobre as histórias destes personagens em um mundo de zumbis. Como manter isso interessante? Estamos aqui lendo roteiros, dizendo “PQP, você leu isso?”

Lincoln: O último script que li me deixou sem dormir.

Este é aquele em que você não está?

Lincoln: Sim, nenhum de nós dois está nele.

Devemos nos preocupar?

Reedus: Sim. Você tem que estar sempre preocupado.

Lincoln: Se você percebeu, eu tenho uma barba agora no show.

Mas havia mais dela. Era mais cheia [do que está hoje].

Reedus: É o que ele disse!

Lincoln: É o que eu disse! O que isso quer dizer?

Inicio > Photoshoots > 2013 > Norman Reedus e Andrew Lincoln – Atlanta Magazine – Oficiais (Outubro) (clique aqui para ver mais fotos)


Fonte: Atlanta Magazine
Tradução: @BinaPic/ StaffWalking Dead Brasil

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Entrevista

The Walking Dead BR Entrevista: Duane Charles Manwiller (Diretor de Fotografia)

Confira nossa entrevista exclusiva com Duane Charles Manwiller, o atual diretor de fotografia de The Walking Dead.

Rafael Façanha

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Duane Charles Manwiller ao lado do ator que interpretou Beta e vários zumbis e sussurradores nos bastidores de The Walking Dead

To access the interview with Duane Charles Manwiller in english, click here.

The Walking Dead é composta por inúmeros talentos que fazem com que a série tenha – e mantenha – o seu nível elevado de qualidade. Um desses profissionais é o Diretor de Fotografia, que atualmente é o incrível Duane Charles Manwiller.

Para quem não sabe, a direção de fotografia é uma das muitas funções que envolvem a criação de uma série ou filme. Seu propósito é trazer vida às definições do roteiro e produzir algo cinematográfico, com qualidades visuais que reforcem os aspectos já explorados na narrativa e orientem o olhar do espectador.

Duane conversou conosco sobre seu trabalho em The Walking Dead, como ele começou nesta área, como é trabalhar com vários diretores e roteiristas, sobre o impacto da pandemia nas gravações da série e o que podemos esperar da temporada final do drama zumbi.

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Duane Charles Manwiller:

1. Primeiro vamos conhecer um pouco sobre você e sua história: como começou sua paixão pela fotografia?

Duane Charles Manwiller: Oi Rafael. Estou muito feliz por poder sentar e responder a estas perguntas sobre TWD. Eu sempre fico realmente impressionado como quão sensacionais são os fãs da nossa série, e eu devo dizer que os fãs brasileiros são absolutamente incríveis!!

Desde que era criança sempre tive algum tipo de câmera nas mãos, fosse um brinquedo ou, quando fiquei mais velho, uma câmera barata daquelas de filme. Sempre procurando uma desculpa para tirar fotos, comecei a trabalhar para um jornal local muito pequeno, na cidade onde cresci, em Oregon. Eu ainda tinha uns 16, 17 anos. Não consegui terminar mais que algumas matérias na faculdade até decidir que aquilo não era pra mim, então quando tinha idade suficiente eu juntei minhas coisas e me mudei pro sul da Califórnia, onde comecei a pensar em entrar na indústria cinematográfica.

2. Em que momento de sua vida você percebeu que seria com isso que você trabalharia?

Duane Charles Manwiller: Uma história engraçada, essa. Quando eu tinha uns 12 anos, acho, meus pais decidiram nos levar pro sul da Califórnia numa viagem de família, pra visitar a Disneyland e a Universal Studios. Então, enchemos o carro e fizemos a peregrinação de mais de 13 horas até Los Angeles. Disneyland era, claro, legal, mas quando fui na Universal Studios e vi como eram os bastidores das séries, além dos sets dos filmes, eu fiquei encantado. Eu literalmente não conseguia pensar em fazer qualquer outra coisa além de achar um jeito de me envolver na indústria cinematográfica. Assim que chegamos em casa, eu escrevi uma carta muito séria (pra uma criança de 12 anos) para a Universal Studios e expliquei porque eu achava que eles deviam me contratar quando eu ficasse mais velho e que eu era o cara certo pra um futuro emprego na Universal Studios. Bem, eu nunca recebi uma resposta. Eu sempre penso nessa época quando filmo nos terrenos da Universal. 🙂

“Supertechnocrane 50′ filmando os Walkers no hospital. A equipe está toda escondida à esquerda.”

3. Como surgiu a possibilidade de trabalhar em The Walking Dead? Compartilhe conosco como tem sido essa experiência.

Duane Charles Manwiller: The Walking Dead esteve no meu radar desde que o episódio piloto foi ao ar.

Principalmente porque eu tinha vários amigos no departamento dos câmeras que estiveram envolvidos no projeto desde o início. Então eu fiquei de olho neles durante os anos. Antes de ser um cinematógrafo, eu era um operador de câmera e durante as primeiras temporadas eles tentaram muitas vezes me levar pra operar as câmeras, mas eu sempre estava trabalhando em outro projeto e os cronogramas não batiam. Na oitava temporada, eles me ligaram para fazer alguns episódios e foi isso. Eu fiquei encantado e estou na série desde então. Estamos prestes a começar as duas últimas temporadas consecutivamente!! Estou muito animado.

Desde os meus primeiros dias na série tem sido uma experiência muito boa. A “Família Walking Dead”, como a produção se autodenominou, me aceitou de braços abertos e me permitiu ter uma enorme liberdade no que diz respeito à fotografia da série.

4. Apesar de todo o contexto de suspense e terror na série, sempre que vemos fotos de bastidores acompanhamos todos muito felizes e descontraídos. Como é o clima nos sets de filmagem?

Duane Charles Manwiller: Estar no set de TWD é diferente de qualquer outra série na qual já trabalhei. O primeiro dia foi bem surreal. Eu entrei na parte de trás do estúdio para conhecer alguns membros do elenco e da produção antes do meu primeiro episódio. Eles estavam entre cenas e havia um grande grupo de zumbis conversando durante sua pausa, completamente equipados com seu figurino e maquiagem. Devo ter transparecido que era um novato, porque todos começaram a acenar e me receber no set. Bem bizarro. Trabalhar no set por si só é uma experiência recompensadora e divertida. É meio que um monte de crianças que não querem crescer. Explodindo coisas, maquiagem old school muito louca, hordas de zumbis. É uma experiência e tanto. E o elenco e a produção são fantásticos. Tantos deles estiveram juntos por tantos anos que se tornaram uma família estendida. Claro, temos alguns dias de filmagens difíceis e duros, mas a maior parte do tempo é um total prazer de trabalhar nessa série. Por esse motivo eu continuei voltando.

“Encontre o Diretor de Fotografia… Sou eu à esquerda tentando encontrar um local para caber uma câmera em torno de uma horda de Walkers.”

5. O trabalho de fotografia em The Walking Dead é praticamente impecável, e acompanhando um pouco do seu trabalho podemos perceber o porquê. Quais os segredos para se trabalhar tão bem nesse ramo?

Duane Charles Manwiller: Você é muito gentil, obrigado. Eu tive muita sorte de trabalhar junto com alguns diretores e cinematógrafos muito talentosos durante a minha carreira. E apesar de eu ter feito muito café e carregado muitos filmes de câmera quando comecei, eu ainda estava absorvendo conhecimento como uma esponja. Toda vez que entro em um set eu ainda estou aprendendo, especialmente porque a indústria cinematográfica está em constante evolução.

6. The Walking Dead tem vários diretores, e cada um tem suas particularidades. Esses diferentes estilos de direção acabam dificultando um pouco a maneira como você trabalha? No sentido de você ter que se adaptar a cada episódio? Como isso funciona para você?

Duane Charles Manwiller: Você está certíssimo. Temos uma equipe muito talentosa de diretores em rodízio, bem como constantes adições, e cada um quer deixar sua marca na série. Cada diretor que assume um episódio tem muita liberdade, mas ainda precisa dirigir a série mantendo a vibe que foi criada desde o primeiro episódio. Os produtores nunca contratariam alguém que acha que poderia entrar na série e reinventá-la.

“Alpha se preparando para fazer uma cena. A lente que estamos usando é chamada de Skater Scope e pode angular de maneiras diferentes para obter fotos interessantes.”

7. Estamos sentindo muita falta da série e dos nossos personagens favoritos. Como tem sido para você esse momento sem a série?

Duane Charles Manwiller: Bem, tem sido bem estranho pra toda a família TWD, assim como para todas as outras pessoas. Quando você me mandou essas perguntas originalmente, eu estava fazendo um filme em Porto Rico e daí a merda bateu no ventilador com o Covid e tudo relacionado a TWD ficou meio incerto. Desde então, filmamos uma temporada abreviada (que vai ser muito legal) e agora, em mais ou menos duas semanas, vamos voltar para a Georgia e começar a nos preparar para as duas últimas temporadas para finalizar a série. É um sentimento conflitante, mas muito excitante também.

8. Como você tem se cuidado durante a pandemia?

Duane Charles Manwiller: Pergunta difícil. Estou tentando passar por isso como todo mundo. Tempos difíceis numa escala global. Eu me sinto muito sortudo por estar trabalhando numa série que está tomando todas as precauções para manter todos seguros e saudáveis.

9. Sabemos que o principal impacto desta pandemia na série foi o adiamento dos trabalhos finais da season finale e o início das gravações da 11ª temporada. Mas o que mais foi afetado na produção de The Walking Dead?

Duane Charles Manwiller: Sim, uma vez que o Covid chegou, tudo mudou. A décima primeira temporada nunca aconteceu em 2020, mas filmamos uma extensão da décima temporada e foi mais uma ponte entre a décima e a décima primeira temporada, que começaremos a filmar em Março de 2021. Faz sentido? Isso confunde até a mim. Nas placas das câmeras nós simplesmente colocamos “Temporada 10 – continuação”.

“Diretor Greg Nicotero dando aos Walkers um pouco de amor de direção :)”

10. A série é aclamada em todo o mundo, mas aqui no Brasil o carinho dos fãs costuma ser especial. Esse amor chega até vocês? Como vocês veem o retorno do público brasileiro?

Duane Charles Manwiller: É engraçado você comentar isso. Eu sempre ouvi do elenco e de alguns membros da produção que temos uma base de fãs brasileiros enorme. Acho que vocês devem ser tão doidos quando a gente. E isso me deixa muito feliz. Já recebi muitas mensagens dos fãs no meu Instagram também. MUITO BACANA!! Se mantenha assim, Brasil. 🙂

11. Além de The Walking Dead, sabemos que você trabalhou em várias outras produções tanto na TV quanto no cinema. Você tem um formato preferido entre os dois? E poderia citar qual foi seu trabalho no cinema favorito?

Duane Charles Manwiller: Bem, eu costumava fazer mais filmes e eu diria que preferia eles à maioria das séries de TV. Isso principalmente por causa das séries que eu tinha feito e, com a exceção de uma série chamada LOST, parecia muito como uma fábrica de episódios. Não é mais assim agora, no entanto. Com todo o conteúdo original na TV, as séries boas têm uma vibe mais de filme. E The Walking Dead é assim. Eles ainda escrevem séries com a audiência e os fãs em mente, e não somente pra fazer dinheiro.

Difícil escolher um filme favorito no qual trabalhei, mas eu diria que o mais recente seria Baby Driver ou qualquer um dos John Wicks. Eu adoro fazer coisas de ação.

12. Qual o ator mais fotogênico de The Walking Dead? E qual aquele que não curte muito os cliques? E como é a sua relação com eles?

Duane Charles Manwiller: Bem, eu diria que todos são fotogênicos e amam as lentes. É isso que eles fazem, certo? 🙂

Cada um deles tem uma coisa favorita sobre a câmera, tenho certeza. E cada um deles se destaca em coisas diferentes. Todos sentimos falta de Andy Lincoln, no entanto. Ele era o vínculo entre todos. Como diretor de fotografia, é importante ter relações de trabalho saudáveis com o elenco e em The Walking Dead isso acontece muito facilmente.

“Sou eu fazendo uma leitura leve entre as gravações com Jeffrey Dean Morgan. Que é um super irmão!!”

13. Sabemos que você já trabalha na série há 4 anos, então gostaríamos de saber… Qual foi seu episódio favorito de fotografar? E qual a temporada?

Duane Charles Manwiller: Wow, você manda umas perguntas difíceis. Eu tive sorte de gravar os últimos episódios de Michonne, Carl e Rick, bem como de muitos outros que foram comidos ou só desapareceram. No entanto, o episódio final de Rick na nona temporada foi muito especial por diversos motivos.

14. O que você pode nos contar sobre essa fase final de The Walking Dead com os episódios extras e a 11ª temporada?

Duane Charles Manwiller: Direi que a pequena temporada que acabamos de filmar é uma ponte muito, muito boa para as duas temporadas finais que estamos prestes a iniciar. E essas duas últimas temporadas serão INSANAS. Especialmente para os fãs da série e dos quadrinhos.

15. Para encerrarmos: deixe um recado especial para os fãs brasileiros!

Duane Charles Manwiller: Fãs brasileiros!!! É realmente muito especial saber que temos uma base de fãs tão DEADicada no hemisfério sul. Todos sabemos o quão apaixonados vocês são por esportes, comidas, amor e agora The Walking Dead!!! Eu vou filmar essa última temporada com os fãs brasileiros no meu pensamento a cada dia que ligarmos as câmeras. AMAMOS VOCÊS, BRASIL!!

REDES SOCIAIS DO DUANE CHARLES MANWILLER:

– Instagram: @duane_charles_manwiller

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini
– Tradução: Victoria Rodrigues

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Destaque

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Samantha Morton (Alpha)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Samantha Morton.

Rafael Façanha

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arte com Samantha Morton e Alpha para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Samantha Morton in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Samantha Morton, que interpretou Alpha durante as temporadas 9 e 10. A atriz nos contou sobre como foi o processo criativo para a personalidade de Alpha, sobre raspar seu cabelo, sobre como foi trabalhar com Jeffrey Dean Morgan (Negan) e Ryan Hurst (Beta), sobre a importância de ter personagens femininas fortes na TV e no cinema e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Samantha Morton:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Samantha Morton: Eu não fiz audição pra série, foi uma conversa com Angela sobre o que eles haviam previsto para essa personagem, e falaram comigo sobre o processo e se nós conseguiríamos fazer essa conexão funcionar, e se havia uma potencial faísca ali.

Eu não conhecia a série, tipo, eu não conhecia de antemão, não que isso tenha sido um problema, era só isso. Onde eu morava não tinha TV, e por ser uma mãe muito ocupada eu não assistia a série, mas então eu assisti e achei absolutamente extraordinária, você tem uma série muito cinematográfica que toda atenção aos detalhes é levada muito a sério, é tudo bem filmado e eu achei isso muito inspirador.

Você já deve ter ouvido isso muitas vezes, mas nunca é demais repetir. Sua atuação como Alpha foi irretocável e memorável. Divida conosco como foi o trabalho de desenvolvimento e qual foi sua inspiração para dar vida à personagem.

Samantha Morton: Desenvolver a personagem foi tanto um processo contínuo de leitura do roteiro como eu percebendo o que ela estava fazendo ou o que ela tinha feito no passado, ou o que ela estava prestes a fazer. E acho que minha inspiração para interpretar Alpha foi realmente um trabalho colaborativo ao lado de Cassady e de diferentes diretores, em particular, Jessica que trabalhou comigo na minha voz, me ajudou com o passado de Alpha, sabe, quem era Alpha antes dela se tornar Alpha, certificando-se de que a voz estava correta, e depois, pensar sobre o relacionamento da Alpha com o Beta e viver como a natureza queria e como isso a afetou.

É, eu acho que isso foi realmente um processo contínuo trabalhando com Greg Nicotero, certificando-me de que eu tinha a caminhada adequada e sim, essa foi minha inspiração.

Talvez um dos traços mais marcantes da sua preparação tenha sido raspar a cabeça para viver a personagem. Como foi essa experiência para você?

Samantha Morton: Foi tranquilo raspar todo meu cabelo, eu fiquei um pouco triste no primeiro momento porque eu tinha um cabelo bem longo, fiquei um pouco triste mas depois que entrei na personagem e me tornei Alpha ficou tudo bem, e também é muito quente na Geórgia, onde filmamos, pra mim foi realmente libertador não ter cabelo por que era mesmo muito quente.

Você e a Alpha das HQs se parecem muito fisicamente. Seus trejeitos na interpretação da vilã também ficaram como muitos fãs dos quadrinhos imaginavam. Você chegou a acompanhar a saga de Alpha no material fonte para desenvolver a personagem ou preferiu seguir apenas os roteiros?

Samantha Morton: Eu não fiz referências aos quadrinhos, eu vi os quadrinhos mas quando eu interpreto personagens como Jane Eyre ou Mary, a rainha da Escócia, eu acho que você tem que fazer essas coisas você mesma, você tem que tentar encontrar o personagem dentro de si, pois se você apenas imita coisas se torna mais difícil ser livre nisso.

A relação entre Negan e Alpha se desenrolou na tela como nos quadrinhos. Você estava familiarizada com o relacionamento deles nos quadrinhos? Como foi trabalhar com Jeffrey Dean Morgan nesses papéis icônicos?

Samantha Morton: Trabalhar com Jeffrey Dean Morgan foi divertido e empolgante, e um pouco estressante por que obviamente ele estava na série a mais tempo que eu e Ryan, que interpreta Beta, então é, foi muito divertido e ele foi muito gentil comigo e acho que pra mim aquela foi uma das minhas melhores experiências trabalhando com um coadjuvante do gênero masculino por que às vezes é difícil trabalhar com homens, porque obviamente eles estão fazendo muita coisa em seus personagens e às vezes eles ficam presos no que estão fazendo, mas descobri que JDM não tinha ego e ele realmente queria ter certeza de que eu fosse cuidada e se eu estava bem, e sabe, nós cuidamos um do outro.

Você teve cenas marcantes e inesquecíveis para os fãs, e já falamos aqui sobre como sua interpretação foi ótima e fiel à Alpha que conhecemos na HQ. Mas você pode nos falar sobre uma cena ou um momento que ficou marcado já sua trajetória como a vilã? Houve algum episódio em particular que te marcou?

Samantha Morton: Acho que realmente lutei com as cenas da Alpha sendo simplesmente muito violenta super rápido, e demorou um pouco pra mim entrar no ápice daquele momento, mas eu ficava tranquila se pudesse ter um tipo de diálogo antes da violência e coisas assim, mas ser violenta muito rápido foi bem difícil, o episódio com os momentos de flashback foi muito difícil, eu estava interpretando meio que uma pré-Alpha e eu estava tendo que cuidar de Lydia e eu achei isso bastante perturbador e difícil como uma mãe.

Os Sussurradores são uma comunidade que, basicamente, abdica da vida como uma sociedade pré-apocalíptica e escolhe viver “como um grupo de animais”. Mas Alpha, em alguns momentos, recorre ao seu lado humano, como nas tentativas de resgatar Lydia ou em sua relação com Negan, por exemplo. Como você vê essa questão? Alpha, no fundo, ainda tinha mais humanidade do que pensava?

Samantha Morton: No fundo, Alpha era mais humana do que ela achava, você não pode desconsiderar totalmente sua humanidade e eu acho que a Alpha pós-apocalipse tinha se adaptado a sobreviver do jeito dela, e eu acho que aquele foi o manifesto dela se você gosta do jeito que os Sussurradores vivem, não como um bando de animais, mas eles meio que tentam voltar para a natureza de um jeito que é realmente inspirador.

Você e Ryan Hurst (Beta) parecem se entender muito bem em cena. Conte pra gente como é a relação entre vocês nas gravações. Você lembra de algum momento engraçado entre vocês no set?

Samantha Morton: Foi muito divertido trabalhar com Ryan Hurst, ele costumava me pregar pequenas peças e fingia que tinha aranhas em mim por que eu tinha bastante medo de aranhas no set. Eu sou um pouco medrosa, um pouco assustada na floresta, como o Sam na verdade, então interpretar Alpha que não tinha medo de nada foi realmente um esforço que eu tive que fazer, e eu acho que simplesmente ter ele lá deixava tudo melhor. Às vezes o calor me pegava ou as horas eram bastante longas, e você precisa de amigos em sua volta, você precisa sentir que cuidam um do outro, que vocês vão conseguir passar por aquele dia ou aquela cena, e eu tive muita sorte.

E com o restante do elenco? Por mais que o clima entre Alpha e os “mocinhos” fosse tenso, imagino que, atrás das câmeras, todos se davam muito bem.

Samantha Morton: Todos são incrivelmente amigáveis no set de The Walking Dead. Eles são realmente uma família, todos são iguais a todos, todos cuidam de todos, o grupo, o elenco, os personagens, quero dizer, as pessoas que você conhece, que nos conduzem, são absolutamente amáveis, especialmente o departamento de maquiagem.

Os fãs das HQs sabiam qual seria o destino de Alpha, e essa previsão foi cumprida. Mas a sensação que temos é que sua participação na série foi tão intensa que durou pouco! Você acredita que a personagem poderia ter rendido mais histórias em The Walking Dead ou acha que Alpha se foi no momento certo?

Samantha Morton: Eu fiquei chateada quando meu fim chegou, mas eu também realmente respeitei o motivo dele chegar, e eu acho que nenhum personagem é maior que a série, e nós estamos lá para apoiar e servir. Se você gosta de The Walking Dead, e se The Walking Dead precisa que isso aconteça por uma razão individual desconhecida, é isso que vai acontecer. The Walking Dead é The Walking Dead e eu me sinto simplesmente orgulhosa e privilegiada por ter feito parte disso o máximo que pude.

Qual foi sua reação ao receber o roteiro do episódio em que Alpha morreria?

Samantha Morton: Eu soube que ela ia morrer assim que fui escalada. Havia um indício de que isso provavelmente aconteceria, então eu estava preparada e tive que manter em segredo.

Muitos fãs esperavam um confronto direto entre Alpha e Carol, até pela sede de vingança de sua “inimiga” após a morte de Henry. Mas essa vingança veio de forma indireta, com Carol encomendando a morte de Alpha. Você também esperava “encarar” Melissa McBride mais individualmente?

Samantha Morton: Na verdade, eu não tinha nenhuma expectativa em encenar com Melissa Mcbride. Eu entendia o porque os fãs deveriam querer isso e a história por si só deveria querer, mas eu não tinha expectativas de qualquer forma, no entanto achei muito interessante como eles decidiram juntar essas duas mulheres dentro da cabeça de Carol, e eu amei trabalhar com Melissa naquelas cenas.

Uma discussão interessante surgiu recentemente em The Walking Dead: ela basicamente diz que lados opostos sempre pensam que têm razão na discussão. Nesse sentido, não existiriam mocinhos e vilões nesse mundo, mas, sim, pessoas buscando defender seu lado. Você concorda com isso? Se sim, Alpha não pode ser considerada, necessariamente, uma vilã, mas, na verdade, uma pessoa tentando sobreviver no novo mundo, certo?

Samantha Morton: Eu concordo, acho que muitos dos personagens em The Walking Dead fazem coisas horríveis frequentemente em busca da sobrevivência, e eles tem que fazer certas escolhas em certos momentos que outras pessoas podem não concordar. A câmera e a direção sempre mostram a perspectiva do protagonista, dos mocinhos e mocinhas, então, eu não interpretei Alpha como uma vilã de qualquer forma, interpretei ela apenas em sua jornada.

Infelizmente, para a tristeza dos fãs, Alpha não conheceu Rick na série de TV. Você chegou a conhecer Andrew Lincoln ou vê-lo como Rick Grimes no set em algum momento? Um confronto entre esses dois personagens teria sido algo realmente épico!

Samantha Morton: Sim, eu conheci Andrew Lincoln. Ele ficou um pouco por lá quando fui pela primeira vez e foi simplesmente fascinante conhecê-lo, vê-lo e passar um tempinho com ele e eu fiquei muito encantada em ter aquele momento. Ele fez um trabalho marcante na série e por ser um pouco fã aquilo foi realmente legal e teria sido ótimo encenar com ele, mas isso não aconteceu.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas, e Alpha definitivamente foi uma delas. Como foi pra você compor e interpretar uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é esse tipo de representação feminina para outras mulheres?

Samantha Morton: Eu acho muito importante que tenhamos personagens femininas como Alpha na TV e em filmes. Geralmente os papéis mais picantes… certamente nos filmes do Bond, os homens são os vilões e as mulheres são marginalizadas a serem bonitas ou talvez espertas, mas sabe, eu acho muito importante que tenhamos Alpha e sim, precisamos mais disso, precisamos mais desse tipo de mulher forte na tela.

Além de participar do Universo de The Walking Dead, você está presente em outra grande franquia amada pelos fãs da ficção: o Universo de Harry Potter! Lá você interpreta a no-maj Mary Lou. Você pode nos dar alguma dica sobre o que acontecerá com ela nos próximos filmes? Como foi a sua experiência nesse mundo de Animais Fantásticos?

Samantha Morton: Eu adorei fazer parte de Animais Fantásticos, foi muito divertido e de novo, outra oportunidade de ser parte de algo que tem uma história e um futuro, e eu amei trabalhar com Ezra Miller.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Samantha Morton: Estou bem, estou com sorte, segura com minha família e estamos lidando com isso um dia de cada vez e vestindo nossas máscaras, tentando nos manter seguros e encorajando outras pessoas a lavarem suas mãos, manterem a distância e vestirem suas máscaras.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Samantha Morton: Sim, eu abri uma conta no Instagram quando entrei pra série e os fãs brasileiros dão “olá” pra mim no Instagram e tem sido legal. E eu digo “olá” para o Brasil de volta, eu amo os fãs brasileiros e eu amaria ir para o Brasil um dia. Eu nunca fui para a América do Sul, então seria empolgante pra mim e isso também é, quero dizer, o fato de eu estar falando com você agora é importante e é importante pra série, sabe, nós não teríamos uma série sem os fãs e é por isso que todos são tão importantes pra nós. Muito obrigada!

REDES SOCIAIS DA SAMANTHA:

– Twitter: @samthesparrow
– Instagram: @samanthamorton

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Bruno Favarini & Margo Goldwyn
– Tradução: Victoria Rodrigues & Thalia Tormes & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino (Tamiel)

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Destaque

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino (Tamiel)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores. Confira nosso papo com Sabrina Gennarino.

Rafael Façanha

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arte com Sabrina Gennarino e Tamiel para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Sabrina Gennarino in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nossa convidada de hoje é Sabrina Gennarino, que interpretou Tamiel durante as temporadas 7 e 8. A atriz nos contou sobre a lealdade de Tamiel à Jadis, sobre como foi trabalhar com Pollyanna McIntosh tanto em The Walking Dead quanto em outros projetos, sobre sua participação na série The Purge e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Sabrina Gennarino:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Sabrina Gennarino: Obrigada! É uma honra ser considerada para o seu fansite! Basicamente, consegui a audição pelo meu agente. Eu gravei e tive a sorte de conseguir o papel! Eu estava e ainda estou nas nuvens com isso. Eu conhecia a série antes de conseguir o papel. Mas eu não assisti na época, eu estava “sensível” porque tinha acabado de ter minha filha e simplesmente não conseguia lidar com nada ou ninguém se machucando.

Não sabemos nada sobre o passado de Tamiel. Quando você a interpretou, criou alguma estória sobre o que já havia acontecido com ela ou isso não a afetava na hora de atuar? Os roteiristas te contaram algo sobre ela para ajudar de alguma maneira?

Sabrina Gennarino: Uma história é SEMPRE importante. Isso é o que traz “vida” aos personagens que você cria. Scott Gimple e eu discutimos a incrível história que ele tinha para Tamiel. Eu adorei e não mudei nada. Havia algumas coisas que ele não compartilhou sobre a história dela. Então eu tenho isso na minha cabeça. Talvez um dia possamos ver isso.

Por que você acha que Tamiel era tão leal a Jadis e a vida adotada pelos Catadores?

Sabrina Gennarino: Para mim, na minha opinião, é porque elas foram as primeiras a chegar e provavelmente se conheciam “antes”. Elas compartilhavam a visão de existir artisticamente, no mínimo, com uma mentalidade de “Todos por um, um por todos”. Contornando o gênero e as limitações que enfrentamos no mundo de hoje.

The Walking Dead sempre apresentou personagens femininas fortes e decididas. Jadis foi uma líder incrivelmente forte e Tamiel também é uma personagem feminina muito forte e decidida. Como foi pra você compor e atuar em uma personagem tão dona de si? O quão importante você acha que é essa representação para outras mulheres?

Sabrina Gennarino: Acho extremamente importante! É lindo ver a força das mulheres na tela! The Walking Dead faz um trabalho incrível com isso. Estou ansiosa para o dia em que personagens femininas fortes não sejam consideradas “poderosas” ou “fortes”, mas apenas mulheres. Melhor ainda, uma pessoa fazendo o que outra pessoa faria para sobreviver em um apocalipse, independentemente do gênero.

Como era o clima no set dos Catadores? E como foi trabalhar com Pollyanna McIntosh e Thomas Francis Murphy? Você lembra de algum momento engraçado dos bastidores pra compartilhar conosco?

Sabrina Gennarino: Qualquer hora no set é incrível. Independentemente do projeto, mas devo dizer, fazer parte de um programa icônico, como The Walking Dead, e em tão boa companhia, cercado por pessoas brilhantes é um presente e me sinto incrivelmente abençoada.

Você sabe, você pensaria que todos nós seríamos incrivelmente sérios, o tempo todo que estamos filmando. Mas de alguma forma, era um conjunto tão leve (como em energia). Isso tem muito a ver com Andy e sua equipe. Tantos momentos engraçados, mas “Derelict” tinha que ser um dos mais engraçados… Nossa passarela em cima de nossa pilha de lixo canalizando Derek Zoolander.

Tamiel foi morta por Simon e depois aparece zumbificada. Você pode falar um pouco sobre como foi a gravação do seu último episódio? Como/quando você descobriu sobre a morte de Tamiel? E como foi seu processo de maquiagem zumbi?

Sabrina Gennarino: Impossível não chorar durante todo o processo de gratidão e tristeza. Como e quando eu descobriu que Tamiel iria morrer? Scott ligou para me dizer, cerca de uma semana antes da data marcada para o meu filme. O processo de virar zumbi foi tão legal. Valeu totalmente as muitas horas que demorou.

Olhando para o seu tempo na série, qual foi o episódio mais divertido de gravar? E qual o mais desafiador? Por quê?

Sabrina Gennarino: Todos eles. Por quê? Voltando ao “todo dia no set é um dia perfeito” para se divertir. Desafiador… porque… bem… ser um ator em si É um desafio! Viver na pele de outra pessoa, de uma forma muito real, é desafiador. Transmitir esse personagem, neste caso, sem falar muito, é desafiador.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Sabrina Gennarino: Claro! Primeiro dia: vibração familiar imediata. Você acha que é apenas uma coisa que eles dizem quando ouve sobre a família TWD. Mas está certo.

Último dia: parecia que estava me mudando para outro planeta e não veria minha família, incluindo nossa incrível equipe, nunca mais. O que, claro, não é assim. Nós nos vemos frequentemente e muitos de nós conversamos com frequência. Agradeça ao Universo por isso!

Se Tamiel tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ela tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Sabrina Gennarino: Eu tenho que dizer: Todos. Eles.

Quais são as etapas do seu processo de interpretação? Você segue algum ritual antes de entrar em cena com suas personagens? Como você se prepara?

Sabrina Gennarino: Eu realmente não tenho um ritual, mas se eu tivesse que descrevê-lo…
1. Eu sinto uma conexão com o personagem? Sim? Continuar. Não? Passe com respeito.
2. Sim? A construção começa, como na vida dessa pessoa em sua mente que você não leu na página, enquanto aprende as palavras que a pessoa diz.
3. Ore para que você não seja ruim.
Eu realmente não posso ter um ritual específico porque cada personagem é diferente. Se eu fizesse, seria eu, não o personagem, isso me tiraria da cabeça e do corpo do personagem que estou interpretando.

Agora falando sobre o final de The Walking Dead, eu não sei se você continuou assistindo a série após a sua saída ou se acompanhou alguns momentos, mas adoraria saber de você: Como você acha que poderia ser o final ideal da série?

Sabrina Gennarino: Não… vou deixar isso para as pessoas incríveis que escrevem o programa.

Você também trabalhou com Pollyanna McIntosh em Darlin’, que escreveu e dirigiu o filme. Como foi trabalhar sobre o comando dela? E quão desafiador foi esse projeto?

Sabrina Gennarino: Ugh! Ela é a pior! Mas sério… lendária. Humano verdadeiramente brilhante e belo. Foi uma honra ter essa experiência com ela. Eu nem consigo descrever como é difícil fazer o que ela fez, com graça, com poder, com bondade enquanto arrasa. Ela explode minha mente. Cada função é desafiadora!

Precisamos falar sobre The Purge. Você estava simplesmente sensacional como Madelyn! Como esse trabalho surgiu pra você? E quão divertido – e assustador? – foi participar dessa série? E o que você, pessoalmente, iria preferir enfrentar: uma noite de expurgo ou uma horda de zumbis?

Sabrina Gennarino: Ah! Obrigada! EU AMEI ela! Da mesma forma que faço na maioria das vezes: por meio do meu agente. Todo trabalho é divertido! E assustador! Eu teria que ir com a horda de caminhantes! Pelo menos você sabe com o que está lidando! Ha!

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Sabrina Gennarino: É horrível. É horrível para todos. Infelizmente, sim! Mas não tenho dúvidas de que tudo vai se recuperar, melhor do que nunca. Precauções de quarentena e segurança. Escrevendo mais! E nós (minha filha Izzy G! E meu marido, Pieter Gaspersz) abrimos uma empresa chamada Biddle and Bee! Roupas e acessórios veganos, mas agora, nosso foco é feito sob medida, ajuste personalizado, tecido personalizado, máscaras ultra-seguras, que excedem as recomendações do CDC. E isso nos deu tempo para também nos concentrarmos no Crap Free Skin Care, nossa linha vegana de cuidados com a pele e… o mais importante, uns nos outros. Sempre fazemos o nosso melhor para encontrar o lado positivo das coisas.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Sabrina Gennarino: AMO O BRASIL!!!! Vocês são os melhores! Nem sempre o carinho chega! Então, isso é tão lindo de ouvir! Muito grata por ouvir isso!!!!! BRASIL!!!!! VOCÊS SÃO OS FÃS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO!!! EU TE AMO!!!!

REDES SOCIAIS DA SABRINA:

– Twitter: @girlsgottaeat
– Instagram: @sabrinagennarino
– Facebook: @sabrina.gennarino

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha
– Tradução: Victoria Rodrigues & Rafaela Mazulquim
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Brighton Sharbino (Lizzie)

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