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Entrevista

Danai Gurira, que interpreta Michonne, diz que ‘The Walking Dead’ não é racista

Rafael Façanha

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ATENÇÃO: Esta matéria contém spoilers do quarto episódio da quarta temporada, “Indifference” (Indiferença).

Quando os créditos começam a passar, no final de “Indifference”, algumas questões permanecem: Rick realmente exilou Carol? Podemos confiar em Bob, o alcoólatra? E, hm, será que nós testemunhamos Michonne flertando?

Ela comparou os olhos de Daryl a um pedaço de jaspe verde, por mais que tenha parecido mais um insulto do que um elogio. Mas, independentemente disso ser algo que a legião de sabichões que escrevem fanfics de The Walking Dead já tenha previsto (os shippers de Dixonne ao redor do mundo são reais), esse é mais um passo na direção de um dos melhores e mais proeminentes arcos narrativos dessa temporada: a revelação da verdadeira Michonne.

A guerreira que empunha a espada katana está finalmente se tornando mais receptiva, revelando um senso de humor seco e espirituoso e dicas de um passado que é ainda mais difícil do que nós supúnhamos. Para seus inúmeros fãs – que reclamam que Michonne não está recebendo o mesmo tratamento “substancial” que ela recebeu na série de quadrinhos de Robert Kirkman – já estava mais do que na hora. Michonne agora faz comentários sarcásticos sobre o sinal de “alerta vermelho” estampada no rosto de Rick (“Seu rosto está perdendo a guerra) e sobre as pulgas que tem certeza de que Daryl passou pra ela. Michonne rompeu em soluços quando segurava a bebê Judith e, ontem à noite, desapegou-se de sua ira contra o Governador. “Não vou mais sair.”, ela disse ao Daryl. Michonne, que anteriormente era uma solitária, vai ficar na prisão.

Danai Gurira, que interpreta Michonne, afirma que, apesar de todos repentinos comentários mordazes, a transformação de sua personagem geralmente estóica se iniciou na temporada passada. “As escolhas dela, no ano passado, estavam todas conectadas com o que ela queria: uma comunidade.”, ela contou ao The Daily Beast. “Ela escolheu trazer o leite artificial para bebês até a prisão, ela escolheu contar [ao grupo de Rick] onde Glenn e Maggie estavam, ela escolheu levá-los de volta a Woodbury e ajudá-los a tentar enfrentar o Governador. Ela poderia, facilmente, ter levado seus dois walkers e caminhado em direção a ambientes ermos. Mas, em sua alma, ela sabia que precisava novamente de uma comunidade.”

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Gurira nunca tinha assistido The Walking Dead antes de seu teste para o papel de Michonne. Ela não é fã de filmes de terror.

Para Gurira, trata-se de “descascar as camadas”. Na última temporada, Michonne tinha o cuidado que era resultado de “seu transtorno de stress pós-traumático específico”, Gurira afirma. Certamente, quando perguntaram a ela o que, exatamente, causou o transtorno de stress pós-traumático, Gurira ficou obedientemente cautelosa – ainda que ela tenha dito que sabe os detalhes da história de Michonne “muito bem”.

“Como eu poderia dar qualquer dica [da história dela] se eu não sei qual é?”, ela sorriu. “Vocês devem ‘ficar no escuro’. Mas é divertido que isso aconteça, poder se abrir um pouco aqui e ali. Todas as coisas que aconteceram com ela são algo que nós discutimos profundamente. Nós sabemos quando e como isso será exposto para a audiência.”

Como será nessa temporada?

“Você sabe que nós teremos que ver.”, Gurira diz, antes de dizer a única coisa que ela pode me contar. “O que eu amo nessa temporada é o quanto ela conecta, fantasticamente, momentos verdadeiramente poderosos de ação com momentos poderosos de estudo dos personagens.”

A própria história de Gurira é menos misteriosa. Nascida em Grinnell, Iowa, onde seu pai era um professor de química na Grinnell College, Gurira se mudou com sua família para o Zimbábue, o país natal deles, quando tinha cinco anos. Foi lá que ela aprendeu a atuar, inspirando-se na personagem Alexis Colby, da série Dynasty, e praticando no quintal da casa dela. Após o ensino médio, ela voltou para os Estados Unidos para fazer faculdade, ganhou um MFA da New York University, e eventualmente fez sua estreia na Broadway em Joe Turner’s Come and Gone, em 2009. O cinema e a televisão – alguns podem se lembrar dela como a repórter Jill, do Village Voice, da série Treme, da HBO – vieram naturalmente, e ela continuou a escrever suas próprias peças. Seu primeiro trabalho, In the Continuum, recebeu um Obie Award em 2006 por sua representação de duas mulheres portadoras de HIV.

Levando em consideração seu resumo refinado, talvez não seja surpreendente que Gurira nunca tenha assistido The Walking Dead antes de sua audição pelo papel de Michonne. Ela não é fã de filmes de terror. Não que isso tenha sido um empecilho. Ela dominou as técnicas de Michonne com a espada em apenas três semana. Ela também está particularmente orgulhosa de ter aprendido a galopar no cavalo que vimos no segundo episódio dessa temporada – uma habilidade que ela dominou um dia antes de gravar, levando os produtores a cancelarem a dublê.

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“Quase sempre que vocês vêem, sou eu, e vocês podem ver que isso está escrito no meu rosto.”, Gurira diz. “Eu posso dizer isso em relação a todos nós. Aproximadamente 98 ou 99% das vezes, somos nós.”

Por “nós”, ela se refere aos sobreviventes do apocalipse zumbi, expansivos e passando por constantes mudanças. O elenco tornou-se um ponto de discórdia para aqueles que têm problemas com a política racial da série. Lorraine Berry, no Salon.com, apelidou o seriado de “patriarcado branco” no início desse ano, citando a morte de T-Dog e a curta participação de Oscar como provas de “a quantidade crítica de negros que podem estar no grupo de Rick corresponde a um.” Gurira considera a noção “hilariante.”

“Se nós literalmente alinhássemos esse seriado com outros que estão nesse mesmo nível de audiência, ou próximo disso, quero dizer, por favor.”, ela diz. “Essa série é, na verdade, a série mais diversa, creio, atualmente. Eu não entendo bem porque as pessoas estão dizendo isso. Penso, ‘Ãh?’. Fico muito grata pelo elenco que nós temos. Estou olhando ao redor e estou vendo Sonequa Martin-Green [que interpreta Sasha], estou vendo Steven Yeun [Glenn], estou vendo Lawrence Gilliard [Bob], estou vendo Chad Coleman [Tyreese]. Mostre-me outro seriado que seja tão diverso assim! Estou profundamente confusa com essa preocupação.”

“Os personagens são introduzidos aproximadamente em concordância conforme aparecem nos quadrinhos de Kirkman,” Gurira diz. Isso explica porque grandes personagens negros, como Michonne e Tyreese, aparecem posteriormente na série. E não estamos considerando Morgan, interpretado Lennie James, que aparece no piloto. Gurira, precisamente, classifica a primeira aparição de Morgan como “uma das primeiras vezes em que nossos corações se partiram nessa série”, conforme observamos ele se esforçar e falhar em atirar em sua esposa, que se transformou em zumbi. E, ainda que não seja uma grande melhora, a quarta temporada trouxe dois personagens principais negros para o clã de Rick: Tyreese e Bob.

“Eu acho que a beleza disso é que há um grande molde [para a série] no que Kirkman escreveu.”, ela afirma. “Seus quadrinhos são muito diversos, assim como é diverso aquilo que nós colocamos na tela. Tyreese e Michonne não está no primeiro episódio, ou no primeiro quadro da graphic novel de Kirkman. Eles aparecem bem depois. Não é nada que tenhamos planejado contra qualquer um, é apenas natural com o fato de que é a história de Rick Grimes, e que ela se inicia com Rick procurando sua família.”

Quando o assunto mudou para outra história envolvendo zumbis, na qual um homem procurava sua família, o filme Guerra Mundial Z, Gurira admite que ela ainda não viu. (“Eu amo o Brad Pitt”, ela afirma.) Ela não se importaria de assistir o apocalipse zumbi numa escola global. No momento, ela tem o objetivo de ficar no mundo que evolui rapidamente de Michonne, em um nível em que um filme de ação de grandes escalas não oferece para a audiência.

“Nesse caso, você está conectado com as pessoas e com uma experiência de, ‘O que aconteceria? Quem você seria se o mundo ficasse tão desesperador assim?’ Essa é uma premissa verdadeiramente poderosa de The Walking Dead que me atraiu como artista para fazer parte disso. Vai muito além do terror.”


Fonte: The Daily Beast
Tradução: Lalah / Staff Walking Dead Brasil

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