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San Diego Comic Con: segunda parte da coletiva de Daryl Dixon
Confira a segunda parte da entrevista com Norman Reedus, Melissa McBride, David Zabel, Greg Nicotero e Scott M. Gimple sobre Daryl Dixon.

Prontos para saber mais novidades sobre as gravações e o que vem por aí na terceira temporada de Daryl Dixon? É só conferir a segunda parte da coletiva de imprensa da série na SDCC25 abaixo!
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PARTE 2 DA COLETIVA DE IMPRENSA
Podem compartilhar uma cena ou momento favorito da terceira temporada?
Norman: Para mim, o episódio 5. Foi diferente, bem western. Foi incrível, e um dos meus favoritos.
Melissa: Tem um personagem com quem a Carol está desenvolvendo um relacionamento, que é o Antonio, e temos uma cena estranha de um jantar. Aliás, temos algumas cenas estranhas, porque elas parecem tão fora de lugar naquela realidade… Algo muito interessante sobre a temporada 3 é que encontramos um grupo de pessoas dentro do seu próprio ambiente, algo que não foi destruído. Eles têm um sistema de sobrevivência que está funcionando para eles, e é fascinante entender como isso está acontecendo. E também conhecer essas pessoas dentro de lares que, de forma geral, ficaram presos no passado.
Então, é algo na linha… não é como se nos perguntássemos quem eles eram antes disso acontecer. Eles são as mesmas pessoas, têm seus interesses, as coisas com que estão envolvidos. E isso é muito diferente, porque não é algo que a gente conhece.
Sou fã de TWD desde o primeiro dia, e minha pergunta é: tem algo que você sente falta daquelas gravações ou daquele grupo?
Norman: Sinto como se fossem os dois primeiros anos. O show cresceu tanto, e a gente tinha um elenco bem grande… mas, ali, formamos um laço. O Andy me ligava a caminho do trabalho, passava o intervalo do almoço na minha cadeira. Ou ele terminava o dia, entrava no carro, e me ligava para falar.
A partir daí, começamos a matar personagens e tirá-los da série o tempo todo. E, sabe, às vezes, eu pensava que os novos atores não entendiam muito bem tudo o que vivemos para chegar ali. Porque nos transformamos em action figures quase de imediato. Viemos pra Comic Con de imediato e, aqui, nos sentimos como super heróis.
No começo, nossos agentes até nos disseram para pensar bem sobre o projeto, porque não fazíamos ideia do quão grande a série ficaria, ou de quanto tempo duraria. Mas formamos um laço quase instantâneo. A Melissa e eu, inclusive, já tínhamos esse laço desde a Georgia. Então, estarmos os dois em um novo show na Europa, sabe… existe uma conexão que você não consegue fingir. Ninguém consegue fingir que se conhece tão bem quanto a gente se conhece. Quanto todos nós nos conhecemos. Isso nos deu uma vantagem ao fazer a série, porque colocamos esse entusiasmo, essa conexão no nosso trabalho diário.
Greg: Acho que para mim é assim também, porque eu estive lá desde o primeiro dia. Participar dessa jornada com todo mundo, é como se vocês estivessem nas trincheiras juntos. Meio que lutando uma guerra juntos. E você se encontra dependendo das pessoas à sua volta, confiando nelas.
Lembro que, quando começamos, os atores saíam de seus trailers para gravar e se viam no meio de zumbis. A Sarah Callies me dizia: tenho pesadelos com as coisas que saem pela porta do seu trailer! E os zumbis nunca sentavam com os atores, eles tinham seu próprio grupo… Mas acho que, ao fazer aquela contribuição única para o show, eu acabei desenvolvendo uma relação diferente com o elenco, porque eles podiam ver a contribuição que eu estava trazendo. Aquele grupo de pessoas não cresceu com zumbis, com as histórias do George Romero. Eles não sabiam do que se tratava, aí, viam zumbis dentro do set. Então, eu sinto que fiz parte desta jornada com eles desde o início.
Norman: Sabe, bebês nasceram. As pessoas se casaram.
Scott: Eu estive lá desde o segundo ano. Acho que demorei porque já era um fã dos quadrinhos, e amei a primeira temporada – tanto que eu não queria fazer o show, porque não queria ver como era feito.
Você vê esses personagens que gosta na TV e, de repente, está em um set trabalhando com eles. Isso é insano. Mas, quando se dá conta, você está construindo um relacionamento de trabalho com uma equipe incrível, com a qual você faz 16 episódios por ano. Você faz esses episódios em um cronograma bem regular, tipo de maio a novembro, todos os anos. E o projeto está indo tão bem que, mesmo que você perdesse metade da sua audiência no próximo anos, ainda poderia planejar histórias para mais 3 temporadas.
Tudo isso, a ideia de tudo isso, é simplesmente maluca. Você pensa: no domingo à noite, as pessoas vão ver isso, todas ao mesmo tempo. Todo mundo fica na expectativa antes do show para, depois, vivenciá-lo de forma coletiva. E o elenco, a equipe, os produtores, os redatores, todos estão assistindo junto da audiência. Isso foi sempre um presente memorável.
Acho que vivemos em tempos solitários. Quando você liga a Netflix, qual é a primeira coisa que ela te pergunta? Quem está assistindo? É essa, essa, ou essa pessoa? Nunca é todo mundo junto. É tipo um lembrete de que você vive em um mundo frio, e a Netflix te entende. Mas, ali, era só um grupo de pessoas incríveis fazendo um show, e depois assistindo juntas. E eu sou tão incrivelmente grato por ter feito parte disso, assim como sou grato por fazer parte agora. Ainda que seja mais difícil que todos assistam juntos, ao mesmo tempo.

Vocês têm intervalos entre as gravações de cada temporada?
Norman: Sim, enquanto eles escrevem a próxima.
Scott: É isso: por trás das cenas, não existe muito descanso.
David: Em termos de pós-produção e de redação, está acontecendo o tempo todo. Mas as gravações fazem uma pausa.
Scott: Se formos pensar, a gente não rola tanto na terra ou toma tanto soco no rosto quanto os atores, então, não precisamos de tanto descanso!
Para esta e a próxima temporada, temos alguma evolução dos walkers, ou algum tipo de mudança para eles?
Scott: Tem coisas que nunca vimos antes. Não sei se podemos contar como uma evolução dos walkers, mas a forma com que são representados, usados, apresentados como ameaças é incrivelmente única.
David: Acho que temos variações. O Scott e eu falamos muito sobre isso, quando estávamos buscando por formas de injetar uma nova energia no universo. Irmos para a Europa nos ajudou e, ali, pensamos: talvez possamos ter novas variações dos walkers neste lugar, mas não podemos ter uma mudança fundamental na forma com que eles são apresentados desde o Kirkland.
Scott: Sim. Tivemos uma evolução, certamente. Quer dizer, se você assiste World Beyond, que estava um pouco independente deste universo e pavimentando o caminho para a França, você já sabe que existe uma certa mitologia para explicar a existência de diferentes walkers. E, sim, temos mais vindo por aí.
É possível termos uma estimativa de quanto tempo se passou desde que o Daryl chegou na França até o início da temporada 3? E, Scott, essa é para você: mesmo que não tenhamos uma temporalidade exata, podemos ter uma ideia de onde este show se encaixa no universo TWD?
Scott: Obrigado por não pedir uma temporalidade exata! Devo dizer que The Walking Dead sempre existirá em um lugar mágico do tempo por causa do Chandler Riggs – isso porque o Carl cresceu muito rápido, em pouquíssimo tempo. Então, quando falamos de tempo e de idade dos personagens, precisamos ser um pouco flexíveis.
E se a Denise Huth estivesse aqui… ela trabalhou no show original e em alguns dos outros, e é realmente uma pessoa que entende a timeline. Se ela estivesse aqui, nós poderíamos fazer um passo a passo como se fosse algo do Stephen Hawking! Mas posso dizer que eles são mais ou menos contemporâneos… mais ou menos.
David: Para Daryl Dixon em específico, não tenho nada exato também, mas a ideia é que as primeiras 3 temporadas aconteceram dentro de um período de 6 meses depois do fim de The Walking Dead. Quer dizer, as duas primeiras temporadas são bem contínuas, em um período de uns dois meses. Só não lembro exatamente quanto agora, mas a temporada 3 é contínua de onde paramos na dois. E a 3 leva cerca de 6 semanas.
Scott: Mas considere alguma flexibilidade nisso.
David: Sim, claro, é mais para entendermos a progressão destes personagens em Daryl Dixon.
Tem alguma locação para a qual vocês gostariam de ir?
Norman: Vamos encerrar na temporada 4. Mas não sei, gosto muito da Costa Rica… Está tão quente na Espanha agora. Estava quase 44 graus no set outro dia, foi insano.
David: Falamos um pouco sobre a África, o que eu acho que seria muito legal. Sobre Marrocos. Falamos sobre vários lugares, porque é legal imaginar como o apocalipse seria em outras localidades, qual seria o impacto cultural dele e como os personagens reagiriam se fossem expostos a isso.

Tem algum momento ou memória especial para vocês, que vocês nunca tiveram a oportunidade de compartilhar porque ninguém fez a pergunta certa?
Norman: No começo do show, tinha sempre um grupo de caras olhando para um monitor, e eu só ficava parado lá. De repente, os caras tinham uma ideia e começavam a olhar para mim. Depois, eu me tornei uma parte mais importante de como as coisas funcionavam, e estava sempre conversando com o Steve e o Andy… são tantas coisas em 15 anos, tantas memórias. Estamos sempre falando: lembra disso? lembra daquilo?
Greg: Eu estava gravando meu novo show no mesmo espaço em que filmávamos The Walking Dead. Lembra daquele walker que engoliu o pára-brisa na segunda temporada, e vocês tiveram que abrir o estômago dele? Então, eu estava andando lá e pensei: foi aqui que gravamos a cena em que o Norman e o Andy cortam aquele zumbi!
Norman: Eu cortei por uns 30 minutos, estava tudo se espalhando por cima de mim!
Greg: Tivemos tantos momentos malucos assim. A primeira cena da Michonne não foi nem filmada com a Danai. Foi no final da segunda temporada, quando eles fogem da fazenda, a Laurie olha para cima e vê alguém de capuz. Não era a Danai, porque ela nem fazia parte do elenco ainda. A gente não sabia como ela seria, então, tivemos de colocar um capuz. E a temporada 3 também teve tantos momentos legais.
Uma das coisas desafiadoras para mim sempre foi dizer adeus para alguns personagens, porque eu realmente amava essas pessoas. Quando o Cudlitz ia sair, ele entrou no meu escritório no dia antes de descobrir, e me disse: cara, esse é o melhor trabalho que eu já tive. E eu pensei que ele não ia a lugar algum. Duas horas depois, estamos em uma sala e o Scott fala: ok, o Abraham vai morrer. Eu lembro do Scott Wilson, que dizia que sabia que o personagem dele ia sair. Que já previa que ia acontecer.
Norman: Cada pessoa que saiu do show não queria sair. Eu lembro que o Scott me falava: “é hoje”. E eu achava que não.
Scott: Era a melhor colônia de férias do planeta Terra. Então, era difícil ir embora.
Greg: Vou terminar contando isso, porque é engraçado. Vamos dizer que um personagem estava programado para morrer, tipo, o personagem do Michael Rooker. Sempre que um personagem ia morrer, o Andy tinha uma cena com ele. E não importa qual era a ordem em que as coisas eram filmadas… tipo, já havíamos gravado a morte do Rooker, e tivemos uma cena do Rick e do Merle em uma cela. Uma cena muito boa. E, toda vez, o Andy falava: talvez não devêssemos matar ele. Ele é muito bom. Ele filmava uma cena incrível com alguém e dizia: acho que ele devia ficar. Mas você já atirou no cérebro dele! Não podemos reescrever todo episódio! (risos). E ele falava isso todas as vezes.
E aí, gostaram? Para finalizar, agradecemos à AMC Networks pela oportunidade de participar desta coletiva incrível!












