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THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com Daniel Bonjour (Aiden)

The Walking Dead completa 10 anos em outubro e, para comemorar, entrevistamos alguns atores da série. Confira nosso papo com Daniel Bonjour.

Rafael Façanha

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arte com Daniel Bonjour e Aiden Monroe para comemorar os 10 anos de The Walking Dead

To access the interview with Daniel Bonjour in english, click here.

The Walking Dead completa 10 anos de história na TV no dia 31 de outubro de 2020. Em comemoração a essa marca histórica, entrevistamos vários atores que participaram da série ao longo dos anos. Essas entrevistas, que começaram a ser divulgadas no início de setembro e vão até o final de outubro, estão sendo lançadas diariamente. Elas se encerrarão com uma grande surpresa preparada exclusivamente para os fãs, com grande carinho.

Nosso convidado de hoje é Daniel Bonjour, que interpretou Aiden Monroe durante a 5ª temporada. O ator nos contou sobre como Aiden se sentiu com a chegada do grupo do Rick, sobre como foi gravar a cena da morte de seu personagem, sobre trabalhar com Steven Yeun (Glenn), sobre sua participação em iZombie e muito mais!

Sem mais delongas, confira nossa entrevista exclusiva com Daniel Bonjour:

É uma honra conversar com você em um momento tão importante para The Walking Dead. Não é qualquer série que consegue chegar à marca de 10 anos. Comece contando para nós como foi fazer parte deste projeto. Como ele surgiu e como foi seu processo de audição? Você conhecia a série antes de conseguir o papel?

Daniel Bonjour: Na verdade, eu estava em minha lua de mel no Camboja quando recebi a ligação para uma audição. Eu inicialmente recusei o teste porque eu nem tinha um sinal forte o suficiente para enviar um vídeo, mas os diretores de elenco realmente pensaram que eu seria a pessoa certa para o papel, então me deram um tempo extra. Chegamos a um novo hotel com um serviço melhor e gravei meu teste, sem pensar muito nisso. Poucos dias depois, voamos para a Tailândia e, quando pousamos, fui bombardeado com mensagens de correio de voz, textos e até mensagens no Facebook do meu agente, informando que eu havia conseguido o papel. Passamos mais alguns dias na lua de mel, e então eu tive que voar para Atlanta e dirigir diretamente do aeroporto para o set – lendo o roteiro no avião.

Eu era definitivamente um grande fã da série de antemão, o que tornou toda a experiência muito surreal.

Descobrimos que você precisou interromper sua lua de mel para interpretar Aiden e que esse também foi um dos motivos para que seu personagem fosse morto no episódio “Spend”. Existia mais planos para Aiden? Você pode falar um pouco sobre como tudo isso foi planejado?

Daniel Bonjour: Eles foram muito francos quando consegui o papel de que Aiden teria vida curta e seria morto, mas também disseram que seria uma morte impactante. Toda a batalha entre os alexandrinos realmente começou por causa da morte de Aiden. Enquanto estávamos filmando, os produtores vieram até mim e disseram que realmente amavam o personagem e estavam tentando descobrir maneiras de mantê-lo por perto, mas no final das contas, eles precisavam de uma morte impactante para ser o estopim que acabaria por derrubar Alexandria.

Em sua primeira aparição na série, Aiden parece não levar tão a sério o perigo que os zumbis oferecem e as adversidades do mundo pós-apocalíptico. Por quê você acha que ele tinha essa visão do mundo? Você acha que ele era maduro o suficiente para sobreviver ao apocalipse?

Daniel Bonjour: Acho que Aiden foi simplesmente um produto das circunstâncias. Ele teve a sorte de pertencer a uma comunidade que rapidamente ergueu muros e criou um espaço seguro, então, em sua mente, a ameaça nunca foi tão real quanto para alguém como Glenn. Ele sentiu que o treinamento ROTC o tornava invencível. Havia uma sensação de privilégio que o tornava alheio ao mundo exterior.

Como você acha que Aiden se sentiu com a chegada do grupo de Rick em Alexandria? Você acha que ele em algum momento se sentiu diminuído em sua posição de patrulheiro por não ser tão experiente quanto eles?

Daniel Bonjour: Acho que ele definitivamente se sentiu ameaçado. Seu papel como o soldado mais experiente de repente foi desafiado e ele estava com um pouco de medo de ser exposto como menos qualificado. Mudar é sempre difícil e Aiden não estava pronto para isso.

A morte de Aiden é visualmente muito impactante! Como foi a preparação de maquiagem e figurino para essa cena? E como/quando você descobriu que Aiden estava com os dias contados?

Daniel Bonjour: Eu descobri “oficialmente” quando Scott Gimple me ligou para me avisar. Eles levam a morte de personagens muito a sério no programa e é um processo de partir o coração. Todos no set foram extremamente gentis. De certa forma, parecia uma separação. A cena da morte foi muito intensa. Todos os efeitos estavam na câmera. Tive que usar um macacão cheio de sangue e vísceras falsas e, quando fui comido vivo, eles literalmente abriram uma prótese de estômago e arrancaram todas as vísceras colocadas dentro dele. Foi uma experiência intensa.

Outro grande momento de Aiden é quando ele confronta Glenn e acaba levando um soco. Como foi trabalhar com Steven Yeun? E como vocês se prepararam para esse momento entre os personagens?

Daniel Bonjour: Essa foi na verdade minha primeira cena de todo o show! Eu não conhecia ninguém na época, então foi um pouco intimidante entrar no set e de repente começar uma briga. Steven foi extremamente simpático e acolhedor. Na verdade, não falamos sobre a cena antes. Claro, trabalhamos com muito cuidado, mas o que acabou na tela foi muito instintivo e cru.

Você e Michael Traynor desenvolveram uma ótima amizade, é o que percebemos pelas fotos de vocês tanto nos bastidores quanto em convenções/reuniões. Como você acha que Aiden se sentiu quando foi abandonado por Nicholas? Que lembranças você tem de trabalhar com Michael?

Daniel Bonjour: Michael é um grande amigo ainda hoje. Ele, Ross Marquand e eu nos juntamos ao show na mesma época, então tivemos muitas boas lembranças da amizade como os caras novos no set. Estávamos todos muito animados com tudo isso, então foi ótimo compartilhar essa experiência.

Acho que Aiden sentiu que merecia no final. Ele fez um círculo completo de realização naquele momento de desespero. Embora eu tenha certeza de que ele teria adorado ser salvo, acho que, no final das contas, Aiden não o culpa por isso.

Aiden foi criado exclusivamente para a série de TV, diferente dos seus familiares que estão nos quadrinhos de The Walking Dead. Você chegou a ler as HQs para ter uma base da história ou preferiu apenas seguir os roteiros? E você, como fã, prefere que as adaptações sigam totalmente o material fonte ou prefere que elas sofram modificações para surpreender?

Daniel Bonjour: Eu li alguns dos quadrinhos, mas não tive tempo para mergulhar totalmente, então tive que depender dos roteiros. Mesmo assim, o show era tão secreto na época, que eu tinha pouca informação para trabalhar. A maior parte eu tive que criar na minha imaginação. Acho que o programa é uma interpretação dos quadrinhos e, em qualquer interpretação, você quer ver algo novo, senão qual é o ponto? Os quadrinhos existem como um meio próprio, e o show é simplesmente para deixar esses temas e personagens respirarem em seu próprio mundo.

Você lembra como foi o seu primeiro dia no set? E o seu último? Adoraríamos saber detalhes sobre a recepção do elenco e também sobre sua despedida!

Daniel Bonjour: No meu primeiro dia, fui apresentado a Andy e ele imediatamente me acompanhou pelo set me apresentando a todos, e eventualmente ele me perguntou quem eu estava interpretando. Ele nem sabia quem eu era e foi tão gentil – foi quase um choque. Eu pensei que estava sendo enganado, todo mundo era tão incrivelmente legal.

Meu último dia foi a cena da minha morte, então eu estava coberto de sangue e realmente parecia adequado. Vários outros atores apareceram no set e Steven fez um discurso realmente comovente. Também era o último dia de Tyler, então acho que tive que pegar carona na despedida dele também, mas ainda foi muito tocante.

Se Aiden tivesse sobrevivido por mais tempo na série, com quais personagens você gostaria que ele tivesse interagido? Existe algum ator/atriz específico com quem você gostaria de ter trabalhado mais durante seu período em The Walking Dead?

Daniel Bonjour: Fiquei muito feliz por ter trabalhado tanto com Steven – ele realmente tornou toda a experiência o que é. Teria sido ótimo trabalhar com Andy, mas acho que, no final das contas, Glenn e Aiden eram uma dupla perfeita. Honestamente, Aiden teria apenas dado nos nervos de todos – mas de uma forma muito divertida, então eu teria adorado ver isso acontecer. Para ver quantos inimigos ele poderia acumular.

Você esteve em várias outras séries, interpretando muitos tipos de personagens. Se você pudesse escolher um deles para ser um sobrevivente – vilão ou mocinho – em The Walking Dead, qual seria e por quê?

Daniel Bonjour: Essa é uma pergunta interessante. Engraçado – no iZombie, interpretei um documentarista. Teria sido ótimo ver que tipo de documentário sairia de The Walking Dead.

Falando em apocalipse zumbi… O que Daniel Bonjour teria em seu kit de sobrevivência? Escolha 5 itens indispensáveis! Você seria mais o tipo que estaria em uma comunidade ou sobrevivente solitário?

Daniel Bonjour: Eu começaria uma aldeia dentro de um Costco (risos). 5 itens? Eu diria algum tipo de espada, um diário, um saco de sementes para quando eu finalmente encontrar um lar. Um isqueiro. E desinfetante para as mãos – porque, você sabe… COVID.

Eu provavelmente teria sido um lobo solitário no início, mas depois estaria procurando desesperadamente um lugar para chamar de lar.

Curiosamente, você esteve em outra produção que envolvia mortos-vivos: iZombie. Você pode falar um pouco sobre como foi essa experiência para você e como foi dar vida ao “zumbi” Levon Patch? Quais lembranças você tem com trabalhar com Rose McIver?

Daniel Bonjour: iZombie foi um giro de 360 graus em relação a The Walking Dead. O elenco era tão bom, mas é um gênero completamente diferente. Foi divertido fazer um pouco de piada do gênero, e Rose é um encanto absoluto de uma pessoa. O set estava sempre cheio de risada. Eles realmente me fizeram sentir em casa no iZombie.

Sabemos que a pandemia adiou muitos projetos, e nós, fãs de The Walking Dead, estamos sofrendo porque a season finale da série foi afetada. Como a pandemia te afetou? Algum projeto que estava em andamento teve que ser adiado? E como você tem se cuidado?

Daniel Bonjour: Isso me afetou 100%. Tive um trabalho cancelado por causa disso. Felizmente, não era um trabalho grande, mas ainda assim… Tenho escrito um roteiro durante a pandemia e trabalhado com alguns produtores para trazê-lo para a tela grande. Definitivamente tem sido um desafio ficar sem trabalho por tanto tempo. Nosso setor já é tão difícil para se começar – você está sempre cruzando os dedos para o próximo trabalho, e isso apenas o torna muito mais estressante. Mas é o mundo em que vivemos agora, então eu sei que há muitas pessoas passando exatamente pela mesma coisa. Eu só espero que todos possamos sair dessa com uma versão mais forte e melhor de nós mesmos de alguma forma.

Para encerrar: aqui no Brasil sempre mandamos muito amor a todos que estão envolvidos em The Walking Dead. Os fãs brasileiros são muito apaixonados! Esse carinho chega de alguma maneira até você através de convenções ou redes sociais? Deixe um recado para os fãs do nosso país!

Daniel Bonjour: Sou péssimo quando se trata de acompanhar as mídias sociais, mas realmente aprecio todas as mensagens e o amor que recebo online. Tento enviar uma mensagem de volta às pessoas, mas às vezes sou muito lento nisso. Mas, por favor, nunca hesite em me contatar – estou sempre lendo mensagens. Acho que são fãs como os do Brasil que levam a experiência de estar em The Walking Dead a um outro nível. Ver algo que tive a sorte de fazer parte impactar as pessoas de uma forma tão poderosa é realmente um sonho que se tornou realidade. Então, obrigado, do fundo do meu coração.

REDES SOCIAIS DO DANIEL:

– Twitter: @DanielBonjour
– Instagram: @DanielBonjour
– Facebook: @DanielBonjour
– Site Oficial: www.danielbonjour.com

AGRADECIMENTOS:

– Entrevista: Rafael Façanha & Dhebora Fonseca
– Tradução: Victoria Rodrigues & Ludmilla Peixoto
– Arte da capa: FORMES

ENTREVISTA ANTERIOR:

THE WALKING DEAD 10 ANOS: Entrevista exclusiva com John Carroll Lynch (Eastman)

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E22 – “Here’s Negan”: Ele voltou?

Here’s Negan foi o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Negan procurando Lucille e um zumbi de fundo em imagem da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo segundo episódio, S10E22 – “Here’s Negan”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Talvez o mais esperado entre os episódios extras desta décima temporada de The Walking Dead, “Here’s Negan” contou com riqueza de detalhes a origem de Negan, nos mostrou a Lucille original, homenageada no famoso taco de baseball e, de quebra, deixou uma pulga atrás da orelha dos espectadores na cena final: Negan voltou?

Talvez o fato mais simbólico deste episódio tenha sido o nascimento e a morte do vilão estarem relacionados à Lucille: quando ele ganha a arma de madeira e, anos mais tarde, quando ele se despede de vez do taco e, subjetivamente, da esposa. As chamas que queimaram a casa onde ele morava com Lucille – e onde ele deixou o corpo transformado – também representam o início do Negan do mal, que sente raiva e desejo de vingança que, segundo ele, são representados pela cor vermelha – cor que queima como o fogo. Este mesmo fogo bota fim ao taco e representa a despedida definitiva de Lucille (das duas) e o suposto renascimento do implacável líder dos Salvadores.

O que a história de Negan deixa para a 11ª temporada promete: o embate dele com Maggie. A viúva segue cheia de desejo de vingança e vai para cima do inimigo na primeira chance que tiver, agora que ele decidiu voltar para Alexandria. A decisão de Carol e do conselho da comunidade em banir Negan visava apenas protegê-lo e deixar o ambiente confortável para que Maggie pudesse voltar para o local. Agora que os dois serão vizinhos, a coisa tende a estourar.

Flashbacks: o taco e a jaqueta

A forma que The Walking Dead escolheu para contar a história de Negan e Lucille não poderia ser melhor. Um capítulo muito bem produzido e conduzido – talvez o melhor destes seis episódios bônus – e que preenche lacunas que antes deixavam o passado do vilão obscuro. Negan amou a esposa, principalmente nos momentos finais da vida dela, quando fez de tudo para mantê-la viva, buscando tratamento para o câncer da amada mesmo no colapso do mundo. No meio do caminho, ele encontra dois dos objetos que vão marcar sua trajetória como vilão.

Para conhecermos a história completa precisamos passar por três flashbacks. O primeiro quando Negan está rendido pelo que parece ser uma gangue de motociclistas que quer saber aonde ele consegue medicamentos que são tão difíceis de serem encontrados no apocalipse. As primeiras vítimas do Negan sombrio virão deste grupo.

O segundo flashback é o que nos mostra quem tanto queríamos ver. Lucille, interpretada pela esposa de Jeffrey Dean Morgan na vida real (Hilarie Burton), já doente, tem uma relação amorosa com o marido, que faz tudo por ela no momento de maior necessidade, mas ambos sabem que o passado não o favorece. Talvez para compensar o mal que causou à esposa, Negan corre atrás de medicamentos com um grupo liderado por um médico que tem acesso aos remédios que ele precisa e está disposto a ceder o tratamento que Lucille precisa.

A primeira surpresa do episódio aparece quando Negan tenta roubar os remédios e é nocauteado por Laura, que, mais tarde, seria uma da fieis escudeiras do líder dos Salvadores. A arma utilizada? O taco de baseball, dado por ela para que o novo aliado se protegesse da gangue que tomava conta das estradas à noite. A mesma gangue que o renderia para saber a origem dos remédios.

Já a jaqueta é um presente de Lucille, mas que havia sido comprada pelo próprio Negan, o que nos leva para o terceiro flashback do episódio, que ocorre antes do fim do mundo, em um raro gesto da série em mostrar o mundo como era antes do apocalipse. Mesmo desempregado, ele comprou o item por 600 dólares prometendo à esposa ter um plano para ganhar dinheiro. Talvez o gesto seja uma introdução à personalidade do Negan pré-apocalipse: um homem aparentemente irresponsável que, além de tudo, ainda traía a esposa.

A descoberta ocorre justamente no momento em que Lucille, sozinha, descobre que tem câncer. Ela liga para o marido e para a melhor amiga, mas os dois não a atendem e ela tem a primeira pista de que os dois tinham um caso. O fato, no entanto, só é revelado por ela quando os dois estão decidindo se Negan deve sair em busca dos medicamentos necessários para a quimioterapia, já no apocalipse.

É a morte de Lucille, afinal, que faz nascer o Negan do mal. Ao retornar ao acampamento dos motociclistas para salvar Laura e o pai e vingar a morte da esposa, ele já apresenta todos os trejeitos daquele que fundaria, mais tarde, os Salvadores. Lucille, agora representada pelo taco de baseball, começa a fazer suas primeiras vítimas poucas horas após a morte daquela de sua xará, e aqui é interessante notar que a primeira vítima da arma foi um segurança aleatório do acampamento, e não a Lucille original, como ficou perto de acontecer. Negan não teve coragem de matar a esposa com suas próprias mãos, e preferiu botar fogo na casa onde eles moravam. Ele põe fim à Lucille, de fato, já nos dias atuais, quando queima e Lucille de madeira se despedindo e pedindo perdão à esposa.

De volta a Alexandria

A despedida definitiva de Lucille pode representar, sim, um possível retorno do Negan que conhecemos, mas também pode ter outros significados. Sem o taco, o personagem pode ter simplesmente morrido, ficado nas chamas, e agora ele quer se redimir com Maggie e buscar seu espaço dentro da comunidade. Se não conseguir, ele provavelmente vai morrer pelas mãos da viúva. Neste caso, Negan provavelmente julga que não tem mais nada a perder.

Fato é que o embate entre os dois ficará entre os momentos mais esperados da décima primeira temporada. Como ela vai confrontá-lo? Como ele vai tentar mudar a cabeça dela? Vamos ter que esperar para descobrir.

E você, o que achou de “Here’s Negan”, o vigésimo segundo episódio da décima temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E21 – “Diverged”: Sopa de pedras

Diverged foi o vigésimo primeiro episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo primeiro episódio, S10E21 – “Diverged”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Carol está fora de si. Isso é claro há alguns episódios e ficou mais evidente em “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead. O capítulo mostra que a discussão que ela teve com Daryl na última aparição dos dois ainda repercute e eles tomam caminhos diferentes para se reencontrar no fim. Enquanto Carol se pune pelas decisões recentes, Daryl parece cansado de relevar as falhas da amiga. Mas será que amizade entre os dois acabou?

Apesar de não ser um episódio cheio de emoções – pelo contrário – “Diverged” deixa algumas lições e nos esclarece que a dupla ainda tem lenha para queimar. O laço entre Daryl e Carol é tão forte, apesar dos obstáculos pelo caminho, que o Cão, o grande termômetro deste capítulo, não tem uma preferência entre os dois. Na hora de escolher com quem seguir na bifurcação, o personagem mais carismático de The Walking Dead escolhe voltar para Alexandria e deixar o dono para trás.

“Diverged” também toca no ponto da comida, que está escassa pelo rastro de destruição deixado pelos Sussurradores antes de serem derrotados. A sopa que Carol promete para Jerry demora para sair – e sai com muita dificuldade justamente pela dificuldade de encontrar mantimentos. E é daí que aparece a metáfora da “Sopa de Pedras” contada por Carol. Basicamente a história diz que um garoto pobre prometeu uma deliciosa sopa de pedras para os amigos e pegou um ingrediente emprestado de cada para preparar o prato de todos. Essa busca por alimentos por todos os lados está cada vez mais evidente em The Walking Dead.

A Sopa

Ao voltar para casa, Carol se depara com um total de zero coisas para fazer e promete uma sopa para Jerry, que, assim como toda comunidade, está trabalhando muito na reconstrução de Alexandria, mas de estômago vazio. A princípio ela tem os ingredientes necessários para fazer uma refeição para os dois, mas o Cão acaba derrubando as coisas na cozinha ao perseguir um rato. A partir daí ela precisa recorrer ao que encontrar pelas ruas para conseguir fazer algo para o amigo.

Depois, é a própria Carol quem se atrapalha na caça ao animal e quase bota a refeição em risco novamente. O roedor acaba se escondendo em um buraco na parece que, mas dá as caras de novo pela madrugada, notado pelo Cão. A partir daí, Carol volta a perseguir o pequeno inimigo e destrói a parede da cozinha onde o rato está escondido. Aqui, o objetivo não é mais encontrar o rato, mas sim descontar toda a frustração da consequência de suas escolhas recentes. Carol colocou pessoas em risco, tomou decisões em nome do grupo mas que afetaram outras pessoas – como no acordo com Negan pela cabeça de Alpha – e está muito perto de perder a amizade com Daryl.

Mas ela é sempre consolada pelo Cão, que dá uma demonstração de afeto a cada dúvida da guerreira. O cachorro é atualmente o elo que a une com Daryl e isso fica claro em “Diverged” no início do capítulo, quando ele escolhe não seguir o dono e voltar para Alexandria, e no fim, quando ele volta para os braços do tutor. É como o filho em um casamento que está por um fio.

Quando Jerry volta pela manhã ao perceber que a refeição prometida não chegou até ele, a sopa já não é mais prioridade. Ele percebe que a amiga está abalada e a consola. Cooper Andrews entrega um personagem absolutamente carismático desde sua estreia em The Walking Dead e neste capítulo não é diferente. É um personagem que merece mais destaque.

A moto e o canivete

Assim como o rato, o canivete entregue por Daryl à Carol no início do capítulo toma grandes proporções durante “Diverged”. O motoqueiro esquece de pegar a ferramenta de volta e, quando o veículo estraga, não tem uma lâmina pequena o suficiente para alcançar a parte da moto que precisa de reparo. A busca pela peça que será trocada coloca a vida de Daryl em risco quando ele entra embaixo de um carro abandonado. Depois, ele precisa encontrar um novo canivete – que encontra bem rápido.

Pela falta de emoção neste capítulo podemos criar uma série de teorias e metáforas sobre o que cada ação tomada no episódio representa. Neste caso, é simples: Daryl e Carol precisam um do outro e também do que o outro tem para oferecer e ajudar. Se o caminho de ambos não tivesse se separado é bem possível que a sopa teria saído antes, o painel solar teria sido consertado mais cedo – não perdendo, assim, a luz do sol que fazia a panela elétrica de Carol funcionar – o canivete estaria facilmente acessível e walker que estava no carro que colocou Daryl em risco poderia ser abatido por um dos dois.

Daryl e Carol são bem mais que amigos, e aqui não precisamos entrar no mérito da formação de nenhum casal. A relação dos dois transcende estes conceitos e deixa claro que um precisa do outro para seguir em frente. Rato e canivete são dois símbolos do que a ausência de um para o outro representa. Me parece evidente que, cedo ou tarde, Carol vai se redimir, ou Daryl vai perdoar a amiga e, enquanto isso, a série vai nos mostrando o quão mais forte um fica ao lado do outro.

E você, o que achou de “Diverged”, o 21º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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CRÍTICA | The Walking Dead S10E20 – “Splinter”: Gatilhos

Splinter foi o vigésimo episódio da décima temporada de The Walking Dead. Veja a nossa crítica ao episódio e discuta conosco.

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Princesa presa e observando em imagem do episódio Splinter da 10ª temporada de The Walking Dead

Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do vigésimo episódio, S10E20 – “Splinter”, da décima temporada de The Walking Dead. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!

Uma atitude. Por menor que seja é o suficiente para desencadear uma série de eventos que podem mudar totalmente o destino de uma pessoa e das pessoas que a cercam. Fazer ou não algo é o que pode te separar do seu futuro, pode decidir sua vida e a de pessoas que estão com você. Se para toda ação existe uma reação, é óbvio pensar que existem consequências para nossas atitudes.

Um detalhe. Por menor que seja, qualquer coisa pode nos trazer à tona lembranças, despertar demônios e ativar gatilhos na nossa cabeça. Passado e presente podem se encontrar em segundos ao menor sinal de que um fantasma do nosso passado está chegando para nos assombrar. Lidar com isso também pode mudar nosso destino.

E é sobre isso que “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, nos fala. Agir de forma impensada pode ter consequências sérias não só para o dono da ação, mas também para quem está em volta. A simples atitude de Princesa em tentar desarmar um guarda do Império (Commonwealth) desencadeou as consequências para ela, Yumiko, Eugene e Ezekiel. E, de quebra, ficamos com a incerteza do que acontecerá com eles no take final do episódio.

PRINCESA

Paola Lázaro já entregou uma atuação memorável sem completar uma mão cheia de aparições em The Walking Dead. Em “Splinter” tivemos a oportunidade de conhecer um lado da Princesa que ainda não havíamos sido apresentados. Ela entrou na série se mostrando uma pessoa divertida e que tira o melhor de cada situação mesmo após passar mais de um ano na solidão. Mas por trás dessa máscara, temos uma pessoa que traz consigo cicatrizes que, eventualmente, são abertas e mostram uma pessoa ferida e perturbada.

A farpa que entra no dedo da personagem parece, à primeira vista, um detalhe bobo em meio a todos os acontecimentos que antecedem. O grupo que foi abordado por guardas vestidos de Stormtroopers acabou separado e Yumiko estava gravemente ferida ao ser agredida por um deles. Mas este pequeno detalhe ativou lembranças na cabeça da jovem, que não consegue lembrar sua idade, mas se lembra das pancadas que levou até chegar onde chegou.

Lembranças estas de um passado de agressões e uma família aparentemente cheia de problemas. Soma-se isso ao período em que ficou sozinha antes de ser encontrada pelo grupo de Eugene – tempo que ela teve para conviver com tudo que a atormenta – e temos uma personagem potencialmente perturbada e que ainda não conseguimos dimensionar até onde esses gatilhos a afetarão.

Apesar de tudo isso, ela se mostra fiel àqueles que a resgataram e não conta nada ao guarda do Império que a interroga para saber das intenções do quarteto. Logo depois ela é “resgatada” por um heroico Ezekiel, que nos convence de que ele está ali para ajuda-la e salvar todos os outros. Quando outro guarda do Império chega para tentar começar uma relação mas amistosa com eles, o Rei aposentado o derruba, questiona e agride seriamente. Quando Princesa tenta colocar juízo na cabeça do amigo, os gatilhos voltam, dessa vez mais fortes, e ela percebe que esteve sozinha com o guarda o tempo todo.

Chamar as reações da personagem de loucura é o caminho mais fácil para analisar a perfil e a profundidade da personagem. Princesa chegou aonde chegou da forma como chegou não foi à toa. Se hoje ela demonstra estes comportamentos é porque eles foram moldados no caráter dela ao longo da vida. Soma-se isto ao período sozinha e ao fim do mundo e temos um gatilho bem fácil de ser ativado.

O IMPÉRIO

Duas coisas chamam a atenção neste primeiro episódio do Império em The Walking Dead. Primeiro a semelhança das vestimentas dos guardas com a versão das HQs. Os guardiões, que em muito lembram os guardas da saga Star Wars, têm roupas exatamente iguais à versão original. Apesar de ser óbvio que a produção tente reproduzir fielmente na série o que se viu nos quadrinhos, é uma sensação muito interessante para quem leu a versão impressa assistir com tamanha fidelidade agora na TV, pelo menos no que diz respeito aos trajes.

O segundo aspecto interessante no Império é a forma com que eles se apresentam neste primeiro capítulo, que mostra um grupo um pouco mais agressivo que o esperado. Nas HQs eles também são violentos no começo e depois as coisas se acalmam (até se descontrolarem de novo). Em “Splinter”, em dois momentos tivemos a impressão de que as coisas se acalmariam: quando o jovem guarda leva uma refeição para a Princesa, e quando ele a convence a devolver o rifle e logo ela percebe que seu grupo está rendido.

Dois detalhes precisam ser guardados neste capítulo. O primeiro é que o grupo parece ser fortemente equipado, tanto nas armaduras quanto no armamento. Muitos anos já se passaram desde o início do apocalipse, e não são todas as pessoas que têm acesso a armas nos dias atuais da série. O Império se apresenta como a maior e mais avançada comunidade dentro do apocalipse, e causa muita curiosidade ver como a série de TV vai adaptar este grande grupo.

O segundo é o jovem guarda atacado pela Princesa, que já entregou alguns detalhes sobre a comunidade. Primeiro que eles são, de fato, muito avançados. E grandes. Populosos. Nas HQs, o Império se apresenta como uma comunidade com cerca de 50 mil habitantes. Como será que eles serão apresentados na 11ª e última temporada?

E você, o que achou de “Splinter”, o 20º episódio da 10ª temporada de The Walking Dead? Deixe sua opinião nos comentários e vote na enquete abaixo!

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