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Análises

Os cinco de Atlanta – Analisando Carol Peletier

Carlos Knewitz

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Chegamos ao último texto da série Os cinco de Atlanta. A série não poderia ser encerrada de forma qualquer, então a personagem escolhida para dar fim às resenhas é justamente à única sobrevivente feminina do acampamento de Atlanta: Carol Peletier.

O autor dessa matéria deixa explícito para todos aqueles que acompanharem o texto até o fim que Carol é justamente sua personagem favorita, portanto, aos eventuais antipatizantes da personagem, perdoem por qualquer empolgação textual.

Histórico na série:

Carol é um personagem na casa dos 45 anos (na HQ ela possuía 24 anos), mãe de uma menina de nome Sophia e esposa de Ed, aparentemente seguindo o padrão da mulher americana (de 1800) com uma família simples. Ela é doce, prestativa – no sentido de se prontificar a cumprir seu papel de lavar, cozinhar e limpar – e tímida.

A primeira temporada configurou Carol quase como sua contraparte da HQ. Então, já não se era esperado muito da personagem, seria mais um peso morto aguardando seu momento de partir. Compreensível é a posição de alguns fãs que a detestavam, visto que outros que poderiam ter um envolvimento muito maior com a história morreram e ela se preservou viva.

Na mesma temporada já é demonstrado o quão apocalíptica a vida de Carol era antes mesmo do surto: acostumada a ser espancada por Ed, ver ele aliciar a própria filha e se submeter totalmente ao totalitarismo do marido. Muitos comentários, inclusive, surgiram por causa de seu cabelo ralo. Alguns defendiam a tese de que ela podia portar alguma doença terminal – sim, por mais ridículo que pareça essa discussão ocorreu nos fóruns americanos. Mas, tão logo descobrimos a personalidade de Ed, também soubemos o porquê do cabelo curto de Carol: Ed não queria que a mulher parecesse atraente, por isso a obrigava a raspar os cabelos e usar roupas que não marcassem seu corpo.

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Certo dia ela está lavando as roupas, Ed se irrita com o simples fato de Carol estar conversando com outras mulheres, ele parece ter medo que ela possa se contaminar com a ideia de liberdade das outras integrantes do grupo. Ele a golpeia na frente de todos, mas é interrompido por Shane que o agride até que perca a consciência. Interessante notar que, mesmo após a atitude de Ed, quando Shane está o golpeando descontroladamente, ela tenta ajudar o marido. Carol parece estar acostumada ao mundo que vive e parece se conformar com a opressão do marido.

Ela cuida do marido que acaba tendo que ficar recluso à barraca em vista de seus ferimentos. Numa noite comum, walkers invadem o local e acabam infectando várias pessoas do grupo, um dos infectados é o marido de Carol. Aqui apreciamos a primeira das amarras de Carol se desfazer, quando Ed morre ela se prontifica a golpear o crânio do de cujus com uma picareta. Daryl a acompanha e observa que a mulher desfere golpes repetitivos e abusivos na cabeça do corpo morto. Carol parece querer retribuir todo o abuso que sofreu.

No episódio final da primeira temporada, TS-19, quando os sobreviventes já estão no CDC, Carol, juntos aos demais descobre que o local será implodido e que não há maneira de sair do interior do centro de pesquisas. Ela discute com o cientista responsável pelo local, Jenner, argumentando que Sophia não merece morrer daquela forma. Em uma tentativa de fuga, o grupo se depara com grandes vidraças que dão acesso a parte externa do prédio e, Carol pela primeira vez salva todo o grupo. Isso porque, dias antes, quando lavava as roupas de Rick, ela encontrou em seus pertences uma granada e resolveu furtá-la (até hoje não se tem explicação coesa de para qual fim ela usaria uma granada em meio ao acampamento). A granada furtada por Carol acaba auxiliando o grupo que consegue fugir do local antes que a explosão aconteça.

O drama de Carol não termina dessa forma. Na segunda temporada, quando resolvem ir até um forte militar, os sobreviventes são surpreendidos por uma horda de mordedores na pista. Rick pede para que todos se escondam embaixo dos carros. Com medo, Sophia acaba se desesperando e correndo para a mata.

Após horas de procura, Carol começa a culpar Rick pelo acontecido com sua filha. O grupo, na manhã seguinte, forma uma equipe de busca pela garota. Nesse ponto descobrimos que Carol é a única que não teve sua fé abalada após o surto, quando eles encontram uma igreja, ela reza pedindo por sua filha e, em frente a imagem de Cristo crucificado, ela peticiona que a punição caia sobre ela e não sobre a garota. Depois, Carol parece ser um pouco indelicada com Andrea – quando essa tende a desistir de buscar pela menina – dizendo que o maior medo dela era que sua filha retornasse como Walker como aconteceu com Amy (irmã de Andrea). Contudo, Andrea e Carol desenvolvem a partir disso uma espécie de empatia e vemos Andrea sempre disposta a ajudar a viúva.

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Após uma série de fatos e com Carl sendo ferido de morte, o grupo e Carol acabam se abrigando na fazenda da família Greene. Carol, vendo que Rick está mais pendido a própria causa (com Carl) acaba despejando em Daryl suas esperanças. Ele se empenha de forma completa pela busca da garota. Nesse momento vemos um princípio de vinculo entre os dois começar a aparecer. Tudo indica que por algum motivo – talvez pela mãe que sofria tanto quanto Carol ou pelo próprio sofrimento na infância – Daryl se identifica e entende a dor de Carol. Nesse ponto que temos uma das primeiras cenas de ternura da série, Daryl entrega para ela uma rosa cherokee e lhe enche de esperanças dizendo que a flor indica que logo eles encontrarão a garota.

O início do vinculo – nunca bem explicado, às vezes sendo uma amizade outras vezes beirando um romance e ainda uma relação fraterna/materna – se desenvolve mais no episódio subsequente, onde Daryl quase perde a vida buscando pela garota e acaba tendo que ficar em repouso. Carol decide servir o jantar para ele o alimentando na boca. Inicialmente o homem a trata com desdém, mas, quando Carol lhe dá um beijo no rosto e lhe diz que ele fez mais que Ed em toda sua vida pela garota, o exímio caçador parece se render ao cuidado dela.

Após isso, descobre-se que o celeiro da fazenda está infestado de zumbis. A informação preocupa a mãe de Sophia que parece prever um grande problema. Ela vai ao encontro de Daryl e lhe diz que ele precisa descansar, pois há grandes chances de o trabalho de busca pela garota ser inválido. Ele se irrita com a mulher e sai para mais uma busca, sendo seguido pela mesma. Após algum tempo de estranhamento, eles avistam novamente a flor que Daryl havia falado para ela anteriormente e ele acaba pedindo-lhe desculpa pelo modo rude que havia lhe tratado. Quando retornam à fazenda, eles presenciam Shane abrindo as portas do celeiro. Depois de um embate com um bom número de zumbis que saem do local, Sophia aparece para todos. Carol corre para abraçá-la, mas é contida por Daryl, visto que a menina já está morta e reanimada. Rick dá cabo ao sofrimento da garota.

O tempo passa e Carol vai se recuperando (dentro do possível) pela perda de Sophia. Quando o grupo encontra problemas com alguns “forasteiros” e um garoto é capturado e mantido em cativeiro na fazenda, todos discutem se ele deve ser morto para não causar um confronto maior entre os dois grupos distintos. Aqui vemos a grande ironia: Carol é totalmente contra a morte do garoto. Ela acredita que eles devam manter a humanidade e não se renderem a brutalidade do novo mundo.

Quando uma horda incontável invade a fazenda numa noite, todos os sobreviventes são obrigados a partir do local. Quando Carol está saindo da casa é cercada por alguns walkers e acaba sendo salva por Andrea. Ela tenta alcançar o restante do grupo, mas é abandonada por T-Dog. Perdida, acaba recebendo auxilio de Daryl. Já na estrada, Carol ouve junto com os demais de Rick que todos estão infectados e assim que morrerem, mesmo que de forma natural, retornarão como zumbis. Ela parece manter uma inconstância quanto a Rick e começa a incitar Daryl a tomar o lugar da liderança, dizendo que Rick não tem honra. No fim, o próprio Rick se declara detentor do poder.

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O episódio de estreia da terceira temporada – que dá um salto de 08 meses desde o fim da segunda – apresenta uma grande mudança no comportamento de Carol, agora ela possui uma arma e parece ser mais ativa no grupo, auxiliando na vigia nos horários noturnos. Logo após invadirem a prisão Rick revela que Carol é uma ótima atiradora.

Quando Hershel perde parte da sua perna é Carol que assume a função de enfermeira do grupo. Ela começa a demonstrar grande interesse em ser participativa. Preocupada com a iminente morte do velho Greene, Carol pede que Glenn a ajude a ir até o outro lado da cerca para praticar cesariana em walkers, visto que se Hershel morrer, ela terá que realizar o parto de Lori.

Mais tarde, com um ar de descontração, Carol observa os movimentos suspeitos de Glenn e Maggie na torre. Contudo, a prisão é invadida por walkers e ela presencia T-Dog sendo mordido na altura do ombro. Os dois acabam se esgueirando pelos corredores escuros. Encontram uma única saída que está interrompida por dois zumbis, T-Dog acaba se sacrificando para que ela consiga fugir.

Todos acreditam que ela morreu, visto estar desaparecida e seu lenço ter sido encontrado junto aos restos de T-Dog. Mas Daryl acaba a encontrando escondida e quase desacordada. Ele a leva para os outros e então ela descobre que Lori morreu e conhece o bebê que nasceu em meio ao caos.

Nesse alvoroço, acontecem os primeiros problemas com Woodbury e ela vê grande parte do grupo partir em direção ao local. Quando o grupo retorna, ela descobre que Daryl reencontrou o irmão – Merle – e que havia resolvido seguir com ele. Carol no primeiro momento chora por perder o melhor amigo, mas após um tempo parece apoiar a decisão dele.

Quando Rick revela que provavelmente o Governador viria atrás de vingança, Carol é responsabilizada por trabalhar em barricadas próximas a cerca. Tendo uma conversa com Axel – um dos detentos que ainda estavam na prisão – ela quase é atingida por um tiro (que acerta Axel e o mata), e acaba usando o corpo do presidiário para se proteger.

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Ela é a única a receber Andrea – quando ela vai visitar as pessoas na prisão – de braços abertos e a atualizar das notícias. Aqui, começamos a ver Carol mudar, visto que ela sugere que Andrea mate o Governador quando dormirem juntos. Já é uma Carol diferente daquela que se opôs a matar Randall na segunda temporada. É nesse episódio que Daryl e Merle retornam para o grupo da prisão, deixando Carol cheia de alegria. Ela tem uma conversa franca com Merle e lhe questiona sobre qual lado ele quer ficar. Merle observa Carol conversando com ele e se mostra surpreso com o quanto ela mudou desde a última vez que se viram em Atlanta.

Já na quarta temporada, passado uma média de seis meses após o último confronto com o Governador, Carol aparece como membro do Conselho, formado porque Rick desistiu da sua liderança. Ela parece ser uma voz bastante forte dentro da prisão e é respeitada por todos. Carol também parece ter uma preocupação grande com as crianças e com a falta de conhecimento de defesa que elas possuem, e por isso se dedica a ensiná-las a lidar com armas.

A Carol da quarta temporada é a que divide águas. Quando uma doença assola o interior da prisão e o Conselho define que os infectados – até o momento eram dois – deveriam ser mantidos em quarentena, algo surpreendente acontece. O corpo dos dois contraentes da doença é encontrado queimado em um local reservado do bloco C.

Rick começa a investigar os fatos e ao mesmo tempo nota uma diferença brusca no comportamento de Carol, ela parece estar sempre propensa a fazer loucuras para manter tudo em funcionamento. Quando a questiona sobre as mortes, Carol friamente confessa que foi ela quem matou os dois anteriormente citados.

Após saber disso, Rick a leva para um bairro próximo com o intuito de conseguir suprimentos. Contudo, a real intenção do antigo xerife é de expor uma decisão que tomou. Rick diz a Carol que ela não pode mais viver na prisão, visto que ela se tornou fria e calculista demais e que isso oferece risco a vida de todos os outros residentes do local. Carol é abandonada a própria sorte (deixando claro que não há qualquer oposição a decisão de Rick, visto que tal decisão ajudou Carol a se manter longe da fúria de Tyreese).

Passado um dia desde sua expulsão, Carol retorna as proximidades da prisão e vê algo assustador, o local está totalmente destruído – essa cena nos é revelada mais tarde e está sendo citada aqui para manter a coesão cronológica. Carol chora desesperada pelo que presencia, mas resolve fazer uma ronda pelos arredores e acaba encontrando Lizzie, Mika (uma espécie de duas filhas adotivas para ela) e Judith – que mesmo sem entender a situação, um dia terá que agradecer muito para a senhora Peletier. Questionando se as garotas estão sozinhas a ironia da vida novamente bate à porta de Carol, Tyreese estava acompanhando as garotas e segue junto com Carol em direção de um local que promete ser um santuário.

Seguindo os trilhos de trem, Carol parece se manter sempre na liderança do pequeno grupo ao mesmo tempo que tenta esconder toda a história dos crimes que cometeu na prisão de Tyreese. O grupo encontra uma casa reservada próxima a um bosque e resolvem fazer uma parada no local. Deixando Lizzie, Mika e Judith em segurança no local, os dois vão não muito longe para buscar água em um poço e Tyreese começa a exaltar Carol, dizendo-lhe que ela é uma pessoa em quem ele confia muito e vê grande potencial, ela fica desconfortável com a situação. Quando retornam para a casa presenciam uma cena terrível. Mika está morta, Lizzie segura uma faca ensanguentada e demonstra pretensão de atacar Judith.

A garota justifica que queria que a irmã e Judith retornassem como zumbis, pois acredita que o mundo agora é esse. Carol e Tyreese acabam tomando uma decisão difícil. Carol leva Lizzie distante da casa e a mata, pois a garota não possui mais condições psicológicas para lidar com o mundo atual. Desolada ela enterra as duas garotas que tinha como filhas e toma outra decisão, conta para Tyreese que foi ela quem matou e queimou as duas pessoas na prisão. Carol alcança uma arma para ele sinalizando que sua vida naquele momento está nas mãos dele. Tyreese a perdoa e os dois acertam todas as questões sobre o ocorrido.

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Novamente seguindo os trilhos, Carol rende um homem ao ouvir que ele se comunica por um walkie talkie e cita Michonne, Daryl e Rick. Ela descobre que o Santuário na verdade é um local onde residem canibais e que todos os seus amigos estão no local. Ela, sozinha, desenvolve um plano e salva todos das mãos dos canibais.

Ao se reencontrar com o grupo – cena em que o autor dessa matéria quase suou pelos olhos – Carol leva Rick, Carl e Sasha para verem Judith e Tyreese. Rick parece estar extremamente agradecido pelo que Carol fez por todos e reconhece o quão forte ela é.

Numa noite na mata, Rick diz a ela que ele precisa que ela aceite o grupo de volta. Carol não parece entender, mas compreende após uma conversa com o líder que ele quer que ela esteja junto com ele e que ele quer demonstrar que sua expulsão foi impensada e que Carol é um membro precioso da família de Rick.

Mesmo com essa conversa, após chegarem à igreja, Carol não parece aceitar bem a ideia de estar no grupo novamente. Ela parece sentir que realmente é um perigo para todos e que não há mais espaço para ela entre eles. Quando está partindo escondida é surpreendida por Daryl que tenta impedi-la de fugir. Contudo, no meio da conversa os dois avistam um carro semelhante ao que sequestrou Beth e acabam o perseguindo e chegando até Atlanta.

Na cidade, Carol rebusca o passado e abre sua vida para Daryl. O episódio que retrata isso acaba nos mostrando várias coisas sobre a vida de Carol. Descobre-se sua paixão pela arte, mais histórias sobre sua problemática relação com Ed, o como ela lida com a morte de Sophia e o porquê ela decidiu mudar e exterminar com a Carol do passado. Nesse mesmo episódio, Carol acaba sendo capturada e levada para o mesmo local onde está Beth, um hospital.

Carol é salva pelo grupo e vê Beth ser morta no ato. Entretanto, cabe ressaltar que o fato de Rick ter se empenhado em buscá-la provou para ela que ele realmente a amava e que ela era importante para todo o grupo. O ato fez cair por terra o sentimento que Carol tinha de rejeição, gerado na sua expulsão da prisão. A partir desse momento ela começa a se encaixar novamente na dinâmica do grupo.

Carol ganha à confiança de Rick, que despeja nela a incumbência de ser a líder substituta do grupo quando ele não está por perto. Isso é demonstrado na cena em que Rick se comunica com ela por um walkie talkie. De alguma maneira, Rick reconhece que Carol é extremamente parecida com ele, sendo ótima estrategista e alguém que assume a responsabilidade de fazer quando necessário.

Após isso vemos Carol pouco a pouco retornando ao seu modo natural (natural da nova Carol). Ela ajuda Daryl a sair do choque da perda de Beth e está sendo sempre responsável por proteger Judith e Carl quando alguns riscos surgem na estrada. Quando uma nova esperança surge, com um desconhecido prometendo um local seguro, Carol parece ficar com um pé atrás, mas acaba seguindo com o grupo para Alexandria.

No local Carol se torna cada vez maior. Ela, inteligentemente, decide parecer uma pessoa fraca e ingênua para que assim as pessoas de Alexandria se comovam com ela e criem relacionamentos mais rapidamente. Dessa forma, ela vai descobrindo a dinâmica do local e todos os pontos fortes e fracos, os problemas e perigos dentro dos muros da cidadela. É ela que incita Rick a resolver o caso de Pete e Jessie.

Quando Rick se envolve em uma briga com Pete e acaba sendo mantido numa cela, Carol surpreende o líder ao tratá-lo com repulsa na frente dos demais, como se desaprovasse o ocorrido. Depois, Rick percebe que ela está tentando preservar a personagem que criou desde que entrou no local.

Mais tarde, ela defende Rick na reunião que é feita pelos residentes para decidir sobre seu destino. Ela depõe que se não fosse por Rick, ela provavelmente teria morrido logo no início do surto e que todos no local precisavam acreditar no modo de agir dele. Quando Rick aparece na reunião com um Walker e logo depois Pete surge com a espada de Michonne, Carol é a única que impede Rick de agir imediatamente. Com a anuência de Rick, todos presenciam Pete atacar Reg e assim, Rick consegue o aval de Deanna para dar fim à vida do marido de Jessie.

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Se tivéssemos que resumir Carol no que vimos da sexta temporada até o momento, acho que a palavra brilhante compilaria a personagem. Ela, sozinha, exterminou com cerca de dez homens que invadiram a cidade e causaram grande alvoroço e muitas mortes. Ela e Morgan se opõem no modo de agir e, a forma como Morgan lida com os invasores acaba colocando a vida de Rick mais tarde em perigo. Carol conta para Rick todo o ocorrido e como Morgan lidou com a situação, o que deixa Rick desgostoso com o velho amigo.

Carol continua a desconfiar de Morgan e passa a manter toda a sua atenção em ler o modo de proceder dele. Nisso, ela acaba descobrindo que Morgan esconde um dos Lobos aprisionado em seu porão. Ela tenta matar o homem, mas é impedida por Morgan. Os dois acabam entrando em uma luta corporal e ela acaba ficando desacordada.

O desenvolvimento do personagem durante as temporadas:

Carol, sem dúvidas, é a personagem entre os cinco da série de textos que teve o maior desenvolvimento. Era frágil, tímida, covarde e pesava sempre mais o lado emocional do que o racional e mantinha um pé atrás com o xerife. Ela termina a metade da sexta temporada se demonstrando forte, destemida, calculista e estrategista, leal a Rick e totalmente movida pela razão.

Carol sofreu; Sofreu muito, na verdade. Contudo, seu sofrimento não foi motivo para se tornar reclusa dentro dela mesma. Ela viu que a perda de Ed e Sophia poderia ser encarada como uma nova chance para ela, chance de ela deixar de ser fraca e se tornar alguém forte. Chance de demonstrar quem realmente é, de exteriorizar a Carol que sempre esteve escondida por medo do marido.

Ao contrário do que muito se comenta Carol não é uma máquina mortífera e tampouco gosta de matar. Ela apenas sabe o que deve ser feito por alguém e sabe que não tem ninguém além dela e de Rick que sejam capazes de realizar o trabalho da forma que deve ser feito. Ela sofre ao ter que matar – vimos isso no episódio “JSS”, quando ela chora após ter que matar várias pessoas.

Carol cresceu e conquistou pouco a pouco o seu espaço na trama. Hoje, é uma das personagens mais amada entre os sobreviventes e vista como a força feminina (ao lado de outras) na série. Ela é um grande exemplo para milhares de mulheres e é vista como um símbolo feminista.

Perspectivas para o futuro do personagem:

Há grandes dissensões sobre o assunto, muitos apontam Sasha como sendo a substitua para Andrea. Contudo, na opinião desse que redige, Carol foi mantida viva na terceira temporada – era planejado que ela morresse no lugar de T-Dog – para um bem maior. Uma vez que já se sabia da morte de Andrea nos episódios subsequentes, os produtores sabiam que deveriam preservar uma personagem feminina desde Atlanta. A partir da morte de Andrea é que Carol ganhou de fato o seu espaço. Primeiro todo o seu modo de confrontar Rick, que é típico de Andrea na HQ na época da prisão. Depois, a adoção das duas meninas (Andrea adota os dois gêmeos órfãos que passam pelo mesmo episódio de morte de Lizzie e Mika) e logo após um modo inteligente e frio de lidar com as situações.

Na atual fase, outro ponto leva a crer que Carol realmente ocupa a ausência de Andrea. Em Alexandria – nos quadrinhos -, Andrea é totalmente leal a Rick e tem tanto a confiança do líder do grupo que é considerada praticamente como um vice-líder. Carol tem assumido esse papel. Rick sempre a deixa no comando quando distante e por se identificar com ela – no modo estrategista e calculista de lidar com as situações – acaba a tornando como uma confidente. Evidentemente, isso não significa que no futuro Carol e Rick se engajarão em um romance. Essa parte pode sim ser deixada para outra personagem – se bem que não me deixaria incomodado um casal maduro entre os dois – sem prejudicar o espaço que Carol tomou de Andrea.

Portanto, sendo Carol a detentora da maior parcela da personalidade de Andrea, acredita-se que possa ter uma longa história para ser contada. Ela tem se tornado muito forte e poucas coisas seriam capazes de matá-la de fato. Visto que o próximo vilão é incapaz de ferir uma mulher, Carol pode se livrar das mãos dele e seguir longe na série.

Pontos fortes do personagem:

– Leal a quem ama;
– Inteligente demais, colocando-se sempre um passo a frente dos outros;
– Assume a responsabilidade de fazer o que deve ser feito, sem medo;
– Com apenas uma faca (ou um litro de gasolina e um fósforo), Carol pode exterminar com uma multidão;
– Faz ótimos biscoitos (isso é um ponto forte ou fraco? Sam, você pode nos ajudar?).

Pontos fracos do personagem:

– Não seja uma criança aos cuidados de Carol. Se você não leva o sobrenome Grimes, provavelmente você irá morrer;
– Pode ser imediatista demais;
– Às vezes é muito irredutível;
– Se você é um membro novo no grupo, saiba que você irá para o fim da lista de proteção dela. Ela preza por aqueles que estão desde sempre com ela, depois os demais;
– É muito dura consigo mesma e parece ter se fechado para muitos sentimentos.

Então, esse foi o último dos textos da série Os cinco de Atlanta. Pedimos que você deixe abaixo seus comentários sobre a personagem Carol. Quais são suas perspectivas; De que modo você a vê e qual será o espaço que Carol ocupará no futuro da série? Você discorda de algo? Quanto aos cinco sobreviventes apresentados nos textos, quais são seus preferidos e por quê?

The Walking Dead, a história de drama mais assistida da TV a cabo, irá retornar com a segunda parte da sexta temporada no dia 14 de Fevereiro de 2016 no AMC (EUA) e na FOX Brasil. Confira todas as informações sobre a sexta temporada e fique por dentro das notícias.

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10ª Temporada

Como The Walking Dead transformou Eugene Porter em um herói

A 10ª temporada de The Walking Dead está mudando Eugene, e para melhor. Confira uma rápida análise do desenvolvimento do personagem.

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Quando você pensa em histórias românticas em The Walking Dead… bem, você pode não pensar em ninguém. O drama pós-apocalíptico nunca se destacou muito nessa área, e parece que para cada ‘Richonne’ ou ‘Gleggie’ há também uma Rosita (Christan Serratos) e o padre Gabriel (Seth Gilliam).

Mas, se você tivesse que escolher a história de alguém, ou alguém para ter um “final feliz” provavelmente escolheria Rick (Andrew Lincoln). Ou Daryl (Norman Reedus), considerando quantas pessoas querem vê-lo com alguém. Em algum lugar, muito, muito abaixo na lista estaria Eugene (Josh McDermitt) – se é que ele faria parte da lista.

A 10ª temporada está mudando isso em Eugene, e para melhor. Eis por que ficamos felizes em ver um lado diferente de “Eugenius”, e por que estamos realmente esperançosos que ele possa conhecer Stephanie.

Tornando Eugene (um pouco) compreensível

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Tudo bem, é provável que sempre vamos precisar de alguém para traduzir o que Eugene está falando. Mas, para além de seu discurso rebuscado e técnico, a 10ª temporada se concentrou nas qualidades relacionáveis ​​do personagem. E, sim, elas existem.

Quer você o quisesse, ou não, com Rosita (Christian Serratos), a verdade é que a maioria de nós em algum momento da vida já gostou de alguém que, no fundo, sabíamos que não tínhamos a mínima chance. Foi um pouco frustrante vê-lo voltar para ela no início da 10ª temporada, uma vez que parecia que eles haviam se estabelecido como amigos na 9ª temporada, mas pelo menos ele lidou com a rejeição dela muito bem.

O ponto é: de repente, Eugene passou a “relativamente relacionável” ali. Agiu de forma madura diante da situação e mostrou que aprendeu a lidar com a rejeição amorosa. Não, a maioria de nós não pode falar como ele ou sequer imaginar em pensar como ele, mas quase todos sabemos o sofrimento da rejeição romântica ou de um rompimento ruim.

À procura de amor em lugares errados

Após Eugene ter se tornado, repentinamente relacionável, ele passou a procurar um novo amor mas não encontrava nada. O pobre rapaz queria alguém, mas parecia que não havia ninguém por perto. Simplificando: Eugene estava tristemente, terrivelmente solitário. E isso é algo que todos já sentimos. Por isso foi tão bom vê-lo se conectar com Stephanie.

De muitas maneiras, a companhia de Stephanie é um potencial novo começo, uma maneira de ele abandonar a bagagem que qualquer outra pessoa nas comunidades teria em relação à ele. Ela não sabe sobre seus crimes passados, seus momentos de covardia ou, talvez o mais importante, o fato de que ele foi perdidamente apaixonado por uma mulher comprometida com amigos seus por várias temporadas. Ela não sabe que ele pode cantar, embora… isso seja uma coisa que pode até acabar ajudando na sua relação. Quem diria que Eugene tinha uma voz tão boa?

Chegando a um acordo com seu passado

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Um bom ponto a citar: foi bom ver Eugene crescendo, superando seus medos e até fazendo as pazes com seu passado. Ao confortar Carol (Melissa McBride) após a batalha de Hilltop, ficou claro que ele sabia como ela se sentia – ele havia sido o “bandido” antes, com Abraham, e depois, quando se juntou aos Salvadores. Foi um diálogo simples e verdadeiro que acrescentou profundidade ao personagem, e esse momento deixou claro que o fato de o programa não estar mostrando os reflexos de Eugene, não significa que ele não está pensando no que fez.

Também, foi bom vê-lo começando a se tornar um lutador. Não que Eugene não tivesse lutado antes, mas estamos vendo isso muito mais nesta temporada: ele lutou ao lado de Rosita em Alexandria e depois defendeu Hilltop com todos os outros. Ele ainda está usando seu cérebro, é claro, mas agora ele está pegando uma arma em vez de se encolher no canto quando as coisas ficam difíceis.

O futuro

Não vou entregar aonde a história de Eugene vai, nem sua jornada para conhecer Stephanie nos quadrinhos, já que é muito possível que o show não vá na mesma direção. Mas a 10ª temporada fez um ótimo trabalho em apresentar seu desejo de encontrar uma companhia com uma emoção que o personagem mostrou merecer, e tem sido incrível vê-lo crescer ao longo desses episódios.

Esperemos que o ex-professor de ciências seja bem-sucedido em sua busca. No mínimo, Stephanie parece gostar dele por quem ele é, o que é uma algo essencial para qualquer relacionamento. E, se realmente há alguém para todos, mesmo no apocalipse zumbi, é melhor que haja alguém para esse gênio tagarela, cujo cérebro é tão poderoso quanto o coração.

O encontro de Eugene e Stephanie deve acontecer no último episódio da 10ª temporada de The Walking Dead, que não tem previsão de lançamento por conta da pandemia de Coronavírus.

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9ª Temporada

Como o roteiro da 9ª Temporada de The Walking Dead salvou a série do cancelamento?

Analisamos as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica.

Vinícius Castro

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ATENÇÃO! O post a seguir contém spoilers da nona temporada de The Walking Dead. Caso não esteja em dia com a série, não continue. Você foi avisado!

Por mais que doa dizer isso, é inegável que o prestígio alcançado por The Walking Dead em seus primeiros anos pareceu diluir-se com as quase catastróficas decisões tomadas durante a sétima e oitava temporadas da série. Da queda de audiência ao recebimento extremamente MISTO da crítica especializada, o drama zumbi, mesmo tentando mostrar um pouco de fôlego no fim de sua oitava temporada, parecia estar fadado ao fracasso conforme o novo ano entrava em produção.

Unido ao desespero da saída de nomes como Andrew Lincoln e Lauren Cohan da série, a troca de showrunners não pareceu muito positiva em sua primeira recepção – Angela Kang, que veio a substituir Scott Gimple no cargo, chegava acompanhada de um currículo desequilibrado dentro de seus créditos na série. Era este o fim de The Walking Dead?

Respondendo curta e grosseiramente: Sim. Mas não necessariamente o fim da série que uma audiência apaixonada aprendeu a amar no começo da década, mas sim da quase irreconhecível novela de ação que predominou os anos de 2016-2018 sob o mesmo pseudônimo. Angela Kang, em 16 episódios, revigorou uma série que, acredite ou não, estava fadada ao fracasso.

Mas a grande questão é: como ela fez isso com tantos obstáculos? Quais foram as decisões de roteiro que fizeram The Walking Dead, surpreendentemente, ter sua melhor temporada na história de acordo com a crítica? É isto que esta análise audiovisual irá lhe responder hoje.

O TOM

The Walking Dead é uma série dramática de horror, certo? Isso todos já estão cansados de ouvir e ler em todo lugar.

Apesar de nove anos no ar, a série da AMC só conseguiu manter seu público atento e fiel graças ao elemento humano que entregou ao longo de sua trajetória. Conseguir a afeição do público para com a história não depende apenas de vísceras e matança, mas sim de personagens e situações relacionáveis, sentimentais e provocativas. Rick, Maggie, Michonne, Daryl, Carol e todos os outros membros do grupo dos “mocinhos” sempre tiveram isso, e foi a ideia de uma família totalmente disfuncional sobrevivendo no inferno que manteve o público cativo por anos e anos.

Mas o que fazer com uma série que terminou sua oitava temporada tendo seu principal elemento de afeto com o público danificado? Pense bem: apesar do fim da guerra e de todos se unirem para um novo começo, a estrutura familiar e RELACIONÁVEL da série ainda estava danificada – Maggie, Daryl e Jesus até aparecem tramando, de forma risivelmente vilanesca, contra Rick e Michonne no fim do episódio S08E16 – “Wrath” (Ira).

Nas mãos da pessoa errada, as coisas só teriam derrapado a ponto de destruir toda a história para sempre. Lembrem-se: a série estava prestes a perder Rick literalmente 17 episódios depois da morte repentina de Carl. Mas foi aí que Angela Kang entrou e, queira admitir ou não, salvou The Walking Dead.

A primeira mudança da nova produtora-executiva foi trazer um frescor à série: um salto temporal, novas locações, novos ideais e costumes que, aos poucos, foram implementados à franquia. Abraçada num tom WESTERN/HORROR, Kang trouxe ao roteiro da série um senso medieval de imprevisibilidade, testando os instintos de sobrevivência dos personagens em relação ao ambiente e demais “colegas” ao limite – uma ferramenta útil não somente para a construção de mundo, como também para a de personagens.

OS PERSONAGENS

Lembram quando Carl Grimes invadiu o Santuário de Negan, metralhou Salvadores e apareceu dizendo que “toda vida era preciosa” 8 episódios depois? É, infelizmente não foi um surto coletivo, apenas a péssima construção de personagem/roteiro durante a oitava temporada da série.

Angela Kang chegou ao comando de The Walking Dead com este tipo de instabilidade de escrita nas motivações e personalidades dos principais personagens. Teria sido muito fácil usar o salto temporal como muleta narrativa para mudar a essência dos principais personagens do show: se Gimple fazia isso em questão de poucas horas, por que não em um ano, certo? Novamente, a showrunner se sobressaiu e trouxe a tona algumas das melhores construções de personagens da história da série.

O destaque da temporada neste quesito fica por conta dos fantasmas da guerra contra Negan que a showrunner e seu ótimo time de roteiristas usaram na hora de não somente definir o estado do seu elenco, mas de situá-los em arcos próprios e conjuntos.

Em cinco episódios, Kang fez com que as trajetórias de Rick e Maggie tivessem mais consistência do que os 16 da oitava temporada – que viveram em tropeços e mudanças bruscas de comportamento. Em uma temporada completa, Michonne, Carol e Daryl evoluíram o equivalente a 6 anos (literalmente): de decisões a ações, o trio “protagonista” da era pós-Rick passou de personagens que sustentavam-se pelo carisma de seus atores a nomes de peso e extrema relevância.

O elenco coadjuvante, por sua vez, também não fica para trás: Ezekiel, Anne, Enid, Negan, Henry, Jesus e tantos outros personagens sobem na escala narrativa e recebem um real propósito. E mesmo aqueles que perdem espaço de tela devido às mudanças necessárias para a limpeza da casa (Rosita, Tara, Cyndie, Gabriel, Siddiq, Alden), ainda assim possuem uma história palpável, que geram consequências e fogem do corriqueiro “filler” de anos anteriores: não há mais exaustivas reflexões existenciais que não levam a lugar nenhum.

Entrando como um experimento e conduzindo os telespectadores a nova era pós-Rick do show, é impossível sair sem comentar um dos maiores trunfos do ano: a chegada de novos personagens. Ao adicionar novos rostos no time principal e mesclá-los em tramas relevantes e de primeiro escalão, o roteiro fez com que o ar de “protagonismo definido” da série se dissolvesse de vez e estreasse um senso de assembleia como nunca antes visto: Magna, Yumiko, Luke, Connie, Kelly e Lydia (além dos Sussurradores, que serão abordados mais a frente) acolhem novas facetas de personalidade, representatividade e, principalmente, conceito.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P1 (EPISÓDIOS 1-5)

PRÓLOGO OU EPÍLOGO?

Angela Kang chegou para trabalhar na nona temporada com uma bagunça gigantesca para lidar em suas mãos. Não apenas as saídas de Rick e Maggie deveriam ser feitas com real propósito, como todas as sementes pelo final da storyline de Negan e Os Salvadores deveriam cultivar consequências reais para não passarem de desperdício – o que, infelizmente, foi a percepção de muitos daqueles que desembarcaram da jornada ao longo dos anos 7 e 8.

Mudando totalmente o tom e se apegando ao que fez as primeiras temporadas da série um sucesso, a nova showrunner e seu esquadrão delimitaram The Walking Dead de volta ao básico: um drama sobre uma família disfuncional vivendo no apocalipse zumbi. O grande diferencial aqui estava no contexto que esta história seria inserida: agora eles não querem apenas sobreviver, mas VIVER neste mundo. Criar laços. Uma sociedade de verdade. E é aí que está o maior acerto de todos.

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A New Beginning” é o primeiro episódio da história da série sob a tutela geral de Angela Kang. Da abertura ao encerramento, várias das facetas estilísticas da roteirista são empregadas com sucesso, desencadeando em uma série de conceitos que há anos The Walking Dead não conseguia ver: dos diálogos humanos e sem reflexão/exposição barata ao comportamento coletivo do grupo, todos os minutos aqui importam e o foco está novamente nos personagens e no modo que estes contemplam sua existência, objetivos e relações diante os desafios de uma sociedade caída.

Dentro desta cadeia narrativa, Rick Grimes e Maggie Rhee tornam-se os principais protagonistas da história, abrindo uma trama política densa sobre suas lideranças e os modos distintos de viver após a queda ditatorial de Negan. Apesar de discordarem em inúmeros parâmetros, o que poderia ser uma briga novelesca dos anos anteriores dá espaço a um debate ideológico esclarecido e bem resolvido entre dois ótimos personagens com percepções distintas e semelhantes nos mesmos níveis – ambos querem construir um bom futuro para seus filhos (Hershel Jr. e Judith Grimes) em honra da memória de pessoas amadas (Glenn Rhee e Carl Grimes).

O grande trunfo aqui, todavia, está no modo como toda reação gera uma consequência impactante não apenas para os personagens, mas para a história geral; Um exemplo: o enforcamento de Gregory leva Oceanside a buscar justiça com as próprias mãos, que levam Maggie e Daryl a burlarem o acordo com Rick e Michonne quanto ao destino de Negan. Nada mais é por acaso. Ações possuem peso e impactam os personagens, motivações e anseios.

Após sumirem e perderem relevância por mais de dois anos, esta nova fase de The Walking Dead também trouxe de volta os zumbis como um ponto além de ferramenta estética para mortes satisfatórias repletas de gore.

Quase como piada, as criaturas, quando não em bando, são usadas em momentos específicos para mostrar a falta de perigo aos sobreviventes neste ponto do apocalipse – no primeiro episódio, Siddiq se assusta mais com as aranhas saindo de uma das criaturas, do que com a própria. O curioso é que, apesar de parecer gratuito no começo, o roteiro é sagaz para conduzir um pensamento errôneo em relação aos mortos-vivos, que mais tarde – na mesma temporada – receberão um “twist”. Novamente, causa e consequência estão sempre andando lado a lado.

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No saldo final, os cinco primeiros episódios constituem um pequeno epílogo para a história contada durante os 8 primeiros anos de The Walking Dead. Angela Kang, com maestria, conduz uma pequena temporada que serve como o final real de um grande capítulo. A saída de Rick, em “What Comes After“, é a maior prova disso, carregando um ar de series finale em toda a sua épica escala – que carrega muito mais que simbolismo barato, condensando uma reflexão profunda e um admirável estudo de personagem. E, é claro, a ironia de Rick partir na mesma ponte que começou a construir no começo da temporada é apenas outro exemplo de causa e consequência no seu ápice.

ESTRUTURA DE ROTEIRO – P2 (EPISÓDIOS 6-16)

Seja motivo ou piada para fingir choque, saiba que um formato estrutural padrão de filmes de 2h foi aplicado no decorrer de, literalmente, 32 episódios completos de 50 minutos durante os anos 7 e 8 de The Walking Dead.

Mas o que importa é que águas passadas não movem moinhos, certo? Quase! E se alguém lhe contasse que a nona temporada e a sétima são, em partes, literais espelhos uma da outra? Pois é. A diferença aqui é o modo como ambas as formas estruturais foram idealizadas e abordadas pelos executores, e como uma falhou miseravelmente, enquanto a outra alcançou prestígio.

Com todas as peças posicionadas e prontos para começarem de vez uma série totalmente nova, Angela Kang e seu time de roteiristas tinham como real propósito reintegrar uma audiência geral a um começo ainda mais novo que aquele de seu prólogo/epílogo de 5 capítulos.

Who Are You Now“, embora não aparente, possui um dos roteiros mais importantes de todo o currículo da série. O motivo para esta denominação vem do ponto abordado no parágrafo anterior: a reintegração da audiência em relação ao universo. O episódio 06 serve, praticamente, como o piloto de uma nova The Walking Dead: há um novo tom, uma nova perspectiva e, é claro, novos protagonistas.

Escrito por Eddie Guzelian, o capítulo segue um molde fora do comum para este mesmo período em temporadas passadas. De forma fluida e coesa, personagens, situações, mistérios e sementes de arcos são plantados no decorrer de seus 50 minutos de duração.

O maior mérito, todavia, aparece com a forma escolhida para unir este emaranhado: Angela Kang (e Guzelian) estabelece(m) um monólogo para Michonne logo no início do capítulo – o famoso “cold opening”, antes da abertura – para relembrar a audiência de que este ainda é o mesmo universo, mas que, apesar de todos os fantasmas ainda assombrarem a vida dos sobreviventes (Daryl, Mich e Carol, particularmente), agora o foco é seguir em frente. Abre-se espaço então para um contraste muito bem construído entre o grupo liderado por Magna e, é claro, a pequena Judith Grimes, agora crescida, que exploram uma nova Zona Segura de Alexandria, e o Reino de Ezekiel, que parece estagnado aos mesmos personagens – apesar de um Henry 6 anos mais velho – e a um passado de ruínas, que estão desmoronando aos poucos.

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Após um longo foco na segurança dos muros e na estabilidade da vida nesta nova era, Kang apresenta um mistério feito com timing construído de forma crescente e bem conduzido: afinal, como todo o resto da série, estariam os zumbis evoluindo também? Permeando por três episódios (6,7 e 8), a ameaça dos doentios Sussurradores resgata um clima de terror nostálgico das décadas de 60 a 80, trazendo as criaturas sanguinárias de volta ao patamar de perigo extremo. Com a ajuda de David Leslie-Johnson, conhecido pelo universo da franquia “Invocação do Mal”, The Walking Dead entra num território de terror/suspense/horror há tempos não explorado, e faz isso com sucesso.

A revelação proposital da ameaça, feita com a morte inesperada de Jesus, só é chocante graças ao ótimo trabalho feito pela construção do roteiro – unido, é claro, ao poder da direção, que será abordada em um artigo futuro.

E é neste ponto que a comparação feita no início deste tópico começa a fazer sentido: a sétima e a nona temporada são, em essência, idênticas. A grande diferença está na escrita, que nas mãos do novo time entrega um desenvolvimento árduo e equilibrado de causa e consequência.

A introdução de Alpha, por exemplo, é feita de forma tão sádica e misteriosa quanto a de Negan: mas enquanto este foi ameaçador por apenas dois episódios, a vilã de Samantha Morton fez jus ao manto de antagonista do episódio 9 ao 16, mesmo estando ausente na maior parte destes. A aura sinistra do grupo foi trabalhada a fundo em seu conceito, mas não só em seu lado psicológico ou sádico: o temor de encontrar uma horda sem saber se é de “mortos”, por exemplo, permeia até os últimos minutos da season finale, “The Storm“. Há um equilíbrio na sensível escrita da nova showrunner, e é isto que levou a segunda parte da nona temporada às listas de mais memoráveis da série inteira.

E para finalizar esta notável amostra de boa-condução narrativa da temporada, há de se comentar sobre duas pérolas do nono ano, e dois dos melhores episódios da história da série: “Scars” e “The Calm Before“. Duas entradas COMPLETAMENTE DISTINTAS em termos de narrativa e condução, mas com poder relativamente igual em termos de desenvolvimento, ação, consequência e impacto.

“Scars”, escrito pela estreante Vivian Tse, é o 14º episódio da nona temporada e aproveita a recente introdução da personagem Lydia para trazer à tona lapsos de eventos do período que marcou o salto temporal de seis anos.

Praticamente protagonizado por Michonne, os 45 minutos contrastam o sentimento de culpa e temor da personagem pela perda/desaparecimento de sua filha no passado e presente, que acaba fora dos muros e em perigo graças a decisões tomadas de cabeça quente e por falta de conversa.

O poder da escrita nesta entrada não está apenas no desenvolvimento da personagem de Danai Gurira, que é excepcional, mas sim no modo como lida com as consequências da busca pela garota: em ambos os casos, Michonne foi obrigada a passar por um teste psicológico que a muda para sempre. No primeiro, que é chocantemente visceral, é forçada a matar um grupo de crianças, enquanto no segundo, é forçada a se abrir pela primeira e vez e desabafar sobre seus sentimentos com a filha, o que nunca foi fácil para a guerreira.

No fim das contas, “Scars” resgata o senso de uma história conduzida por personagens humanos, e não por ações ou prescrições dos quadrinhos.

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Já “The Calm Before”, escrito pela dupla Geraldine Inoa e Channing Powell, é o típico episódio evento de The Walking Dead. Ou melhor: o típico episódio evento feito da maneira certa.

Em um ponto crítico a ser adaptado das HQs de Robert Kirkman, Kang orienta o roteiro de Inoa e Powell usando uma técnica de “bomba-relógio”: enquanto a feira ocorre normalmente no Reino para unir as comunidades, Alpha se infiltra no local, onde passa a analisar friamente o comportamento dos sobreviventes e seu senso organizacional. Apesar de sua construção lenta, o senso de instabilidade é presente durante toda a projeção, e o pagamento entregue no último ato é desolador e excruciante em inúmeros níveis: 11 personagens conhecidos do público são decapitados e expostos em estacas na delimitação de território dos Sussurradores.

O evento é grotesco e tão bem executado que, quando acontece, mantém um ar de desconforto e luto que honra o fato de “The Calm Before” perambular entre os 15 episódios mais bem avaliados da história da série de acordo com o IMDB.

SALDO FINAL

É óbvio que ainda existem algumas pequenas falhas aqui e ali, mas isso faz parte do universo da escrita televisiva. Pequenos problemas de senso geográfico, por exemplo, são esquemas difíceis de buscar desvio desde os primórdios de Walking Dead, e por isso já soma muito mais como uma licença poética neste atual ponto.

No fim das contas, The Walking Dead revigorou-se e finalmente se encontrou depois de tantos anos no ar. Agora resta torcer para que Kang continue a trabalhar personagens, conceitos e trama a altura de seu potencial como showrunner – pois, se isso for um indicativo, a série ainda pode entregar um satisfatório final.

A primeira parte da 10ª temporada de The Walking Dead chega no Brasil a partir de domingo, 6 de outubro, às 22h, no FOX Channel.

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Análises

The Walking Dead 10ª Temporada: Quem é Dante?

Dos quadrinhos para a TV: Conheça Dante, o novo personagem da 10ª temporada de The Walking Dead.

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Sabemos que The Walking Dead segue muito da história contada nas HQs, mas também dá suas escapadas para adaptar o roteiro em determinadas ocasiões. Personagens que morreram nos quadrinhos estão vivos na série – e vice-versa -, e até pessoas que não existem na história impressa são introduzidos, e com muito sucesso, no show da TV – caso de Daryl.

No entanto, a 10ª temporada vai apresentar aos fãs da produção da AMC um personagem que participou do arco dos Sussurradores nas HQs. O ator Juan Javier Cardenas foi escalado para interpretar Dante, e vamos falar aqui o que esperar do novo personagem.

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DANTE NAS HQs

Dante é introduzido na edição de número 131 dos quadrinhos e participa do confronto entre as comunidades e o grupo de Alpha e Beta. Ele é um jovem híspano-americano brincalhão, e suas palhaçadas muitas vezes incomodam os outros. Apesar do jeitão sarcástico, ele é extremamente leal à Hilltop, especialmente à líder, Maggie Rhee.

A lealdade logo torna Dante uma espécie de braço-direito da viúva de Glenn. O jeito tranquilo também dá ao personagem uma vocação para liderança, mas essa tranquilidade é colocada à prova quando ele fica cara a cara com os vilões e é sequestrado. Os Sussurradores, então, costuram um acordo com Hilltop para recuperar Lydia, filha da líder Alpha, em troca do rapaz.

Após a troca, é Carl quem foge atrás de Lydia, e Dante acompanha Rick em busca dos pombinhos. Dante também estava presente quando os sobreviventes encontram as vítimas das estacas.

DANTE S2 MAGGIE

Ainda nas HQs, quando Jesus lidera um grupo de ataque no confronto contra os mascarados, Dante fica para trás para proteger os membros que permaneceram em Hilltop, e aproveita a oportunidade para revelar seus sentimentos por Maggie. A líder prontamente o rejeita. Logo depois, ele é enviado para defender a comunidade, que acabara de ter suas paredes derrubadas pelos Sussurradores.

Os danos causados pelo grupo mascarado é praticamente irreversível, e os moradores são forçados a se mudar para Alexandria, onde o romance entre os dois finalmente desabrocha. O destino final do personagem, no entanto, é desconhecido. No salto temporal apresentado na última edição das HQs, Maggie é apresentada como presidente da comunidade, mas Dante não aparece no volume.

Vale lembrar que, na série de TV, Lauren Cohan, que interpreta Maggie, está vivendo na comunidade de Georgie (Jayne Atkinson), e deve voltar para Hilltop nesta temporada. Será que a chegada de Dante será usada como gancho para o retorno da líder? Se eles voltarem juntos, já será como um casal?

O QUE ESPERAR DA 10ª TEMPORADA

Esta será a primeira temporada completa de The Walking Dead que não contará com seu principal personagem, Rick, já que Andrew Lincoln ficou até o quinto episódio do nono ano. Além disso, Michonne está de saída da série porque Danai Gurira decidiu deixar o show, mas ainda não se sabe seu destino.

Com isso, a introdução de novos personagens pode (e deve) dar um novo fôlego à trama. Dante tem um papel interessante nos quadrinhos, sendo muitas vezes um alívio cômico na história. Será que ele entrará como um personagem de relevância, que vai exercer alguma liderança nas comunidades?

“…em nosso mundo, o contexto é um pouco diferente e ele (Dante) terá um papel importante na história de Alexandria. Então estamos empolgados com isso.”, contou a showrunner Angela Kang no mês passado em entrevista para a Entertainment Weekly.

Outra possibilidade é o crescimento de personagens outrora secundários. Eugene (Josh McDermitt), Rosita (Christian Serratos), Siddiq (Avi Nash), Padre Gabriel (Seth Gilliam), entre outros, podem ter suas histórias expandidas com a entressafra de protagonistas, e Dante entraria mais como uma figura que será desenvolvida até ganhar determinado destaque.

Aguardemos o início da décima temporada de The Walking Dead, marcado para o dia 6 de outubro.

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