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Entrevista

Diretora de seleção de elenco de The Walking Dead fala sobre encontrar heróis, vilões e zumbis para a série

Rafael Façanha

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Uma das características mais marcantes de The Walking Dead nessa temporada é a abundância de cor. No começo da série esse não era o caso, faltava diversidade de personagens negros.

Mas com a presença dos atores como Chad L. Coleman (Tyreese), Danai Gurira (Michonne) e Lawrence Gilliard (Bob) na quinta temporada, a série parece ter ficado mais consciente para uma questão racial mais realista. Há uma cota? Por que tantos atores de “The Wire”? E de onde Eugene veio? O site Jezebel conversou com a diretora de seleção de elenco de The Walking Dead, Sharon Bialy, sobre encontrar o encaixe perfeito e quais são os conceitos para selecionar personagens para o apocalipse.

A coisa mais notável sobre o elenco de The Walking Dead agora é a presença de vários atores negros. Quanto disso é um esforço consciente?

Sharon Bialy: Eu posso te falar uma das alegrias de trabalhar com os produtores de The Walking Dead – há muitos deles – mas em primeiro lugar, Robert Kirkman, que escreveu papéis diversos. Alguns dos papéis mais icônicos nos quadrinhos são de descendência Africana-Americana. Chad Coleman e Seth Gillian (Padre Gabriel) são negros nos quadrinhos. Nós todos aderimos a regra que se o personagem é negro nos quadrinhos, só selecionaremos atores negros para o elenco. Se o personagem é branco, selecionaremos o que quisermos.

A população de Atlanta, onde a série acontece, é bem diversificada. A representação racial da cidade é algo que você tem em mente, além de ser preciso?

Sharon Bialy: Eu acho que as pessoas de The Walking Dead estão certos no fato de representar que esse país tem pessoas de cores diferentes, e infelizmente isso não ocorre na maioria das séries. Então não acho que isso seja uma representação só de Atlanta. Eles reconhecem que existem pessoas de todas as cores, formatos e tamanhos, e estão refletindo isso do jeito que deveria ser refletido.

Eu e minha parceira, Sherry Thomas, que escolheu o elenco comigo, temos um histórico de selecionar pessoas sem ver a cor, então estamos sempre procurando o melhor ator. No caso de Lawrence Gilliard, aquele papel não era de um negro, e ele veio, junto com vários atores brancos maravilhosos, e ganhou o papel porque ele foi fenomenal. Há uma fofoca de imprensa sobre como falamos ao diretor da série, Scott Gimple, para não selecionarmos mais atores de The Wire. Não prestamos atenção nisso. (risadas)

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Certo, Robert nos disse que isso foi uma coincidência.

Sharon Bialy: É uma coincidência em termos de, nosso trabalho é encontrar o melhor ator, então você tem que ir com o processo. Foi uma coincidência que eles todos são de The Wire. Eu acho que The Wire foi uma série fantástica que deu emprego a vários atores negros, então foi isso que aconteceu. Com Lawrence, nós o trouxemos, ele leu o script para a seleção, e ele foi tão incrível e comovente que tivemos que levá-lo para nossos produtores e eles são pessoas bem espertas e também responderam com entusiasmo.

No episódio que o Padre Gabriel, Seth, diz uma fala sobre “a prefeitura” que é de The Wire. Isso foi proposital?

Sharon Bialy: [Risadas] Eu não sei, não posso falar sobre isso. Você tem que perguntar para os roteiristas. Nós fomos bem questionados sobre isso, mas nunca fizemos isso como se fosse “vamos assistir The Wire e ver quem conseguimos pegar”. Esses atores estavam nos nossos radares por um bom tempo, e Sherry e eu somos fãs da série. Então, a realidade é que eles estavam competindo com vários outros atores que fizeram a audição que não participaram de The Wire. Aconteceu que eles foram os atores certos, e foi uma escolha unânime, para ser honesta.

Tyler James Williams, que foi excelente em “Dear White People”, teve sua estreia no episódio “Slabtown”. Ele foi alguém que vocês procuraram para interpretar esse papel?

Sharon Bialy: Ele foi selecionado há um tempo. Todo mundo leu os quadrinhos de The Walking Dead, desse jeito os roteiristas podem ver o que trazer para fazer audição e começarem a pensar como eles querem escrever para aquele personagem mais tarde, porque eles já ouviram a voz em suas cabeças e como eles lidam com a linguagem. Isso realmente ilumina o papel para os escritores.

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Norman Reedus, que interpreta Daryl, originalmente fez audição para interpretar Merle. Há algum outro ator do elenco que veio para fazer audição para outro papel sem ser o deles?

Sharon Bialy: Isso acontece demais, mas não aconteceu tanto em The Walking Dead. Nós temos atores fantásticos vindo, o que acontece é que Scott Gimple diz na audição “Ok, lembre dele para…” e ele irá mencionar um papel num episódio futuro. Ele diz para não esquecermos de tal ator para tal episódio. Isso aconteceu com Sonequa (Martin-Green) que interpreta Sasha. Ela veio para interpretar um personagem e não conseguiu o papel. Glenn Mazzara, que era o diretor da série na época, e um homem de palavra, disse que iria escrever um papel só para ela, e escreveu. Eu não lembro qual era o papel original que ela interpretou para nós a conhecermos. Quando estávamos produzindo o episódio piloto e Lennie James pegou o papel de Morgan, tivemos atores nos dizendo “Eu quero ser Tyreese.” E Tyreese não estava no piloto e nem no primeiro ano de série. Conseguimos acompanhar alguns atores e quem seria certo para depois. Chad Coleman fez audiência no piloto para o papel de Morgan e eu anotei para lembrar de chamá-lo para interpretar Tyreese.

O elenco parece bem orgânico nessa temporada. O que você atribui a isso?

Sharon Bialy: Antes de começarmos a fazer testes, fazemos várias ligações conceituais para discutirmos os papéis, ideias e protótipos. Scott e os roteiristas vão falar sobre as especificidades do personagem e para onde ele vai, como algum personagem que não está nos quadrinhos. Nosso trabalho como selecionadores de elenco é lembrar dos atores que conhecemos durante os anos e procurar algumas características distintas e conseguir juntar tudo.

Tem mais ou menos um ano e meio que conhecemos Tyler James Williams, e todos nós falamos no escritório “Uau, esse é o cara, ele cresceu.” Tentamos não classificar os atores, esse é o jeito de fazer uma audição mais criativa. Por exemplo, a personagem Joan, Keisha Castle-Hughes, acho que foi sua primeira aparição em qualquer série americana, e desde que ela conseguiu um papel regular na série, ela é uma nomeada para o Academy Award. A coisa engraçada de fazer The Walking Dead é manter orgânicas as questões raciais, e também mostrar um mundo com pessoas que você não consegue associar de onde vieram.

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Todo mundo acha que o ator que interpreta Eugene parece Danny McBride.

Sharon Bialy: Isso é engraçado, ele não parecia quando veio. Eles fizeram aquele mullet, ele não tinha antes. Mas isso é um exemplo de que algumas pessoas não sabiam que ele veio do mundo da comédia (Josh McDermitt). Então eu acho que realmente tentamos ficar abertos a talentos e ver se isso funciona.

Outra coisa sobre a seleção é que parece que você tem que levar em conta se o personagem pode interpretar o bem ou o mal. Chad, por exemplo, é meio que o último remanescente de humanidade na série. Ele tem esse lado sensível e isso é verdadeiro.

Sharon Bialy: Bom, as vezes é bem engraçado explorar características do ator que não são evidentes. Você olha para Chad Coleman e ele é grande e durão, mas é um amor de pessoa. Então acho que temos um cuidado particular na seleção de todos os personagens da série e o que fazemos é falar com os diretores para ver onde esse personagem vai dar a certeza que tem a capacidade de fazer isso. Algumas vezes nas audições iniciais, você apenas está mostrando um lado do personagem. Nós passamos muito tempo com eles durante a audição.

Você está ciente do tempo de vida do ator na série enquanto seleciona?

Sharon Bialy: Estamos cientes disso e tudo é bem confidencial.

Mas os atores não sabem?

Sharon Bialy: As vezes sabem, as vezes não. Quando alguém é adicionado no elenco regular, aí não sabem quanto tempo irão durar. Mas se é selecionado para dois ou três episódios, aí você tem uma ideia do que irá acontecer. (risadas)

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As pessoas têm um apego ao personagem de Carol, que vimos evoluir de um papel quieto para uma guerreira. Essa evolução foi algo que você teve que levar em consideração durante a seleção desse papel? E o que você viu na Melissa McBride que a fez ser um encaixe perfeito inicialmente?

Sharon Bialy: Sherry e eu damos crédito ao Frank Darabont por selecionar Melissa. Ela participou de um filme dele e eu adorei ela, ela teve nosso total apoio, assim como Gale Anne Hurd que é soberba na seleção. Originalmente, era um papel pequeno, mas os roteiristas continuaram a escrever para ela um completo arco com muita complexidade, especialmente para uma personagem mulher entre vários homens fortes.

Como zumbis não são papéis que tem fala, quão diferente é o processo de seleção?

Sharon Bialy: Não fazemos seleção para zumbis. É tudo feito por extras e eles tem que frequentar a escola de treinamento zumbi e lá são selecionados.

Há alguma seleção em particular que foi especial para você?

Sharon Bialy: Há muitas histórias favoritas nessa série, de Norman a Danai Gurira, uma das minhas favoritas. Eu sabia que ela era perfeita para o papel por ser uma atriz de teatro, então foi bem legal tê-la nas audiências e incorporar essa personagem da Michonne. Ela ficou muito feliz. E também é bem empolgante ver a trajetória dos atores depois de saírem de The Walking Dead. Tenho muito orgulho de Jon Bernthal (que interpretou Shane). Acho que a série tem sido boa para as pessoas que morreram, vamos colocar desse jeito. Andrew J. West, Gareth, foi bem surpreendente. E ele é conhecido como um ator de comédia. Sherry e eu nos orgulhamos de tudo isso.

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Fonte: Jezebel
Tradução: @LaisYes / Staff Walking Dead Brasil

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