Atenção! Este conteúdo contém SPOILERS do oitavo episódio, S03E08 – “Tenebrae” (Trevas), da 3ª temporada de The Walking Dead: Dead City. Caso ainda não tenha assistido, não continue. Você foi avisado!
Quando tudo chegou ao fim, Dillard acabou exatamente onde deveria estar. O simpático, embora um pouco excêntrico, bartender que mantinha conversas completas com zumbis perdeu completamente o controle depois que Negan eliminou alguns de seus companheiros walkers do bar e, então, assumiu de vez o papel de vilão. Mas essa decisão acabou lhe custando caro no episódio final da 3ª temporada de The Walking Dead: Dead City.
Determinado a se vingar, Dillard disse a Negan, sob a mira de uma arma, que os dois poderiam voltar a ser amigos – mas somente depois que Negan esfaqueasse Maggie, em uma espécie de acerto de contas na base do “olho por olho”. Sem alternativas, Negan fez isso, mas sem matá-la, e depois entrou em uma luta com o ex-policial perturbado. Dillard acabou levando a melhor e parecia pronto para matar Negan… até que Maggie se recuperou o suficiente para cortar o braço de Dillard.
Ele acabou sangrando até a morte e foi visto pela última vez vagando pelas ruas de Nova York na forma de seu antigo amigo – um walker. Foi um final poético, embora brutal, para o personagem.
Em entrevista à Entertainment Weekly, Jimmi Simpson falou sobre o destino de seu personagem, a transformação de Dillard nos episódios finais, sua relação com Negan e a amizade que desenvolveu com Jeffrey Dean Morgan durante as gravações.
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ENTERTAINMENT WEEKLY: Como foi trabalhar novamente com Jeffrey Dean Morgan?
JIMMI SIMPSON: Foi uma espécie de reencontro estranho. Nós havíamos trabalhado juntos 20 anos antes e, depois disso, cada um seguiu seu próprio caminho na carreira. Então, quando voltamos a trabalhar juntos, havia uma sensação de novidade nesse reencontro tão especial e um terreno fértil para uma amizade clara e profunda, que começou imediatamente.
Estou usando a camiseta da loja de doces dele! Eu estava em Boston, bastante isolado e não conhecia ninguém por perto, e não havia tempo para uma pausa de fim de ano. Era apenas o fim de semana, então eu não podia viajar para lugar nenhum. E ele viu isso e disse: “Venha para a minha fazenda. Vamos para a casa dos Rudds, fazer um grande jantar, e você é da família”.
E então foi como uma linda flor de lótus desabrochando entre nós. Eu o amo. Nós dizemos um ao outro que nos amamos. Estamos sempre em contato. Realmente parece que estou em casa quando estou com ele. E isso fez com que a camaradagem nas cenas funcionasse de maneira tão natural. Permitiu muita improvisação impulsiva entre dois amigos, e isso realmente consolidou a realidade daquela amizade na tela. Sinto muito a falta de fazer cenas com Jeffrey, e nós dizemos isso um ao outro o tempo todo, toda semana.
O que achou de fazer essa grande transformação de Dillard em vilão no final e mudar completamente o rumo do personagem nos últimos episódios?
SIMPSON: Foi um prazer enorme. E foi uma reação muito emocional. Os personagens que interpreto que estão no limite do que é aceitável sempre têm uma qualidade profundamente humana que consigo explorar. Eu nunca pensei em Dillard como alguém louco. “Louco” não significa nada. Como você interpreta alguém louco? Ele acredita que está tomando decisões perfeitamente razoáveis e racionais com base nas informações que tem, sabe?
As informações podem ser terríveis, mas o comprometimento dele é excelente. Então, depois de construir toda essa base aos pés dele com seus amigos walkers e com seu histórico de uma vida difícil interagindo com outros seres humanos como policial, além de ter aprendido como as relações humanas são complicadas, traiçoeiras e pouco confiáveis, ele encontrou esse alívio de pensar: “Tudo isso acabou. Agora eu sei exatamente o que esse walker quer fazer e posso trabalhar com isso”. Eu podia formar uma relação verdadeira com aquilo, porque sabia que eles eram exatamente como diziam ser.

E ele viveu nesse espaço de conforto por tanto tempo. Então Negan entra nesse espaço e quebra aquela barreira de: “Não, não. Estamos bem. Os humanos são legais, e eu vejo você”. E eu vi ele. Isso foi um bônus na vida de Dillard. Não era algo que ele estivesse esperando antes de Negan aparecer em seu bar, mas aquilo se apresentou diante dele. Esse era o terreno em que ele estava pisando. Ele aceitou aquilo. Vamos seguir em frente.
E a relação entre Dillard e Negan foi imediata. Negan abriu esse portal para Dillard perceber que os seres humanos podem ser confiáveis. Então, quando esse único vínculo entre Dillard e Negan foi destruído por Negan, tudo o que havia sido construído até aquele momento simplesmente desapareceu. Foi como se ele voltasse imediatamente para o lugar onde estava antes do apocalipse, quando tinha certeza de que os seres humanos eram inúteis.
Essa é a coisa que o destruiu: “Eu nem estava tentando chegar aqui, Negan, e você me fez pensar que eu poderia chegar aqui. E então você destruiu tudo”. E você não apenas destruiu a ideia que eu tinha de uma relação humana, como também destruiu meu vínculo inquebrável com esses walkers, que são exatamente aquilo que dizem ser. Eles são tão inocentes quanto animais. Então, para mim, Dillard perder a cabeça foi uma experiência completamente emocional. Essa era a única opção dele.
Quando você aceitou o papel, já sabia que Dillard não sobreviveria à temporada?
SIMPSON: Sou bastante criterioso sobre onde invisto meu tempo, especialmente em televisão. Então, sempre tenho interesse em minimizar qual será o meu compromisso obrigatório. Não estou dizendo que não gosto de fazer séries por muito tempo. Eu só quero saber exatamente pelo que vou ser responsável. E isso me ajuda a entender se quero assumir o papel. Então, tudo isso foi apresentado para mim.
Eu não conhecia muito bem todo o universo de The Walking Dead antes de receber essa proposta. Fiz minha pesquisa depois para me preparar para o mundo em que Dillard entraria. Mas conheci Dillard primeiro, antes de realmente entender esse universo. Então [o showrunner Seth Hoffman] me explicou: “É isso que aconteceu”. E eu disse: “Apenas me diga as coisas que um ator precisa saber para fazer seu trabalho”.
E ele disse: “Ele tem uma ligação emocional muito profunda com os walkers, e isso não é normal nesse mundo”. Então pensei: “Eu gosto disso. Consigo interpretar isso”. E então ele descreveu o processo de ruptura. E eu adorei a ideia. Ele também me vendeu essa ideia de que: “Dillard vai finalmente voltar para casa. Dillard finalmente vai fazer parte da comunidade que ele vem acolhendo e amando”. E achei isso lindo.
Então eu sabia de tudo quando comecei. Diferentemente de Westworld, quando eu não fazia ideia de que era o Homem de Preto. Ali, eu estava apenas interpretando William honestamente até que essa mudança acontecesse. O trabalho de um ator é afastar o final. Então pude mergulhar de verdade na relação com Negan – novamente, fortalecida por esse profundo amor que desenvolvi por Jeffrey – e me entregar completamente a isso. Eu não interpretei o personagem pensando no final, porque o final acontece de repente, sabe? E não é inevitável. Ele acontece. É uma reação às ações de Negan. Então eu sabia o que aconteceria e estava muito animado.

Jeffrey me disse que ficou chateado com a morte de Dillard. Ele provavelmente queria manter você por mais uma temporada. Ele estava tentando convencer a produção a deixar você ficar?
SIMPSON: Estava. Ele dizia: “Esse é um arco ótimo e eu só quero continuar fazendo cenas com você!”. Mas eu nem estava em uma posição de realmente considerar isso por causa de outros compromissos. Dark Matter é minha prioridade contratual.
Mas fiquei muito feliz porque o arco foi completamente desenvolvido. Ao mesmo tempo, fiquei realmente triste por não poder mais fazer isso com Jeffrey. E também foi muito bom conhecer Lauren [Cohan].
E é um final muito apropriado e, de certa forma, poético para Dillard. Depois de estar tão envolvido com os walkers, ele acaba se tornando um deles.
SIMPSON: Sim, foi lindo. Foi um final mágico: ele estreia como um personagem verdadeiramente adorável e, depois, se destrói. E então isso se transforma nessa tragédia causada por seu próprio passado e por sua vida difícil. Foi uma alegria interpretar isso.