Evidentemente eu enfrentarei problemas com os árduos fãs de The Walking Dead, mas está se tornado cada vez mais complicado não ser totalmente justo com Fear. A série derivada tem cumprido com êxito a remissão dos erros passados da série que a gerou. Fear acerta até mesmo em episódios que teriam tudo para tornar a trama monótona e desgastante.
É exemplo o episódio dessa semana, que introduz as conquistas de Madison, mas que sabe dividir bem o tempo de tela entre apresentar a comunidade construída pela protagonista e a ação da luta diária pela sobrevivência.
A forma como Fear vem brincando com o passado e mantendo segredos ocultos do público é glorioso. É uma maneira de prender a curiosidade daqueles que assistem a série. Da terceira temporada até agora não sabemos muito sobre como tudo se desenrolou até o ponto em que os personagens se encontram. Mas já sabemos que muitas coisas aconteceram e que traumas foram gerados a partir do final do terceiro ano da série. Estamos presos a várias questões que a cada episódio se desdobram em múltiplas outras.
Enquanto The Walking Dead subestima a inteligência do público se desgastando em explicar coisas óbvias, Fear cria enredo em torno da cognição do espectador que precisa estar disposto a ligar evidências para entender exatamente o que está sendo passado em tela e entender os rumos da série. É óbvio que a previsibilidade da série mãe que é sustentada pelos quadrinhos é um fator contrário a ela e que a liberdade criativa de Fear é ponto favorável, mas se os universos são os mesmos, a série derivada tem se demonstrado passos a frente de sua genitora.
Enfim, falando pontualmente do episódio dessa semana, podemos ver que Madison é uma grandiosa líder, totalmente capaz de erguer uma comunidade do zero. A informação que temos é que após passarem algum tempo indeterminado ao esmo, o grupo de Madison conseguiu no interior de um estádio de baseball construir uma colônia estruturada com energia, plantações e toda a sustentabilidade necessária para se manter por algum período. A única data que nos é dada com certeza é que desde que o grupo saiu das ruas para se abrigar no local e que começaram a fortifica-lo, passaram-se 365 dias.
A comunidade dela agora parece enfrentar os primeiros problemas. Com 47 residentes que foram sendo angariados na medida em que o local se desenvolvia, os alimentos estocados não serão suficientes para um extenso limite de tempo e as plantações de hortaliças começam a indicar estado de inanição.

A humanidade de Madison talvez seja seu maior defeito. Quando Charlie, uma garota que aparentemente possui idade fixada entre oito e onze anos, é encontrada vagando solitária e acolhida no Diamond, à líder do local se empenha a localizar os pais dela para que ela não cresça na incerteza da sobrevivência deles. Madison, Luciana, Strand e Alicia compõe o grupo de busca e partem ao encontro de respostas sobre Charlie.
Uma breve relação entre Charlie e Nick é firmada no episódio, trazendo à tona uma garota totalmente aberta a amizades e dispostas a entender bem o local no qual está vivendo. Charlie pergunta sobre tudo o que é possível, desde o quanto de alimento eles possuem estocado até o como poderão resolver os problemas com as hortaliças. Nick, evidentemente se mostra solicito em estabelecer amizade com a garotinha e lhe responde tudo o que é questionado.
Enquanto Nick luta com problemas deixados pela explosão da barragem na terceira temporada, o grupo de buscas se divide em duplas: Madison e Alicia rumam para a parte externa da pequena cidade na qual Charlie indicou ter visto os pais pela última vez e Strand e Lucina se mantém em seu interior, vasculhando os prédios.
De Luciana e Strand conseguimos extorquir que ambos lutam com motivos do passado que seriam capazes de afastá-los do grupo. Há algo na conversa misteriosa dos dois que nos traz evidências de que o tempo entre a terceira temporada e a quarta não foi inteiramente de paz para o grupo. Algo aconteceu entre Strand e Madison que a levaria questionar sua fidelidade a ela, bem como entre Luciana e Nick que não parecem totalmente acertados quanto as razões que fizeram ela fugir do rancho.
Entre Alicia e Madison, finalmente parece que entenderam seus lugares dentro da relação. Não parece haver mais quaisquer dúvidas quanto ao amor de mãe e filha entre elas que já fora problema central entre ambas. Aliás, as duas formam uma ótima dupla em cena. Alicia evidentemente não é mais a adolescente inocente das primeiras temporadas e é totalmente imponente portanto sua arma.

Quando Madison se vê ameaçada por uma mulher desconhecida que tenta furtar o carro que os levou até o local, Alicia, Strand e Luciana conseguem a cercar. A mulher consegue se esgueirar e subir para cima de alguns silos que fazem parte do cenário. Madison e Alicia tentam convencê-la de que ela pode fazer parte da comunidade de onde veem, mas por descuido ela acaba caindo por meio de um buraco para dentro do silo que está lotado de óleo e walkers famintos. Madison determina que Alicia abra o acesso do local enquanto ela salta para dentro para ajudar a desconhecida na luta pela sobrevivência. Tudo acaba bem na missão, exceto pelo fato de que não conseguem achar os pais de Charlie.
Nick, que luta com o medo de ter que enfrentar o mundo exterior finalmente decide tomar providências, já que o grupo de busca está demorando demasiadamente. Assim, ele pega um carro e tenta sair do local, mas acaba colidindo com um poste e não consegue avançar o quão longe seria necessário.
Quando o grupo de busca retorna, na companhia da mulher desconhecida, descobrimos que ela se chama Naomi e é uma enfermeira. Uma ótima adição para o grupo e uma personagem com forte tendência a desenvolvimento.
Entretanto, a paz em Diamond é interrompida quando caminhões se acampam em sua porta de saída. Tudo se desdobra em descobrirmos que há uma traidora dentro do estádio-colônia. E surpreendentemente nos deparamos com uma traição dolorosa para Madison: Charlie, a garota pela qual eles empenharam suas vidas é uma “laranja” para o grupo de novos inimigos e se infiltrou em sua comunidade para extrair informações para o grupo que, ao que tudo indica, saqueia comunidades a fim de sobreviverem.
Ao que tudo indica, Madison terá problemas grandiosos com sua colônia, uma vez que estão enfrentando grandes problemas com as hortaliças que provavelmente não renderão absolutamente nada e os suprimentos podem não ser suficientes por muito tempo e agora estão inevitavelmente impedidos de saírem em busca de algo a mais já que os inimigos se mantem firmes a sua porta.
No final, somos transportados para o momento em que Alicia, Nick, Luciana e Strand confrontam Althea, John e Morgan na estrada. Quando Althea revela que ela encontrou a bandeira de marcação 51 em uma comunidade devastada, Alicia solicita que ela os guie para o local.

Um dos únicos pontos “negativos” do episódio foi Madison suja de óleo/graxa/lodo. As cenas eram sombrias, com ela confrontando o líder de outra comunidade que estava se opondo a ela, mas ao menos o redator aqui não conseguia leva-la a sério. Não porque a interpretação de Kim Dickens não era suficiente, mas porque era impossível olhar pra ela com aquele cabelo desgrenhado e não dar risada.
Enfim, parece que teremos grandes conflitos no grupo para combater os Abutres (nome que é revelado para os antagonistas) e para a manutenção de Diamond. Mas, em ponto a comunidade, a líder tem se demonstrado totalmente competente em sua função. Madison, embora com as ameaças do exterior, continua se empenhando na fortificação interna do local o que atraí a atenção dos residentes que se comovem e começam a ajuda-la.
Enquanto brinca com a mente do público e com as linhas temporais, Fear se mostra competente em desenvolver uma trama instigável à audiência. Personagens totalmente curiosos e profundos são adicionados à trama e trazem chances de enredos totalmente únicos pra história. Além do mais, Fear parece conseguir usar melhor o tempo de cena de cada um, maneja facilmente o desenvolvimento dos protagonistas como também o dos personagens regulares. Há múltiplas histórias concorrendo ao mesmo tempo em que se atam de forma coerente. Em contraponto ao que a série mãe faz, Fear não se esquece de seus personagens e dá importância a cada um deles, o que torna ainda mais rico o enredo.
Uma história bem escrita com um enredo que cada vez mais torna questões evidentes é o que é necessário para uma boa série se desenvolver. Nesse ponto, The Walking Dead precisa aprender com a “filha”. O público não precisa necessariamente de respostas rápidas para entender a história, pelo contrário, a audiência gosta de ser surpreendida quando é levada a ter impressões divergentes do que realmente está sendo apresentado. Surpresas são necessárias quando se trata de televisão.
Então, o que você achou do episódio dessa semana e da forma como a história de Fear tem se desenvolvido? Deixe um comentário abaixo evidenciando suas impressões sobre essa nova temporada e suas pretensões para o futuro da série. Queremos sua opinião para acrescer a nossa!
Fear the Walking Dead vai ao ar LEGENDADO aos domingos, às 22h30, e DUBLADO as segundas, às 23h30, no AMC Brasil. Consulte sua operadora de TV para mais informações.
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