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3ª Temporada

No set da 3ª temporada com Michonne e com O Governador – mas estranhamente, sem zumbis

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SENOIA, Georgia. — Em um dia úmido de verão, o elenco e a equipe de “The Walking Dead” estão agrupados sob a sombra frondosa de árvores que revestem uma rua pitoresca numa pequena cidade sulista, situada a aproximadamente uma hora do sul de Atlanta. Ninguém está coberto por suor e por lodo. Um veículo blindado que está estacionado no fim do bloco se mantém parado e silencioso. E talvez o mais estranho de tudo – não há zumbis.

É importante ampliar seus horizontes mesmo quando se trata do apocalipse. Então enquanto os walkers permanecem como o coração sombrio e pulsante da série da AMC que vai retornar para sua terceira temporada no dia 14 de outubro, as forças criativas da série estão ansiosas para dar ao pequeno grupo de resistentes sobreviventes mais com o que se preocupar do que a horda de zumbis. Nos próximos 16 episódios, é uma ameaça humana, incorporada de forma assustadora por um novo personagem conhecido como o Governador, que espera por eles.

“O que fizemos foi ampliar o mundo, então é menos sobre os nossos personagens tentando encontrar um lugar seguro no qual possam se esconder.”, diz o showrunner Glen Mazzara, no set da Georgia. “Eu realmente acredito que, nesse ano, o seriado está mais imediato e menos teórico. Não estamos lidando com questões de esperança, do que é necessário fazer para sobreviver nesse mundo. Nós estamos duplicando as ameaças, nós temos os zumbis, nós temos o Governador.”

Em menos de dois anos, “The Walking Dead” entrou em uma piscina lotada da cultura pop de serial killers, vampiros e dragões para se tornar uma bem sucedida série de horror e de fantasia, lidando, simultaneamente, com uma audiência sólida que, geralmente, não gosta do gênero de entretenimento. A série se classificou como um dos dramas mais bem sucedidos da TV e terminou sua segunda temporada com um excelente nível de audiência, que alcançou um índice impressionante de 9 milhões de espectadores e marcou um recorde entre os espectadores mais jovens.

O seriado também se tornou uma franquia vital para a AMC, casa de dramas de prestígio como “Mad Men” e “Breaking Bad”, que estão perdendo força gradualmente. Com o acréscimo de uma revista oficial, de jogos de videogame e postagens em blogs, a série de zumbis inspirou a criação de um talk show chamado “The Talking Dead”, no qual o elenco, a equipe, celebridades convidadas e os fãs fazem recaps dos episódios.

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Nesse verão, durante a Comic-Con Internacional em San Diego, o seriado invadiu o Petco Park, colocando um obstáculo elaborado no qual as pessoas pagavam 70 dólares para rastejar, subir, esquivar-se e fugir de 650 zumbis. E bem a tempo do Halloween, o labirinto “The Walking Dead: Dead Inside” desse ano é uma peça central para a “Maze is Universal Studios” Halloween Horror Nights no Sul da California e nas locações em Orlando.

A popularidade do seriado se deve, em parte, ao bom timing, segundo Sarah Wayne Callies, que interpreta Lori Grimes, a esposa do protagonista da série, Rick (Andrew Lincoln). Os cenários apocalípticos são os sinais dos tempos agora, ela afirma.

“Acho que muitas pessoas estão profundamente assustadas que nossos impulsos irrefreáveis estejam prestes a nos dominar.”, diz Callies. “Se esse seriado tivesse vindo à tona no meio dos anos 90, quando tudo estava realmente indo muito bem e havia uma relativa paz no mundo e a economia estava forte, eu não estou plenamente certa de que nós teríamos tanto sucesso quanto temos.”

Usando um boné de baseball, Callies assiste às primeiras cenas que são gravadas na vila fictícia de Woodbury, um lugar em que as pessoas fingem que o mundo não acabou. Os figurantes caminham casualmente entre pequenas lojas enquanto Laurie Holden, como a agressiva e engenhosa Andrea, fica maravilhada com a civilidade do local.

A superficial perfeição da vila pode ser relacionada ao Governador (David Morrissey), um formidável tipo cumpridor das leis e da ordem, que ergueu muros ao redor da cidade para manter os habitantes a salvo dos walkers. Mas suas ambições se estendem para além de sua pequena enclave.

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“Ele é tão narcisista que acredita que o apocalipse zumbi se trata de ele assumir o controle do mundo.”, Mazzara conta a respeito do personagem. “Ele sente que, quando a humanidade olhar para trás daqui a 1000 anos e ver isso como seus momentos sombrios, que houve um indivíduo que pôde manter a luz… ele quer ser esse indivíduo.”

Na série de quadrinhos de Robert Kirkman que deram origem ao seriado televisivo “The Walking Dead,” o Governador era um estuprador sádico que forçava os prisioneiros a lutar contra os zumbis em uma arena por esporte. Sua crueldade trouxe consequências para Rick e para o grupo, embora o personagem tenha levado os fãs à loucura – tanto que, no ano passado, Kirkman publicou um livro chamado “The Walking Dead: Rise of the Governor”, (“The Walking Dead: Ascensão do Governador”), uma história original dos tipos e das primeiras instalações de uma trilogia planejada. A sequência, “The Road to Woodbury”, (“A Estrada para Woodbury) sera lançada no dia 16 de outubro (EUA), programada para o mesmo dia de retorno da série.

Entre as tomadas, David Morrissey, o intenso ator inglês que ganhou o papel do vilão, diz que ele pretende interpretar o Governador com mais nuances do que o personagem possui na sua encarnação em tinta e papel.

“Ele precisa apresentar complexidade”, afirma Morrissey, vertendo seu dialeto sulista que ele empregou na cena da rua. “Se ele fosse somente um vilão comum, eu acho que atingiria o limite criativo rapidamente. Acredito que dar a ele essas camadas e cores e temores, com sorte, trará mais longevidade para o personagem.”

A ideia de acrescentar Morrissey ao elenco permanente do seriado marca um ponto de separação no texto de Kirkman. Tanto Mazzara quanto a produtora executiva da série, Gale Anne Hurd, perceberam, com o avanço da vida da série, que seguir religiosamente os quadrinhos não é a prioridade.

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“Às vezes, nós seguimos o que está nos quadrinhos, mais frequentemente do que não seguimos.”, Hurd diz.

“Estamos contando a nossa versão da história.”, Mazzara acrescenta.

Essa temporada se inicia meses após o relutante herói Rick ter sido forçado a matar seu parceiro e melhor amigo, Shane. O encontro letal endureceu o xerife, que estava frequentemente atormentado por dúvidas e desconfortável por ser o líder na temporada passada. Agora, ele se tornou um líder mais poderoso e destemido que não aceita dissidências e leva seu grupo até uma prisão remota que serve como base.

A temporada também marca um recomeço para Mazzara, cujos créditos televisivos inclem “The Shield”, “Life”, “Crash” e “Hawthorne”. É seu primeiro ano completo na direção de The Walking Dead — Mazzara assumiu no ano passado, após a saída abrupta do criador Frank Darabont, entre rumores de baixo orçamento, embora Darabont tenha reportado ter uma relação acrimoniosa com os executivos da AMC.

Embora a turbulência por trás das cenas não tenha parecido afetar a popularidade da série, alguns telespectadores reclamaram do andamento da segunda temporada, que se localizou numa propriedade rural. Mazzara defende que a lentidão foi necessária para a construção de um virada distorcida e que partiu o coração dos fãs. Ele também tem uma carta na manga sobre Michonne (Danai Gurira).

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Se o Governador é o Darth Vader de “The Walking Dead,” Michonne pode ser a versão feminina de Han Solo na série. A guerreira portadora da espada Katana, que foi vista rapidamente nos momentos finais da season finale da segunda temporada, escondida por um capuz com dois zumbis sem mandíbula e sem braços acorrentados a seu lado, é amada pelos fãs da série de quadrinhos de Kirkman. Gurira, uma dramaturga e atriz que pode ser familiar para os espectadores da série “Treme”, da HBO, também se apaixonou pela personagem.

Gurira, que nasceu e foi criada no Zimbábue, diz que vê Michonne como uma mulher que passou por um imenso trauma e, mesmo assim, se recusa a ser uma vítima disso. A atriz, que se formou com prestígio na Tisch School of the Arts, mergulhou nos seus conhecimentos da guerra civil liberiana para encontrar sua personagem.

“Eu fiquei tão atraída pela experiência das mulheres que passaram por isso.”, ela diz. “Quem elas se tornam e como elas se fortalecem em um mundo que está, na verdade, indo em direção à destruição? O que elas arrancam de dentro de si, até onde irão, de que são capazes, como conseguem se recriar para se tornarem fortalecidas em um ambiente tão intensamente desfavorável?”

Quando perguntamos à Gurira onde os espectadores vão encontrar Michonne quando “The Walking Dead” retornar, ela foi bem menos acessível. “Em uma posição interessante?”, ela respondeu, com a voz cantando para um ponto de interrogação.

Quase todos os membros do elenco e da equipe são geniais, porém notadamente silenciosos sobre a direção do seriado, temendo que qualquer coisa que seja dita possa aparecer na Web e estragar a surpresa. Michael Rooker, que interpreta o bom e velho Merle Dixon, retornará nessa temporada após uma breve aparição na sequência da alucinação na temporada passada, tem o destino particularmente secreto.

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“O Merle estava nas Bahamas, tomando daiquiris, se bronzeando, relaxando.”, diz Rooker, brincando, sobre o recente paradeiro de seu personagem.

É possível que somente Mazzara saiba o que o futuro reserva. Ele começou traçando um mapa da estrada em dezembro e fez um esquema de 15 páginas para os roteiristas do seriado. O documento incluía uma lista de leitura com o bestseller “The 48 Laws of Power”, escrito por Robert Greene — selecionado para dar insights maquiavélicos na mente do Governador.

Morrissey, que nasceu em Liverpool e é mais conhecido por seu papel na minissérie britânica “State of Play” e pela trilogia de filmes de assassinato e mistério com influência noir “Red Riding”, diz que buscou inspiração no livro “1984”, de George Orwell.

“Eu li bastante sobre inúmeros líderes e como eles controlam suas comunidades, como são capazes de manipular o povo, historicamente.”, ele conta.

Supervisionando o terceiro episódio, Mazzara tem um ar contente conforme observa o cenário de Woodbury à noite. Tochas iluminam uma rua deserta. Uma equipe de maquiadores dão a Gurira o mesmo olhar cintilante que ela tinha antes do dia tornar-se noite, sua pele orvalhada de suor e suspeita enquanto ela fita cautelosamente o Governador de Morrissey.

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Quando o diretor Guy Ferland diz “Ação”, o Governador faz uma exibição ao permitir que os novos residentes de sua cidade observem a extensão da terra à luz da lua, enquanto Andrea e Michonne se entreolham com uma solidariedade fraternal.

A alguns passos de distância, Mazzara descreve a atuação com um suspiro, apontando que as mulheres estavam tentando decidir, após passarem tanto tempo fugindo para poderem sobreviver, se iriam ou não permanecer em Woodbury.

“Elas acham que têm uma escolha.”, Mazzara diz.


Fonte: Hero Complex
Tradução: Lalah  / Staff WalkingDeadBr

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